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DOCE GANHA NOVA LEITURA COM SÁ MARINA

O podcast Degusta, do Estado de Minas, recebe Marina Mendes. A confeiteira apresenta um conceito inovador. Doces viram arte e experiência sensorial. A conversa é conduzida por Celina Aquino.

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#Degusta #EstadoDeMinas #PortalUai #Gastronomia #Confeitaria

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Transcrição
00:00:09Olá, eu sou Celina Aquino e esse é o Degusta, o podcast de gastronomia do estado de Minas.
00:00:15A mesa já está pronta aqui para te receber, então chega mais, senta aqui com a gente que a gente
00:00:20já vai começar mais um episódio.
00:00:22E no cardápio de hoje nós temos uma confeitaria que talvez nem deveria ser chamada de confeitaria.
00:00:30Talvez um ateliê de arte com açúcar? Por que eu estou falando isso?
00:00:35Porque os doces, eles não são só para comer não.
00:00:38Eles estão ali para a gente observar os detalhes e para poder sentir o que, como que ele provoca os
00:00:46nossos sentidos antes da desejada primeira mordida.
00:00:51Aqui em Minas a gente fala que é um trabalho que tem borogodó e eu não estou falando só das
00:00:57receitas não.
00:00:57Eu estou falando também da criadora.
00:01:00É uma baiana com alma mineira que se fez confeiteira aqui em BH.
00:01:06É uma mulher que tem presença, tem força, que pulsa ideias e que não passa despercebida por lugar nenhum.
00:01:15E ela é a nossa convidada de hoje.
00:01:19É a Marina Mendes, fundadora do ateliê Samarina.
00:01:23Ei Marina, estamos muito felizes de ter você aqui.
00:01:26Muito obrigada pela sua presença.
00:01:28Não, eu estou sem fala.
00:01:29Gente, que introdução é essa?
00:01:32Que coisa linda é essa?
00:01:33Gostou então?
00:01:34Minha filha se arrasou.
00:01:36Gente, que responsa, né?
00:01:38Arrasou, Celina.
00:01:39Adorei, adorei.
00:01:41E eu já quero, inclusive, abrir aqui uma brecha para parafrasear o Wilson Simonal na bela música Samarina.
00:01:49Para dizer que você traz toda a sua alegria e faz o povo inteiro ficar de boca aberta com o
00:01:56seu trabalho, né Marina?
00:01:58E eu quero saber já, esse apelido que na verdade começou como o nome do seu ateliê e virou seu
00:02:03nome artístico, na verdade, né?
00:02:05Vem dessa música mesmo?
00:02:07Vem, é super interessante isso.
00:02:09Porque lá atrás, quando eu estava me fazendo confeiteira, BH é minha casa há mais de 20 anos.
00:02:16E eu passei um tempo na França, meu marido foi fazer um pós-doutorado, foi estudar confeitaria, patisserie, no sul
00:02:22da França, em Toulouse.
00:02:23E lá, quando eu comecei a pensar em trabalhar como confeiteira aqui no Brasil, e voltar e fazer uma patisserie
00:02:29com alma brasileira.
00:02:31Eu tenho uma amiga, a Kelly, e ela brasileira, morava lá e mora ainda na França.
00:02:36Ela comentou comigo, falou assim, nossa, você tinha que ter alguma coisa com o seu nome.
00:02:41E eu me lembro de alguma dessas conversas e eu fiquei pensando, falei, gente, realmente eu tenho que ter alguma
00:02:45coisa.
00:02:46Eu gosto de coisas que tem nome da gente.
00:02:48Porque aí não tem jeito, podem ter vários, mas assim, aquilo ali é nosso.
00:02:52E eu amo essa música.
00:02:53Meu nome é por conta da música Marina Morena, não é Samarina, mas eu amo a música Samarina.
00:03:01E eu falei, você quer saber? Vai ser Samarina.
00:03:04E é interessante porque de lá pra cá, as pessoas passaram a achar que o meu nome era Samarina.
00:03:11E tem muitos lugares, em São Paulo mesmo, quando eu chego, é interessante isso.
00:03:16100% das pessoas me chamam de Sá.
00:03:18Se alguém falar Marina, eu não vou olhar, eu não vou saber que sou eu.
00:03:21É Sá, Sá, Sá, Sá.
00:03:23E aqui também, BH, aí tem gente que fala, como é que eu te chamo?
00:03:27Eu falei, olha, do jeito que você quiser me chamar, eu vou te olhar.
00:03:29Mas assim, hoje em dia, realmente, é essa coisa do Sá e do Samarina.
00:03:34E até brincando com todo esse linguagem ar mineiro.
00:03:38Sim.
00:03:39Que tem a mania de chamar a mulher de Sá, né?
00:03:41Um homem de Sô, Sá, enfim.
00:03:44E as pessoas acharam que era por conta disso, Samarina.
00:03:47Mas não é por conta da música que eu amo.
00:03:49E passou a ser parte da minha pessoa.
00:03:52Então, já fui Marina, hoje em dia eu sou Samarina.
00:03:54É, ficou.
00:03:55Ficou.
00:03:55E eu gosto.
00:03:56É lindo, é lindo.
00:03:57E me explica como você, então, uma baiana, que nasceu em Salvador e cresceu em Vitória
00:04:03da Conquista, não é isso?
00:04:05Como é que você veio parar em Minas?
00:04:07Como é que foi isso?
00:04:08Minha filha, eu sou rodada.
00:04:12Nasci em Salvador.
00:04:15Mamãe baiana, foi criada em Mato Grosso, estudou em São Paulo, voltou para Salvador.
00:04:20Papai mineiro, com 13 anos de idade, uns padres passaram na roça onde ele morava, uma família
00:04:26muito humilde, perguntando se tinha alguma criança que queria estudar e morar na escola
00:04:31de padres.
00:04:31Esse papai se picou para o Rio de Janeiro e foi morar nessa igreja, junto com os pardos,
00:04:38estudou, enfim, passou muita peleja e foi morar em Salvador também depois de formado.
00:04:43Os dois se encontraram em Salvador, se casaram, eu nasci em Salvador e fui logo depois, quando
00:04:50eu tinha 4, 5 anos de idade, eles se mudaram para a Vitória da Conquista, que é assim,
00:04:54a minha terra é onde eu falo assim, que são as minhas melhores lembranças, a minha referência
00:04:58é de Bahia Sertão, sabe?
00:05:00Que legal.
00:05:01É a terra de Glauber Rocha, é a terra de Elomar, é a terra de tantos nomes potentes
00:05:08da Bahia, inclusive tem uma praça, Doutor Gil, que até Gilberto Gil já morou lá, minha
00:05:12filha.
00:05:13Olha, não sabia.
00:05:14E é a Suíça baiana, né?
00:05:16Friozinho.
00:05:16E lá tinha aquela coisa de se estudar, quando a gente tinha 17, 18 anos, 16 anos, terminava
00:05:23o terceiro ano, ou ia estudar em Salvador, ou ia estudar em Belo Horizonte.
00:05:29E quem ia morar em Salvador, geralmente tinha aquela ideia que gostava do oba-oba, e quem
00:05:34ia estudar em Belo Horizonte, era o povo mais certinho e tal.
00:05:37Enfim, Vitinho, meu marido, a gente não mora desde então, já morava em BH, e aí...
00:05:43Ele também é baiano.
00:05:45Baiano, baiano, baiano, 100% motivada em relação a isso, eu fiz faculdade aqui, me
00:05:53mudei pra cá, pra Belo Horizonte, pra estudar Direito, né?
00:05:56Me formei em Direito aqui, e foi aí que começou esse meu namoro com BH.
00:06:01Que lindo.
00:06:02E você falou aí que você se formou em Direito, e inclusive, quando você foi pra Europa,
00:06:09o seu plano era fazer uma especialização em Direito, e de repente, você conhece a
00:06:17confeitaria francesa e se apaixona.
00:06:20E o que que te fez mudar seus planos dessa forma tão radical, digamos assim, e escolher
00:06:28o caminho da confeitaria?
00:06:30Celina, na verdade, eu acho que eu já nasci artista, já nasci confeiteira.
00:06:35Só que, nesse meio onde eu morava, e é interessante isso, porque, quando a gente
00:06:39fala de Brasil, há vários Brasis dentro de um Brasil, e há várias regiões que são
00:06:43muito mais, culturalmente, elas são muito menos avançadas, digamos assim.
00:06:49A minha cidade, na época em que eu morava, na década de 90, 2000, não se admitia, pelo
00:06:56menos na minha casa, meus pais sempre tiveram a cabeça muito mais aberta e tal, mas era estudar
00:07:00Direito, Arquitetura, Engenharia e Medicina.
00:07:04E eu sempre fui, essa pessoa que você tá vendo aqui, colorida, sempre gostei, sempre
00:07:09fui aquela pessoa que pegava, assim, tecidos e amarrava na cintura, amarrava na cabeça,
00:07:13eu sempre fui da arte.
00:07:14Mas era arte como o quê?
00:07:17A um lazer, a arte como um hobby, mas isso impulsou muito em mim.
00:07:22E eu sempre gostei, sempre utilizei isso como válvula de escape.
00:07:27Quando eu cheguei na Alemanha, e nossa primeira parada, na verdade, na Europa foi logo depois
00:07:33que a gente se formou e tal, e fomos morar na Endresa e na Alemanha.
00:07:37Minha filha, quando eu vi, aí fui fazer uma especialização em Direito lá e tal,
00:07:41urbanístico.
00:07:42Quando, mas quando eu vi que as pessoas lá viviam de arte, que tinha, eu não sabia.
00:07:48Realmente, eu tinha um conhecimento muito limitado.
00:07:50Você não tinha ideia de que isso era possível, né?
00:07:51Seria, eu não tinha noção de nada.
00:07:53Eu não tinha noção que não tinha doce sem leite condensado.
00:07:55Eu sempre conto essa história que eu fiquei chocada.
00:07:58Que não usa o leite condensado.
00:07:59E eu falava com minha mãe, no Skype, falava, mãe, tu não acredita.
00:08:02O povo não usa o leite condensado lá.
00:08:04Ui, como é que faz o doce?
00:08:05Eu falei, minha filha, eu tenho que descobrir, eu não sei.
00:08:08Enfim, e eu me apaixonei por essas possibilidades de se viver da arte.
00:08:14Aí eu fui descobrir que na universidade se tinham cursos de graduação,
00:08:18pra graduação, doutorado, enfim, mestrado de dança, de...
00:08:22Eu sabia disso de uma forma muito limitada.
00:08:24E nessa época a gente não tinha um pinto pra dar água.
00:08:27Então, o que a gente fazia com tudo que sobrava, assim?
00:08:31Deixava de comer pra poder viajar.
00:08:33Claro.
00:08:34E aí rodamos a Europa inteira nessa época,
00:08:36que foi quando eu descobri a Patisserie, que é a confeitaria francesa.
00:08:40E eu fiquei alucinada.
00:08:43Minha filha, eu fiquei assim...
00:08:45Eu me lembro, como hoje, que quando eu vi o macarrão pela primeira vez,
00:08:48eu fiquei tão doida.
00:08:50E eu me lembro que o Vitinho, meu marido, falou assim,
00:08:51ó, a gente só...
00:08:52E França, caríssimo.
00:08:53Ele falou, a gente só tem dinheiro pra almoçar ou pra comer o doce.
00:08:56Eu falei, Vitinho, tu não vai almoçar.
00:08:58Porque a gente tem que comer o doce.
00:08:59Porque eu tenho que provar.
00:09:00Eu fiquei louca.
00:09:01Eu tenho foto abraçada com as vitrinhas, assim.
00:09:03Isso assim, há quantos anos atrás, né?
00:09:06Vinte e tantos anos atrás.
00:09:07E o que que te chamou?
00:09:08Isso era a beleza, as cores, a...
00:09:10Eu acho que o que mais me encantou foi a complexidade.
00:09:13Eu gosto de coisas difíceis.
00:09:15Eu gosto da complexidade de cores.
00:09:17Eu gosto da complexidade de textura, de construção.
00:09:20E quando eu vi o doce na vitrine, como é na França,
00:09:24hoje em dia aqui no Brasil é muito mais comum isso.
00:09:26Mas quando eu vi, era uma obra de arte.
00:09:30É uma peça de design.
00:09:32E eu falei, gente, peraí.
00:09:34Isso existe, então.
00:09:36E eu fiquei encantada.
00:09:37Eu fiquei assim, maravilhada.
00:09:39Foi ali naquele momento que veio o estalo, sabe?
00:09:41Então, assim, eu tenho uma noção exata.
00:09:44Quando aconteceu esse estalo, quando aconteceu essa mudança e...
00:09:49Aí foi um caos, porque eu tive que conviver com dois mundos, né?
00:09:52Você continuou no direito.
00:09:54Continuei no direito.
00:09:55Voltamos pro Brasil.
00:09:56Depois dessa temporada na Alemanha.
00:09:58Só que eu já não cabia mais no direito.
