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O Degusta, podcast de gastronomia do Jornal Estado de Minas, abriu 2026 com um dado revelador. Um restaurante jovem foi citado por 25% dos convidados ao longo de 2025. Foram 14 episódios e 27 participantes. Sete indicaram o mesmo endereço como imperdível em Belo Horizonte.

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Transcrição
00:00:00Olá, eu sou Celina Aquino e esse é o Degusta, o podcast de gastronomia do estado de Minas.
00:00:06Estamos de volta, muito felizes de estar aqui nessa mesa, depois dessa pausa no fim do ano.
00:00:12E esse é o primeiro episódio de 2026.
00:00:16Nesse ano, a gente continua aqui, montando essa mesa maravilhosa para receber convidados,
00:00:22nomes da gastronomia, que tem histórias interessantes, curiosas, inspiradoras para contar para a gente.
00:00:28Então, já senta aqui do nosso lado, que a gente já vai começar mais um episódio.
00:00:35No cardápio de hoje, nós temos o restaurante mais falado aqui nesse podcast no ano passado.
00:00:41Muitos dos convidados que estiveram aqui, incluíram esse endereço na lista dos lugares imperdíveis para comer aqui em BH.
00:00:50Esse restaurante é fruto do encontro de dois chefes que se conheceram na cozinha e se apaixonaram instantaneamente.
00:01:00O lema deles é transformar ingredientes simples em sabores e pratos surpreendentes.
00:01:09E eles usam para isso criatividade, técnica muito precisa e atenção aos detalhes.
00:01:16E, pelo que já deu para a gente perceber, eles realmente estão conseguindo criar momentos memoráveis à mesa.
00:01:24E é a primeira vez que a gente tem dois convidados nessa mesa ao mesmo tempo.
00:01:29E eles são Carolina Elias e Pedro Estucci, que são chefes e sócios do restaurante Casa Ryuga e, em breve, do Bar Ryuu.
00:01:39Não é isso?
00:01:40É.
00:01:40Muito bem-vindos, Carol e Pedro. É um prazer ter vocês aqui na nossa mesa.
00:01:45Obrigado a vocês pelo convite. Agradeço a você, né, Celina.
00:01:49A Joana, que está aqui também, o Estado de Minas e todo mundo que falou da gente, né.
00:01:55Eu acho que é muito bacana esse feedback, né, vamos dizer.
00:01:59É isso, a gente fica muito feliz com o convite e com essa introdução maravilhosa, que eu acho que representa muito a nossa essência, né, um pouquinho do que a gente busca no Ryuga.
00:02:15E é isso, muito obrigada pelo convite, estamos muito felizes.
00:02:17Que bom. E olha, pra não dizer que eu não tô mentindo, a gente fez o cálculo pra mostrar pra vocês que é verdade isso que a gente tá falando.
00:02:27Olha só. A gente já gravou 14 episódios no ano passado e recebemos aqui um total de 27 convidados.
00:02:34Entre as pessoas que estavam aqui no estúdio e pessoas que mandaram as suas dicas por vídeo.
00:02:39E dessas 27 pessoas, 7 citaram o caso Ryuga. Ou seja, 25% aí numa conta, um quarto.
00:02:49É muita coisa, não é, gente?
00:02:50É muita coisa.
00:02:52Então, eu já quero perguntar pra vocês, o que vocês acham que fazem um restaurante que tem um ano e pouco, né, a gente tá gravando aqui no início de 2026.
00:03:02Vocês abriram em novembro de 2024, né.
00:03:04O que que faz um restaurante que tem pouco tempo de existência ser assim tão lembrado pelas pessoas da cidade?
00:03:13E detalhes, estamos falando de pessoas que são da gastronomia, que circulam muito, frequentam muito restaurante,
00:03:20certamente já experimentaram muita coisa aí pela cidade, pelo Brasil, pelo mundo.
00:03:25O que que vocês acham que faz com que isso seja, vocês sejam lembrados?
00:03:28Bom, vou dar a minha visão, aí você me ajuda, me complementa.
00:03:37Eu sou novo em BH, né, e acho que a proposta que a gente tá apresentando, ser um restaurante um pouquinho menor,
00:03:45que busca algum refino no que tá fazendo, só que sem buscar aquela coisa do fine dining, né,
00:03:54aquela coisa muito, toalha na mesa, serviço muito pesado, um discurso muito grande,
00:04:01a gente foge um pouco disso.
00:04:04Então, tem uma proposta que a gente quer ter ali um nível um pouquinho mais alto,
00:04:13só que com muito jogo de cintura, muita simplicidade, pra ter uma noção,
00:04:17eu trabalho num restaurante exatamente como eu estou vestido agora, né.
00:04:20Então, a gente não tem aquela, uma pompa e tudo mais, e tem, conversa um pouco com o nome casa, né,
00:04:28casa Rio, onde as pessoas vão lá e se sentem bastante à vontade.
00:04:32Isso a gente percebe que as pessoas se sentem à vontade lá.
00:04:37Essa proximidade, acho que é uma coisa que ajuda a gente muito a tá fazendo esse barulho que a gente tá fazendo, sabe.
00:04:45E aí, um pouco mais na prática, assim, a proposta de cardápio nosso também, acho que difere de alguns lugares, né.
00:04:54A gente apresenta algumas coisas que, como a gente pode até entrar mais um pouco nisso mais pra frente,
00:05:01mas vegetais, por exemplo, que podem ser um jantar completo, né.
00:05:07Pra quem tá, vamos supor, a grande maioria acostumada a sair pra comer uma massa, um risoto, né, ou uma carne.
00:05:16E aí, de repente, chega um casal jovem falando assim,
00:05:18escuta, repolho é bom, hein.
00:05:21É uma coisa que, querendo ou não, dá uma cutucada.
00:05:25E tem bastante gente curiosa pra ver o que a gente tá fazendo, sabe.
00:05:30Então, acho que, se deve a isso, foi um ano de muita evolução, né.
00:05:33É, eu acho que, inicialmente, a gente pensou no Ryuga como um restaurante que a gente gosta de frequentar.
00:05:42Assim, a gente montou um cardápio que é o estilo de comida que a gente gosta,
00:05:47o estilo, o formato de restaurante que a gente gosta de ir.
00:05:50Então, acho que a ideia inicial foi essa.
00:05:54E aí, poderia ter dado muito, deu muito certo, né, e poderia ter dado muito errado.
00:06:00Inicialmente, a gente ficou com muito medo da resposta, né, do público ao cardápio.
00:06:07Porque eu acho que é um cardápio muito pequeno, que as pessoas não estão acostumadas aqui em BH.
00:06:12A gente achou que o nosso público ia ser um público mais jovem, mais descolado,
00:06:17que ia aceitar, né, o cardápio com mais facilidade.
00:06:21E acabou, erramos completamente.
00:06:23Exatamente, o nosso público é um público mais velho, tipo assim, que a gente fala, né, que é mais...
00:06:30Eu vou usar a palavra conservadora aqui, mas eu não sei se é a palavra certa, né.
00:06:33Mas é um público mais velho, que eu acho que tá mais acostumada a ir nos restaurantes tradicionais e tal.
00:06:39E aceitaram e abraçaram o Ryuga, assim, de uma forma que me surpreendeu muito.
00:06:44Que legal.
00:06:45E eu acho que isso foi um ponto muito positivo.
00:06:49E eu acho que a outra coisa que a gente escuta, assim, muito de feedback,
00:06:55e eu acho que é verdade, é que a gente tem muita constância, sabe.
00:07:01As pessoas sempre falam, tipo, ah, o que é muito bom de vir aqui é que eu sei que eu vou comer,
00:07:05e vai estar sempre muito parecido.
00:07:07Não vou falar que tá igual, porque é impossível, isso a gente, né, não garante.
00:07:11Mas tá sempre muito parecido.
00:07:13E eu acho que isso é verdade, a gente tenta, né, buscar um padrão na saída dos nossos pratos,
00:07:21no atendimento, e, né, eu e Pedro, a gente tá sempre muito presente,
00:07:25mas a nossa equipe também, ela, né, ela trabalha buscando a padronização nos pratos mesmo.
00:07:34Então, eu acho que isso é um fato que contribui pra esse resultado que a gente tá atingindo, assim.
00:07:42Sim, a gente ainda vai destrinchar isso que vocês falaram mais,
00:07:46mas pra gente chegar até lá, eu acho que é bom a gente voltar,
00:07:49e eu quero que vocês se apresentem, assim, porque vocês são relativamente novos na cidade mesmo, né,
00:07:55e eu quero que cada um fale um pouco quem é você e como que se interessou pela cozinha.
00:08:01Vamos lá.
00:08:02Carol, pode começar.
00:08:03Bom, eu, eu mudei de área, né, então eu vou começar um pouquinho, vai ser um pouco confuso, eu acho, mas vamos lá.
00:08:15Eu sou formada em administração e contabilidade, e aí no início, eu sempre tive interesse pela gastronomia,
00:08:22eu cheguei a, quando eu, né, ingressei na faculdade, eu comecei a administração e eu fazia gastronomia à noite,
00:08:30só que, enfim, eu não gostei muito do curso aqui em Belo Horizonte, não me adaptei,
00:08:37falei, bom, acho que gastronomia é um hobby, é, tava gostando muito do curso de administração,
00:08:44deixei a gastronomia de lado e segui, tipo, minha vida.
00:08:49Comecei a trabalhar, fazer estágio, comecei a trabalhar,
00:08:52entrei em uma empresa de auditoria que precisava do curso de contabilidade,
00:08:57contabilidade, então fiz o curso de contabilidade, e minha vida foi seguindo.
00:09:02Quando começou a pandemia, é, a gente tava trabalhando de home office,
00:09:07e aí eu comecei a sentir um certo desconforto pra, né, tipo, da minha profissão mesmo,
00:09:13eu não tava mais me vendo trabalhando da forma que eu tava, sabe, nessa vida de escritório,
00:09:18até, assim, óbvio, eu tava no início da minha carreira, mas eu tava vendo pessoas, né, com cargos mais pra frente,
00:09:28e eu já não me via mais ali, sabe, naquela rotina, naquela vida, e aí começou...
00:09:33A pandemia foi um ponto de virada pra muita gente, né?
00:09:37Foi, pra muita gente.
00:09:38E aí começou a me despertar essa vontade de voltar a fazer, de voltar a fazer algum curso de gastronomia,
00:09:45de empreender e tal, e aí me deu essa virada, eu falei, bom, acho que é isso,
00:09:50eu tinha algum dinheiro guardado, mas eu precisava da ajuda dos meus pais,
00:09:56então eu conversei com eles, eles super me apoiaram, e aí eu decidi ir pra São Paulo,
00:10:01fui pra São Paulo fazer o curso na Cordon Blanc, na época, e me mudei pra lá.
00:10:06Era o curso de dois anos, a minha ideia era fazer o curso, estagiar em São Paulo, né,
00:10:13porque lá a gente tem restaurantes maravilhosos, eu ia entender um pouco mais da rotina,
00:10:19entender se era isso mesmo que eu queria, porque eu sentia que era uma...
00:10:26Era a época, sabe, era tipo assim...
00:10:28Era o momento.
00:10:29Era o momento, ou ia naquela época ou não ia mais.
