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00:08Olá, bem-vindos e bem-vindas a mais um Ponto de Vista.
00:12Hoje vamos falar sobre os efeitos do atual cenário mundial na economia brasileira e
00:18também sobre outros assuntos que estão em alta quando o tema é a economia no país.
00:24Para falar sobre isso, nós convidamos o professor de economia Écio Costa, da Universidade Federal de Pernambuco.
00:31Professor Écio, seja muito bem-vindo e obrigado por estar aqui com a gente.
00:36Eu que agradeço o convite, Fernando, para participar e, claro, falando de economia hoje em dia tem muito assunto,
00:42tanto o que acontece lá fora, como repercute aqui no nosso país, como o que acontece aqui também no nosso
00:48país, na nossa região.
00:49Então, é um prazer estar participando e espero poder trazer algumas informações e explicações de como o que acontece lá
01:00fora impacta aqui dentro
01:02e também como a política econômica aqui dentro do nosso país traz também impacto sobre os mercados, emprego, renda e
01:09assim por diante.
01:10Muito bem, vamos começar falando dessa guerra entre Estados Unidos e Irã, né?
01:15A guerra começou, o presidente Donald Trump dos Estados Unidos dizia que ia ser uma guerra muito rápida, né?
01:22Começou no dia 28 de fevereiro, um sábado, e já está completando dois meses, né?
01:28Completou, acaba de completar dois meses.
01:32A gente tem o principal efeito dessa guerra para a economia aqui no Brasil, qual seria?
01:39Veja, primeiro que uma guerra rápida geralmente é difícil de acontecer.
01:44A não ser que seja uma intervenção muito rápida, como a que aconteceu na Venezuela, por exemplo, que foi bem
01:51sucedida.
01:52Que não foi uma guerra, né?
01:54É, não foi uma guerra realmente, foi uma operação para tirar o ditador do poder e poder trazer uma esperança
02:03de redemocratização do país.
02:06Que até agora a gente também não viu avanços significativos nesse sentido.
02:11Mas essa com o Irã já é um país com uma potência econômica muito maior, né?
02:19Onde você tem realmente décadas já de discussões, de dificuldades nessa questão nuclear, né?
02:28Onde os Estados Unidos têm um receio muito grande, né?
02:32De que o Irã venha a produzir uma bomba atômica e que utilize essa bomba atômica contra os Estados Unidos
02:40ou contra o Ocidente.
02:41A própria OTAN tem essa preocupação também.
02:43E aí a ideia seria realmente de fazer essa intervenção rápida para reduzir esse ritmo, né?
02:52De o Irã estar se preparando para conseguir produzir essa bomba atômica.
02:58Isso após várias negociações que falharam no passado, né?
03:04Houve diversas tentativas de implantação de programas que viessem a ter essa redução na produção de uma bomba atômica.
03:14A principal preocupação era essa, né?
03:16Da questão nuclear, né?
03:18A questão da bomba atômica produzida pelo Irã.
03:21Mas hoje a guerra se fala muito mais no mercado de petróleo, o mercado mundial de petróleo, do que propriamente
03:28da questão nuclear.
03:30Exatamente.
03:31E continua sendo a grande preocupação.
03:33Porém, o Irã é um grande player mundial na produção de petróleo.
03:38E além do Irã, em todo o entorno ali daquela região do Oriente Médio, você tem grandes produtores mundiais, né?
03:46Rússia não está tão próxima, é um grande produtor.
03:48Os Estados Unidos é um grande produtor.
03:50O Brasil passa a figurar também como um grande produtor.
03:53A Venezuela já foi.
03:54Mas o Oriente Médio realmente concentra toda essa produção.
03:58E ela atende diversos mercados.
04:01Principalmente o mercado asiático, mas também o mercado do lado ocidental.
04:06Então, quando você mexe em um determinado ponto, né?
04:09E traz toda essa geopolítica bélica à tona, né?