00:10:01E olha que eu sempre fui num direito, direito urbanístico,
00:10:04instrumentos de legalização de propriedade,
00:10:06uso capião, concessão de uso especial pra fim de moradia.
00:10:09E eu queria, assim, sempre querendo fazer projetos,
00:10:12sempre querendo, assim, juntar gente e tal.
00:10:14Mas já era muito pouco pra mim.
00:10:17Eu já não me enxergava, não cabia mais naquilo ali.
00:10:19Criei um blog na época, chamava Blog de Frau.
00:10:22Frau, mulher em alemão.
00:10:23Porque também tem uma coisa que eu desconstruí lá na Alemanha.
00:10:27Gente, isso é muito sério.
00:10:29A gente que nasce, a gente que nasceu nessa década de 90, 2000,
00:10:33principalmente no interior, como eu tô falando,
00:10:35essa ideia de se ter funcionários em casa.
00:10:38Essa coisa absurda, que quando você olha pra trás,
00:10:41e quando você vê que acontece isso hoje,
00:10:42a forma que se trata, a forma que se lida com a casa, com o filho,
00:10:46é uma coisa muito doida.
00:10:47Sim.
00:10:48E lá eu aprendi, eu criei esse blog, Blog de Frau,
00:10:51porque a gente voltou.
00:10:53Dois meses depois eu me descobri grávida de Eduarda.
00:10:56E eu falei assim, eu quero criar minha filha como a mulher alemã.
00:11:00Criar filha, criar os filhos.
00:11:01Por quê?
00:11:02Porque eles criam os filhos.
00:11:04Eles não terceirizam pra babás, pra creches e tal.
00:11:07Obviamente que lá tem uma estrutura que realmente o governo acolhe, né?
00:11:11Uma licença maternidade muito maior, paternidade.
00:11:14Mas eu via um contato da família muito mais intenso e terno
00:11:20do que eu já tinha visto aqui no Brasil.
00:11:22Em vários outros lugares.
00:11:23Então, não tinha aquela coisa assim,
00:11:25eu lembro que a gente foi convidado pra passar o Natal
00:11:27uma vez na casa dos pais de um amigo alemão.
00:11:30E aí, né, ele falou assim,
00:11:31não, meu pai é juiz, minha mãe era alguma coisa da justiça também.
00:11:36E uma casa maravilhosa, enorme.
00:11:38A gente chegou lá, um frio, menos 18 graus.
00:11:40Eu com a minha botinha da Arezzo,
00:11:42o pé duro de tanto frio que eu tava sentindo.
00:11:45Eu lembro que eu chorava de tanto frio.
00:11:47A gente chegou na casa,
00:11:48e eles estavam limpando o banheiro,
00:11:51varrendo a casa.
00:11:52E eu fiquei olhando aquilo, eu achei o máximo aquilo.
00:11:54Eu falei, Vitor, olha isso.
00:11:55Porque pra mim era tudo muito diferente.
00:11:57Sim.
00:11:58E eu acho que é importante a gente hoje ler isso e ver.
00:12:01Eu falo, gente, como era um ambiente fechado em que eu vivia.
00:12:05E que muita gente vive até hoje, né?
00:12:06Graças a Deus, muita coisa mudou.
00:12:08Mas, enfim, eu criei esse blog pra falar sobre tudo isso.
00:12:11Então, não era blog de receita, não.
00:12:13Era um blog sobre tudo e sobre essa forma de se viver as suas coisas e valorizar o seu mundo.
00:12:20E o cozinhar tá aí.
00:12:22Tá.
00:12:22Aí que veio o cozinhar.
00:12:23Entendi.
00:12:24Você fazer a refeição pra sua família.
00:12:26Você, é bonito você poder cuidar do seu filho.
00:12:32Você não precisa ser aquela pessoa que tem que se dar muito bem lá fora e não precisa ter tempo.
00:12:37Porque é chique, né?
00:12:38Que muitas vezes, até hoje, que eu acho cafona, é falar que é chique você não ter tempo, né?
00:12:44Não ter tempo pro filho, não ter tempo pra mãe, pro pai, pro marido, pra amiga, porque você trabalha demais.
00:12:49E eu fico muito revoltada quando eu me vejo nessa situação e eu não acho chique de jeito nenhum.
00:12:53Mas esse blog nasceu disso, dessa vontade de falar sobre isso.
00:12:58Da gente cuidar da gente e que isso pode coexistir com vários mundos.
00:13:04E foi daí que começou a coisa toda.
00:13:06E depois você teve uma outra passagem pela França, já totalmente direcionada pra confeitaria.
00:13:14Que você já tinha entendido que era isso que você queria.
00:13:17Me conta, assim, o que de mais marcante você viveu lá na confeitaria que você pode compartilhar com a gente?
00:13:25Desses episódios que eu te relatei aqui, até a gente ir pra França, foram seis anos de distância, de tempo.
00:13:34E quando a gente foi morar na França, eu já tava muito certa que eu não queria o direito.
00:13:38Aposentei a carteirinha da ordem.
00:13:40Quando a gente voltou da Alemanha, eu voltei fluente ao alemão.
00:13:42Eu tenho uma facilidade com línguas.
00:13:45Só que eu voltei bem frustrada porque quando eu tava boa na língua, eu tava uma hora de ir embora.
00:13:48Então, assim, as coleguinhas, amiguinhas, eu deixei todas lá e, enfim, não pude usufruir, né?
00:13:53De tudo que se tinha.
00:13:54E aí, quando surgiu essa oportunidade de morar na França, eu falei, o Vitor foi fazer o pós-doutorado e
00:14:00eu falei assim,
00:14:00eu vou estudar patisserie, mas eu quero chegar fluente no francês porque eu quero aproveitar o máximo, né?
00:14:06Então, eu fui muito certa do que eu queria.
00:14:09Eu quero aprender a fazer os doces que os franceses fazem, que os franceses comem.
00:14:14Eu quero mergulhar nesse mundo.
00:14:15E chegando lá, a gente foi morar no sul da França, em Toulouse, e eu acho que um momento muito
00:14:22marcante, entre vários, né?
00:14:25Tinha um curso, alguns cursos que eu fiz, teve um que era um curso técnico, uma escola de cursos técnicos
00:14:30e tal.
00:14:31O gerente de lá, todas as vezes que eu volto pra passear, ele conta essa história pra todo mundo.
00:14:36Tinha um curso que eu fazia quatro, cinco vezes, porque eles falavam muito rápido.
00:14:40Eu, com a mania do direito de escrever tudo.
00:14:43Então, você pensa aí, que a aula era em francês, eu tinha que escutar em francês e muitas vezes eu
00:14:48não conseguia escrever em francês com a rapidez que eu escrevi em português.
00:14:52E aí, eu tenho todas essas folhas guardadas e eu me lembro muito desses momentos em que eu precisava escrever
00:14:57tudo porque eu precisava lembrar como é que fazia.
00:14:59E aí, eu fazia outra vez e fazia outra vez o curso e fazia outra vez.
00:15:02Isso aí foi me trazendo uma segurança, foi me trazendo um lugar de fala muito interessante.
00:15:09Eu tenho essas lembranças com muito carinho e as viagens, né?
00:15:15Eu acho que é uma coisa muito importante, é quando você conhece um país, não pelas vitrinhas, mas pela forma
00:15:20que o povo vive.
00:15:21Então, assim, dos vilarejos.
00:15:22Ir naquelas casinhas.
00:15:24Então, assim, eu sou aquela pessoa que aqui no Brasil eu faço muito isso.
00:15:26Lá fora, quando a gente vai na França, a gente fez muito isso.
00:15:29Então, assim, de pegar um carro e ir naquele vilarejo que tem dez pessoas e, assim, bater na porta, ver
00:15:35se tem algum quarto pra alugar e dormir e conversar com o povo, ver como é que o povo faz
00:15:39a geleia, ver como é que o povo...
00:15:41Isso é muito legal, né?
00:15:43E isso me deixou muito encantada porque é a forma que o francês lida com a comida, né?
00:15:49Totalmente.
00:15:49O comer, realmente, ele tá ali presente e é algo que faz parte da vida, ele faz uma mesa bonita
00:15:56pra ele, independente da classe social, ele valoriza aquele momento ali de partagem que eles falam, né?
00:16:02Do partilhado.
00:16:04Isso aí é uma coisa, assim, que eu trago muito e que eu trago, inclusive, nas criações, na forma que
00:16:09eu trabalho, enfim.
00:16:11Muito legal.
00:16:12E você criou um termo que eu acho muito maravilhoso, que é patisserie tupiniquim.
00:16:18Me fala de onde que você tirou essa ideia de juntar essas palavras e o que que isso, de fato,
00:16:26representa?
00:16:27Do que que a gente tá falando quando você diz, né, patisserie tupiniquim?
00:16:31Eu? O que que aconteceu?
00:16:33Junto com esse momento de criar alguma coisa com o meu nome, Samarina, eu falei, gente, eu quero trazer o
00:16:41Brasil pra confeitaria, pra alta confeitaria francesa.
00:16:46É legal esse termo? Não é legal, mas é o termo que a gente tem.
00:16:48A alta confeitaria, ela vai diferenciar a confeitaria que se faz nas boulangerrises, que é aquela confeitaria de padaria, que
00:16:54é uma confeitaria que ela, assim, é uma coisinha desse tamanzinho aqui que tem 15 preparos.
00:16:59Então, é algo muito preciso, é algo, é técnica, é muita arte.
00:17:03E todos os lugares que eu passava na França, que eu trabalhava e tal, os chefes sempre vinham falar comigo
00:17:09sobre a nossa riqueza, né?
00:17:11E muitas vezes eu ficava encabuada, porque eu nordestina, papai sempre teve roça.
00:17:17E, às vezes, o povo falava de frutas e de castanhas, que eu não conhecia, Celina, e o povo conhecia.
00:17:23E aí, eu falei, gente, e aí eu fiquei pensando, eu falei assim, eu tenho que criar alguma coisa, e
00:17:29eu sempre tive aquele ranço da coisa da gente ter que pegar sempre e fazer um doce, tem que ser
00:17:36com as frutas vermelhas.
00:17:37Mas, nada contra, adoro, mas, assim, sempre querer trazer o que é de fora, sem fazer essa mistura.
00:17:44E aí, eu falei assim, eu vou criar, vou criar uma confeitaria, uma pátice rica e mistura, e vai ser
00:17:48como tupiniquim.
00:17:50Aí, vem outra coisa, que é a minha paixão pela escrita, pela leitura, e sempre me incomodou também, ou seja,
00:17:56você vê que uma pessoa, você vê que eu resolvo meus incômodos com soluções, né?
00:18:00Práticas.
00:18:01Eu falei, olha, todo mundo usa, e há um tempo atrás, se usava muito mais o termo tupiniquim pra usar
00:18:07de um lado negativo.
00:18:08Sim, de uma forma pejorativa, né?
00:18:10É, assim, esse jogadorzinho tupiniquim, essa musiquinha tupiniquim, uma coisa, né?
00:18:17Tupiniquim, aí você vai pesquisar, gente, eu não sei se posso falar se é uma aldeia, mas é um povo
00:18:23indígena específico que vive aqui no norte, no Espírito Santo.
00:18:26Eu tenho uma origem indígena, um dos lados, né, da minha família, não é dessa região.
00:18:33E eu falei, assim, você quer saber?
00:18:35Eu vou pegar a licença poética, vou comprar a briga com o meio mundo, que o povo vai até entender
00:18:40isso.
00:18:40E Vitinho, meu marido, moça, não entra nessa não, tupiniquim não vai dar certo.
00:18:44E eu falei, Vitinho já é, pode ser rito tupiniquim, sabe?
00:18:48Ainda bem que você bancou essa ideia.
00:18:50É pra gente sambar em toda essa técnica bonita, é pra gente trazer essa decolonização que se fala tanto hoje,
00:18:56mas de forma leve, de forma fluida, sabe?
00:19:00Por que não?
00:19:01Porque a gente, às vezes, tem uma mania também, tem um outro extremo, né?
00:19:05A gente fala assim, muitas vezes, a gente, quando não tem conhecimento, principalmente,
00:19:09ai, eu gosto de doce brasileiro, eu gosto de doce de leite.
00:19:12Doce de leite é primo, muito próximo de quê?
00:19:16Do caramelo. O caramelo existe há quantos séculos, né?
00:19:22Então, assim, eu acho que a gente tem que deixar de besteira, dessa coisa também, assim, de querer se apropriar
00:19:26muito.
00:19:27E vamos utilizar o melhor de todos os mundos.
00:19:30Então, a patisserie tupiniquim, o que que é?
00:19:31A patisserie é confeitaria em francês.
00:19:35Então, é a patisserie tupiniquim.
00:19:38E ela sobrevive, ela vive, ela dança, ela muda muito.
00:19:42A ideia é trazer, realmente, a nossa brasilidade, sabe?
00:19:47Não deixar morrer isso, né, Celina?
00:19:49Sim, isso é muito importante, né?
00:19:50É.
