ITÁLIA, ARGENTINA E MINAS NO MESMO PRATO
Uma revolução na gastronomia de Belo Horizonte. Esse é o tema do novo episódio do Podcast Degusta, do Estado de Minas.
Os chefs Max Catolino e Alethea Ruckert, fundadores do restaurante Rivo, contam como experiências internacionais inspiraram um novo conceito de cozinha contemporânea baseado em hospitalidade, sustentabilidade e valorização dos ingredientes brasileiros.
No episódio, os chefs explicam a origem do restaurante Rivo, revelam bastidores da criação de pratos autorais, comentam tendências da gastronomia, falam sobre o impacto das canetas emagrecedoras no setor e antecipam novidades como a participação na CasaCor Minas.
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#BeloHorizonte
#Gastronomia
Uma revolução na gastronomia de Belo Horizonte. Esse é o tema do novo episódio do Podcast Degusta, do Estado de Minas.
Os chefs Max Catolino e Alethea Ruckert, fundadores do restaurante Rivo, contam como experiências internacionais inspiraram um novo conceito de cozinha contemporânea baseado em hospitalidade, sustentabilidade e valorização dos ingredientes brasileiros.
No episódio, os chefs explicam a origem do restaurante Rivo, revelam bastidores da criação de pratos autorais, comentam tendências da gastronomia, falam sobre o impacto das canetas emagrecedoras no setor e antecipam novidades como a participação na CasaCor Minas.
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Categoria
🛠️
Estilo de vidaTranscrição
00:00:09Olá, eu sou Celina Aquino e esse é o Degusta, o podcast de gastronomia do estado de Minas.
00:00:15Talvez você já deve ter percebido, a gente fez uma pausa para as férias, mas agora a gente já está
00:00:20de volta e com muita fome de boas histórias.
00:00:24Por isso, a mesa já está aqui montada, esperando você. Vem, senta, fica muito à vontade que a gente já
00:00:32vai começar mais um episódio.
00:00:34E no cardápio de hoje, nós temos uma mistura de Brasil e Argentina.
00:00:40Duas nacionalidades que se encontram em um restaurante contemporâneo que chegou querendo provocar e fazer pequenas e grandes revoluções na
00:00:50cena gastronômica de Belo Horizonte.
00:00:52Dois chefes que se uniram com o objetivo em comum, que é fugir do óbvio, desde o projeto arquitetônico até
00:01:01os pratos,
00:01:02que carregam referências de experiências muito marcantes que eles tiveram ao redor do mundo.
00:01:07Lá nesse restaurante, brioche impressiona, tomate vira protagonista e caviar brilha até na sobremesa.
00:01:16Eu estou falando do restaurante Rivo e os nossos convidados hoje são os chefes e sócios de lá, Max Catolino
00:01:25e Aleteia Ruckert.
00:01:26Olá, gente. Muito bem-vindos. Estou muito feliz de ter vocês aqui na mesa.
00:01:31Obrigado. A gente está feliz aqui pelo convite. Obrigado, gente, de verdade.
00:01:36E vamos lá, né? Falando um pouquinho da nossa...
00:01:38Estamos muito honrados com o convite de estar aqui mostrando um pouquinho dessa loucura que é ter o seu próprio
00:01:43restaurante.
00:01:44Pois é, vamos falar muito sobre isso.
00:01:46E vocês escolheram, para o nome do restaurante, Rivo, que é uma derivação da palavra revolução em italiano.
00:01:55Afinal, que revolução é essa que vocês querem provocar aqui na gastronomia de BH?
00:02:01Faça as honras, Ben.
00:02:02Então, Rivo vem de Rivoluzione, que em italiano é revolução.
00:02:06Então, esse nome apareceu para a gente na jornada de branding e de decidir toda a parte gráfica e a
00:02:13nomenclatura do restaurante,
00:02:14porque a gente carrega a bandeira de pequenas revoluções dentro do restaurante.
00:02:19Nada de subitivo, mas isso aparece desde uma qualidade de vida melhor para os nossos funcionários
00:02:27até uma hospitalidade e um atendimento para o cliente diferenciado.
00:02:30uso de ingredientes locais e levantar, levar aquele ingrediente ao seu melhor, ao seu máximo, né?
00:02:36Que aparece em vários pratos do cardápio, que a gente vai falando aqui com o passar do tempo.
00:02:40Vamos!
00:02:41Quando a gente falou, vamos colocar o nome de Rivo, né?
00:02:45De focar em Rivoluzione, que a ideia era puxar um pouco mais essa revolução,
00:02:50era muito mais interna também do que externa.
00:02:53Era mais de jornada trabalhista, de paga de salário, sabe?
00:02:57De uma qualidade de vida do funcionário.
00:02:59Mas também não dá para não atrelar isso para o nosso cliente.
00:03:02Então, assim, a nossa entrega, a hospitalidade, que deve ser genuína,
00:03:06o tipo de cardápio que a gente fez, que a ideia era juntar um pouco do alacarte
00:03:10com o menu de degustação, né?
00:03:12De alta gastronomia, de aplicar técnica em cima de produto.
00:03:15Era mais de tentar revolucionar, no sentido de mostrar para um cliente
00:03:19alguns ingredientes que eles são muito comuns, né?
00:03:22De uma roupagem um pouco diferente, mas sem que ele perca a essência por si só do ingrediente.
00:03:29Acho que foi muito mais pensado nisso.
00:03:31E a partir disso surgiu o Rivo, que a gente, de fato, está tentando revolucionar.
00:03:38Isso não é nada grotesco, assim, egocêntrico de falar.
00:03:42São mais algumas revoluções que a gente já imaginava ser necessárias, né?
00:03:47Para o nosso serviço, para a nossa área.
00:03:50E que a gente deixava de ver isso sendo aplicado.
00:03:54Então, a gente queria, primeiro, vamos fazer o básico bem feito.
00:03:57Então, a ideia de revolução também é fazer um básico bem feito.
00:04:00Isso é muito importante, né?
00:04:02Só que a gente coloca isso numa roupagem diferente.
00:04:05E aí, tem dois poréns.
00:04:07Ou a gente chama o público, ou a gente, né?
00:04:10Afasta o nosso público.
00:04:12Mas a ideia é a gente continuar sempre com essa ideia do restaurante.
00:04:15Ele nasceu assim.
00:04:17Tomara que ele não morra.
00:04:19Mas se um dia for morrer, ele vai morrer assim também.
00:04:22É a nossa essência.
00:04:23E é isso que a gente pretende ao longo da nossa jornada aqui.
00:04:26Ele é muito novinho, né?
00:04:28Vocês abriram em dezembro de 2025, né?
00:04:31Então, estamos falando aí de sete meses.
00:04:33Foi dia 2 de dezembro.
00:04:34Sim, a gente inaugurou dia 2 de dezembro.
00:04:36Mas ele nasceu, assim, quase um ano antes.
00:04:39Porque nós ficamos em obra 11 meses.
00:04:41Gente, é inacreditável isso.
00:04:44Como é que vocês conseguiram lidar com uma obra de 11 meses?
00:04:47Eu nem sei como a gente conseguiu lidar.
00:04:48Como é que você conseguiu?
00:04:49Não sei.
00:04:49Porque, assim, a projeção era para inaugurar a casa em junho.
00:04:53E aí vai junho, julho, agosto, setembro, outubro.
00:04:57Aí você já começa a desesperar.
00:04:58É.
00:04:58Estamos perdendo o time aqui de abertura.
00:05:01Porque a obra, a gente sabe que demora mais mesmo do que o previsto, né?
00:05:04Mais 11 meses.
00:05:05Foi uma jornada aí absurda.
00:05:07Absurda.
00:05:08Mas também fazia sentido, assim, não deveria ser 11 meses.
00:05:13Mas foi bom também o tempo.
00:05:15Para a gente conseguir olhar para realmente todo o canto do restaurante ali.
00:05:19Então, a gente vivia muito aquilo.
00:05:21Em todos os cantos tem o olho nosso, né?
00:05:23Que seja no desenho do salão, na arquitetura, na montagem de cozinha, nisso tudo.
00:05:30A gente teve um tempo amplo para poder realmente dar um valor melhor em cada canto.
00:05:37Mas também a gente começou uma obra e a gente não queria um restaurante que ele fosse igual à maioria
00:05:42dos restaurantes ou ao anterior.
00:05:44A gente queria quebrar qualquer semelhança com o restaurante anterior.
00:05:48E aí, quando pegamos, a gente viu uma série de necessidades de estrutura mesmo.
00:05:54Então, a gente refez hidráulica, refez esgoto, refez elétrica.
00:05:57É, jogamos 100% do espaço no chão e subimos tudo.
00:06:00Mudou tudo de lugar, né?
00:06:01A cozinha não era mais onde era.
00:06:03Desde o início, a gente queria que a cozinha fosse aberta e fosse o centro do restaurante.
00:06:07Então, depois a gente teve que quebrar a cabeça para fazer essa cozinha ali dentro.
00:06:10Porque tinham dois pilares.
00:06:12Que a gente não podia derrubar eles.
00:06:14Então, o Max ficava...
00:06:15A gente ficava aqui no papel de seda, desenhando, mexendo, mexendo.
00:06:19Ele sonhava...
00:06:20Aí, entrava no quadrado inexistente, porque não tinha nada.
00:06:22Aí, ele ficava simulando.
00:06:25Aí, eu faço isso.
00:06:25Aí, eu viro e boto isso aqui.
00:06:26Aí, eu viro e coloco isso aqui.
00:06:27Aí, eu viro.
00:06:28Não, não vai funcionar assim.
00:06:29Aí, teve um dia que ele sonhou e acordou de manhã e falou...
00:06:32Aquele desenho não vai funcionar.
00:06:34Gente, não podia ficar.
00:06:36Muito envolvimento mesmo, né?
00:06:38É o que ele falou.
00:06:39Acho que um dos nossos valores é a atenção aos detalhes.
00:06:42Então, realmente, assim...
00:06:44Tudo a gente escolheu.
00:06:45Até a torneira do banheiro de funcionários, a torneira do banheiro de gente.
00:06:48Inclusive, a gente brigava muito, porque...
00:06:50Sim, bastante, né?
00:06:51Ele queria que tudo fosse bonito.
00:06:53E ele queria...
00:06:54É só uma torneira.
00:06:55Eu falei, mas ela pode ser uma torneira e ser bonita, né?
00:06:58Então, era assim.
00:06:59Mas, é só uma torneira.
00:07:00É só uma porta.
00:07:01E uma porta, pra mim, você abre e tem múltiplas possibilidades.
00:07:04Pra ele, é uma porta e ponto.
00:07:05Acabou.
00:07:06Ela abre, fecha e...
00:07:08É a função.
00:07:10Mas, a gente é muito disso.
00:07:12Eu sou muito mais prático do que ela.
00:07:15E hoje, vocês olham pro projeto e pro restaurante?
00:07:18Vocês sentem que vocês chegaram realmente no que vocês queriam?
00:07:20Em relação a esse espaço, né?
00:07:23O que vocês procuram, pensaram?
00:07:24Eu acho que, no fundo, no fundo, sempre tem um canto que você fala assim.
00:07:27Pô, poderia ser diferente.
00:07:29É.
00:07:30Mas, nada assim, grandioso.
00:07:33Sabe?
00:07:33Não coisas mínimas, mas detalhes.
00:07:35É, que talvez a gente teria bem respeito ou escolhas um pouquinho diferentes.
00:07:39Mas, nada que mude a estética do que tem hoje, não.
00:07:43Talvez uma longa dentro já queimou e poderia ter sido uma escolha mais inteligente de outra...
00:07:48Alguns detalhes assim, sabe?
00:07:50É, mas é que, na maioria, são detalhes que, pro cliente, é imperceptível, né?
00:07:55É mais pra gente.
00:07:56Que estão ali no dia a dia.
00:07:57Então, acho que por isso também que a gente demorou.
00:07:59A gente olhava, olhava, olhava, olhava, e aí sempre eu falava, tipo...
00:08:03Pô, amor, chega, né?
00:08:04Chega, chega.
00:08:05Vambora, chega.
00:08:06Pô, 10 meses e já precisa abrir a casa.
00:08:09E, pra gente entender como é que vocês chegaram até aqui, vamos fazer uma volta aí no tempo
00:08:15e contar um pouco da história de vocês, que vocês dois, acho que são exemplos de que a vida dá
00:08:21muitas voltas, né?
00:08:22Sim.
00:08:23O Max, por exemplo, nasceu na Argentina, veio parar em BH aos 10 anos e se envolveu com a cozinha.
00:08:31Me conta um pouco como é que foi essa... por que vocês escolheram vir pra Belo Horizonte e como é
00:08:37que você se envolveu com a cozinha.
00:08:39Então, a escolha não foi minha, né?
00:08:41Até porque eu tinha 10 anos, mas a gente vinha numa crise na Argentina, na época, né?
00:08:45Lá dos meados de 2000.
00:08:47Meu pai tinha açougue, ele sempre teve açougue na Argentina.
00:08:50Foi uma época muito difícil que, infelizmente, a gente não conseguia se bancar mais.
00:08:55Então, não é uma história, tipo assim, linda, maravilhosa, pô, vamos pro Brasil.
00:09:00Mas, então, mais uma necessidade, até financeira.
00:09:03Então, a gente veio pra cá, era pequeno, ficamos na casa do meu avô.
00:09:07Nesse período, meu pai, ele voltou pra Argentina.
00:09:10E, sinceramente, foi assim, a gente teve uma infância que foi meio conturbada, né?
00:09:16Por uma questão financeira.
00:09:19Então, a cozinha, ela surge na minha vida de uma necessidade de comer.
00:09:25Teve uma época na minha vida que meu pai, ele pegava comida de sobra de restaurante pra poder comer.
00:09:33Quando a gente veio pra cá, também, era muito difícil.
00:09:35Então, eu era muito novo, meu pai veio e voltou pra lá.
00:09:39Minha mãe vinha depois de ficar 25 anos na Argentina.
00:09:42Então, não tinha emprego, não tinha o que fazer.
00:09:45E aí, a gente tinha que se virar.
00:09:46Então, com 13 anos, eu comecei a trabalhar pra poder ajudar minha mãe dentro de casa.
00:09:51Era eu, ela, meus dois irmãos.
00:09:53Um irmão e um irmão.
00:09:54Então, foi um período que eu fiquei mais ou menos 6, 7 anos sem ver meu pai.
00:09:58E aí, a gente começa a virar adulto, né?
00:10:01A gente deve se virar.
00:10:02E eu sempre gostei muito de TI, na verdade.
00:10:06Então, quando as coisas começaram a melhorar, né?
00:10:0813 anos, comecei a trabalhar.
00:10:09Quando eu fiz 18, comecei a fazer faculdade, com 17, na verdade.
00:10:14E aí, eu fazia redes, computadores.
00:10:17E aí, eu fiquei pouco tempo.
