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O programa mostra como o crime organizado se expandiu, se infiltrou no Estado e na economia, e como isso afeta a vida da população.
Categoria
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AprendizadoTranscrição
00:06Música
00:12Então tinha 30 mil presos, amontoados em delegacias e carceragens.
00:17Tinha rebelião, resgate de presos, de policial.
00:21Era um período muito turbulento.
00:23Música
00:26O PCC surge em 93, no anexo da Casa de Custódia de Taubaté,
00:32com a principal bandeira ali, a principal motivação, diria, é a luta contra a violência do cárcere.
00:39Quando eu soube da existência do PCC, era uma facção ainda muito pequena.
00:45O Estado, na minha opinião, é o pai do PCC.
00:49Deixaram uma facção criada dentro do interior do presídio,
00:52passar uma organização criminosa que, em 2006, já comandava o tráfico no Estado de São Paulo
00:57e conseguia colocar de joelhos o maior Estado da Federação.
01:01Música
01:05Praticamente 30% do território nacional, 45 até 60 milhões de brasileiros
01:12que vivem sob territórios, vivem sob o junto do crime organizado.
01:17Hoje, não consigo mais enxergar esse tipo de entidade como uma entidade apenas de narcotráfico.
01:25Ela é um agente econômico.
01:27Ela está infiltrada dentro da economia, dentro desses mercados.
01:32Música
01:35Toda organização criminosa tem a sua atividade principal
01:38e ela tem dois sustentáculos, que são as bases de funcionamento dessa organização.
01:43Uma é a lavagem de dinheiro e outra é a corrupção de agentes públicos.
01:46Uma vez que eles estão dentro da economia formal,
01:49você tem que parar a atividade empresarial da qual eles estão tirando os maiores lucros hoje.
01:53Uma organização como o PCC não é uma gangue que trafica drogas.
01:56Ela foi há 20 anos atrás.
01:59Hoje, é o que eu chamaria de um empreendimento crimino empresarial.
02:08E só quando você consegue determinar quem é financeiramente
02:12que está por trás deste crime organizado, você estrangula.
02:16O crime organizado hoje, na verdade, não tem cara.
02:20As atuais lideranças, muitas delas nunca nem estiveram no sistema prisional.
02:25Quando a gente olha agora, de 2026, o que aconteceu de 93 a 2006,
02:30fica relativamente fácil imaginar o que a gente poderia ter feito
02:34para evitar que o PCC saísse de onde saiu e chegasse onde chegou em 2006.
02:38Ainda não estamos falando de 2006 a 2026.
02:41Se, assim como nós negligenciamos em 2006,
02:45nada for feito agora,
02:47daqui a uma, duas décadas, nós podemos ter
02:50uma infiltração, uma participação tão grande do PCC
02:55que o Estado e a economia, principalmente, não conseguem sobreviver
02:59sem a presença do crime organizado.
03:01E aí a gente está diante do narco-Estado.
03:19O Presidente Prudente, a região aqui,
03:22mas excepcionalmente o Presidente Prudente,
03:24é uma das regiões mais tranquilas em termos de índices criminais do Estado de São Paulo.
03:33Eu desloco o carbo-lidardo.
03:36Eu praticamente tenho que informar previamente todos os meus passos.
03:43Bom dia, doutor.
03:48Eu tenho uma escolta, de fato, diferenciada,
03:51que é uma escolta de autoridade e dignidade.
04:07Em 2005, eu acabei pedindo o isolamento
04:10de alguns integrantes do PCC do RDD,
04:13o Regime Disciplinar Diferenciado,
04:15algo que não era usual no Estado de São Paulo.
04:17E um deles determinou a minha morte.
04:30Desde 2005, eu passei a andar escoltado.
04:38Foi o primeiro episódio na minha vida
04:40de uma ameaça real,
04:42de um plano para me matar.
04:43Isso coincidiu com o nascimento do meu segundo filho.
