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  • há 7 horas
Ameaçadas de morte, três pessoas no Brasil, Colômbia e México resistem à violência usando armas como a informação, a conscientização e o afeto. Três países, muitas vidas, unidos pela opressão.

Diretores: Alice Lanari, Pedro Asbeg
Transcrição
00:00:00E aí
00:00:30E aí
00:01:01E aí
00:01:02E aí
00:01:05E aí
00:01:07E aí
00:01:09E aí
00:01:19E aí
00:01:20E aí
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00:01:32E aí
00:01:35E aí
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00:01:44E aí
00:01:49E aí
00:01:52E aí
00:01:58E aí
00:02:01E aí
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00:02:14E aí
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00:03:02E aí
00:03:04E aí
00:03:16E aí
00:03:21E aí
00:03:25E aí
00:03:27E aí
00:03:27E aí
00:03:27E aí
00:03:28E aí
00:03:29E aí
00:03:29E aí
00:03:40E aí
00:03:41E aí
00:03:41E aí
00:03:42E aí
00:03:43E aí
00:03:44E aí
00:03:45E aí
00:03:45E aí
00:03:46E aí
00:03:46E aí
00:03:47E aí
00:03:47E aí
00:03:47E aí
00:03:48E aí
00:03:48mas não lhe disseram mais nada.
00:03:56Para acreditar a qualidade de vítima, eu vou perguntar-lhe, a ver...
00:04:01Se lhe disseram no 14 de junho de 2011.
00:04:05Certo, 14, 11?
00:04:06E esse dia lhe recebi.
00:04:11Mas, doctor, é um direito que nós temos que nos avisarmos de tudo o que se está fazendo.
00:04:18E tudo o que se deve fazer.
00:04:22Vou consultar-lhe e lhe chamo mais tarde.
00:04:26Vá almoço tranquilo.
00:04:28Bom, senhor.
00:04:30Bom.
00:04:33Bom.
00:04:34Sim, senhor.
00:04:36Bom, onde está vivendo você?
00:04:38Aqui em Santo Domingos.
00:04:39Está vivendo aqui em Medellín.
00:04:42Bom, senhor.
00:04:44Muito obrigado.
00:04:50Que coisa tão horrível, minha.
00:04:53Bom.
00:04:54A você lhe disseram que devia levar ele...
00:04:58Que lhe aconteceu primeiro que tudo?
00:05:00Mataram a minha companheira.
00:05:02Minha esposa já sabe em que anos que o mataram.
00:05:06E quantos anos você deixou?
00:05:07Tres.
00:05:08E de esses três, hace dois anos, mataram a minha filha maior.
00:05:13Que?
00:05:15O mataram em onde?
00:05:16Allá, caminou no meu filho.
00:05:18E também fizeste papel dele.
00:05:22Qual de os dois deu mais duro?
00:05:25Qual de os dois deu mais duro?
00:05:26Qual de os dois deu mais duro?
00:05:27O meu filho.
00:05:28O meu filho.
00:05:30O meu filho.
00:05:31O meu filho.
00:05:31O meu filho.
00:05:31Por que creia com você aqui?
00:05:34Por que creia?
00:05:36Mija, eu preciso a Danielita aqui.
00:05:38Aqui.
00:05:43Ánimo, filho.
00:05:44Ánimo.
00:05:45Eu sei que sou o meu filho.
00:05:48Eu sei que sou o meu filho.
00:05:56E Arantz estava tranquilo, não? Como...
00:05:58Pois, mais bem, a Jota nos sorpreendeu.
00:06:01Porque Arantz nunca foi como de conflito.
00:06:04Sim.
00:06:05Eu nunca havia ouvido de conflitos aí.
00:06:07Eu nunca havia ouvido.
00:06:08Sempre assim eu como o Matz tranquilo.
00:06:22A CIDADE NO BRASIL
00:07:08A CIDADE NO BRASIL
00:07:38A CIDADE NO BRASIL
00:07:40A CIDADE NO BRASIL
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00:08:42A CIDADE NO BRASIL
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00:09:07A CIDADE NO BRASIL
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00:10:24A CIDADE NO BRASIL
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00:10:29A CIDADE NO BRASIL
00:10:33Qual é a casa?
00:10:34A casa está lá no meio
00:10:36Aqui nessa entrada o que mais tem é a casa invadida
00:10:38Dentro da casa de cima
00:10:40Aí caem um monte de pedra com coroinha
00:10:43Ilha botando a cabeça
00:10:44A casa é de morador também?
00:10:47É morador, está invadido
00:10:48Estão dando bagunça
00:10:50Isso aqui parece que não mora mais ninguém
00:10:53Aqui nos rendem os outros
00:10:54Aí elevem os outros
00:10:55Estamos indo preso
00:10:55São 24 anos
00:11:02A gente vai ver o que dá para...
00:11:54A casa é a do morador, ele não está deixando eu entrar como convidado.
00:11:59Como ativista ou como imprensa na casa do morador.
00:12:02E ainda está difícil de saber com quem eu estou falando, porque a farda dele eu não identifico o nome.
00:12:06Então quem é essa pessoa? Será que é um policial mesmo de farda?
00:12:09Só cumpre o orde.
00:12:10Sim, sim, mas...
00:12:11Você está cumprindo o orde? Você está cumprindo a justiça?
00:12:13Mas você também cumpre a justiça?
00:12:16O senhor jurou que ia proteger.
00:12:19O senhor não jurou que ia expulsar morador de casa, não deixar morador entrar.
00:12:23Isso não existe, cara.
00:12:25Isso não existe. Se eu no seu lugar, eu não cumpriria nunca.
00:12:28Nunca.
00:12:29Nunca. Nunca cumpriria uma ordem de um comandante desse.
00:12:33Parece, sabe o quê?
00:12:34Que o senhor não foi o filho de chocadeira, que vocês não têm família, que não têm filhos.
00:12:39Isso não existe, cara.
00:12:41Isso não existe.
00:12:44A família tem que sair da casa e ir para ir para debaixo da ponte.
00:12:47Porque você não quer deixar entrar na própria casa.
00:12:50Na própria casa.
00:13:14O que está enquadrando até as crianças?
00:13:17Tá filmando? Filma o policial ali, aquele policial ali que tá filmando, policial sem farda ainda, tira o celular pra
00:13:23filmar o morador, vamos dar um oi aqui ao vivo, policial sem farda, quer dar um beijinho na câmera ele
00:13:30ao vivo aí, ó, só vocês podem ver, esse é o policial, o policial tava de pistola na mão, vocês
00:13:35viram na outra imagem, na foto, esse é o policial, a gente quer saber quem é esse policial, a gente
00:13:40quer a identificação do policial, a gente quer saber quem é o chefe desse policial,
00:13:44a gente quer saber quem empregou esse policial, a gente quer saber quem botou um policial na favela de bermuda
00:13:49e chinelo, andando de pistola, invadindo casa de morador, invadindo a casa das pessoas, a gente quer saber, tanto policial
00:13:57morrendo, tanto policial sendo esculachado por esse governo, por que o policial faz isso com o cidadão, puxa a câmera,
00:14:04filma o cidadão, anda armado assim?