00:10:20Fiquei mais ou menos um ano e meio.
00:10:21Tava fazendo estágio.
00:10:23Fiquei 6 meses dentro de uma salinha, com a cara de frente pro computador.
00:10:28Eu falei, cara, isso aqui não vai me mover.
00:10:30Eu não te imagino nessa função.
00:10:32Pois é.
00:10:33Ele não consegue parar quieto.
00:10:34Não sei como você conjuntou isso.
00:10:36Naquela época, tava melhor ainda, né?
00:10:38Hoje em dia, tá pior.
00:10:39Mas aí, você fica naquela e fala assim, cara, isso não vai me levar pra frente.
00:10:44Tipo, senão é uma coisa onde eu consigo depositar a minha energia aqui e querer melhorar de vida.
00:10:49E aí, você começa, né?
00:10:51Fazer uma releitura da sua vida, da sua infância, do que você passou.
00:10:55Pra até chegar naquele momento, eu falei, não, eu preciso trabalhar com algo que um dia já me faltou.
00:11:01Que em cima disso, eu sei que eu vou depositar muita energia.
00:11:05Até pra uma maneira de trabalhar e reinterpretar tudo aquilo, de como que a gente consegue mostrar isso pros outros.
00:11:13Porque, querendo ou não, comida é muito bom e gostoso.
00:11:16A gente tem baixa gastronomia, alta gastronomia.
00:11:19Na realidade, é tudo gastronomia.
00:11:21Mas é uma coisa que, infelizmente, mata muita gente no mundo hoje em dia, que é simples a falta de
00:11:26comida.
00:11:27Sim.
00:11:27Então, isso pra mim foi uma chave, sabe?
00:11:33Aí, as coisas melhoraram um pouco.
00:11:34Eu fui fazer curso no Senac.
00:11:36Na época, eu fiz curso de cozinheiro, né?
00:11:37Que era intensivo.
00:11:38A gente fazia teórico e prático ao mesmo tempo.
00:11:42E aí, eu comecei em plenário.
00:11:43Só que, desde o dia que eu entrei, eu nunca mais saía.
00:11:46Eu entendi que aquilo era o meu propósito de vida.
00:11:48Era o que eu queria pra mim.
00:11:49Era o que ia me movimentar, assim, me fazer crescer.
00:11:52E aí, eu coloquei, realmente, 110% de mim dentro disso.
00:11:59E aí, eu me entreguei, cara, o máximo que eu pude.
00:12:02E sempre foi visando um nível maior na minha colocação daquela profissão.
00:12:09Então, chegou uma hora na minha vida que eu falei assim, cara, duas coisas.
00:12:13Eu preciso chegar naqueles restaurantes lá, que a gente julga como caríssimo.
00:12:18Porque eu preciso entender como é que funciona essa gastronomia.
00:12:21Tipo assim, se é uma coisa que eu não tive.
00:12:23Que eu não tive numa época.
00:12:25E hoje é tão valorizado.
00:12:27Por quê?
00:12:28E outra coisa que eu sentia muito falta.
00:12:31Era a minha essência com a Argentina.
00:12:34Então, assim, eu voltei pra Argentina.
00:12:36Depois de um tempo trabalhando.
00:12:38Hoje eu já tô com 14 anos na área.
00:12:41Então, eu voltei pra lá.
00:12:42Fiz um estádio.
00:12:43Passei no Michigan.
00:12:44Que até ano passado.
00:12:45Até a última eleição ali, teve um ensino Michelão.
00:12:48Fui pro Sucre.
00:12:49Que era um 50 best na época.
00:12:51E a gente já conseguia ter um norte maior.
00:12:53Do que que era aquele tipo de gastronomia.
00:12:56E eu fiquei mais ou menos um ano e meio na Argentina.
00:12:58Tentei resgatar um pouco tudo do que que eu era na minha essência.
00:13:02Aí eu voltei pro Brasil.
00:13:04E aí você já volta pro Brasil com uma passagem, com uma bagagem de fora.
00:13:08Que realmente abre muito a porta.
00:13:10Mas não é só por isso também.
00:13:11Eu acho que vai muito empenho e entrega de cada um.
00:13:15Não sou de acreditar muito em currículo.
00:13:17Eu acho que a pessoa entrega ali o que ela consegue.
00:13:20O que ela quer.
00:13:21Você vê isso no dia a dia.
00:13:24Mas depois que eu voltei, realmente a porta se abriu.
00:13:27Mas aí entra muito mais dedicação.
00:13:29Então, durante os 14 anos de cozinha.
00:13:33Falando que eu trabalhei mais ou menos 16 horas por dia.
00:13:36Todo santo dia.
00:13:37Todo final de semana.
00:13:39Sem reclamar.
00:13:40Uma coisa que eu gosto muito.
00:13:42Que é uma coisa que a gente gera uma discussão nossa.
00:13:45Porque assim, eu tô no restaurante e eu não quero ir embora.
00:13:47Cara, eu não quero ir embora.
00:13:48Eu quero ir cedo.
00:13:48Eu não quero sair.
00:13:49Eu quero ficar lá.
00:13:50Não tem fim.
00:13:51Não, ele não sabe contemplar a toice.
00:13:55Ficar sem fazer nada.
00:13:56Pra ele já era ansiedade.
00:13:57Ficar sem fazer nada.
00:13:58Pra mim é uma perda de tempo.
00:14:00Acho que vai muito da vida que eu tive.
00:14:03E quando eu entendi que eu precisava realmente me dedicar mais.
00:14:07Pra ser alguém melhor.
00:14:10Eu coloquei isso na minha cabeça.
00:14:11E aí eu nunca mais consegui tirar.
00:14:13Mas aí depois eu vim pra BH.
00:14:16Já trabalhei em vários e vários restaurantes.
00:14:19Trabalhei no Pacato.
00:14:22No Traga Luz.
00:14:23No Trindade lá no começo.
00:14:25No Alma Chefe.
00:14:26Fui chefe da Maestria 130.
00:14:29Chefei eu, Olga.
00:14:31Trabalhei no Sucre, no Michigan.
00:14:34E aí teve uma coisa que foi muito legal.
00:14:37Que marcou muito.
00:14:37Que eu tava ali em São Paulo fazendo...
00:14:40Fazendo um jantar.
00:14:41Eu fui convidado por Fred, Trindade.
00:14:43E a gente fazia um jantar do Fifth Best.
00:14:45Então assim, eu já tava chegando.
00:14:48Onde eu queria realmente chegar, né?
00:14:50Ver como é que funcionava esse mundo todo.
00:14:53E eu sou muito amigo do Fred hoje.
00:14:55E a gente foi lá fazer esse menu.
00:14:57Se eu não me engano foi em 2019, 2018.
00:15:01E aí lá eu conheci o Luiz e o Vini.
00:15:04Que eles eram os chefes do Evai.
00:15:06E eles me fizeram um convite pra entrar.
00:15:08Lá no Evai.
00:15:09E falaram, cara, essa vaga tá aqui.
00:15:11É pra ser subchefe.
00:15:12E eu falei, pô, não...
00:15:15Realmente não...
00:15:16Eu não consegui acreditar.
00:15:18Tipo, você pensar da infância que eu tive.
00:15:21Do que que eu passei.
00:15:21O que que era o meu objetivo.
00:15:23E conseguir entrar num restaurante de alto padrão.
00:15:25Que eles já tinham a Estrela Michelin como um subchefe.
00:15:29Pra mim foi assim...
00:15:30Realmente, pô, meu marco de cara.
00:15:32Deu certo.
00:15:33Assim, confia que deu certo.
00:15:35Sim.
00:15:36E eu fiquei na Evai mais ou menos dois anos e meio.
00:15:39A gente conseguiu a segunda estrela.
00:15:41Eles foram agraciados esse ano com a terceira estrela Michelin.
00:15:45Que pra mim eu acho muito legal.
00:15:46Um baita orgulho.
00:15:48Ter trabalhado lá.
00:15:49E ser amigo da turma que tá lá.
00:15:50Amigo do Luiz.
00:15:52Mas ali naquele mundo eu consegui entender.
00:15:54É como se ele tivesse recebido a terceira estrela junto.
00:15:58É.
00:15:58Ah, com certeza.
00:15:59Faz parte da história, né?
00:16:00Você tá na primeira.
00:16:02Aí você ganha a segunda.
00:16:03Querendo ou não, você faz parte.
00:16:04Eu tava ali na frente da cozinha.
00:16:06Sim.
00:16:06Ele falou assim, cara, eu, moleque, que veio da Argentina, pobre, tipo, pô, tô aqui.
00:16:13Entendeu?
00:16:14É uma conquista.
00:16:15A dedicação realmente, ela falou assim, cara, turminha realmente entregue porque vai
00:16:19dar, estudem porque vai dar, acreditem porque realmente vai dar certo.
00:16:24Mas ali foi, ali eu consegui entender vários porquê daquilo ser tão valorizado.
00:16:32E que quando a gente olha por fora e fala assim, nossa, é muito caro, sei, sei lá, não é
00:16:35vai hoje, eu nem sei quanto é que tá, mas ele tá tipo 1.500 ou menos na negociação.
00:16:39Então, é caro, realmente é caro, realmente é caro, mas aí entram dois poréns.
00:16:43Cara, um restaurante, ele é muito caro de se manter, mas é uma coisa assim, absurda de se manter.
00:16:49E que a gente tá falando de um restaurante muito bem operado, uma gestão muito bem feita, se ele deixa
00:16:54ali, cara, 9 a 12% é muito.
00:16:58Então, assim, é muito trabalho pra pouquíssimo retorno, quase nada, mas tudo pra uma entrega.
00:17:05Então, assim, tem um valor agregado em cima de tudo.
00:17:08E aí você tá vendo, cara, desperdício, técnica, um monte de coisinha que hoje a turma fala que é muito
00:17:14frufru, pequenininho,
00:17:16mas é que tem um valor naquilo, tem um porquê, tem muita mão de obra envolvida, sabe, tem muito custo,
00:17:22tem muito produto de primeira qualidade,
00:17:23muito produto importado. Então, aquilo ali realmente faz um sentido.
00:17:28Os equipamentos da cozinha, né?
00:17:30Os equipamentos, assim, cara, se você montar um restaurante hoje, cada forno ali custa um carro.
00:17:36Sim.
00:17:36Assim, não é nada barato.
00:17:38É.
00:17:38Mas ali eu consegui enxergar e eu consegui aceitar de que eu também poderia pertencer àquilo,
00:17:47mesmo durante muito tempo não conseguindo consumir, mas eu conseguia pertencer,
00:17:52porque no fundo, no fundo, é comida.
00:17:55Então, assim, o que falta, o que sobra, a gente trabalha sempre com comida.
00:18:00Sim.
00:18:00Então, um pouco disso.
00:18:01E, Aleteia, vamos falar um pouco da história dela, que também você chegou a estudar nutrição, moda,
00:18:08formou administração e depois foi pra gastronomia, né?
00:18:13Como é que foi o seu percurso e em que momento que você entendeu que era isso mesmo que você
00:18:17queria?
00:18:18Sim.
00:18:20Então, a primeira faculdade que eu entrei foi de design de moda, né?
00:18:24Mas eu já tinha uma grande vontade de empreender.
00:18:27E aí eu venho de grandes exemplos da minha família, né?
00:18:30Meu pai é um empreendedor, ele tem a empresa própria dele a mais...
00:18:34Vai ter quase minha idade, praticamente 91, eu sou de 88, mais ou menos, é 35 eu acho que fez.
00:18:41Então, eu acho que eu já tinha dentro de mim essa vontade de ter alguma coisa própria.
00:18:46Eu lembro de ir com ele pra empresa, de pequena, dele ficar trabalhando muito,
00:18:50e de eu ficar na sala de reunião brincando de um monte de coisa.
00:18:53Então, eu acho que, de certa forma, aquilo ali me influenciou.
00:18:55Então, quando eu fiz design de moda, eu já queria ter a minha loja.
00:18:59Mas aí precisava... Ele me incentivou muito a fazer administração.
00:19:04Não com foco em trabalhar na empresa, mas com foco de aprender se eu quisesse realmente ter a minha própria,
00:19:09né?
00:19:10Então, eu comecei a fazer administração junto com design de moda.
00:19:13Acabei me formando só em administração.
00:19:16Vivi o mundo corporativo por mais ou menos uns seis anos.
00:19:18Fiz uma especialização em gestão e marketing, que é uma área que eu gosto bastante.
00:19:22E aí, depois, trabalhei na empresa dele, mas não me encontrei ali.
00:19:29Qual área que é?
00:19:30Ele faz equipamentos para a área de mineração.
00:19:32É uma empresa de grande porte, tem fábrica e tudo mais.
00:19:36Então, eu tenho um baita orgulho do que ele fez.
00:19:38Realmente, é uma coisa assim, sem palavras, mas não era a minha coisa.
00:19:43Então, foi um grande desafio.
00:19:46Inclusive, perceber e admitir que não era a minha coisa.
00:19:49Porque eu me sentia... nem sei se a palavra certa era obrigação, mas é uma coisa que é minha também.
00:19:55Queria ser minha.
00:19:57Então, eu sentia que eu deveria seguir aquele caminho.
00:20:00E eu tentei por algum tempo.
00:20:01Aí, o marco foi um...
00:20:04Em 2016, eu fiz um retiro de meditação de silêncio de dez dias.
00:20:09Lá fui eu.
00:20:10Para todo mundo que eu conto, todo mundo...
00:20:12Nem sei se eu conseguiria fazer isso hoje, mas na época, lá fui eu.
00:20:15E aí, é de silêncio completo.
00:20:17Você não fala com ninguém.
00:20:18Você compartilha quarto.
00:20:20E não conversa.
00:20:21Não lê, não escuta, não escreve.
00:20:23Nada.
00:20:23Você só medita o dia inteiro.
00:20:25E aí, quando você sai desse retiro de meditação,
00:20:28a sensação é que você tem força para fazer o que você quiser.
00:20:31Já que você ficou ali dez dias internada.
00:20:33Acumulou energia.
00:20:34É só comida vegetariana.
00:20:36É feito por...
00:20:37Como que fala?
00:20:38São voluntários.
00:20:40Voluntários.
00:20:41Antigos alunos que vão e que servem.
00:20:44Então, a comida é toda feita por eles e tudo mais.
00:20:46E aí, quando eu voltei,
00:20:48eu voltei decidida a conversar que eu queria fazer outra coisa.
00:20:51E nisso, comecei um mergulho em mim mesma do que eu gostava de fazer.
00:20:54E a gastronomia já estava muito presente na minha vida,
00:20:57mas mais pela minha mãe cozinhar muito.
00:21:00E muito bem, assim.
00:21:01Então, quando eu fui fazer vestibulagem de desenho de moda,
00:21:05eu fui para São Paulo tentar uma faculdade lá.
00:21:08Acho que era a IMB.