00:19:51Vamos fazer uma pausa rapidinho, que eu vou mostrar aqui o nosso conteúdo,
00:19:54que a gente publica toda semana no Jornal Impresso.
00:19:57Aqui nessa matéria do Gastronomia, a gente fala, traz uma reflexão sobre o menu degustação.
00:20:03Por que que hoje os restaurantes aqui de BH estão repensando esse formato, né?
00:20:07E qual que é o futuro disso?
00:20:09O que que a gente pode esperar?
00:20:10Continua, não continua, tem força, não tem?
00:20:12A gente discute isso aqui.
00:20:14E nesse outro caderno aqui, que é o degusta, que sai às quintas,
00:20:17a gente traz uma entrevista super legal com o Pedro Coronha,
00:20:22que é chefe do restaurante Coral, lá no Rio,
00:20:25e ele ganhou o prêmio de jovem chefe pelo Michelin.
00:20:29Então, aí é uma das apostas do Michelin pra ser um dos novos talentos do Brasil.
00:20:34E Marina, você começou com um ateliê que você recebia encomendas e fazia entrega de doces.
00:20:43Hoje você mudou totalmente sua proposta, hoje você não tem mais ateliê e nunca,
00:20:48inclusive, teve um ateliê de portas abertas, que era uma coisa que muita gente te pedia.
00:20:51E agora você tem, você faz projetos especiais, você cria experiências.
00:20:57O que que te levou a fazer essa mudança?
00:21:00Por que que você quis mudar completamente e trazer essa proposta diferente?
00:21:04Lá atrás, eu estabeleci, nesse mesmo momento da Patice Ritupiniquim, do Samarina, da Samarina,
00:21:13eu já tinha muito certo o que eu queria trazer como assinatura de trabalho.
00:21:19E eu saberia que eu teria que bancar tudo isso e bancar, que eu quero dizer,
00:21:23bancar todas as fases pra chegar nesse ponto.
00:21:26Eu sou a criativa, né?
00:21:28Eu sou a pessoa criativa, eu sou a pessoa da execução e a pessoa das ideias.
00:21:32E quando eu cheguei aqui, voltei, tem quatro anos.
00:21:36Há quatro anos e meio que a gente voltou da França.
00:21:37Então, toda essa minha história que eu tô contando aqui, ela é recente.
00:21:40Muito recente, né?
00:21:41Em quatro anos, olha quanta coisa já aconteceu.
00:21:43Lá, tem mil, eu acredito.
00:21:44Impressionante, né?
00:21:46E eu te conheci bem lá no inicinho, não foi?
00:21:48Dois meses de Samarina.
00:21:50Olha que impressionante, gente.
00:21:52Tô acompanhando essa história linda, desde então.
00:21:54Desde então.
00:21:55E aí, o que que aconteceu?
00:21:57E eu tive que traçar um plano, uma rota aí.
00:22:01Porque eu não era daqui.
00:22:03Pesar de morar aqui, eu vinha o quê?
00:22:05Do direito, da faculdade.
00:22:07O Vitinho também.
00:22:08Nossos amigos, todos jovens, todo mundo assim.
00:22:11Assim, eu não tinha um público, eu não tinha entrada.
00:22:14Eu nem conhecia os chefes em Belo Horizonte pra sair muito exato.
00:22:18Eu saí daqui advogada, voltei, né?
00:22:20E aí, eu falei, gente, eu vou ter que começar de alguma forma.
00:22:24E eu comecei porque eu queria mostrar o meu trabalho.
00:22:28O ateliê sempre foi um sucesso.
00:22:31E foi dolorido.
00:22:32Eu sabia que seria dolorido.
00:22:34Eu ter que parar de fazer as encomendas.
00:22:36Eu gosto dessa coisa de criar menu, de fotografar.
00:22:39De pensar nos sabores.
00:22:40Eu gosto da criação, da reinvenção, da pesquisa.
00:22:44E ele durou, eu acho que o tempo que ele tinha que durar pra eu conseguir ver essa transição.
00:22:49Por quê?
00:22:49Pra eu conseguir me dedicar à criação de produtos, à criação de sobremesas,
00:22:56a trazer exposições, à criação do tecido de chocolate, do veludo de chocolate.
00:23:01Vamos falar nisso ainda, em detalhes.
00:23:02Enfim, vários outros, né?
00:23:04Vários outros processos.
00:23:06Eu tinha que ter tempo.
00:23:09Porque é um laboratório.
00:23:11Então, assim, eu não ia conseguir abraçar o mundo.
00:23:13Eu não ia conseguir abrir uma rede de lojas.
00:23:16E a mente aqui fervilha.
00:23:17Então, assim, quando pensa, eu já penso no design da loja.
00:23:21O problema todo é esse.
00:23:21Então, eu sou aquela pessoa que eu já penso numa loja, numa casa, na árvore, não sei o que, não
00:23:25sei o que.
00:23:26E aí, minha filha, não tem quem aguenta.
00:23:28E eu tinha que estabelecer isso muito certo.
00:23:30Que eu queria me tornar conhecida pelo meu público, por um público que valoriza o quê?
00:23:35A arte, a confeitaria, a confeitaria como arte.
00:23:40Então, é uma confeitaria que você não vai consumir no seu dia a dia, muitas vezes.
00:23:46É uma confeitaria que ela traz uma história, a pesquisa.
00:23:50Eu me interesso cada vez mais por estudar os doces, principalmente, que eram feitos em comunidades quilombolas.
00:23:59Que legal.
00:23:59A gente fala muito pouco sobre isso, né?
00:24:00A gente sempre fala dos doces de origem indígena.
00:24:03Português.
00:24:04E a gente fala muito pouco dos doces que vieram.
00:24:07Os doces africanos, os doces com coco.
00:24:09Enfim, também rende outra conversa.
00:24:12Outro podcast.
00:24:13E aí, eu tinha que ter tempo pra tudo isso.
00:24:17E, hoje, eu acho que eu tô num lugar muito feliz.
00:24:21Tô me descobrindo.
00:24:22Ao mesmo tempo, como eu tenho essa veia criativa muito forte, eu gosto muito de fazer projetos.
00:24:29Então, assim, são projetos que, graças a Deus, várias empresas, marcas, conseguiram enxergar tudo isso.
00:24:36Eu consegui passar essa mensagem, eu consegui passar essa leitura pras pessoas que o doce, ele pode ser o mecanismo,
00:24:44né?
00:24:45Ele é o meio do caminho ali pra uma série de outras questões.
00:24:49Eu vejo como...
00:24:51E eu me coloco nessa posição e coloco outras pessoas, inclusive daqui de Belo Horizonte, junto...
00:24:57Naquela época da Semana de Arte Moderna, sabe?
00:24:59Em que você começa a utilizar vários instrumentos pra falar de outras coisas muito mais importantes.
00:25:03Com o doce, você consegue falar desde uma guerra até uma poesia.
00:25:08E eu quero muito trazer isso.
00:25:10Você começa a trazer essa questão de várias culturas que não podem deixar ser perdidas.
00:25:15A questão do piqui, que eu levanto tanto essa bandeira do piqui, da castanha de piqui, que a gente não
00:25:20pode deixar morrer.
00:25:21Então, assim, pra eu ter tempo de fazer tudo isso, eu não ia conseguir abraçar o mundo.
00:25:25E foi por isso que o ateliê era algo que eu gostaria que eu fiz para me tornar conhecida e
00:25:33pras pessoas entenderem o meu trabalho.
00:25:34E era pra ser passageiro mesmo.
00:25:36Era pra ser passageiro.
00:25:38De vez em quando, tem uma Casa Cor, tem uma Kermesse da Meire, em Rosenbaum, enfim.
00:25:44Tem feiras, tem eventos em que eu participo exatamente pra matar essa saudade.
00:25:47Porque é gostoso tudo isso, né?
00:25:48As pessoas cobram.
00:25:50E assim, eu também cobraria, porque eu adoro doces também, enfim.
00:25:54Mas é algo que hoje em dia pode mudar tudo, a qualquer momento.
00:25:58Mas hoje em dia não é assim a minha prioridade ter a encomenda, porque isso demanda muito tempo, né, Celina?
00:26:04Porque nada que eu fazia ou faço é algo que vem pronto.
00:26:08Tudo é fruto de criação, de teste.
00:26:10Então, isso demanda muito tempo.
00:26:11Então, pras pessoas entenderem, quem não conhece seu trabalho,
00:26:15a gente tá falando, então, de que tipo de experiência que é essa que não é mais uma encomenda de
00:26:21ateliê.
00:26:22E agora, o que que você oferece?
00:26:24Que experiência, que doce é esse?
00:26:26E hoje em dia, eu fiz, inclusive, um evento com a Agnes faz pouquíssimo tempo.
00:26:30E a Agnes iniciou o evento falando, eu odeio esse termo experiência.
00:26:33Porque hoje em dia...
00:26:34Porque, assim, as pessoas pegam um termo e começam a usar a torta e a direito,
00:26:38sem ter uma ideia do que que é.
00:26:40O que eu faço hoje é o que as pessoas fazem no museu,
00:26:45uma demonstração de um quadro, o que as pessoas fazem na demonstração de uma cerâmica,
00:26:50o que as pessoas fazem no espetáculo de dança, de música, eu faço com doce.
00:26:54Então, eu utilizo o doce para...
00:26:58Seja para o lançamento de uma marca, uma marca de bolsas, Ascure.
00:27:02Elas me contrataram para fazer todo o trabalho de lançamento com doce.
00:27:09Então, eu fiz um IP, uma árvore enorme, aquele IP comestível.
00:27:13Lindo, gente.
00:27:14Muito lindo.
00:27:15Enfim, para contar a história da marca.
00:27:17Visitei as artesãs, as bordadeiras, história linda.
00:27:20E transei tudo isso com a confeitaria.
00:27:23Eu conto histórias com doce.
00:27:24Então, hoje em dia, eu atendo marcas, atendo prefeituras,
00:27:31atendo, às vezes, pessoas que vêm de fora, associações, organizações,
00:27:35que têm interesse nesse meu olhar para transformar algo em açúcar.
00:27:42Então, hoje em dia, o que eu faço?
00:27:44Eu transformo algo que não tem nada a ver com o mundo do açúcar,
00:27:47interpreto e, geralmente, as pessoas o presenteiam,
00:27:50uma gama de clientes, uma gama de...
00:27:55Seja num espetáculo ou eu trago isso para dentro de um museu,
00:28:03de uma galeria de arte.
00:28:05São esses espetáculos que a gente vê na internet.
00:28:07Muitas vezes a gente acha que nem tem aqui no Brasil e tem muito.
00:28:09Eu desenho muitas experiências.
00:28:11Então, assim, o origem, que é uma experiência.
00:28:14Por que experiência?
00:28:15Porque, realmente, é o experimentar.
00:28:17Você não vai sair como você entrou.
00:28:20Lá, o doce e aí eu já incluo a patisserie salé,
00:28:25que é a confeitaria.
00:28:26As técnicas da confeitaria para a comida salgada,
00:28:29que eu gosto muito de fazer isso também.
00:28:32Eu uso tudo isso como meio do caminho
00:28:36para as pessoas se autoconhecerem no jantar em oito tempos.
00:28:40Essa é a forma que eu tenho, que eu encontrei
00:28:42de mostrar a minha arte aqui no Brasil.
00:28:44E eu tenho ficado muito feliz,
00:28:45porque portas vão se abrindo que eu nunca imaginei.
00:28:49Sabe?
00:28:49Eu fico muito contente com isso.
00:28:51Sim, que as pessoas estão vendo.
00:28:53É, moda, marcas de moda.
00:28:55E, assim, nossa, o lançamento da segunda loja Carlos Pena
00:28:58em São Paulo.
00:29:00Eu fui, criei uma patisserie que foi harmonizada com a Chandon.
00:29:07E aí, toda aquela riqueza de detalhes de Carlos Pena,
00:29:11eu criei uma patisserie servida numa taça coupé,
00:29:14em que tinha uma castanha toda dourada,
00:29:17tinha um licor que eu fiz de genipapo misturado com anis,
00:29:22uma tarte tatã, enfim.
00:29:25Era uma patisserie de beber, não é?
00:29:27De beber, minha filha.
00:29:27Olha só que coisa incrível isso, gente.
00:29:29E isso eu gosto de fazer.
00:29:31E pra fazer isso, você tem que ter tempo
00:29:33e você tem que entender.
00:29:34Realmente, é difícil entender isso?
00:29:36É difícil, porque é difícil fazer também.
00:29:38É um caminho que eu escolhi, sabe?
00:29:40É algo que faz meus olhos brilharem.
00:29:43É o que eu gosto de fazer, sabe, Celina?
00:29:45Eu gosto muito de fazer isso.
00:29:46Adoro.
00:29:47Então, você tá muito realizada.
00:29:49É, né?
00:29:50É lindo, né?
00:29:51A vida nas telas e num podcast é maravilhosa.
00:29:55Mas, obviamente, que tem muitos empecilhos, né, gente?