00:10:31E aí eu fui, comecei a fazer o curso, conheci o Pedro,
00:10:36em um dos primeiros restaurantes que eu comecei a trabalhar, a gente se conheceu,
00:10:43e aí, acho que ele pode contar um pouquinho da história dele,
00:10:49e aí depois a gente chega lá.
00:10:50A gente encontra nesse ponto.
00:10:51A gente encontra nesse ponto.
00:10:53Então conta, Pedro, a sua história com a cozinha.
00:10:56Eu saí do colégio com 17 anos, e aí era uma escola que era muito voltada pra vestibular.
00:11:07Meus amigos todos já sabiam o que queriam fazer da vida, e eu tava completamente perdido.
00:11:12Eu não era o melhor aluno, eu não era o cara mais estudioso.
00:11:17E você é de São Paulo, capital, né?
00:11:19Isso, isso.
00:11:19Eu sou de São Paulo, capital.
00:11:20E aí eu lá com 17, fui e aprestava de lular.
00:11:24E aí meus amigos todos entram na USP e tal, e eu, cara, o que eu vou fazer da minha vida?
00:11:29Aí eu entrei em administração de empresa uma 15, com 17.
00:11:32Quando eu fiz 18, eu já tinha saído.
00:11:34Falei, não, não, não, chega.
00:11:35Isso não é pra mim.
00:11:36Isso aqui não é pra mim, cara.
00:11:37E aí eu tive que botar a mão na consciência, né?
00:11:40Meus pais sempre me apoiaram muito em fazer qualquer coisa que eu quisesse, assim.
00:11:44E aí chegou aquela coisa, o que eu quero fazer da vida?
00:11:46O que eu gosto de fazer?
00:11:47E aí eu fui muito na raiz da simplicidade de quem eu sou, que é, eu gosto de comer.
00:11:54Desse jeito, assim.
00:11:55Boa.
00:11:56E até então eu não cozinhava, eu nunca cozinhei na minha vida.
00:12:00Nessa fase, eu tinha, assim, insegurança total, pra não fazer ideia de como funcionava isso.
00:12:08A minha referência era, assim, o meu pai, que cozinhava muito, sabe?
00:12:12Cozinha, né?
00:12:13Até hoje.
00:12:14E eu falei, vou entrar em gastronomia.
00:12:18Entrei.
00:12:19Antes de entrar em gastronomia, eu minto.
00:12:21Como eu tava nessa coisa de, na minha cabeça, eu mudei de área, com 17 para 18.
00:12:27Achava que já tinha perdido um ano da minha vida, já tava atrasado em relação aos meus amigos.
00:12:32E aí eu falava, cara, o que eu tô fazendo da minha vida?
00:12:34Eu perdi um ano, eu fiz uma escolha e agora eu preciso correr atrás do prejuízo.
00:12:37Bati num bistrô, chamava Viandier, perto de onde eu morava em São Paulo.
00:12:44E é lá com 18 anos.
00:12:46Já tinha me matriculado em gastronomia, só que as aulas não tinham começado ainda.
00:12:49Eu virei pro cara e falei, cara, eu não tenho nenhum currículo pra te dar.
00:12:53Eu não sei nada.
00:12:55Mas eu, você topa me ensinar alguma parada?
00:12:59Ele falou, velho, você lava a louça?
00:13:01Aí eu, eu lavo.
00:13:02Lavo, lavo.
00:13:03Quero trabalhar, né?
00:13:04Deixa eu ver.
00:13:04Não, de graça.
00:13:05Deixa eu ver da qual é.
00:13:07Porque senão eu já, também, já vou tomar outro rumo da minha vida.
00:13:11E aí eu entrei no restaurante dele, que era bem pequenininho.
00:13:12Eu ajudava lavando a louça dele, numas aulas que ele fazia no restaurante.
00:13:18E na minha cabeça eu pensava assim, é...
00:13:21Pô, tô lavando louça, não tô cozinhando, né?
00:13:23Mas tô lavando louça, acho que esse é o mais difícil que pode ter na profissão, né?
00:13:29A parte, entre aspas, vamos dizer, mais chata.
00:13:31E se eu passei por isso, daqui em diante é só pra cima.
00:13:34Tranquilo.
00:13:35E aí eu fiz isso meio que pra entender se eu, se eu, o que que eu ia fazer.
00:13:39Segui na gastronomia, né?
00:13:41Saí, mas fui fazer gastronomia o curso mesmo.
00:13:46Fiz uma porrada de estágio.
00:13:47Então, assim, eu tô com 31, são 13 anos de gastronomia já.
00:13:52Entre, é...
00:13:53A maioria foi restaurante, eu cheguei a trabalhar um breve período num buffet, que fazia casamentos, essas coisas.
00:13:59Mas eu sempre fui muito pro lado do restaurante, né?
00:14:03Trabalhei majoritariamente em São Paulo, né?
00:14:06Um bastante restaurante bacana, né?
00:14:09Caes, Cortella, Tujú, Davidito foi o primeiro que eu trabalhei lá atrás.
00:14:14E fui pra fora, né?
00:14:16Trabalhei em Copenhague, trabalhei na Suécia.
00:14:19E aí, nos últimos, a gente tá juntando uns 4 anos, né?
00:14:23Acho que é um pouco menos.
00:14:24Um pouco menos.
00:14:25Uns quase 4 anos atrás, eu tava no Caes, em São Paulo.
00:14:28E foi quando eu conheci a Carol.
00:14:30E...
00:14:31E a história é curiosa, né?
00:14:33Porque vocês se conheceram e em 5 dias, vocês se apaixonaram.
00:14:37E a gente tá falando de um ambiente de cozinha, né?
00:14:39Que é uma loucura.
00:14:40Como é que foi que vocês já...
00:14:42Foi esse amor, assim, à primeira vista, praticamente, né?
00:14:46Cara, é...
00:14:49Assim, eu era o seu chefe do restaurante e a gente precisava de estágio.
00:14:54A gente abriu o vagas de estágio.
00:14:56E eu recebi um currículo em minhas mãos.
00:14:59E aí, assim, era tanta coisa acontecendo naquela época, pelo menos pra mim, que era mais um currículo.
00:15:08E aí, a gente chamou pra conversar e tal, não sei o quê.
00:15:10E aí, a Carolina chegou e eu, assim, nem reparei em nada.
00:15:15Você entendeu?
00:15:15Durante uma semana, a gente nem trabalhou junto.
00:15:18Acho que duas semanas.
00:15:19Foram duas semanas, né?
00:15:20Na verdade.
00:15:21Porque lá alternavam turnos, entendeu?
00:15:23Aí, era um subchefe.
00:15:26Ficava 15 dias no turno.
00:15:27Eu era estagiária fixa da noite e era...
00:15:3015 não, uma semana.
00:15:31Era uma semana?
00:15:32É.
00:15:32Mas não era?
00:15:33Não, acho que não.
00:15:33Acho que era 15 dias.
00:15:35Mas, enfim.
00:15:35Aí, alternava, sabe?
00:15:37Tipo, as equipes mudavam, mas o estagiário continuava.
00:15:42Então, eu não tive contato com ele durante os meus primeiros dias de estágio.
00:15:47Eu só fui ter na semana que ele...
00:15:50No dia que a gente estava no mesmo turno, na semana que a gente estava no mesmo turno.
00:15:54Aí, eu tinha o hábito de, naquela época, semanalmente, ir num bar muito famoso, São Paulo,
00:16:00chamado Boca de Ouro, que eu gosto muito até hoje.
00:16:03E aí, eu fechei o restaurante um dia e falei, pessoal, eu estou indo tomar uma cerveja.
00:16:09Quem quiser, entra aí e vamos embora.
00:16:11Aí, eu olhei para trás, três pessoas entraram.
00:16:13E até então, a gente não tinha se falado, né?
00:16:17A gente só tinha trabalhado em silêncio.
00:16:21Tipo assim, eu tenho minhas coisas para resolver, ela tem as coisas dela.
00:16:25E aí, naquele dia, a gente conversou pela primeira vez.
00:16:29E meio que foi acontecendo, assim.
00:16:32A gente se via todos os dias, a gente começou a trabalhar muito junto.
00:16:36Só que a gente sempre soube dividir muito bem as coisas.
00:16:39A gente trabalha muito bem, né?
00:16:40Junto, desde o primeiro momento, assim.
00:16:45Mas chegou uma hora que ficou inevitável.
00:16:48A gente abriu o jogo, né?
00:16:51E a gente seguiu junto desde então.
00:16:54Dá para falar que a gente está junto, trabalhando junto.
00:16:58E aí, um pouquinho depois que a gente começou a trabalhar junto,
00:17:01a gente já se firmou, vamos dizer, como um casal, desde o início.
00:17:06Sim, então as duas coisas caminharam juntas.
00:17:08E para você, pela questão profissional, era a sua primeira experiência fora, né?
00:17:15Isso.
00:17:15Aí eu saí do...
00:17:17Eu fiquei pouco tempo no CAIS.
00:17:19Você passou no Nelita antes.
00:17:20É, eu passei no Nelita antes.
00:17:22Aí eu saí do CAIS.
00:17:24E aí eu fui trabalhar no Chiroma.
00:17:26E aí o Pedro continuou no CAIS.
00:17:28E aí por um período a gente não trabalhou juntos.
00:17:32Mas logo depois você foi também, né?
00:17:34É.
00:17:35Eu estava no meu final de terceiro ano de CAIS já.
00:17:38E eu estava, né, assim, estava num cargo bacana e tudo mais e tal.
00:17:45Não tinha muito para onde eu ir dali.
00:17:48Foi muito massa aquela experiência.
00:17:51E aí eu falei, cara, eu também sinto falta de ser cozinheiro, né?
00:17:54Porque eu era...
00:17:55Se o chefe eu cozinhava de menos e eu era de tudo, assim.
00:17:59Desde psicólogo até eletricista.
00:18:03Apagava incêndio, né?
00:18:05Tapava buraco.
00:18:07E a Carol tinha acabado de ir para o Chiroma.
00:18:11E nesse intervalo entre ela e eu sair do CAIS foram quase seis meses, né?
00:18:16É, eu acho que sim.
00:18:17Foram quase seis meses.
00:18:19E aí a gente, assim...
00:18:21No CAIS a gente começou e depois a gente se apresentou como casal.
00:18:25Não chegou, mas a gente já chegou, chutou na porta.
00:18:27Tipo assim, ô, estamos juntos.
00:18:29Tudo bem?
00:18:29Beleza?
00:18:30Beleza.
00:18:31A gente não trabalhava necessariamente junto, né?
00:18:33É, eu trabalhava no serviço.
00:18:35Ele trabalhava na produção.
00:18:37Eu trabalhava para você, né?
00:18:38Eu enchi a sua praça.
00:18:40Mas aí foi isso.
00:18:42Tipo, sempre deu muito certo.
00:18:45E aí...
00:18:47E essa decisão de voltar para BH no seu caso, né?
00:18:52Voltar no caso do Pedro vir.
00:18:54Porque dá para perceber que quando a gente conversa com chefes que trabalharam fora,
00:18:59ou fora do Brasil, ou fora daqui,
00:19:01que a decisão de voltar é sempre um momento delicado, complexo, né?
