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  • há 10 meses

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00:00Olá, bem-vindos e bem-vindas ao Ponto de Vista.
00:12Hoje o nosso tema são os acidentes de trabalho e também a sua prevenção.
00:17Eu recebo aqui Simone Holmes, que é auditora do Ministério do Trabalho e Emprego aqui em Pernambuco.
00:24Simone, seja muito bem-vinda e obrigado por ter aceitado o nosso convite.
00:28Obrigada, Fernanda. É um prazer estar aqui conversando com vocês sobre um tema tão interessante, tão instigante e importante.
00:37Eu queria começar, então, perguntando para o Ministério do Trabalho e Emprego, qual a definição, como é que ele define o que é acidente de trabalho?
00:47Na verdade, a definição do acidente de trabalho é do Ministério da Previdência.
00:51Então, acidente de trabalho seria todo evento que acontece com a pessoa que está trabalhando, está a serviço de alguém e que interfira de alguma forma na sua capacidade para o trabalho.
01:05Isso pode ser de forma temporária ou permanente ou até fatal.
01:12Muitas vezes, a pessoa vai trabalhar e acontece um acidente e essa pessoa vem a óbito.
01:20Então, acidente ou doença do trabalho é tudo aquilo que acontece quando a pessoa está a serviço de um empregador ou do empregador doméstico.
01:30De modo geral, os acidentes de trabalho estão aumentando ou estão diminuindo no país?
01:35Estão aumentando.
01:38Nos últimos anos, a gente tem observado um aumento no número desses acidentes e de adoecimento também, em menor proporção, mas estão aumentando.
01:50Isso é uma coisa que acontece no país todo?
01:53Tem algumas regiões onde acontece mais?
01:57Como é que é a distribuição?
01:59É no país todo esse aumento.
02:01A gente observa que é no país todo.
02:02Tem algumas regiões onde eles são mais frequentes, mas são regiões com uma população maior de trabalhadores, maior concentração de empresas, de indústrias principalmente.
02:15Mas, de uma maneira geral, em todo o país, a gente tem notado um aumento.
02:19Você é chefe de fiscalização de segurança e saúde no Ministério do Trabalho e Emprego.
02:26Segurança e saúde do trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego.
02:29Como é a situação no estado de Pernambuco?
02:32Pernambuco está muito mal nesse aspecto?
02:35Veja que também os acidentes têm aumentado.
02:38Ano passado, a gente teve...
02:40Isso não é dado oficial, porque o anuário do registro desses acidentes todos, que é publicado pelo Ministério da Previdência,
02:49o ano de 2024 não está fechado.
02:51Mas, em torno, a gente tem um acompanhamento pelo E-Social, que é hoje o sistema em que se registram os acidentes de trabalho,
03:00em torno de 17.200 acidentes.
03:04Mas ainda não é o dado fechado da Previdência.
03:07Eu ia falar exatamente desse número.
03:09No ano passado, Pernambuco registrou esses 17.200 acidentes de trabalho.
03:14Como é que a senhora avalia esse número?
03:16Ele vem crescendo?
03:17Como é que a gente pode comparar esse número com outros estados?
03:21Como é que fica o estado num ranking nacional, por exemplo, se a gente fosse fazer?
03:28Pernambuco não é um estado que seja campeão de acidentes.
03:32Mas esse número, eu não sei precisar em que posição Pernambuco estaria.
03:36Mas algo em torno, assim, entre talvez os 10 estados que mais notificam acidentes.
03:44Entre os principais setores com mais acidentes de trabalho, aqui em Pernambuco,
03:49os serviços hospitalares aparecem com destaque.
03:52Isso me chamou a atenção, porque a gente nunca pensa nos acidentes de trabalho nos hospitais.
03:59Por que esses acidentes acontecem e que acidentes são esses nos ambientes hospitalares?
04:06É, é um número que chama a atenção, né?
04:08Porque a gente acha...
04:10É porque quando a gente pensa em acidente de trabalho, a gente pensa primeiro, sei lá,
04:13a construção civil, a gente sempre ouve falar o operário que caiu, né?
04:17A gente nunca pensa o que seria o acidente de trabalho num hospital, numa clínica, no sistema de saúde.
04:24É um setor que notifica muito acidentes, apesar de não serem acidentes graves.
04:29Mas ele, em número, eles são bem frequentes.
04:32Mas se referem principalmente a acidentes com material perfuro cortante, furadas, principalmente.