00:29:58Você criar um menu, como o menu que foi criado
00:30:00na Casa Coa no ano passado.
00:30:02A pessoa aqui resolveu pirar e eu criei
00:30:05cinco patisseries, que foi uma onde
00:30:07as cinco belas artes mineiras.
00:30:10Foram quatro, cinco, seis meses de experimentos,
00:30:13de testes e de estudo
00:30:15pra eu conseguir chegar nas cinco patisseries
00:30:17que iam representar cada bela arte mineira
00:30:21e realmente com elementos tanto externos
00:30:26como em relação à composição de sabor.
00:30:29Então, assim, é maravilhoso,
00:30:31mas é algo também muito desafiador, né?
00:30:33E frustrante, porque você erra muito.
00:30:35Você erra a arte, né?
00:30:36Você erra o tempo inteiro.
00:30:38E ele não quer fazer mais, fica com raiva.
00:30:40Aí depois você dorme, acorda, ele já tá tudo bem.
00:30:42Já tudo ótimo.
00:30:43E eu quero agora falar um pouco mais
00:30:45da sua relação com a arte.
00:30:48Inclusive, você já falou um pouco sobre isso.
00:30:51Numa entrevista eu resgatei essa fala sua
00:30:53que você fala que o que você mais quer
00:30:55é uma conversa entre o açúcar e a arte.
00:30:59Em que momento que você começou a se interessar pela arte?
00:31:05Você falou no começo que vem de muito nova, né?
00:31:08E quando você entendeu realmente
00:31:10que era possível fazer essa conexão?
00:31:15É interessante porque, como eu te falei,
00:31:17eu sempre fui artista, mas eu nunca...
00:31:18custei a me ver artista, né?
00:31:21Então, hoje você se considera mais artista
00:31:23do que confeiteira?
00:31:24O que você diria?
00:31:25Eu sou uma artista, uma chefe confeiteira,
00:31:27uma artista confeiteira.
00:31:29A confeitaria, ela é uma arte.
00:31:32Tudo que você faz pra pessoa sentir
00:31:34e que aquilo ali, depois que você entrega,
00:31:37você não tem mais o poder,
00:31:38mas aquilo ali vai provocar sensações,
00:31:40é uma arte pura, a confeitaria,
00:31:41principalmente essa confeitaria que a gente faz
00:31:44com delicadeza, com...
00:31:47não faz em série,
00:31:48aquele tom assinatura muito forte,
00:31:50muito potente.
00:31:51E eu sempre fui a pessoa que pintava paredes,
00:31:54sempre fui a pessoa, como eu comentei,
00:31:56muito ligada à moda, ao design.
00:31:58E eu comecei...
00:31:59Gosto muito do Marie Antoine Carême,
00:32:02que, inclusive,
00:32:04a minha primeira matéria no estado de Minas,
00:32:06que a sua pessoa escreveu,
00:32:07que foi assim,
00:32:08uma matéria linda,
00:32:10que me abriu portas, assim, maravilhosas.
00:32:12Você mal me conhecia.
00:32:14Foi até...
00:32:14Eu enviei umas fotos que eu tinha feito um ensaio,
00:32:16né?
00:32:17Do Carême.
00:32:18Quem é Carême?
00:32:19Carême, inclusive, tem uma série dele,
00:32:21acho que na Apple.
00:32:23Muito boa.
00:32:24Mas ele, pra mim,
00:32:25é a minha versão feminina.
00:32:26Obviamente, gente,
00:32:27não tem aquelas ousadias, não.
00:32:28Eu sou uma pessoa correta.
00:32:31Mas...
00:32:32Ele sou eu, é isso.
00:32:33Eu não consigo enxergar de outra forma.
00:32:35Então, assim,
00:32:36eu vou fazer uma caminhada,
00:32:37eu olho folhas secas no chão,
00:32:38eu já consigo imaginar um doce ali.
00:32:40Eu falo,
00:32:40nossa,
00:32:41eu vou criar um negócio aqui,
00:32:41que vai ter um capim santo,
00:32:42vai ter não sei o quê,
00:32:43vai ser dessa cor.
00:32:44Eu acho que eu vou usar o gergelim,
00:32:45que vai trazer um cinza,
00:32:46vai trazer um...
00:32:47Eu...
00:32:48Minha cabeça funciona assim.
00:32:50E, pra mim,
00:32:51sempre foi muito comum
00:32:51essa conversa entre as artes.
00:32:53E depois que eu fui estudar
00:32:54cada vez mais a vida de Carême,
00:32:55eu falei,
00:32:56gente,
00:32:56e ele fazia isso, né?
00:32:57Ele foi quem revolucionou a confeitaria.
00:33:00E por quê?
00:33:00Porque ele trouxe...
00:33:01Isso há séculos atrás.
00:33:03Séculos.
00:33:03Século XIX.
00:33:04E, assim,
00:33:05ele trouxe elementos da arquitetura,
00:33:08as catedrais,
00:33:09os monumentos para a confeitaria.
00:33:11Porque ele trouxe o quê?
00:33:12Altura.
00:33:13Ele trouxe o quê?
00:33:14Ele trouxe textura,
00:33:16ele trouxe uma série de coisas
00:33:17que não se tinha, né?
00:33:20Ele trouxe aquele uau,
00:33:22aquela coisa que a gente fica assim.
00:33:23Foi tudo isso.
00:33:24Foi ele que trouxe.
00:33:25E...
00:33:26É aí que entra toda essa conversa
00:33:29do açúcar com a arte.
00:33:30E, hoje em dia,
00:33:31eu já falo...
00:33:32A gente já pode até mudar
00:33:33um pouquinho essa fala
00:33:34que o açúcar,
00:33:35ele é arte.
00:33:36A gente tem...
00:33:36Assim como várias...
00:33:38várias vertentes da arte,
00:33:40a gente tem aquilo
00:33:42que é feito em forma...
00:33:43Em escala.
00:33:45É um mundo de uma...
00:33:47Existe a confeitaria que escala.
00:33:49Ok.
00:33:49Maravilhosa.
00:33:50Adoro comer um chocolate.
00:33:52Não tô falando dos bintubá.
00:33:53Tô falando dos chocolates
00:33:54que são feitos, né?
00:33:55Em grande quantidade e tal.
00:33:56Enfim.
00:33:57Mas também há aquela confeitaria
00:33:59que ela é muito delicada.
00:34:01Então, assim...
00:34:02Essa...
00:34:03Não só a confeitaria,
00:34:04a gastronomia,
00:34:05a cozinha quente.
00:34:06E isso é arte.
00:34:08Porque isso provoca sentimentos,
00:34:11sentidos,
00:34:12há um estudo,
00:34:13há uma preocupação com cores,
00:34:15há uma preocupação com texturas,
00:34:17com altura.
00:34:18Há uma série de questões por trás
00:34:20que isso é arte pura.
00:34:21Eu tenho elementos na minha casa
00:34:24que eu uso da cerâmica
00:34:26pra confeitaria,
00:34:28que eu uso da pintura,
00:34:30da construção.
00:34:31Então, assim...
00:34:32A gente usa muitos elementos incomuns.
00:34:35Instrumentos,
00:34:35o soprador,
00:34:36uma série de coisas
00:34:37que a gente usa
00:34:38que são comuns.
00:34:39E quando a gente começa
00:34:40a fazer um pouquinho
00:34:41de cada coisa,
00:34:41você começa a perceber
00:34:42que realmente há essa conversa.
00:34:44Então,
00:34:45essa coisa do artista
00:34:48aqui no Brasil
00:34:50começou a mudar,
00:34:51mas tem que mudar mais.
00:34:52O artista, ele realmente,
00:34:54ele tem que se entender.
00:34:55Artista e parar
00:34:56de ficar com vergonha
00:34:57de falar que é artista.
00:34:58Você fez um bolo lindo.
00:35:00Brasil é um país
00:35:00conhecido pelos bolos.
00:35:03Nossa,
00:35:03que bolo lindo.
00:35:04Você é um artista pessoal.
00:35:05Obrigada.
00:35:06Obrigada.
00:35:07É como se fosse um elogio.
00:35:09Claro,
00:35:09é um elogio,
00:35:10mas assim,
00:35:10você é artista.
00:35:11Isso eu entendi muito
00:35:12na França.
00:35:14O que eles falam da arte
00:35:15é algo comum
00:35:16que tá no dia a dia.
00:35:17Assim como a gente tem aqui.
00:35:19A gente tem arte
00:35:19em todos os lugares.
00:35:20Só que aqui a gente tem essa coisa, né?
00:35:22Pelo menos eu não sei
00:35:23no mundo que eu vivi.
00:35:24Hoje em dia,
00:35:24eu convivo muito mais
00:35:25com artistas.
00:35:27Com muitos, inclusive,
00:35:28que precisam tirar
00:35:29esse peso
00:35:31de se intitular artista também.
00:35:34Ela tá aí
00:35:35e a arte,
00:35:36ela tem que ser vista
00:35:37e ser falada
00:35:38com naturalidade.
00:35:40Não assim,
00:35:40a pessoa ficar encabulada
00:35:42ou ficar se sentindo enaltecida
00:35:44porque falou que ela é artista.
00:35:45Não,
00:35:46é simplesmente
00:35:46uma pessoa é dentista,
00:35:47a outra é médico,
00:35:48a outra é uma artista,
00:35:50uma ceramista,
00:35:51artista que faz peças de cerâmica
00:35:53que são obras de arte.
00:35:57Um pintor
00:35:59e assim tem na confeitaria também.
00:36:02Então,
00:36:02eu vejo muito por isso,
00:36:04por esse lado, sabe?
00:36:05Ótimo.
00:36:06Agora a gente vai abrir
00:36:07mais um lugar aqui nessa mesa
00:36:08porque a gente vai chamar
00:36:09o Felipe Brasil,
00:36:10que é mixologista,
00:36:12pra ele contar pra gente
00:36:13quais são os lugares
00:36:14pra onde que ele gosta de ir
00:36:15pra comer aqui em BH.
00:36:18Felipe,
00:36:18vamos lá.
00:36:19Conta tudo pra gente
00:36:20no Esconde Nada.
00:36:21Olá, pessoal.
00:36:22Sou o Felipe Brasil,
00:36:24partender aqui do Belo Horizonte.
00:36:26Tô aqui hoje na Autotoy,
00:36:27em minha casa,
00:36:28pra contar pra vocês
00:36:29alguns lugares
00:36:29que eu gosto muito
00:36:30de ir em Belo Horizonte.
00:36:32Então,
00:36:32sábado à tarde,
00:36:33o Okinaque
00:36:34vai comer uma excelente comida
00:36:36com o Antegado Asiático.
00:36:38É uma excelente pedida.
00:36:39Fica a dica.
00:36:40No fim de noite,
00:36:42o Isaac vai comer
00:36:43aquele torrezo,
00:36:44e aquele
00:36:45Jaguar Master
00:36:46geladíssimo.
00:36:48Ok?
00:36:49Pra balada,
00:36:50uma coisa
00:36:50bem democrática,
00:36:52casa está por cair,
00:36:53ali na rua está por cair,
00:36:54que deixa muito feliz.
00:36:56Várias pessoas
00:36:56legais,
00:36:57diferentes,
00:36:58muita conversa
00:36:59pra ser conversada
00:37:00ali naquele lugar.
00:37:01Tá bom?
00:37:02Aí,
00:37:02três dicas pra vocês,
00:37:03curtirem Belo Horizonte,
00:37:05três modos diferentes,
00:37:06três lugares diferentes.
00:37:09aí,
00:37:10Felipe,
00:37:10valeu pelas dicas,
00:37:12e agora,
00:37:13Marina,
00:37:13você não escapa.
00:37:14Ai,
00:37:14Jesus.
00:37:15Conte aí,
00:37:16quais são as suas dicas,
00:37:17lugares imperdíveis em BH
00:37:18pra comer.
00:37:20Vamos lá.
00:37:21Conheci um lugar,
00:37:22faz pouco tempo,
00:37:24fiquei encantadíssima,
00:37:25inclusive,
00:37:25tem até uma história maravilhosa
00:37:27pra te contar sobre esse lugar.
00:37:28com o Rivo.
00:37:29Ah,
00:37:30maravilhoso.
00:37:31E a Ale,
00:37:34minha filha,
00:37:35eu não conhecia,
00:37:37fiquei encantada,
00:37:38antes de falar da Ale,
00:37:39Ale,
00:37:39depois eu vou falar de sua pessoa,
00:37:40mas é o seguinte,
00:37:41o Rivo,
00:37:41eu fiquei encantada
00:37:42com exatamente isso
00:37:43que a gente estava falando
00:37:43da arte, né?
00:37:45Ali é uma cozinha de arte,
00:37:48ali você entra
00:37:49e você sente
00:37:53tudo ao mesmo tempo
00:37:54e de forma muito individual.
00:37:57eu gosto de locais
00:37:58assim que a gente chega,
00:37:59independente
00:38:00se é um restaurante,
00:38:01se é um boteco,
00:38:02se é uma barraca na feira,
00:38:04se é uma gelateria,
00:38:06eu gosto de locais
00:38:07que fazem a gente sentir.