00:14:06Eu posso filmar por acaso? Posso, posso, posso, posto, posto, manda bem, pô? Posso? Eu posso, manda bem, cara, raporra!
00:14:11Ah, nono, policial, não posso, policial, eu também tenho, correto, correto? Não posso?
00:14:17O policial tá de serviço, tá de serviço, tá de serviço, tá de serviço, tá de serviço, tá de serviço,
00:14:22tá de serviço, tá de serviço?
00:14:23Tá de serviço? Toma o filme mesmo pode se eu tiver pra fazer uma hosts nicht on people'sよ, carrega...
00:14:36Estamos filmando bandido! Estamos filmando!
00:14:39Estamos filmando! Aqui estou filmando!
00:14:42Bandido! Estamos filmando!
00:14:45Estamos filmando quem cria bandido!
00:14:47Estamos filmando quem cria! Quem cria bandido!
00:14:51Aquele policial estava de pistola!
00:14:53Aquele policial que estava vindo armado, dando cobertura para o carro!
00:14:58Aquele policial...
00:14:59Olha só! Eu me invadi a cara de ninguém!
00:15:03Estava de pistola sem farda por quê?
00:15:05Estava de pistola sem farda!
00:15:07Sou policia porra!
00:15:08Sou policia porra!
00:15:11Tem outro policial aqui sem farda me mandando parar de filmar!
00:15:16Tem uma série de situações aqui!
00:15:19A gente está aqui com muitos moradores que estão inconformados com essa situação
00:15:24A gente vai seguir agora para a Praça do Cruzeiro
00:15:27Onde a gente vai tentar mobilizar mais pessoas
00:15:29E lá na Praça do Cruzeiro ou de novo aqui na Praça do Samba
00:15:32A gente vai fazer uma reunião e vai pensar como é que a gente se une
00:15:35Para acabar com essa situação
00:15:36Isso aqui é culpa de toda a sociedade
00:15:38É verdade!
00:15:39É verdade!
00:15:44É verdade!
00:15:46É verdade!
00:15:48É verdade!
00:15:49É verdade!
00:16:16Por que estamos nós aqui?
00:16:19Por que?
00:16:21Porque queremos visibilizar o dolor de tantas mulheres que choram permanentemente por
00:16:28seus filhos.
00:16:29Por que nos passou isto?
00:16:30Por que?
00:16:34Por que me tocou a mi?
00:16:37Por que, madre, me tocou a mi que me mataran meus filhos?
00:16:41Por que, madre, me tocou a mi que me desaparecieran meus filhos?
00:16:44Por que, madre, me desplazaron?
00:16:46Por que?
00:16:47Por que?
00:16:47Por que é?
00:16:47Por que?
00:16:48Por que?
00:16:50Por que?
00:17:01E que alguém diga por que nós temos que desgastar-nos
00:17:06em seguir buscando os desaparecidos no país.
00:17:09Por que?
00:17:16O meu foi um compromisso,
00:17:19um juramento que eu fiz no dia 19 de março de 1999,
00:17:26um ano depois de ter desaparecido meu.
00:17:30Esse é o meu compromisso.
00:17:31Eu vou continuar procurando, meu filho amado.
00:17:34Eu não vou descansar até encontrar a verdade.
00:18:05Eu sou um jornalista e fotoperiodista.
00:18:08E desde 2013, desde o início do levantamento das autodefensas
00:18:16em estados como Michoacán e Guerrero,
00:18:20eu estou trabalhando na documentação dos diversos processos,
00:18:23não só armados, mas também sociais,
00:18:26que se desenvolvem nesses territórios de México.
00:18:29Este trabalho de documentação
00:18:32tem também algumas consequências negativas.
00:18:37Em esse sentido,
00:18:38eu recebi amenazas de morte
00:18:40contra a minha pessoa
00:18:42e contra alguns companheiros também.
00:18:53Eu estou seguro que México está entre os peores lugares
00:18:56neste planeta para exercer o periodismo.
00:19:00E eu acho que exercer uma profissão como a que eu exerço
00:19:03de compromisso com esta trinchera de comunicação,
00:19:11pois é um risco que se assume.
00:19:26Eu vou para um lugar e sou ele indicado como o amenazado.
00:19:42É bastante cansado, é agotador.
00:19:50Consume demasiada energia
00:19:52o ter que cuidar-se todo o tempo,
00:19:56o estar pensando que ao sair da rua
00:19:59e tenho que estar pendente
00:20:01de o que digo em lugares a que eu vou,
00:20:05de o que digo no telefone.
00:20:10Há uma fractura nesse sentido,
00:20:12muito dura,
00:20:14que não se repara.
00:20:16Nada volta a ser igual.
00:20:43Se criou esse vício de apontar a favela como problema,
00:20:47é ali que acontece, é ali que se morre,
00:20:49e as pessoas dali realmente são matáveis.
00:20:51Então existe essa anestesia.
00:20:53Infelizmente, a gente nasce numa situação onde isso é o comum.
00:21:08Dizer que a favela é o que há de mal
00:21:11legitima uma série de arbitrariedades
00:21:13e traz junto de si preconceitos, racismo
00:21:16e todo o extermínio de uma juventude da favela,
00:21:19principalmente dos jovens negros,
00:21:21que são os mais perseguidos por uma polícia
00:21:23que também é pobre como esse jovem.
00:21:42e aí o morador ficou sério, grave.
00:21:52O cara veio me pegar e perguntaria.
00:21:54Aí o morador corou, mano, já de idade,
00:21:57veio por trás do canjé
00:21:57e ia pegar madeira pra bater no polícia,
00:21:59se ele me agredisse,
00:22:00pra ter noção.
00:22:01Os polícia cercando a gente.
00:22:04E é o plantão daquele problema.
00:22:06Esse que é o lance.
00:22:07Por isso que eu falei, tem que falar com o Vitor,
00:22:08aqueles que eu tive que ficar lá naquela casa.
00:22:10E vocês fizeram registro?
00:22:12Tem foto de tudo.
00:22:13Vídeo ao vivo de tudo.
00:22:15E aí, de repente, vieram esses policiais
00:22:16sem fardo, de roupa normal.
00:22:18Um com uma camiseta de cerveja,
00:22:20eu acho que parecia um abadá,
00:22:21bermuda, chinelo, pistola na mão,
00:22:23cheio de polícia perto.
00:22:24No primeiro ou segundo,
00:22:25a gente pensou,
00:22:25caramba, as mulheres que estão aqui perto,
00:22:28a polícia vai virar um tiroteio.
00:22:29Mas não, era policial também.
00:22:31E um dos mais alterados.
00:22:33Então, foi...
00:22:35Essa é a cena que a gente tem para conversar.
00:22:37É, não, eu sou com você.
00:22:38Tem a diferença que você tem lá.
00:22:39Diz que hoje foi oito anos para estar lá.
00:22:41É preocupante.
00:22:42Ah, caralho.
00:22:42É preocupante.
00:22:43Estranho.
00:22:44Teve um morador que falou com a gente
00:22:46que em um outro ponto também dessa invasão,
00:22:49um policial falou,
00:22:51é isso aí, traz a mídia mesmo,
00:22:53porque a gente está aqui cumprindo ordem
00:22:54e a gente também não quer ficar aqui sempre, não.