04:17Isso termina trazendo uma repercussão em outros produtos.
04:20E o produto principal daquela região é justamente o petróleo.
04:23Então...
04:23Que mexe com toda a economia, né?
04:25Porque o petróleo não é só o petróleo.
04:27São várias coisas que acabam...
04:30São derivadas do petróleo.
04:31Que dependem do petróleo.
04:32Ou dependem do petróleo, né?
04:33Então, respondendo a sua pergunta inicial, inclusive, isso termina trazendo um impacto aqui no Brasil.
04:39Porque uma ameaça de uma guerra ou de uma invasão já faz o preço do petróleo disparar.
04:46Porque se sabe das consequências futuras, como a gente está vivenciando, né?
04:50Do estreito lá de Omuz, onde a passagem dos petroleiros está bastante comprometida, se não impedida em determinados momentos.
04:58Aí, isso faz com que o preço do petróleo dispare.
05:01Esse preço do petróleo termina impactando o mercado mundial e impacta também o mercado brasileiro.
05:08Apesar da Petrobras ser uma grande produtora aqui dentro do país,
05:14ela vem represando os preços até certo ponto.
05:17Mas até quando isso vai acontecer?
05:19Diante desse cenário que a gente tem hoje aí, o Brasil pode tirar proveito dele de alguma forma?
05:26De que forma seria essa?
05:29É, então, esses desdobramentos vêm, por exemplo, antes de chegar nessa situação que a gente pode tirar um proveito.
05:37É que, por exemplo, todo o material que você compra, todo o produto que você compra aqui no Brasil,
05:43ele é, acho que 90% ou mais, distribuído de forma rodoviária, né?
05:51Ou seja, você depende do diesel para transportar produtos aqui dentro do país.
05:56E esse diesel, ele teve o seu preço elevado.
05:59Então, consequentemente, isso termina repercutindo no preço dos produtos,
06:04gerando uma inflação oriunda diretamente do reajuste da gasolina e do diesel,
06:09mas também diretamente do preço desses produtos.
06:13Outro ponto, os fertilizantes que nós importamos para o agro, eles dispararam de preço, né?
06:21Porque o Brasil, por ser um grande player mundial na produção de alimentos,
06:26ele não tem fertilizantes o suficiente para atender essa demanda.
06:32Inclusive, essa é uma oportunidade interessante para você poder explorar mais isso aqui dentro do país também.
06:39Mas hoje, no curtíssimo prazo, nós temos que importar de outros países.
06:43E aí, indo para o ponto que você falou, das oportunidades, né?
06:46O que acontece hoje, não hoje, não só de hoje, mas fica muito evidente hoje,
06:52a gente vê que o mundo está muito dependente de uma região específica,
06:59que é o Oriente Médio, para ter o seu fornecimento de petróleo,
07:04petróleo, que mesmo com a eletrificação de muitos veículos e de vários processos,
07:10o petróleo ainda é um insumo muito importante para a economia mundial.
07:16E aquela região ali do Oriente Médio, ela sempre está em conflito, né?
07:22Sempre tem alguma problemática acontecendo com os Estados Unidos, o Israel,
07:26entre eles, com a Ásia também.
07:31Então, isso faz com que os investidores internacionais,
07:37com que os decisores de políticas de investimentos no mundo,
07:43comecem a olhar para outros países e outras regiões.
07:47E aí, ao mesmo tempo, aqui no Brasil e na América Latina,
07:51você vê uma Venezuela que a gente acabou de conversar sendo reorganizada
07:57para que passe a produzir novamente petróleo.
08:00É um grande player, era um grande player internacional
08:03e foi sucateado por conta do que aconteceu aí com essa ditadura lá chavista e de Maduro.
08:11Há um processo de retomada de investimentos por lá.
08:14A Guiana também, com o petróleo lá na margem equatorial.
08:19O Brasil vem se fortalecendo cada vez mais como um grande player internacional.