04:46O segundo filho nasceu no dia 15 de janeiro
04:49e no dia 17 de janeiro eu recebi uma ligação
04:52do Ministério Público em São Paulo, na capital,
04:55que era para eu ir correndo para a minha casa
04:57porque já havia um plano para me matar.
05:01Essa situação se agravou em 2013,
05:04quando eu ofereci o que foi chamado
05:06de maior investigação da história do Ministério Público.
05:10Penitenciária 2 de presidente Wenceslau.
05:12Aqui no interior de São Paulo,
05:14está presa a cúpula da quadrilha
05:15que, segundo o Ministério Público,
05:18controla 90% das prisões do Estado.
05:20Em que nós oferecemos uma ação penal,
05:23uma denúncia contra 175 integrantes do PCC,
05:27inclusive o Marcola.
05:28Pedimos o isolamento de 35 líderes,
05:31inclusive o Marcola.
05:41E a situação, por fim,
05:43ela se agravou muito,
05:45a partir de 2018,
05:46quando nós descobrimos um plano de resgate
05:49do Marcola e toda a cúpula na Penitenciária 2.
05:52A Justiça Federal autorizou a transferência
05:55de presos de uma facção criminosa
05:57de penitenciárias em São Paulo
05:58para presídios federais.
06:00E eu acabei fazendo esse requerimento
06:03de remoção sozinho.
06:05O próprio governador do Estado
06:07se negou a fazer a remoção.
06:10Os próprios secretários de Segurança Pública
06:13e de administração penitenciária
06:15se negaram a fazer a remoção
06:18com receio de novos ataques,
06:21como em 2006.
06:27E, de fato, essa remoção ocorreu
06:30em fevereiro de 2019,
06:32onde eles permanecem até hoje.
06:34Mas isso selou de vez
06:35a minha vida,
06:37porque houve uma decretação de morte,
06:39custasse o que custasse,
06:41passasse o tempo que for necessário,
06:44que eu deveria ser morto.
06:45Até para que eu sirva de exemplo
06:47para outros promotores, juízes, policiais,
06:51para que não tenham a mesma conduta
06:53que eu tive.
07:04Tenho comigo
07:05uma convicção
07:07de que isso não vai terminar
07:09quando eu me aposentar
07:11no Ministério Público,
07:12até porque nós tivemos recentemente
07:14a morte do Rui Ferraz Fontes,
07:17doutor Rui delegado,
07:18que também por décadas
07:20chefiou investigações contra o PCC
07:22e foi morto depois de aposentado.
07:25Perseguição, emboscada
07:27e um crime brutal.
07:32Documentos exclusivos
07:33mostram que ele estava
07:34na mira do PCC.
07:36Nós tivemos no passado
07:37a morte do Ismael Pedrosa,
07:39que foi o primeiro diretor
07:41onde o PCC foi criado,
07:42em Taubaté,
07:43foi diretor do Carandiru
07:45na época do massacre
07:46e que foi fuzilado
07:47depois de aposentar.
07:50Essa vingança,
07:51assim como das máfias,
07:52ela continua
07:53e continuará ativa.
07:56Isso custou a minha liberdade,
07:58custou a liberdade
07:59da minha família
08:01e custou a minha paz.
08:32A CIDADE NO BRASIL
08:38Sou nascido em Presidente Prudente,
08:40estudei aqui,
08:42criei,
08:42me casei aqui,
08:43fui para São Paulo
08:44quando eu assumi
08:45o primeiro cargo
08:46no Ministério Público,
08:47fiquei alguns meses
08:48e depois retornei
08:49para o tempo interior.
08:58Como jornalista,
08:59repórter,
09:0040 anos.
09:01Polícia,
09:02direto,
09:03assim,
09:04ininterruptamente,
09:05três décadas,
09:0630 anos.
09:08Já nos últimos meses
09:09de 93,
09:10nós começamos
09:10a receber presos
09:12na penitenciária
09:12de Bernardes
09:13que já faziam
09:14menção ao PCC.
