Pular para o playerIr para o conteúdo principal
No episódio de hoje do podcast Uai Turismo um bate papo com o Chef Reinaldo Mendes, da Casa do Rei Bistrô, que fica em São Joaquim de Bicas.

Neste episódio, Isabella Ricci e o Chef conversaram sobre a identidade da cozinha mineira e a cozinha de quintal, o impacto da gastronomia no turismo, em especial do Inhotim e do Destino Veredas, e do terceiro lugar conquistado por ele na Copa Brasil de Catering 2026.

Reinaldo ficou em 3º lugar com um menu que exaltou a culinária tradicional do estado, incluindo ragu de costelinha com jiló, bochecha de porco glaceada na rapadura e brigadeiro de milho verde.


Acesse o site: https://em.com.br / https://uai.com.br

SE INSCREVA EM NOSSO CANAL NO YOUTUBE: https://www.youtube.com/@PortalUai

Siga o Portal UAI nas redes sociais:
Instagram - https://instagram.com/estadodeminas/
Twitter - https://twitter.com/em_com/
Facebook - https://www.facebook.com/EstadodeMinas/

#minasgerais #turismo #uaiturismo

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A raiz é um Nutella do outro levo.
00:01É um Nutella, é um Nutella.
00:02Olha só.
00:03Não, mexica.
00:06Nutella então?
00:08Nutellíssimo, pai.
00:08Agu de costelinha com gelovos, checha de porco, glaciada na rapadura.
00:13A minha avó não admitia discussão, briga, porque era outro tipo na mesa.
00:15Não aceita a hipótese dela ser usada para ser feita apenas em escapada, como sopa.
00:22Essa provavelmente não é a primeira cidade que você pensa quando se fala em viajar por Minas Gerais.
00:28Mas é lá que existe um restaurante genuinamente mineiro, que traz muita gastronomia mineira, mas também muita técnica.
00:36É sobre esse o tema de hoje do podcast Why Turismo?
00:54Ele é chefe de cozinha e sócio proprietário da Casa do Rei Bistrô, que fica em São Joaquim de Bicas.
01:01Ele é participante de vários festivais de gastronomia e culinária mineira e é um difundidor aí da nossa gastronomia.
01:08Apaixonado pela gastronomia de quintal, ele está sempre pesquisando, testando, criando pratos, inventando moda literalmente.
01:16Foi finalista da Copa Brasil de Kettering agora em 2026.
01:20Ele ficou em terceiro lugar com o menu que exaltou a culinária tradicional do estado.
01:25Olha só, ele incluiu ragu de costelinha com gelobo, checha de porco glaciada na rapadura e brigadeiro de milho verde.
01:34A boca aqui já encheu d'água. Bem-vindo, Reinaldo.
01:37É um prazer estar aqui com vocês, viu?
01:39Eu vou te chamar de rei.
01:40Por favor.
01:41Porque por causa do rei é rei e pronto e acabou.
01:43Todo mundo me chama de rei. Vamos embora.
01:44Rei, você fez uma transição de carreira, né?
01:47Você não nasceu na gastronomia, mas se apaixonou.
01:50Não, foi isso mesmo. Aos 38 anos, hoje eu tenho 45, eu comecei a tocar as duas carreiras juntos.
01:58Eu estava na educação, fiquei nela muitos anos, foram 20 anos.
02:02Você lecionava?
02:03Lecionava, fui vice-diretor de escola, então professor de português, né?
02:08Por 20 anos. E aí comecei a tocar as duas profissões juntas.
02:13Vi que não foi possível, né?
02:14O restaurante começou a tomar muito o meu tempo, então eu resolvi fazer a transição.
02:20Larguei o que era seguro, o que a gente tinha certo, que era um cargo efetivo e fui tocar a
02:28sua gastronomia.
02:28E de onde que vem essa conexão com a gastronomia e com a gastronomia da forma que você faz?
02:34A gente vai entrar um pouquinho mais daqui a pouco falando da sua forma de fazer cozinha,
02:39mas de onde que vem essa conexão de sair da educação?
02:43Isabela, então, eu venho de uma família de cozinheiros, então a minha paixão começa aí.
02:49Vocês são já aqui mesmo?
02:50Sim, eu sou de Belo Horizonte, mas a minha família já vive lá há muitos anos, há mais de 60
02:57anos.
02:57Então a minha mãe morou aqui um tempo, quando eu nasci a gente voltou para lá e lá a gente
03:01está até hoje.
03:03Eu via que todo o almoço, todo o jantar, todo o evento que envolvia a comida, era um evento.
03:12Então assim, juntava, vamos fazer um pastel.
03:15Então a minha avó pegava o cilindro, fazia a massa, abria a massa, cortava, recheava, fritava.
03:21Então não era só pegar um pacotinho de massa, tarará.
03:24Então sempre tinha ali uma celebração, muita gente rindo.
03:27E não era em volta da mesa, na verdade, era dentro da cozinha.
03:29Era dentro da cozinha, né?
03:30Então a gente ficava o tempo todo lá dentro da cozinha.
03:33Então daí eu fui começando a entender que era prazeroso estar ali, isso enquanto criança.
03:38Mas velho eu fui vendo que era legal.
03:41Um dia eu cheguei e falei, não, hoje eu vou cozinhar.
03:43E lembrando daquilo tudo que eu tinha visto, eu vou fazer alguma coisa.
03:48Saiu algo bem interessante de primeira, né?
03:50Pra quem não tinha nenhuma experiência.
03:52E aí foram muitos elogios, muita coisa boa.
03:56Falei, gente, então esse trago desse cozinhar é bom mesmo, né?
03:58Você serve comida, as pessoas te dão muitos elogios em troca.
04:02E a gente ri, brinca, conversa.
04:04E a minha avó não admitia discussão, briga, qualquer outro tipo na mesa.
04:08Então, na mesa não.
04:10Então assim, era raríssimo ter um momento ruim.
04:14Em volta da mesa.
04:15Então assim, eu cresci com aquilo e mesmo não pensando nisso profissionalmente.
04:20Porque enquanto criança eu nem sabia que existia essa profissão.
04:25Eu fui tendo uma...
04:29Eu fui associando.
04:30Isso.
04:31Você criou uma relação mesmo.
04:32Uma relação com ela.
04:33E fazer comida, estar ali na cozinha era sempre muito prazeroso.
04:38Então eu fiquei com aquilo.
04:40Salvei aquilo comigo, né?
04:41Trouxe aquilo comigo.
04:41E aí você virou um inventor de pratos.
04:45Eu não gosto da palavra releitura, não.
04:47Porque releitura parece que a gente sempre está francesando o negócio.
04:51Mas não, você pega.
04:52E assim, eu sou consumidora de casa do rei.
04:55Eu sei o que você faz dentro da cozinha.
04:57Verdade.
04:58Você pega, na verdade, ingredientes genuinamente mineiros.
05:02Que são feitos de uma forma e fazem de outra forma.
05:05É.
05:05Exatamente.
05:06De onde você tirou isso, rei?
05:08Eu não...
05:09Por exemplo, eu vou te dar como exemplo a canjequinha.
05:12Eu não aceito a hipótese.
05:14A gente estava falando dela aqui agora.
05:16Antes de começar.
05:18Eu não aceito a hipótese dela ser usada para ser feita apenas ensopada, como sopa.
05:24Então eu penso, eu olho aqui e falo assim, não gente, isso é muito mais rico do que somente uma
05:29sopa.
05:29Uma sopa bem feita é maravilhosa.
05:31Ponto final.
05:33A gente não está falando isso.
05:34Mas eu posso transformá-la em uma canjequinha cremosa.
05:38Eu posso fazer dela um bolinho.
05:39Eu posso fazer com ela outras preparações.
05:43E quando você vai, pesquisa um pouquinho, entende um pouquinho.
