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00:08Olá, bem-vindas e bem-vindos a mais um ponto de vista. Hoje nossa pauta é educação e mais
00:15especificamente a Universidade Federal de Pernambuco. Como está a UFPE? Para onde ela está indo? Nosso
00:24convidado é o reitor da Universidade, professor Alfredo Gomes, que ocupa o cargo há quase sete
00:31anos. Reitor Alfredo Gomes, seja muito bem-vindo e obrigado por estar aqui hoje com a gente.
00:37Uma alegria estar aqui com você, no seu programa, Ponto de Vista, Fernando. E é uma satisfação
00:43enorme poder falar com toda a sua audiência. A gente tem acompanhado, professor Alfredo Gomes,
00:49nos últimos anos, um quadro de contingenciamento de verbas federais para as universidades.
00:55Qual a situação hoje da UFPE? A situação das universidades federais, entre elas a Universidade
01:03Federal, ainda é de subfinanciamento. Muito embora o governo Lula tenha feito a recomposição
01:11em relação ao governo passado, que foi de cortes bastante expressivos, além de falta de diálogo,
01:18além do negacionismo que havia naquela conjuntura, o quadro ainda é bastante difícil do ponto
01:25de vista orçamentário. A diferença, no entanto, é que há diálogo, nós temos discutido muitas
01:32iniciativas políticas que têm impactado positivamente na nossa universidade e entre demais universidades
01:41e do sistema federal, de maneira geral.
01:44O seu mandato vai completar sete anos, eu falei, né? E o seu segundo mandato vai até outubro do ano
01:51que vem, né?
01:52Qual avaliação que o senhor faz desses oito anos, quase oito agora, né? À frente da Universidade Federal de Pernambuco?
02:00Veja, a conjuntura na qual a nossa gestão tem tocado a universidade, né? Foi uma conjuntura do governo passado,
02:10o governo Bolsonaro, junto com o quadro de pandemia, que também conseguimos superar. E, a partir de 2023,
02:19se abrem muitas possibilidades do ponto de vista das políticas universitárias, né?
02:26Eu gosto de enfatizar que as grandes iniciativas que nós tomamos têm a ver com o processo de democratização
02:34da universidade, com o processo de interiorização e criação também de políticas de cotas, né?
02:41Na pós-graduação da universidade, tanto na graduação, tanto, perdão, no mestrado, quanto no doutorado.
02:49Isso permitiu com que aquela política de cotas iniciada em 2013, 2014, ainda no governo da presidenta Dilma, né?
02:58Tivesse, portanto, continuidade no âmbito da pós-graduação em Instituto de Ciência da Universidade, né?
03:04Então, isso é muito importante.
03:05A outra medida que eu considero também fundamental foi a avaliação dos programas de pós-graduação da universidade, né?
03:14Quando nós assumimos, nós temos aproximadamente 32% dos nossos mestrados de doutorado, né?
03:23Ali, com a nota 5, 6 e 7.
03:26A nossa gestão, portanto, colhe um fruto muito importante.
03:29E hoje, esses números apontam para 54% dos programas de mestrado e doutorado da universidade, com notas 5, 6
03:37e 7.
03:38Coloca a universidade, portanto, no patamar, né?
03:41Das grandes universidades brasileiras e também numa política forte de internacionalização.
03:47O senhor teve a frente, voltando um pouco, queria voltar para 2019, 20, mais ou menos, né?
03:52Quando tivemos a pandemia, né?
03:54Até 21, né?
03:56E, na verdade, até 22, mas o mais forte, o período que foi necessário até suspender a aula, tudo, foi
04:05o período ali, 21, mais ou menos, né?
04:08Como foi administrar uma universidade federal num período de pandemia?
04:13Pois é, veja, nós administramos a universidade num período de pandemia e de pandemônio, né?
04:20Então, eram as duas situações, um governo negacionista, um governo que não investia na ciência, não investia nos estudantes, na
04:31juventude, de maneira geral.
04:32E até achava que a pandemia não era nada muito sério.
04:35Isso, e levou a pandemia de uma forma completamente irresponsável, né?
04:39Então, esse quadro, ele é muito difícil para as universidades.
04:42As universidades são instituições que dependem diretamente, tanto do ponto de vista financeiro, quanto do ponto de vista das políticas,
04:49das iniciativas do MEC e do governo federal.
04:53E, naquela ocasião, a gente teve uma espécie de lacuna enorme em termos do diálogo, em termos de proposição.