00:22:56Então, tipo assim,
00:22:57é o que eu estava falando com o Tainan.
00:22:59Será que a gente pega o material de fotos
00:23:01que a gente fez hoje que está incrível
00:23:03e cria uma campanha, sabe?
00:23:06Cumprindo ordens de quem?
00:23:07E além de tentar expor os policiais
00:23:09que estão ali violando,
00:23:11mas tipo, cada vez mais chegar ao alto comando
00:23:13e expor a hierarquia
00:23:15que deixa que isso tudo aconteça lá embaixo.
00:23:19Mas Tainan also brought the idea
00:23:21of actually not just retraining for Papo Hedro,
00:23:25but training for the residents
00:23:27because, you know, the violations
00:23:29are getting, you know,
00:23:30higher in the number.
00:23:30Yeah, that's totally a barra.
00:23:31Think about that, like, how to, you know...
00:23:38Agora, vivimos uma fase
00:23:40em que o Estado já é um Estado criminal
00:23:44porque decide abiertamente
00:23:47quem pode viver e quem deve morir.
00:23:55Para mim, o Estado brasileiro,
00:23:57o Estado colombiano
00:23:58e o Estado mexicano
00:23:59são os três grandes problemas
00:24:01que têm esses países.
00:24:03Em esses três países,
00:24:04quem permite
00:24:06as armas,
00:24:08a droga,
00:24:09a violência,
00:24:10quem reprime
00:24:11e quem desaparece
00:24:12é o Estado.
00:24:16em os anos,
00:24:16eu90...
00:24:16com os anos,
00:24:16ao safer yeah com os anos,
00:24:41eu50s,
00:24:42e eu50s,
00:24:42todo Michoacán estava hirvendo
00:24:45não só luta contra o crime organizado
00:24:48mas propostas de organização social e política distintas
00:24:51para eles a terra é o que eles fez recuperar mais de mil hectares
00:24:56quitá-las ao crime organizado
00:24:59e defender a capa e espada o seu território
00:25:03aí a marina, o ejército, o governo do estado, o governo federal
00:25:08os caballeros templários, os setas primeiro
00:25:11todo mundo quer essas terras
00:25:13então, claro, combina uma lógica capitalista
00:25:17com a lógica da nova fase do capitalismo criminal
00:25:20com uma comunidade indígena
00:25:22para mim parece emblemático esse lugar
00:25:38eu estive secuestrada, retenida por aí 15 minutos
00:25:45para mim foi 15 anos
00:25:47eu era pensando, nos van a sacar esta noite
00:25:50le pegaram uma pedra ao senhor que ia comigo
00:25:53le pegaram uma pedra
00:25:55e le cortaram os dedos
00:25:58teresita, e você estava aí?
00:26:00sim senhor, eu estava com eles
00:26:02e eu disse, a mim também me vão fazer o mesmo
00:26:05e me disse, não, porque o sapo é este
00:26:09e eu disse, vei, por que ele fizeram isso?
00:26:12a você não se meta
00:26:13e me montaram, me amarraram os pés
00:26:21me amarraram os pés
00:26:23e me colocaram um laço
00:26:27e arrastraram comigo até abaixo
00:26:34e me disseram, saque a língua
00:26:36me van a cortar a língua
00:26:40saque a língua
00:26:41e eu disse, não, é que eu tenho pesada
00:26:44com o susto que tenho
00:26:45é que eu tenho que estar falando
00:26:48para suavizar um pouco os ânimos da gente
00:26:51eu tenho que estar falando
00:26:53você chega muito brava onde mim
00:26:54eu tenho que estar falando
00:26:56você me reclama, eu me pongo a reir
00:26:58eu também lhe contesto mal
00:27:00mas eu tenho que estar falando
00:27:01em meio de meus nervos
00:27:03eu lhe disse a ele
00:27:04que me vai nascer
00:27:05a mim também me vai nascer o mesmo
00:27:06ué, madre
00:27:06mas eu sim, eu disse, a palavra
00:27:08e foi tantas
00:27:10e passaram comigo arrastrando
00:27:12como arrastrando um pedaço de caja
00:27:13por aí para baixo
00:27:15e por aí me deixaram
00:27:17eu quero jovem negro vivo
00:27:19eu quero jovem negro vivo
00:27:22eu quero jovem negro vivo
00:27:26eu quero jovem negro vivo
00:27:2782 jovens são mortos todo dia
00:27:3177% são negros de periferia
00:27:34será a utopia mudar essa estatística?
00:27:36podemos fazer isso com a nossa expressão artística
00:27:39acordar porque é a minha história
00:27:41não perdemos a guerra
00:27:42estamos numa trajetória
00:27:44para quem desde zumbi
00:27:45ainda é tratado como escória
00:27:47tanto da luta dos vivos
00:27:48como dos mortos em glória
00:27:50diariamente eu vejo pongo e negreiro cair
00:27:52como danada temos que lutar e resistir
00:27:54e a minha heráldica
00:27:55vida dos trocos infames
00:27:57das correntes do chicote
00:27:58essa sim dá-me direitos enormes
00:28:00e eu me recuso
00:28:01recuso como um zumbi
00:28:02qualquer tipo de discriminação
00:28:03ou preconceito irracial
00:28:05é por ser pobre ou é por ser preto
00:28:06você carrega a maldista cruz de preconceito no seu peito?
00:28:09eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:11eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:12eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:15eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:17eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:19eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:22eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:23eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:27eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:30eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:33eu carrego a maldista cruz de preconceito no meu peito
00:28:38Assim não dá!
00:29:08A famela vem dizer!
00:29:10A rua vem dizer!
00:29:12Que nós, por nós...
00:29:22Se pode apresentar?
00:29:24Ah, sim.
00:29:25Com seu nome e seu cargo.
00:29:28Bem.
00:29:30Bom dia, companheiros.
00:29:33Meu nome é Nicolás Flores Lugardo.
00:29:35Eu sou o presidente do comissariado desta comunidade de Santa Maria Ostula.
00:29:41Aqui a comunidade todo o tempo vinha lutando.
00:29:46Desde nossos antepasados, nossos abelos, nossos papás,
00:29:49que também morreram na rua por defender a causa da terra.
00:29:53Desde 2009 ao 2014,
00:29:55nesse promedio de dois anos, três anos,
00:29:58onze, doze e treze,
00:30:00houve muita matança aqui.
00:30:02E mataram os líderes, os mais grandes,
00:30:05os desapareceram e a fregada.
00:30:07Pois, já não aguanta um.
00:30:09Por isso, a comunidade...
00:30:11Quando chegaram as autodefensas,
00:30:13a comunidade se levantou em armas também.
00:30:16Já disseram que não está permitido por lei
00:30:19que um civil se faça justicia por sua própria mão.
00:30:22Pois, nem modo, senhor, vamos fazer.
00:30:24Porque se não o fazemos assim, o governo não nos vem a defender.
00:30:27De contrário, nos vem a matar já.
00:30:29E o fizemos todos.
00:30:31Eles iam colocar as denuncias ao Ministério Público.