00:38:08E eu fiquei encantadíssima.
00:38:11Encantadíssima
00:38:11com todos os processos,
00:38:13com cuidado,
00:38:15com o alimento,
00:38:16com respeito pelo alimento,
00:38:18que eu acho que isso é
00:38:18muito importante,
00:38:19eles trazem tudo isso
00:38:20de forma muito forte.
00:38:24E depois,
00:38:25eu fui descobrir,
00:38:26minha filha,
00:38:27que a Alê,
00:38:28quando eu morava na França,
00:38:30ela morava na Espanha
00:38:34e a gente tem
00:38:34uma amiga em comum.
00:38:36E essa minha amiga,
00:38:37a gente,
00:38:38São Sebastião.
00:38:39Lá na França,
00:38:40a gente falava
00:38:40São Sebastião,
00:38:41ela até me corrigiu,
00:38:41São Sebastião.
00:38:42São Sebastião.
00:38:43E aí,
00:38:44essa nossa amiga em comum
00:38:45comentou ainda comigo,
00:38:45falou,
00:38:46Mari,
00:38:46você tá aí,
00:38:47vai no restaurante
00:38:48que a minha amiga é chefe,
00:38:49acho que é um restaurante
00:38:49de Sina Michelin e tal,
00:38:50aqueles restaurantes
00:38:51que a gente tem que reservar,
00:38:52assim,
00:38:52a gente nasce e reserva
00:38:53o restaurante
00:38:54pra depois a gente chegar.
00:38:55Eu já cheguei a olhar na época,
00:38:56mas assim,
00:38:56impossível da gente conseguir ir.
00:38:58Enfim.
00:38:59E aí,
00:39:00eu fiquei com essa,
00:39:02essa lembrança
00:39:02dessa amiga,
00:39:03da Gigi,
00:39:04né?
00:39:04Da Giovana.
00:39:05Quando eu fui no Rivo
00:39:06e postei fotos e tal,
00:39:08a Giovana falou,
00:39:09Mari,
00:39:09aquela minha amiga,
00:39:10e vocês duas foram madrinhas
00:39:12no meu casamento.
00:39:13Falei,
00:39:14misérico,
00:39:15o que é uma pessoa
00:39:16sem memória,
00:39:16né, gente?
00:39:17Deus abençoe essas pessoas,
00:39:18porque nós duas
00:39:19entramos juntas lá
00:39:21no casamento,
00:39:21da Giovana,
00:39:22do Andrei,
00:39:23e ela foi,
00:39:24depois eu comentei com ela,
00:39:25ela falou assim,
00:39:26nossa,
00:39:26realmente,
00:39:26eu achei que eu te conheci
00:39:28de algum lugar.
00:39:29Então,
00:39:30o mundo é desse tamanho,
00:39:31né,
00:39:31Celina?
00:39:32Muito,
00:39:32é um ovo.
00:39:33Eu fiquei mais encantada
00:39:34ainda,
00:39:35depois, né,
00:39:35quando eu lembrei
00:39:36dessa história toda,
00:39:37mas o local,
00:39:38gente,
00:39:38eu fiquei realmente encantada.
00:39:40É lindo.
00:39:42O cuidado com o alimento,
00:39:45assim,
00:39:45os sabores,
00:39:46realmente,
00:39:46porque essa coisa
00:39:47da gente colocar muitos sabores
00:39:49num prato
00:39:49é uma responsabilidade
00:39:50muito grande,
00:39:51porque quando você vai provar,
00:39:52você tem que sentir esses sabores
00:39:53e não a confusão,
00:39:55tem que ser algo
00:39:56que faça você sentir
00:39:59e nota 10 em 10.
00:40:02Gostei muito,
00:40:03muito,
00:40:03muito.
00:40:04Dica anotada.
00:40:06Anotadíssima.
00:40:07Tem um lugar também
00:40:08que,
00:40:08assim,
00:40:09é chover no molhado,
00:40:10mas que eu gosto demais,
00:40:11demais,
00:40:12demais,
00:40:12é no espaço da Agnes,
00:40:14que é minha vizinha,
00:40:15minha amiga,
00:40:16chefe,
00:40:17é a coxinha preta de Agnes,
00:40:19gente,
00:40:19que eu sou apaixonada.
00:40:20deliciosa,
00:40:21né?
00:40:21E é um lugar,
00:40:22assim,
00:40:22pra almoço,
00:40:22que eu amo.
00:40:24Aí vem Ju,
00:40:25que é minha vizinha,
00:40:25e minha fã começa a falar aqui,
00:40:27ó,
00:40:27a gente não para não.
00:40:28Santo Antônio,
00:40:29inclusive,
00:40:29Maria Luísa,
00:40:30Cachafeto,
00:40:31Rê,
00:40:32Albertina,
00:40:33são locais que eu frequento.
00:40:34Então,
00:40:34esses locais,
00:40:35muita gente me encontra
00:40:36nesses locais,
00:40:37que eu frequento esses locais.
00:40:39Que mulherada maravilhosa,
00:40:41hein?
00:40:41Só mulher retada.
00:40:41Né?
00:40:42É demais.
00:40:44Ó,
00:40:44eu lembrei aqui,
00:40:45que a gente não falou em detalhes,
00:40:47do viludo de chocolate.
00:40:49Gente,
00:40:49como assim criar um tecido
00:40:51a partir do chocolate?
00:40:53Que loucura é essa que deu certo?
00:40:55Pois é.
00:40:56Aí vem a história, né?
00:40:57Do chocolate.
00:40:59Lá atrás,
00:41:00quando eu participei do Masterchef,
00:41:01e tal,
00:41:02tinha que ter um conhecimento
00:41:04de chocolates.
00:41:05Eu estudei sobre chocolates
00:41:06há muito tempo atrás,
00:41:07quando eu estudei
00:41:08há muito tempo atrás,
00:41:09há cinco anos atrás,
00:41:10na confeitaria.
00:41:11Mas nunca foi uma coisa
00:41:13que me chamou a atenção,
00:41:13exatamente para querer
00:41:14ir um pouco contra
00:41:17usar muito o chocolate
00:41:19em sobremesa
00:41:20e não usar outros sabores.
00:41:22Tanto que é uma das minhas assinaturas
00:41:24em todas as minhas criações
00:41:25que eu uso.
00:41:25Quando eu uso o chocolate,
00:41:27ele não é o protagonista.
00:41:29Né?
00:41:29Ele está sempre...
00:41:30E eu gosto muito do chocolate,
00:41:31mas é assim,
00:41:32enfim,
00:41:32é uma outra conversa também.
00:41:33O veludo surgiu
00:41:35quando eu estava estudando
00:41:36e já se faz muito
00:41:40tapetinhos,
00:41:41rendas
00:41:42e tecidos com gelatina,
00:41:45que não é o caso
00:41:46do veludo de chocolate,
00:41:47para bolos,
00:41:47é no cake design.
00:41:48Então já se faz isso.
00:41:51Só que eu queria uma coisa grande.
00:41:53Para quê?
00:41:55Nada.
00:41:56Não tinha demanda,
00:41:57zero de demanda.
00:41:58Da sua cabeça.
00:41:59Não, ateliê aqui.
00:42:01Os meninos ateliê nadando
00:42:02e eu...
00:42:03Eu tenho que criar esse veludo.
00:42:04Por quê?
00:42:05Porque eu quero criar esse veludo.
00:42:06Está na minha cabeça.
00:42:07Eu preciso tirar isso da minha cabeça,
00:42:09gente.
00:42:09Eu tenho que criar isso.
00:42:10E aí eu fiquei estudando
00:42:12e tem um suíço
00:42:13que agora eu me esqueci o nome dele,
00:42:15que é um chefe confeiteiro,
00:42:16um chocolatier.
00:42:18Maravilhoso.
00:42:18Eu tinha comprado um livro dele
00:42:20que estava em alemão.
00:42:22Coisa tranquila para se ler, né?
00:42:24Fácil.
00:42:24E aí eu estava assim...
00:42:26Eu tinha muito tempo
00:42:27que eu estava com esse livro
00:42:27para lá e para cá
00:42:28e eu estava lendo muito o livro dele
00:42:29que tem umas loucas...
00:42:30Tem umas viagens assim...
00:42:32As coisas muito legais
00:42:33de se fazer com chocolate.
00:42:35E aí vem daquilo
00:42:36e eu, nesse livro,
00:42:38eu também não encontrei nada,
00:42:40nenhuma referência de tecido.
00:42:41E eu ficava,
00:42:42gente, não é possível.
00:42:43Porque não tem uma coisa grande.
00:42:44Eu quero uma coisa grande.
00:42:45Eu quero vestir.
00:42:46Aí eu já pensei...
00:42:46Aí a ideia,
00:42:47a pessoa criativa,
00:42:48eu já pensei já no espetáculo.
00:42:50O desfile.
00:42:51Aí no final a pessoa puxa assim,
00:42:52morde o chocolate, né?
00:42:54Obviamente,
00:42:54não é para vender, né?
00:42:55Não é para a pessoa ficar com...
00:42:56Mas assim, você imagina.
00:42:58Tudo na minha cabeça estava perfeito.
00:43:00Mas custou até eu conseguir.
00:43:01Aí eu comecei a misturar.
00:43:03Comecei a usar referências
00:43:05e fui pesquisar
00:43:06o que que poderia trazer elasticidade
00:43:08e vamos embora
00:43:09e vamos usar o nosso chocolate.
00:43:10E assim,
00:43:10a coisa que eu parti desde o início,
00:43:12tinha que ser um chocolate gostoso.
00:43:14Tinha que ser chocolate.
00:43:15Porque tinha que ter sabor também.
00:43:17Resultado.
00:43:19Nasceu o veludo
00:43:20e eu falei,
00:43:20tem que ser verde.
00:43:21Tem que ser um verde fechado.
00:43:22Que eu acho muito chique
00:43:23o veludo verde fechado.
00:43:25Chiquíssimo.
00:43:25Aí,
00:43:26por coincidência,
00:43:27deu certo o veludo.
00:43:28Nasceu o veludo.
00:43:29O que você vai fazer com o veludo?
00:43:31Nada.
00:43:32Deixar aqui em casa, né?
00:43:33Por coincidência.
00:43:34Mas você chegou a desenhar uma roupa?
00:43:36Não, não.
00:43:36Com ele, não.
00:43:38Fiz um veludo lindo,
00:43:39um tecido desse tamanho.
00:43:40O ateliê ficou todo verde.
00:43:41Uma loucura.
00:43:42E aí recebi um convite.
00:43:44Dá para participar.
00:43:45Para participar de um talk
00:43:47na semana de design
00:43:49da UENG.
00:43:51Nada programado.
00:43:52Zero programação
00:43:53em relação a esse veludo.
00:43:55Eu falei,
00:43:56gente,
00:43:56isso assim,
00:43:57na semana.
00:43:57Eu falei,
00:43:58eu vou levar o veludo.
00:43:59Ninguém sabia
00:44:00que eu ia levar o veludo.
00:44:01Chegou na hora lá.
00:44:03Vai eu com o veludo.
00:44:04Fiz um veludo de chocolate
00:44:06e rasgo o veludo.
00:44:06O povo não acredita.
00:44:08Aí desce os men da moda,
00:44:10desce os men
00:44:11de não sei aonde
00:44:11e virou aquela coisa.
00:44:13porque foi uma coisa
00:44:14muito assim.
00:44:17Daí surgiu Vitória,
00:44:19que eu chamo de fofa,
00:44:21que era estagiária
00:44:22de Carlos Pena na época.
00:44:23Estava se formando em moda.
00:44:25Ela falou,
00:44:25Sá,
00:44:26eu queria muito fazer
00:44:27o meu TCC
00:44:29ligando gastronomia
00:44:30e moda.
00:44:32Mas será que vai dar certo?
00:44:33Já deu.
00:44:33Vai dar certo.
00:44:34Mas será que eu sou
00:44:35alguma vez?
00:44:36Eu falei,
00:44:36não,
00:44:36mas vai dar certo.
00:44:37Eu tenho certeza
00:44:37que vai dar certo,
00:44:38Vitória.
00:44:39Mas eu falei,
00:44:40não,
00:44:40vai.
00:44:40Vamos na fé
00:44:41que vai dar certo.
00:44:43E aí,
00:44:44entre uns seis meses
00:44:45de estudo,
00:44:46a Vitória fez
00:44:47o TCC dela.
00:44:49Fiquei muito feliz
00:44:50porque realmente
00:44:51utilizou o tecido,
00:44:53deu certo.
00:44:55Então,
00:44:55assim,
00:44:56foi capa,
00:44:57inclusive,
00:44:57de uma matéria
00:44:58no estado de Minas.
00:44:59A gente fez um toque
00:45:00depois lá
00:45:01no Museu da Moda.
00:45:02Foi muito importante.
00:45:03Isso é a primeira vez
00:45:04que se teve
00:45:05exatamente isso
00:45:06que eu falei lá atrás.