05:02E também, né?
05:03O inverso disso foram muitos ataques às universidades, né?
05:07Então, as universidades que são instituições muito resilientes, instituições muito propositivas, né?
05:14Se reuniram e tocaram políticas importantes, né?
05:18Para responder ao quadro de pandemia, né?
05:21Ou seja, nós conseguimos fazer uma grande articulação para a produção de álcool aqui.
05:26Oferecemos toda a nossa estrutura de pesquisa, que inclui, inclusive, frisas, né?
05:31Aquelas frisas menos 18 graus, né?
05:34Para a gente tocar a política junto com o governo do estado e com as prefeituras.
05:38Fizemos parceria com a MUP e, nessa parceria, nós tínhamos aproximadamente mais de 130 municípios onde fazíamos a testagem do
05:48vírus.
05:49Então, a universidade teve um protagonismo muito forte na resposta a um quadro muito duro para toda a sociedade.
05:56Foi um período de muitos cortes também de verbas federais, né?
06:01As universidades no governo Bolsonaro quase que deixaram de ser prioridade, né?
06:06Faltou investimento em pesquisa, faltou...
06:08O próprio ministro da Educação não considerava muito o diálogo com os reitores.
06:14Como foi tocar o barco com a situação dessa?
06:18Absolutamente correta a sua afirmação, né?
06:21Nós tivemos ali quatro ministros da Educação, todos eles consideravam a educação como algo irrelevante, não fundamental para o desenvolvimento
06:31do país, não considerava a formação dos novos quadros como fundamental.
06:37Aliás, havia uma posição tão preconceituosa em relação às universidades que ele achava que as universidades federais são naturalmente instituições,
06:46digamos assim, diversas, né?
06:48Pluri, em termos de ideias, em termos de disciplina, etc., como se fosse comitê de partidos políticos.
06:57As universidades nunca foram e nunca serão comitê ou vinculadas a qualquer partido especificamente.
07:03Essa visão preconceituosa guiou a posição do Ministério da Educação, assim como do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e
07:13do governo de maneira geral em relação às universidades.
07:16Por isso que o governo ficou conhecido como um governo negacionista, aquele que nega a ciência do ponto de vista
07:22das articulações, a resposta aos grandes problemas nacionais.
07:27Eu lembro que o primeiro ministro do governo Bolsonaro, o primeiro ministro da Educação, foi o colombiano, o Ricardo Vélez
07:36Rodrigues.
07:37E o segundo, o Abraham Weintraub, ele chegou a dizer ainda em 2019 que as federais tinham plantações extensivas de
07:45maconha.
07:46Daí dá para a gente ter uma ideia do quanto foi difícil um diálogo com um ministro desse.
07:52Pois é, eles criaram uma ideia para, digamos assim, levar à população coisas completamente distorcidas em relação ao papel estratégico
08:04e fundamental das universidades federais.
08:06As universidades são muito importantes para o projeto de país e como eles não levavam a sério essa estratégia, tentavam,
08:15portanto, atacar as universidades naquilo que é a de mais essencial.
08:21A sua imagem, a sua reputação e a sua tradição.
08:25Depois, no governo Lula, a gente teve como ministro da Educação o ex-governador do Ceará, Camilo Santana, que ficou
08:31até recentemente.
08:32Ele se desincompatibilizou em abril para trabalhar na campanha do presidente Lula no Ceará e na campanha do governador do
08:40Ceará para a reeleição.
08:42Falando sempre com o mesmo ministro, eu imagino que tenha sido mais fácil, durante o governo Lula, esse diálogo entre
08:51o MEC e os reitores.
08:53O senhor confirma isso?
08:55Confirmo. A gestão do ministro Camilo, assim como do presidente Lula, foi de muito diálogo com as universidades.
09:02Eles reconheciam as grandes dificuldades que estávamos vivendo.
09:06Fizeram um esforço enorme para a recomposição do orçamento.
09:10Muito embora a gente ainda tenha dificuldades nesse sentido, mas há um esforço, há um diálogo, há objetivos e perspectivas
09:18colocadas,
09:19portanto, nessa relação entre MEC e universidades.
09:24Exemplo disso, Fernando, é a criação de 10 novos campos no Brasil todo.
09:30Pernambuco, especialmente a nossa universidade, implantou um novo campus, agora no governo do presidente Lula,
09:37que é o campus acadêmico do sertão.
09:39Já tem quatro cursos em funcionamento.
