00:00De volta ao vivo com o Money Times, vamos falar mais sobre a pesquisa industrial mensal.
00:05Esse é o quarto mês consecutivo que esse índice apresenta a alta.
00:09E agora vamos ouvir a Alberto Azental sobre isso.
00:11Ele está aqui com a gente para trazer uma análise mais aprofundada desse índice,
00:15que foi divulgado mais cedo, sobre o qual falamos na entrevista anterior também, né?
00:19Tudo bem, Azental? Boa tarde para você.
00:22Oi, Nath. Boa tarde e boa tarde para todo mundo.
00:25Bom, Azental, falamos aqui sobre alta, mas é importante pontuar que
00:29estamos falando de 0,1%, né? Abril sobre março e menos 0,3% abril 2025 sobre abril de 2024.
00:39Quero ouvir as suas impressões sobre, então, esse índice da indústria.
00:45É, esse menos 0,1% ele não assusta, né?
00:49Quando você tem 0,1% e é uma quebra de processo, para mais ou para menos,
00:54pode ser positivo ou negativo, ele não mostra muita informação.
00:58Porque, na prática, esse índice geral que caiu menos 0,3%,
01:04a gente já pode chamar arte, porque a gente já vai conversar tudo em cima da arte.
01:09Ótimo.
01:09Então, esse índice geral da indústria, ele vinha crescendo já há 10 meses consecutivos.
01:17E agora, ao invés de 0, deu um menos 0,1%.
01:19Então, pode ser uma pequena quebra, uma acomodação, mas não indica que seja já uma inversão ou uma reversão dessa alta.
01:28A alta vinha desde maio de 2024.
01:32Em maio de 2024 tinha 99,5 pontos e agora em abril, 104,86.
01:39Então, não necessariamente é uma inflexão de crescimento, pode ser uma pequena acomodação,
01:47mas, de forma geral, a indústria vinha recuperando bem.
01:51Ela vinha recuperando bem e de forma consistente há bastante tempo.
01:57Então, vamos analisar e aguardar.
02:00Vamos primeiro aguardar para depois analisar quais vão ser os próximos dados.
02:05Mas, estava vindo bem, a indústria está vindo bem, sem maiores problemas, de forma geral.
02:11Que bom.
02:12E, Azental, olhando ali a arte, tem outros dados que chamam a atenção.
02:15Queria te ouvir sobre eles, né?
02:17Podemos falar sobre bens de capital?
02:19Ó, com certeza.
02:20A gente vai para bens de capital, porque bens de capital, abril desse ano,
02:26sobre o mesmo mês do ano anterior, caiu 3,3.
02:303,3 já é um número importante.
02:33E já é a segunda taxa negativa, consecutiva.
02:38Então, bens de capital diz respeito a investimentos que geram oferta, não é consumo.
02:48E é importante a gente ter maior oferta, porque uma das coisas que pode diminuir a inflação
02:54é você ter mais oferta, oferecer mais produtos.
02:57A restrição de oferta também gera inflação, assim como o aumento da demanda.
03:03Então, se você consegue investir e produzir mais, gera emprego, é bom.
03:10Agora, o que mais chama a atenção nesse 3,3 negativo é que equipamentos voltados a transporte,
03:18e aí você tem reboque, você tem tratores da agricultura, caíram 12%, que é muita coisa.
03:25Equipamentos voltados para a construção, caíram 12,7%.
03:32Então, construção está comprando menos equipamentos.
03:35E equipamentos utilizados na indústria ou na distribuição de energia elétrica, 5,1%.
03:42Então, assim, bens de capital pode preocupar porque estão tirando um pouco o pé do acelerador
03:49ou até freando no sentido de investimentos em mais produção.
03:54De investir para produzir mais depois, né?
03:56E bens duráveis, já que você está explicando para a gente o que é o que também,
04:00bens duráveis, semiduráveis, não duráveis, tem um menos vírgula, 5,4% ali,
04:06que me chamou a atenção, Azental.
04:07É, o semiduráveis tem uma coisa interessante.
04:11Assim como a gente falou bens de capital, bens de capital é B2B.
04:15Em geral, são empresas que compram de empresas.
04:18Mas quando você vai para semiduráveis, aí é B2C.
04:21São empresas vendendo para o cliente, afinal.
04:24E os semiduráveis, eles não são aqueles produtos de consumo imediato
04:29ou compra por impulso.