09:19Quando com a sua vida
09:20se cruza
09:21com a história
09:21do PCC,
09:22Josmar?
09:23Cruza a partir
09:24de 1995,
09:26quando eu comecei
09:27a cobrir
09:27o sistema prisional.
09:29Era um período
09:30muito turbulento,
09:31com muitas rebeliões,
09:33resgate de presos,
09:34morte de policial.
09:36O sistema prisional
09:37era um caos,
09:37um horror.
09:39presos que haviam
09:40participado
09:40de rebeliões,
09:42cometido crime
09:43em outras unidades
09:44prisionais,
09:45eles eram transferidos
09:46com uma espécie
09:47de castigo
09:48para a casa
09:48de custódia
09:49e tratamento
09:50de Taubaté,
09:51onde o apelido
09:52era Piranhão.
09:53A casa de custódia
09:54é uma penitenciária
09:55de segurança máxima.
09:56Ao todo,
09:56são 344 celas.
09:59Eles chamavam
09:59de caverna
10:00de campo de concentração.
10:02Os presos
10:02ficavam seis anos
10:03sem ter visita,
10:05apanhavam todos os dias.
10:06Uma série de abusos.
10:08O estopim
10:09foi o massacre
10:10do Carandiru.
10:11Foi uma carnificina,
10:13111 presos morreram,
10:15um número oficial.
10:16Um dia
10:17de muita tensão
10:18na maior penitenciária
10:20do país.
10:20A rebelião
10:21no pavilhão 9
10:22da casa de detenção
10:23em São Paulo
10:24terminou em tragédia.
10:26O perito Oswaldo Negrini
10:27do Instituto de Criminalística
10:28da Polícia Paulista
10:29provou que a invasão
10:31do presídio
10:31do Carandiru
10:32foi realmente
10:33um massacre.
10:38do Carandiru.
10:38O Carandiru
10:39foi o que
10:39foi o que
10:40o Carandiru.
10:45O Carandiru
10:45Eu já sabia
10:46que tinha
10:47esse movimento,
10:48essa organização,
10:49mas eu não tinha
10:50prova nenhuma.
10:52Louco,
10:52fiquei uns dois anos
10:53atrás disso
10:54para poder provar
10:55por A mais B
10:56que tinha
10:57com algum documento,
10:58alguma coisa,
10:58alguma pichação.
11:02Eu fui na casa
11:03de custódia,
11:04falei com o doutor
11:04Pedro Pedrosa.
11:05Bom dia.
11:06Bom dia,
11:06tudo bem?
11:07Tudo bem.
11:08Beleza?
11:08O mesmo
11:09que dirigiu
11:10a casa de detenção
11:10na época do massacre.
11:16Bom, querido.
11:17Tudo bem, doutora?
11:18Tudo bem?
11:18Falei,
11:19eu vim aqui
11:19para conversar
11:20com o Sombra,
11:20que era um preso líder,
11:22né?
11:22E o Pedrosa falou,
11:23não,
11:23aqui não tem
11:24facção criminosa,
11:25eu não vou deixar
11:26você falar com o Sombra,
11:28porque ele é um preso
11:28muito perigoso.
11:29Eram uns bandidos
11:30conhecidos mesmo.
11:31Sim.
11:32Daquele PCC raiz.
11:33Isso.
11:34que fazia aquelas
11:35contabilidades,
11:36a caneta.
11:37Anota aí,
11:37porque esse caso
11:38me interessa muito.
11:39Por que ele foi morto?
11:41Então,
11:41é isso que eu não sei nada,
11:42doutora.
11:44Havia um movimento
11:45dentro das cadeias,
11:47mas,
11:48por outro lado,
11:49as autoridades,
11:50né?
11:50Eu era apenas um promotor
11:52de primeira entrância
11:53de presidente Bernardes,
11:54eu percebia que as autoridades,
11:56elas negavam a existência
11:58de qualquer facção.