08:24A Argentina também surgindo nesse cenário.
08:27Então, a América do Sul passa a ter outros olhares no mercado internacional.
08:32Isso pode ajudar muito o Brasil, que já é um grande player no agro,
08:39se tornar ainda mais forte como um grande player no mercado da indústria extrativa mineral do petróleo.
08:48Explorando, produzindo para o mercado doméstico e também exportando para outros países.
08:53E o mesmo vai se repetindo com outros países aqui da América Latina.
08:56Então, isso é algo que o mercado mundial vem discutindo bastante.
09:02A Rússia com a Ucrânia estão também num conflito que já dura vários anos.
09:07A Rússia é um grande produtor, mas vem sofrendo sanções econômicas.
09:10E, novamente, a América Latina não tem guerra com ninguém, tem seus problemas internos.
09:16Pode tirar benefício disso, né?
09:18Mas pode tirar benefício disso.
09:20A guerra já está completando dois meses, como eu falei.
09:24Nesse período, o barril do petróleo subiu e já desceu.
09:28Assim que subiu, a gasolina ficou mais cara aqui.
09:31Mas, quando baixou lá, não baixou aqui.
09:34Por que isso acontece?
09:35As pessoas não entendem.
09:36Pois é, realmente, quando subiu, você termina não tendo muita margem, termina subindo por conta dessa importação.
09:45E aí, quando baixa, a gente está no Brasil também, né?
09:49É muito difícil você conseguir redução de preços num país onde você tem um processo inflacionário,
09:56que a gente vai até conversar um pouco sobre isso, contínuo.
09:59O que muitos distribuidores e revendas daqui alegam é que a margem deles está muito apertada
10:07e que, por conta disso, não houve essa redução de volta.
10:11Tem outro detalhe importante.
10:13O ICMS da gasolina, a partir...
10:17Houve uma coincidência com essa elevação do preço do barril de petróleo,
10:21que o ICMS dos combustíveis subiu de volta também.
10:25Então, isso também dificultou uma maior redução desse preço do combustível na bomba.
10:32E essa redução, essa retomada do preço do ICMS, veio de uma determinação nacional,
10:40que esse era o prazo para que isso acontecesse.
10:44Então, coincidiu também como mais um motivo para que não houvesse essa redução.
10:49Queria falar agora um pouquinho do Mercosul, né?
10:51O Mercosul foi criado em 91 e desde 1999 que se fala do acordo Mercosul-Uneu-Européia.
11:0199 para 26, são 27 anos discutindo esse acordo.
11:06E dizem que agora ele vai entrar em vigor.
11:09Será que ele entra mesmo?
11:10Pois é, é muito importante.
11:12Eu ensino, inclusive, economia internacional na UFPE,
11:16mais ou menos nesse prazo aí que você mencionou.
11:19Eu sou professor lá desde 2002 e sempre dando essa disciplina de economia internacional
11:25e já discuti muito sobre o acordo Mercosul-Uneu-Européia.
11:30Seria um programa da gente só para discutir sobre isso.
11:34E, assim, do último governo Bolsonaro para cá,
11:39houve um avanço significativo,
11:41onde realmente o governo anterior conseguiu destravar várias amarras
11:47e sentar à mesa com a União Europeia para que isso acontecesse.
11:52Felizmente, o governo Lula não jogou isso para o lado.
11:57Pelo contrário, também deu continuidade,
12:00o que permitiu novos avanços
12:02e é um marco bastante relevante para a economia brasileira, principalmente.
12:08O Mercosul hoje é Brasil, Argentina e os outros parceiros,
12:13onde esses dois terminam ditando as principais regras
12:16e essa regra de aproximação com a União Europeia vai ajudar,
12:20vai ser beneficiária para todos.
12:23Diz-se que a única resistência ainda hoje a esse acordo
12:28é por parte da França.
12:31Mesmo a França sendo contrária,
12:33esse acordo avança, na sua opinião?