05:48A canjequinha no passado foi usada no gabarroso em muitos lugares.
05:51Olha só.
05:52Que não chegavam arroz nessas roças interiores.
05:55Então usava-se a canjequinha ali refogadinha, soltinha como um arroz.
05:59É mesmo?
06:00Então tudo é modo de preparo.
06:01E eu entendi isso.
06:02Falei, não, então vamos preparar de maneiras diferentes que a gente consegue resultados diferentes de um mesmo produto.
06:10E como é que é esse processo seu?
06:12Eu ligo muito a cozinha à arte.
06:15Para mim, são formas de arte, uma forma de expressão artística.
06:20E cada artista tem o seu processo criativo e ele varia.
06:24A forma que você faz cozinha não é igual a de outro chefe.
06:28Como é que é esse processo de olhar para a canjequinha,
06:30comer a canjequinha lá com a costelinha e falar assim,
06:32não é que isso aqui pode dar um bolinho?
06:34É tipo isso.
06:36É tipo isso.
06:37Às vezes dá até alguma coisa errada.
06:38Eu falo assim, peraí, mas se eu acrescentar isso aqui e tal,
06:42isso aqui pode virar um bolinho.
06:43Gente, vamos fazer isso aqui.
06:44Vem cá.
06:45Para aí.
06:45Vem cá.
06:46Aí é na hora.
06:46É na hora.
06:47É na hora.
06:48Ou me vem uma ideia.
06:50Às vezes eu estou sentado, estou pensando, tem que criar para um festival.
06:52A gente olha para sacar, saca aquela cara de caixinha do nada, você está até pensando.
06:56Exatamente.
06:56Estou longe.
06:57O pessoal olha para mim e fala assim, o rei está voando.
06:59Não, o rei está pensando, está tramando alguma coisa.
07:02Aí às vezes eu pego a carteira e saio correndo,
07:04porque preciso de algum ingrediente que não tenha no restaurante.
07:07Vou buscar e tal.
07:09Aí eu já ouço de longe, porque eu estou concentradão.
07:12Ele vai testar.
07:13Vem coisa boa aí?
07:14É mesmo.
07:14Nem sempre sai coisa boa, tem vezes que sai coisa muito estranha.
07:18Porque a gente só vê a parte boa.
07:19A parte boa, é.
07:21Para eu chegar nesse bolinho mesmo, foram seis meses de teste.
07:24Para eu chegar na textura que eu queria.
07:26Gente, eu nunca vi na minha vida, foi o único lugar que eu vi um bolinho de canjiquinha.
07:30Um bolinho mesmo, assim.
07:31O rei tem que voltar com isso para o cardápio, tá?
07:33Claro, com certeza.
07:34Ah, eu fazendo, fazendo compromisso.
07:36Não, eu vou voltar.
07:37Eu vou voltar.
07:38Ele realmente é muito bom.
07:41É maravilhoso.
07:41Ela é crocante por fora, né?
07:43E é bem...
07:44É uma coisa que a gente não imagina.
07:46E assim, eu, como uma leiga que cozinha só arroz e feijão, porque mineiro tem que fazer pelo menos isso,
07:51né?
07:51Arroz, feijão e ferve água por café.
07:54Eu fico olhando e falo como que uma canjiquinha vira um bolinho crocante?
07:57Assim, eu não sei se é porque na minha cabeça eu só vejo o ensopado e eu não consigo perceber
08:02uma outra forma de trabalhar canjiquinha.
08:05É exatamente nisso que eu penso.
08:08Esse olhar que eu tenho.
08:09Eu vou naquilo que é mais comum, hora pronópolis.
08:12Dá na cerca de todo mundo.
08:13Pois é.
08:14Conta a sua história de hora pronópolis.
08:15Então, assim, lá em Bicas, todo mundo sabe que eu roubo hora pronópolis.
08:19Eu roubo, gente.
08:20Seu fornecedor.
08:20Quem que é seu fornecedor?
08:21Seu fornecedor é a cerca do vizinho.
08:24O pessoal passa e fala assim, pode ficar à vontade, viu?
08:27Eu já estou.
08:28Porque é muito complicado você encontrar um fornecedor.
08:32Às vezes você encontra na Serasa, às vezes não.
08:35De hora pronópolis.
08:37E é caríssimo aqui em Biasco, em São Paulo.
08:39É caríssimo.
08:40Mas a gente que está no interior, toda cerca tem um pé de hora pronópolis.
08:45Por quê?
08:45Além dele ser bem saboroso, ele dá flor, pouquíssima gente sabe.
08:49Ele dá fruto, pouquíssima gente sabe também.
08:51E ele protege, porque ele tem garras, tem espinhos bem severos.
08:57Algumas variedades.
08:58Não é soltismo de hora pronópolis também?
08:59Não, são vários.
09:00Tem grande, tem pequeno, tem cor de ouro.
09:02Tem um que é lindo, desta cor aqui.
09:03É mesmo?
09:04E tem com espinho, sem espinho.
09:06E o sabor não varia muito não?
09:08Não, eu nunca percebi.
09:10Eu não experimentei todos ainda.
09:12Mas os que eu já experimentei varia pouca coisa.
09:15Bem pouca coisa.
09:16Uns são mais úmidos, outros menos.
09:18Uns mais molhadinhos.
09:19Enfim, então no interior tem muito pé, porque usa-se também para segurança e para aglamentação,
09:25claro.
09:25Então, faz aquelas moitas lindas.
09:27Lógico, eu vou pegá-la.
09:28É aqui mesmo.
09:28Claro.
09:29E aí você inventou, foi muita coisa.
09:31Muita coisa, muita coisa.
09:32Eu tenho muitos pratos lá no restaurante que vão o hora pronópolis.
09:38Eu tenho até o risoto, que a finalização dele é com uma flor, que eu faço com as folhas
09:43do hora pronópolis por cima.
09:44Olha só, você tem imagem dele, eu vou colocar aqui na hora que a gente editar, que aí vocês
09:49vão ver do que nós estamos falando.
09:51Sim, sim, te mando sim, claro.
09:52E aí, desses pratos todos, você também participou aí mais de uma vez do Prato da Boa Lembrança.
09:59Sim, a gente é associado desde 2023.
10:02O que que é?
10:03Vamos falar só uma linha geral, porque às vezes as pessoas não sabem o que é o Prato
10:06da Boa Lembrança.
10:07É uma associação?
10:08É, chama-se Associação dos Sessourantes da Boa Lembrança.
10:12Ela é inspirada na Associação do Bom Recordo na Itália, que prega o seguinte, toda
10:16vez que você vai comer, que você vai ter uma experiência legal, que você vai comer
10:18uma comida boa, você leva um souvenir pra casa, pra guardar de lembrança.
10:23Então a ideia é essa.
10:24Que inclusive os meus deviam estar aqui agora, né?
10:26É, e eu deveria ter trazido um pra você de presente, Gaff Me, como colecionadora.
10:31Então é o seguinte, todo ano a gente tem que refazer, fazer uma nova receita do Prato
10:37da Boa Lembrança, porque nós somos 99 restaurantes associados pelo país.
10:42Bom, não pode mais que isso.
10:44Vão chegar a 104, mas a partir de 27, com autorização da nossa Assembleia.
10:50Então assim, é um grupo muito restrito.
10:52Diante disso, uma vez por ano a gente tem que renovar a nossa receita e criar um novo
10:58prato e consequentemente uma nova louça, porque a louça, o desenho da louça faz
11:02uma alusão ao que você está comendo, ao que é servido.
11:07Bom, então é uma coleção basicamente infinita.
11:10Todo ano você tem 99 pratos no país afora.
11:14Então você pode fazer suas viagens condicionando com lugares que tenham
11:18restaurantes da Boa Lembrança, pra você trazer o seu prato.