04:42Então, todo o setor de saúde utiliza muito, né?
04:44Equipamentos de...
04:45Agulhas.
04:46Exatamente.
04:47E aí...
04:48Esse número é alto.
04:49Esses objetos perfurantes, né, cortantes, eles são acidentes a partir...
04:58O que é que a clínica ou o hospital faz?
05:01Como é que esse número chega ao Ministério do Trabalho e Emprego?
05:04Todo acidente desse tipo tem que ser notificado.
05:07Há um protocolo do Ministério da Saúde, inclusive, por conta do risco de contaminação desses acidentes.
05:13Então, as pessoas que sofrem esses acidentes, eles têm que ter acompanhado, tem um protocolo,
05:17às vezes precisam tomar medicação, porque há várias doenças que podem ser transmitidas por esse meio.
05:23Então, por isso que esse número é tão elevado.
05:24Quer dizer, o problema maior seria a questão da contaminação no ambiente hospitalar.
05:29Isso.
05:30Algumas doenças que podem ser transmitidas aí nesse momento.
05:34Não quer dizer que seja um acidente de gravidade.
05:36Existem setores que têm acidentes muito mais graves, mas numericamente são bem importantes.
05:41Outros setores que me chamaram a atenção e que estão na lista, os setores onde mais tem, os principais,
05:50onde mais tem acidente de trabalho, são a fabricação de açúcar, que no caso seriam as usinas,
05:57os hiper e supermercados, a coleta de resíduos, a construção civil e o transporte de cargas.
06:05Vamos falar de cada um desses agora.
06:07A questão da fabricação de açúcar, as usinas, quais são os acidentes mais comuns?
06:13A maioria dos acidentes no setor rural são com instrumentos tipo facão no corte da cana,
06:20muito acidente com corte.
06:22Acidentes com máquinas também são bastante frequentes.
06:26Com transporte.
06:27Houve um período em que a gente teve muitos acidentes, inclusive fatais, aqui no Estado,
06:32no transporte de trabalhadores em máquinas, tratores, essa coisa toda.
06:37Ainda acontece.
06:39Mas a maior grande parte dos acidentes nesse setor são causados por ferimentos.
06:46Hiper e supermercados.
06:47Quais seriam os principais acidentes e o que é que chega mais para vocês?
06:52Muito acidente relacionado a quedas em depósito, armazenamento, acidentes com máquinas, setor de açougue, padaria,
07:02essa coisa toda.
07:04E tem muito adoecimento também por questão de alterações músculas esqueléticas,
07:11dependendo de transporte, check-out, armazenamento de materiais.
07:19O pessoal de supermercado trabalha muito com aqueles pallets, né?
07:22Pallets.
07:23Para elevar a mercadoria, colocar lá em cima.
07:25Aquilo ali pode gerar também.
07:27Acontece, acontece sim.
07:29Armazenamento de mercadorias acontece também, muito acidente.
07:33Coleta de resíduos.
07:35Eu achava que era alguma coisa relacionada com reciclagem, mas não é.
07:39É a coleta do lixo mesmo, né?
07:41A coleta do lixo.
07:41A senhora me falava.
07:42Isso, isso.
07:43Também tem um grande número de acidentes que se dão muitas vezes por manuseio, manuseio
07:48do lixo, cortes com objetos que são acondicionados ali, quedas, fraturas.
07:58Às vezes acontece até casos de amputação de membro e até acidentes fatais.
08:05O transporte que faz a coleta do lixo são caminhões grandes, né?
08:09E muitas vezes os trabalhadores vão ali, muitas vezes não, quase sempre, né?
08:14Eles vão pendurados ali na carroceria do caminhão.
08:17É um trabalho bem arriscado.
08:19Muito.
08:20Apesar de que esses caminhões, de modo geral, transitam numa velocidade muito baixa.
08:26Mas, mesmo assim, existem riscos.
08:28Existem.
08:28Existem riscos e a gente vê com frequência acidentes.
08:32Quando o lixo é colocado no caminhão, ainda tem aquela que mexe ali com aquele material, né?
08:39Então, às vezes, nesse momento, eles estão atingidos por algum objeto, alguma coisa que
08:45está ali acondicionada, mal acondicionada.
08:48Às vezes tem quedas.
08:50E, às vezes, o caminhão corre um pouquinho mais, eles caem, entendeu?
08:55É uma situação bem arriscada.