12:36Sim, hoje há uma pressão muito forte da própria União Europeia
12:39para que isso vá para frente.
12:41A França realmente é o único país que é contrário
12:45por conta dos agricultores franceses
12:49que se veem ameaçados com a forte concorrência
12:52que o agro-brasileiro realmente oferece.
12:55Nós somos líderes mundiais na produção dos principais alimentos
13:00que você imaginar, de grãos, de produtos de carne,
13:04derivados de leite.
13:06Então vai haver uma invasão significativa do agro-brasileiro
13:12na União Europeia, que de certa forma já existe.
13:15Hoje, por exemplo, nós produzimos uva lá no Vale de São Francisco,
13:21mandamos por avião para o Reino Unido.
13:24Olha só como a coisa funciona.
13:27E vejo que a Inglaterra nem está na União Europeia,
13:29mas também redistribui isso dentro da União Europeia.
13:33E aí os agricultores franceses,
13:37eles não são tão eficientes quanto os brasileiros
13:40e vivem muito de subsídio.
13:44E essa concorrência, mesmo com subsídio,
13:47termina sendo muito forte.
13:48Já a Alemanha, Itália, Espanha...
13:52Eu ia entrar aí agora, nessa recente viagem que fez a Europa,
13:56o presidente foi a Espanha, Portugal e Alemanha.
13:59E com a Espanha e a Alemanha se falou muito também
14:02do acordo Brasil com o Mercosul.
14:05Será que dessa vez o acordo vai andar,
14:09vai ser finalmente posto em prática?
14:12Pois é, todos esses países têm total interesse
14:15para que isso aconteça.
14:16A Alemanha, por exemplo, é um grande fabricante
14:19da indústria mundial.
14:22Vem perdendo o posicionamento.
14:25Os seus ganhos de produtividade meio que estacionaram,
14:29enquanto que os da China subiram exponencialmente.
14:33Dos Estados Unidos também subiu...
14:35Os ganhos de produtividade subiram bem mais.
14:39E aí tem um acordo de um comércio preferencial com o Mercosul
14:44e acessar o mercado brasileiro, principalmente.
14:47Um mercado grande para eles, né?
14:49Nós temos, dentre os cinco, seis maiores mercados de consumo do mundo.
14:55Não somos a quinta ou sexta economia,
14:58estamos lá para a décima ou menos que isso,
15:01mas em termos de consumo, sim.
15:03Então, para a União Europeia ter acesso a um mercado como esse,
15:07é muito relevante.
15:09E aí, essas barreiras comerciais vão cair.
15:12Você vai ter impostos de importação reduzidos gradualmente,
15:16ao longo dos anos, em ambos os lados.
15:19E aí, os produtos industrializados da União Europeia
15:23vão chegar aqui mais baratos.
15:25Então, a gente estava conversando antes e eu estava até brincando,
15:30dizendo, olha, você vai ter agora BMW, Volvo, Porsche,
15:35muito mais baratos, depois de alguns anos,
15:39dentro do mercado brasileiro,
15:40com preços que vão concorrer com os preços internacionais.
15:44Hoje, o problema do Brasil é que nós temos uma economia muito protecionista,
15:49muito fechada.
15:52fruto de uma política lá da década de 1960
15:55de industrialização nacional,
15:57de substituição de importações,
15:59que a ideia era desenvolver uma indústria nacional,
16:03só que ela tinha que ter um prazo
16:05e se estende até hoje.
16:07Então, a gente termina pagando por produtos
16:10muito mais caros do que no resto do mundo.
16:13Então, a ideia é que com esse acordo você passa até isso
16:16e os consumidores vão terminar ganhando muito com isso aqui no Brasil,
16:22consumindo produtos de qualidade,
16:25oriundos de um mercado já desenvolvido,
16:28de alta qualidade,
16:30com preços mais acessíveis.
16:31Mais acessível, mais competitivo.