11:22Então a gente está desde 2023, já vamos lançar esse ano o oitavo prato,
11:27porque a gente lança dois por ano, então a gente lançou, 24 foram dois, 25 foram dois,
11:33na verdade nós vamos lançar o sétimo.
11:36Vamos lançar, a gente já lançou o 2026 e em agosto a gente sempre lança uma louça
11:42especial de aniversário.
11:43E a gente pode ter algum antigo?
11:45Ou não?
11:45Só entre colecionadores, você só tem aquele ano pra você comprar.
11:49Só aquele momento pra ele.
11:50Só o tempo vigente dele.
11:52Acabou, acabou.
11:52A cerâmica não produz nem pra nós que somos associados.
11:55Se o meu prato quebrar, eu fico sem prato.
11:58É mesmo?
11:58É bem...
11:59Eu tenho arroz de frutos do mato.
12:02Sim.
12:02Tenho mais um.
12:03E tem um outro que acho que eu perdi, né?
12:05Que é a Grazi.
12:05Ai, que é tipatia.
12:06Não tem um desse?
12:07Tenho, tenho.
12:08Gente, esse nome é maravilhoso.
12:09Não, mas esse nome é muito Minas Gerais.
12:11Ou é tipatia, né?
12:11É tipatia.
12:13Eu tenho essa palavra escrita lá.
12:15É muito bom.
12:15Ai, a gente...
12:16Olha pra você ver a minha ideia.
12:17A gente testou o prato e tinha uma mistura diferente com o sobu, com purê de abóbora e tal.
12:23E na hora que o trem ficou pronto, eu olhei e falei assim, não, mas ficou bonitinho demais, gente.
12:26O Diego virou pra mim e falou assim, hey, você tem tão tipatia, viu?
12:30Que é tipo, tá aí.
12:31É tipatia.
12:32A gente fala muito isso.
12:34E ficou.
12:35E ai, a gente fez a foto ali e já mandou.
12:37Falei, olha, o prato tem que ter um boi e tal, porque tem tais carnes, uma abóbora e tudo,
12:43mas o nome é esse.
12:44Da onde vem, falei...
12:45De Minas Gerais.
12:47É nosso, deixa quieto.
12:48Ai, eles nem...
12:49Quando sou eu, porque a cerâmica fica no Rio, né?
12:51Eu tenho o Como É Que Pode, eu tenho a tipatia, eu tenho o Arroz de Frutos do Mato,
12:57eu tenho o Atrevidim, que é um prato muito atrevido.
13:01E ai, a Fátima já começa a rir e fala assim, não, rei, você é ótimo com o nome dos
13:06seus pratos.
13:06Eu amo o Mineiro, gente.
13:08Se fosse ganhar o nome, a criatividade do nome, você é seu, né?
13:11Era meu, com certeza.
13:12Ô, Rei, e olha só, você falou dessa associação, né?
13:16Sim.
13:17Da Boa Lembrança.
13:18E ela realmente, assim, quem é colecionador se estimula mesmo a decidir para qual destino vai
13:25por causa do restaurante.
13:26Com toda certeza, Isabela.
13:28E ai, queria falar sobre isso também, né?
13:31Você tem São Joaquim de Bicas.
13:34Não é uma cidade com tradição turística em Minas Gerais.
13:38Sim.
13:39A gente, graças a Deus, Minas Gerais está conseguindo se reinventar, né?
13:42Assim, acho que a gente está saindo...
13:44O nosso histórico cultural é maravilhoso, mas a gente está conseguindo mostrar que a gente tem muito mais, né?
13:49Com certeza.
13:49E a Casa do Rei virou para São Joaquim de Bicas um atrativo e um ativo turístico, né?
13:59Como é que você percebe, assim, o que é desafiador de não estar numa cidade turística e o que acaba
14:04sendo oportunidade
14:05justamente por não estar numa cidade que já é grande, conhecida ou muito tradicional do público?
14:12O desafiador é isso, né?
14:14Porque você depende, basicamente, do pessoal de uma cidade pequena, né?
14:19Da população da cidade pequena, porque Bicas tem 35 mil habitantes.
14:22E você depende mais ainda dos turistas, né?
14:26Então você fica ali à mercê esperando eles chegarem.
14:28Se fosse uma cidade consolidada já turisticamente falando, como Tiradentes, por exemplo, era feijão sem bicho, né?
14:36O dia inteiro com o restaurante cheio.
14:38Então, assim, isso para mim é um lado bem desafiador.
14:42Seu atrevidinho, então, é por causa disso, né?
14:45É, é.
14:46É basicamente isso.
14:48Mas, por outro lado, eu vejo muito essa questão das pessoas, por causa da Boa Lembrança,
14:54por causa da Casa do Rei, por causa da região que tem se despontado ali, né?
14:59Começado também a se mostrar turisticamente falando.
15:04A gente já tem turistas que planejam.
15:07Eles falam comigo, eles ligam e falam,
15:09Hey, olha, eu estou indo em agosto, eu vou fazer a minha visita a tal lugar, ao meu team.
15:14Eu vou e tal, eu quero pregar o...
15:16Aí eu aproveito e pego os seus dois pratos da Boa Lembrança, o do ano e o do aniversário.
15:20Então, assim, a gente vê muito isso.
15:21O planejamento do turista...
15:23Em torno do que ele quer fazer.
15:25Em torno do que ele quer fazer.
15:26Hoje em dia, ele já sabe o que ele quer fazer, ele já planeja.
15:29Então, assim, ele já me liga, às vezes, em fevereiro.
15:31Eu já tenho turista que já marcou que vai lá, vai jantar lá em agosto,
15:37porque sabe que eu tenho os dois pratos.
15:39Olha que legal.
15:39Eu vou estar com os dois pratos vigentes.
15:40Vai estar na transição?
15:42Não, é porque eu vou estar com o do aniversário,
15:44que eu faço um especial, uma edição especial que fica aí de agosto até dezembro.
15:48Entendi.
15:49Então, eu fico com os dois naquele tempo, o do ano e o do aniversário.
15:51Então, para quem coleciona, é uma vantagem, vai levar dois pratos diferentes.
15:56E aí, ele já se projeta nisso.
16:00Então, eu acho isso muito interessante.
16:02Isso, para mim, é uma vantagem.
16:05E hoje, a Casa do Rei acabou tomando uma proporção
16:11em que a gente, assim, é comum você chegar e passar por uma mesa
16:16que você fala assim, que língua esse povo está falando, pelo amor de Deus?
16:19Aí, o Diego vira para mim e vai ser francês.
16:21Eu falo assim, vou nem beirar esse, porque eu falo só mineirês mesmo.
16:27Então, aí, às vezes, o Diego, a Lourdes, eles falam inglês, então eles conversam.
16:33Então, a gente teve lá já inglês, sueco.
16:35Olha que bacana.
16:41Francês, portugueses.
16:42Essa semana retrasada, tinha um grupo, seis portugueses.
16:45Olha isso.
16:46Eram quatro portugueses e dois franceses.
16:48Eu achei lindo, assim, eles conversando e rindo, escandalosos, gritando.
16:51No meu quintal.
16:52É mineiro mesmo, né?
16:53Eu quase puxei a cadeira.
16:54Não foi à toa, né?
16:55Foi, não.
16:55Foi, não.
16:56O Rei, para as pessoas se localizarem, São Joaquim de Bicas está a quantos quilômetros de Belo Horizonte?
17:00Então, está a 35 quilômetros de Belo Horizonte.
17:03É perto, na saída para São Paulo.
17:04Na saída para São Paulo, 381 direto.
17:06Contagem, Betim, São Joaquim de Bicas.
17:08Passou a ponta para o Pebla e já é Bicas.
17:10Então, assim, com trânsito bom, é muito rápido chegar.