00:19:06Não é fácil tomar essa decisão, né?
00:19:08O que fez vocês decidirem?
00:19:10Que vocês iam abrir um negócio e que seria em BH?
00:19:13E não em São Paulo e não em outro lugar?
00:19:15Então, eu acho que essa decisão, né, partiu...
00:19:20Mais de você.
00:19:20Mais de mim.
00:19:21Eu estava no final, assim, desses...
00:19:24Acho que dois anos que eu fiquei em São Paulo, mais ou menos,
00:19:27eu comecei a ficar muito incomodada com o estilo de vida que a gente estava tendo lá, sabe?
00:19:31Era um estilo de vida muito horrível.
00:19:36Porque...
00:19:37Porque é muito trabalho...
00:19:38Não, de trabalho era ok, assim, mas a gente tinha uma vida muito desregrada, sabe?
00:19:44Eu falo que era uma vida de um intercambista na Europa,
00:19:48só que eu não era mais uma adolescente, sabe?
00:19:50Eu era uma adulta já.
00:19:52A gente, tipo assim, trabalhava...
00:19:55Beleza, trabalhava bastante, vida de cozinha,
00:19:58mas o problema não era esse.
00:20:00A gente bebia muito, não tinha...
00:20:03Era uma vida muito boêmia.
00:20:04Era uma vida muito boêmia, sabe?
00:20:06Da noite.
00:20:07Da noite.
00:20:07Cozinheira rockstar, assim.
00:20:08É, de virar noite, de comer só fast food.
00:20:13E aí eu fui percebendo que, primeiro, que isso não...
00:20:16Não estava mais me agradando e que eu não ia mais chegar a lugar nenhum com isso, sabe?
00:20:23Eu já tinha vontade de voltar para BH, porque...
00:20:26Eu sou uma pessoa muito apegada à minha família, eu sinto falta de...
00:20:30Da convivência e tal.
00:20:32Você nunca deixou BH, né?
00:20:33É, eu nunca deixei BH.
00:20:36Então, tipo, eu tinha vontade de voltar e isso começou a me incomodar muito em São Paulo.
00:20:42E aí a gente foi conversando, assim, de...
00:20:45Quais seriam as possibilidades?
00:20:47Tipo, eu volto, eu fico, Pedro vem e tal.
00:20:52E o que a gente poderia fazer aqui?
00:20:54Porque aí também vir para trabalhar em restaurante aqui em BH não era mais uma opção, sabe?
00:21:00Aí a gente começou a pensar quais seriam os planos.
00:21:05A gente não tinha dinheiro, tipo, não tinha, né?
00:21:09Condição de abrir um restaurante, que era a nossa vontade.
00:21:14A gente começou a pensar, a gente pode fazer um empório, a gente pode fazer o quê, né?
00:21:20E aí de lá a gente teve a ideia de fazer o delivery, que foi uma forma de começar sem um investimento muito alto.
00:21:28E aí a gente veio, tipo, a gente, meus pais ajudaram no aluguel da cozinha.
00:21:35Eles já tinham alugado a cozinha para a gente, a gente não tinha nem vindo.
00:21:39A gente montou a cozinha super rápido, né?
00:21:41Não precisava de muito equipamento nem nada.
00:21:45E aí a gente começou.
00:21:46Foi uma fase muito difícil, porque...
00:21:51Aí você pode falar mais de você.
00:21:54Voltando um pouquinho no que ela falou.
00:21:57O cenário, a leitura, meio de fora, quando a gente estava junto em São Paulo, preste a vir para cá,
00:22:02era uma coisa assim, né?
00:22:04A gente tinha uma conversa muito franca.
00:22:06A Carolina tem nesse contexto todo de contabilidade, administração de empresas.
00:22:10Então, ela sempre teve um olhar muito de dono, né?
00:22:16Eu era um bom funcionário prêmio, sabe?
00:22:20Por exemplo, curso de gastronomia mesmo.
00:22:22Eu nem me formei.
00:22:23Eu larguei ele total e fui trabalhar.
00:22:26E fui aprendendo muito, sabia muita coisa na prática.
00:22:29Só que a Carol sempre foi muito organizada em relação às suas coisas.
00:22:33Em determinado momento a gente viu, tipo assim, se a gente fizer um time, a gente vai...
00:22:37Dá para fazer uma coisa legal, sabe?
00:22:38E juntar as melhores habilidades de cada um.
00:22:42Isso foi muito massa, né?
00:22:43Foi muito bacana.
00:22:45E a Carol sempre foi muito BH, né?
00:22:49Você sempre quis voltar.
00:22:51Sua cabeça foi para lá com essa ideia...
00:22:54Você me corrija se eu estiver errado.
00:22:55Mas com essa ideia de aprender, se desenvolver, ter essa introdução na cozinha,
00:23:01que querendo ou não São Paulo é um polo gastronômico mundial, vamos dizer.
00:23:05Mas voltar para cá, para você achar que tinha espaço aqui e tudo mais.
00:23:12Eu achava que tinha espaço.
00:23:14Eu sabia que o investimento ia ser menor.
00:23:16E eu sabia que aqui eu teria ajuda também.
00:23:18Porque lá em São Paulo, tipo, eu não tinha ninguém, sabe?
00:23:21Então, era meio que isso.
00:23:24E você tinha uma relação com BH antes, não?
00:23:28Nenhuma, velho.
00:23:28Nunca tinha nem vindo aqui.
00:23:30Caramba, você não conhecia.
00:23:31Ainda mais, cara.
00:23:32Tanto que a gente fala que vieram para BH dois cozinheiros novos.
00:23:40Porque a Carol, ela é de Belo Horizonte, mas ela foi embora de administrador e voltou cozinheira.
00:23:44Sim.
00:23:44Eu não sabia nada.
00:23:46Tipo assim, eu não sabia...
00:23:47Tipo, fornecedor, né?
00:23:49Não, eu não conhecia nada, nem ninguém, né?
00:23:52Sim.
00:23:52Tipo, eu não conhecia.
00:23:53A gente não tinha amigo, cara, quando a gente chegou aqui, velho.
00:23:58E a gente ficou pensando, né?
00:24:02Bom, o que a gente pode fazer para não continuar nessa espiral do, vamos dizer, trabalhar para os outros?
00:24:08Como que a gente vai dar um salto na nossa vida juntos?
00:24:11A gente veio para cá, pelo que ela falou, a gente teve muita ajuda dos meus sobres, né?
00:24:14Que estão aqui para a gente em todo momento.
00:24:17E a gente decidiu abrir uma dark kitchen delivery chamada Casa Ryuga, já.
00:24:23Inclusive esse nome, né?
00:24:25Que é uma palavra curiosa aí.
00:24:27Tem uma origem dinamarquesa, é isso?
00:24:29Cara, tem.
00:24:31Ahn.
00:24:32É, mas a gente...
00:24:35A gente em São Paulo, a gente já morava junto, já.
00:24:37E a gente pensando, se a gente fosse abrir um negócio, a gente ia chamar do quê?
00:24:41E, cara, dar nome para o filho não é a coisa mais fácil do mundo, sabe?
00:24:45Difícil demais.
00:24:46É difícil, pô, você tem que se acostumar com aquilo.
00:24:49E aí, quando eu estava em Copenhague, tem uma palavrinha que se escreve H-Y-G-G-E.
00:24:56Só que se fala Hyuga, com um hyu, assim, né?
00:25:00E aí, é uma palavra que ela, assim, representa aquela sensação de conforto, intimismo, acolhimento.
00:25:10E quando eu estava lá, eu estava no inverno, meio que esse sentimento todo na cidade, nas
00:25:15pessoas, essa coisa muito cultural deles, ele aflora.
00:25:19O que que é?
00:25:19É como se fosse aquela atmosfera criada de você tomar uma xícara de chá perto da
00:25:24lareira, vendo a neve caindo num ambiente meio escurinho, assim, sabe?
00:25:27Tá.
00:25:27E é uma coisa que eu gosto muito.
00:25:30Gosto muito da minha casa, assim, eu prefiro não ligar a luz do teto e ligar um abajurzinho.
00:25:34Eu sempre gostei muito disso.
00:25:36E eu contei isso pra ela, falei, cara, isso era uma coisa muito legal.
00:25:38E os restaurantes lá tinham muito disso também e tal.
00:25:41E ela, velho, como é que fala essa palavra aí?
00:25:46Rigi?
00:25:47É, seria difícil.
00:25:47Qual que é, né?
00:25:48O que que é essa história aí?
00:25:50E aí, ela que deu a ideia de chamar Hyuga do jeito que é escrita, R-U-G-A.
00:25:59Que é do jeito que fala, né?
00:26:00Exato, é, exato.
00:26:01Pra facilitar a pronúncia pras pessoas conseguirem falar, né?
00:26:05E o casa a gente meio que colocou porque ia ser uma coisa para a casa das pessoas, né?
00:26:09Ah, tá.
00:26:11Por causa do delivery, que vocês começaram como delivery, tá.
00:26:14A gente começou como delivery, a gente queria ser um empório.
00:26:22É, a gente queria ser um empório.
00:26:23No começo mesmo, de tudo, as coisas tomaram outros caminhos 100%, mas a gente queria ser um empório.
00:26:30Você entra em contato com a gente, encomenda, faz seu pedido, a gente produz e te manda.
00:26:35E quem sabe um dia, quem sabe a gente abre uma portinha para a rua.
00:26:40Uma coisa meio, eu vou de você rir, onde você compra, passa e vai embora.
00:26:43A gente não atende no lugar.
00:26:45E essa época foi complicada, né?
00:26:50Só eu e você, em 17 metros quadrados durante um ano.
00:26:53Nossa.
00:26:54E uma janela que dava para um muro.
00:26:55Mas, eu falo, né?
00:26:59Se a gente passou por isso, esse ano do delivery foi uma coisa, foi uma prova de fogo para a gente como casal e como sócio.
00:27:08E aí foi importante para vocês juntarem o dinheiro que precisavam para abrir o negócio.
00:27:13Foi isso?
00:27:14É, eu acho que foi importante em vários sentidos, assim.
00:27:18Eu acho que foi muito legal para a gente conhecer pessoas em BH, conhecer fornecedores, conhecer as pessoas que são nossos amigos hoje.
00:27:31A gente foi conhecendo, com o tempo, a gente foi se apresentando e tal.
00:27:37Eu acho que a gente acabou conhecendo clientes que viraram nossos clientes fiéis.
00:27:45A gente não tinha muitos clientes no delivery, não vou mentir e falar que era muito cliente, porque não era.
00:27:51Mas a gente tinha muitos clientes fiéis, assim, que viraram clientes recorrentes, que mandavam mensagem, que tinham uma troca muito legal com a gente.
00:28:01E aí eu acho que durante esse ano foi muito importante para a gente entender como a gente trabalhava junto.
00:28:07Como a gente, tipo assim, para a gente construir a ideia também do restaurante, para a gente construir o que a gente queria e para a gente começar a criar, eu acho que uma sementinha do nosso nome quando abrisse o restaurante, sabe?
00:28:25Então eu acho que foi muito mais nesse sentido, não vou dizer que financeiro, mas eu acho que como estrutura mesmo, para a gente começar a fazer a obra e abrir o restaurante.
