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A economista-chefe da Galápagos Capital, Tatiana Pinheiro, analisou os impactos do novo IOF, a inflação anual projetada em 5,5% e os próximos dados econômicos que podem influenciar a decisão do Banco Central sobre os juros. Câmbio, crédito e PIB também estão no radar.

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Transcrição
00:00Vamos conversar agora com Tatiana Pinheiro, ela é economista-chefe da Galápagos Capital.
00:05Tatiana, boa noite para você, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:09Quero pegar um gancho aí vindo aí desse primeiro pregão da última semana de maio,
00:14sem grandes emoções.
00:15Vocês já esperavam por isso, apesar das recentes notícias internas e externas?
00:20E o que a gente pode esperar para amanhã diante dos indicadores aqui e nos Estados Unidos
00:25que serão divulgados?
00:26Amanhã volta o mercado americano, então isso é bastante importante.
00:33Eu acho que hoje o mercado foi um pouco vazio por conta desse feriado nos Estados Unidos.
00:40Então eu acho que amanhã é que a gente tem reflexo de todo esse desdobramento
00:47do final da semana passada, com as medidas aqui de alteração de IOF anunciadas.
00:54Então a gente vai ter mais, digerir um pouco na sexta-feira, que teve mercado lá fora,
01:02e a gente vai ver um pouco mais agora, amanhã, no dia de amanhã, com o mercado americano voltando.
01:09E aqui a gente tem o indicador, como foi sinalizado pelo repórter, o indicador de inflação,
01:15o IPCA 15 de maio, a prévia do mês de maio, a inflação tem sido uma questão, uma fonte de preocupação,
01:25essa resistência da inflação, esse distanciamento da inflação à meta.
01:30Muito provavelmente o IPCA 15 amanhã vai vir com uma inflação, vai manter a inflação na casa dos 5,5,
01:36a inflação anual, 5,5 é uma inflação bastante acima da meta, que é 3%,
01:43então deixa aí o Banco Central, deve manter o Banco Central sob alerta.
01:50E aí todas as, e o mercado debate o ciclo de taxa de juros, se tem mais uma alta em junho ou não,
01:59por quanto tempo, que é isso que está ficando mais importante, por quanto tempo o Banco Central vai manter a taxa de juros
02:07nesse patamar, seja 14,75, seja 15%, quantos meses ao longo do ano, se é só no ano que vem que ele começa a baixar juros ou não,
02:18acho que o mercado está muito nessa página de debater o que acontece com juros, e aí começa amanhã com esse indicador de inflação,
02:27que é super importante, e ao longo da semana a gente vai ter outros indicadores que ajudam nesse debate.
02:33Então a gente tem dados de crédito, que é um ponto importante aí para saber se o aperto monetário está fazendo efeito ou não,
02:42o crédito deveria desacelerar, temos aí os dados de mercado de trabalho, também é um ponto importante,
02:48o mercado de trabalho continuando aquecido desse jeito, coloca pressão em cima da inflação,
02:53e termina a semana com o PIB do primeiro trimestre, que promete aí ser um número bastante forte.
03:01Voltando aqui para a questão da inflação, 5,5%, se for mesmo esse número, como o mercado deve reagir a isso amanhã, na sua opinião?
03:11Olha, eu acho que o 5,5%, ele já está dentro dos preços de mercado, ninguém espera que a inflação comece a desacelerar já,
03:22que já viesse um número bastante baixo, que já mostrasse uma desaceleração no dado que vai ser divulgado amanhã.
03:28Então o 5,5%, apesar de ser uma questão, porque como eu disse, muito acima da meta de 3%,
03:38isso eu acho que o mercado já digeriu.
03:42A questão toda é a abertura dessa inflação que vai ser divulgada amanhã,
03:47é saber como é que está a inflação de serviços, que anda bastante pressionada e aí muito acima da meta,
03:55e acima do 5,5%, a inflação de serviços está rodando ali nos 6,70%, os serviços subjacentes.
04:04Então vai ser, o que o mercado vai ver é essa abertura, ver a inflação de serviços,
04:08ver o índice de difusão que é a medida para ver o quanto dos produtos pesquisados dentro do IPCA,
04:17quanto desses produtos estão em alta de preços.
04:20O último indicador falava que 67% dos produtos pesquisados, produtos e serviços pesquisados,
04:28mostravam alta de preços, registraram alta de preços em abril, 67% é muita coisa,
04:35mais na maioria dos produtos pesquisados registrando inflação.
04:40Então o mercado vai ficar olhando esses detalhes, mais do que o número em si,
04:44o número em si já está dado que é ruim.
04:46Agora tem que ver essa abertura, quando a inflação de serviços começar a desacelerar,
04:51se ela mostrar uma desaceleração, esse índice de difusão que eu falei,
04:56se voltar para cá, cair para casa dos 60%, abaixo dos 60%, aí sim são boas notícias
05:04no sentido de começar a indicar uma outra página, um outro capítulo de política monetária.
05:11Enquanto a gente tiver inflação de serviços pesada, na casa dos 6,70%, que é o que está agora,
05:17em difusão na 70%, 67% dos produtos registrando alta de preços,
05:24a gente continua nessa página de política monetária de taxa de juros bastante elevada.
05:30Eu vou passar para a pergunta dos nossos analistas, vamos começar pelo Alberto Azental.
05:34Alberto, boa noite para você, por favor, fique à vontade para perguntar para a Tatiana.