17:13Eu já fiz de BH a Bicas, 32, 35 minutos, sem correr muito, no momento que o trânsito estava fluindo.
17:21Está bem pertinho.
17:22E aí, a gente sabe que a gente tem um entorno ali, né?
17:25Que é o destino Veredas.
17:26Sim.
17:27Você tem o Inhotim, bem próximo.
17:29Provavelmente, você tem muita gente do Inhotim que são os mais curiosos, que buscam a Casa do Rei.
17:36Qual que é a importância, assim, de estar integrado a um destino regional, assim?
17:41Fala um pouquinho, assim, do impacto do Inhotim e do destino no seu negócio, no restaurante.
17:46O que que acontece?
17:46Nós somos o...
17:47O destino são 14 municípios hoje.
17:51Então, a gente difunde ali essa região inteira, a gente divulga essa região inteira.
17:55Então, sempre, a gente acaba se conhecendo e tal, né?
18:00Então, a gente conhece um chefe de bom fim, ou uma chefe, ou tal.
18:07Então, assim, isso facilita muito pra gente, porque a gente acaba se unindo pra divulgar aquela região.
18:12O Inhotim hoje é o ponto de partida do Veredas, né?
18:16Então, é o marco zero ali, vamos pensar assim.
18:19E dali a gente caminha pro restante.
18:22O Inhotim, ele é o atrativo.
18:25O grande motivador, né?
18:26O grande motivador, né?
18:27Para o turista, aquele que vem em busca de arte.
18:31Então, assim, faz com que a gente acabe recebendo muitos clientes, muitos turistas,
18:37que vem porque uns procuram sozinhos, outros vão, vem por indicação dos parceiros do Veredas.
18:44Olha que bacana.
18:44Então, a gente já se une.
18:46Aí, eles chegam lá e falam assim, eu rei pra jantar, que bacana e tal.
18:49A gente queria fazer uma experiência diferente.
18:51Eu falava, então, tem o coração com o Renan, o coração em branco, tem o jantar de drinks com a
18:56Marcela,
18:56tem o balão lá em Brumadinho, tem o restaurante em Bonfim.
19:00Então, a gente acaba se divulgando.
19:03Um vai divulgando, o outro, os parceiros, as pousadas fazem muito isso.
19:07E mostrando que tem muito mais possibilidade além do Inhotim, né?
19:10É, é, é.
19:11E aí, eles ficam surpresos, porque eles vêm em busca somente do Inhotim.
19:16Ah, então, da próxima vez, eu virei com uma semana.
19:18Eu falei assim, venha com uma semana e se hospede na região.
19:22Porque, para nós, é importante que o turista fique lá.
19:24Com certeza.
19:25É, ele ficar aqui em Belo Horizonte.
19:26É importante para a região e é bom para ele, né?
19:29Que acaba fugindo desse trânsito pesado que a gente tem de Belo Horizonte até chegar lá.
19:33Muito mais cômodo.
19:34Ele tem lugar para jantar, ele tem lugar para almoçar, ele tem ocupação.
19:37O dia todo.
19:38Então, assim, né?
19:39Se ele se organizar e se...
19:41A Casa do Rei está a quantos quilômetros?
19:43Ou a quanto tempo de distância do Inhotim?
19:44São 16 quilômetros da portaria do Inhotim.
19:47Olha, isso é muito perto.
19:48É muito perto, muito perto.
19:49Não vale a pena, assim, você pode comer bem, né?
19:51Você vai caçar, ficar em trânsito.
19:52Eles falam isso, né?
19:54Eles olham, quando chegam lá e falam assim,
19:55Ah, eu não acredito que a gente vai ficar aqui só um dia e o resto vai para Belo Horizonte.
19:59Podia ter ficado por aqui.
20:00Mas a gente não soube que o que fazer vai dar.
20:03Procura sempre a gente, o destino, né?
20:06Porque Minas é difícil de consumir, assim, né, Rei?
20:09Porque o estado é muito grande, é do tamanho da França, né?
20:12Assim, eu sei que...
20:14Nosso país, né?
20:15Nosso país.
20:15Nosso país, Minas Gerais.
20:16Vocês se promovem praticamente que na marra,
20:19porque não é tanto apoio para dar visibilidade, eu acho que a região merece, né?
20:24É isso que eu ia falar agora.
20:26O turista, ele chega, ele chega sem saber basicamente o que tem.
20:30Ele descobre quando ele já está lá.
20:31Ele descobre quando ele está lá, mas aí ele já planejou a viagem dele.
20:35Então é um ou outro que vem mais desavisado, que vem para descansar, digamos assim,
20:40que esse vai ao Inhotim, que é um lugar para comer e uma pousada confortável.
20:44Ponto.
20:44Ele cansou ele de ficar descansado, aí ele começa, o que ele tem para fazer?
20:50Entendi.
20:50Onde que eu posso ir?
20:51Você já conhece até o comportamento.
20:53É, então aí a gente já vai falando com ele, fala, olha, procura tal lugar, procura tal pessoa,
20:58liga para fulano, entra em tal site, entra em tal Instagram, se você entrar no veredas,
21:02você vai ver tudo isso.
21:03Tem muita coisa, né?
21:04Então aí eles acabam entendendo.
21:08E bom que eles mesmos estão fazendo essa divulgação também, o boca a boca, né?
21:12Para nós, que estão ajudando muito.
21:13Sim.
21:14E aí acaba voltando, né?
21:15Na verdade a pessoa acaba se programando para voltar, né?
21:18Sim, sim.
21:18Eles têm feito muito isso.
21:19Eu já tenho turista que já é cliente meu, assim, fixo.
21:23De carteirinha.
21:24A cada ano, a cada dois anos, junta com o prato da Boa Lembrança e aí junta com o
21:28Inhotim sempre tem exposição nova também, né?
21:30Sim, sim, sim, sim.
21:31O Rei, e aí, assim, além do restaurante, né?
21:34Além dessa movimentação toda que você tem lá no Casa do Rei, você também participa
21:37de muitos festivais gastronômicos, né?
21:40Qual que é a importância, assim?
21:41Eu queria que você me falasse primeiro, assim, a importância, especialmente em Minas
21:45Gerais, porque a gente sabe que tem festival de focão no país inteiro.
21:47Sim.
21:48Qual que é a importância dos festivais para Minas Gerais e vale qualquer festival?
21:54Como escolher qual festival?
21:57Se vale a pena eu participar, se não vale, é como chefe.
22:00Então, eu, Reinaldo, chefe Reinaldo, rei, eu gosto dos festivais que valorizam tradição
22:08culinária local, que validam a história da localidade, da cidade, da região, da gastronomia
22:16de quintal, porque, assim, hoje em dia, tá muito bacana, é como você disse, tá pipocando,
22:22né?
22:23Tem festival em tudo quanto é lugar.
22:24É todo mundo que quer ter o seu festival.
22:25Todo mundo, festival do torrezo, festival da pipoca, festival do cachorro quente.
22:29Esses dias eu vi um monte e falei, meu Deus, né?
22:32Vamos...
22:32Vamos com calma, né?
22:34Com calma.
22:35Tá feio.
22:35Para que tá feio.
22:37Para que tá feio.
22:38Então, assim, eu gosto dos festivais tradicionais, daqueles que trabalham comida de raiz, que pegam
22:43aquela cozinha de quintal, porque isso, infelizmente, é uma coisa que eu acho que
22:46a gente vai se perder.
22:48O que é cozinha de quintal, Reina?
22:50Cozinha de quintal é aquela cozinha da vozinha da gente ali, daquele pessoal que, né?
22:54Você olhava o que tinha no quintal.
22:55Entendi.
22:56Tem uma galinha, vamos matar galinha, tem um pé de orapronobis, um pé de couve, tem
23:03uma mandioca.
23:05Entendi.