04:31Eles são aqueles produtos que as famílias têm que ter uma determinada renda
04:34ou sobrar uma determinada renda no final do mês
04:37e pode ter um crédito ou um financiamento envolvido.
04:44Então, assim, essa queda de 5,4% em semiduráveis,
04:49ele diz menos a respeito da indústria em si,
04:52mas ele pode dizer mais ao que está acontecendo com a renda das famílias.
04:57Pegar alimentos e bebidas cair 4% é um consumo quase que imediato.
05:04Queda em telefone celular, queda em vestuário, queda em couro e calçados,
05:09quer dizer, itens relacionados a calçados.
05:12Você é o tipo de bem que você compra, que nem eu falei,
05:15sobrou um dinheiro, você compra.
05:17Se você não está com uma sobra de recursos,
05:20você espera para trocar o celular, você espera para comprar uma roupa nova,
05:24você espera para trocar de sapato.
05:27Então, essa queda de 1,9% no mês e de 5,4% comparado com o mesmo mês do anterior
05:32diz muito sobre a subida dos juros, encarecimento do crédito
05:38e uma renda eventualmente um pouco mais apertada.
05:43Isso semiduráveis.
05:45Certo. Obrigada, Azental, pelas explicações todas.
05:48E o Felipe Machado se juntou aqui a nós, tem um ponto para discutir com você.
05:52Diga, Felipe.
05:53André de Azental, tudo bem? Boa tarde para você.
05:57Azental, a indústria, a gente sabe que a indústria é bastante prejudicada
06:01com os juros altos, o dinheiro fica mais caro e tudo mais.
06:05O Banco Central começou a aumentar os juros ali em setembro, outubro do ano passado.
06:09A gente está começando a ver esse reflexo agora
06:12ou a gente vai ver ao longo do resto do ano?
06:15Como é que você vê a expectativa do impacto dos juros altos na indústria
06:18ao longo desse ano?
06:19Bom, Felipe, boa tarde.
06:23A política monetária, ela começa a surtir efeito entre seis e doze meses depois do seu início.
06:30Se ela começou lá em setembro, a gente deve começar a ver os efeitos a partir de março.
06:36E se ela começou em setembro e mês a mês, ou a cada reunião foi subindo,
06:40então, esse impacto começa a ficar mais forte a partir desse sexto mês.
06:46Então, você tem uma questão de sazonalidade na indústria,
06:50que ela produz para o final do ano forte,
06:53depois, quando tem a virada do ano, ela diminui um pouco a produção.
06:58Se passa janeiro, fevereiro, ela volta a produzir.
07:00Tem uma certa sazonalidade.
07:03Ela cai a produção, sim, em novembro, dezembro,
07:06porque ela produz para estoques, ela produz para o varejo,
07:10para o varejo vender novembro, dezembro.
07:13Então, ela tem uma sazonalidade, a produção é um pouco descasada do consumo.
07:18Tem um prazo, alguns meses de diferença.
07:24Mas, no que diz respeito à política monetária,
07:28foi aquilo que eu te falei, entre seis e doze meses.
07:30Pode ser que a gente está começando a sentir um pouco da influência,
07:35do aumento da taxa de juros,
07:38principalmente pelo lado do consumo de bens industriais das famílias,
07:44porque ele vai começando a encarecer crédito
07:46e as famílias, elas tiram o pé do acelerador
07:50e elas podem evitar comprar na medida que o financiamento,
07:56o crédito fica mais caro.
07:57Sempre lembrando, tudo aquilo que você compra com crédito,
08:01na prática, você está fazendo duas coisas.
08:04Você está comprando o bem ou o serviço em si,
08:08mas você também está comprando um crédito agregado.
08:11A verdade é que você compra os dois.
08:13E, no caso, se o crédito fica mais caro,
08:15pode ser que você pensa melhor na hora de comprar,
08:20ou até desiste, ou posterga a compra.
08:23Exatamente, com certeza.
08:25Muito obrigada.
08:26Quer perguntar mais alguma coisa?
08:27Não, não.
08:28Sempre uma aula.
08:28Escondido?
08:29Sempre uma aula.
08:30Mas, então, muitíssimo obrigada.
08:32Boa viagem.
08:33Te espero de volta aqui no Money Time semana que vem.
08:36Obrigado.
08:37Se Deus quiser, até segunda.
08:39Obrigado.
08:39Até.
08:40Tchau, tchau.
08:40Tchau, tchau.
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