05:39A gente acabou de ter um problema com o sinal da Tatiana, pelo que eu percebi.
05:43Vamos ver se a gente consegue voltar, retomar o sinal dela, e aí sim o Alberto vai para a pergunta dele,
05:49para a Tatiana Pinheiro, que é economista-chefe da Galápagos Capital.
05:53Tatiana, vou passar para a pergunta do Alberto, então. Alberto.
05:56Cris, boa noite, boa noite a todos.
05:58Tatiana, desde a divulgação do aumento do IOF na quinta-feira à noite,
06:03tendo em vista o mercado de sexta e de hoje segunda-feira,
06:07você percebeu alguma movimentação atípica em função desse aumento no que diz respeito a VGBL,
06:15a interesse e o apetite por crédito, ou até mesmo o valor das ações de algumas empresas financeiras?
06:22O que você notou de atípico?
06:25Olha, eu acho que atípico nada, está muito cedo ainda.
06:34A gente vai saber desses dados, a gente precisa ter uma semana, por exemplo,
06:39para ver a movimentação do quanto está investido em VGBL,
06:43se isso movimentou, se teve saques, redução, eu acho que está muito cedo.
06:48Essas medidas passaram a valer lá na sexta-feira,
06:53as medidas de crédito, o aumento do IOF para o risco sacado,
06:59que é o financiamento do fornecedor, a empresa financia o seu próprio fornecedor,
07:04isso só vai passar a valer a partir do dia 1 de junho, que é semana que vem.
07:08Então, ainda específico de setores, o efeito do IOF não deu para ver,
07:16acho que no final dessa semana a gente vai ter isso mais claro.
07:19Agora, obviamente, o câmbio, a taxa de câmbio,
07:23ela sofreu bastante na quinta-feira, durante o anúncio do IOF,
07:27então ela estava apreciando até a metade do dia de quinta-feira,
07:31ela tinha batido R$5,60 a relação real-dólar,
07:36e aí na parte da tarde ela chegou nos R$5,70, R$5,70 e poucos,
07:41na sexta-feira ficou abaixo disso, mas ainda acima dos R$5,60,
07:47o melhor momento da quinta-feira e hoje também.
07:50Então, tem sim uma maior apreensão, e essa maior apreensão,
07:55eu acho que se a gente tem que olhar algum indicador
07:58que está mostrando essa maior apreensão, é a taxa de câmbio,
08:02que mesmo num dia parado, sem muita notícia, com feriado lá fora,
08:08não foi uma taxa de câmbio que teve aquele movimento de apreciação,
08:11de fortalecimento que a gente estava vendo aí nos últimos meses.
08:16Vamos passar agora para o Vinícius Torres Freire.
08:19Vinícius, pode fazer a sua pergunta para a Tatiana.
08:21Tatiana, boa noite. Você disse que, e todo mundo sabe,
08:26tem esse debate para saber se o BC para ou não com a Selic.
08:30Agora, a próxima reunião, a próxima decisão é no próximo dia 18 de junho.
08:35De novidade maior, a gente teve um possível aperto aí
08:39na condição de fornecimento de crédito por causa da medida do IOF.
08:43Mas até lá vai ter dado, medir, ou alguma notícia importante
08:48para o BC mudar de ideia?
08:50Vai ter informação suficiente para isso, para uma decisão tão difícil?
08:55Tem, tem alguns indicadores.
08:57Tem mais, tem essa inflação que vai ser divulgada amanhã,
09:01tem, na semana que vem a gente vai ter o dado de produção industrial,
09:04que é o indicador de atividade econômica,
09:06tem o próprio PIB, que vai ser divulgado no primeiro trimestre,
09:10do primeiro trimestre, que vai ser divulgado aí na sexta-feira dessa semana.
09:14Vai ser importante ver a abertura, ver o quanto que foi só a agricultura,
09:19ou quanto que os outros serviços estão, os outros setores estão crescendo,
09:23ver o lado da abertura da demanda, ver como é que se comportou
09:26o consumo das famílias, investimento.
09:30Tem alguns indicadores, mas que mude muito o cenário,
09:36aí eu acho que não.
09:37Eu acho que indicadores que vão ser divulgados e que mudam o cenário,
09:43que ajudam a ter uma perspectiva, por exemplo, melhor para a taxa de juros,
09:48ou uma perspectiva até muito pior do que o que a gente tem hoje,
09:53eu acho que isso não tem.
09:54Vão ser indicadores que vão mostrar mais do mesmo,
09:57e vai ser, vai depender mesmo, a gente está na parte discricionária da decisão,
10:02vai depender mesmo do que os membros do Banco Central,
10:05do que eles imaginam para frente, e do que eles preferem.
10:09Se ficar com a taxa 14,75 por muito mais tempo, parada,
10:14se subir mais um pouco para 15%, e aí poder calibrar, talvez,
10:20menos meses de juros num patamar alto,
10:26vai depender muito da decisão discricionária, mais do que números.
10:30Quando eu falo discricionária, assim, não é tanto número,
10:33vai ter alguns números que vão ser divulgados,
10:35mas eles não vão mudar muito o cenário.
10:37Então, não é tanto regra, não é tanto dado a ser divulgado,
10:42e mais mesmo eles sentando e eles debatendo o que eles pensam aí
10:47de futuro de política monetária.
10:50Tatiana, muito obrigada, muito bom te ouvir,
10:52volte mais vezes, uma boa noite para você e boa semana.
10:55Boa semana para todos nós, obrigada.
10:57Obrigada a você.

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