23:05E a couve hoje tá bom, eu vou de orapronobis.
23:07Vou de orapronobis e tal.
23:08Tem a hortinha lá, então tem um tomate e tal.
23:11Então, assim, é isso.
23:13E isso, hoje em dia, tende muito a se perder, porque pouquíssimas pessoas estão se interessando
23:19em documentar.
23:20É mesmo.
23:21Então, assim, a gente tem muito pouco registro disso, principalmente na nossa região.
23:25É mesmo, Rei.
23:26Assim, com esse movimento gastronômico todo.
23:27Com esse movimento todo.
23:29Documentar essas receitas, pouquíssimas pessoas têm.
23:32Como é que é?
23:32Fica na cabeça?
23:33Fica na cabeça.
23:34Você pergunta pra elas, assim, como que é?
23:35É no olho, Rei.
23:36Às vezes eu me interesso.
23:37Isso você fala a senhora.
23:38As senhorinhas lá e tal.
23:40Eu pego, às vezes tem umas de 70, 80, 90 anos que estão fazendo.
23:43Ana Maria do sindicato, uma figuraça lá de garapé.
23:47Ela tem 90 anos já.
23:49E aí ela vai, eu chego lá, ô da Maria, me ensine e tal, meu fim.
23:55Então, vem cá, ó, é um punhadinho disso aqui, um punhadinho de pé.
23:57E vai pondo.
23:58Então, assim, elas não têm essa receita, porque tem na cabeça.
24:03Então, geralmente não tem inscrito, não tem ninguém que está documentando isso.
24:07E a vida moderna e corrida que nós estamos levando hoje vai fazer com que isso se perca.
24:11O tanto de mestra da nossa região que já não participa mais do festival.
24:15Por conta da idade avançada.
24:17E a família não tem interesse em ocupar aquela vaga, em dar sequência, em dar aquele apoio.
24:25Então, assim, tem umas que não querem por mês, porque já não estão mais com idade e tudo.
24:29Já fizeram sua contribuição.
24:31O Igarapé, bem temperado, que vem aí agora, agora em maio, já tem 18 anos.
24:37Então, é um festival antigo.
24:38Muitas já começaram idosas, né?
24:40Já começaram idosas.
24:42Então, você pensa bem, quem tinha 70 anos, 18 anos atrás, quem tinha 80 anos.
24:45E é um movimento muito legal, né, Rei?
24:47Porque não é o do chefe.
24:49Não.
24:49São das mulheres, das senhoras mesmo.
24:52Mulheres, das senhorinhas.
24:52Que vocês batizaram de mestras, né?
24:53Porque elas nem se percebiam dessa maneira.
24:55Não, não, não.
24:55E é uma luta, porque elas se convencem de que ela é uma mestra.
24:59Ela é uma cozinheira.
25:00Ponto.
25:00Aí a gente explica o que é uma mestra.
25:01Esse é o problema do mineiro, né?
25:02É, ele é muito modesto, né?
25:04Não é assim mesmo.
25:04Não, não é assim mesmo, não.
25:06Porque a gente sai daqui e a gente passa fome.
25:07A sabedoria que elas têm...
25:09Ah, poucos chefes têm.
25:11É mesmo.
25:11Eu falo isso com elas.
25:13Quando eu peço uma orientação, você fala assim, como que a senhora fez isso?
25:15Me conta.
25:16Ela fala assim, ah, eu vou te ensinar.
25:18Ela fala assim, por favor, por favor.
25:20O livro não ensina a gente, não.
25:21Ensina muito pouco.
25:23O que ensina a gente é a prática.
25:24Eu vendo a senhora fazer aí, ó.
25:26Então, assim, o meu medo é que isso suma.
25:28Então, a minha preferência de festivais é para este tipo.
25:31Entendi.
25:31Porque isso tende a se perder.
25:33A gente vive uma vida corrida hoje que comprar uma comidinha embalada.
25:37Os mercadores, sabe?
25:37Ela tá vendendo salada, higienizada e picada.
25:40Você abre aquela embalagem, joga azeite e come.
25:44Então, assim, quem é que vai fazer um pão de queijo?
25:46O trabalho que dá escaldar um polvilho, acender um fogão, fornalém então, Routor?
25:51Quem vai fazer isso?
25:51Quem tem um fornalém em casa hoje?
25:53É verdade.
25:54Então, isso vai se perder.
25:55Quem vai fazer um biscoito de polvilho, você vai lá na padaria, tá comprado, pronto.
26:00Você chega lá e tá lá, bonitinho.
26:02Mas que também é industrial, né?
26:03É industrial, já não é mais o mesmo.
26:05Você não sente aquele gostinho de fumaça.
26:07Por isso que você acha que tá ficando mais caro.
26:08Por isso, né?
26:09Porque a gente tá trazendo um valor do que era tão comum pra gente.
26:13É a lei da oferta e da procura, né?
26:14Assim, não tem mais.
26:15E a gente vê, e eu tenho muito medo e me entristece.
26:20Ver que isso pode desaparecer, que isso pode acabar, porque é patrimônio.
26:26É patrimônio cultural e gastronômico de meio geral, gente.
26:30Os saberes dessas senhoras, isso é patrimônio.
26:33E vai embora.
26:35Então, pra mim, esses são os festivais que valem a pena participar.
26:39Como expositor, como chefe de cozinha, como orientador, apresentador de cozinha show e como frequentador, simplesmente.
26:47Porque você também consome, né?
26:48Consome muito.
26:49Toda hora eu tô lá.
26:50Se eu estiver trabalhando, eu passo assim, não gostei desse prato.
26:52Tem que voltar pra mim, daqui a pouco eu volto.
26:54Claro, você acha que eu vou perder a chance de comer angu, costelinho, cansanção?
26:59Não vou, não vou.
27:00Você não acha isso.
27:01Cansanção, você fala isso com a nova geração, eles não sabem o que é.
27:03Nem sabe o que é, né?
27:04Nem sabe o que é.
27:06E a gente também já não acha mais o sabor lá, né?
27:08Não, não acho.
27:08A gente só acha realmente isso.
27:09Eu não tô te falando, eu não acho hora pronópolis pra comprar.
27:11É difícil.
27:12Você tem que, em lugares específicos, pagar o olho da cara por um molho, um maço de hora pronópolis.
27:18Enquanto lá, nas bicas, tem julgado pra ser café.
27:20Olha isso, gente.
27:21Entendeu?
27:22E no restaurante, como é que você equilibra essa tradição e a modernidade ou a alta gastronomia?
27:29Não, você nem tenta equilibrar.
27:31Você só vai construindo os seus pratos mesmo.
27:34Tem que equilibrar?
27:35Você tem que entrar nessa leva de chefes super...
27:38Tô falando mal, não.
27:40Sim, entendi.
27:42É difícil falar assim, porque Minas Gerais, pra mim, é uma coisa muito de fartura e tal.
27:45A comida francesa é boa na França, a mineira é boa em Minas.
27:48Sabe?
27:49Eu sou geográfica.
27:52Muitas técnicas que a gente usa hoje podem não parecer, mas são francesas.
27:57Tá enraizada.
27:58Tá enraizada.
27:59No modo de fazer comida.
28:00Vem, vieram nos portugueses, enfim.
28:02A gente pegou um ingrediente ali indígena, um africano e empregou aquela técnica.
28:08Então, pronto.
28:09Fiquei decepcionadíssimo.
28:11Estudando, eu descobri que pão de queijo não é mineiro.
28:14Existem variações de um pãozinho muito parecido lá na Europa.
28:17Eu falei, ah, não.
28:18Vocês estão de brincadeira.
28:19Nós vamos discutir aqui agora.
28:20Acabou, meu mundo caiu.
28:21Queria discutir com a minha professora de cultura...
28:25Cultura...
28:26Gastronômica.