09:41Agora, no segundo semestre, nós iniciamos com o curso de medicina veterinária e o concurso público para o fortalecimento desse
09:49curso
09:49e para a abertura do curso de medicina lá em Sertânia está na rua.
09:54Ou seja, é um governo que procura ofertar soluções e vencer conjuntamente as dificuldades.
10:02Nós não podemos esquecer, nessa conjuntura mais recente, que o orçamento, de maneira geral hoje, é de grande parte responsabilidade
10:11do Congresso Nacional.
10:12Então, o Congresso Nacional, eles coordenam de forma muito forte as ações de políticas e controlam o orçamento público, de
10:22maneira geral, o orçamento da União.
10:23E, nesse sentido, há um grande desequilíbrio, ou seja, aquilo que seria exclusivamente ou majoritariamente responsabilidade do Executivo, do Ministério,
10:36hoje é compartilhado de forma, na minha visão, bastante distorcida com o Congresso Nacional,
10:42o que impacta também na capacidade de recomposição plena dos orçamentos das universidades federais.
10:48Eu, inclusive, ia fazer essa pergunta.
10:50Mesmo com essa mudança de governo, o contingenciamento continua.
10:54Quanto a Universidade Federal de Pernambuco precisaria e quanto ela recebe hoje?
10:59Eu vou dar dois exemplos para você entender essa distorção, está certo?
11:03Hoje, quatro, nesse ano de 2026, o orçamento de emendas individuais e de emendas de bancada de quatro deputados federais,
11:14que é algo em torno de 50 milhões cada um, é maior do que o orçamento de universidades grandes como
11:19o nosso,
11:20é o orçamento discricionário.
11:21Então, quatro deputados têm um orçamento de 200 milhões.
11:24O nosso orçamento em 2026 foi de 189 milhões.
11:29Então, há uma distorção profunda.
11:31Nós estamos falando de instituições de Estado, financiadas pela União,
11:36que vêm servindo à população há décadas e que têm matriculado, portanto, 43 mil estudantes,
11:43são 2.800 professores, estamos em quatro municípios aqui do Estado.
11:49Então, essa é uma primeira dimensão da distorção do ponto de vista orçamentário.
11:54É uma distorção enorme, eu concordo com o senhor aí, que não faz nenhum sentido
11:58quatro deputados ganharem mais do que o orçamento de uma universidade federal.
12:03Isso é o mesmo caso para a Universidade Federal do Ceará, para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
12:08para a Universidade Federal da Bahia e universidades compatíveis com o tamanho da nossa.
12:13Só explicando, ganharem mais, como eu falei, em termos de emendas, emendas parlamentares,
12:19quatro deputados ganham 50 milhões, como o senhor falou, que seria mais do que...
12:23São 37 milhões em emendas individuais e aproximadamente 15 milhões da cota da bancada,
12:29o que dá para cada um 50 milhões, somando quatro, portanto, 200 milhões.
12:33200 milhões, que seria mais do que o orçamento necessário para a universidade.
12:38A outra distorção, e respondendo mais diretamente a sua pergunta,
12:42em 2014, o orçamento da Universidade Federal do Pernambuco era 213 milhões.
12:49Então, nós estamos hoje com o orçamento da ordem de 190 milhões.
12:55Ou seja, 10 anos depois, 11 anos depois, o nosso orçamento é praticamente 23 milhões a menos do que era
13:03em 2014.
13:04Isso considerando inflação, a gente não consegue responder efetivamente a esse processo.
13:09E olha que eu estou falando de um orçamento que está sendo recomposto paulatinamente
13:14depois dos cortes realizados no governo passado.
13:17A gente não conseguiu superar todo esse processo, mas é um quadro que se apresenta
13:23e eu creio que é um desafio a ser retomado no diálogo com o governo federal e assim também com
13:30o Congresso Nacional.
13:31Quando a gente fala de investimentos necessários para a universidade,
13:35quais seriam, no seu entender, as prioridades para o FPE?
13:38Nós temos...
13:40Quando nós pensamos o orçamento das universidades, ele tem três componentes.
13:45É o componente de orçamento de pessoal, que o governo federal paga diretamente aos professores e técnicos dentro do orçamento.
13:53E temos o orçamento discricionário, que tem o orçamento de manutenção, que é o custeio que a gente faz,
14:00e o orçamento de investimento, que a gente pode comprar equipamentos ou investir em prédios.
14:04Então, nós estamos lutando atualmente, entre essas prioridades, para terminar o campus acadêmico de Sertânia.