00:21:09E foi a primeira vez que eu tive contato com um restaurante de alta gastronomia,
00:21:12que é o Dom, do Alex Atali.
00:21:14E nem foi por mim.
00:21:15Foi pela minha mãe.
00:21:15Minha mãe já sempre gostou dessas coisas.
00:21:17Tipo, a gente viaja,
00:21:18ela sempre quer ir na cozinha de autobistrodo, não sei o quê.
00:21:21Ela sempre olha.
00:21:22Hoje, ela me mandou uma mensagem detalhada
00:21:24de tudo que ela tinha cozinhar no almoço.
00:21:27Então, é assim, cenourinhas, agridoce, entre parênteses,
00:21:30com não sei o que que era, nem olhinhas de vinho.
00:21:33Isso é uma glace de...
00:21:34Não, glace de goiaba, de sobremesa,
00:21:36que é uma coisa indiana, com iogurte, né,
00:21:39que você mistura com a fruta.
00:21:39Gente, então, realmente, é alto nível.
00:21:42Ela é.
00:21:42Não, você chega lá para almoçar em um panquete,
00:21:45que é assim, cara, quantas pessoas comem?
00:21:46Quatro, pô, mas tem para cinquenta.
00:21:48É, então, eu tive esse grande exemplo.
00:21:51Ela sempre cozinhou muito.
00:21:53Eu fui vegetariana até os doze anos,
00:21:54só descobri depois de grande, inclusive.
00:21:56Então, ela sempre fez tudo.
00:21:58Eu vim de uma escola antroposófica,
00:22:00então, eu estudei quando pequena em uma escola valdof.
00:22:03Então, ovo de páscoa, eles que faziam,
00:22:06chocolate amargo, frutas, não tinha açúcar.
00:22:08Era uma coisa...
00:22:09Todo mundo que eu falo hoje,
00:22:10acho que eles eram super radicais.
00:22:12Mas, foi muito rico para mim.
00:22:15Então, comecei esse mergulho de entender o que eu ia fazer
00:22:17e me deparei com...
00:22:19Na época, as pessoas chamavam de flow.
00:22:21O que é aquilo que te deixa em flow
00:22:23e que, enquanto você está fazendo,
00:22:24você não pensa em mais nada.
00:22:26Aí, cheguei na resposta que era enquanto eu cozinhava.
00:22:29E aí, comecei a fazer umas confrarias do Felipe Ramek.
00:22:32Ele tinha tanto no...
00:22:33Comecei no Trindade.
00:22:34Olha que a gente não se conheceu em nenhuma...
00:22:36Nesse momento aí, ainda não.
00:22:38Nossos caminhos se cruzaram,
00:22:39mas a gente não se conheceu.
00:22:40Aí, depois, ele abriu uma chefe.
00:22:42Eu ainda fui.
00:22:43Fiz, acho que uns dois anos dessa confraria.
00:22:45Aí, eu era bem caxias, assim.
00:22:47Estudava tudo, escrevia tudo.
00:22:48Ia para casa e replicava.
00:22:49E aí, ele abriu um restaurante
00:22:52que, na época, chamava Green Up,
00:22:54que era uma manchonete dentro da companhia atlética.
00:22:57E aí, eu fui trabalhar lá.
00:22:58Ele me convidou e falou,
00:22:59vem cá testar se é isso mesmo que você quer.
00:23:02E aí, desde então...
00:23:03Você nunca mais saiu.
00:23:05Fiz nutrição.
00:23:06Foi na época que eu estava trabalhando nesse Green Up.
00:23:07Eu estava cursando a nutrição.
00:23:09Fiz metade do curso.
00:23:10Aí, acabei me inscrevendo no processo de estágio do Mani.
00:23:14Que, na época, eu não sei se existe mais.
00:23:15Acho que ia voltar.
00:23:16O Lab e Mani voltou agora, eu acho.
00:23:18Então, na época, você se inscrevia no estágio.
00:23:21Eu me inscrevi.
00:23:22Fui para São Paulo.
00:23:23Foi até por isso que eu travei a nutrição.
00:23:25Acabei não voltando.
00:23:25Mas é uma área que a gente está inundado dela o tempo inteiro, né?
00:23:29Sim.
00:23:29E aí, fui contratada no Mani.
00:23:33E depois me veio a vontade de fazer um curso de gastronomia.
00:23:36Só que eu não queria nada que durasse quatro anos.
00:23:38Eu já estava com 30 anos.
00:23:39Queria uma coisa que fosse mais rápida e um tempo menor.
00:23:44E comecei a pesquisar várias faculdades, tanto aqui quanto fora.
00:23:47Tive a oportunidade de poder estudar fora.
00:23:50E aí, me deparei com a escola que, quando eu vi, eu falei, é essa.
00:23:54Que é a Basque Culinária Center.
00:23:55Ah, sim.
00:23:56Uma referência mundial.
00:23:58Sim, sim.
00:23:58E na época, eu acho que ela foi crescendo muito.
00:24:00Na época que eu fui, ela já era uma referência.
00:24:02Mas eu acho que eu me encantei muito pelo lugar.
00:24:05Pela arquitetura da faculdade.
00:24:07Pelo tudo que estava ao redor, assim, sabe?
00:24:10Eu fui, acho que, sem saber muito o quão importante, o quão grande ela era.
00:24:13Só soube depois que eu já estava lá.
00:24:15E aí, eu lembro que, quando eu fiz a inscrição, eu não fui aprovada.
00:24:19Porque eu não tinha faculdade de gastronomia.
00:24:22Então, eu fiz uma entrevista com o diretor lá, num espanhol sofrível.
00:24:26Quem era espanhol?
00:24:27Tentando convencê-lo de que eu era capaz.
00:24:30E aí, ele acabou aceitando.
00:24:32Me deu uma lista, assim, de não sei quantos milhões de livros que eu tinha que ler.
00:24:35Pra não ficar pra atrasar a turma.
00:24:37E lá fui eu.
00:24:38Sem falar.
00:24:38Fiz um mês de...
00:24:40Coincidência da vida.
00:24:41Fiz um mês de intensivo de espanhol em São Paulo.
00:24:44E o meu professor era básico.
00:24:46Espanhol.
00:24:47Então, eu já comecei a ter contato com toda a culinária e a gastronomia local.
00:24:51Porque ele me ensinava isso nas aulas, sabe?
00:24:53E aí, fui.
00:24:55De lá, tive a oportunidade de estagiar.
00:24:57Você poderia escolher estagiar.
00:24:58Ou você poderia até comprovar outros estágios pra eliminar.
00:25:01Mas, como ela é muito bem relacionada, você poderia escolher qualquer restaurante praticamente do mundo.
00:25:07A gente recebeu um Excel com, sei lá, 500 possibilidades.
00:25:10E aí, um dia, conversando com uma amiga do curso, eu tava pensando até em estagiar em uma estrela, alguma
00:25:17coisa assim.
00:25:18Porque tem sempre aquele...
00:25:20Como é que fala?
00:25:22Tipo...
00:25:22Não é preconceito, mas que nos três estrelas você não faz tanta coisa.
00:25:26O estagiário.
00:25:27E em uma estrela, talvez você vai conseguir aprender mais, porque eles vão te deixar fazer mais.
00:25:31Então, até então, eu tava pensando em ir pra uma estrela, mas na região mesmo, né?
00:25:36É uma região que tem a maior quantidade de restaurantes estrelados do mundo.
00:25:42É uma cidade muito pequena.
00:25:43Onde você vai, tem estrela, né?
00:25:45Aí, a gente tava lá bebendo uma e tal.
00:25:48Por que que a gente não vai pra três estrelas?
00:25:51Aí, então vamos.
00:25:52Aí, eu me identificava muito com a...
00:25:54Assim, não era a minha cozinha preferida, a italiana, né?
00:25:58Mas eu me identificava muito pelo amor que eles têm com o alimento e com o que eles fazem.
00:26:01O que eles fazem é o melhor do mundo, não importa...
00:26:04Não há quem diga o contrário.
00:26:05É aquilo ali e pronto.
00:26:06E aí, eu acabei me inscrevendo pra austeria, francescana.
00:26:10Ela foi pro francês...
00:26:11Como é que chama lá?
00:26:12Do argentino colagreco.
00:26:14É o colagreco, esqueci o nome.
00:26:16Maritsur, não lembro.
00:26:17É, Maritsur.
00:26:20Mirassur.
00:26:20Mirassur, que também tem três estrelas.
00:26:23Acho que já ganhou o melhor do mundo também.
00:26:25Aí, acho que foram três pessoas só da classe que foram pra três estrelas.
00:26:29E eles escolhiam.
00:26:30Tinha o Seyed Canroca também, que era uma coisa bem legal, que eu tinha interesse.
00:26:34Mas eu acabei indo pra austeria.
00:26:36Por lá, fiquei cinco anos.
00:26:38Só isso?
00:26:39Só isso.
00:26:40Voltei praticamente obrigada, assim, desolada.
00:26:43Não era a minha vontade de voltar.
00:26:45Queria pedir tudo pra ficar.
00:26:48Cancelei, mudei minha passagem sete vezes.
00:26:50Gente.
00:26:51Aí que eu vim.
00:26:52Então, a gente se conheceu justamente nesse período, quando eu voltei, né?
00:26:55Eu lembro que quando eu cheguei pra estagiar na Asteria, tinha tanto estagiário na cozinha,
00:26:59que os primeiros 15 dias eu só chorava.
00:27:01Chegava em casa, eu botava o meu pé pra cima, assim, 16 horas na cozinha.
00:27:05Morta.
00:27:06Morta.
00:27:07Não falava italiano.
00:27:08Muito homem.
00:27:09A maioria que falava italiano.
00:27:10Então, quem falava italiano sempre saia na frente.
00:27:12Eu arranhava.
00:27:13Eu falava espanhol e o inglês, né?
00:27:16Mas italiano não fala muito inglês.
00:27:18Então, fui indo.
00:27:19Até que eu tive a grande sorte da chefe que se chama Jéssica, que é a chefe, uma grande
00:27:25chefe do Máximo Votora, que agora ela tem um restaurante dela, inclusive.
00:27:29E ela era a chefe do hotel, porque ele tem um hotel que se chama Casa Maria Luídia.
00:27:33E lá tem um restaurante.
00:27:34Antes era só a Asteria Francescana, eles faziam os pratos clássicos.
00:27:38Aí agora tem um novo restaurante.
00:27:39Mas ela me viu na rua um belo dia, assim, e falou, amanhã você vai começar a estagiar
00:27:43aqui, comigo.
00:27:44Ir pro hotel.
00:27:45E pra mim foi a maior salvação.
00:27:47Depois de 15 dias eu fui resgatada pra ter uma experiência diferente.
00:27:52E aí, fui estagiar nesse hotel.
00:27:55Encontrei o Fernando, que é um cozinheiro mineiro.
00:27:58Trabalhou com o Felipe Ramell e a presidência.
00:28:00Eu já trabalhei com o Marcos.
00:28:01Já trabalhou com o Marcos.
00:28:02Eu também, com a nossa trindade, é.
00:28:03Eu já tinha escutado o nome dele várias vezes, mas nunca tinha visto quem era.
00:28:07E aí, cheguei lá no hotel, entrei e dedicaram com ele, falei, eu tô pra editar.
00:28:11Então, a gente se deu muito bem e era uma coisa muito gostosa.
00:28:15Porque é na, como se diz na campanha, na área rural.
00:28:18Então, você ia poliar as ervas de tarde, as frutas.
00:28:22Tinha um monte de vegetais que eram feitos da horta.
00:28:24Então, era outra coisa.
00:28:26Aí, fiquei dois meses lá e depois retornei pra Osteria, onde fui ficando, né?
00:28:32E aí, na Volta ao Brasil, tem o episódio do encontro de vocês, que foi um reality de gastronomia, né?
00:28:40Exato.
00:28:41O DT de Brasil.
00:28:42Sim.
00:28:43E vocês eram do mesmo time do Clodi, né?
00:28:45Isso.
00:28:46Eu escolhi ficar com ele, né?
00:28:48Ele adora contar essa partida.
00:28:49Mas é verdade, né?
00:28:51E o que foi que conectou vocês?
00:28:54A ponto, né, de vocês decidirem dividir a vida, os negócios, a cozinha?
00:29:00Nossa.
00:29:01Então, foi uma coisa tão natural, que não dá pra falar, tipo, o quê?
00:29:06Assim, não foi uma coisa instantânea, né?
00:29:09Tipo, a gente, inclusive, a gente foi no mesmo voo.
00:29:11Foi natural, é.
00:29:12Aí, no início, ele falou que eu era muito antipática.
00:29:14Porque eu cheguei sem falar nada.
00:29:15Ela desceu do avião, aí ela desceu depois.
00:29:18Mas é porque eu desenvolvi o medo de avião e tava meio medicada.
00:29:21Então, eu desci meio assim, vi ele, aí ficamos meio longe assim, entrei no carro.
00:29:26Isso que eu já tava pesquisando no celular, quem que é esse menino que tá aqui do meu lado.
00:29:28E ele também mandou mensagem pra não sei o quê.
00:29:30Quem que é esse menino que vem?
00:29:31Mas eu dormia na van o tempo inteiro, até chegar no lugar.
00:29:34Posso?
00:29:35Então, minha versão foi justamente essa.
00:29:37Ela vinha vindo assim, plaquinha, ela até, eu falei, ok, tá no programa.
00:29:42Eu também já, como hoje eu já tinha, né, estalqueado aí.
00:29:46Você tem que procurar quem que é?
00:29:47Eu falei, foi de dia que a gente viajou, foi de manhã.
00:29:50Foi de manhã, sentiu.
00:29:51Bom dia.
00:29:52E nem respondeu.
00:29:54Eu não respondi?
00:29:55Gente.
00:29:55Eu falei, pô, meu irmão, que isso.
00:29:58E você inventou, eu respondi.
00:30:00Não, eu respondi muito não.
00:30:01Aí entramos na van e eu querendo puxar o papo, ela fez assim, ó.
00:30:06Eu tava de óculos escuro e ficou, uma hora.
00:30:08Sem falar nada.
00:30:09Não quero conversar.
00:30:10Eu falei, nossa, ok, então, vambora, sem falar.
00:30:13Começou assim.
00:30:14É.
00:30:15Primeira imagem.
00:30:16Começou muito bem, né, mas de repente.
00:30:19Foi lindo.
00:30:20Eu acho que durante o programa foi uma coisa muito natural.
00:30:22Eu acabei, o que que aconteceu?
00:30:24Eu voltei da Itália, bem assim, tava meio perdida.
00:30:27Quando você mora muito tempo no exterior e volta, tudo parece, apesar de você ter morado
00:30:32a vida inteira, tudo fica meio fora do eixo.
00:30:34Sim.
00:30:34Meio fora do lugar.
00:30:35Então eu tava meio assim.