28:26Cultura e história da gastronomia.
28:30Mas aí a gente brincou.
28:31E toda ela falou assim, não, é mesmo.
28:32Eu falei, não, não sei.
28:33Então, assim, acaba que eu não busco muito.
28:39Eu quero fazer um prato equilibrado.
28:42Que tenha crocância, algum elemento com acidez, cor, sabor, textura e tudo.
28:49Mas não preocupo muito com essas coisas muito modernas, não.
28:52Entendi.
28:53De fumaça, espuma, aquela sobremesa que fazem assim, parece uma árvore.
28:58É muito bonito.
29:00É um salzinhozinho, né?
29:01É muito bonito.
29:02Sim.
29:03Eu concordo que seja.
29:05Muitas vezes é saboroso também.
29:07Mas eu gosto muito de um prato bem...
29:09De um prato que seja basicamente equilibrado, tenha beleza e sabor.
29:14Porque, assim, me deixa mais feliz.
29:17Eu fico mais feliz em te ver mais satisfeita do que te ver mais deslumbrada com a beleza.
29:23Fala assim, o sabor.
29:24Estava bom.
29:25Não, eu gosto que você come e fala, nossa, rei, que que é isso?
29:29Que bolinho de candiquinha que é esse?
29:31Que fica na memória, né?
29:33Quanto tempo eu comi.
29:35É.
29:35Porque está muito na moda também o termo afetividade.
29:38Todo mundo faz um brigadeiro, brigadeiro, afetivo.
29:41Tá chato.
29:41Não sei o que é afetivo.
29:42Cozinha afetiva.
29:44Não, a cozinha afetiva é essa aí.
29:46Você falou assim, nossa, rei, você me fez lembrar da minha avó.
29:48Eu não esqueço, eu fiz um evento privado em Garapé.
29:53O ano de 2024.
29:55Eu estava para abrir o guisado.
29:58Eu fiz esse evento.
30:01Eu fiz...
30:02O cara fez um...
30:03Ele me contratou.
30:07Virou para mim e falou assim,
30:08Ô rei, é porque eu vou abrir uma destilaria de gin, um lugar muito bacana lá em Garapé.
30:13E virou para mim e falou assim, você vai comandar o jantar.
30:15Falei, o que você quer?
30:16Ele falou assim, o que você quiser fazer.
30:18Falei, não faça isso.
30:20Você deve estar buscando uma massa, um filé mignon, um grelhado e tal, um pesto.
30:24Ele falou assim, o que você quiser fazer.
30:26Falei, comida mineira.
30:27Ele falou assim, o que você quiser fazer.
30:29Frango.
30:31Tá.
30:31Falei, tô pouco.
30:32Falei, tô feito.
30:34Fiz um anguzão de fubá, de muita água temperadinho gostoso, cozido ali por uma hora,
30:39para ficar bacana.
30:41Fiz uma carne de lata, muito gostosa, um ranguzinho com ela depois.
30:47Coloquei um milho crocante por cima, então virou o prato.
30:51Eu cheguei, peguei uma figura importante do fubá.
30:55Não é um angu, né?
30:56Mas foi um belo de um evento.
31:00Prefeitos, deputados, figuras públicas, enfim.
31:04E aí eu peguei uma figura muito importante da sociedade, da região chorando.
31:09Com prato e comida na mão.
31:11Falei assim, meu Deus.
31:12O que é que eu fui arrumar?
31:15Engasgou.
31:16Alguma coisa, né?
31:17Falei, minha filha.
31:18Chamei ela pelo nome.
31:18Falei, fulana, o que aconteceu?
31:20Tá tudo bem.
31:21Ela falou assim, rei, você fez a...
31:24Eu lembro que nesse guisadinho de carne de lata, eu coloquei Maria Gondol, Maria Anica,
31:29Maria Gomes, tem vários nomes.
31:31Maria Gondol que eu chamo.
31:33Maria Gondol é o quê?
31:34É um mato também.
31:35Ah tá, isso eu não conheço não.
31:37Uma panque que amarga levemente.
31:39E ela serve muito para fazer esses guisadinhos.
31:42Você pica, ela joga no meio de uma carne ali, deixa fervendo bem,
31:45dá uma engrossada no caldo e fica muito saboroso.
31:48Ela olhou para mim chorando e falou assim, você fez a Maria Anica do meu pai.
31:52Nossa.
31:53Então isso é comida afetiva, isso é cozinha afetiva, Isabel.
31:57Eu não fiz com o menor intuito, eu queria mostrar para aquela figurada toda bacana lá,
32:01que se eu servisse um belo de um angu e um belo de um guisado de carne de porco,
32:06com Maria Gondol e tal, uma farofinha e tal, eu faria um belo jantar.
32:11Não precisava de uma massa fresca, não precisava de um nome difícil,
32:15um molho pesto, um molho não sei o que, papapá, uma fumaça, um creme, um pó, nada.
32:22Se eu fizesse uma comida boa, a gente estava em Minas Gerais, a gente estava em Garapé,
32:27a gente estava no interior de Garapé, lá na grota.
32:31Eu ia.
32:32Eu queria prestar uma, eu queria fazer um jantar mineiro.
32:35Sim, claro.
32:3690% das pessoas que estavam ali eram meninas.
32:38Eu falei, eu vou mostrar o Cis.
32:40E fiz um...
32:41E veio de bônus a memória da...
32:43Cheguei, primeira dama chorando.
32:45Falei, o que eu fiz, mulher?
32:46O que aconteceu no prato?
32:48Eu falei assim, não, você fez a Maria Nica do meu pai.
32:51E ela em pranto, ela falou assim, foi a última comida que eu comi dele.
32:54Olha onde eu toquei, né, Isabel?
32:55Então, pra mim, isso é afetividade.
32:59Então, a minha preocupação na Casa do Rei, na minha gastronomia, é fazer isso.
33:03Fazer com que você coma um bolinho de canjiquinha, é de canjiquinha, mas é inesquecível.
33:08Exatamente.
33:09Talvez muito mais do que um croissant que você tenha comido por aí.
33:12Com certeza.
33:13Com certeza.
33:14Então, assim, é isso que eu quero, tá?
33:16Eu não estou muito preocupado com muita coisa, não.
33:19Claro que eu aprendo sempre, faço algumas vezes, quero aprender mais.
33:24Eu adoro aprender.
33:25Adoro estudar, adoro ler.
33:26Sempre que eu posso, faço um curso, um livro.
33:28Até pra contestar, você tem que saber o quê, né, Rei?
33:30Claro, claro.
33:31Eu tenho uma estante no quarto, cheio de livros, onde eu paro, sento, acendo a luz,
33:36e vou ler, e vou testar, e vou falar assim, gente, que legal isso.
33:40Então, eu penso assim.
33:42E nesse modelo seu aí, nesse perfil, você foi finalista agora da Copa Brasil de Kettering, né?
33:48O que que é essa Copa aí?
33:50E você contestou terceiro lugar.
33:52Foi terceiro lugar na seletiva nacional lá no Amapá.
33:57O que que aconteceu?
33:58Essa Copa Brasil de Kettering, ela busca um campeão nacional que vai representar o Brasil na França.
34:04Entendi.
34:05Pro Campeonato Mundial de Kettering.
34:07Kettering é a prestação de serviços, buffet e tal, né?
34:11Os três tempos, o menu de três tempos, enfim.
34:15Então, aí a gente deveria levar o menu regional, saboroso, obviamente, porque tava valendo vaga na final, no Mundial.
34:26E aí a gente levou.
34:27E eu, mais uma vez, extremamente atrevido.
34:31Foi a convite do meu amigo Tiago, eu nunca tive a menor intenção de participar de disputas, justamente por isso.
34:39Eu gosto do meu jeitinho quietinho lá.
34:41E aí o meu amigo me chamou, falou, não, rei, vamos e tal.