00:28:39Achar o ponto foi muito difícil, a gente começou a sentir a inquietação de ficar lá no delivery.
00:28:47Primeiro que financeiramente não estava sendo tão bom, porque tem a questão do iFood, tem a questão que a gente pagava um aluguel relativamente caro para uma cozinha, só para uma cozinha pequena.
00:29:02E escondida, né?
00:29:03E escondida, que a gente não tinha, né? Tipo, contato com os nossos clientes.
00:29:08A gente estava ficando muito insatisfeito, porque o que a gente fazia era que a gente acredita muito no atendimento.
00:29:15E aí qualquer problema que dava no iFood, tipo, ah, um motoboy sumiu com o pedido, ou o pedido chegou revirado.
00:29:24Tipo, eu e Pedro, a gente ficava, tipo, desorientado, sabe?
00:29:27A gente reembolsava, às vezes a gente pegava o Pix da empresa e devolvia para o cliente antes do iFood dar qualquer resposta,
00:29:35porque, tipo, poxa, é muito chato você ficar sem o seu pedido, sabe?
00:29:38Isso era uma coisa muito importante para a gente, só que, tipo, para o iFood não é, para o motoboy não é,
00:29:45então era uma coisa que incomodava muito a gente, sabe?
00:29:48E a gente não conseguia ter esse contato, né?
00:29:51Porque era só pelo chat do iFood, então era uma coisa que começou a causar esse incômodo.
00:29:57E aí a gente começou a procurar alugar, a gente olhou, tipo, um milhão de lojas,
00:30:03a gente olhou, tipo, lojas de todos os tipos, a gente olhou galpão, a gente olhou casa,
00:30:09a gente olhou e, tipo, a gente não achava, assim, ou era muito grande, ou ia precisar de um investimento muito grande,
00:30:16ou a localização não era boa e tal.
00:30:19Então foi ficando, sabe?
00:30:22Até a gente achar o ponto que a gente encontrou.
00:30:25Mas aí foi isso.
00:30:27E ali perto da Praça da Liberdade, né?
00:30:29Exatamente.
00:30:30E estava assim, e é um ponto que eu amo, assim, é uma loja muito pequenininha,
00:30:35é linda a loja, então ela já estava, né?
00:30:38A gente precisou criar a infraestrutura...
00:30:41Você não tem filho feio, não, né?
00:30:43Filho da gente não quer.
00:30:45Não, mas é uma loja que já estava, tipo, já estava reformada, já estava...
00:30:49Óbvio, a gente fez a infraestrutura de cozinha, mas, assim, a parte, né, a parte da loja...
00:30:57A fachada já tinha aqueles arcos?
00:30:58Já tinha, a gente, tipo, teve que reformar a porta, mas, enfim, foi um achado, assim, então...
00:31:06E teve um negócio também, que a gente foi visitar alguns imóveis, e eu estava muito aflito para sair do delivery,
00:31:14que eu...
00:31:15Óbvio, foi um passo muito importante, mas eu estava completamente infeliz.
00:31:20Sim.
00:31:21Completamente.
00:31:21Vocês sabiam que seria uma transição, mas estava demorando, né?
00:31:25Eu tive que me lembrar durante muitos tempos, muitos dias, e é com a ajuda dela também, de que aquilo era um background, sabe?
00:31:32E era só eu e ela, a gente não tinha funcionário, a gente trabalhava todos os dias, o dia inteiro,
00:31:39e, assim, a gente chegou...
00:31:41Teve dia que a gente não teve pedido, cara.
00:31:43Nossa, isso deve ser desesperador, né?
00:31:46É triste, além de desesperador financeiro, empresa, é triste, cara.
00:31:52Você está pronto ali para oferecer uma coisa e você fica se questionando,
00:31:56mas eu estava muito aflito para sair dali a qualquer custo,
00:32:00e qualquer pontinho meia-boca, para mim, já parecia que dava para fazer.
00:32:06Só que nenhum dos pontos a gente teve o que a gente teve quando a gente entrou onde o Hugo é hoje.
00:32:11que a gente entrou, a gente olhou e fez, tipo, saco, que a gente olhou uma cara do outro,
00:32:17meio que não falou nada e se ligou e falou,
00:32:20Sentiu que era ali.
00:32:21Véi, se bobear aqui dá.
00:32:24Aqui sim, eu acho que dá.
00:32:25Só que era muito pequeno.
00:32:27Aí a gente falou, putz, será que dá?
00:32:30Mas deu?
00:32:31É, deu.
00:32:31Deu demais.
00:32:33Deu, mas agora vocês já estão se preparando aí para um novo passo, né?
00:32:37Sim, sim.
00:32:38Porque é isso, como deu para perceber aí, a fama de você se espalhou e a demanda só cresce, né?
00:32:46Então vocês estão prestes a abrir um bar, que é um rio.
00:32:50E que também vai permitir uma ampliação de cozinha, não é isso?
00:32:55Isso.
00:32:56Eu acho que essa vai ser a parte mais importante.
00:32:59A aumentar a infraestrutura do Ryuga, porque quando a loja do lado da nossa vagou,
00:33:06a gente, assim, não teve nem dúvida, né?
00:33:08A gente estava...
00:33:09A gente...
00:33:11O Jean, né?
00:33:12Que era o antigo inquilino.
00:33:15Era um...
00:33:16Cara, eu lembro até hoje, que era uma quinta-feira.
00:33:20Eu olhei para a pizzaria do lado e eu falei assim,
00:33:24hoje a cara está super vazia, né?
00:33:26E tal.
00:33:27Que droga.
00:33:29Como é que será que está fazendo, né?
00:33:31E tudo mais.
00:33:32Aí no sábado...
00:33:34Isso era quinta-feira, cara.
00:33:35Aí no sábado, o cara me chama, assim, na rua sete horas, né?
00:33:38A gente fala, fala, beleza, beleza.
00:33:41Ele...
00:33:42Ô, bicho, vou sair.
00:33:43Aí eu, né?
00:33:45Olhei assim e falei, nossa, Deus.
00:33:47Isso aí...
00:33:47Que isso, cara?
00:33:48Era tudo que eu queria.
00:33:50Pelo amor de Deus.
00:33:50Não desejo mal a ninguém.
00:33:52Mas eu não estava acreditando que aquilo estava acontecendo.
00:33:56E...
00:33:56Virei para a Carol e falei assim, ô...
00:33:58Ele acabou de falar que vai sair.
00:33:59E...
00:34:01O que eu faço com essa informação?
00:34:02Me ajuda, né?
00:34:03Eu não sei o que fazer com isso.
00:34:06A gente ligou para a imobiliária já na segunda-feira.
00:34:08Ficamos enchendo o saco dos caras durante um mês.
00:34:12É, porque eles estão um pouco enrolados.
00:34:14Enrolados.
00:34:15Demorou, então.
00:34:16Nossa, é demais.
00:34:17Que angústia.
00:34:18Para alugar a nossa loja também foi, assim, uma demora.
00:34:21Porque eles são...
00:34:22É uma imobiliária bem pequena.
00:34:24Então, eu acho que eles não têm muita pressa mesmo, sabe?
00:34:27Eu acho que essa é a grande verdade.
00:34:28E eles demoraram.
00:34:30Ah, não.
00:34:30A gente vai ver aqui.
00:34:31Ah, tá.
00:34:32E aí ficou uma enrolação.
00:34:33A gente...
00:34:34Tem que ver, né?
00:34:34A gente...
00:34:34Tem que ver.
00:34:36Mas, enfim, deu tudo certo.
00:34:37No dia que a gente pegou a chave, a gente foi jantar no Tostevan.
00:34:41Para comemorar.
00:34:42Comemoração em alto nível.
00:34:44Eu nunca tinha ido.
00:34:45Aí a gente...
00:34:46A gente sentou.
00:34:47Olhou um para a cara do outro e falou...
00:34:49E agora?
00:34:51O que a gente vai fazer, sabe?
00:34:52Então, não tinha até então o plano de bar.
00:34:56Isso não estava...
00:34:57Não.
00:34:57A gente só precisava do espaço.
00:34:59Porque, assim, para você ter uma ideia, a gente usa uma churrasqueirinha, né?
00:35:04E o pedido mínimo de carvão são 100 quilos.
00:35:08São 10 sacos.
00:35:0910 sacos de 10 quilos.
00:35:10Tá.
00:35:11Eu tenho um Onix.
00:35:13Os carvões andavam no meu Onix.
00:35:15Porque não tinha como deixar.
00:35:17Porque não tinha estoque.
00:35:18Ficava no meu porta-mala, no banco de trás.
00:35:20E, tipo, é isso.
00:35:22O meu estoque de carvão é o meu carro.
00:35:24Entendeu?
00:35:25Então, a gente realmente precisava do espaço.
00:35:28Porque não cabia.
00:35:30A gente não...
00:35:30A gente teve que...
00:35:33A gente tem dois banheiros no Ryuga.
00:35:35A gente teve que interditar um banheiro para virar estoque.
00:35:37Porque, realmente, não estava comportando o armazenamento das coisas e tal.
00:35:45Então, a gente precisava, primeiro, ampliar, né?
00:35:50E aí, surgiu a ideia, né?
00:35:52A gente ficou muito na dúvida.
00:35:56Porque, na verdade, eu nunca tive essa dúvida, né?
00:35:59Mas todo mundo falou, ah, por que vocês não ampliam?
00:36:02Por que não vira um Ryuga maior e tal?
00:36:09Mas...
00:36:09Eu acho que era uma oportunidade de a gente fazer uma coisa...
00:36:13Tipo, a ideia inicial que eu tinha, assim, era de fazer uma...
00:36:18Como se fosse um bar, assim, com coisas para petiscar.
00:36:24Que servisse como fila de espera.
00:36:27Para quem quisesse ir para o Ryuga depois.
00:36:31Porque o Ryuga também estava com esse problema.
00:36:33A gente não tem um lugar de espera.
00:36:36E lá é muito pequeno.
00:36:37Então, a gente estava perdendo muita mesa, sabe?
00:36:39Então, ter essa opção, né?
00:36:42Para as pessoas ficarem lá confortáveis, petiscando.
00:36:46E se quiserem ir para o Ryuga ou não.
00:36:49Só, né?
00:36:50Ficar no bar mesmo.
00:36:51Eu acho que seria uma oportunidade legal.
00:36:54E também mostrar um outro trabalho nosso.
00:36:57Porque o Ryuga...
00:36:59Eu sinto que...
00:37:00Né?
00:37:01Que eu acho que vai ser a ideia do bar.
00:37:02Que o Ryuga, o nosso cardápio, ele é um pouco mais fixo.
00:37:05E aí, a gente está com a ideia de, no bar, ter um cardápio um pouco mais flexível, sabe?
00:37:11Tá.
00:37:12Para a gente...
00:37:13Mostrar um trabalho diferente mesmo.
00:37:15Eu acho que a ideia é essa.
00:37:16Vai ser bem pequeno também.
00:37:1813 lugares internos.
00:37:20Então, não deixa de ser uma continuação do Ryuga.
00:37:24Mas vai ser uma pegada um pouquinho diferente.
00:37:27Tá?