11:59Isso é uma ficção,
12:01é uma valela,
12:01uma irresponsabilidade,
12:03não é?
12:04O PCC era a criação
12:06da imprensa,
12:06que não existia,
12:08mas nós que estávamos ali
12:09muito próximos
12:11da unidade prisional,
12:12a gente percebia
12:13que algo diferente
12:15estava acontecendo.
12:16Existe nenhum dado,
12:17nenhum fato,
12:19só há um documento apócrife
12:22referente a essa organização
12:23criminosa.
12:24A organização criminosa
12:25não faz estatuto
12:26e não manda
12:26para as autoridades.
12:27até que em 1997,
12:31eu acho que em maio,
12:32agentes penitenciários
12:33conseguiram apreender
12:34um estatuto do PCC,
12:36aí veio a público.
12:3716 cláusulas
12:38foi publicado terça-feira
12:40no Diário Oficial do Estado.
12:42O lema do comando,
12:44liberdade, justiça e paz,
12:46esconde a crueldade.
12:47Foi assim,
12:48um manuscrito,
12:49sabe,
12:49um pedaço de papel.
12:51Tinha que ser fiel
12:52ao PCC,
12:53não podia cometer erros
12:54que no crime
12:55eles não toleram,
12:56não trair,
12:57não dedurar,
12:58não mexer com a mulher
12:59do outro preso,
13:00respeitar os presos
13:01no sistema,
13:02no dia de visita,
13:03não roubrar os presos,
13:04ser sempre leal,
13:05lutar contra a opressão,
13:06mas o principal
13:07que tinha lá
13:08para lutar
13:09pela desativação
13:11do berço do PCC,
13:12a Casa de Custódia
13:13de Tratamento de Itabaté.
13:16Quando eu soube
13:18da existência do PCC,
13:20era uma facção
13:21ainda muito pequena
13:23e aí a gente percebeu
13:24uma forma de organização
13:26um pouco mais,
13:27vamos dizer assim,
13:28semelhante
13:29a uma organização sindical.
13:31Então eles se organizavam
13:32para fazer reivindicação,
13:34tanto na questão
13:36do cumprimento de pena,
13:38seja na questão
13:39da superlotação,
13:41alimentação,
13:42quanto também
13:42do andamento
13:43dos processos
13:44que por vezes
13:45também atrasava muito
13:46em determinadas regiões
13:48dos processos de execução.
13:49Até que em 2001,
13:51o PCC mostrou
13:52pela primeira vez
13:52a cara dele
13:53quando realizou
13:54a primeira mega rebelião
13:55em São Paulo
13:56que teve repercussão mundial.
13:58As rebeliões
13:59nos presídios de São Paulo
14:00foram destaques
14:01nos principais jornais
14:02do mundo.
14:03Em pouco tempo,
14:04os pátios e pavilhões
14:05foram tomados.
14:06A troca de tiros
14:07deixou um rastro de sangue.
14:09Os primeiros feridos
14:10foram levados
14:11para hospitais.
14:1229 presídios
14:14de São Paulo,
14:15quatro cadeias públicas
14:16com vários mortos
14:17entre presos,
14:19agentes penitenciários
14:20feitos reféns
14:21e aí eles
14:22picharam no chão
14:24o PCC,
14:24o número 1533.
14:26O 15
14:26se refere
14:27à 15ª letra
14:29do alfabeto,
14:30a letra P.
14:30O número 3
14:31faz alusão
14:32à terceira letra,
14:34uma sequência
14:35que indica
14:35de quem é a liderança.
14:37E fizeram bandeiras
14:38também,
14:38muitas bandeiras
14:39com lençóis brancos,
14:40mostrando a cara
14:41e a partir daí
14:42não teve como negar.
14:44Isso já mostrou
14:46o poder de organização
14:47que eles tinham
14:48em afrontar o Estado
14:49quando quisessem
14:50e também
14:51a ineficiência do Estado,
14:53a incompetência do Estado
14:55em poder ter previsto
14:57que isso poderia ocorrer.