08:58Construção civil, Simone.
09:00Eu achava que a construção civil era onde mais tinha acidente de trabalho.
09:04Porque a gente, talvez, porque sejam os que a gente ouve falar mais, né?
09:09Construção civil sempre tem um operário que cai de um andaime, né?
09:12Tem sempre algum tipo de acidente.
09:14Quando uma obra está, às vezes, iniciando, às vezes, até já perto de terminar,
09:20a gente sempre ouve falar de acidentes de trabalho na construção civil.
09:24Construção sempre foi um setor com muitos acidentes.
09:28Inclusive, já foi campeão de acidentes em algum momento.
09:30E, como é um trabalho muito dinâmico, as fases de uma construção, de uma obra, digamos,
09:40são muito dinâmicas.
09:41Em cada fase há os riscos específicos daquela fase do serviço, né?
09:48Os acidentes em construção, eles se dão, na maioria dos casos, por quedas.
09:53Queda é uma das causas principais de acidentes em quase todos os setores.
09:58Então, queda em construção, choque elétrico também acontece bastante e desabamentos.
10:07Fica a terceira causa de acidente na construção.
10:10Queda, choque elétrico e desabamento.
10:13Você fala assim, eu achava que construção era um setor...
10:18Era o campeão.
10:19Era o campeão.
10:19Não, é porque os acidentes mais graves, que são normalmente divulgados, são acidentes
10:25em construção, porque tem essa coisa que você falou.
10:28Queda de andares, cai um elevador, um trabalhador, desmorona um serviço lá, um muro, uma escavação,
10:38soterramento, acontece muito também nesse setor.
10:41Então, é a visibilidade que o acidente da construção carrega.
10:47Por isso que chama muita atenção.
10:49Outro setor, o transporte de cargas.
10:52Quais são os acidentes mais comuns nessa área?
10:55Acidentes de trânsito mesmo, abarroamento, e tem frequência...
11:01E está muito associado, assim, de uma maneira geral, com excesso de jornada.
11:06Falta de sono, né?
11:07Os motoristas, é, eles trabalham por um período longo, às vezes não tem as pausas que são
11:15necessárias.
11:16Dormem pouco.
11:17Dormem pouco.
11:18Então, o excesso de jornada hoje é associado diretamente à ocorrência de acidentes com
11:23motoristas.
11:24O motorista de carga é a categoria profissional que mais morre no Brasil.
11:29É o motorista de carga.
11:31Desde abril, o Ministério do Trabalho e Emprego está com a Campanha Nacional de Prevenção
11:36de Acidentes de Trabalho.
11:38Como é que essa campanha está sendo feita?
11:40Que divulgação o Ministério faz?
11:42E junto a que órgãos vocês divulgam mais a campanha?
11:46A CAMPAT, que é essa Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, ela existe
11:52desde 1971.
11:54Houve um período que foi suspensa, assim, recentemente e foi retomada.
12:00Ela acontece todos os anos, a partir de abril, as ações se desenvolvem até o mês de dezembro.
12:08Então, em abril, em alusão ao dia 28 de abril, que é aquele dia que se comemora, que se
12:16comemora, o dia em memória das vítimas de acidentes.
12:20Que celebra, né?
12:20É, em relação das vítimas de acidentes e doenças do trabalho.
12:27Então, é o mês que marca o início da CAMPAT.
12:30A CAMPAT é uma campanha que pretende chamar atenção para a ocorrência de acidentes e doenças
12:43do trabalho, de uma maneira geral, chamar atenção da sociedade, dos empregadores, dos trabalhadores,
12:50de todos, para a importância de se prevenir esses acidentes.
12:55E ela tem um tema, cada ano é escolhido um tema para a CAMPAT.
13:04Ano passado foi máquinas e equipamentos, porque também é uma...
13:10A utilização, o trabalho com máquinas e equipamentos gera muitos acidentes, muitas
13:15amputações de membros.
13:17É, de uma maneira geral, indústria, né?
13:19Que acontece mais isso.
13:20Esse ano é SIPA e...
13:22Esse ano é SIPA e SESMIT.
13:25SESMIT é o quê, exatamente?
13:27SESMIT é o Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho.
13:31É um serviço que as empresas têm que constituir, dependendo da sua atividade e do número de
13:41empregados da empresa.
13:43E SIPA?
13:45SIPA é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.
13:49É uma comissão composta por representantes do empregador e dos empregados.