00:37:27A gente tem uma coisa também do Ryuga que...
00:37:32Como a Carol falou, né?
00:37:33No início, hoje o nosso público, ele é um público um pouco mais...
00:37:36Mais adulto.
00:37:37Mais...
00:37:38Mais...
00:37:38Não vou nem falar conservador, porque quem vai lá aceita a nossa proposta.
00:37:42Então...
00:37:42Sim.
00:37:43Entendeu?
00:37:44Mas...
00:37:45Uma vez que o seu alicerce está construído...
00:37:50Você não pode ficar fugindo muito também daquilo aí.
00:37:52Porque o pessoal gosta.
00:37:53É.
00:37:54E a gente sempre teve na gente a vontade de fazer outro tipo de comida.
00:38:02Outro tipo de prato.
00:38:04É...
00:38:05Que a gente já não acha que a gente vai conseguir mais no Ryuga.
00:38:09É.
00:38:09Porque a gente criou uma linha muito bem definida, padronizada e com uma constância
00:38:16que gera uma expectativa e a gente tem que atendê-la.
00:38:21E a gente faz isso com, assim, paixão.
00:38:23Mas é muito legal você olhar para um lugar e falar...
00:38:27Isso aqui é uma tela em branco, cara.
00:38:28Então...
00:38:29O que eu posso ser?
00:38:31O que eu quero fazer?
00:38:32Quem eu quero ser aqui dentro?
00:38:34E a gente conseguiu essa oportunidade e a gente vai tentar aplicar isso por meio de
00:38:38um bar.
00:38:38Tá.
00:38:39Mas vai desde a carta, de drinks, e o cardápio mesmo que a gente vai apostar, né, nessa
00:38:46flexibilidade, da criatividade, de uma coisa mais diferentinha, enquanto o Ryuga ele consegue
00:38:53ser um pouco mais, como é que eu posso dizer, mais fechado, assim, variações um pouco
00:39:00mais lentas, sabe?
00:39:02Tá.
00:39:03E a previsão é de abriquando?
00:39:06Estamos aqui ansiosos para saber essa data.
00:39:08Para você ver, né?
00:39:10Novembro do ano passado.
00:39:13Novembro de 2025 é a previsão.
00:39:16Mas eu acho que mês que vem inaugura.
00:39:18Então, fevereiro.
00:39:19Oba!
00:39:20Então, vamos lá.
00:39:21Nós vamos entrar em detalhes do cardápio, mas antes eu vou fazer só uma pausa aqui para
00:39:26mostrar para vocês o nosso conteúdo que a gente publica toda semana no Jornal Impresso.
00:39:33Aproveitando que a gente está no início do ano, a gente fez essa matéria para falar
00:39:37das nossas apostas para 2026.
00:39:39O que a gente acha que vai se destacar?
00:39:41Aqui estão alguns nomes, vocês vão poder...
00:39:44A gente fez um trabalho de futurologia aí, né?
00:39:48Estamos apostando nessas pessoas que vão arrasar em 2026.
00:39:51E nesse aqui, nesse outro caderno, a gente fala de uma coisa muito interessante, que é
00:39:57de como que o amargo, que é um sabor que até pouco tempo não era muito bem querido
00:40:03pelos brasileiros, caiu no gosto mesmo.
00:40:06E muito pelo Negroni, né?
00:40:07Que é um drink que é amargo e que deu essa chance das pessoas de provarem e gostarem, né?
00:40:13E também no nosso site, em.com.br barra degusta, você vê lá as notícias atualizadas todos
00:40:21os dias.
00:40:22Então, vamos falar agora mais especificamente do cardápio de vocês.
00:40:25Vocês já até comentaram no início de alguns pontos que eu quero detalhar mais que fazem
00:40:31com que o cardápio seja diferente, né?
00:40:34Eu acho que um primeiro ponto que é interessante de ver é que é um cardápio enxuto, né?
00:40:40Vocês têm poucos pratos, mas que eu imagino que devem ser pratos que vocês têm ali a
00:40:46certeza de que entregam o melhor.
00:40:50Por que isso, né?
00:40:51E de não ter...
00:40:52Eu particularmente gosto, porque eu acho que o cardápio é grande demais.
00:40:55A tendência de você se perder e não conseguir decidir é grande.
00:40:59Então, eu acho que isso a gente já consegue facilitar.
00:41:01Essa foi uma das razões que que levou vocês a ter esse cardápio mais resumido.
00:41:08Olha, o nosso restaurante, ele é reduzido, né?
00:41:14Eu acho que isso é a coisa número um.
00:41:17Ele é pequeno, cara.
00:41:19Ele é pequeno.
00:41:20A cozinha, a gente pensou, a gente fez ela toda modular, assim, mas as...
00:41:27Maquinário, por exemplo, ele é pequeno.
00:41:29Espaço de armazenamento é pequeno.
00:41:31Hoje a gente dobrou, praticamente, nosso espaço de produção por conta do Ryu, mas o
00:41:36Ryuga, ele parava numa parede que, assim, não tinha acesso a esse todo mais.
00:41:43Quando a gente abriu o restaurante e a gente precisava decidir o cardápio, tinha a coisa
00:41:47do...
00:41:48Quanto que...
00:41:49Quantas coisas a gente consegue fazer, sabe?
00:41:52E a gente decidiu, a equipe é reduzida, tudo é bem enxurto.
00:41:58Então, um cardápio mais curto fazia sentido.
00:42:04Por ser uma novidade pra gente também, a gente não sabia como que isso ia performar, né?
00:42:10E tudo mais.
00:42:12A gente fala, vamos começar devagarinho, sentindo a necessidade, a gente vai acrescentar mais
00:42:17um prato aqui, acrescentar alguma coisa ali e tal.
00:42:20Mas a gente criou esse formato, que é basicamente, né?
00:42:23A gente tem quatro sessões de cardápio contando duas sobremesas, mas essas três são quatro
00:42:30em cada, né?
00:42:31A gente tem 12, 14 pratos.
00:42:35É, realmente, é um número...
00:42:36Inteiro, né?
00:42:37O cardápio inteiro.
00:42:37Sim.
00:42:38É, eu acho que a gente...
00:42:40Eu acho que tem isso, a questão, né?
00:42:42De espaço físico mesmo, espaço de armazenamento pessoal que é pouca gente.
00:42:48Tem a questão de a gente não gostar de cardápio grande, a gente prefere cardápios pequenos.
00:42:55Eu também.
00:42:56E aí a gente preferiu montar um cardápio pegando um pouquinho de tudo e fazendo ele
00:43:04curtinho mesmo.
00:43:05Acho que não tem muito mais que isso, né?
00:43:10Eu acho que a gente tentou misturar um pouquinho, adaptar o cardápio ao restaurante, o espaço
00:43:15físico do restaurante e também ao que a gente gosta.
00:43:20É, e tá bem amarrado aqui.
00:43:21Eu imagino que as pessoas não devem sentir falta, né?
00:43:23Que vocês conseguem contemplar ali.
00:43:25Tem a carne, tem o peixe, o fruto do mar, ou vocês conseguem os vegetais.
00:43:32Elas sentem falta de massa, né?
00:43:33Sim.
00:43:34Ah, é verdade.
00:43:36Elas sentem falta.
00:43:39E aí, como é que vocês lidam com isso?
00:43:41É uma briga.
00:43:42Cara, eu acho, como a gente lida com isso, a gente acostumou, né?
00:43:48A gente não lida.
00:43:49A gente não lida.
00:43:51Vocês só ouvem e falam, beleza.
00:43:54Cara...
00:43:54Não, eu tenho vontade de, né, de servir massa no Ryuga, mas eu acho que no espaço que
00:44:02a gente tem hoje, não tem como.
00:44:05É, no começo a gente falava a seguinte frase, né?
00:44:08Que se o Ryuga tiver que levantar uma bandeira, é que a gente não levanta bandeira nenhuma.
00:44:12É.
00:44:13A gente gosta dessa liberdade.
00:44:15Acho que uma coisa que eu sentia muita falta nos meus anos que antecederam a Carol e o nosso
00:44:24primeiro ano junto ali de Cais barra Chiroma, é que eram restaurantes que eles seguiam uma
00:44:30linha.
00:44:32Seguiam muito bem as linhas que eram suas propostas, mas eu sentia muito falta de uma versatilidade
00:44:39de outros restaurantes que eu tinha trabalhado, por exemplo.
00:44:43Então, eu achava muito legal trabalhar num restaurante onde ao mesmo tempo chegava um
00:44:47monte de hortaliça linda e tal, chegava uma vieira, chegava um pato inteiro com pena
00:44:52e um quarto de boi, sabe?
00:44:55Que é, eu trabalhei num restaurante que era assim.
00:44:58E tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, muitos pratos diferentes e, por exemplo,
00:45:04tudo que eu sei de peixe se deve ao Cais.
00:45:05Tá.
00:45:06Hoje em dia.
00:45:07Mas era fruto do mar.
00:45:09Todo o que eu conheço, o meu contato que eu tive com pasta, massa, se deve ao Chiroma.
00:45:17Mas eu sentia falta dessa coisa, vamos dizer, daquele bistrô que vai e ataca.
00:45:25Ó, tem uma opção disso, tem uma opção disso.
00:45:28E a gente, mesmo com o cardápio enxuto, a gente criou um formatinho, né?
00:45:33De opções vegetarianas, os pratos frios que vem do mar, que vem da carne vermelha, o nosso
00:45:43pão e aí os vegetais e as coisas da grelha, a gente tem peixe, carne, camarão e pato, sabe?
00:45:51Que eu acho que essa diversidade é uma coisa que atrai, sabe?
00:45:56Eu sentia muita falta.
00:45:56E a gente tem especiais também.
00:45:58Então, são coisas que a gente traz toda semana.
00:46:02Toda semana, não vou dizer toda, mas geralmente a gente tem alguma coisa especial.
00:46:07E nada impede, sabe?
00:46:09De ter uma massa, de ter alguma coisa diferente.
00:46:13É isso.
00:46:13E eu quero falar especificamente também dos vegetais, que eu acho que é um ponto interessante
00:46:20do cardápio de vocês, né?
00:46:21Primeiro que tá ali separado, mas eu entendo que não é como a ideia de que, se eu estou
00:46:26oferecendo uma opção vegetariana, vocês estão mostrando ali as possibilidades desses
00:46:31ingredientes, né?
00:46:33De forma de preparo, de combinações e tal.
00:46:35Como é que é a relação de vocês com os vegetais, assim?
00:46:38Por que que eles entram no cardápio e tem o mesmo protagonismo que as carnes, né?
00:46:43Eu acho que a gente tem que...
00:46:50É muito cultural nosso.
00:46:52Vou falar Brasil, né?
00:46:53Sou brasileiro, mas é muito cultural nosso não se sentir saciado se você não estiver
00:47:01comendo determinadas coisas, sabe?
00:47:04Eu acho que a nossa proposta, um pouco, o que não é dito, mas o que é oferecido,
00:47:10assim, você para pra analisar, é, eu tenho comida, você tem fome, se a gente der a
00:47:14mão, dá jogo.
00:47:15O que que eu tô te servindo, necessariamente, não vai ser um risoto, mas você quer comer
00:47:20um risoto hoje ou você quer comer coisas e matar a sua fome, sabe?