00:30:34Quem foi o que matou a teu filho?
00:30:35Te perguntava do Ministério.
00:30:37Não, não sei.
00:30:39Sabes quem é?
00:30:40Para colocar aqui.
00:30:40Não, não sei.
00:30:42Não podia dizer tu.
00:30:43Porque se dizia, ah, é Julano.
00:30:45Julano o matou.
00:30:46O viste?
00:30:47Não o vi de eu, mas o vi de minha família.
00:30:49Enquanto saías, aí te mataban.
00:30:51Aí.
00:30:52Porque...
00:30:53Haciam o expediente.
00:30:54E o ministério já tinha que ir.
00:30:56Aqui está Julano.
00:30:57Está colocando uma denuncia aí.
00:30:58Até que nos decidimos.
00:31:00Um dia em uma assembleia.
00:31:03Mañana tem que cair.
00:31:05Aqui no Duim está um lugar chamado Duim.
00:31:06Um campo de futebol.
00:31:07Aí nos reunimos.
00:31:08Toda a gente.
00:31:09Como a las 4 da tarde.
00:31:11Estuvimos planeando.
00:31:12Toda a las 6 da tarde.
00:31:14Nos decidimos.
00:31:15E como ali no lugar chamado.
00:31:17Já havia gente posicionada na plaza.
00:31:19E gente armada.
00:31:21Pois nos organizamos.
00:31:22Formamos uma polícia.
00:31:24Todos.
00:31:24Que llevan buenas armas.
00:31:25E vámonos.
00:31:26E como Zula já tinha muitas camionetas.
00:31:28E também tinha várias armas.
00:31:29E o que a gente se permite já.
00:31:33Llegamos como a las 6 da tarde.
00:31:34Aí quase para as 7.
00:31:35E quando nos começaram a atacar.
00:31:38E olha lá, menores.
00:31:39Pois.
00:31:40Se respondió parejos.
00:31:42E vou repetir.
00:31:43Não está permitido por lei.
00:31:45Hacerse justicia.
00:31:46Não por sua própria.
00:31:46Por sua própria mano.
00:31:48Mas Zula o fez.
00:31:50Todo o que tinha sua armada.
00:31:52Não está horrível.
00:31:52Até a tiro.
00:31:53Olha lá, menores.
00:31:55Tem que pegar as armas.
00:32:31Mas depois?
00:32:33Tanto uma tristeza.
00:32:33Tanto uma influenza em me ready.
00:32:34O nosso corpo veio malecou-se todos?
00:32:35Não.
00:32:36Sim Boysão ou lava demais?
00:32:38Mais boa.
00:32:39Quero me Ilel.
00:32:43Mas vez ouviu esse dia,
00:32:45ele entende aqui.
00:32:49É uma期ão seria tãoериada, tão grande.
00:32:52Como se o levou?
00:32:53Não te dê conta como se o levou a ele?
00:32:55Eu o mandei...
00:32:57Ele saiu a fazer uma tarefa
00:32:59e já não voltou a casa mais.
00:33:03E eu pensei que talvez com os amigos
00:33:05que se haviam ido a trabalhar
00:33:07esperando, esperando,
00:33:09e não...
00:33:11E conta-me, como foi o seu esposo?
00:33:16Ah, meu esposo...
00:33:17Eu estava dormindo com ele
00:33:19e quando chegaram
00:33:21muito tarde da noite,
00:33:23e também me tendia de boca abaixo
00:33:25e aí mesmo o asesinaram
00:33:27na cama.
00:33:28E a mim me disseram,
00:33:30se te encontramos amanhã cá ou esta semana,
00:33:33também te matamos.
00:33:47mas eles parecem muito lindo,
00:33:49cogem o filho e levá-se.
00:33:51Um filho que vai saber
00:33:53defender-se por lá.
00:34:00me parecem muito descarados,
00:34:02muito abusivos.
00:34:09Eu não ando muito tranquila,
00:34:12eu ando quando mais me cogem
00:34:13e me montan a um carro
00:34:15e me matam de um pé.
00:34:43me diz o seguinte,
00:34:45essa situação das casas,
00:34:47é...
00:34:48Beleza, teve uma mobilização e tal,
00:34:51vocês conseguiram
00:34:52botar isso pra frente.
00:34:54Aham.
00:34:54Mas assim, o...
00:34:57até agora os caras não saíram de lá.
00:35:00Não saíram.
00:35:00E o comandante também não conversa
00:35:02com os moradores nem nada.
00:35:03Isso aí.
00:35:04Então assim, é muito surreal essa situação.
00:35:06É crime organizado dando a polícia, né?
00:35:10Mas você sabe se os polícia que tão lá,
00:35:12querem tá lá?
00:35:13Aí a gente não sabe.
00:35:15Mas das duas vezes que a gente foi,
00:35:17eles só ficam dizendo,
00:35:18ah, a gente tá cumprindo ordem,
00:35:20a gente tá cumprindo ordem.
00:35:21Mas não diz de quem é a ordem.
00:35:25E você andando pela favela assim,
00:35:27com os polícia?
00:35:28Provocam muito?
00:35:29Sim.
00:35:30Sério?
00:35:31Ah, ameaças.
00:35:33Sobram, né?
00:35:34Todos te conhecem?
00:35:35Os policiais?
00:35:36É.
00:35:37Conhecem e não devem gostar.
00:35:49É.
00:35:52Passou daqui, ó.
00:35:53Aqui é a fronteira de guerra.
00:35:55Daqui pra ali.
00:35:57Despara toda hora.
00:35:58Já veio a escada furada lá no verde ali.
00:36:01Tá vendo?
00:36:02Espara ali.
00:36:03Tá ligado?
00:36:06Aí vou pedir os moradores pra esperar a gente aqui na entrada, né?
00:36:10E a gente avalia junto.
00:36:13Bom dia, bom dia.
00:36:18Ele que é o jornalista.
00:36:19Simone?
00:36:20Sim, eu sou irmã dela.
00:36:21Ah, eu sou irmã dela.
00:36:21Eu falei com ela ontem.
00:36:23Prazer, Rafael.
00:36:23É, não ia dar pra eu vir, mas acabou que conseguiu liberar o trabalho do seu Rafael.
00:36:26Ah, você é a...
00:36:27Edilene.
00:36:27Prazer.
00:36:28Prazer.
00:36:29Então vamos lá?
00:36:30Vamos lá.
00:36:31Aqui é a minha lágrima.
00:36:33Essa aqui, ó.
00:36:33Aqui é a minha.
00:36:34Aqui é a minha casa.
00:36:35Vocês querem entrar fora.
00:36:36Sim, sim.
00:36:37Aí a gente tem que ficar de portão fechado, porta fechada o dia todo.
00:36:41Não pode vir na varanga porque já tem tiros.
00:36:44Eita.
00:36:44E essa casa aqui nunca tinha pego nenhum tiro.
00:36:47Tem aproximadamente esses 15 dias que pegou.
00:36:50Aqui nunca foi alvo, entendeu?
00:36:55Tá todo mundo em casa?
00:36:56Os seus pais estão em casa?
00:36:57Tá.
00:36:59Opa, licença, gente.