00:45:08É ocupar
00:45:08espaços de arte.
00:45:10É utilizar
00:45:11a confeitaria,
00:45:12o açúcar,
00:45:13o chocolate
00:45:14como um material,
00:45:16como é que a gente
00:45:17falaria,
00:45:17orgânico,
00:45:18não sei,
00:45:18para fazer arte.
00:45:20Então,
00:45:20o que eu quero?
00:45:20Eu quero fazer isso
00:45:22e fazer jarros
00:45:24e fazer potes
00:45:24e fazer panelas
00:45:25e fazer abajur
00:45:27e fazer lâmpada
00:45:28e fazer,
00:45:28enfim,
00:45:29obviamente,
00:45:30tudo como arte,
00:45:32né?
00:45:32Mas,
00:45:32assim,
00:45:33eu gosto muito
00:45:34desse desafio.
00:45:35Eu gosto muito disso.
00:45:37Foi daí que surgiu
00:45:38esse tecido
00:45:38e ele já ganhou
00:45:40várias outras repercussões,
00:45:42enfim,
00:45:43mas ele tem um lugar
00:45:44muito especial
00:45:45na história.
00:45:46Muito legal,
00:45:47muito legal.
00:45:48E você comentou aí
00:45:49sobre a sua participação
00:45:50no Masterchef,
00:45:51que foi o primeiro
00:45:52Masterchef Confeitaria,
00:45:54que foi muito legal
00:45:55imaginar um programa
00:45:56que dá o protagonismo
00:45:58para a confeitaria,
00:45:59né?
00:46:01Essa sua decisão
00:46:02de participar do programa,
00:46:03porque a gente sabe
00:46:04que reality
00:46:05não é uma coisa,
00:46:06não é mole,
00:46:07você tá doida.
00:46:08Foi,
00:46:09você topou na hora,
00:46:11você teve dúvida
00:46:12e de que forma
00:46:13que essa sua vivência
00:46:15te transformou depois?
00:46:17Eu tinha dois anos
00:46:18de Samarina.
00:46:20Então,
00:46:20assim,
00:46:21é recém-chegado
00:46:22ao mundo da confeitaria,
00:46:23né?
00:46:24E eu já cheguei
00:46:26muito certa
00:46:27do que eu queria,
00:46:27né?
00:46:27Eu acho que quando a gente
00:46:28tá certa do que a gente quer,
00:46:29eu sou uma pessoa indecisa,
00:46:30viu?
00:46:31Sério?
00:46:32Não parece.
00:46:32Mas tem coisas na vida
00:46:33que eu sou muito certa,
00:46:34então eu sempre tive certeza
00:46:35disso,
00:46:35que eu sempre quis fazer
00:46:36com a confeitaria,
00:46:38tomou repercussão muito grande,
00:46:40né?
00:46:40Samarina e tal.
00:46:41Então,
00:46:42assim,
00:46:42antes de participar
00:46:43do Masterchef,
00:46:44eu já fazia
00:46:45programas de televisão,
00:46:47eu já tinha sido capa
00:46:48várias vezes,
00:46:49né?
00:46:49De tanto Estado de Minas,
00:46:51quanto outros jornais,
00:46:52revistas,
00:46:53então já tava um burburinho
00:46:54falando sobre minha pessoa
00:46:55e eu já tava muito feliz
00:46:57com isso.
00:46:58De repente,
00:47:00no começo do ano,
00:47:01uma produção
00:47:02me ligou,
00:47:03mandou uma mensagem
00:47:03e me falou assim,
00:47:04olha, é da produção
00:47:05do programa,
00:47:06a gente recebeu
00:47:06uma indicação
00:47:08pra te convidar
00:47:08pra se inscrever
00:47:09pro Masterchef,
00:47:10a gente é trote,
00:47:11óbvio que é trote.
00:47:11Quem é que não acha
00:47:12Primeira coisa que a gente
00:47:13pensa,
00:47:13Eu aqui em BH,
00:47:15nunca,
00:47:16assim,
00:47:16sendo muito sincera,
00:47:17eu não era,
00:47:18não assisti o programa,
00:47:20eu não sou,
00:47:20eu sou uma pessoa
00:47:21que eu preciso descansar.
00:47:23Já tem muito barulho
00:47:24aqui na minha cabeça,
00:47:25então assim,
00:47:26eu não sou essa pessoa
00:47:26que consome muito
00:47:29programas,
00:47:29TV,
00:47:30eu não consumo muito isso.
00:47:32E aí,
00:47:33eu fiquei,
00:47:34gente,
00:47:35será?
00:47:36E aí a pessoa,
00:47:36eu falei,
00:47:37aí eu falei,
00:47:37manda um e-mail,
00:47:38né?
00:47:39Tipo assim,
00:47:39se não for,
00:47:40né?
00:47:41Aí eu vi que era verdade,
00:47:42aí eu falei,
00:47:43será que eu me inscrevo
00:47:43pra esse negócio,
00:47:44gente?
00:47:45Não tinha noção,
00:47:47não tinha ideia
00:47:48do que que poderia ser,
00:47:49de como poderia,
00:47:50falei,
00:47:50ó,
00:47:51eu gosto de um desafio,
00:47:52vou me inscrever.
00:47:54e isso aí foi
00:47:55no comecinho do ano.
00:47:56De lá,
00:47:57dessa inscrição
00:47:58até começar o programa,
00:48:00foram seis meses,
00:48:01muito tempo,
00:48:02um ano,
00:48:02sei lá,
00:48:02foi muito tempo.
00:48:04E eu fui muitas vezes
00:48:06pra fazer provas
00:48:07e seletivas
00:48:08e,
00:48:09e assim,
00:48:11sem poder contar nada,
00:48:12obviamente,
00:48:13não tinha certeza de nada
00:48:14e eu também,
00:48:16é,
00:48:17não podia deixar nada
00:48:18porque o meu mundo aqui
00:48:19também tava sendo feito.
00:48:21A minha história
00:48:21tava sendo contada,
00:48:22aqui tava muito bonita,
00:48:23então eu tinha um medo
00:48:24muito grande também
00:48:25em deixar tudo isso aqui,
00:48:27né,
00:48:27porque já tava acontecendo
00:48:28a minha história,
00:48:29da forma que eu queria contar.
00:48:31E aí,
00:48:31enfim,
00:48:32fui selecionada
00:48:33entre os doze,
00:48:34foram centenas de milhares
00:48:35de candidatos,
00:48:36várias pessoas de BH
00:48:37que eu encontrei
00:48:39nesse caminho e tal,
00:48:40enfim,
00:48:41e fiquei muito feliz,
00:48:42muito orgulhosa
00:48:43de estar ali.
00:48:44Eu me lembro
00:48:45que no grupo
00:48:45que a gente tinha
00:48:46doze candidatos,
00:48:47só tinha eu
00:48:48e acho que a Marô
00:48:49que não conhecia ninguém,
00:48:50porque o resto
00:48:51todo mundo se conhecia,
00:48:51era o eixo Rio,
00:48:52São Paulo,
00:48:53né,
00:48:53os chefes todos,
00:48:54né,
00:48:55acabam se conhecendo,
00:48:55é normal isso.
00:48:56Muitos já tinham participado,
00:48:57alguns já tinham participado
00:48:58de outros programas e tal,
00:48:59enfim.
00:49:00Eu fui muito crua,
00:49:01mas eu fui da forma
00:49:03que eu acho que
00:49:04foi uma escolha minha,
00:49:05eu não parei a minha vida,
00:49:06eu não parei assim
00:49:07para fazer isso.
00:49:09Pode ter sido um erro
00:49:10pelo meu caminhar
00:49:12no programa,
00:49:12pode ter sido,
00:49:13mas eu não sei
00:49:14se eu faria diferente.
00:49:16e me trouxe
00:49:17uma maturidade
00:49:18muito grande
00:49:19depois,
00:49:19porque assim,
00:49:20eu falei,
00:49:20gente,
00:49:21quando começou
00:49:22e a gente começou
00:49:23a fazer o programa,
00:49:23eu falei,
00:49:24meu Deus do céu,
00:49:25eu estou perdida aqui,
00:49:25não sou eu aqui.
00:49:27Olha só.
00:49:27Porque eu estou muito
00:49:28acostumada com isso
00:49:29que eu falei,
00:49:29com a pesquisa,
00:49:30com o teste,
00:49:32e faz uma vez,
00:49:32e duas,
00:49:33e três,
00:49:33e quatro,
00:49:34e testa a temperatura,
00:49:35testa uma grama a mais,
00:49:36uma grama a menos,
00:49:36um grama a mais,
00:49:37um grama a menos.
00:49:38Eu estou habituada a isso,
00:49:39essa construção.
00:49:41E eu nunca,
00:49:42eu nunca tive,
00:49:43por mais que eu tivesse,
00:49:43já tive experiência
00:49:44de trabalho,
00:49:45de estágio fora,
00:49:47é muito diferente,
00:49:48né?
00:49:49E eu realmente
00:49:50me vi perdida.
00:49:51Juntar,
00:49:52junta com a coisa
00:49:53de ser uma pessoa
00:49:54TDAH
00:49:55totalmente
00:49:57perdida em tempo,
00:49:58eu sou uma pessoa
00:49:58que eu tenho que ter,
00:49:59porque eu gosto muito
00:49:59da confeitaria,
00:50:01e dessa coisa,
00:50:01quanto mais difícil,
00:50:03porque exige meu foco,
00:50:04né?
00:50:04Sim.
00:50:05E aí vem também
00:50:05a coisa da superdotação,
00:50:07enfim,
00:50:07aí também é outro podcast.
00:50:10Sim.
00:50:10A gente marca outro.
00:50:11Temos várias pautas,
00:50:13Celina.
00:50:15E me trouxe
00:50:16uma frustração muito grande,
00:50:17quando eu vi,
00:50:18eu falei,
00:50:18gente,
00:50:19eu não estou fazendo nada
00:50:20do que eu faço,
00:50:22porque eu nem sei
00:50:23o que eu estou fazendo aqui.
00:50:25Assim,
00:50:26muito crua
00:50:26em relação a esse tipo
00:50:27de vivência,
00:50:29sabe?
00:50:30Eu vou te falar
00:50:31que quando eu saí,
00:50:32eu saí aliviada.
00:50:34Sabe quando você fica aliviada,
00:50:35você fala assim,
00:50:35meu Deus,
00:50:36graças a Deus.
00:50:38Sabe quando você,
00:50:39assim,
00:50:39espera muito por uma festa,
00:50:40quando você chega na festa,
00:50:41não é aquilo que você espera,
00:50:42que você fica com a raiva,
00:50:43você fala assim,
00:50:44poxa,
00:50:44eu comprei uma roupa,
00:50:45eu comprei um sapato,
00:50:45eu quero minha mãe,
00:50:46eu quero ir embora.
00:50:48E o lado positivo
00:50:49foi que nós fizemos
00:50:50amizades ali,
00:50:51assim,
00:50:53muito potentes,
00:50:54foi criado um grupo,
00:50:55e ali,
00:50:56realmente,
00:50:57se tinham confeiteiros,
00:50:58e ali,
00:50:58para mim,
00:50:59são as referências,
00:50:59hoje no Brasil,
00:51:00de alta confeitaria,
00:51:02e confeiteiros que realmente
00:51:03fazem essa confeitaria.
00:51:06nada contra a confeitaria do bolo,
00:51:08a confeitaria do brigadeiro,
00:51:09a confeitaria,
00:51:10não,
00:51:10nada,
00:51:11muito pelo contrário,
00:51:12mas eu ainda não conhecia,
00:51:14eu sempre tive muitos amigos,
00:51:16eu sempre,
00:51:17até hoje em dia,
00:51:18eu convivo muito mais aqui,
00:51:19em Melhoras,
00:51:19hoje principalmente com o quê?
00:51:20Com chefes de cozinha salgada,
00:51:23os meninos,
00:51:24eu acabei de falar aqui,
00:51:25indico o rivo,
00:51:26porque você vê,
00:51:27é muito mais comum,
00:51:28você vê locais que tem uma gastronomia
00:51:30mais construída,
00:51:31da comida salgada,
00:51:31e lá no Masterchef,
00:51:34eu conheci chefes,
00:51:35que fazem esse tipo de loucura,
00:51:37na confeitaria também.
00:51:39Inclusive,
00:51:40tem um chefe,
00:51:40que tem um restaurante,
00:51:41de sobremesa,
00:51:42de São Paulo,
00:51:43o Digo é a coisa mais maravilhosa do mundo,
00:51:45gente,
00:51:46o Digo é exatamente isso,
00:51:47é misturar,
00:51:50sabores,
00:51:50é misturar,
00:51:51e é maravilhoso,
00:51:52é maravilhoso isso.
00:51:54E até pegando o gancho,
00:51:56disso que você está falando,
00:51:58o Masterchef Confeitaria,
00:52:00veio com essa ideia,
00:52:02de jogar a luz,
00:52:03né,
00:52:03nessa área,
00:52:04e o que você acha que falta,
00:52:06para a confeitaria,
00:52:07realmente,
00:52:08ter o protagonismo,
00:52:09que ela merece?