14:59A mega rebelião de 2001
15:01foi comandada
15:02e planejada
15:02através de celulares
15:04que entravam
15:05ilicitamente nos presídios.
15:06A principal ferramenta
15:08usada no planejamento
15:09das rebeliões
15:10está aqui,
15:10o telefone celular
15:11pré-pago.
15:12Os parentes dos presos
15:13dizem que na semana passada
15:15funcionários aqui
15:16do complexo
15:17do Carandiru
15:18estavam cobrando
15:19600 reais
15:20para levar um telefone
15:22desses
15:22para dentro da cadeia.
15:23Em transmissão
15:24praticamente
15:25pelos canais
15:26de televisão
15:26porque os presos
15:27ligavam
15:28e conversavam
15:29ao vivo.
15:30Eles tiveram acesso
15:31a uma arma
15:32poderosíssima
15:33que eram
15:34as centrais telefônicas.
15:35as centrais telefônicas
15:37operavam na rua
15:37geralmente
15:38por pessoas
15:39ligadas aos presos.
15:40O preso falava
15:41por teleconferência
15:43com quatro presídios
15:44ao mesmo tempo.
15:48Eu lembro que um dia
15:50umas mulheres
15:51passaram lá na redação
15:52para me encontrar
15:53umas cinco.
15:54Aí elas falaram
15:54vamos com a gente
15:55ali no lugar?
15:56Aí eu fui sem saber.
15:58E só depois
15:58eu fui perceber
15:59que eu estava
15:59no coração
16:00de uma das maiores
16:01centrais telefônicas.
16:02A chefia começou
16:03até a duvidar de mim
16:04não, não é possível isso.
16:05E eles não deram
16:06muito destaque
16:07fizeram assim
16:07numa coluna
16:08de jornal, né?
16:09É uma matéria
16:10quando não tem
16:11muito destaque
16:11ela sai assim
16:12numa coluna
16:13de jornal
16:15e aí quando
16:16passou uma semana
16:18o DEIC
16:18fez uma grande
16:19operação
16:20e aí descobriram
16:22umas sete
16:22ou oito
16:23centrais telefônicas.
16:24A central do PCC
16:25tinha doze
16:26linhas telefônicas.
16:27É a décima terceira
16:28central telefônica
16:29que a polícia
16:30descobre
16:30em menos de uma semana.
16:32E até então
16:32nem se falava
16:33do uso de telefones
16:34dentro dos presídios.
16:35Nem se falava,
16:36nem se falava.
16:37Com a central telefônica
16:39descoberta hoje
16:40em São Bernardo do Campo
16:41somam-se agora
16:4227 já encontradas
16:45pela polícia
16:46desde que o PCC
16:47começou a ser investigado
16:48há mais de um ano.
16:50Eu estudo
16:51esse fenômeno
16:52há mais de 20 anos
16:53e eu não tenho dúvida
16:55de que
16:55não só o PCC
16:56mas qualquer
16:57organização criminosa
16:58ela só tem
17:00condições
17:00de ser criada
17:02e de crescer
17:03se houver
17:04ausência do Estado.
17:05O Estado
17:06na minha opinião
17:07é o pai do PCC
17:08e das outras
17:09facções criminosas
17:10que nasceram
17:11repetindo
17:12atrás das graves.
17:13A Secretaria
17:14de Segurança Pública
17:15acredita que está
17:16ganhando a batalha
17:17contra o PCC.
17:19O governo
17:20em maio
17:21de 2006
17:22recebeu a informação
17:23que ia ter
17:24uma rebelião
17:24em massa
17:25como a primeira
17:26que teve em 2001.
17:28E aí decidiu
17:29isolar
17:29todos os líderes
17:31que eles achavam
17:32que era do PCC.