14:13Isso é recursos do PAC, da ordem de 60 milhões.
14:16Então, as duas obras estão em andamento e os custos já estão em funcionamento, como eu falei anteriormente.
14:22Estamos trabalhando para terminar a reforma e a requalificação do teatro da UFPE.
14:29Quando nós assumimos a gestão, por razões lá de trás, o DOS Teatro estava plenamente fechado.
14:38E nós, então, começamos a fazer articulação com a bancada pernambucana e conseguimos três emendas de bancadas em anos suscetivos.
14:47Fizemos a licitação e a obra se encontra em andamento.
14:51O recurso que nós temos ainda não é suficiente para terminar e nós vamos, obviamente, procurar mais recursos para isso.
14:57Mas o objetivo é que em 2027 a gente também possa terminar esse teatro e entregar como um patrimônio da
15:05sociedade pernambucana.
15:06Para voltar a ter a oportunidade de ter grandes eventos, culturais, shows, teatro, etc.
15:13No espaço da nossa universidade, ao lado da Concha Acústica Paulo Freire, que é um espaço importante.
15:19Muito bem, professor Alfredo Gomes.
15:21A gente vai fazer um rápido intervalo.
15:23Você que está acompanhando a gente, não saia daí.
15:26A gente volta já, já.
15:39Ponto de Vista está de volta.
15:41Hoje eu recebo aqui o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, professor Alfredo Gomes.
15:47Professor, vamos continuar a nossa conversa.
15:50Eu queria falar dos rankings, né?
15:52Os rankings que são feitos vários, por isso não é um ranking só.
15:57Várias instituições que fazem os rankings das universidades brasileiras.
16:01E a Universidade Federal de Pernambuco sempre aparece em primeiro lugar do norte e nordeste.
16:06Mas quando a gente faz a contagem nacional, ela está ali entre nove e décimo lugar, nono e décimo lugar.
16:14Essa posição, na sua avaliação, a gente tem como melhorar e, de repente, daqui a um ano, dois, três, a
16:22gente está em oitavo, por exemplo, em vez do nono lugar?
16:25Isso.
16:26Temos, sim, como melhorar.
16:27Estamos trabalhando para isso.
16:29A universidade sempre aparece entre as dez melhores universidades do Brasil.
16:33Considere, Fernando, nesses rankings, especialmente os brasileiros, que tem três universidades paulistas aí.
16:42A USP, a Unicamp e a Unesp.
16:45E são instituições estaduais e cujo nível de investimento e de financiamento é bastante diferenciado do resto do país.
16:53Temos também uma PUC entre essas dez.
16:56Então, considerando as federais, nós estamos ali entre as seis melhores universidades federais.
17:03O que é muito importante na história e na tradição e na excelência das nossas instituições.
17:10Nós somos a melhor nota em termos dos cursos presenciais, nota 5.
17:17Os cursos EAD também temos nota 5.
17:20E na avaliação da CAPES, como eu falei recentemente, mais de 53% da EPS.
17:27Os nossos programas 5, 6 e 7 formam aí 53% desse processo.
17:34Então, é uma avaliação bastante consistente, histórica, que nós estamos melhorando ao longo desse período.
17:41E nos ranks internacionais também somos muito bem avaliados.
17:45No The Times High Education, por exemplo, os ranks coordenados pelas instituições chinesas, somos muito bem avaliados.
17:53Isso atrai atenção, portanto, das instituições e também das companhias internacionais sobre o que nós estamos fazendo aqui na Federal
18:04e em Pernambuco.
18:04A qualidade do ensino precisa estar sempre sendo avaliada, né?
18:09E para isso, avaliada e melhorada, né?
18:11E para isso é necessário investir em professores, em conteúdo, em materiais, né?
18:16Essa é uma preocupação constante de quem ocupa uma reitoria de uma universidade?
18:21Isso. O processo de formação continuada, né?
18:24Dos nossos professores, dos nossos técnicos administrativos, repercute positivamente, né?
18:31Positivamente na formação dos nossos estudantes.
18:35Uma das grandes preocupações que toda universidade grande, especialmente na conjuntura que vivemos de pós-pandemia
18:42e também de crescimento de ferramentas, né?
18:44Como inteligência artificial, a questão da EAD, né?
18:48É a manutenção dos nossos estudantes, é a manutenção com excelência.
18:52Daí a importância das políticas estudantis, né?