00:37:00Boa tarde.
00:37:01Rafael.
00:37:02Os policiais estão ali, dá pra ver que eles entraram e subiram.
00:37:05Vocês estavam aqui em casa normalmente e eles subiram.
00:37:08Como é que foi isso?
00:37:09É, teve um confronto entre eles e daí veio primeiro o Bop, né?
00:37:13Uma trata de tiro com os meninos.
00:37:16Daí veio o Bop.
00:37:17Daí o Bop subiu, ficou de dia em várias lajes.
00:37:20A noite o Bop saiu e retornou os policiais da UPP.
00:37:24E daí já ficaram direto, tem 15 dias.
00:37:26A troca de plantão deles são feita aqui na laje, eles não saem.
00:37:30Essa laje é da sua casa?
00:37:30Isso, na minha casa.
00:37:32Tanto que o acesso por ela é nessa escada do lado de fora.
00:37:35Mas as casas dos moradores também que eles estão,
00:37:38que o acesso é por dentro, eles também vão.
00:37:40Eles entram na casa e sobem.
00:37:45Você quer levar a gente lá em cima ou como é que a gente vai?
00:37:47Vamos.
00:37:53Ah, eles tomam banho e fazem as necessidades deles lá em cima.
00:37:57Não tem banheiro, não.
00:37:58A gente sobe, o chão tá todo molhado, assim.
00:38:00Por algum momento, se eles descem pra trocar de plantão,
00:38:02e daí a gente aproveita pra subir pra ver como é que tá lá em cima.
00:38:05O chão tá molhado, tomaram banho.
00:38:07Muitas garrafas de urina, eles mijam, entendeu?
00:38:11Tá uma zona só.
00:38:11Usam a água, abrem a caixa d'água, esvaziam a caixa d'água.
00:38:15E a gente precisa encher a caixa d'água, a gente precisa tá indo lá em cima,
00:38:19verificar e a gente não pode ter mais acesso livre lá.
00:38:22É porque quando você ouve esse argumento, por exemplo,
00:38:25vê a reportagem na televisão de um policial falando que muitas famílias deixaram os policiais entrarem.
00:38:30Isso é tudo mentira.
00:38:33Como vocês podem ver, a gente tá numa casa.
00:38:35Inclusive, policiais estão aqui em volta dessa laje junto com a gente.
00:38:42É uma casa invadida, né?
00:38:43Há várias cápsulas de bala pelo chão mostrando que daqui são efetuados vários disparos da laje da casa dessa moradora.
00:38:53Aqui tem uma geladeira virada, como vocês podem ver.
00:39:21Não é só uma protesta, não é só uma pequena luta por uma reivindicação muito pontual em que me envolvo.
00:39:29Os processos em que participo, acompanho ou de cheio entro têm que ver com algo mais de fundo.
00:39:39E têm que ver com algo muito simples também.
00:39:43A necessidade de construir um país ou reconstruir um país para ter um lugar tranquilo para viver.
00:39:54E ser tranquilo significa onde a justicia, onde a liberdade,
00:40:04sejam coisas cotidianas e não sejam somente uma ideia.
00:40:35Para ver essa história a ver se podemos, não sei,
00:40:38Eu não sei se na semana, talvez, ir a documentar alguns casos que houve lá em Covallana.
00:40:45De isso que nos contava, de que não se foi feito como a documentação
00:40:50da gente que foi agredida, da gente que perdiu familiares, lá em Covallana.
00:40:56Está bem?
00:41:18Eu quero saber no município de Covallana, Quile, Chinicuila, que representam a segurança,
00:41:25quantos secuestros ha habido?
00:41:28Quantos assassinatos han existido?
00:41:32Quantos robos?
00:41:33Quantas violações?
00:41:34Senhores, nós mantemos um saldo de zero.
00:41:39Já não soportávamos o assegno que tínhamos com os delincuentes.
00:41:43Acuérdense, companheiros,
00:41:44isso, companheiros, é o que mantém a essas pessoas e todos vocês,
00:41:48gente valente, que deixou um barretão, que deixou um machete por agarrar um arma.
00:41:55Se bem é certo que não a sabiam usar,
00:41:57agora já conhecem e sabem como usar um arma.
00:42:05Não tem que vir gente de fora a dizer como se vai a segurança,
00:42:09mas tem que ser vocês mesmos a gente de confiança de nós.
00:42:12E que se sepa, alguns dos companheiros perdieron familiares cercanos.
00:42:16E nos dolió.
00:42:18Nos dolió.
00:42:24E nos dolió porque estamos aqui todos nós com um arma para defender a nosso povo.
00:42:30Porque nos dolió.
00:42:32Porque o espírito de luta jamais nos vai quitar.
00:42:36Por quê?
00:42:38Porque temos um grande motivo.
00:42:40Porque seria quedar mal com nossos mesmos familiares muertos, desaparecidos.
00:42:48Ou, eu pergunto,
00:42:50vamos a consentir a um templário em nosso povo?
00:42:55Eu vou dar a resposta.
00:42:57A resposta, companheiros, é definitiva, é não.
00:43:02É não.
00:43:04Por quê?
00:43:05Por o sofrimento que cada um de nós vivemos.
00:43:08Por o dolor, por a angustia, por o sometimento.
00:43:11Um doido.