17:34Porque a remoção
17:35da cúpula
17:36do PCC
17:37em maio
17:38para a Penitenciária 2
17:40ela foi feita
17:41sob absoluto sigilo
17:42pelo governo do Estado.
17:43Eu, por exemplo,
17:44que estava à frente
17:45já de investigações
17:46relativas ao PCC
17:48que já era
17:49corredor
17:50de unidades prisionais
17:51aqui da região
17:52que tinha muito
17:53contato
17:54inclusive com o secretário
17:55de administração
17:56pretenciário
17:57Nagashi Furukawa
17:58eu não soube
17:59da remoção.
18:00Eu soube da remoção
18:01exatamente no dia
18:02que ela ocorreu.
18:03Na quinta-feira
18:04765 presos
18:05que estavam
18:06em vários presídios
18:07do Estado
18:08foram transferidos
18:09para presidente
18:10Wenceslau.
18:11A polícia
18:11tinha informações
18:12que os criminosos
18:13estavam preparando
18:14rebeliões e atentados
18:15para este domingo.
18:16Eles se sentiram
18:19vamos dizer assim
18:20perseguidos
18:21de certa maneira
18:22pelo Estado
18:23porque eles foram
18:24transferidos
18:25sem ter praticado
18:26nenhum tipo de
18:27falta grave
18:28ou algo
18:29nesse sentido.
18:30E para piorar
18:31a situação
18:31nós tínhamos
18:32no segundo domingo
18:33de maio
18:33o Dia das Mães
18:34que é um dia
18:35sagrado
18:36para o preso
18:37e quando há
18:38essas revoluções
18:39o preso
18:40fica 30 dias
18:41isolado.
18:43Havia passado
18:44alguns celulares
18:46que mesmo
18:46com os cuidados
18:47na remoção
18:48eles acabaram
18:49entrando
18:50nas unidades
18:50prisionais
18:51então quando
18:52esses presos
18:53determinaram
18:53começaram a fazer
18:54ligações
18:55para que todo
18:56o sistema prisional
18:57fosse para o chão
18:59na gíria
18:59que eles usam
19:00fosse colocado
19:01no chão
19:01foram mais de
19:0270 unidades
19:04prisionais
19:04rebeladas
19:05ao mesmo tempo.
19:06Durante a madrugada
19:07a energia elétrica
19:08do presídio
19:09de segurança máxima
19:10foi desligada
19:11a única luz
19:12vinha de colchões
19:13queimados
19:14no telhado
19:14pelos rebelados
19:24Teve a segunda
19:25mega rebelião
19:26que foi
19:27três vezes
19:28pior do que a primeira
19:29A crise começou
19:30dentro das celas
19:31e ainda é
19:32de dentro
19:33dos presídios
19:33que partem
19:34as ordens
19:35para aterrorizar
19:35a população
19:36e desafiar
19:37o Estado
19:37E concomitante isso
19:39ataques nas ruas
19:41Prédios e carros
19:42da polícia
19:42metralhados
19:43Pessoas ligadas
19:44à segurança pública
19:45mortas
19:46Nas ruas
19:47o PCC já tinha
19:48um exército gigante
19:49com milhares
19:50de seguidores
19:51Eles mataram
19:52quase 50 agentes
19:53públicos
19:54e o Estado
19:54deu uma resposta
19:55também absurda
19:56Forças policiais
19:57mataram
19:58mais de 400 pessoas
19:59nas ruas
20:09Muitos inocentes
20:10foram mortos
20:11que não tinha
20:11nada a ver
20:12com o sistema
20:13prisional
20:13não era agresso
20:14nem era nada
20:14não tinha nem
20:15antecedente criminal
20:16então foi
20:17um horror
20:18dos dois lados
20:18Com medo
20:19a população
20:20de São Paulo
20:21ficou em casa
20:22Desde o início
20:23da noite
20:23a capital