00:30:36Eu falava italiano no meio do português, inclusive no programa dá pra você ver um pouco que
00:30:41tinha sotaque, era um trem meio...
00:30:43Sifone, sifone.
00:30:44Eu falava que tem sino da cozinha italiano, que eu nem lembrava o nome em português.
00:30:50E aí, pra mim, ele fez a prova de entrada antes de mim.
00:30:55Então tem um garçom nosso do restaurante que faz, inclusive, essa brincadeira, né?
00:30:58Que se não fosse o arroz de pato que tá no menu e o nome chama de carbonara que está
00:31:02no menu, o rivo não teria nascido.
00:31:04Porque foram esses pratos que colocaram a gente dentro do deteste, né?
00:31:08Então eu lembro que ele fez um dia antes de mim, aí ele chegou no hotel e contou
00:31:11o que tinha passado e que tava no time do Clôde.
00:31:13Nem sei se a gente pode falar isso, mas o problema nem existe mais, então...
00:31:16É.
00:31:16A gente fala.
00:31:17É, conta aí.
00:31:19E aí, eu acho que eu escolhi, aí, quando eu fui, quando foi a minha vez, foi o bronze
00:31:24e o Clôde que tinham prato pra mim.
00:31:26O bronze eu tinha interesse, óbvio, mas o Clôde eu tinha uma coisa mais afetiva, porque
00:31:31eu assistia ele antes de eu ir pra gastronomia.
00:31:33Eu e minha mãe, a gente assistia ele em casa.
00:31:36Então aquilo me puxou muito, assim.
00:31:38E eu já sabia que ele tava no time do Clôde.
00:31:40Mas eu fui...
00:31:41Eu nem tava pensando em competição, eu tava pensando na minha própria sobrevivência.
00:31:45Tipo, como que eu vou aguentar ficar aqui?
00:31:48Aí eu fui pra uma pessoa conhecida.
00:31:50Tipo assim, vai ser legal ter alguém que eu vou...
00:31:51Que, tipo, de certa forma, vai me dar um apoio ali.
00:31:53Foi mais ou menos isso que eu pensei.
00:31:55Foi.
00:31:55E realmente foi muito legal, porque a gente ajudava muito.
00:31:58Eu também não entrei com uma cabeça de competição, de querer ganhar.
00:32:03Acho que é muito pelo contrário.
00:32:04Já me chamaram pra vários programas, eu recusei todos.
00:32:08Inclusive, você foi chamado, né?
00:32:10No DTX, eu me inscrevi louca lá na Itália.
00:32:12Quando eu já ia voltar, eu falava, vamos lá, vamos lá, vamos ver qual é que é.
00:32:15Aí quando eles falaram que eu entrei, eu lembro que eu desci, assim, lá em casa pra contar
00:32:19com meus pais, aos prantos.
00:32:21Tipo assim, como é que eu vou fazer isso?
00:32:24Nem sabe porque eu tava bem.
00:32:25E quando eles me chamaram, tá ok, você tá dentro, eu falei, beleza, tô dentro.
00:32:30E minha vida continua normal.
00:32:32Não parei pra olhar nada, nem o que eu ia fazer.
00:32:35Sei que faltando uma semana, eu comecei a cobrança, né?
00:32:37Tipo, ah, o que você vai apresentar?
00:32:38Isso aqui, por insumo, tal, tal, tal, tal.
00:32:40Falei, pô, é verdade, tem que cozinhar lá.
00:32:43Falei, ok, eu tava no pacato na época.
00:32:45Falei, não, beleza, tô indo pra lá, vamos filmar e vamos ver o que que dá.
00:32:50Mas nunca foi pensado em absolutamente nada.
00:32:52Só que lá teve muito essa parceria.
00:32:55A gente já tava no mesmo time, a gente já era da mesma cidade.
00:32:59Mesmo sendo argentino, querendo ou não, acho que hoje em dia eu me identifico mais com BH.
00:33:07Inclusive, quando eu fui pra Argentina também, foi um dos motivos que me fez querer voltar,
00:33:12porque é tudo muito diferente.
00:33:14Você chega aqui, é muito mais caloroso, é muito mais humano.
00:33:18Lá na Argentina, o povo mal-humorado, sabe?
00:33:20Você fala assim, poxa, eu era sududo?
00:33:22E aí você fica querendo, pô, lá tá mais legal.
00:33:25Sim, ele deve ter bom-humorado.
00:33:26É, não acontece.
00:33:28Mas lá foi...
00:33:28Você quase não tem sotaque mais, né?
00:33:30É pouquíssimo.
00:33:31Ah, é.
00:33:32Aprendi, mas eu aprendi falando com os meninos na rua, sabe?
00:33:35Escola, pra mim foi mais natural, assim.
00:33:37Quando a gente aprende de novo, também é mais fácil a gente ter sotaque.
00:33:41Mas ele aparece.
00:33:42Quando eu tô nervoso, ele aparece.
00:33:44Ninguém entende nada.
00:33:46E abriu o restaurante em BH.
00:33:48Por que vocês escolheram BH?
00:33:50Poderia ter sido em qualquer outro lugar do país, talvez até do mundo, se quisessem.
00:33:55Olha, eu confesso que eu tentei empreender na Itália antes de voltar.
00:33:59E graças a Deus, não deu certo.
00:34:01Porque eu não sei como que eu teria feito.
00:34:04Porque lá não tinha apoio nenhum.
00:34:06Então, a gente tava até falando disso ontem, né?
00:34:08Que meu pai sempre falava, eu falava que eu queria ter liberdade.
00:34:13Aí meu pai no telefone me falava, liberdade você tem agora.
00:34:15Que você pode pedir demissão a hora que você quiser.
00:34:18Do seu próprio negócio, você não pode se demitir.
00:34:21Não.
00:34:21E isso ficou fixo na minha cabeça.
00:34:23Toda hora eu lembro disso.
00:34:24Mas eu tentei, não funcionou.
00:34:29E eu acho que não teria outra cidade sem ser a nossa.
00:34:32É, acho que não faria sentido.
00:34:33Acho que nem passou pela nossa cabeça, Abir.
00:34:35Não, acho que, tipo assim, olhando pra trás agora, primeiro, né?
00:34:38A gente vem, você vai muito olhando o mercado.
00:34:41Imagina, a gente abre um restaurante em São Paulo que ninguém conhece a gente.
00:34:45Nunca aqui conheça.
00:34:46Mas, tipo, que você já tá...
00:34:47Apesar de eu ter trabalhado lá e ali ter passado um tempo lá também.
00:34:51É tudo muito diferente pra você realmente querer ir abrir um negócio.
00:34:55Você não conhece muito território.
00:34:57Você não conhece pessoas.
00:34:58Você não conhece nenhum tipo de fornecedor.
00:35:01Acaba que a logística, ela vai ficando mais complicada.
00:35:05E fora isso, é mais uma mudança.
00:35:06Você não tem que voltar pra São Paulo.
00:35:08Tem que mudar.
00:35:08Tem que reestruturar tudo do zero.
00:35:11E Belo Horizonte, ela vem tendo uma ascensão gastronômica nesses últimos anos que tá muito legal.
00:35:19Então, assim, por que não abrir um restaurante aqui?
00:35:22E sem contar que a ideia do rivo inicial, assim, ela tem absolutamente zero do que que ele é hoje.
00:35:30Quando a gente começou a pensar mais ou menos em abrir um restaurante, a gente voltou do programa, a gente
00:35:37começou a se ver depois do programa.
00:35:39Eu trabalhava no pacato, ela morava no pacato, ela morava ali no Lourdes também, então a gente querendo ou não,
00:35:45ele ia no pacato de jantar, a gente começava a conversar, empreender, empreender, empreender alguma coisa.
00:35:49E a gente queria fazer o rivo que ele fosse mais uma focatearia, uma ideia de misturar um pouco de
00:35:56Itália e de Argentina, algumas coisas brasileiras, mas era uma portinha pra vender focate recheado e empanada.
00:36:03Tinha até nome, era Pitsico.
00:36:06É, Pitsico.
00:36:07Que nesse nome ninguém, ia ser meio difícil, né? Mas até então, Pitsico é tipo pitado.
00:36:13Que era mais isso, o pessoal pegar uma torcida de vinho, uma focate recheado e ir embora.
00:36:17É, mas isso ainda pode existir, né, gente? Nada tá descartado, né?
00:36:22Eu acho que a maioria das pessoas que, sei lá, que talvez empreendam até restaurante, a primeira opção na cabeça
00:36:29nunca é que sair de cara.
00:36:32Até você mais ou menos entender.
00:36:34Mas a gente começou a falar de abrir, abrir, abrir, abrir.
00:36:36Então, beleza, vamos olhar um ponto.
00:36:38Aí a gente começava a rodar o bairro ali, ó, tem um ponto aqui, tem um ponto ali, tem um
00:36:42ponto ali.
00:36:43Vamos ligar, pô, aí ligamos pro primeiro.
00:36:45E a gente gostou da casa, era uma casa tombada, mas ia ter muita obra interna e muita coisa a
00:36:52gente não podia mexer.
00:36:54E aí começamos a realmente olhar isso, fomos lá, olhamos, mobiliária, pegamos o contrato, tudo bonitinho.
00:37:01O que poderia ser feito, mas era muito burocrático e a gente deixou pra lá.
00:37:06E aí no meio do processo apareceu o ponto que tá hoje.
00:37:10Que é assim, que já é um ponto de esquina, que é muito bom.
00:37:13Que é numa região que é super valorizada, que realmente é um polo gastronômico.
00:37:17No Lourdes, né?
00:37:18Hoje você tem lá o Birosca, o Gluton, o Ninita, o Olga, o Tastevan, Nino, o D'Artagnan, tipo, tá
00:37:26todo mundo naquele entorno.
00:37:28E aí surgiu essa oportunidade, falei, tá, vamos ver então como é que é.
00:37:33E aí sim, foi uma coisa realmente muito rápida.
00:37:36A partir do momento de visitar o ponto e de fazer um contrato.
00:37:40Não demorou, tipo, 15 dias.
00:37:43Então tinha que ser mesmo, né?
00:37:44É, e quando a gente parou pra olhar, tipo, cara, ok, já temos um ponto e agora tem que abrir
00:37:49em algum lugar.
00:37:51O negócio já tá gigante.
00:37:53Pelo tamanho não dá pra ser uma lojinha a mais de focate, ainda mais na região.
00:37:58Então vamos começar a remanejar um pouco o cardápio.
00:38:01A gente olhou pouquíssimo do cardápio, mas a gente começou a focar muito mais na obra, no processo.
00:38:07Tipo assim, a gente deixou realmente o cardápio pra lá pros últimos.
00:38:11Não, mas até tinha um motivo claro que você tem razão, você tinha razão.
00:38:15Eles sempre falavam, tipo, a gente precisa ver primeiro como é que o restaurante vai tá a cara,
00:38:19porque pode ser que o que a gente tá pensando não vai casar mais com a cara do restaurante.
00:38:23E foi isso um pouco que aconteceu, né?
00:38:25E a gente começou a olhar ponto, ponto, aí você já entra naquele mundo, né?
00:38:29Aí você começa já realmente, pô, vamos ter um restaurante, vamos pensar em mobília,
00:38:33vamos pensar no projeto arquitetônico, como é que vai ser, o que a gente vai querer.
00:38:38E aí você começa a se minar de várias e várias e várias informações
00:38:43e de querer um pouco de tudo ao mesmo tempo.
00:38:46E aí você vai construindo, construindo, construindo, igual um Lego.
00:38:48Aí você vai encaixando pecinha, pecinha, pecinha.
00:38:50Quando chegou no meio da obra, a gente parou, olhou e falou assim, pô, ok.
00:38:55O Rivo não vai ser o Rivo que a gente queria, tá?
00:38:58Então assim, a partir de agora a gente não pode mudar.
00:39:00Já que aumentou um pouco o sarrafo, literalmente, o nível,
00:39:03a gente tem que melhorar o nosso nível entrega de cima de tudo.
00:39:07Que seja atendimento, que seja comida, bebida, hospitalidade.
00:39:11E ele surgiu assim, de um encontro que não foi casual, que não foi previsto.
00:39:19Que quando a gente parou pra olhar, tinha muitas coisas que a gente já...
00:39:24É, foi casual.
00:39:26Mas tinha muitas coisas ali que a gente já vinha vivendo sem a gente saber,
00:39:30sem a gente se conhecer, alguns passos.
00:39:33Então, da minha parte, parte de bisavós pra cima, são italianos.
00:39:38Então, lá na Argentina, minha avó ainda fazia muito papel de nona.
00:39:43Então, todo domingo, uma pasta fresca.
00:39:46A gente tava na Argentina, minha mãe ainda fazia um curso de confeitaria.
00:39:49Então, ela fazia alguns bolos pra vender.
00:39:51Então, já tinha esse breve contato.
00:39:53Meu pai era açougueira, então...
00:39:56Muitas vezes eu fui lá ajudar, quando eu botei também, ficava lá, desossando, sabe?
00:40:00La media rena, a metade do boi.
00:40:02Ele fazia sempre os assados dentro de casa.
00:40:05E aí, você vai começando a lembrar de um pouco de tudo, de viver um pouco de tudo.
00:40:10E quando a gente junta, aí fala assim, pô, você trabalha na hosteria, você ama a Itália.
00:40:14Minha família também é italiana.
00:40:16Trabalhei no Evai, que é uma cozinha oriúndia, onde mistura Itália e Brasil.
00:40:21Querendo ou não, as coisas foram se casando da melhor maneira possível.
00:40:26E aí, no meio dessa confusão inteira, a gente começou a se relacionar também.
00:40:31E foi muito rápido.
00:40:34Foi literalmente um casamento com o filho, ficando, namorando, foi assim...
00:40:39E o filho que dá trabalho, né?
00:40:40A ótima, muito trabalho.
00:40:43Um filho grande pra vários filhinhos ali.
00:40:45É, entendo.
00:40:47Então, a gente já vai falar de cardápio,
00:40:49Mas antes, eu vou fazer uma pausa pra mostrar o conteúdo que a gente publica semanalmente na nossa versão impressa.
00:40:55Aqui, por exemplo, a gente tem uma matéria que a gente fala de massa folhada.
00:41:00Que é uma coisa maravilhosa, né?
00:41:02Pela leveza, pela crocância.
00:41:04E aqui a gente mostra alguns lugares em BH que trabalham com massa folhada.
00:41:09E nessa outra edição aqui, a gente fala um pouco sobre o que o uso das canetas emagrecedoras está impactando
00:41:20na gastronomia.
00:41:21Imagino que vocês também devam observar isso, né?
00:41:25Sim.
00:41:25E aí a gente mostra aqui, conta um pouco que o mais óbvio realmente é a questão da quantidade de
00:41:32comida que as pessoas estão deixando de comer muito.
00:41:34E estão preferindo porções menores.
00:41:36E a gente discute um pouco quantos lugares, estabelecimentos podem se adaptar a isso.