00:44:07A CIDADE NO BRASIL
00:44:26A CIDADE NO BRASIL
00:44:41A CIDADE NO BRASIL
00:45:02A CIDADE NO BRASIL
00:45:42A CIDADE NO BRASIL
00:45:45A CIDADE NO BRASIL
00:45:52A CIDADE NO BRASIL
00:46:11A CIDADE NO BRASIL
00:46:55A CIDADE NO BRASIL
00:47:09É que lá na pista
00:47:10Não gostam do negro e favelado
00:47:12Dizem que a favela
00:47:13É o foco do problema
00:47:14Mas geral já tá ligado
00:47:15Que o errado é o sistema
00:47:16Respeite o trabalhador
00:47:18E tenha mais humildade
00:47:19Guarde sua arrogância
00:47:20Abuso de autoridade
00:47:21Sou cria de favela
00:47:23Sou moleque guerreiro
00:47:24De família sofrida
00:47:25Do povo brasileiro
00:47:26Todos nós somos iguais
00:47:27E ninguém ama as que ninguém
00:47:28Se quer o meu respeito
00:47:29Passe a respeitar também
00:47:31Sou cria da favela
00:47:32E eu sei que você não gosta
00:47:33Explora da pobreza
00:47:35Mas não abre uma porta
00:47:36Sou preconceituoso
00:47:37Eu não gosto de falsidade
00:47:38Porque aqui na favela
00:47:40O papo é reto e de verdade
00:47:42Massa
00:47:42Boa lá
00:47:43Essa é boa
00:47:44Pô, não, é
00:47:45Para a raio pegando tudo
00:47:46Não, e a maneira que tu para
00:47:48Aqui nesse visual
00:47:49Que a gente tá, né
00:47:51E a cidade partida
00:47:53Ela só existe de lá pra cá
00:47:54Porque aqui de dentro
00:47:55A gente vê fora
00:47:56E também sabe como é
00:47:57Que acontece dentro
00:47:58Então não é partida pra nós
00:48:01Apesar de tentarem
00:48:02Manter a gente preso
00:48:03Aqui dentro
00:48:03A gente tá aí disputando
00:48:05Isso tudo, né
00:48:06E se nem sempre a gente
00:48:07Consegue ir em corpo
00:48:08A gente vai com a voz
00:48:09A gente vai com a escrita
00:48:10A gente vai com a mente
00:48:12Com a poesia
00:48:14Com as ferramentas
00:48:15Que a gente tiver, pô
00:48:16A poesia é meu instrumento
00:48:17Vai passar a visão
00:48:19Passar a mensagem
00:48:20Não só pra fora, pô
00:48:21Meu objetivo não é passar pra fora não
00:48:22É pra dentro mesmo
00:48:23Os nossos
00:48:23Porque tem que falar sobre isso, pô
00:48:25É minha realidade
00:48:26Tá em tudo mesmo
00:48:27Pô, isso aqui
00:48:27Olha essa vista, cara
00:48:29Criativo pra cá lá
00:48:30Tá em tudo
00:48:32Olha que lindo, cara
00:48:33Olha onde nós tá
00:48:35No meio de tudo que tava rolando
00:48:36E nós tá aqui conversando
00:48:37Não quero falar de guerra
00:48:38Mas é isso que me cerca
00:48:39Não vou poder estudar hoje
00:48:41Porque não dá pra andar pela favela
00:48:43Foi dita há sete anos atrás
00:48:44Que era pela paz
00:48:45Hoje me pego lá no posto
00:48:46De menino doce
00:48:47Com medo, receio e agonia
00:48:49Chorando no colo de sua mãe
00:48:50Pedindo por favor
00:48:51Me salva dessa covardia
00:48:53Moradores agoniados
00:48:53Comércios fechados
00:48:54E pracinhas vazias
00:48:55Casas metralhadas
00:48:56Como se fossem tiroalva
00:48:58Sério
00:48:58Como eu posso dar bom dia
00:49:02Faz silêncio na favela
00:49:03Mas eu trilho a senhora ainda de tiro
00:49:05Se eu pedir paz
00:49:06Vocês mudam um baile
00:49:06Então eu peço compaixão
00:49:08Com paixão pro moleque
00:49:09Foi ali rápido de comprar o pão
00:49:11Pra tia que tá indo trabalhar
00:49:12Porque a mãe solteira
00:49:14E pra meninasada
00:49:15Que tá dúvida pra voltar
00:49:16A estudar segunda-feira
00:49:17Se ainda não for suficiente
00:49:20Pouco a pouco vou morrendo
00:49:21Cada vez mais gente
00:49:23E aí, Raul Santiago
00:49:25O que será dos nossos descendentes?
00:49:27É isso
00:49:27Aulas e mais aulas
00:49:29Poesia pura
00:50:13Eu estou aqui
00:50:17Para buscar uma verdade
00:50:19Porque um de vocês
00:50:20Tinha a verdade
00:50:21De a morte de meu filho
00:50:23Quer a senhora
00:50:24Que lhe contem
00:50:25E lhe diz
00:50:26Eu fui
00:50:27O desgraciado
00:50:28Que você disse
00:50:29Que lhe matou seu filho
00:50:32Isso é muito difícil
00:50:40A palavra é importante
00:50:42O diálogo é importante
00:50:44Para nós
00:50:49Eu acho que
00:50:51Escuchar ao outro
00:50:52Essa vai ser
00:50:53A melhor ferramenta
00:50:54A melhor ferramenta
00:51:13A melhor ferramenta
00:51:18De nós
00:51:19Sempre foi
00:51:20Mediante
00:51:21O diálogo
00:51:24Eu acho que a melhor arma
00:51:25É desarmar
00:51:26Esos corazones
00:51:28Que ainda têm
00:51:29Muito odio
00:51:29Mas olha
00:51:30O afecto
00:51:31Como me o ganam
00:51:32Como se o ganam
00:51:33Estas mulheres
00:51:33É o acercamento
00:51:35Escuchar ao outro
00:51:37E
00:51:38Aunque
00:51:39Que não seja
00:51:39De teu agrado
00:51:41Eu lhe digo sempre
00:51:42Hijo
00:51:44Te dejas dar um abraço
00:51:59Já sofreu muitas ameaças
00:52:01Algumas mais graves
00:52:02Outras nem tanto
00:52:05A gente passa na rua
00:52:06E os policiais
00:52:07Já chamam a gente
00:52:08Pelo nome inteiro
00:52:09E aí Raul Santiago
00:52:10Não vai tirar foto
00:52:11De polícia hoje não
00:52:12Vou escrever teu nome
00:52:14Numa bala perdida
00:52:39Numa bala perdida
00:52:57Numa bala perdida
00:53:24Numa bala perdida
00:53:31Alvorada
00:53:32Buscar uma resposta
00:53:33Buscar um posicionamento
00:53:35Sobre quando
00:53:36Essas famílias
00:53:38Poderão voltar
00:53:38Para suas casas
00:53:40E agora com
00:53:40Ouvidoria da Ordem
00:53:42Os Advogados do Brasil
00:53:42Do Ministério Público
00:53:44Comissão de Direitos Humanos
00:53:45Da Alerje
00:53:45Para com os próprios olhos
00:53:46E eles mesmos
00:53:47Fazerem os seus próprios
00:53:49Registros
00:53:50Da situação
00:53:51Que está acontecendo
00:53:51Lá na Praça do Samba
00:53:52Eu vou manter o Ao Vivo
00:53:53Aqui direto
00:53:54Agradeço a todo mundo
00:53:55Que está acompanhando a gente
00:53:56Quem puder compartilhar
00:53:57O Ao Vivo está
00:53:58Para além de narrar
00:53:59E mostrar o que está acontecendo
00:54:00Também como sendo
00:54:01Mais uma ferramenta
00:54:02De garantia
00:54:02De segurança
00:54:03Para todos nós
00:54:04Que estamos aqui no Alto
00:54:05Uma situação
00:54:06Que tem que pensar
00:54:08Essa situação
00:54:08Que está acontecendo
00:54:09Aqueles policiais
00:54:10Indo com pá
00:54:10Indo com pedra
00:54:11Indo fazer mais obras
00:54:13Nas casas de moradores
00:54:16Indo para a direção
00:54:17Em que a gente vai
00:54:18Com certeza
00:54:19Para querer formar um caô
00:54:20Para que aconteça
00:54:21Um tiroteio
00:54:22Para que a gente não chegue
00:54:24Ao lugar que a gente tem que ir
00:54:29Então a gente queria entender
00:54:31Por que essa arbitrariedade
00:54:33Por que toda essa violência
00:54:34Por que toda essa situação
00:54:36São de invasão