34:45E eu falei, será? Não vamos.
34:47Eu falei, ah, vou fazer inscrição, né?
34:48Não vai dar nada mesmo.
34:49E deu.
34:50Eles aprovaram o nosso currículo, chamaram a gente.
34:53E a gente levou um menu completamente mineiro, pautado no milho e na mandioca.
34:59Que são os dois elementos considerados patrimônio, né?
35:03Materiais e culturais e culinários de Minas Gerais.
35:07Então, a gente levou, numa entradinha, eu tinha um pãozinho de queijo, uma torradinha, uma tostadinha de pão de queijo.
35:13Que eu servia com esse ragu de costelinha, que a gente fez com geló.
35:19Requeijão de raspa, um pico de cebola roxa.
35:21Então, você estava bem equilibrado, bem saboroso.
35:23A gente vai colocar a foto aqui, enquanto a gente estiver falando, vocês vão assistindo.
35:26Por favor.
35:27O prato principal que ficou assim, para nós foi show de bola, foi um angu.
35:32Adoro angu, né, gente?
35:33Eu estou vendo.
35:33Adoro angu.
35:34E eu gosto de...
35:35Uma das juradas conversando com a gente, ela virou para mim e falou assim,
35:39quer dizer que você vai socar angu nos jurados franceses?
35:42Dois eram franceses.
35:43Eu falei assim, uh-huh.
35:44Ela falou assim, gosto do seu atrevimento.
35:49Ela falou assim, deve ser o senhor angu.
35:51Eu falei assim, então, acredito que seja.
35:53Depois ela falou que era o bom angu.
35:54Era o senhor angu.
35:55E aí a gente fez angu de fubá de moinho d'água com queijo minas.
35:59Ele ficou bem cremoso, com uma textura bem gostosa.
36:01Um queijo minas meia cura ali, delicioso.
36:04E aí nós fizemos uma bochecha de porco, que foi glaciada no molho de rapadura.
36:12A gente fez uma redução ali de carne de porco e tal, deixou o caldo ficar bem denso.
36:17Acrescentou essa rapadura, ficou... parece um chocolate, quando você vê pela foto.
36:23Fizemos uma couve beliscada, que é uma couve rasgadinha, refogadinha no alho e na manteiga.
36:27Uma farofinha de biju.
36:29Nossa, Deus.
36:30Então teve crocância, teve cremosidade, estava assim, perfeita acidez, então estava
36:35muito gostoso.
36:36E de sobremesa a gente fez um brigadeiro de mingau de milho verde.
36:41A gente transformou o mingauzinho tradicional em um brigadeiro e rústico.
36:46A gente quis deixar de rústico mesmo.
36:47Nós não coamos o mingau, deixamos o mingau bem bagaçudo.
36:52Para que as pessoas vissem ali o milho destruído.
36:55Olha que legal, gente.
36:57Segundo eles, a melhor sobremesa.
36:59Dentre os concorrentes lá.
37:03Eles gostaram muito.
37:03E tinha gente do Brasil inteiro.
37:05Tinha gente do Brasil inteiro.
37:06Tinha gente do Brasil inteiro, tinha.
37:07Então, assim, foi muito, muito legal, assim, essa parceria com o Tiago foi fantástica.
37:12A gente esteve 24 horas para criar esse menu e testar.
37:16E você já tinha feito?
37:18O brigadeiro, não.
37:20A bochecha, não.
37:21Você também é muito duro, né?
37:23A gente veio a ideia e falei, então, vamos comprar tudo e amanhã cedo você chega aqui
37:27na Casa do Rei que nós vamos ficar aqui.
37:28Ficamos o dia inteiro lá dentro da cozinha.
37:31E fomos testando, testando.
37:32Aí enviamos a ficha técnica com algumas ressalvas, porque eu tinha data limite para enviar.
37:37Falei, você volta segunda-feira.
37:40Porque a gente tem que continuar testando isso, que ainda não está legal.
37:43Aí até chegar no ponto que a gente queria.
37:45E aí, assim, você não queria só servir comida.
37:48Você queria contar uma história com esse prato.
37:50Sim, sim.
37:51Que narrativa que você quis contar com essa história?
37:53E você acha que você chegou no seu objetivo?
37:55Você ficou em terceiro lugar, que é uma boa colocação.
37:57A gente está falando de Brasil inteiro.
37:58De Brasil inteiro.
37:59E Macapá, fora do seu quintal.
38:01Então, assim, não tinha nem que fosse com a minha cara para falar assim,
38:03ah, eu gosto muito do trabalho do rei.
38:05Não, não tinha.
38:06Eu nunca tinha visto aquelas pessoas ali, né?
38:08Então, foi uma iniciativa da Abra Chefs, Senac, do Amapá, Sebrae do Amapá.
38:17Então, assim, e o Abra Chefs no Rio de Janeiro, como sede.
38:20Então, aí pegaram o nosso currículo, viram e gostaram.
38:24Foi por mérito mesmo.
38:25Mérito mesmo.
38:26Então, assim, a gente quis contar, eu quis contar a história dos dois elementos
38:32que fazem, que estão presentes na gastronomia mineira desde sempre, né?
38:36Que mandioca, farinha de mandioca, polvilho, pão de queijo, aí o milho, o angufo, o bau, né?
38:44O brigadeiro, a pamonha, o mingau.
38:47Então, assim, a gente trouxe isso contando essa história para eles, né?
38:51Dessa ideia de que foram considerados patrimônios culturais, materiais e comunidades do Estado.
38:57E aí a gente pautou esse menu todo, falando de quintal, de cozinha.
39:01Então, assim, na entrada tinha o pão de queijo, que é assim, da nossa mesa mesmo.
39:06Não é um ingrediente da culinária mineira, não.
39:09O pão de queijo está na nossa mesa, todo mineiro tem.
39:11E aí, quando eu comecei a fazer o pão de queijo, os jurados transitavam pela cozinha o tempo todo, né?
39:16Eles ficavam assistindo, você fazendo.
39:17Sim.
39:18Os chefes mineiros já colocaram o pão de queijo no forno.
39:20Foi todo mundo olhar como se fosse, né?
39:23Algo de outro mundo, porque eles repetiam isso o tempo todo.
39:27Só mineiros sabem fazer pão de queijo.
39:29É verdade.
39:30E é verdade.
39:30O povo não põe o queijo.
39:31Vou puxar para o meu lado.
39:32Eu chego em São Paulo e falo, por que pão de queijo se você é bom?
39:35No hotel, lá em Macapá, eu olhei para o Tiago.
39:38O Tiago olhou para mim e falou assim, rei, pão de queijo, hein?
39:40Falei assim, passou um pouquinho longe, né?
39:42Será que a gente ensina eles ou não?
39:44Então, assim, a gente fez isso.
39:46Isso aí trouxe pelo angu, pela simplicidade, pelo quintal, pela ideia de vó e tal.
39:51E foi na sobremesa que deu uma inovada em se tratar de um brigadeiro de mingau, mas
39:55que manteve ali um brigadeiro, que é uma sobremesa rápida, fácil, na cabeça de muita
40:01gente.
40:01Não tem nada para fazer.
40:02A estrutura que a gente já tem na cabeça.
40:04Vamos fazer com brigadeiro?
40:06Nossa, eu estou até querendo fazer.
40:07Ele é super simples.
40:09Super simples.
40:10Você vai gostar.
40:10Esse é da receita.
40:11Porque bolinha de canjequinha, eu não vou nem tentar.
40:13Esse eu vou lá.
40:14É mais travado.
40:15É melhor você ir lá na casa do rio.
40:16Rê, a gente já falou muito aí de cozinha raiz, de técnicas de cozinha.
40:21Eu queria fazer uma brincadeira com você aqui agora.