18:57Como manter os nossos estudantes na universidade e mantê-los de forma motivados, né?
19:03Para que nós possamos formar quadros, né?
19:06Não apenas para continuar a graduação, mas para pesquisa, para inovação, para tecnologia.
19:12Essa articulação entre universidade e sociedade, entre universidade e indústria, entre universidade e economia
19:19é algo perene e base da preocupação e da legitimidade das universidades.
19:25Mesmo sendo pública, eu acho que existe também, hein?
19:29É preciso que haja uma preocupação para se evitar a evasão dos alunos mais pobres, né?
19:35Os alunos, a gente sabe que a universidade é pública, de graça,
19:38mas os alunos têm despesas para se manterem nos cursos.
19:42Que preocupação a universidade tem com esse pessoal mais pobre que está lá fazendo os cursos da UFPE?
19:49Essa pergunta é muito importante, né?
19:51Porque, tradicionalmente, as universidades eram instituições de elite,
19:56voltadas para se formar às elites econômicas, dos profissionais liberais, etc.
20:00A ruptura com esse modelo de universidade aconteceu a partir do processo de interiorização
20:07feita lá em 2003 até 2010, no primeiro e segundo governo do presidente Lula.
20:15E depois nós tivemos também a questão das cotas introduzidas ali por volta de 2013.
20:22E hoje, 50% das vagas em todos os cursos e turnos são provenientes de estudantes das escolas públicas e
20:30do sistema de cotas.
20:32Isso mudou completamente o perfil.
20:34E uma das nossas preocupações é, portanto, como mantê-los estudando na universidade, né?
20:39Para que nós não percamos recursos, tempo e, obviamente, poder fazer a formação com muita excelência, né?
20:47Essa relação que você coloca na pergunta anterior sobre os rankings tem tudo a ver com a capacidade da gente
20:54de atrair novos cérebros, novos talentos e formar pessoas que possam impactar a sociedade, a economia
21:01e também transformar a sua vida e a vida das famílias, né?
21:04Então, temos, sim, uma preocupação permanente com a questão de evitar a evasão
21:09e manter os nossos estudantes em nossos cursos.
21:12Qual seria, professor, o papel estratégico da pesquisa desenvolvida na UFPE para solucionar, digamos,
21:20os problemas locais do Estado?
21:22Saneamento, transição energética, desigualdade social.
21:25O que é que a universidade faz nesse sentido?
21:28Não apenas forma quadro técnicos, né?
21:31Engenheiro, médicos, enfermeiro, economista, etc., né?
21:34Mas também o desenvolvimento de projetos estratégicos.
21:37Por exemplo, nós temos projetos que, se tivermos o investimento adequado, nós podemos fazer toda a construção de eletroposto
21:47para você impactar na questão da transição energética daqui até o final do Estado, Araripina, Petrolina, etc.
21:56A cada 100 quilômetros você tem eletroposto para ser colocado.
21:59Temos condições de fazer essa mesma coisa nas cidades turísticas aqui do Estado, né?
22:04Para você impactar e dizer, vamos fazer a transição energética.
22:08Isso é uma questão fundamental.
22:10Assim como na área de saúde, nós temos condições de produzir vacinas, produzir remédios,
22:17pensar a estratégia, portanto, para que as pessoas possam morar bem em situações de morro,
22:22como a gente tem parceria com as prefeituras, né?
22:25Dentre outras saídas, né?
22:27Responder a questões delicadas do processo de transição que nós estamos vivendo hoje com a questão do clima, né?
22:35Recife, por exemplo, é uma cidade que há previsões de que em 20 anos a nossa relação com o mar
22:43será completamente diferente.
22:45Então, temos gente que entende científico e tecnicamente disso.
22:49E é preciso que o Estado, o Estado de Pernambuco, as prefeituras aqui da região metropolitana,
22:55façam um diálogo com a gente, com esses quadros técnicos,
22:58para que a gente possa trabalhar e formular políticas públicas conjuntamente.
23:03A universidade não é uma ilha e não quer ser uma ilha.
23:06Nós queremos, efetivamente, estar junto dos municípios, estar junto das organizações sociais,
23:14da indústria, da economia e poder, portanto, formar quadros,
23:18mas também propor iniciativas fundamentais, né?
23:21Para elevar o nível de vida e de qualidade de vida da nossa população de maneira geral.
23:28Nosso tempo está quase acabando, mas eu queria ainda falar com o senhor sobre o Edital,
23:34Capes Global, né?