00:54:37Expulsão
00:54:38Agressão
00:54:38E violação
00:54:39De direitos
00:54:39De diversas formas
00:54:40Dos moradores
00:54:41Das favelas
00:54:42Aqui do Complexo do Alemão
00:54:43A gente está indo agora
00:54:44Lá para a Praça do Samba
00:54:47Infelizmente
00:54:47Saiu um grupo
00:54:48De policiais na frente
00:54:49Que eu pensando
00:54:51A partir do que eu já vivo
00:54:52Aqui há bastante tempo
00:54:53Podem estar indo na frente
00:54:54Para efetuar disparo
00:54:55Para o alto
00:54:56Para fazer alguma situação
00:54:57Que assuste
00:54:58Os nossos advogados
00:54:59A nossa comissão
00:55:00Que está aqui na favela
00:55:02Mas a gente está seguindo firme
00:55:03Com bastante moradores
00:55:05Sentindo lá
00:55:07A Praça do Samba
00:55:09Onde está rolando a situação
00:55:10Das casas invadidas
00:55:22Agora a gente está chegando
00:55:23Aqui na localidade
00:55:24Onde o problema todo acontece
00:55:26Que é a Praça do Samba
00:55:27Acredito que o meu sinal
00:55:28Deve picotar um pouco
00:55:30Mas a gente vai seguir
00:55:31Com a imagem
00:55:35Começou um tiroteio
00:55:37Os policiais vieram na frente
00:55:39Iniciaram o tiroteio agora
00:55:41Os policiais iniciaram
00:55:43Um tiroteio
00:55:44Para ninguém filmar
00:55:46O que está acontecendo aqui
00:55:48Mas a gente está seguindo
00:55:50A gente está com a ouvidoria
00:55:52Do Ministério Público
00:55:53São os policiais
00:55:54Afetando disparos
00:55:55Os policiais iniciaram
00:55:56Uma operação aqui agora
00:55:58Obviamente
00:55:59Ali a parede da casa
00:56:01De um morador
00:56:01Totalmente destruída
00:56:04Totalmente destruída
00:56:05Pessoal
00:56:06O sinal deve estar ruim
00:56:07Então eu vou falar
00:56:07Muito devagar
00:56:08Fica aqui pessoal
00:56:10Melhor garantir
00:56:10Segurar um pouco
00:56:11Ele está dando tiro
00:56:12Para o alto
00:56:13A polícia está ali
00:56:14A polícia está ali dando tiro
00:56:15Para o alto
00:56:15Para simular
00:56:16Uma situação de guerra
00:56:18Para a gente se refumar
00:56:20Para fazer a coisa
00:56:21Que ele não tira
00:56:22A onda com a cara
00:56:22Para a gente ver
00:56:23Nós estamos exatamente
00:56:25Na localidade conhecida
00:56:26Como Praça do Samba
00:56:27Na frente da gente
00:56:29Vem um grupo de policiais
00:56:30Que acabou de iniciar
00:56:32Um tiroteio
00:56:33Que acabou de iniciar
00:56:34O confronto
00:56:35Os policiais
00:56:36Dando tiro para o alto
00:56:37Ali
00:56:37A cara dele rindo
00:56:38Para caramba
00:56:51Olha lá
00:56:53Aquele policial
00:56:54Que tentou
00:56:55Aquele policial
00:56:56Lá de Faro
00:56:56Que tentou
00:56:57Me agredir ontem
00:56:58Novamente
00:56:58Está aí fazendo obra
00:57:03Parte dos policiais
00:57:05Que me agrediram ontem
00:57:05Quando a gente estava filmando
00:57:06Continuam ali
00:57:08Os policiais
00:57:09Ele efetuando lá
00:57:10Os disparos
00:57:11É na igreja
00:57:13É na laje
00:57:22A gente tem que avançar
00:57:24A gente pode ficar com medo não
00:57:26Ele não vai
00:57:30Ninguém avança
00:57:30Ninguém recua
00:57:31Está óbvio
00:57:32Que é uma situação
00:57:34De tiroteio forjado
00:57:35Pouco antes da gente vir
00:57:36Já veio um grupo de policial
00:57:37Na frente
00:57:38E agora
00:57:39Para essa
00:57:39É a situação
00:57:41A vocês moradores
00:57:42Que estão do outro lado
00:57:43Da Praça do Samba
00:57:44Eu peço que deem o reforço
00:57:46Se puderem filmar
00:57:47Fazer imagem
00:57:48Quem estiver do outro lado
00:57:50Da Praça do Samba
00:57:50Vai mandando direto
00:57:51Para o inbox
00:57:52Do Papo Reto
00:57:52Vai mandando direto
00:57:53Tudo para mim
00:57:54Aquela conexão
00:57:55De pessoas
00:57:55Da sorveteria
00:57:56Dali
00:57:57Da locadora
00:57:58Vai da janela
00:57:59Vai mandando aquelas fotos
00:58:00Para nós
00:58:01Vai fortalecendo
00:58:02Quem estiver por aí
00:58:02Quem puder fazer
00:58:03Essas imagens
00:58:04Porque a gente
00:58:04Está tentando resolver
00:58:05Essa situação
00:58:06Das casas invadidas
00:58:07E o mais curioso
00:58:08Disso tudo
00:58:09É que a maioria
00:58:09Dos policiais
00:58:10Estão sem salário
00:58:11Desde o início do ano
00:58:12Vários policiais
00:58:13Também morreram
00:58:14O governador
00:58:15Não liga para os policiais
00:58:17Estão pouco se lixando
00:58:18Para os pobres
00:58:18Matando os pobres
00:58:19E a situação é essa
00:58:37Toda a pessoa
00:58:38Lhe dá medo
00:58:39Morir
00:58:41Uno lhe diz
00:58:41Não te metas por aqui
00:58:42Que te van a matar
00:58:43Não te vayas
00:58:45Que te van a coger
00:58:48Exigimos
00:58:49A liberação
00:58:50De nossos familiares
00:58:51E amigos
00:58:52Esta
00:58:53Esta
00:58:54Nos duem
00:58:54A maldade
00:58:55De as mãos
00:58:55Está bem
00:58:56Exigimos
00:58:57Não porque
00:58:57Mira que
00:58:58Esta entra aqui
00:58:59Esta entra aqui
00:59:01
00:59:01E a outra
00:59:02Exigimos
00:59:03A liberação
00:59:04De nossos familiares
00:59:05E amigos
00:59:05Nos queremos
00:59:07Vivos
00:59:07Livres
00:59:07E em paz
00:59:08Nos queremos
00:59:10Vivos
00:59:12Vivos
00:59:12Livres
00:59:13E em paz
00:59:14Ven
00:59:15Faz algo
00:59:16Di algo
00:59:17Para que no
00:59:18Para que no
00:59:18Te toque a ti
00:59:20Para que no
00:59:25Te toque a ti
00:59:27Basta ya
00:59:29De secuestros
00:59:30Y desapariciones
00:59:31As mãos
00:59:33As mãos
00:59:34Catedrales
00:59:35Não somos
00:59:36Que somos
00:59:37Mães
00:59:38De la guerra
00:59:39Somos
00:59:41Que somos
00:59:42Mães
00:59:43Dinos
00:59:43Mães
00:59:45Vivos
00:59:46Vivos
00:59:47Livres
00:59:48E em paz
00:59:49Nos queremos
00:59:50Vivos
00:59:51Livres
00:59:53E em paz
00:59:54Nos duele
00:59:55a maldade dos malos
00:59:56mas mais
00:59:58a indiferença dos bons
01:00:01por a vida
01:00:03e a liberdade
01:00:04negociação e diálogo
01:00:06essa já não
01:00:09não queremos mais
01:00:11meninos e meninas
01:00:12de amor por culpa
01:00:15da guerra
01:00:15não queremos mais meninos
01:00:18exigimos
01:00:20a liberação
01:00:22de nossos familiares
01:00:24e amigos
01:00:25nos queremos
01:00:27vivos, livres e em paz
01:00:30se estamos
01:00:32em tua memória
01:00:33somos parte de tua história
01:00:36nos queremos
01:00:37vivos, livres e em paz
01:00:41não somos
01:00:42e queremos
01:00:43parte da guerra
01:00:45somos e queremos
01:00:48parte da paz
01:00:50não queremos mais meninos
01:00:52e meninas
01:00:53nos queremos mais
01:00:55o amor por culpa da guerra
01:00:57nos queremos
01:00:59que somos
01:01:00vivos, livres e em paz
01:01:02Este é o nosso dolor, guarde o mundo.