13:57Depende também da atividade da empresa e do número de empregados.
14:02De uma maneira geral, uma empresa de risco 3, é que as atividades, elas são classificadas
14:09em risco, é uma gradação de risco, de 1 a 4.
14:13Então, empresa de risco 1, são aquelas de menor risco, entende?
14:18De risco 2, é teleatendimento, risco 2, banco é risco 2.
14:24Construção, indústrias, risco 3.
14:27Alguns tipos de atividade da construção são considerados de risco 4.
14:32Então, a gradação de risco é de 1 a 4.
14:35Uma empresa de risco 3, com 20 empregados, ela já tem que ter SIPA.
14:41Uma empresa de risco 2, depende do número, há uma tabela onde a gente consulta e vê qual
14:52é o dimensionamento da SIPA, quantos representantes da empresa tem que ter e quantos representantes
14:59dos empregados.
15:01Agora, Simone, quais são os impactos no sistema de saúde dos acidentes de trabalho?
15:05Nossa, acidente de trabalho é um problema, assim, de saúde pública, porque ele não
15:11impacta somente aquele trabalhador que adoece.
15:14Ele tem repercussão na família, ele tem repercussão para a empresa, porque tem perda
15:19de produtividade, a empresa está sujeita a multas, a indenizações por conta de acidentes
15:26e doenças do trabalho, impacta o setor de saúde, sobrecarrega o setor de saúde, a previdência
15:34com o pagamento de pensões, de aposentadorias por invalidez.
15:39Então, assim, impacta a sociedade como tudo.
15:44Muito, muito, além da, diretamente, a família da pessoa que se acidenta, especialmente acidentes
15:50graves, fatais, né, é um problema grande.
15:54E o custo dos acidentes é calculado em torno de 4% do PIB é gasto com acidentes de trabalho.
16:02Muito bem, Simone, a gente vai fazer um rápido intervalo, você que está acompanhando, não
16:06saia daí, a gente volta já já.
16:14Estamos de volta hoje entrevistando a Auditora Fiscal do Trabalho, do Ministério do Trabalho
16:26e Emprego, Simone Holmes.
16:28Simone, vamos voltar agora, eu queria perguntar qual a principal diferença entre acidente
16:34do trabalho e doença do trabalho.
16:38Como é que vocês separam as duas coisas?
16:40Certo.
16:41Para a previdência social, elas são consideradas acidentes, né?
16:47Então, assim, quando se faz a comunicação do acidente, que é feita através da CATE,
16:53CATE é comunicação de acidente de trabalho.
16:55Seja acidente ou seja doença, é notificado por esse mesmo instrumento, né?
17:01Então, a doença é aquilo que acontece, ou por conta de disposição a algum agente específico
17:10no ambiente de trabalho, tem várias causas, são as chamadas doenças ocupacionais ou as
17:16doenças do trabalho, que tem relação, que depende de como aquele trabalho é realizado.
17:22E o acidente é aquela coisa inesperada que acontece com o trabalhador, aquele evento súbito,
17:28né?
17:29Eu vou corrigir o inesperado, porque o acidente, na maioria das vezes, ele é previsível.
17:37Até a palavra acidente sugere alguma coisa assim, que aconteceu por acaso.
17:43Na verdade, acidente de trabalho não é por acaso que acontece.
17:48Eles têm... é o que a gente busca, é identificar as causas dos acidentes.
17:52E é o objetivo da CAMPAT, dessa campanha, é exatamente prevenir os acidentes de trabalho,
18:00porque tem como prevenir.
18:03Por que é importante uma empresa ter a CIPA?
18:07A CIPA é importante porque é formada pelos trabalhadores, né?
18:14Então, eles é quem mais conhece o ambiente de trabalho, quem sabe identificar os riscos,
18:19os problemas e apontar também as soluções, é quem está ali no dia a dia.
18:24É quem mais conhece o ambiente de trabalho.
18:26Então, a CIPA é importante.
18:27Por quê?
18:28A CIPA tem que se reunir todo mês para discutir essas questões relacionadas ao ambiente de trabalho
18:34e propor as soluções, que é levada para o empregador, né?
18:39Então, é importante isso, porque visa identificar e buscar as soluções.
18:44Você me falava, antes da gente começar a entrevista, que o presidente da CIPA normalmente é indicado pela empresa.
18:51É, isso.
18:53E os outros componentes da CIPA?