00:47:24Então, se a relação com a comida, você tem que ter uma mente um pouco aberta.
00:47:29Não é todo mundo que tem essa mente tão aberta, né?
00:47:32Mas, com os vegetais, por exemplo, a gente consegue...
00:47:36Primeiro que tem uma...
00:47:39Um vegetarianismo, né?
00:47:41Que a gente consegue atender um público vegetariano, só que toda vez que a gente vai
00:47:47criar um prato em cima de um vegetal, a gente não faz questão que ele seja vegetariano.
00:47:52A gente...
00:47:52A gente não tem que ser aquela coisa...
00:47:56Ah, vegetal é vegetariano, sabe?
00:47:58Ou se não, uma salada tem que ser vegetariano.
00:48:00A gente calha de ser algumas coisas, assim como outras, a gente tem pratos no nosso repertório
00:48:04que não estão atualmente no cardápio, mas são vegetais que não são necessariamente
00:48:08vegetarianos os pratos.
00:48:10Então, esse outro olhar, essa, vamos dizer, reeducação do qual um repolho, por exemplo,
00:48:20pode ser tão gostoso e tão surpreendente quanto uma carne, acho que em termos de surpreendente,
00:48:24um repolho é até mais surpreendente do que um pedaço de carne.
00:48:26Com certeza.
00:48:27A carne muito bem feita, você meio que sabe o que você vai esperar ali.
00:48:30Agora, um repolho, assim, sair numa sexta-feira, tomar um vinho, comer um repolho e gostar,
00:48:35eu acho que essa é a grande graça.
00:48:37Essa provocação, essa cutucadinha que a gente dá em cima de um repolho,
00:48:43eu acho que faz parte do nosso discurso, assim, de oferecer...
00:48:50E a gente fala isso, tipo, cara, se surpreenda comendo uma couve-flor, por favor, sabe?
00:48:58Trabalhei até pra um chefe que ele falava que ele serve um prato de quiabo no restaurante,
00:49:02São Paulo, à noite, aquela coisa boêmia, assim, vinhos, arroz, um lugar lindo, maravilhoso,
00:49:09tinha um prato de quiabo, que era muito gostoso.
00:49:11E aí teve um dia que um cliente falou assim, pô, sai de casa pra comer quiabo.
00:49:15E ele respondeu, é justamente um restaurante que você tem que comer quiabo.
00:49:19Porque toda essa galera aqui colocou muito empenho em fazer esse quiabo valer a pena.
00:49:25E eu falei, tá aí, isso é muito massa.
00:49:28É isso, é isso que vocês queriam.
00:49:28Eu nunca esqueci disso, é, nunca esqueci.
00:49:31E eu acho que um outro ponto interessante do cardápio é essa possibilidade de você montar pratos
00:49:38de cada vez de uma forma diferente, com uma combinação diferente,
00:49:41não ser uma coisa fixa, né, não ter ali a carne só com aquele acompanhamento.
00:49:46Você pode fazer um mix e compartilhar, inclusive, né.
00:49:51Essa é uma coisa que a gente não via até pouco tempo aqui, né.
00:49:55Como é que foi a aceitação das pessoas de entender essa proposta também de cardápio?
00:50:00Eu acho que no início a gente teve que explicar, né, as pessoas às vezes chegavam, perguntavam,
00:50:05Ah, mas e o prato principal?
00:50:08Mas agora já tá mais...
00:50:11As pessoas já conhecem mais o cardápio, já entendem melhor a proposta.
00:50:15E aí elas...
00:50:16Cada um...
00:50:17E isso é muito legal, né, a gente vê até nos pedidos como cada um monta a sua mesa, sabe.
00:50:22Tem gente que começa com os vegetais, com uma entradinha, e aí depois vai pras proteínas,
00:50:31depois come um prato frio.
00:50:33E isso tá sendo muito legal, porque as pessoas fazem combinações que a gente não, né, não pensaria,
00:50:41e que pra elas funcionam super bem.
00:50:43Então a ideia é exatamente essa, sabe.
00:50:45Você pode começar comendo um camarão com uma porçãozinha de pão e essa ser sua entrada,
00:50:51ou o camarão pode ser seu jantar.
00:50:53E é isso, a graça é exatamente essa.
00:50:57E eu acho que tem funcionado, né, as pessoas têm entendido.
00:51:00Eu acho que tem pessoas que têm uma certa, tipo, ah não, mas eu tenho que pedir meu prato.
00:51:06Aí a gente fala, ah não, então a gente...
00:51:07Sem problema.
00:51:07Então você pode, tipo assim, aí a gente sempre sugere, ah, então pede um ancho com uma batatinha,
00:51:12ou pede que aí a pessoa...
00:51:14Aí fica muita comida, né, mas aí é uma opção.
00:51:18Mas enfim, eu acho que a grande graça é essa, a pessoa conseguir montar da forma que ela quiser, sabe.
00:51:27Acho que quebrando também essa coisa dos...
00:51:31A maioria das pessoas que vai lá ainda, ela olha pra sessão de vegetais do cardápio e ela fala,
00:51:36isso aqui são acompanhamentos.
00:51:38Aí eu falo, são se você quiser, entendeu.
00:51:41Se você quiser comer só os vegetais, eu te garanto que você vai estar satisfeito.
00:51:45Com certeza.
00:51:46De estar saciado e muito satisfeito, você vai estar, eu te garanto isso.
00:51:50Uma vez que a gente quebra essa coisa do bife com cogumelo do lado, sabe.
00:51:57Uma vez que a gente separa isso e a gente, pô, vamos dar bastante atenção nesse cogumelo,
00:52:01vamos fazer isso aqui direito, que é o tipo de linha que a gente segue, né.
00:52:06Não tô falando regra, mas é o que a gente escolheu.
00:52:10Escolheu.
00:52:12Os pratos, eles se tornam autossuficientes.
00:52:15As pessoas vão lá, elas comem o cogumelo e elas voltam não por causa do bife, mas por causa do cogumelo, sabe.
00:52:20Então, quando a gente consegue dar essa atenção, pra cada um desses itens individualmente,
00:52:25eu acho que a proposta fica mais fácil de ser aceita.
00:52:28Se alguém comesse alguma coisa e falasse, cara, isso aqui precisa de uma carne necessariamente,
00:52:33a gente fala, putz, esse prato não tá bom, então, porque ele precisava, não é pra passar isso na cabeça da pessoa.
00:52:39Nunca aconteceu, né.
00:52:42Isso também não diz que as combinações não fiquem gostosas.
00:52:45Algumas coisas combinam sim mais com as outras e a gente tá ali pra ajudar com essas escolhas, sabe.
00:52:50É, a gente tem que orientar, sabe.
00:52:51A gente tem que orientar, mas no fim das contas, cada um come o que quer.
00:52:56Ah, isso é muito legal, né, ter a liberdade.
00:52:59E no cardápio também dá pra ver que vocês têm uma seleção muito grande de coquetéis,
00:53:03tanto autorais quanto clássicos.
00:53:04Então, assim, eu entendo que vocês têm aí um pezinho na coquetelaria também.
00:53:11Como é que é a relação de vocês com isso, assim, e que isso puxa pro bar, né.
00:53:16Porque no bar, certamente, eles serão protagonistas, né.
00:53:20Então, isso é até interessante, assim, porque no Ryuga a gente tem uma carta grande de coquetéis,
00:53:29mas eles não saem tanto quanto a gente gostaria.
00:53:33No Ryuga acontece, acho que por ser um restaurante muito pequeno,
00:53:37a gente fala que acontece um efeito manada, sabe.
00:53:40Tipo assim, o dia que uma pessoa chega bebendo vinho, todo mundo bebe vinho.
00:53:45Gente, que curioso.
00:53:46E aí, o dia que sai drink, aí sai bastante drink.
00:53:50Mas, se é a primeira mesa pedir vinho, pode saber.
00:53:54O Davi, que é nosso bartender, ele olha e fala, tipo, putz...
00:53:58Essa noite não vai ser pra mim.
00:54:02E tem acontecido isso.
00:54:03Então, pro bar, a gente tá montando uma carta maior de drinks autorais.
00:54:09Vamos reduzir, a gente vai ter, né, obviamente, pra oferecer os drinks clássicos,
00:54:14mas a gente vai deixar...
00:54:16A gente não vai deixar eles tão em destaque no cardápio.
00:54:21A gente pretende deixar uma carta de vinhos menor no bar, exatamente pra enaltecer os drinks, né.
00:54:28Pra ser a ideia de sair, pra eles saírem mais.
00:54:34Enfim, é isso.
00:54:34É uma coisa que os drinks são novidades pra gente, né.
00:54:38A gente nunca tinha tido muito contato.
00:54:41Então, tá sendo bem legal.
00:54:43Porque, pro Ryuga, a gente contratou uma consultoria de drinks.
00:54:46Tá.
00:54:47E aí, agora, com esse bartender novo, a gente tá montando a carta junto, sabe.
00:54:53O Davi tá criando os drinks, a gente tá provando, tá dando pitaco.
00:54:57Então, tá sendo muito legal.
00:54:59Porque a gente tá entrando num universo novo e que não é, tipo, nossa zona de conforto, sabe.
00:55:06Tem muita coisa que a gente não sabe.
00:55:08Tem muita coisa que a gente não sabe.
00:55:10Tipo assim, a gente fica muito no que é gostoso e que não é gostoso, sabe.
00:55:15Mas, tecnicamente, ainda é uma coisa nova pra gente.
00:55:19Mas tá sendo bem legal essa parte, né.
00:55:22De experimentar com ele e criar essas coisas.
00:55:26Legal.
00:55:27Então, enquanto o Rio não abre, a gente vai abrir aqui o momento das dicas.
00:55:33Então, a gente vai chamar a Yolanda Silva, que ela é fundadora do restaurante Casa Azeite.
00:55:38E ela vai contar pra gente quais são os lugares imperdíveis pra ela, que ela gosta de sair pra comer e beber.
00:55:44Yolanda, conta pra gente quais são.
00:55:46E aí, pessoal. Tudo jóia?
00:55:48Aqui é a Yolanda da Casa Azeite.
00:55:50Tô aqui com a difícil missão de escolher os meus lugares preferidos aqui de Belo Horizonte.
00:55:55Eu sou uma pessoa que gosta muito, muito, muito de sair.
00:55:57E sou muito fã da culinária daqui de BH.
00:56:00Tanto os classes que a gente tem na cidade, quanto as novidades que tem surgindo.
00:56:04Que eu estou, assim, completamente apaixonada.
00:56:06Sempre que eu posso, eu vou conhecer lugares novos.
00:56:09Mas tem aqueles que eu sempre gosto de voltar, né.
00:56:11Então, eu decidi separar cinco que eu amo de paixão.
00:56:15O primeiro deles, o Bar do Cláudio.
00:56:18Fica ali na Avenida Brasil.
00:56:19Eu sou muito fã.
00:56:20E, assim, direto, vou pra lá depois do serviço aqui.
00:56:23Fecho o restaurante, vamos pra lá tomar a saideira e comer alguma coisa.
00:56:27Eles têm fetiscos vegetarianos deliciosos.