16:33Vamos terminar essa parte aqui do Mercosul.
16:36Daqui a pouco a gente volta
16:37falando também da economia brasileira,
16:40especificamente da economia brasileira.
16:42Você que está acompanhando a gente, não saia daí.
16:44A gente volta já já.
16:57O Ponto de Vista está de volta.
16:59Hoje recebemos aqui o professor de economia da UFPE,
17:04Hércio Costa.
17:05Vamos continuar conversando,
17:08falando das tarifas comerciais dos Estados Unidos com o mundo
17:14e que afetaram bem fortemente o Brasil.
17:18Começou dizendo que era 30%,
17:20depois passou para 50%
17:22e essas tarifas foram usadas de uma forma muito política
17:26pelo presidente Donald Trump,
17:28prejudicando todo mundo
17:30e assustando os exportadores brasileiros.
17:33O senhor acha que o Brasil tirou alguma lição
17:36desse episódio das tarifas econômicas dos Estados Unidos?
17:42Sim, na realidade,
17:44essa medida que o Trump tomou
17:47é uma medida de uma política específica lá dos Estados Unidos.
17:50Os presidentes têm essa liberdade
17:52para negociar tanto reduções
17:54como elevações de tarifas.
17:56É um pouco diferente de como funciona aqui no Brasil.
17:59Mas isso, você tem um histórico de várias décadas,
18:04na realidade, de um caminho contrário,
18:05de redução de tarifas,
18:07o que ajudou os Estados Unidos
18:08a se tornar uma grande potência mundial.
18:11Então, esse caminho oposto,
18:13ele foi com o intuito de melhorar a indústria americana,
18:17só que eu, como professor de economia internacional,
18:20por exemplo, eu defendo um caminho contrário,
18:22de maior abertura.
18:24Eu acabei de dar um exemplo
18:25de que o Brasil tentou fazer isso
18:27e não deu tão certo aqui.
18:29A gente continua ainda sendo uma economia em desenvolvimento,
18:32não uma economia já desenvolvida.
18:34E aqui, como que isso serviu de lição para o Brasil?
18:38É mais um capítulo
18:40de como o Brasil deve se portar
18:43no comércio internacional,
18:45sempre procurando parceiros comerciais,
18:48Novos mercados, não é, professor?
18:50Diferentes, novos mercados,
18:53para que você não se concentre
18:55somente em um único país,
18:57em um único bloco econômico.
18:59Então, aconteceu um acordo
19:01Mercosul-União Europeia na mesma época.
19:03A própria União Europeia viu isso
19:05e achou interessante também
19:08aproximar com o Mercosul,
19:09justamente para não depender tanto dos Estados Unidos,
19:12já que eles também sofreram tarifas.
19:14Mas o que preocupa também muito hoje
19:16é que os Estados Unidos
19:19já foi nosso principal parceiro comercial.
19:20Lá em 2010, mais ou menos,
19:22era nosso principal parceiro.
19:24De lá para cá, a China tomou o lugar dos Estados Unidos
19:27e hoje é o principal parceiro.
19:29E hoje um terço das exportações brasileiras
19:31vão para a China.
19:33Isso também preocupa bastante.
19:35Por isso que esse acordo Mercosul-União Europeia
19:37vem também com um objetivo
19:39de não concentrar tudo na China,
19:42não concentrar tudo nos Estados Unidos,
19:44ter uma terceira via,
19:46ter outras vias para que você possa comercializar seus produtos.
19:50Agora, inerente a esse processo,
19:52vem também uma necessidade de maior abertura comercial.
19:56O Brasil não pode ser um país tão fechado
19:59aos negócios internacionais.
20:01Ele precisa se abrir mais.
20:03É um processo recíproco.
20:05Quando você quer ter acesso a um mercado para o seu produto,
20:08você precisa abrir mão de barreiras
20:11para determinado mercado,
20:13que aquele outro país possa também acessar o seu mercado.