00:41:42Vocês vivem essa realidade, assim?
00:41:44Isso chegou até vocês também?
00:41:45Como é que vocês veem essa questão?
00:41:47Assim, de certa forma sim, né?
00:41:48De certa forma sim.
00:41:50Assim, o nosso cardápio já foi pensado em...
00:41:53Não é nada...
00:41:54Não são porções enormes.
00:41:56Então, ele foi pensado justamente pra você conseguir comer a entrada, conseguir comer o principal sobremesa e sair bem.
00:42:02Então, a gente teve esse cuidado em pensar nisso.
00:42:05Mas a gente vê em muitos eventos, inclusive, que a gente recebe pessoas e tudo mais,
00:42:09mas o consumo tá muito menor do que já foi, né?
00:42:12É, realmente tá, assim, muito mais baixo do que já foi.
00:42:17Acho que depois que começaram a aparecer, realmente levantaram a bola das canetas emagrecedoras,
00:42:24a gente vem sentindo um pouco disso.
00:42:26A gente sente, acho que no começo foi muito mais do que hoje em dia,
00:42:30que realmente teve um boom de povo chegar lá,
00:42:33cara, tô tomando monjaro, não consigo comer, tô tomando monjaro, não consigo comer, não consigo comer.
00:42:36E alguns clientes falam, inclusive.
00:42:39Tipo, não tem nada de errado com o prato, é só que eu não consigo comer tudo.
00:42:43Sim, sim.
00:42:44Exato.
00:42:45Mas realmente a gente passou por isso.
00:42:47Mas acho que na nossa proposta inicial era muito disso, né?
00:42:50De fazer algumas entradas, alguns snacks que fossem menores,
00:42:54mas pra pessoa conseguir provar mais coisas do menu e não ficar preso naquilo.
00:42:58Tipo, ah, eu quero comer, mas eu quero com a entrada.
00:43:00Só aguento a entrada, a gente pode pedir mais de uma.
00:43:03O que a gente pode?
00:43:04Então, a ideia do cardápio foi muito pensado nisso.
00:43:06Então, tem muitas coisas que são leves,
00:43:08que a gente quis também trazer pro menu,
00:43:11pra mudar um pouco dessa imagem de que
00:43:15Minas Gerais só vende, tipo, e só tem comida pesada.
00:43:19Isso é uma tradição, existe, mas a gente não precisa viver isso 100% do tempo.
00:43:24Então, uma coisa que a gente optou muito pro restaurante era isso, né?
00:43:28Entradas um pouco mais leves, né?
00:43:30Finger food, duo de porções, pra pessoa conseguir experimentar mais.
00:43:35E conseguir chegar no prato principal,
00:43:37que nossos principais tamanhos não são tão grandes, tão, né?
00:43:41Bem montados, mas ele sacia num nível tranquilo
00:43:45pra você conseguir com ele uma sobremesa,
00:43:47embora pra casa bem, sem ficar literalmente empazinado.
00:43:51Então, temos aqui na mesa três exemplos de entradas.
00:43:55É bom que a gente já vai exemplificando, já vamos comendo, né?
00:43:58Porque a gente tem que comer também.
00:44:00E aí, eu queria que você já...
00:44:01Qual que você sugere a gente começar?
00:44:03Pra gente já começar a comer?
00:44:05Tomate, né?
00:44:06Nessa linha, mais o tomate,
00:44:08porque ele é um pouco mais fresco e ele vai abrir mais o paladar.
00:44:11Tá.
00:44:12Então, esse prato é um grande exemplo e um bom exemplo
00:44:15do que é o conceito do restaurante,
00:44:18que é a gente focar em um ingrediente e elevar ele ao seu máximo.
00:44:21Então, nossos pratos não têm uma grande lista de ingredientes,
00:44:24a gente sempre opta pelo simples,
00:44:28poucos ingredientes, talvez um mesmo ingrediente preparado
00:44:31com uma diferente técnica, mas elevando ele ao máximo.
00:44:33Então, esse é um tomate que tem diferentes texturas.
00:44:36Então, você tem água de tomate...
00:44:37É, que a gente tem o...
00:44:39O gel de tomate, o próprio tomate, tomate fermentado...
00:44:41Isso.
00:44:42Então, eu já...
00:44:42Basicamente, essa composição, né?
00:44:44Tem tomate, pasto de tomate fermentado...
00:44:46Vamos.
00:44:47Tem o tomate defumado, a gelatina de tomate...
00:44:50E a água de tomate, né?
00:44:51Que ela é infusão, então, o Tatsubushi.
00:44:53E pra finalizar, a gente coloca um pouco de lardo,
00:44:55que é mais pra dissipante e de sabor.
00:44:58Mas a ideia é que o prato, ele seja um pouco mais leve.
00:45:01E aqui, a gente só mostra tomate pro cliente.
00:45:03Então, esse prato é uma das entradas que ele tem um maior valor hoje no restaurante,
00:45:08mas é por todos os processos que envolvem ele.
00:45:12Não pelo tomate em si.
00:45:13Sim, sim.
00:45:14Então, é uma maneira de valorizar ele também.
00:45:17E vocês, no início, estavam conseguindo tomates, inclusive, diferentes, né?
00:45:22É, na verdade, a gente tem uma salada,
00:45:24que é uma salada de tomate selvagem e morango.
00:45:28E aí, nessa salada, a gente tinha uma diversidade muito grande de tomates,
00:45:32que acho que dificilmente se encontra no supermercado.
00:45:35Então, poucas pessoas conhecem.
00:45:37Até mesmo quando chegava pra gente, a gente tinha que pesquisar qual era o nome.
00:45:40Mas ela tá em pausa, porque a gente não tá conseguindo os tomates, né?
00:45:44Então, provavelmente, vai ser uma coisa que vai ser uma sugestão,
00:45:48que quando a gente tiver, a gente vai colocar, né?
00:45:51Isso.
00:45:51Aí, fornecedores, vamos trabalhar aí pra ter tomate.
00:45:55Por favor, né?
00:45:57Tomate diferentes.
00:45:59Nossa, e olha que prato lindo, né, gente?
00:46:01Muito bonito.
00:46:03Vamos lá, vamos degustar.
00:46:07E eu já quero que vocês me contem também um pouco sobre as influências, então.
00:46:13O Max falou um pouco da Argentina, de que forma que a Argentina aparece nesse cardápio.
00:46:20Cita pra mim alguns pratos mais específicos.
00:46:23Depois a gente fala também um pouco das influências da Letei.
00:46:27Assim, se a gente for falar mais de Argentina clássico,
00:46:30a gente tem três coisas no restaurante hoje, que um é assado de tira,
00:46:35que literalmente é um assado, né?
00:46:37Do jeito que a gente serve lá, que é mais um cortichá, né?
00:46:39Então, a gente usa a costela dianteira do boi, fininha, o assado de tira.
00:46:46Eu amo esse prato.
00:46:47Que ali acompanha chimichurri e pão, e um pouquinho de romesco,
00:46:50mas aí carne, pão e chimichurri, e a Argentina, assim, clássico.
00:46:55Depois a gente tem as duas empanadas, né?
00:46:56Com a criouxa, que é recheio de carne, com uma bernese de chimarrão,
00:47:00que é muito consumido também, e a ideia era mais pra juntar um produto
00:47:04que a gente consome muito, né?
00:47:05Que é o mato, é no chimarrão, com a empanada,
00:47:08mostrando que os dois também conseguem se juntar.
00:47:11Porque lá é normal, você tá tomando mato e come empanada.
00:47:13Empanada lá é igual pão de queijo.
00:47:14Qualquer lugar, qualquer hora você come.
00:47:16E tem empanada de umita também.
00:47:19Mas a gente quis também trazer um corpo de brasa, sabe?
00:47:22De tudo que a gente realmente fomenta na Argentina, assim,
00:47:25que as pessoas conhecem, apesar da...
00:47:29Curindo a gastronomia, a gente ia não ser somente isso, né?
00:47:32Porque tem muito mais vegetal, tem uma parte muito mais vegetariana,
00:47:35frutos do mar, mas o que a gente mais conhece, sim,
00:47:37mais comercial, são as carnes.
00:47:39Então a gente fez questão de fazer uma parrilha lá dentro
00:47:41pra trabalhar com esses produtos.
00:47:43Uma coisa que a gente não abre mão, né?
00:47:45Peixe na brasa, defumado no tomate, defumado nas carnes.
00:47:51Então isso tá uma pegada bem argentina ali no meio.
00:47:53E tem brasa também até na sobremesa, né?
00:47:55Então vocês trabalham isso de várias formas, né?
00:47:58Tanto no não me chamo de carbonara, no defumado do guanciale,
00:48:02como até na brasa em mel, que é um brioche que a gente faz lá
00:48:04e tosta ali na parrilha, pra também ter esse defumado em boca,
00:48:09porque a gente acredita que casa muito bem.
00:48:12Então a gente vem tentando fugir um pouco do óbvio, né?
00:48:16Apesar de tudo já existir.
00:48:18Então hoje a gente se rotula como uma cozinha autoral, contemporânea,
00:48:24mas nada mais é do que uma cozinha moderna.
00:48:28Já basicamente existe tudo e o que a gente tenta fazer é pegar um produto ali,
00:48:33um ingrediente e tentar valorizar ele.
00:48:36E ela até fica muito evidente no cardápio como que essa sua passagem pela Itália te formou, né?
00:48:44E as massas ali estão até separadas no cardápio, em destaque.
00:48:49E fala um pouco também de como que você traz isso que você aprendeu lá na Itália
00:48:54para o cardápio do Rivo?
00:48:56Então, minha maior parte de carreira foi na Itália, realmente.
00:49:00Então eu trabalhei duro.
00:49:01Eu acho que por eu sempre ter entendido que eu queria ter o meu próprio negócio,
00:49:05o meu próprio restaurante, eu sempre procurei absorver tudo que eu pudesse de informação,
00:49:09o tempo inteiro.
00:49:10Então eu era muito proativa, eu trabalhava assim, muito mesmo.
00:49:14Então, ironicamente, eu nunca fui da praça de pastas na Itália.
00:49:19Olha só!
00:49:19Então eu fui aprendendo porque eu aprendia para os meninos me ensinarem.
00:49:22Mas eu fui no Antipaste, que são as entradas, o guard, e pastitieria, que é a confeitaria.
00:49:28Depois fui para o hotel também e ajudava em muitas coisas.
00:49:32Eu queria fazer pão, eu aprendia pão e tudo.
00:49:34Então eu acho que no...
00:49:35Eu gosto de falar que o Rivo não tem um rótulo.
00:49:37Então ele não é argentino, ele não é italiano, ele não é mineiro.
00:49:40Ele é tudo que a gente é também, né?
00:49:43Então a gente deixou essa liberdade justamente para a gente poder criar de acordo com a nossa bagagem,
00:49:49com a nossa vivência, sei lá, vamos viver dois meses no Japão.
00:49:53A gente vai chegar inundado de novas informações, que talvez a gente queira colocar uma coisinha ali.
00:49:57Então a gente definiu que o Rivo não ia ser.
00:50:00Apesar de muita gente achar que ele é italiano, ele não é italiano.
00:50:03Ele tem uma influência italiana, claro, porque nós dois temos essa influência, né?
00:50:07Então no cardápio você vai ver várias coisas.
00:50:09As pastas estão ali, então o tortellini, por exemplo, é uma coisa muito afetiva para mim,
00:50:13porque tem a briga maior da Nebolonha, né?
00:50:16Porque o tortellini nasceu ali.
00:50:17Então a gente fazia tortellini na usperia, os nossos eram do tamanho de um mindinho.
00:50:22Nossa!
00:50:23Às vezes os meninos reclamam de estar pequeno.
00:50:25Eu falei, pequeno vocês nem viram porque era pequeno.
00:50:27Porque era um negocinho assim, mínimo.
00:50:30Então durante uma, duas horas juntava a cozinha inteira para fechar a tortellini.
00:50:35E porque um negocinho desse aqui não dá nada, né?
00:50:38A gente serve 100 gramas na porção.
00:50:40Então, e aí dentro do cardápio você vai ver outras coisas.
00:50:43Por exemplo, o brioche com anchova, come-se muito lá fora pane, burro e alite que é pão, manteiga e
00:50:50anchova.
00:50:51Então a gente queria dar.
00:50:52Aí a gente ficou pensando, mas brasileiro não gosta muito de anchova, vamos tentar suavizar isso.
00:50:57Você vai ver o anchale.
00:50:58Peraí, temos que falar desse brioche, gente?
00:51:01Sim.
00:51:01Porque é maravilhoso.
00:51:02Lá é um lugar que não tem como não comer couvert.
00:51:07Por favor, se você for, coma couvert.
00:51:09Que é um brioche folhado, maravilhoso.
00:51:12O artista do brioche está aqui.
00:51:13Conta sobre esse brioche, vai, que vale a pena.
00:51:16Assim, a ideia inicial nem era esse brioche.
00:51:18Peraí que eu quero falar, porque eu brinco com ele que o...
00:51:20Assim, eu tenho uma influência grande de como o Máximo Boturo chama os pratos dele.
00:51:24É sempre um pouco divertido.
00:51:25Então é um brioche que queria ser um croissant.
00:51:29Ah, sensacional.
00:51:32Mas ali, isso que é legal, porque assim, a primeira ideia do menu, o brioche, era só
00:51:38um brioche, ele não era folhido, ele não era folhado.
00:51:41Mas por que não também?
00:51:42Então a gente traz muito mais untosidade na boca, tem muito mais gordura, a gente finaliza
00:51:47esse brioche com a calva de açúcar e flor de sal pra ter esse quebra.
00:51:51Mas tinha muito disso.
00:51:52Como é que a gente vai apresentar uma anchova pra um mineiro que já tem muito preconceito?
00:51:58Então a gente decidiu fazer uma infusão nessa manteiga, então a manteiga era infusionada
00:52:03com a anchova, e aí depois a gente faz aquela pétala bonitinha de rosa.
00:52:07O resto da anchova a gente desidrata, faz um pó e finaliza a manteiguinha com isso.
00:52:11Então assim, a anchova ela tá ali, não tá exposta, mas ela está.
00:52:13Mas tá muito mais suave, né?
00:52:15E ela fica muito mais suave, fica mais tranquilo de comer.
00:52:17De quando a gente pega essa influência ali, né, de panigurro e alite, é, cara,
00:52:23é uma junção que casa muito bem na boca, por tudo, pelo doçor do pão, pela salinidade
00:52:28da anchova, pela cremosidade da manteiga, querendo ou não, em boca você tem uma coisa
00:52:33muito untosa, e que faz muito sentido, te dá, pô, você faz salivar, é uma ideia
00:52:38também de tentar resgatar um pouco da gastronomia, né, mais afetiva, mais ancestral,
00:52:44de comer com a mão, então a ideia do brioche é você rasgar as pétalas dele, assim,
00:52:48depois você passa ele na manteiga.