00:52:11Um dos principais pontos,
00:52:14e,
00:52:14pode até parecer loucuro,
00:52:15que eu vou falar,
00:52:16mas,
00:52:16os próprios confeiteiros,
00:52:18a posição do confeiteiro,
00:52:21porque,
00:52:21e isso aí,
00:52:22é uma coisa de Brasil,
00:52:24principalmente,
00:52:25de onde que surgiu,
00:52:27a confeitaria no Brasil,
00:52:29quem que começou a fazer,
00:52:31a confeitaria no Brasil?
00:52:32É a mãe,
00:52:33que começou a fazer,
00:52:34para ajudar na renda,
00:52:35da família,
00:52:36então,
00:52:37é a esposa,
00:52:38então,
00:52:38que tinha que equilibrar,
00:52:39um milhão de pratos,
00:52:41muitas vezes,
00:52:41trabalhava fora,
00:52:42chegava em casa,
00:52:42fazia um bolo de encomenda,
00:52:44então,
00:52:44sempre foi muito assim,
00:52:45até abrir sua loja,
00:52:46quantas histórias maravilhosas,
00:52:47que a gente tem aí,
00:52:48de empreendedoras hoje,
00:52:49chefes,
00:52:50que contam,
00:52:51né,
00:52:51que começaram dessa forma,
00:52:52e tal,
00:52:53e,
00:52:53queira ou não,
00:52:54quando a gente começa,
00:52:56dessa forma,
00:52:57a gente traz,
00:52:58umas amarras,
00:52:59que a gente tem que ter muito cuidado,
00:53:00senão elas permanecem,
00:53:01né,
00:53:01nem que sejam de forma invisível ali,
00:53:03mas elas permanecem,
00:53:04e nessa coisa do posicionamento,
00:53:07o que eu estou fazendo aqui,
00:53:09é,
00:53:10realmente,
00:53:10a pessoa,
00:53:11ao invés de ir,
00:53:12no restaurante,
00:53:13para poder comer,
00:53:14é,
00:53:15por exemplo,
00:53:15um prato,
00:53:16ela vai vir aqui no meu café,
00:53:18e vai comer uma sobremesa,
00:53:19e vai pagar o valor,
00:53:20que pagaria por um prato,
00:53:21porque vale isso,
00:53:23e isso é algo muito importante,
00:53:25sim,
00:53:25é algo que vale,
00:53:26por quê?
00:53:27Porque se tem um trabalho ali,
00:53:29que é a mesma altura,
00:53:30e você vê,
00:53:31enxergar isso,
00:53:32e se posicionar,
00:53:34né,
00:53:34porque se coloca muito isso,
00:53:36no restaurante,
00:53:37principalmente aqui,
00:53:38aqui em BH,
00:53:38eu vejo muito isso também,
00:53:40o cantinho do confeiteiro,
00:53:42né,
00:53:42na cozinha,
00:53:43a cozinha,
00:53:43o restaurante,
00:53:44e tem a partezinha da confeitaria,
00:53:46basta você olhar o menu,
00:53:48né,
00:53:48de confeitaria,
00:53:49e,
00:53:49e,
00:53:50e,
00:53:50e da,
00:53:51e da,
00:53:51e dos pratos,
00:53:52pratos principais,
00:53:53entrada,
00:53:54é muito,
00:53:54é reduzido isso,
00:53:56então,
00:53:56esse trabalho tem que começar
00:53:57pelos próprios profissionais,
00:53:59porque esse movimento,
00:54:00tem que começar a partir daí,
00:54:02tem,
00:54:03já é um movimento que tem
00:54:04uma certa repercussão,
00:54:05mas ainda é pequeno,
00:54:06né.
00:54:06Sim,
00:54:07é muito legal você,
00:54:09trazer essa reflexão,
00:54:10né,
00:54:10que é importante a gente pensar mesmo
00:54:11que o profissional precisa
00:54:13se encontrar,
00:54:15e,
00:54:15e,
00:54:16e reafirmar isso,
00:54:17né,
00:54:17com orgulho,
00:54:18porque é lindo demais,
00:54:19né.
00:54:20Sim,
00:54:21segura agora a conversa,
00:54:23que a gente vai fazer uma pausa
00:54:24pra montar a mesa e trazer
00:54:25sua arte pra cá,
00:54:27e a gente já volta,
00:54:28espera aí.
00:54:33Já estamos de volta,
00:54:35então,
00:54:35com a mesa montada,
00:54:37com doces,
00:54:38com essas coisas maravilhosas,
00:54:39de Marina Assamarina.
00:54:44Marina,
00:54:44então,
00:54:45conta pra gente
00:54:46o que temos nessa mesa,
00:54:48e,
00:54:48é,
00:54:49você,
00:54:51ao longo dessa sua trajetória
00:54:53pelo ateliê,
00:54:54você focou muito
00:54:55nas pavilovas,
00:54:56que eu lembro,
00:54:57tinha uma coisa dos entremeços,
00:54:58das pavilovas,
00:54:59agora eu tô vendo coisa diferente
00:55:01nessa mesa,
00:55:02como é que é
00:55:03essas suas fases aí,
00:55:04como é que são essas fases diferentes?
00:55:06Diferentes.
00:55:07É,
00:55:08no início,
00:55:08era muito a coisa,
00:55:10assim,
00:55:10sempre foram menus,
00:55:12é,
00:55:12muito diferentes,
00:55:13fora da caixa,
00:55:14então,
00:55:14eu sempre trabalhei muito,
00:55:15com muitas texturas,
00:55:17sempre teve,
00:55:18pátio sucré,
00:55:19as tarteletes,
00:55:20massa folhada,
00:55:22é,
00:55:23sempre teve a massa choux,
00:55:24Paris Brecht,
00:55:25né,
00:55:25de abóbora,
00:55:26você lembra?
00:55:27Nossa,
00:55:27muito maravilhosa.
00:55:28E aí,
00:55:29é,
00:55:30tem algumas coisas que eu me permiti fazer depois,
00:55:34a pavilova,
00:55:35inclusive,
00:55:35Felipe Brasil apareceu aqui indicando,
00:55:37e ele até comentou comigo,
00:55:39que ele me conheceu,
00:55:40enfrentando uma fila pra provar a pavilova,
00:55:42que eu fiz uma fonte de pavilova,
00:55:44e com licor de banana assada e tal,
00:55:46enfim,
00:55:47porque a pavilova é a mesma,
00:55:49é a história do macarrão,
00:55:51é,
00:55:52se fala sobre uma sobremesa,
00:55:54aí ela fica tão falada que eu tomo,
00:55:56eu enjoo.
00:55:57Entendi.
00:55:57Sabe aquele negócio que a gente enjoo,
00:55:58de tanto que é a história da experiência,
00:56:00da palavra experiência,
00:56:01tem experiência.
00:56:02E aí a pavilova,
00:56:02eu custei a me permitir a fazer pavilovas,
00:56:06porque eu não queria,
00:56:07como eu precisava,
00:56:09é,
00:56:11me estabelecer nessa posição da arte e tal,
00:56:14eu não queria também,
00:56:15essa coisa de fazer mais do mesmo,
00:56:17chover no molhado.
00:56:18E quando eu comecei a fazer a pavilova,
00:56:20já foi,
00:56:20faz pouco tempo,
00:56:21né,
00:56:21e é uma paixão,
00:56:23eu amo,
00:56:24eu sou louca por ovos,
00:56:25louca por galinha,
00:56:26repara aqui,
00:56:26é a coisa mais linda,
00:56:27essa galinha,
00:56:27fala,
00:56:27que linda,
00:56:30e a pavilova é o que,
00:56:32gente,
00:56:32é clara de ovo,
00:56:33açúcar e tempo,
00:56:34é uma coisa de doido,
00:56:36assim,
00:56:36aí eu piro,
00:56:37aí eu piro,
00:56:38eu gosto de fazer muito no preparo,
00:56:39com cachaça,
00:56:40com licor,
00:56:41com canela,
00:56:43e eu sou de fases,
00:56:44né,
00:56:45gente,
00:56:45é igualzinho a pessoa que tá criando o design de moda,
00:56:50os design de joias,
00:56:52eu tenho muitos amigos e assim,
00:56:53eu vejo muito esse movimento,
00:56:54tá na fase que é só de coisas retas,
00:56:57outras angulares,
00:56:58outras,
00:56:58e eu agora estou na fase da massa folhada,
00:57:01um VC,
00:57:02mas sem ser aquela construção da massa folhada de mil folhas.
00:57:05O que que é uma massa folhada um VC?
00:57:07Ah, a minha?
00:57:08Explica isso.
00:57:09Você é linda,
00:57:09tu tá preparada?
00:57:10Eu tô.
00:57:11A massa folhada,
00:57:12nasce pronta.
00:57:14A massa folhada,
00:57:16normalmente,
00:57:16o que que é?
00:57:17A gente tem duas massas,
00:57:18tem um preparo,
00:57:19que a gente chama de detramp,
00:57:20e tem a bour manier.
00:57:22O que que é isso?
00:57:23Detramp,
00:57:24ambas levam manteiga,
00:57:25uma em quantidade muito grande,
00:57:27e outra em quantidade menor.
00:57:28Uma massa abraça a outra,
00:57:29a gente envelopa,
00:57:30e aí,
00:57:30vai abrindo,
00:57:32e passando,
00:57:32enfim.
00:57:34E a massa folhada,
00:57:36tradicional,
00:57:36é o que?
00:57:37A manteiga,
00:57:38a massa feita com manteiga,
00:57:39ela fica dentro,
00:57:40e a massa maior,
00:57:41ela abraça essa massa com manteiga.
00:57:44Aí,
00:57:44a gente faz a folhagem e tal.
00:57:46A anverser,
00:57:47é o oposto.
00:57:49Então,
00:57:49o preparo amanteigado,
00:57:51ele é maior,
00:57:52que o preparo,
00:57:53que tem muito menos manteiga.
00:57:55O que que resulta disso?
00:57:57Resulta uma massa mais crocante,
00:58:00é uma massa que a gente consegue,
00:58:01ter muito mais controle,
00:58:03ali,
00:58:04obviamente,
00:58:05que a massa folhada,
00:58:05quando a gente fala de patisserie,
00:58:06tem que ser essa massa baixinha,
00:58:08né,
00:58:08compactada,
00:58:09não essa massa desse tamanho.
00:58:11E,
00:58:12eu gosto muito,
00:58:14de fazer,
00:58:14eu faço na mão.
00:58:15Eu gosto,
00:58:16assim,
00:58:16todo mundo faz,
00:58:17é louca,
00:58:17adoro,
00:58:18adoro,
00:58:19pra mim é um,
00:58:19é desestressa.
00:58:21E,
00:58:23como eu não tava querendo essa coisa,
00:58:24de chover no molhado,
00:58:26e sou nesse processo agora,
00:58:27da massa folhada,
00:58:29eu falei,
00:58:30gente,
00:58:31e eu gosto muito de palmiê,
00:58:32amo palmiê,
00:58:33e palmiê,
00:58:34não pode ser um palmiê simples também.
00:58:36E eu criei,
00:58:38desde o ano passado,
00:58:39uma experiência que eu fiz,
00:58:40no Aê,
00:58:41cozinha com a Val,
00:58:42lá em São Paulo,
00:58:43com o El,
00:58:45é,
00:58:45eu criei um prato,
00:58:47que foi,
00:58:48foi uma entrada,
00:58:48na verdade,
00:58:49de sobremesa,
00:58:50né,
00:58:51que foi um palmiê,
00:58:53com recheio de cupuaçu,
00:58:54castanha do Pará,
00:58:55e banhado no chocolate.
00:58:56Ficou muito bom.
00:58:57Foi a primeira vez que eu tinha feito um palmiê dessa forma.
00:58:59E aí,
00:59:00eu participei agora,
00:59:02fiz com a Agnes,
00:59:02uma outra experiência,
00:59:03o Provocações,
00:59:05e criei um palmiê,
00:59:06é,
00:59:07caramelizado,
00:59:08com,
00:59:09é,
00:59:11abacaxi,
00:59:11compota de abacaxi e hortelã.
00:59:13É esse aqui?
00:59:14E é a pessoa dele que está aqui.
00:59:16Ah,
00:59:16meu Deus,
00:59:17deixa eu experimentar.
00:59:18Só que aí,
00:59:19Olha que lindeza.
00:59:20Você vai sentir,
00:59:21que aí tem o que?
00:59:22Junto.
00:59:23Aí,
00:59:24dentro do palmiê,
00:59:25tem uma compota de abacaxi,
00:59:26bota de microfone o barulhinho,
00:59:27tic, tic, tic, tic, tic.
00:59:29Hummm...
00:59:30Ele tem uma compota de abacaxi,
00:59:31com cachaça e hortelã,
00:59:35hummm...