20:17E aí ambos saem ganhando com essa relação comercial.
20:20E aí é onde fica mais esse aprendizado.
20:23O Brasil precisa ir nessa direção.
20:25Uma crítica que tem se feito muito ao governo atual do Brasil
20:30é a dívida pública que só faz aumentar.
20:32No final do ano passado, ela chegou a comprometer 79%,
20:37ou seja, quase 80% do PIB.
20:39É muito, não é, professor?
20:41Pois é.
20:42Esse é um problema que a gente vive hoje aqui no nosso país.
20:46Se você olha do governo Dilma para cá,
20:49principalmente do início do governo Dilma 2,
20:52isso estava na casa dos 50 e poucos por cento.
20:55Aumentou bastante, né?
20:55E aí rapidamente foi subindo, subindo.
20:59Agora, no atual governo,
21:02o atual governo começou com uma relação dívida-PIB de 72%
21:06e estamos chegando a quase 80% até o final desse ano,
21:12do seu quarto ano do governo Lula 3.
21:16E o que é que acontece?
21:18Normalmente os países se endividam para poder crescer
21:23e deixar de ser uma nação subdesenvolvida ou em desenvolvimento
21:26e se tornar uma nação desenvolvida.
21:28As nações desenvolvidas fizeram isso.
21:30Eles têm altos patamares de relação dívida-PIB.
21:34Beleza, é o que muita gente até fala.
21:36Só que é uma dívida estável.
21:38Ela não fica subindo, subindo, subindo.
21:39Ela sobe pouquinho.
21:41A gente teve aqui em quatro anos mais de 10%,
21:45ou seja, mais de sete pontos percentuais do aumento da dívida
21:49em relação ao PIB.
21:51E nosso crescimento econômico?
21:53Foi esse patamar todo?
21:56Não foi, né?
21:57A gente teve um período de crescimento 3%.
22:00Agora vai ser menos de 2%, teve de 2% alguma coisa.
22:03E a gente continua ainda correndo atrás para tentar se tornar uma nação desenvolvida.
22:09Então essa é a problemática que a gente vive.
22:11Uma expansão fiscal muito forte, que gera um endividamento muito alto
22:15e que gera inflação e não tem gerado o crescimento econômico que a gente tanto precisa.
22:21Então esse é um contexto bastante preocupante, que vai respaldar, vai respingar no ano que vem.
22:28Independente de quem ganhar a eleição, vai ter que resolver esse problema no ano que vem.
22:32Eu queria falar exatamente da inflação.
22:35As projeções do mercado financeiro já apontam para uma inflação no final desse ano de 4,86%.
22:46Isso está bem acima da meta, que a meta é de 3%, podendo chegar no máximo a 4,50%, 4
22:52,5%.
22:52E aí está quase 4,90%.
22:56Essa taxa tão alta assim, tem como o Banco Central baixar os juros?
23:00Porque as pessoas falam muito que tem que baixar os juros, os juros tem que baixar.
23:05E com a inflação aumentando fica mais difícil, né?
23:09Pois é, a analogia é o seguinte.
23:11A gente está, Fernando, dentro de um carro, acelerando e freando o carro ao mesmo tempo.
23:18Esse é o problema.
23:20Você tem um Banco Central dentro da sua atividade fim, que é controlar a inflação para que uma inflação controlada
23:28não comprometa a renda, principalmente dos mais pobres, porque a inflação alta, poder de aquisição dos mais pobres despenca.
23:36Uma inflação controlada, eles conseguem manter um nível de compras, de manutenção da sua vida mais razoável.
23:45Esse é o papel do Banco Central.
23:47Então, como é que ele controla?
23:49Ele eleva os juros, que vai deixar o crédito mais caro para os consumidores e o crédito mais caro também
23:55para quem produz
23:56num momento até que a inflação volte a um patamar aceitável.
24:01Depois ele baixa de volta a taxa de juros.