00:56:30E pra mim, que sou vegetariana, foi uma grata surpresa conhecer um bar mais tradicional com muitas opções.
00:56:36Também, como grande fã de coalhada seca, eu preciso exaltar dois lugares que estão na minha lista de preferidos.
00:56:44Que são a Porca Voadora.
00:56:45Sou muito fã dos fetiscos de lá.
00:56:47Acho muito gostoso ficar ali no bairro Serra.
00:56:50E também sou muito fã do Toninho Árabe.
00:56:51Também do bairro Serra.
00:56:53É uma comida árabe deliciosa, perfeita, tradicional.
00:56:56Sou muito fã.
00:56:58E aí, pra fechar a minha lista, na verdade, em quarto.
00:57:00A quarta que eu vou falar é o D'Artagnan.
00:57:03Um restaurante que fica ali no Lourdes.
00:57:04Eu amo, volto sempre.
00:57:06Sempre peço o mesmo prato, porque eu sou dessas.
00:57:09Mas também amo muito os drinks de lá.
00:57:12E pra fechar essa lista, eu vou falar da Popolare, que tem a minha pizza preferida.
00:57:17Ótimo, Yolanda.
00:57:18Obrigada pelas suas dicas.
00:57:19E vocês, Carol e Pedro, quero saber quais são os lugares que vocês gostam de ir.
00:57:25Não sei se vocês têm tanto tempo assim, né, de folga pra poder circular.
00:57:30Mas falem aí alguns lugares que são especiais pra vocês.
00:57:34Acho que o lugar que a gente mais foi, ou pelo menos eu mais fui, foram Okinaki e Paralel.
00:57:45Um porque eles abrem na nossa folga, então assim, ótimo.
00:57:49Mas eu adoro, indico, caramba, eu gosto demais.
00:57:54O Paralel, então, assim, eu gosto bastante mesmo.
00:58:00Mas tem, assim, Koboshi acabou de abrir agora também, que já veio fazendo um barulhão.
00:58:05Não é porque ele é meu amigão, mas eu gosto muito.
00:58:09Bar Padrinha eu gosto bastante.
00:58:10Yokai eu gosto bastante.
00:58:12O que mais aí, que ajuda?
00:58:15A gente foi antes...
00:58:17Eu acho que tem esse problema, né, que a gente trabalha nos horários que tá todo mundo funcionando.
00:58:24Sim.
00:58:24Mas a gente teve a oportunidade de ir no fuga, que tava muito gostoso.
00:58:30Assim, me surpreendeu bastante.
00:58:32Tanto o ambiente quanto a comida, atendimento, assim, eu achei impecável.
00:58:36É, a gente gosta muito de tomar café da manhã na Albertina.
00:58:41Então, assim, sempre que a gente tem oportunidade, a gente vai lá, né?
00:58:45Eu não tenho tantas oportunidades quanto eu gostaria.
00:58:47É, a gente ama.
00:58:48A gente vai bastante.
00:58:50Eu gosto muito do trabalho da Renata.
00:58:53Hum, o que mais?
00:58:55Acho que...
00:58:56Faz muito tempo que eu não vou, mas quando eu fui, eu adorei o glutom.
00:58:59Um tempão atrás.
00:59:01A gente tá no delivery ainda.
00:59:03Então, assim, faz aqui uns dois anos já que eu não vou.
00:59:05Mas eu gostei muito e é um lugar que eu não consigo ir com tanta frequência, sabe?
00:59:10É...
00:59:10O que mais?
00:59:12Eu acho que é isso.
00:59:12Acho que é isso.
00:59:13Esses lugares que a gente frequenta.
00:59:15Aliás, vocês falaram os nomes aí que estão na turma de vocês.
00:59:19Eu sei que vocês têm uma turma aí de amigos que se ajudam, né?
00:59:24A gente até fez matéria pra contar dessa história.
00:59:27E qual que é a importância?
00:59:28Porque a gente sabe que esse meio da gastronomia existe sim, às vezes, né?
00:59:33Ali uma vaidade, uma disputa.
00:59:36As pessoas se enxergam como concorrentes.
00:59:38Mas, ao mesmo tempo, a gente vê esse movimento de pessoas que querem estar próximas.
00:59:42Se ajudar, trocar informação.
00:59:44Se um puder facilitar pro outro, por que não, né?
00:59:47E qual que vocês acham que é a importância disso, né?
00:59:50De ter essa turma.
00:59:51E vocês comentaram que vocês chegaram aqui em BH.
00:59:53Vocês não conheciam ninguém.
00:59:55Tiveram que formar, né?
00:59:56Fazer essas amizades.
00:59:58Como é que é isso?
00:59:59É decisivo aí pro negócio e pra vida também de vocês?
01:00:04Cara, eu acho que é importante em todos os aspectos, né?
01:00:08Inicialmente, eles foram...
01:00:10Foi a gente...
01:00:11Antes da gente ter, né?
01:00:12A amizade.
01:00:14Foi muito legal ter alguns contatos que passaram pra gente, né?
01:00:17Tipo, fornecedor, dicas de...
01:00:21De tudo, né?
01:00:22A gente teve dica de pessoal de obra.
01:00:25Tipo, a gente...
01:00:26De fornecedor de...
01:00:28Né?
01:00:28Desde hortifruti, insumos pro restaurante, até camiseta, uniforme e tal.
01:00:35Então, isso é ótimo.
01:00:38E nas amizades, eu acho que é muito importante pro apoio mesmo, sabe?
01:00:43Pra dividir as coisas que estão acontecendo no dia a dia.
01:00:46Pra pedir ajuda ou ajudar quando um tá precisando.
01:00:50É uma coisa que a gente faz sempre.
01:00:53E...
01:00:53Né?
01:00:53E é bem legal, né?
01:00:55Tem...
01:00:55Cara, tem aquela história que é assim, né?
01:00:58Na fome, todo mundo é teu concorrente, beijo.
01:01:00Então, tipo...
01:01:01Quando você aceitar isso, melhor você vive sua vida.
01:01:05Aí você faz amizade.
01:01:06Aí você vai conversar.
01:01:07Aí você vai conhecer a pessoa.
01:01:08Até porque tem espaço pra todo mundo, né?
01:01:10Todo mundo.
01:01:11Todo mundo.
01:01:12Tem espaço pra caramba.
01:01:12E você falou, quando a gente chegou aqui, por exemplo, a gente não tinha tanto contato
01:01:19com ele na época, mas o Pedro Emílio, do Fuga, eu tinha atendido ele uma vez em São
01:01:25Paulo e a gente se seguia de Instagram.
01:01:27E ele era a única pessoa de BH que eu sabia que era de BH.
01:01:30e eu falei, cara, tô abrindo um delivery.
01:01:34Não conheço nada.
01:01:37O que que você me apresenta?
01:01:38Ele me mandou coisa de, assim, 30 fornecedores.
01:01:42Olha que legal.
01:01:42A troco de nada.
01:01:44E eu nunca vou esquecer disso.
01:01:46Nunca mesmo.
01:01:46Porque o cara me conhece, me conhecia.
01:01:48Hoje a gente conhece, né?
01:01:49Mas ele não me conhecia.
01:01:51E a gente...
01:01:52E eu fui...
01:01:53Nós fomos muito bem recebidos.
01:01:55É, isso foi muito legal.
01:01:56Isso foi muito legal.
01:01:57A gente foi muito...
01:01:58Rapidamente a gente foi inserido numa...
01:02:01Nessa nova onda que tá surgindo,
01:02:04do qual fazemos parte,
01:02:06de uma forma muito gostosa de participar.
01:02:09E aí a amizade foi surgindo e tudo mais e tal.
01:02:11Tanto que a gente, durante um tempão,
01:02:13hoje em dia, cada um numa correria danada, né?
01:02:16A gente já tava também,
01:02:18só que hoje tá todo mundo um pouco mais corrido, eu acho.
01:02:20Toda quarta-feira a gente se reunia pro nosso Happy Hour
01:02:23e a gente falava que a gente ia decidir o futuro da gastronomia.
01:02:25Olha!
01:02:25No fim das contas, a gente falava sobre filme e séries e música.
01:02:31Eu já ia querer ir lá espionar.
01:02:32Eu sabia o que vocês tão falando.
01:02:34Era toda quarta-feira, era isso.
01:02:38Mas essa ajuda, ela é muito importante, cara.
01:02:44Todo mundo sai ganhando quando abre um lugar novo, sabe?
01:02:51Abriu um...
01:02:52Recentemente inaugurou um lugar.
01:02:53Pô, eu vou lá prestigiar e eu quero que dê certo.
01:02:56Porque eu também quero que tenha essa movimentação.
01:02:59Porque um dia vai lá, no outro dia vai no meu,
01:03:02no outro dia vai no meu amigo, no outro dia vai não sei o quê.
01:03:04E quando vê, tá todo mundo girando e prosperando.
01:03:09Isso é muito importante.
01:03:10A gente é uma pequena parcela de uma cena inteira, sabe?
01:03:16Esse coletivo eu acho que é muito massa.
01:03:18Tem que prestar atenção nisso.
01:03:19Sim.
01:03:20E nós fomos muito bem recebidos, né?
01:03:22A gente não tem, tipo assim, ah, todo mundo às vezes fala, ah, tem rixa, tem...
01:03:27A gente não sentiu, a gente não sentiu, sabe?
01:03:31Foi muito legal, porque todo mundo recebeu a gente muito bem, sabe?
01:03:35Com muito carinho, tipo, todo mundo ofereceu ajuda, então isso foi bem legal.
01:03:40É, e essas citações que vocês tiveram aqui no programa, né?
01:03:43São a prova mesmo de que os chefes estão visitando vocês, gostando e espalhando, né?
01:03:49E isso é muito legal mesmo, né?
01:03:51Ter essas pessoas como... que são referências também na cidade, né?
01:03:56Chegou a hora da gente colocar comida nessa mesa.
01:03:59Vamos lá?
01:04:00Vamos lá.
01:04:00Vamos lá na cozinha, finalizar e a gente volta já já com essa mesa montada.
01:04:05Pronto, estamos de volta com a mesa montada, com comida, que é do jeito que a gente gosta, né?
01:04:11E temos aqui dois pratos do Casa Ryuga, eu quero que vocês expliquem então.
01:04:16Então, vamos começar por esse aqui, que é um roast beef, não é isso?
01:04:20Eu vou querer que vocês expliquem, enquanto isso a gente já vai começar a degustar, né?
01:04:25Porque...
01:04:26Com certeza.
01:04:27Já deu fome, né, gente?
01:04:29Então, expliquem pra gente aí que prato é esse, que história ele tem.
01:04:34Esse é um roast beef e a gente escolheu esses dois, né?
01:04:37Mas o roast beef é um prato que faz parte do nosso cardápio na sessão de frios.
01:04:42Ele tá desde a abertura do restaurante e ele deu super certo, um, porque ele é uma delícia
01:04:48e as pessoas estão acostumadas com o que seria um carpaccio.
01:04:52A gente faz, vamos por, a nossa versão.
01:04:56Sim, vão ser aí, gente, fique à vontade.
01:04:59Mas isso era o, vamos dizer, o topping de uma salada que a gente servia no delivery,
01:05:05que era uma salada de roast beef, que quando a gente colocou ela, ela funcionou muito, muito bem.