18:55São eleitos pelos próprios empregados da empresa.
19:01Quer dizer, o presidente não seria um dos eleitos que a empresa escolhe.
19:06Ela pode, antes da eleição, ela já pode indicar quem seria o presidente, é isso?
19:10É, o presidente da CIPA é indicado pela empresa, porque a CIPA é composta por representantes do empregado e dos empregados e do empregador.
19:20Os representantes ou o representante, porque o tamanho da CIPA também depende do número de empregados.
19:28Normalmente, a partir de 20 empregados, a maioria das empresas tem que ter CIPA.
19:32Quem faz parte da CIPA também tem estabilidade no emprego?
19:36Sim, tem estabilidade, tem estabilidade no emprego.
19:38Por que essa preocupação de garantir essa estabilidade?
19:41Veja, porque a maioria das vezes, o CIPA tem uma situação que, digamos, é quem vai denunciar, é quem vai propor soluções.
19:54Às vezes, eles, dependendo da empresa como um todo, muitos são demitidos em uma CIPA mais atuante,
20:02às vezes sofrem perseguições dentro dos ambientes de trabalho, entendeu?
20:06Então, é uma situação que incomoda um pouco.
20:13E além da CIPA, a gente falou que a campanha também trata do SESMIT, que é o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho.
20:23Que tipo de empresa é obrigada a ter esse serviço e qual a diferença entre ele e a CIPA?
20:28O SESMIT é obrigado a ser constituído em empresas de maiores, de maior porte.
20:37Então, uma empresa de risco 3, a maioria das empresas, por isso que eu falo muito nesse risco 3, nessa gradação de risco,
20:45a partir de 100 empregados, ela tem que ter um técnico de segurança do trabalho contratado,
20:51que vai trabalhar 8 horas por dia, entendeu?
20:55E aí, e esse número, essa composição do SESMIT, dependendo do número de empregados, ela vai aumentando.
21:02Às vezes, a empresa tem que ter técnico de enfermagem do trabalho, médico do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho.
21:11Uma coisa, a CIPA e a SESMIT, o SESMIT, uma coisa não tem a ver com a outra?
21:17Não, não. A empresa tem que ter as duas?
21:20Tem empresas que tem que ter as duas. A CIPA é formada pelos próprios trabalhadores, dentro de cada empresa.
21:26O SESMIT é formado por profissionais da área de segurança e saúde que vão prestar esse serviço de prevenção,
21:34de analisar acidente de trabalho, de fazer treinamentos com os trabalhadores, acompanhar a saúde,
21:40no caso de ter que ter o médico do trabalho na empresa.
21:42Você falou que o SESMIT, a partir de 100 funcionários, a empresa tem que ter.
21:46De risco treinamento.
21:47E a CIPA?
21:48A CIPA, a maioria das empresas, a partir de 20 empregados.
21:51A partir de 20 já tem que ter.
21:53A maioria delas, sim.
21:55E a medicina do trabalho, Simone?
21:57Como é que anda a relação do Ministério do Trabalho com os médicos responsáveis pelos exames ocupacionais?
22:04Quem realiza os exames ocupacionais são médicos do trabalho, né?
22:09Tem que ter essa especialização.
22:13E dependendo do porto da empresa, esse médico é contratado pela própria empresa,
22:20ou se a empresa não tem SESMIT, ela pode contratar um serviço de saúde ocupacional
22:25ou um médico do trabalho que realize esse acompanhamento.
22:29Então, o acompanhamento da saúde dos trabalhadores vai depender da atividade,
22:36dos riscos que existem, os fatores de risco que existem em cada atividade,
22:42e em harmonia com o PGR, que é o Programa de Gerenciamento de Riscos,
22:51que a empresa tem que elaborar, identificando todos os perigos que existem naquele ambiente de trabalho
22:58e o que é que esses perigos podem causar para o trabalhador, em termos da sua integridade.
23:06O que é que pode acontecer?
23:08Por exemplo, uma construção civil, você entra numa obra, o que é que você identifica como perigo?
23:14Uma periferia, por exemplo, que está sem a proteção.
23:18Isso é um perigo.
23:19E qual é o risco?
23:21O risco, qual é o risco?
23:24Você chega num andar de uma obra e que não tem proteção ali na periferia.
23:31Não tem ainda o parapeito.
23:33Qual é o risco?
23:34O risco é uma queda.
23:36E o que é que pode acontecer se o trabalhador cair?