24:05Só que, do outro lado, o governo precisa também fazer sua parte, que é controlar o fiscal.
24:12Ou seja, o governo é como se fosse a nossa casa.
24:16Você tem, nos últimos quatro anos, uma família ou um governo que está gastando muito mais do que recebe constantemente.
24:26E aí, todo ano, gastou mais do que recebeu, foi lá, aumentou sua dívida com o cartão de crédito, com
24:33o cheque especial,
24:34com o empréstimo que fez.
24:37E era o que a gente estava falando, a relação dívida-PIB vai aumentando.
24:40Só que esse excesso de estímulo, ele vai aumentando o peso na economia e na inflação,
24:48o que vai na contramão do que o Banco Central está fazendo.
24:51Então, enquanto não houver uma responsabilidade fiscal com essa redução,
24:55você não consegue controlar a inflação, não consegue reduzir os juros.
24:59A gente já está quase acabando a entrevista, mas eu não queria encerrar sem ouvir o senhor sobre a economia
25:06de Pernambuco.
25:07A nossa economia está crescendo? Tem margem para crescimento?
25:12Sim, a gente passa por um momento interessante.
25:14O governo atual de Pernambuco, ele tem hoje um alinhamento com o governo federal.
25:23O que antes, a gente passou muitos anos, onde Pernambuco, desde quando Eduardo Campos resolveu ser candidato à presidência,
25:31dali em diante, a gente terminou virando oposição.
25:35Depois com Dilma, com o próprio Bolsonaro.
25:39E agora você tem um maior alinhamento que termina trazendo a ajuda de vários investimentos lá do governo federal.
25:48Você tem programas sociais como o Bolsa Família, que terminam ajudando a economia do Nordeste e de Pernambuco.
25:55É importante a gente ver que quase metade da população de Pernambuco recebe programa social.
26:01E isso termina movimentando muito a economia.
26:03Quais os setores da economia de Pernambuco que estão melhores?
26:06É isso que eu ia dizer. Além disso, o governo fez uma estruturação do seu fiscal aqui,
26:12permitindo a captação de investimentos em infraestrutura, em rodovias, que a gente tem visto,
26:19também em portos.
26:21Você tem também a concessão da Compesa.
26:24Tem um horizonte de investimentos relevante que está se configurando aqui para a economia pernambucana.
26:31A refinaria Abreu e Lima está fazendo o seu segundo trem, vai iniciar, fez uma expansão recente.
26:39Então, são vários investimentos em determinadas áreas que estão ajudando para que a economia tenha um crescimento acima da média
26:46nacional.
26:47E é o que tem acontecido nesses últimos anos, realmente.
26:49Ajudando a economia pernambucana com esses investimentos a crescer mais do que a média nacional.
26:58Transnordestina também, ela precisa ser retomada efetivamente.
27:03E aí a ideia que vem realmente do interior para a swap, onde boa parte do escoamento realmente começa por
27:11lá.
27:12E é mais fácil você retomar nesse trecho, porque o trecho próximo de swap é mais caro.
27:18O arco metropolitano também é fundamental para destravar a logística daqui da nossa região.
27:26A gente vive um caos urbano da nossa região metropolitana.
27:31E esse arco metropolitano vai ajudar muito, inclusive interiorizando mais esse desenvolvimento econômico.
27:37Então, tem muitas iniciativas que estão acontecendo ao mesmo tempo que devem ajudar a economia pernambucana a crescer acima da
27:44média nacional.
27:45Muito bem, professor Écio Costa. Muito obrigado pela entrevista.
27:49Eu que agradeço, Fernando. E estou à disposição, caso queira me chamar novamente para a gente conversar sobre assuntos tão
27:55relevantes da economia.
27:56Muito obrigado. Obrigado a você também que acompanhou até aqui.
28:00Obrigado pela audiência e companhia. A gente volta na semana que vem.
28:07Obrigado.
28:08Obrigado.