01:01:07Por o direito à vida e à liberdade, este é o que mais me gusta,
01:01:11filho de mãe, que os liberem já.
01:01:15Quantas vezes eu te vi, eu te disse,
01:01:20com os peixos diziam que me amava.
01:01:27Poco a pouco, com o tempo,
01:01:30o tempo alejándome de ti.
01:01:34Por caminos que se alejan me perdí.
01:01:39Por caminos que se alejan me perdí.
01:01:45Hoje he vuelto, madre, a recordar
01:01:50quantas cosas diziam de tu altar.
01:01:55E ao rezar te puedo comprender
01:01:59que uma mãe não se cansar de esperar.
01:02:05Que uma mãe não se cansar de esperar.
01:02:09A que nos arranca o coração.
01:02:12A que o filho se alejará do lugar.
01:02:17Uma mãe sempre espera o seu regresso.
01:02:24O regalo mais hermoso que aos filhos dá o Senhor.
01:02:31É a mãe e o milagro do seu amor.
01:02:37É a mãe e o milagro do seu amor.
01:02:41Hoje he vuelto, madre, a recordar
01:02:47quantas coisas diziam de tu altar.
01:02:52E ao rezar te puedo comprender
01:02:57que uma mãe não se cansar de esperar.
01:03:02Que uma mãe não se cansar de esperar.
01:03:08A senhora sabe manejar
01:03:10e não trae a caminhada.
01:03:12E o irmão tem toda uma trajetória como professor ou maestro,
01:03:16mas também como sindicalista do magisterio,
01:03:22que dá todo um âmbito distinto
01:03:24à sua participação meramente pedagógica.
01:03:30Ao mesmo tempo, ele é uma das pessoas
01:03:33afetadas por os caballeros templários
01:03:36e por os políticos
01:03:38que asesinaram a sua pai.
01:03:42E se involucra na defesa do território.
01:03:45Se involucra, pouco a pouco,
01:03:47na polícia comunitária,
01:03:49pouco a pouco, no movimento de autodefensas,
01:03:51até se convertir em encarregado da segurança
01:03:54em todo o município de Aquila.
01:03:57Então, eles colocaram a cara e...
01:04:00E aí, o irmão,
01:04:01falta um dedo, menino.
01:04:02Vamos chegando, porque aqui andamos.
01:04:07Dá-lhe, dá-lhe,
01:04:08para fazer o tempo, já.
01:04:12Vamos buscar ali,
01:04:13aqui estamos chegando, porque...
01:04:23De passar de ser maestro
01:04:26De ser do Magisterio Michoacão
01:04:30Orgullosamente de la sesión 18
01:04:32Aunque ojalá e não renieguem
01:04:34Nos companheiros
01:04:34Dime que o luchador social
01:04:37Não agarrou as armas, irmão
01:04:42Vinindo do Magisterio Mexicano
01:04:44Todos
01:04:48Oye, te gustaría
01:04:52Regresar a dar clases
01:04:53Cambiar, parar un pouco
01:04:55Nosotros não podemos
01:05:00Não, não, não
01:05:03Não tem caso que me regrese a dar clases
01:05:053, 4 meses
01:05:07E depois de um cabrão e me mate
01:05:11Não temos uma vida social, irmão
01:05:15E temos um problema
01:05:35E isso é um problema
01:05:46Não podemos ficar de esse lado se querem seguir vivos
01:05:50Que do outro lado
01:05:51Só vão encontrar traição
01:06:04Mas o que tu dizias
01:06:05Aunque tengas um salário
01:06:07Para ti é outra coisa
01:06:09Como definirias
01:06:11É outra coisa
01:06:24É uma necessidade
01:06:34É uma necessidade
01:06:37Para mim é uma necessidade
01:07:09Mas também tem que ver
01:07:22É uma necessidade
01:07:26Para mim é uma necessidade
01:07:30Para mim é uma necessidade
01:07:45Para mim é uma necessidade
01:08:10E se isso me custa a vida
01:08:13É um preço que tem que assumir
01:08:16E se isso me custa a vida
01:08:17É uma necessidade
01:08:44É uma necessidade
01:09:08A guerra fica para dentro das favelas
01:09:10Porque a droga está em todo lugar
01:09:12Então não é guerra às drogas, é guerra ao pobre
01:09:14Essa guerra tem um recorte social
01:09:16Ela tem um endereço onde ela acontece
01:09:18Dessa fronteira da favela para fora
01:09:20Ela não pode acontecer
01:09:52Em nome da paz que a gente vive essa violência diária
01:09:55Que o estado manda a polícia, o caveirão
01:09:57Todos esses problemas é para trazer a paz
01:09:59Em nome da paz se disparam milhares de vezes
01:10:02Armas de fogo aqui dentro da favela
01:10:18Em que momento descansa o dolor?
01:10:20Em que momento descansa a incertidumbre?
01:10:34Nós seguimos perdendo todos os dias
01:10:36Porque todos os dias estamos perdendo seres queridos
01:10:39Todos os dias estão desaparecendo pessoas
01:10:41Todos os dias estão matando lideresas
01:10:43Todos os dias estão matando mulheres
01:11:08Os que estão aliados com o governo não perderão nada
01:11:11Perderão o alma o dia que se moram
01:11:13Não perderão nada
01:11:15Eles com tal de estar fomentando a guerra
01:11:17Eles não perderão nada
01:11:19Eles ganam
01:11:20Não perderão nada
01:11:50Não perderão nada
01:12:21Não perderão nada
01:12:22Eu vou chamar o capitalismo criminal
01:12:24Eu vou chamar o capitalismo criminal
01:12:25Em que a violência é também já um grande negócio
01:12:58Eu vou chamar o capitalismo criminal
01:13:04Não é que antes não fosse
01:13:07Mas que de uns 20 anos para cá
01:13:11Se consolidou como um grande negócio
01:13:15O grande negócio na América Latina
01:13:17É a reprodução da violência
01:13:47Música
01:13:59Música
01:14:26Música
01:14:56Música
01:15:17Música
01:15:28Música
01:15:32Música
01:15:39Música
01:15:40Música
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