40:24Quando a gente fala de raiz, a gente já lembra automaticamente de Nutella, né?
40:27Se é um raiz, é um Nutella do outro lado.
40:29É um Nutella, é um Nutella.
40:30Eu vou te falar uns pratos.
40:31Olha a polêmica que nós vamos arrumar, hein?
40:34Vou te falar uns pratos.
40:36Você pode usar referência de gastronomia mineira, tá?
40:39Aí você vai me falar se esse prato ele é raiz ou é Nutella.
40:42Pode ser?
40:43Vamos lá.
40:43Então vamos lá.
40:44Frango ou molho pardo?
40:46Raiz.
40:47Feijoada completa?
40:51Completa é raiz, né gente?
40:53E a magra?
40:54E a feijoada magra?
40:56Ah, não.
40:57Não existe feijoada magra, né?
40:58Não existe feijão cozido, né?
41:00É Nutella.
41:00Então vamos lá.
41:02Seguramente isso é Nutella.
41:03Feijoada magra?
41:04Nutella.
41:05Torresmo de barriga?
41:06Raiz.
41:07Não tem nada melhor.
41:08Pipoca de torresmo?
41:10Raiz.
41:11Torresmo de saquinho?
41:12Não, Nutella.
41:14Pipoca.
41:15Aquele pipoca de milho é a mesma coisa.
41:18Ó, essa é polêmica agora.
41:20Paeja mineira?
41:21Não.
41:22Mexido.
41:27Nutella, então?
41:29Nutella é isso.
41:30Paeja, paeja.
41:31Paeja na Espanha?
41:32A gente faz mexido, a gente faz arroz cheio de trupico, arroz de frutos do mato.
41:37O arroz de frutos do mato, ele é basicamente uma receita de paeja.
41:42Mas eu não tinha, não tem como eu colocar.
41:44Não.
41:45Paeja não vai torresmo, paeja não vai linguiça, paeja não vai bacon, paeja não vai, né?
41:50Paeja na Espanha é com fruto do mar, né?
41:53Não tem jeito.
41:53É, então você tem variações dela.
41:56Aí isso aí, acho que você...
41:59Então tá, vamos lá.
42:00Que prato bem servido de encher a mesa.
42:03Raíça, raíça, raíça.
42:04Hoje em dia a gente vive a base de medir.
42:09Empratamento, empratamento, todo minucioso, assim, minimalista francês.
42:14Desculpem, mas Nutella.
42:15Mineiro serve comida, né?
42:17Muita coisa, mesa farta.
42:19É um cesto de pão de queijo, né?
42:22Uma bacia de...
42:23Se for até uma salada.
42:25Mas uma bacia de salada, uma travessa de torresmo frito, um rolete de torresmo de barriga, né?
42:32Que a gente chama de pirulito e tal.
42:35Na verdade, esse é o nosso...
42:36O nosso vasilhame é esse, né?
42:38Bacia, travessa.
42:40Você tava falando, eu tô lembrando.
42:41Esse é o nosso vasilhame, né?
42:44Goiabada no tacho.
42:46É a raíça.
42:47Ninguém faz mais, não.
42:48E pra finalizar, sobremesa desconstruída com espuma.
42:55Brigadeiro de milho.
42:58Não, Nutella, Nutella não, gente.
43:00Sobremesa de mineiro é dor de leite, goiabada, queijo, brigadeiro.
43:04Isso aqui é pé de moleque, pé de moça.
43:07Pelo amor de Deus, não inventa essas coisas desconstruídas.
43:10Maravilha.
43:10Ô, Ré, eu sei que foi uma brincadeira, a gente sabe tanto que você reconhece a cozinha.
43:15Não, claro.
43:15Inclusive a cozinha internacional.
43:16Então me conta, tem algum prato que é Nutella, mas você fala, esse eu defendo.
43:20Não precisa, pode ser da gastronomia mundial.
43:22Não precisa, não vou te colocar na situação de falar um Nutella mineiro, não.
43:25Que eu defendo?
43:26É, você fala, esse prato é bacana.
43:29Ele é Nutella, mas é bacana.
43:30Eu defendo um bom, um bem feito estrogonofe.
43:34Eu acho que ele é simples, ele é prático, ele é rápido.
43:37Ele não é mineiro, ele é russo.
43:40Tem essa variação lá, a principal delas é a russa.
43:45Todo mundo que tem qualquer, o mínimo de talento na cozinha consegue fazer.
43:49Tem um bem feitinho ali, de graça com conhaque e tal.
43:53Fica bem saboroso.
43:54Faz para casa.
43:55Esse eu defendo, faz.
43:56Uma coisinha simples, rápida, fácil.
43:58Não te pega com as calças na mão.
43:59Visita, chegou sem avisar.
44:01Aí você corre lá, já sei, tem um peitinho de frango ali, tem um filézinho e um ali.
44:05Ou uma alcatra ou fazer um estrogonofe.
44:08É esse mesmo.
44:09É esse mesmo.
44:09Eu acho que isso aí passa bem.
44:11Maravilha, Ré.
44:12E quero te agradecer muito por ter aceitado o nosso convite aqui.
44:16Eu que agradeço.
44:16Sempre muito bem-vindo.
44:18Parabéns.
44:19Que venham mais e mais reconhecimento.
44:21Você realmente merece muito reconhecimento, viu?
44:23Obrigado.
44:23Eu que agradeço.
44:24É um prazerão estar aqui com você.
44:25Um bate-papo maravilhoso.
44:26A gente confessa que eu estava tenso, mas acho que eu pontei mais casa do que...
44:30É, mas é isso, é.
44:32Foi bom, foi bom, foi bom demais.
44:34Estou à disposição.
44:35Estou sentindo foto de vocês lá na Casa do Rei.
44:37Pois é.
44:37As coisinhas diferentes lá.
44:38Tem umas invenções novas lá que vocês vão gostar.
44:40Então, já vamos desligar aqui.
44:42A gente já vai deixar marcado.
44:43Queria que você falasse qual foi o seu Instagram, para as pessoas saberem mais dos pratos,
44:47como que chega na Casa do Rei, como que é a sua programação.
44:50Certo.
44:51Então, meu Instagram pessoal, arroba chefe Reinaldo Mendes.
44:54O da Casa do Rei, arroba casa do reibistru.
44:56A gente está ali no centro de Bicas, na Avenida Maria do Carmo, 250.
45:00Então, jogar nesses aplicativos aí, você chega rapidão.
45:04Chegou ali, chegou em Bicas, vindo de Belo Horizonte, de Contagem, de Betim.
45:08Entrou, nós estamos a quatro quadras da BR.
45:10Então, está super fácil de chegar, não tem erro não.
45:12É uma ótima dica, para quem quiser um dia diferente, sair de BH, ou quem estiver indo no Inhotim, quiser
45:18comer uma comida bem linda.
45:20Exatamente, de quarta a domingo, de quarta a sábado, das 18h às 23h.
45:24E sábados e domingos, das 11h às 16h.
45:28Então, sábado tem de 11h às 16h.
45:30Na verdade, de 11h às 11h.
45:33A gente vai sábado o dia inteiro, vai das 11h às 23h.
45:36E no domingo, só o almoço, das 11h às 16h.
45:39Maravilha.
45:40E de quarta a sexta, 18h 23h.
45:42Excelente, o rei, obrigada.
45:44Obrigado, o rei, meu irmão.
45:45Foi um prazerão.
45:45Um prazerão pra você.
45:46Obrigado.
45:47Você confere todos os links que o rei falou aqui e diariamente o nosso conteúdo sobre turismo, viagens mundo afora,
45:55em turismo.ai.com.br.
45:58Não deixe de seguir também o nosso Instagram, arroba portal oiturismo.
46:02Te vejo na próxima semana.
46:17Transcrição e Legendas Pedro Negri
Comentários

Recomendado