00:52:50Então a ideia dos dois também é a gente comer isso com a mão, sabe?
00:52:52Muitas avanças de entrada são pra comer com a mão, né?
00:52:55Vamos comer uma aqui?
00:52:56Qual que vocês sugerem agora?
00:52:58Tem no bacalhau.
00:52:59Agora vamos no bacalhau.
00:53:00Então vamos.
00:53:00Ele é mais leve, né?
00:53:02É.
00:53:03E esse daqui também é uma entrada, que é isso aqui tem toque dos dois, porque lá
00:53:09assim, todo o menu inteiro, todas as etapas tem toque dos dois, onde ou a gente...
00:53:14É com a mão mesmo, né, gente?
00:53:15Com a mão mesmo, vai.
00:53:16Então já vou começar assim.
00:53:17Vai cair uns por outro, mas tá tudo bem.
00:53:21É, vamos lá que depois eu explico.
00:53:27Muito bom.
00:53:29Uma bocada maravilhosa.
00:53:33Então esse aqui é um prato que também faz muito sentido com o rio.
00:53:37Não só pela influência italiana e também mineira que tem aqui dentro, mas bacalhau
00:53:44matencato é um creme de preparação italiana da região ali de Veneza.
00:53:51Pra gente conseguir suavizar esse bacalhau.
00:53:54Então em cima tem um pó de azedona preta, coentas de refrescou.
00:53:57Mas embaixo a gente tem uma base que é um fondant de baroa, que a gente também queria
00:54:02casar esses ingredientes, né, que são muito conhecidos aqui, que às vezes eles vão perdendo
00:54:07um pouco espaço na área.
00:54:09Então se a gente pega a baroa hoje, a gente já não encontra em tantos lugares.
00:54:13Mas é afetivo, todo mundo conhece, muita gente consome em casa.
00:54:18Talvez não só, não com bacalhau, né, que geralmente é com batata, mas é uma maneira
00:54:22também de despertar essa curiosidade pra pessoa.
00:54:25O que é bacalhau mantecado?
00:54:26Pô, italiano, ah, será que eu vou gostar?
00:54:28Não sei, mas a barota aqui, a barota eu conheço.
00:54:31E aí em boca é isso, são basicamente dois cremes, que aí gera mais untosidade e
00:54:36quando ele derrete ele vai misturando, então ele vai limpando o paladar.
00:54:40Nossa, é muito bom.
00:54:43Realmente a gente sente, assim, essa untosidade e o salgadinho da azeitona, dá um tchan.
00:54:49O creme de bacalhau é muito suave, né?
00:54:52Então a azeitona te dá esse sal, que falta um pouco, e a barota traz um pouco de dulçor
00:54:58também na boca.
00:54:59Muito bom.
00:55:01E vamos falar dos pratos que vocês trazem do The Taste e que são ícones também do
00:55:07cardápio, né?
00:55:08Sim.
00:55:09Então o Max tem o arroz de pato, conta um pouco do seu arroz, depois a gente fala da
00:55:14sobremesa.
00:55:14A ideia do arroz de pato, ainda mais quando eu entrei no programa, era que fizesse sentido
00:55:19para mim, para a infância que eu tive, né?
00:55:21De onde que eu vim.
00:55:24Então, lá no programa, assim como no restaurante, a gente usa 100% do pato.
00:55:29Lá eu ainda tinha feito uma emulsão com os miúdos.
00:55:33Então, cozinha o pato inteiro, faz um caldo ali, depois você tira o caldo, você tira o
00:55:38pato, reduz o caldo, aí você tem uma base já ali temperada, você tem a proteína ali
00:55:43que também você extraiu o suco e ainda continua a proteína.
00:55:46Dentro dele tem os miúdos, então é uma maneira de aproveitar um pato 100% ali, do tudo que
00:55:51ele tem, e colocar isso no arroz, que nada mais é do que um ingrediente, cara, típico,
00:55:57base da...
00:55:58Presente na mesa de...
00:56:00É, da gastronomia, então, cara, arroz, feijão, todo mundo come, a vida inteira comeu aqui,
00:56:05sempre vão continuar comendo.
00:56:07Então, eu precisava e eu queria entrar no programa com um prato que ele fosse teoricamente
00:56:12simples, mas até difícil de executar e muito mais difícil eu colocar isso numa colher,
00:56:18porque a colher, ela tem até a potência de um prato inteiro em boca, então você não
00:56:21pode errar.
00:56:23Então, aí ele tinha um coraçãozinho de pato, tinha um creme de miúdos, tinha um arroz com
00:56:27toda a base do pato embaixo, né, pato desfiado, e aí entra bacon, pimenta de cheiro, pimenta
00:56:34de moça, cebola, alho, coentro, pimenta, assim, tem, realmente são muitas coisas, é um
00:56:41prato que hoje ele tem mais ou menos 23 ingredientes.
00:56:45Caramba!
00:56:46E é um prato até legal, porque ele não vai...
00:56:49É um prato campeão.
00:56:50É, e ele não vai, ele vai, tipo assim, zero sal na composição, mas pelo monte de tempero
00:56:56que tem ali, especiarias, ele já fica realmente, teoricamente, um pouco mais salgado, potente
00:57:01em boca.
00:57:03Então, o arroz de pata nasceu assim, era mais de uma maneira de pegar um produto, trabalhar
00:57:09ali 100%, sem ter desperdício, juntar isso no ingrediente que é muito consumido e que
00:57:14é a base de alimentação, que muita gente, talvez, quando vai num restaurante de, sei lá,
00:57:20alta, gastronomia, mais sofisticado, vai ficar receoso de pedir um arroz, porque eles
00:57:24consomem isso em casa.
00:57:25Então, foi essa maneira e essa leitura que eu fiz pra criar esse prato e essa colher.
00:57:32E você, Letéia, com a sobremesa que é muito enigmática, já pelo nome, não me
00:57:37chame de carbonara, e depois pra você entender aquelas camadas que aquilo dá um nó na cabeça
00:57:44mesmo, né?
00:57:45É uma sobremesa que fode totalmente de qualquer coisa que a gente já tenha comido na vida.
00:57:51Sim, então, quando eu fui pro Deteste, eu tava ainda na Itália, né? Então, tudo que
00:57:56eu pensava era italiano. Eu tinha vários desafios que eram ingredientes, eu falei, putz, o que
00:57:59que eu vou fazer agora? Porque eu vou ter que resgatar tudo que há cinco anos eu não
00:58:03uso. Então, pra mim foi um grande desafio. Então, foi natural entrar com uma coisa mais
00:58:08italiana. Então, o nome é uma brincadeira, né? Não me chamo de carbonara, porque não é
00:58:13um carbonara, é um doce, que não é doce. Então, te dá uma diquinha, assim, de talvez
00:58:18alguns elementos que você vai sentir ali naquele prato, mas basicamente nesse prato
00:58:23a gente tem um creme de banana, tipo uma bananada, guanciale defumado, creme de queijo
00:58:30pecorino. Então, na carbonara você vai ter o guanciale, você vai ter o pecorino e os
00:58:34ovos, eles estão presentes num creme de confeiteiro com bastante pimenta do reino, que no restaurante
00:58:40a gente faz no cifal, né? Então, uma espuma. E o caviar vem pra dar um brilho a mais no
00:58:47prato, que esse aqui é o meu controlador de quantas gramas de caviar tu colocou pro prato,
00:58:51sabe? Ele é o expert da ficha técnica.
00:58:54Então, tem ali o número de bolinhas exato.
00:58:57E a apanhadora dos ingredientes. Aí ele fica aqui, cai na real, que isso aqui não vai
00:59:02dar, ele corta duas mesazinhas.
00:59:05Mas o carbonara nasceu, na verdade, dentro da hosteria. A gente teve um menu que foi
00:59:10desenhado com os pratos, releituras dos pratos clássicos italianos. Então, o carbonara
00:59:15no menu apareceu como sobremesa, mas era bem diferente do que eu... Eu fiz uma releitura
00:59:20da releitura, praticamente. Então, na verdade, quando a gente desenvolveu esse prato, eu ainda
00:59:25tava na confeitaria e uma vez o Máximo entrou na cozinha, me viu e lembrou de um episódio
00:59:30de quando ele inaugurou um refeitório no Rio de Janeiro, ele tinha levado todos os
00:59:34guanciales na mala e na hora de fazer a carbonara não tinha mais guanciale. E aí ele conta
00:59:39que defumou casca de banana e que ninguém percebeu que não era guanciale, o que eu duvido
00:59:44muito, mas...
00:59:45Mas, Máximo Motura, né? A gente falou que foi um doso, então vamos colocar banana nesse
00:59:51prato. E aí foi daí que o elemento banana entrou, porque todo mundo estranha um pouco, né?
00:59:55Então é realmente um prato que tá tudo escondido ali e que com colheradas você vai
01:00:00descobrindo as texturas e os sabores, né?
01:00:02Mas na sua sobremesa não é a casca da banana, é a banana mesmo, né?
01:00:07É, é a banana mesmo.
01:00:09Então agora a gente vai chamar o momento das dicas de lugares pra comer em BH.
01:00:14Quem vai compartilhar com a gente a sua listinha de dicas é a Fernanda Beggiato, que ela é
01:00:20chefe e sócia do restaurante Beggiato de comida Aquilo. Fernanda, estamos aqui ansiosos
01:00:26pra saber quais são os seus lugares preferidos aqui em BH.
01:00:30Oi, meu nome é Fernanda, sou do Beggiato Restaurante e vou dar algumas dicas pra vocês
01:00:35de BH. Um japonês que eu adoro é o Udon, um brunch é o Zuzunelli, uma pizzaria, o Delícia
01:00:43de Dário e para tomar alguns brinques de Cabernet Boutiquim.
01:00:50Ótimo, Fernanda, obrigada pelas dicas. E agora, olha, continua aqui porque a sua
01:00:55listinha vai aumentar, porque Max e Aletheia vão dar suas dicas também.
01:01:00Queremos saber. Primeiro, vocês têm tempo de sair atualmente com restaurante com sete
01:01:04meses? Não muito, não muito. Tempo é uma coisa que a gente não tem.
01:01:08É difícil, né? Até porque a gente, quando a gente abriu, falou assim, vamos fazer terça
01:01:13a sábado. Que aí a gente tem domingo e segunda.
01:01:15É, todo mundo começa a abrir terça a sábado. Então, assim, não tem lugar pra gente
01:01:19ir visitar. E até porque em segunda a gente nunca cansa, né?
01:01:21É.
01:01:22Sempre tem alguma coisa pra fazer, né?
01:01:24Da hora que a gente acorda até a hora que a gente vai dormir, a gente tá fazendo
01:01:27vários, um milhão de coisas, né?
01:01:28Mas quando a gente fala de dicas, assim, o negócio é quando a gente sempre sai, é
01:01:33muito mais pra gente conseguir relaxar. A gente não... a gente não mira muito, olhar
01:01:39no mercado o que que tá acontecendo, né? Com, teoricamente, não chamo nem de concorrência,
01:01:44porque cada estabelecimento, ele tem o seu motivo, tem o seu porquê, tem o seu norte
01:01:49pra ser seguido. Então, tem espaço pra todo mundo. Mas, no lugar que a gente gosta muito
01:01:55de ir, assim, acho que com 90% dos belo-horizontinos, o Redentor, o Moema.
01:01:59Ah, sim, o Daniel já esteve aqui com a gente.
01:02:02É. Que eles fizeram um império ali, que tá segunda, segunda, cheio.
01:02:05A gente vai, não sei, tem um tempo que a gente não vai, mas era, tipo, uma vez por
01:02:09mês, pelo menos a gente ia, né?
01:02:10Tem as duas semanas.
01:02:11É.
01:02:13Mas, é... a gente foi no Visu esses dias.
01:02:16Gostamos.
01:02:16Legal.
01:02:17Tá bem legal, bem legal.
01:02:18Gostamos bem novidades.
01:02:19Sim.
01:02:19Com a Boaxia, a gente foi visitar também.
01:02:21Fomos.
01:02:22É... a gente conhece o chefe também.
01:02:23A gente sempre vai no Kinaki, né? Com uma certa frequência. Casa Ryuga, a gente também
01:02:27já foi. O japonês, a gente pede mais delivery do que vai, mas o nosso preferido é o Kei
01:02:33e o Sakana. Então, a gente reveza, né?
01:02:35Ótimo.
01:02:36É, e de vez em quando a gente vai, não pega numa segunda-feira, assim, quando abre, tá
01:02:40de folga, vai no Gluton.
01:02:42É.
01:02:42A gente consome muito o café do Fasano, né? O brunch que eles têm.
01:02:46E o Vestim, né? O que a gente adora.
01:02:48Ai, maravilhoso, né?
01:02:49Tá bem legal o trabalho que ela faz ali, sabe? De panificação aqui pra cidade.
01:02:54Uma coisa que tá realmente bem diferenciada e que bom que tem gente pensando que
01:02:57um pouco fora dessa curva, sabe? Quando a gente pegar a Ryuga, o próprio paralelo ali
01:03:03com a comida, é... pô, Koboshi, Vizu, são propostas mais, assim, diferente pra nossa
01:03:12cidade.
01:03:14É... o próprio Perlui, que assim, todo menu do Perlui a gente vai lá, né, visitar
01:03:19pra ver o que tá acontecendo, né? E é legal a gente... sempre que a gente vai ver mais
01:03:23evolução também ali no próprio chefe, na cozinha. Então, tá sendo bem legal ver
01:03:28esse desenvolvimento. É... mas acho que no geral, no geral...
01:03:32Acho que a gente falou todo.
01:03:33Mas é Redentor.
01:03:35Que a gente tira o domingo pra...
01:03:37É... não, cara, vamos relaxar.
01:03:39Segunda-feira tem mais, então assim, calma.
01:03:42É... eu acho que é isso.
01:03:42E se for pra visitar lugares assim, a gente geralmente vai pra São Paulo.
01:03:47É...
01:03:47Ah, sim.
01:03:47Porque ali a cena gastronômica, ela é muito mais ampla e você realmente tem de tudo.
01:03:52e são lugares que são mais a cara do rivo na ideia de querer brincar um pouco mais
01:03:57com a comida, que o Paulista, ele já tá mais aberto pra isso, ter muito mais turismo
01:04:02na cidade.
01:04:03O Belo Horizonte ainda é bem fechado, apesar dessas mudanças que a gente vem tendo e o
01:04:08público, ele continua um pouco fechadinho ali.
01:04:12Mas acho que os lugares são esses que a gente visitou.
01:04:13Eu acho que a gente falou todos.
01:04:15Ah, tem um bocado ali.
01:04:17É... achei.
01:04:20É... é...
01:04:21Vamos falar de projetos, porque agora, gente, teremos aqui já adiantando novidades do
01:04:28que vem por aí.