23:39Dependendo da altura em que ele estiver...
23:40Dependendo da altura, ele pode até morrer.
23:41Ele pode até morrer, exatamente.
23:43Então, aí é o conceito do que é perigo e o que é risco.
23:47A medicina do trabalho, como as doenças do trabalho hoje são tratadas pela legislação
23:56trabalhista?
23:57As doenças são tratadas como acidente de trabalho.
24:00Mesmo não sendo ainda acidente de trabalho, é uma doença provocada, sei lá, pela repetição,
24:06pelo trabalho repetitivo que o funcionário faz, mas para a justiça do trabalho, para a legislação
24:15trabalhista, ela já é considerada acidente.
24:18Ela é um acidente de trabalho.
24:19Não existe assim.
24:20Comunicação de doença do trabalho.
24:22O que existe é comunicação de acidente de trabalho.
24:25E o acidente, ele pode ser classificado em três tipos.
24:29O acidente típico, o acidente de trajeto e a doença.
24:35Entendeu?
24:36Então, quando a CATE é emitida pela empresa, ela assinala lá.
24:41É um acidente típico, é um acidente de trajeto ou é uma doença do trabalho.
24:47O acidente típico é aquele que acontece no ambiente de trabalho, uma queda, um choque elétrico.
24:53Entendeu?
24:55O acidente de trajeto é aquele que acontece no deslocamento do trabalhador.
25:00De casa para o trabalho.
25:02Ele vai para o trabalho, ele volta para o trabalho e no intervalo.
25:06Se acontecer também na pausa, aquele intervalo de refeição, também é considerado acidente.
25:12Agora, a tendinite é uma doença muito frequente com quem trabalha com teclados, né?
25:16Eu tenho aqui o notebook, eu trabalho muito com ele.
25:19Ela é considerada, pode ser considerada um acidente de trabalho, se eu tiver, é um trabalho repetitivo, né?
25:28Eu posso precisar usar aquela, uma tala, né?
25:32Que colocam aqui.
25:33É uma doença do trabalho.
25:35É considerada uma doença do trabalho.
25:36É uma doença do trabalho.
25:37Mas é considerada acidente?
25:38É considerada acidente.
25:39Agora, tem duas, dois, fazer uma distinção aqui para vocês.
25:44A doença do trabalho, ela é aquela que acontece ou por uma exposição a um agente específico do ambiente de trabalho.
25:53Por exemplo, quem trabalha com chumbo, pode ter uma doença chamada saturnismo.
26:03Então, é uma doença ocupacional.
26:05Porque só vai ter saturnismo quem trabalhar com chumbo.
26:10Silicose.
26:11É uma doença que afeta os pulmões, o sistema respiratório, daqueles trabalhadores que trabalham com sílica.
26:18Então, é uma coisa específica.
26:20E quem é que trabalha com sílica?
26:21Quem trabalha com sílica, setor de construção, vidraçarias, vidro, fábrica de vidro e várias outras.
26:31Então, é chamada doença ocupacional.
26:35Agora, a doença que acontece, como o exemplo que você falou, quem trabalha com movimentos repetitivos,
26:42ela pode desencadar uma doença do trabalho, que ela depende de como esse trabalho é realizado.
26:48Essa é a diferença.
26:49Doença ocupacional e doença do trabalho.
26:52E eu queria perguntar a você o que é que o trabalhador deve fazer quando ele sofre um acidente ou uma doença do trabalho.
26:58Primeiramente, ele tem que informar, se puder, às vezes a pessoa tem um acidente tão grave,
27:06mas informar o seu superior, ao seu colega de trabalho imediatamente, para que sejam tomadas as providências.
27:13A empresa deve notificar todos os casos de acidentes, inclusive os sem afastamento.
27:19Por uma questão, assim, de epidemiologia mesmo, de saúde pública, para que se saiba, se conheça realmente o cenário de acidente de trabalho.
27:29E emitir a CATE tem um prazo de 48 horas para os acidentes de uma maneira geral.
27:36E no caso de acidentes fatais, a comunicação deve ser imediata.
27:42Muito bem. Simone Holmes, muito obrigado por sua presença aqui e por todos os esclarecimentos.
27:48De nada. Foi um prazer estar aqui com vocês e estamos à disposição.
27:52E para você que nos acompanhou até aqui, obrigado.
27:56E a gente volta na semana que vem.
27:57E a gente volta na semana que vem.

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