01:05:12E a gente comia muito disso, a gente sempre gostou de comer muito isso, né?
01:05:16Ainda mais essa coisa no centro da mesa, que nem a gente vai comer agora, que nem a gente tá comendo.
01:05:21Uma coisa gostosa de compartilhar.
01:05:24E ela é muito gostosa, é muito simples de fazer também, deu super certo.
01:05:27Nossa, que surpresa boa embaixo, hein?
01:05:30Vem um sabor assim que...
01:05:33Uau!
01:05:34Que delícia!
01:05:36É bem gostoso.
01:05:37E esse é um dos pratos que a gente não pode tirar quase, assim.
01:05:41Ah, é?
01:05:41Eu achei que eu tinha.
01:05:43Não.
01:05:43Olha!
01:05:44A gente tem que dar uma provocada, né?
01:05:48Mas, assim, a gente quer, a gente, eu, né?
01:05:52Eu quero mudar esse prato já, porque ele deu super certo e ele tá no auge dele,
01:05:57e aí a gente tira só pra deixar uma saudade.
01:06:00Mas, ele funcionou super bem e eu não consigo olhar pra ele e não lembrar que isso um dia foi uma salada de ai fui.
01:06:08Nossa!
01:06:08Imagina isso no delivery, né, gente?
01:06:11Olha que pérola que tínhamos no delivery.
01:06:14Sim, cara.
01:06:15E a gente conseguia fazer ele chegar direitinho, né?
01:06:19Mas...
01:06:20E então temos castanha de baru.
01:06:22Castanha de baru, rosbife de bombom de alcatra, mostarda de siene, um picles de mini pepino, que a gente faz,
01:06:31e folhas de salsinha crua mesmo, a gente tempera elas com um pouquinho de um óleo concentrado de salsa e muito sabor.
01:06:38A gente faz um mix de...
01:06:39A gente faz um mix de especiarias, acho que são seis ou sete, se eu não me engano agora.
01:06:44Um mix de tempero, a gente tempera a carne inteira, então ele é levemente picante, ele é bem fininho,
01:06:49a gente faixa ele na fatiadora pra tornar uma coisa mais agradável de se comer uma carne que tá quase crua,
01:06:55aí vamos dizer, mas ela não tá.
01:06:56Então, é simples, mas tem a gente...
01:07:01Nossos pratos a gente fala, né?
01:07:02A gente complica os nossos pratos pra nós.
01:07:05Pra vocês, é muito...
01:07:08Vem muito simplificado, sabe?
01:07:10A gente faz todo um processo pra ter esse ponto, pra ter esse fatiador, tal, não sei o que, tal, isso, tal, aquilo.
01:07:15Mais rosa-bifo de filé, castanha de barulho e salsinha.
01:07:21Nossa, delicioso, realmente é um sabor incrível.
01:07:24E como é que vocês dividem as tarefas, assim?
01:07:27Vocês criam juntos os pratos?
01:07:30Ou um cria um e o outro cria outro?
01:07:32Como é que é?
01:07:32A gente briga junto.
01:07:35Casal, né, gente?
01:07:36Tem que fazer parte.
01:07:37Cara, eu trago ideias, a Carol traz ideias, e é aí que dá o choque.
01:07:50Um veta o outro.
01:07:51Um veta o outro.
01:07:53Então, assim, a gente discute muito, não briga, mas a gente leva muito tempo até conseguir criar alguma coisa que os dois se encontrem.
01:08:07A gente tem esse...
01:08:08É, eu acho que o mais importante é que o que precisa entrar no cardápio é uma coisa que nós dois, que a gente chegue em um consenso, sabe?
01:08:15Que os dois, tipo, a gente goste, né?
01:08:20E aí vai um pouco, tipo assim, o repolho foi bem isso.
01:08:24Depois deu briga.
01:08:25Deu briga, né?
01:08:26Depois deu briga.
01:08:26Eu queria fazer um repolho, eu não sabia como.
01:08:29Aí ele fez o repolho, eu achei horrível.
01:08:34E eu não tinha achado.
01:08:35E ele tinha gostado, só que eu falei...
01:08:38E a intimidade é uma coisa, né?
01:08:40Porque nessa hora você rasga o verbo e não quer saber, né?
01:08:44Uma coisa que, assim, a intimidade dentro do trabalho, a gente...
01:08:51Óbvio que a gente trabalha junto há muito tempo, só que nós não somos um casal trabalhando juntos.
01:08:57Vocês conseguem separar, então, muito bem?
01:09:00Desudião.
01:09:01Que bom, porque imagino que deve ser muito difícil, né?
01:09:04Desudião.
01:09:05E a gente também sente...
01:09:07A gente já falou isso algumas vezes, né?
01:09:09Que pra fazer isso dar certo, se a gente...
01:09:11Se tá rolando alguma coisa dentro do restaurante, a gente tem que se resolver...
01:09:17O fato de sermos um casal...
01:09:19O fato de a gente ir junto pra casa daqui a pouco e viver nossa vida juntos ali, coloca a gente contra a parede pra solucionar problemas.
01:09:28Então a gente sabe que a gente tem que se resolver.
01:09:31Porque, assim, daqui a pouco eu não vou pra minha casa.
01:09:35Quer dizer, eu vou pra minha casa, mas você também vai.
01:09:37Sim, mas junto com ela.
01:09:38Então a gente tem que resolver isso.
01:09:41Então a gente aprendeu com o passar dos anos a bater martelos, a colocar pingos nos is.
01:09:48E acho que isso que faz a gente trabalhar muito bem junto, né?
01:09:52O fato da gente ser um casal.
01:09:54Se a gente não fosse um casal, talvez a gente não tivesse solucionado tantos problemas que a gente já passou.
01:09:59Sim, porque ter sócio, independentemente de quem seja, é muito difícil, né, gente?
01:10:05É.
01:10:06Então vocês conseguiram encontrar um equilíbrio pra essa história toda, né?
01:10:10Sim, a gente dá um jeito que funciona.
01:10:12É.
01:10:13Que bom.
01:10:14E agora temos a sobremesa, então, que é uma torta basca, não é isso?
01:10:19Explica aí.
01:10:20Olha só, gente, olha que cena.
01:10:22Outra sobremesa queridinha do delivery, né?
01:10:26Era uma sobremesa que a gente conseguia fazer, né?
01:10:31Tinha isso também.
01:10:32A gente conseguia fazer e ela ter um rendimento bom.
01:10:35E como era só eu e a Carol, na época do delivery, a gente queria ter uma sobremesa que precisava ter.
01:10:41A gente chegou na...
01:10:44A gente não inventou a torta basca, né?
01:10:47Sim.
01:10:47O cheesecake basco, ele é uma coisa que vem crescendo e tá cada vez mais presente em outros restaurantes também.
01:10:53Por quê?
01:10:54Porque é gostoso pra caramba mesmo.
01:10:57E a gente...
01:10:58Éramos só nós dois no delivery, então a gente fazia uma torta que rendia 16.
01:11:02Então a gente fala, bom, a gente consegue matar vários com uma só.
01:11:06Isso era uma coisa.
01:11:07E viajava bem também, né?
01:11:08Uma sobremesa que dava pra enviar e viajava bem, então...
01:11:13Gente, vocês dão licença.
01:11:14Toda, toda.
01:11:15Eu vou até pegar.
01:11:16Eu vou pegar aqui um pedaço já.
01:11:18Atrasado, mas eu vou.
01:11:21E a torta basca, ela é uma torta de queijo, não é isso?
01:11:27Isso, a nossa é feita com cream cheese.
01:11:29Aí tem o caramelo salgado e aí do lado uma...
01:11:36É um pralinê de avelã, né?
01:11:37Que é uma farofinha que a gente põe pra acompanhar.
01:11:40Eu sou suspeito pra falar dessa torta porque eu já comi tantas, tantas.
01:11:45Era uma coisa meio que assim, se uma quebrava uma pontinha, eu falava, nossa, que dó, me dá.
01:11:51Eu já comi muita dessa torta.
01:11:53Que triste, vou ter que comer.
01:11:54Que triste, não vou desperdiçar, né?
01:11:56Essa é outra sobremesa também, que ela é fixa no Hyuga.
01:12:02Nós variamos as...
01:12:04Não tão frequente, mas a gente varia de vez em quando a calda.
01:12:08Já fizemos com fruta, a gente já fez com café.
01:12:12A caramelo salgado é a que é mais apelativa, né?
01:12:15As pessoas...
01:12:16Caramelo salgado é outra coisa também que tá cada vez, mas assim...
01:12:19A gente tenta tirar e...
01:12:20Ah, mas com caramelo fica melhor.
01:12:22Caramelo é o melhor.
01:12:23Tá bom.
01:12:24Mas aí vocês variam e colocam outras caldas.
01:12:28Menos do que a gente gostaria.
01:12:30Menos do que a gente gostaria.
01:12:31É.
01:12:32Nos últimos meses, né?
01:12:34Antes de as conversas de Ryu existirem, a gente tava mais ativo em mudar coisas.
01:12:43O Ryu, a gente tá nessa brincadeira e já o quê?
01:12:45Ele nem inaugurou ainda, a gente tá há uns seis meses já.
01:12:48Seis meses fazendo um bar que, assim...
01:12:52O Hyuga tem um mês, um ano e dois meses.
01:12:55E desse um ano e dois meses, seis meses a gente tá abrindo outro lugar numa obra.
01:13:01É.
01:13:02Então, demanda muito.
01:13:04Demanda muito.
01:13:05Mas já, já a gente vai trazer mais variações ou mais novidades também.
01:13:09A gente quer trocar o cardápio, quer trocar as caldas, quer fazer essas coisas.
01:13:12E a grande novidade do Ryu aí, com esse cardápio que, pelo visto, vai ter muita novidade sempre, né?
01:13:18Vai.
01:13:18Espero que sim.
01:13:20Sim.
01:13:21Então, já fica a dica aí, olha.
01:13:24Fevereiro...
01:13:25Vizinho de parede, hein?
01:13:26Assim, não tem como errar.
01:13:27Então, ficou fácil.
01:13:29A rua lá é...
01:13:30Rua Cláudio Manuel, 1124.
01:13:32Aí anotem o endereço e já marquem pra ir lá.
01:13:36Carol e Pedro, muitíssimo obrigada pela presença de vocês.
01:13:39Foi um prazer ter vocês aqui, conhecer a gente precisava trazer vocês, porque tanta
01:13:44gente falando, como que a gente não ia contar essa história?
01:13:47Obrigado pelo convite.
01:13:49A gente agradece muito.
01:13:50Muito obrigada.
01:13:51Que bom.
01:13:51Obrigada.
01:13:52E obrigada a você também, que ouviu esse papo, ficou aqui com a gente na mesa.
01:13:56E eles estão esperando a visita de vocês lá no Casa Ryuga.
01:14:00E eu espero você acompanhando o nosso conteúdo aqui no YouTube, no Instagram, degusta.em e
01:14:07no site, em.com.br barra degusta.
01:14:11E também nos cadernos, que são publicados às segundas e às quintas-feiras.
01:14:16Muito obrigada e até o próximo episódio.
01:14:18Tchau.
01:14:30Tchau.
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