01:04:29Primeira novidade, vocês vão participar da Casa Cor, que começa no dia 15 agora, de
01:04:35agosto, e vocês vão operar os bares, não é isso?
01:04:38Me contem, assim, como é que surgiu essa ideia e o bar?
01:04:43Vocês foram pro lado do bar.
01:04:44Como é que foi isso?
01:04:46Loucura dessa pessoa aqui.
01:04:48Essa loucura foi mais minha, porque ela realmente não queria.
01:04:54É...
01:04:55A gente tinha um contrato desde o início, que ele sempre falou, quando tiver oportunidade,
01:04:59não me breca.
01:05:01E aí você teve que ir...
01:05:02Eu só tenho mais cabelo branco, mas eu deixo ele ir, entendeu?
01:05:05Mas aí depois ele tem que lidar com isso aqui.
01:05:09A gente acredita no propósito.
01:05:12Mas a ideia do Casa Cor, é...
01:05:15Assim, foi bem legal até o convite, né, deles, que eles fizeram pra gente, pra gente entrar,
01:05:20né, negociamos, estamos lá no Casa Cor.
01:05:23E a gente vai estar nessa edição com três espaços lá, né, que são...
01:05:27É um bar, que vai ser o bar do Rivo, depois tem um listening bar e um bar de bolhas.
01:05:32Um bar de bolhas.
01:05:32Tá vendo, gente?
01:05:32Não basta ser um, né?
01:05:34Ser três.
01:05:34Será que, né, se é pra sofrer, sofre direito.
01:05:37É.
01:05:38A gente pensa sempre, né, eu, né, essa linha de pensamento.
01:05:42Cara, se é, vamos ali, ao in, é isso, vê o que dá.
01:05:47E quando a gente inaugurou o Rivo, a gente queria uma proposta onde os pilares, eles caminhassem
01:05:53sempre junto, né, que fosse bebida, comida e atendimento.
01:05:57Então, desde o dia zero, a gente queria um bar dentro do Rivo, com coquetéis autorais
01:06:04e clássicos em altíssimo nível.
01:06:08Então, a gente foi atrás, primeiro, do Xandão, pra fazer a primeira carta.
01:06:12Depois, a gente colocou o Honório pra dentro, que o Honório, ele é muito mais artístico
01:06:17na maneira de compor os drinks ali, que casava muito bem com a nossa ideia de coquetelaria.
01:06:23Assim, eu sou um cara apaixonado e chato, crítico de negroni, então...
01:06:28Falei com eles, ó, o negroni aqui.
01:06:29Ele é sobre ele de negroni.
01:06:30Tem que ser o melhor negroni do mundo, então é a minha medida que tá lá, rodando.
01:06:34Isso é uma coisa que ele experimenta em todos os lugares.
01:06:37Negroni.
01:06:37Isso é uma coisa, é sempre que a gente sai, me dá negroni.
01:06:40Não, não, não, talvez.
01:06:42O meu é melhor.
01:06:43E a gente sempre vai nessa linha.
01:06:45Mas, como a gente sempre quis também esse bar aparente no Rivo, então...
01:06:49Até quando você vai no Rivo hoje, a ideia é remeter a um teatro, né?
01:06:52Onde o bar e a cozinha, eles são centenas de atenções pra gente entreter o nosso público,
01:06:56que é tudo aberto, sem back bar, sem back de cozinha.
01:06:58E a gente nunca quis, tipo, um bar só pra cumprir tabela,
01:07:01porque o restaurante precisa ter um bar, uma coisa escondida, uma coisa secundária.
01:07:05A gente queria que o bar brilhasse, o mesmo tanto que a cozinha brilha, sabe?
01:07:09Que fosse uma coisa em comum.
01:07:12E na questão espacial, realmente, ele está no meio do salão.
01:07:16E quando você entra no restaurante, você já vê o bar.
01:07:20Então, realmente, ele tem muito protagonismo, né?
01:07:22Que é muito focado nisso também, quando a gente pega nas entradas, tapas, né?
01:07:26Menor quantidade, porções menores pra compartilhar.
01:07:30Foi muito focado nisso, sabe?
01:07:31A gente fez um balcão lá no bar, pras pessoas sentarem na banqueta.
01:07:35Então, assim, tá ali, conversando com o Nório, tem um coquetel.
01:07:38Você pode vir a tapa, você pode beliscar.
01:07:40Isso não precisa, necessariamente, ser um jantar no restaurante.
01:07:44Então, você pode ir pra tomar um drink, você pode sentar no balcão,
01:07:47você pode ir pra jantar, você pode fazer reunião de negócios,
01:07:51você pode fazer um date.
01:07:52Ele foi pensado nesses todos os momentos e ocasiões ali pro cliente.
01:07:57E quando surgiu a ideia da Casa Cor, já era previsto um bar.
01:08:02Falei assim, poxa, é o que a gente quer fazer aqui dentro também.
01:08:06Até porque no meio desse processo e loucura,
01:08:12a gente já tinha pegado um estabelecimento,
01:08:15uma outra casa pra gente mexer no imóvel.
01:08:18Que a ideia era que lá surgisse um bar de tapas, né?
01:08:22Coquetelaria clássica e autoral, muito bem trabalhada.
01:08:25Exatamente do lado, né?
01:08:27Talvez uma coisa mais próxima do que o Rivo foi no início, né?
01:08:33Só que é focada, basicamente, uma extensão do Rivo.
01:08:38Um pouco mais acessível, não tão formal, né?
01:08:42De você precisar ir lá, jantar, né?
01:08:44Com roupa elegante, que a gente nem grifa isso, não deve ser.
01:08:49Mas querendo ou não, quando você passa na porta do restaurante,
01:08:51impacta um pouco e te leva a querer se vestir assim.
01:08:55Mas do bar do Rivo era que a gente conseguisse entregar
01:08:59toda a nossa identidade, né?
01:09:01de restaurante hoje, numa roupagem diferente.
01:09:06Mais focada em tapas e coquetéis.
01:09:08E mais casual, né?
01:09:09Um pouco mais casual.
01:09:10E isso juntou muito bem com a Casa Cor.
01:09:12Sim.
01:09:13Vai ser um ótimo teste pra vocês, né?
01:09:15Exato.
01:09:16Então lá a gente vai ter drinks, óbvio.
01:09:20Inclusive engarrafados.
01:09:22Contei, né?
01:09:23Contei com as histórias.
01:09:25Muito legal.
01:09:26Tô adorando.
01:09:27Tô adorando.
01:09:28Continua contando em tudo.
01:09:29O cardápio é mais enxuto, né?
01:09:32É.
01:09:32Temos muitas entradas, poucos pratos principais.
01:09:36E são totalmente diferentes do que tem no restaurante.
01:09:39Ou alguma coisa vai.
01:09:40Não.
01:09:41Algumas coisas vão.
01:09:43Porque querendo ou não é a essência do Rivo,
01:09:45mas tem algumas coisas próprias pra Casa Cor.
01:09:47Mas tem uma repaginada do arroz de pato.
01:09:49Tem uma repaginadinha de algumas coisinhas.
01:09:51Do próprio tomate.
01:09:53Sim.
01:09:53Tem uma repaginada.
01:09:55Mas a ideia da Casa Cor é isso.
01:09:59Coquetelaria e tapas, mais bar.
01:10:02Eu acho que o grande desafio é a gente conseguir fazer uma boa entrega com a realidade da Casa Cor.
01:10:10Porque a gente não vai ter os equipamentos e toda a estrutura que a gente tem dentro de um restaurante.
01:10:15Então a gente vai adaptando o cardápio de acordo com o que a gente consegue fazer de melhor ali dentro
01:10:19daquele espaço.
01:10:20O desafio é esse.
01:10:21Mas a gente também não podia perder a essência hoje do Rivo.
01:10:24Até pras pessoas conhecerem o bar e quererem visitar a casa sabendo que tem a mesma conexão entre as duas.
01:10:31Sim.
01:10:31E aí, no jardim, a gente vai ter um bar de bolhas.
01:10:36Muito legal, gente.
01:10:38Então, só bebidas com bolhas.
01:10:40Uma coisa muito gostosa.
01:10:42Então, ali a carta é enxutíssima porque precisa ser assim.
01:10:47Então, a gente vai ter alguns petiscos.
01:10:49E a estrela mesmo são as bolhas.
01:10:52As bolhas.
01:10:53Então, inclusive, pra esse bar, já que você falou das garrafas, a gente vai engarrafar nosso Spritz, né?
01:10:59Pra tirar de torneira.
01:11:00Vai ser o Rivo Spritz.
01:11:01E fora isso, a gente vai ter mais quatro coquetéis engarrafados pra eles conseguirem vender.
01:11:07Pra pessoa comprar, levar pra casa, ter essa experiência fora.
01:11:10Porque também gera um pouco da nossa ideia, né?
01:11:13Quando a gente abre o restaurante.
01:11:14Que não fosse só um restaurante.
01:11:15A gente queria criar uma empresa onde ela tivesse vários segmentos.
01:11:19E que o Rivo, ele fosse uma vitrine.
01:11:21Que carregasse esse monte de pequenas marcas embaixo dele.
01:11:26Então, a ideia dos drinks engarrafados, ele vai nascer na Casa Cor.
01:11:31E depois a gente quer continuar esse projeto, né?
01:11:33Vamos ver como é que vai ser o tempo e demanda.
01:11:36Porque tem menu, carta de vinho vai mudar.
01:11:39Não, carta de vinho vai mudar.
01:11:40Carta de drinks também.
01:11:42A de comida, a gente deu uma pausa agora.
01:11:44Mas ela também já tá em fase de teste.
01:11:46Já tá em fase de teste.
01:11:47A gente não vai mudar 100%.
01:11:49Vamos acrescentar algumas coisas.
01:11:50Tirar algumas coisas, mas...
01:11:53Mas tem que esperar essa loucura passar.
01:11:54Porque a gente tem um.
01:11:55Se não é muita coisa.
01:11:56Do nada, a gente pegou mais três pra fazer.
01:11:58Assim, então...
01:11:59É.
01:12:00E o outro bar já é pra agora também, não?
01:12:03Não, a gente acredita que vai ser...
01:12:04Que esse projeto vai ficar pro ano que vem.
01:12:06A casa ainda precisa ser reformada.
01:12:08Então, é uma coisa que vai demorar uns seis meses, pelo menos.
01:12:13Mas já tá ali, no forno.
01:12:15Tá no forninho.
01:12:15Tá em stand-by.
01:12:16Então, enquanto isso...
01:12:18Tá no forno, é.
01:12:18A partir do dia 15...
01:12:20Aguardamos todos na Casa Cor.
01:12:22Todo mundo lá na Casa Cor.
01:12:24Que esse ano de novo é no Isabela Hendricks, né?
01:12:26Isso, isso.
01:12:26E também, acho que o legal é que casa muito com o nosso projeto hoje.
01:12:30Até arquitetônico, sabe?
01:12:31Design, né?
01:12:32A gente quis muito isso também.
01:12:34Quando a gente projetou o restaurante, ele foi feito pela Ana Bahia, né?
01:12:38A arquiteta, que também já fez Casa Cor quase todo ano.
01:12:41Ou todo ano ela faz.
01:12:43Então, a gente tem esse viés também arquitetônico, né?
01:12:46De design, né?
01:12:47Dentro do nosso próprio estabelecimento.
01:12:50Acho que a gente pode considerar até um pouco arquiteto agora,
01:12:52depois dessa obra de um ano.
01:12:53A gente aprendeu muita coisa.
01:12:55Sim.
01:12:55A altura de uma mesa, a altura de uma cadeira, não sei o quê, né?
01:12:58Um pouco de tudo, né?
01:13:00É.
01:13:00Dá.
01:13:00Dá pra fazer muitos outros projetos.
01:13:03Mas a gente acredita também que o Rivo hoje, ele tem uma certa cara de casa cor.
01:13:08Sim.
01:13:09Então, vai ser legal entrar nesse projeto lá dentro.
01:13:11A gente tá realmente muito feliz pelo convite.
01:13:13Sim.
01:13:14É um grande desafio.
01:13:15Vai ser um desafio...
01:13:15Estamos, assim, muito empolgados de...
01:13:17Gigante desafio.
01:13:17Pra entregar o nosso melhor, né?
01:13:20Sim.
01:13:20Mas é.
01:13:21O que a gente vai procurar sempre é uma entrega.
01:13:23Que ela seja da melhor maneira possível.
01:13:26É.
01:13:26E você falando da entrega, vocês no restaurante, vocês trabalham num alto nível, num nível
01:13:34Michelin.
01:13:35Aqui, no BH, a gente não tem guia Michelin ainda.
01:13:38Quem sabe, né?
01:13:40Teremos um dia.
01:13:42Se não temos Michelin, qual que é...
01:13:46Onde vocês querem chegar?
01:13:47Qual que é, assim, pra vocês que seria o lugar, o auge, o ápice pra vocês?
01:13:53Olha, eu acho que nosso objetivo direto nunca foi esse.
01:13:56Eu acho que eu e o Max não sabemos trabalhar de outra forma que não é que a gente trabalha
01:14:00hoje.
01:14:00Então, nós viemos de restaurantes de excelência, assim, de organização, de técnica, de postura,
01:14:06de muitas horas de trabalho mergulhadas ali.
01:14:09Então, vários pratos nossos a gente já testou, assim...
01:14:13Nó.
01:14:14Sei lá.
01:14:14Inúmeras vezes até ficar mais ou menos do jeito que a gente gostaria que ficasse.
01:14:18E a gente sempre falou que se viesse alguma coisa, algum retorno, algum reconhecimento,
01:14:23seria pelo trabalho que a gente vem fazer.
01:14:26Então, a gente acredita que se isso acontecer, é justamente pelo a gente estar fazendo uma
01:14:31coisa bem feita e legal, né?
01:14:34Que seja muito de mérito, sabe?
01:14:37Mas...
01:14:38Nunca foi visado...
01:14:40A gente nunca visou, quero entrar nessa lista e vamos fazer um restaurante assim.
01:14:44Não, nunca foi o nosso objetivo.
01:14:45Se a gente pensa, assim, talvez um objetivo e que a gente pode trabalhar pra conseguir
01:14:50chegar nele, nem seja uma lista de 50 best mais pra frente, mas a gente também é bem
01:14:57humilde e sabe que a gente tá longe, que a gente tá só trabalhando, que é isso que
01:15:01a gente sabe fazer e vem tentando fazer e mostrar dia após dia.
01:15:06Mas acho que muito além disso, o princípio do restaurante é que seja uma empresa verde,
01:15:13que ela consiga realmente pagar todo mundo, que ela realmente se sustente, que ela seja
01:15:18verdadeira, tanto com a gente, com os nossos funcionários.
01:15:21Sim.
01:15:22Então, o objetivo real mesmo é...
01:15:24É o nosso desafio e que a gente sempre pensou era criar um ambiente que o funcionário
01:15:27queira ir trabalhar, independente do que aconteça com a vida dele.