00:59:36um chantilly de coco,
00:59:39sálvia,
00:59:41tomilho,
00:59:42tudo muito leve e delicado.
00:59:44Nossa,
00:59:44que maravilha isso!
00:59:46E coco queimado.
00:59:48Hummm...
00:59:48Então, a ideia é exatamente o que eu tava comentando lá atrás.
00:59:53Se você ver aqui, o que é isso aí?
00:59:55Isso aí é um biju, uma coisa pequenininha.
00:59:58Mas tem, seguramente, mais que 10 preparos diferentes.
01:00:02E aí que eu vejo a beleza.
01:00:05Sabe?
01:00:05Aí que tá a beleza da confeitaria, da patisserie.
01:00:11E esse caramelizado é maravilhoso, gente.
01:00:14Exatamente.
01:00:14Esse caramelizado, ele vem do açúcar, da geleia também, do abacaxi, da compota do abacaxi.
01:00:22Ele fica potente, né?
01:00:24Sirva-se também, Marina.
01:00:25Sim.
01:00:26E aí prove o outro.
01:00:27Só que o outro, a sua pessoa vai ter que descobrir.
01:00:29O que que é?
01:00:30É uma outra versão de palmiê.
01:00:32Aí, inclusive, aí a pessoa não para.
01:00:35A pessoa, no caso, a minha pessoa.
01:00:37A massa folhada no AVC, massa lá tradicional.
01:00:41Só que a gente pode fazer variações, né?
01:00:43Vamos pirar, gente.
01:00:44Mais uma vez, é igual o tecido de chocolate.
01:00:47Por que você tá fazendo isso?
01:00:48Porque eu quero fazer.
01:00:49Eu preciso fazer, gente.
01:00:51A cabeça só descansa quando eu faço.
01:00:52E eu quero desenvolver umas massas folhadas, assim, palmiê, com sabores diferentes.
01:00:57Então, eu já tenho lá na estufa, assim, no laboratório, digamos assim, lá no meu ateliê,
01:01:02de chocolate, feita com cacau, canela, café solúvel.
01:01:06Já fiz vários testes com vários sabores diferentes, pra gente trazer o sabor também na massa.
01:01:11E essa que você vai provar, e agora que eu banhei, é diferente.
01:01:16Quero que você me diga o de que que é, Celina.
01:01:19Ai, ai, ai, gente.
01:01:20Eu tô me sentindo tão desafiada.
01:01:22Tô.
01:01:22Nossa senhora.
01:01:23Será?
01:01:23Será que eu vou conseguir adivinhar o que que é?
01:01:28Olha a responsabilidade.
01:01:33E aí, Celina?
01:01:34O que que é isso?
01:01:35Vou tomar um cafezinho primeiro aqui.
01:01:41Gente, eu senti uma coisa...
01:01:45Hã?
01:01:46Meio pequim.
01:01:48Hã?
01:01:49Talvez, gente, eu tô aqui, assim, talvez com o Poaçu.
01:01:54O estúdio, todo mundo querendo saber o que que Celina está provando.
01:01:59E o visual engana, né?
01:02:02Total, né?
01:02:04Essa é a massa folhada de cacau, com cacau 100%, obviamente.
01:02:11Canela e pimenta.
01:02:13Gente, eu errei tudo.
01:02:15Olha que absurdo.
01:02:15Mas isso aí é na massa folhada.
01:02:17Ah, o que temos no recheio?
01:02:18No recheio, nós temos um creme pralinê de castanha de piqui, que você acertou em cheio.
01:02:24Jura?
01:02:25E essa farofinha é um crumble de castanha de piqui também.
01:02:29E aí, tá banhado com chocolate 70%.
01:02:33Gente, isso aqui é uma perfeição.
01:02:36Fala se é castanha de piqui.
01:02:38Não é um trem de doido, menina.
01:02:40É uma coisa linda na vida.
01:02:42E a textura dela, né?
01:02:43Nossa, e pra quem fala que não gosta de piqui, só pras pessoas entenderem, que é aquele
01:02:50piqui no fundinho, tá bem assim, suave, gostoso, maravilhoso.
01:02:56Isso aqui é uma maravilha.
01:02:58Que invenção maravilhosa, hein?
01:03:00Interessante, não é?
01:03:01Muito.
01:03:02Eu acho que tem futuro.
01:03:04Com certeza.
01:03:05Vejamos onde isso vai dar.
01:03:07Tenho várias ideias.
01:03:09Assim, já fico pensando assim.
01:03:11Imagina que lindo.
01:03:12Transformar tudo quanto é sobremesa em palmier.
01:03:14Nossa.
01:03:15Pra quê?
01:03:16Pra nada.
01:03:17Não sei.
01:03:18Pode ser pra alguma coisa, né?
01:03:19Mas uma hora vai aparecer a oportunidade de usar.
01:03:23Pro meu deleite.
01:03:24E pra gente aqui também, ué.
01:03:26Estamos aproveitando demais.
01:03:29E, inclusive, eu quero tocar num ponto que é a questão da nossa confeitaria, que tradicionalmente
01:03:36a gente tem uma confeitaria mais doce.
01:03:38Sim.
01:03:38Com o uso de mais açúcar.
01:03:40Sim.
01:03:41Só que a gente vem numa evolução do paladar, o brasileiro tá começando a entender melhor
01:03:45que não necessariamente é a quantidade do açúcar.
01:03:49A gente tem que sentir o sabor dos ingredientes.
01:03:51E você já começou com essa ideia, né?
01:03:54Vindo muito, trazendo muito da confeitaria francesa.
01:03:58Como que você vê isso hoje?
01:04:00Você acha que as pessoas realmente estão mais dispostas a comer um doce, menos doce?
01:04:06Sim.
01:04:07Sim.
01:04:08O pessoal já começou esse movimento com o café.
01:04:11Muita gente, né?
01:04:12Já começou até...
01:04:13Muita gente já toma o café sem o açúcar.
01:04:16Quando a gente vai falar sobre uma confeitaria brasileira, de origem, que seja uma confeitaria
01:04:25que seja lá de trás, como eu falei, que não seja só essa coisa da influência europeia,
01:04:30a gente tá falando também de uma confeitaria sem leite condensado.
01:04:33O leite condensado veio quando?
01:04:34Quando que ele apareceu aqui?
01:04:36É recente, gente.
01:04:38Quando a gente vem falar sobre a cocada, sobre os doces em calda, sobre os doces de corte,
01:04:43são todos doces que...
01:04:45Por que que eu tô falando isso?
01:04:46Porque o leite condensado, ele tem esse poder de aumentar o dulçor, né?
01:04:53Eu fui aquela criança que abria a latinha de leite condensado e tomava no gargalo.
01:04:57Por que que ele não fazia isso?
01:04:58Pelo amor de Deus.
01:04:58Minha menina é doado.
01:04:59O sonho de Eduardo é fazer isso.
01:05:01Enfim.
01:05:01Você nunca deixou, Marina?
01:05:03Já.
01:05:03Claro, mas tem que passar pela experiência.
01:05:07Mas há muito tempo que eu venho nesse movimento também do açúcar e venho entendendo o açúcar.
01:05:13Porque o açúcar, ele é maravilhoso, gente.
01:05:15Vamos parar.
01:05:16Não tem esse negócio de não usar o açúcar.
01:05:18Não, não é nada disso.
01:05:19Mas o açúcar tem que ser o quê?
01:05:20Um aliado.
01:05:21E não vir e simplesmente tirar o sabor de tudo.
01:05:24Às vezes é tão doce que você come e a cabeça dói na hora.
01:05:28Sim.
01:05:28Então, todos os doces, eu me preocupo muito em ver a questão do açúcar.
01:05:36Tanto que eu gosto muito de usar o açúcar de coco.
01:05:39Gosto muito de usar o demerara, o mascavo.
01:05:43Às vezes misturo muito com os outros açúcares pra trazer um pouco de equilíbrio.
01:05:48Legal.
01:05:49E eu acho assim, eu acho...
01:05:51Gente, essa questão de estar preparado, a gente tem que apresentar.
01:05:55E trazer a possibilidade.
01:05:56Porque senão nunca vai acontecer.
01:05:57Não, senão as pessoas nunca vão ter oportunidade de experimentar, né?
01:06:01Não, não vão.
01:06:02E Marina, pra gente encerrar, eu lembro de uma passagem, de uma das nossas conversas,
01:06:08que você comentou que falavam pra você que, como você tinha as mãos muito grandes,
01:06:16que você não daria pra confeitaria, que precisava de mãos delicadas.
01:06:21E você é a prova de que a gente pode fazer o que ninguém espera.
01:06:28A gente pode fazer aquilo que a gente quer, né?
01:06:31E que mensagem você deixa pras pessoas, né?
01:06:34Assim, numa ideia de correr atrás dos sonhos, daquilo que a gente deseja.
01:06:39Não, e essa questão das mãos...
01:06:43E aí, minhas mãos, elas sempre foram grandes.
01:06:47Eu sempre fui alta, esguia, e as mãos sempre muito grandes.
01:06:50Eu tinha vergonha das minhas mãos.
01:06:52Porque todo mundo sempre falava das minhas mãos.
01:06:54Não, mas as mãos muito grandes, não dá pra fazer nada delicado.
01:06:57As mãos muito grandes, não dá...
01:06:59Porque todo mundo se acha dono da verdade pra querer te colocar no lugar que ele acha que você tem
01:07:06que estar.
01:07:06E eu acho que é muito por aí.
01:07:09Eu nunca...
01:07:10Há muito tempo que eu virei essa chave e eu estou onde eu quero estar.
01:07:16E se a pessoa, ela parte principalmente para o mundo da gastronomia.
01:07:21E hoje em dia, há muitos cursos, há universidades e tal.
01:07:26Ela tem que estar aberta a tudo isso.
01:07:30E a...
01:07:31É clichê falar acreditar no sonho.
01:07:33Mas eu não estou falando de sonho romantizado, não.
01:07:36Mas de uma coisa palpável.
01:07:37E defender isso aí.
01:07:40E defender isso aí de uma forma como você defende um filho, sabe?
01:07:45Eu falei brincando aqui nesse instante.
01:07:46Falei, ó, essa geleia é como se fosse um filho pra conseguir fazer esse brilho.
01:07:49Mas é isso, gente.
01:07:51E eu acho que quando você vem com essa garra, quando você vem com essa força,
01:07:54de forma respeitosa, não é você passando por cima de ninguém.
01:07:58Mas eu acho que você mesmo cocria toda a situação lá na frente.
01:08:06E você abre portas pra isso.
01:08:08É não ter medo.
01:08:09Porque vão ter críticas.
01:08:11Vão ter elogios.
01:08:12E, ó, gente, isso aí tem tudo quanto é lugar, Celina.
01:08:16E é uma coisa assim, que eu tenho zero preocupações hoje em dia.
01:08:19Eu estou onde eu quero estar.
01:08:21Se eu não me sinto bem, eu não participo.
01:08:23Como eu falei, eu sou uma pessoa que eu preciso de silêncio.
01:08:25Então, há muitas situações em que eu sou convidada.
01:08:28Às vezes eu poderia participar, poderia aparecer.
01:08:31Mas eu preciso pisar o pé no mato, do chão na terra, no mato.
01:08:34Eu preciso do silêncio porque é um carnaval na minha cabeça, minha filha.
01:08:38Senão, eu não consigo organizar nada.
01:08:42Mas eu acho que é muito isso, é ser verdadeiro, sabe?
01:08:44Porque isso reflete, né?
01:08:46Muito.
01:08:46O que a gente faz.
01:08:47Que bom, porque o seu trabalho é você, né?
01:08:49É muito autêntico.
01:08:51Eu gosto disso, de me ver no que eu faço, sabe?
01:08:55Que bom, que lindo.
01:08:56Obrigada.
01:08:57Ai, obrigada.
01:08:57Estou muito feliz.
01:08:58Que bom que você veio fazer parte dessa mesa.
01:09:01Amei.
01:09:02E volte mais, viu?
01:09:03Ficamos muito felizes mesmo.
01:09:04Obrigada.
01:09:05Temos várias pautas.
01:09:06Amei.
01:09:07Ó, vamos anotar.
01:09:08Vamos assistir de novo o episódio.
01:09:09Anotar tudo que a gente falou aqui.
01:09:11Vamos.
01:09:11Para retomar esses assuntos.
01:09:13Vamos terminar o cafezinho e chamar os meninos para provarem também.
01:09:15Todo mundo está doido para provarem.
01:09:16Vamos, vamos.
01:09:17Obrigada.
01:09:17E obrigada a você também, que ficou aqui com a gente até o final.
01:09:21Daqui a pouco, na outra semana, a gente volta com mais um episódio.
01:09:25Enquanto isso, você acompanha o nosso conteúdo de gastronomia às quintas e segundas.
01:09:30E também no nosso site, em.com.br barra degusta.
01:09:35E nas redes, nós estamos no arroba degusta ponto em.
01:09:39Até o próximo, então, gente.
01:09:41Tchau.
01:09:43Tchau.
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