23:35A UFPE está entre as instituições contempladas no Edital Capes Global.
23:40O que é que isso significa para a universidade ser contemplada por esse Edital do Capes Global?
23:47Pois é, essa iniciativa é muito importante.
23:50A universidade lidera um conjunto de seis instituições,
23:55nós mais cinco instituições, lidera esse processo,
23:59que reúne mais de 90 programas de pós-graduação.
24:04A ideia central é fazer com que essa rede possa trabalhar de forma conjunta,
24:09para, de forma colaborativa, propor soluções para os problemas reais.
24:14Ao lado disso, é executar uma política de internacionalização.
24:18Então, o nosso papel com o Capes Global é fazer também a ponte do ponto de vista da internacionalização.
24:25Ela aponta numa parceria Sul-Sul, o Global Sul está sendo articulado,
24:30por meio do olhar estratégico do Ministério da Educação,
24:34uma vez que a Capes está ligada ao Ministério da Educação,
24:37para que a gente possa trabalhar conjuntamente e responder esses desafios de forma plena.
24:41Só para concluir, são 72 milhões e 800 que a universidade está liderando nessa iniciativa
24:49para fazer essas parcerias entre as instituições e programas e articular internacionalmente.
24:55Ainda falando de edital, mas um outro tipo de edital completamente diferente,
24:59na semana passada foi anunciado um edital para a contratação de pessoal administrativo da universidade.
25:05Por que esse edital agora e em quanto tempo essas vagas deverão ser preenchidas?
25:11Pois é, o edital está na rua, são 113 vagas para o pessoal técnico,
25:17a seleção acontecerá agora no segundo semestre e após o defesa eleitoral nós daremos posse, portanto, em 2027.
25:27São recomposições de gente que se aposentou ao longo desse período
25:30e a universidade precisa também renovar o seu quadro técnico-administrativo.
25:36Além desse edital, nós temos mais dois editais na rua para a contratação de docentes.
25:43Um edital é para professor aqui do campus Recife, campus Vitória e campus Caruaru, vagas docentes.
25:52E também temos um edital exclusivo para o campus acadêmico do Sertão em Sertânia.
25:58Esse que eu fiz referência, onde vamos iniciar o curso de medicina em 2027.
26:04Para a última pergunta, eu queria saber do parque tecnológico.
26:07O senhor falou rapidamente, eu disse que ia abordar depois, o parque tecnológico que vai ser no antigo prédio da
26:13Sudene.
26:14Que projeto é esse? Como ele começa a ser implantado?
26:17Rapaz, esse é um projeto belíssimo.
26:19Nós temos uma parceria com o BNDES.
26:23Por meio dessa parceria, o BNDES contratou um consórcio de empresas.
26:27Essas empresas desenvolveram o master plan de toda aquela região, além do oeste, aqui de Recife, que envolve todas as
26:40instituições presentes.
26:41E dentro dessa iniciativa está, portanto, o parque tecnológico.
26:46A licitação para a ocupação do parque tecnológico está no ar.
26:51A previsão é iniciar a obra e terminar, uma vez que o prédio já existe, é mais trabalho interno, de
26:56reajuste, etc.
26:58Readequação é que a gente possa entregar o parque tecnológico ali por volta de novembro, dezembro, para inaugurar.
27:05E também temos a captação de recursos junto à FINEP, que é a financiadora de estudos de pesquisa.
27:11Captamos ao longo desses dois anos mais de 100 milhões e será investido também em projetos estratégicos, como o Instituto
27:19Quanta, o Instituto da Biodiversidade.
27:22Isso a gente diz, usando a linguagem, que com o descontigenciamento que o governo do presidente Lula fez, do FNDCT,
27:33o investimento em ciência tornou-se uma realidade.
27:36E hoje nós pudemos planejar e trabalhar com previsibilidade do ponto de vista do investimento científico.
27:43Muito bem, professor Alfredo Gomes, eu agradeço muito a sua presença aqui no Ponto de Vista.
27:48Acho que deu para a gente abordar vários assuntos aí da Universidade Federal de Pernambuco.
27:53Eu agradeço a oportunidade. Fica à sua disposição e à disposição do Ponto de Vista, né?
27:59Em qualquer momento a gente conversar. Muito obrigado pela atenção.
28:02Obrigado ao senhor.
28:02Obrigado a você também que acompanhou até aqui. Obrigado pela audiência e companhia.
28:07A gente volta na semana que vem.