01:15:30Que aquilo ali seja um refúgio, de certa forma, que a pessoa tenha prazer, porque já passamos
01:15:33por diversas cozinhas que não são exatamente assim, né?
01:15:36E que aí pesa muito o dia a dia.
01:15:39A gente quer que seja uma coisa gostosa.
01:15:41Óbvio que isso não vai ser todo dia, mas que a maioria dos dias seja assim, né?
01:15:45É, e a ideia de revolução foi muito disso também.
01:15:47A gente passou por realmente, cara, muitas coisas nessa área que se a gente para pra ver,
01:15:55muita gente já passou.
01:15:57Então, a gente viu agora há pouco a bomba do Noma, né?
01:16:03Que saiu e que realmente são coisas que acontecem.
01:16:06Não estou falando que eu vivi isso.
01:16:08Coisas que já vivemos e que já vimos.
01:16:09É, não estou falando que eu vivi isso e que o cara viveu isso, mas é que um relato
01:16:13onde todo mundo sofre...
01:16:15É, não diretamente.
01:16:16É um ambiente de muita pressão, né?
01:16:18É um ambiente de muita pressão.
01:16:19Então, acho que no fundo, no fundo, é sobre isso.
01:16:22A gente é pressionado pelo nosso cliente.
01:16:25Então, a gente tem que passar uma certa dessa pressão para os nossos funcionários.
01:16:31Se a gente vai trabalhar, sei lá, o prato do tomate, cara, existe uma pressão gigantesca
01:16:35para conseguir executar esse prato igual todos os dias, em todas as produções.
01:16:41Então, tem cobrança.
01:16:43Só que uma coisa que a gente quis muito lá no Rio é que a gente não passasse para ele
01:16:47certas coisas que a gente viveu.
01:16:49Ou que a gente julga que são normais nessa nossa área.
01:16:55Então, a ideia de revolução era muito interna nesse sentido.
01:16:59De, cara, precisamos também ser verdadeiros.
01:17:02Não é assim que funciona.
01:17:03A gente não quer ser assim.
01:17:05Apesar de ter vivido vários momentos críticos.
01:17:08Cara, eu já tive bornáutica.
01:17:09Fiquei internado sete dias no TI.
01:17:12Nossa, pesado.
01:17:13E tudo bem.
01:17:13Não é uma coisa que eu desejo para ninguém.
01:17:15Aconteceu.
01:17:16Acho que foi muito mais da minha entrega por si só do que eu queria comigo mesmo.
01:17:23E que apesar de ter sofrido, eu vejo e enxergo que valeu a pena.
01:17:28Só não recomendo.
01:17:31Ainda mais nessa fase que a gente vem vivendo, né?
01:17:35Sim.
01:17:36Que está mais difícil a área.
01:17:40Muita gente hoje em dia não quer trabalhar, quer ganhar muito.
01:17:43Não, eu acho que está aqui é muito diferente, assim.
01:17:45Tipo, o nível dos restaurantes que a gente trabalhou é diferente.
01:17:51Parece que já está intrínseco uma certa postura, uma certa entrega de trabalho.
01:17:54Não que a maioria das pessoas trabalhe assim.
01:17:56Mas é assim, você tem que correr, você tem que entregar.
01:17:59Não tem você ficar parado, não existe.
01:18:02E muitas pessoas não tiveram essa oportunidade de vivenciar isso e vem a cozinha de outra forma.
01:18:08Então, muitas vezes a gente também tem que quebrar paradigmas porque precisa ser visto de uma outra forma, né?
01:18:14Sim.
01:18:15E o que a gente tenta passar lá com os meninos é isso.
01:18:18A gente está bem feliz isso aqui porque a gente tem, né?
01:18:20Salão, cozinha, barca.
01:18:21Nós super orgulhosos.
01:18:22A turma está realmente bem feliz de fazer parte daquilo e isso...
01:18:26Foi difícil encontrar as pessoas, mas quase todas foram escolhidas assim.
01:18:32A dedo.
01:18:33É.
01:18:34Lá tem que fazer sentido para a pessoa, tem que fazer sentido para a gente.
01:18:38Sim.
01:18:38Tem que fazer sentido com o que ela quer de vida.
01:18:40Então, não é só um currículo que a gente coloca para dentro do restaurante.
01:18:46Mas a gente tenta passar sempre da melhor maneira possível para eles, que não seja numa pressão absurda, numa cobrança
01:18:52absurda.
01:18:53Mas que eles também entendam que aquilo, uma hora, ele precisa existir, não naquela sua certa rigidez.
01:19:01Então, a gente tenta mostrar tudo que a gente passou, né?
01:19:04A gente tenta passar todas as nossas vivências, nossos conhecimentos de uma forma mais leve, sendo o mais humano possível.
01:19:12E é isso que a gente acredita que vem fazendo a nossa turma lá, cara, feliz, satisfeita com o ambiente
01:19:18de trabalho, com a entrega.
01:19:20Realmente, a gente trabalha, a gente pega a cozinha, a bala, até atendimento, com muitas coisas que são não historicamente
01:19:27comuns, né?
01:19:28Enormais na cidade hoje.
01:19:30Então, acho que isso vale muito a pena, que a turma faz querer ficar lá mais tempo.
01:19:35E fazemos treinamentos constantes, todo mundo prova tudo.
01:19:39Então, hoje está tendo um treinamento de vinho, falei para a cozinha lá, porque é um vinho muito legal, que
01:19:44é um produtor mineiro,
01:19:45que acho que vale a pena eles conhecerem.
01:19:47E aí, querendo ou não, a gente vai passando um pouco dessa bagagem para todo mundo que está ali.
01:19:52Isso está sendo bem.
01:19:53Faltou um aqui na mesa.
01:19:55Vamos.
01:19:57Vamos.
01:19:57Contem dele.
01:19:58Esse conta.
01:19:59Eu contei, não sei.
01:20:00Eu já vou dar a minha bocada aqui.
01:20:02Me dá um vinho.
01:20:03Lindo, né, gente?
01:20:04Olha.
01:20:05E eles trouxeram a louça do restaurante.
01:20:07Então, eles estão servindo realmente como se estivéssemos lá, né?
01:20:12Mas a ideia daqui era...
01:20:15É um crudo de carne, né?
01:20:17Que a gente sempre tenta pensar nessa ideia de tipo, cara, o crudo de carne já existe.
01:20:23Vamos tentar repaginar isso daqui.
01:20:25Geralmente, a gente encontra o crudo de carne com pãozinho tostado, né?
01:20:29Ou com algum toche, algo do tipo, uma torrada.
01:20:32E a gente quis resgatar o ingrediente também, que é muito conhecido aqui, mas ele realmente se perdeu.
01:20:39Sumiu no mapa, tanto em casas quanto em restaurantes, que é o inhame.
01:20:43Então, a gente faz o mil folhas de inhame, cruz de carne em cima e finaliza com a maionese de
01:20:47trufa fresca.
01:20:49Porque lá a gente faz questão de todos os meses trazer uma remessa de trufa da Itália, assim como o
01:20:54caviar.
01:20:55E para tentar levar um ingrediente que é nosso.
01:20:57Então, assim, quem que um dia iria falar que, sei lá, se o inhame não combinasse com uma trufa, está
01:21:05aqui uma prova.
01:21:06Então, assim, a gente tenta sempre mostrar esses pedacinhos.
01:21:09Nossa, gente, é muito bom.
01:21:10Delicioso.
01:21:11Um sabor...
01:21:12Gostoso.
01:21:13Muito bom.
01:21:14Realmente, essas duplas aqui são incríveis, né?
01:21:18A gente também pensou no cardápio.
01:21:20Muita coisa que a gente gostaria de encontrar em um restaurante se a gente fosse cliente.
01:21:23Então, o tartar era uma coisa que a gente comia muito, a gente fazia muito em casa.
01:21:27Então, a gente quis levar para o restaurante, sabe?
01:21:30E legal isso, né?
01:21:32Porque nenhum dos dois é batata, né?
01:21:33Vocês têm a baroa e o inhame, né?
01:21:36Então, isso realmente foge do que a gente normalmente vê.
01:21:39A gente sempre tenta dar uma repaginada, uma outra roupagem para aquilo ali que já é conhecido.
01:21:45Talvez apresentar, usar um ingrediente diferente, assim.
01:21:48Aí no cardápio a gente não pode brincar com tudo.
01:21:51Então, tem coisas mais conhecidas, mais confortáveis, né?
01:21:55E aí tem nossas brincadeiras, como o nome de jantar do carbonado também, né?
01:21:58Sim.
01:21:59Que aí é uma viagem legal demais.
01:22:02Que você vai num lugar que você realmente não espera, né?
01:22:04Sim, sim.
01:22:06E que lá no começo, quando ela falou, eu falei assim...
01:22:08Pô, você tá viajando, amor.
01:22:09Isso aqui não vai dar certo.
01:22:10Primeiro que é caro, tá colocando caviar, guanciale, pecorino.
01:22:15Eu falei...
01:22:15Pô, isso aqui não vai...
01:22:16E a aceitação do público vai ser difícil.
01:22:19E como é que é?
01:22:20As pessoas encaram, estranham, questionam?
01:22:24Não, é a segunda sobremesa mais vendida.
01:22:26A segunda que mais vende, a gente tem...
01:22:28E hoje não, duas pessoas em sete meses que talvez...
01:22:31Duas que não gostaram que foram, sei lá, também na primeira semana.
01:22:34É.
01:22:35De abertura do restaurante.
01:22:36Mas a maioria se surpreende muito positivamente.
01:22:40Já virou um carro-chefe.
01:22:41Então, a turma já chega lá querendo...
01:22:43É.
01:22:43Cara, o que é aquela sobremesa de carbonara?
01:22:45O que é aquilo que vai com caviar, que não é doce?
01:22:48Então, eles já procuram.
01:22:50Porque uma coisa que a gente só precisa, a gente, é muito um trabalho de salão.
01:22:54Que o cliente, ele só esteja aberto a experimentar.
01:22:57Sim.
01:22:58Então, assim, cara, senta aqui, se entrega pra gente, experimenta.
01:23:02Se não gostar, tudo bem, a gente dá um jeito aqui com vocês.
01:23:06Mas antes de qualquer coisa, o que a gente quer é que eles experimentem.
01:23:10Então, tem um trabalho de salão em cima disso, né?
01:23:13Fazendo uma venda ali, explicando pro cliente.
01:23:15Então, quando ele recebe essa sobremesa, que teoricamente é diferentona,
01:23:20acaba gostando.
01:23:21Ele fala assim, pô, realmente, eu entendi.
01:23:23Sim.
01:23:24Fez sentido e estão gostando bem.
01:23:26Sim.
01:23:26Legal.
01:23:27Então, isso é bem feliz.
01:23:28Até pelo que a gente queria com o restaurante, ver que uma sobremesa, assim, ela é aceita.
01:23:35É por isso que a gente vem seguindo sempre esse caminho que a gente quis trilhar,
01:23:38quis montar no restaurante.
01:23:39Se o público tá aceitando, a gente vai continuar.
01:23:42E se não aceitar, a gente vai continuar também.
01:23:44Com certeza.
01:23:45Não, não, não parem, por favor.
01:23:46A gente precisa disso, né?
01:23:48E eu sei que há pouco tempo, sete meses, mas vocês sentem já?
01:23:53Vocês já deram esse passo pra essas revoluções?
01:23:56Vocês já conseguiram, de alguma forma, mudar as coisas?
01:24:00Às vezes, deslocar mesmo do que é esperado?
01:24:03Vocês já sentem isso?
01:24:05Ah, já.
01:24:06Sim.
01:24:07Já.
01:24:07Sim.
01:24:08Acho que, assim, a gente sempre tenta pegar em mesa, né?
01:24:11Ou até no pós-venda ali da noite, uma possível crítica de um cliente,
01:24:17ver como é que foi a noite, como é que foi a experiência.
01:24:19E, realmente, 95% vem sendo positiva.
01:24:24De muita gente também que meio que, não é que desacreditava,
01:24:28mas que foi pro restaurante com uma cabeça de, ah, não sei o que vai ser,
01:24:31é muito diferente.
01:24:32E sai de lá falando que, realmente, cara, tá muito bom, tá muito bem feito,
01:24:36serviço tá muito legal.
01:24:37A gente quer voltar dentro da nossa operação.
01:24:41A gente vem, a gente já sentiu isso também.
01:24:42Tem muita gente que entrou, muita gente que saiu, mas quando a pessoa sai,
01:24:48a maioria é porque eles não se identificam com a proposta.
01:24:51E sempre entra alguém que se identifica e quer entregar mais e mais
01:24:55e quer viver isso, então diz.
01:24:56Mas hoje a gente tem muito mais procura de gente querendo trabalhar com a gente.
01:24:59Olha, isso é interessante.
01:25:01É a procura espontânea, né?
01:25:01Sim.
01:25:02Legal.
01:25:03É.
01:25:04Eu acho que isso já é um bom crivo de que a gente tá fazendo alguma coisa certa,
01:25:07que a gente tá no caminho certo, né?
01:25:08Sim, mas, no fundo, acho que já deu pra mostrar um pouco.
01:25:15A gente realmente vem tentando revolucionar um pouco
01:25:19e a gente recebe essa crítica positiva.
01:25:22Então, de certa maneira, sim.
01:25:24Muito bom.
01:25:24Parabéns pelo trabalho de vocês.
01:25:26Obrigado.
01:25:26E muito obrigada pela presença.
01:25:28Fiquei muito feliz de ter vocês aqui.
01:25:30Obrigada a você.
01:25:31O papo foi hora.
01:25:32A gente é o caro pela conversa.
01:25:34E voltem mais, hein?
01:25:35Com certeza.
01:25:36Eu ia falar que já quero voltar.
01:25:37Sim.
01:25:38A gente tem que trazer outros pratos.
01:25:40Sim.
01:25:41E quando tiver o bar, ó...
01:25:42As priojas, realmente, eu esqueci.
01:25:44Olha, que falha.
01:25:45Essa falha foi grave, viu?
01:25:47É verdade.
01:25:48É assim, é assim, é assim.
01:25:49Mas, ó, quando o bar for abrir, espero vocês aqui de novo.
01:25:53Combinado.
01:25:54Obrigada.
01:25:54E obrigada a você também, que acompanhou a gente aqui nesse papo.
01:25:59Agora, enquanto a gente não volta com o próximo episódio, você pode acompanhar as notícias
01:26:04no site, em.com.br barra degusta.
01:26:07Estamos também no Instagram, arroba degusta.em.
01:26:11E também no impresso, às segundas e às quintas-feiras.
01:26:16Até o próximo, então, gente.
01:26:17Tchau.
01:26:18Tchau.
01:26:19Tchau.
01:26:20Tchau.
01:26:24Tchau.
01:26:26Tchau.
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