20:24estava estranhamente
20:25vazia
20:26quase uma cidade
20:27fantasma
20:27Nós não tínhamos
20:29informação
20:30sequer o motivo
20:31pelos quais
20:32os ataques
20:33estavam acontecendo
20:34Num primeiro momento
20:35quem eram
20:35os responsáveis
20:36pelos ataques
20:37e de onde vinha
20:39quantos eram
20:40porque
20:40nós não tínhamos
20:42nenhuma informação
20:43sobre o PCC
20:44A gente sequer
20:45tinha um organograma
20:46completo do PCC
20:51Cinco anos
20:52depois
20:52da mega rebelião
20:54de 2001
20:55nada mudou
20:56o PCC
20:57o PC
21:03o PC
21:05o PC
21:05o PC
21:06tá vendo
21:06com o barato
21:07não é brincadeira
21:08nós queremos
21:09nossos direitos
21:10entendeu
21:29meu nome é Camila
21:30Nunes Dias
21:31sou professora
21:32aqui da UFABC
21:33desde 2012
21:34e atuo
21:35na pesquisa
21:36na área
21:37de segurança
21:38pública
21:38mas especialmente
21:39em dinâmicas
21:40criminais
21:41e também
21:41em sistema
21:42prisional
21:45Então
21:46o meu doutorado
21:47foi focado
21:48especificamente
21:49sobre o PCC
21:50Boa tarde
21:51e a partir daí
21:53desenvolvi vários
21:54projetos
21:55sobre PCC
21:56e sobre
21:57a dinâmicas
21:58criminais
21:58na fronteira
21:59abordando
22:00uma comparação
22:01entre a tríplice
22:02fronteira
22:03do Paraná
22:03com essa
22:04do Mato Grosso do Sul
22:17Em 2006
22:18teve rebelião
22:19em 74 unidades
22:21prisionárias
22:21de São Paulo
22:22Os ataques
22:23não apenas
22:24explicitavam
22:25uma ruptura
22:26num equilíbrio
22:27com as forças
22:27do Estado
22:28mas eles também
22:29explicitaram
22:30o domínio
22:31de São Paulo
22:32PCC dominava
22:33São Paulo
22:33De 2006
22:34pra cá
22:35você não vê
22:35mais falar
22:36em rebelião
22:39Nesse momento
22:40em que o PCC
22:41passa
22:42a transbordar
22:43do sistema prisional
22:44eu entendo
22:45que eles vão
22:45implementando
22:46as práticas
22:47de controle
22:48que já ocorriam
22:49nas prisões
22:50O PCC
22:51é uma espécie
22:52especialmente
22:52em São Paulo
22:53de uma agência
22:55reguladora
22:55do crime
22:56O PCC
22:57proibiu
22:58de matar
22:58isso nas prisões
22:59e fora das prisões
23:01E nas ruas
23:02então
23:02é o momento
23:03em que os homicídios
23:04já estão em queda
23:14Nesse momento
23:15já tem pessoas
23:16do PCC
23:17na fronteira
23:18com o Paraguai
23:18então
23:19essa ligação
23:20com o atacado
23:21já se inicia
23:22com o propósito
23:23de reduzir
23:24o número
23:24de intermediários
23:25mobilizar
23:26um acesso
23:27a drogas
23:28e armas
23:29com valores
23:29mais baixos
23:31e com mais
23:32regularidade
23:33no fornecimento
23:34mas onde eles
23:35se fixaram
23:36nesse processo
23:37foi Paraná
23:38e Mato Grosso do Sul
23:43Daqui da fronteira
23:44o crime organizado
23:45percebe a oportunidade
23:47em poder ampliar
23:48o seu domínio
23:48em novas rotas
23:50para o tráfico
23:50de drogas
23:51e de armas
23:51São centenas
23:53e centenas
23:54de quilômetros
23:54de estradas desertas
23:56mata fechada
23:57e rios muito largos
23:59que passam
24:00por mais de um estado
24:01e desafiam
24:02a fiscalização
24:10aqui a gente faz
24:11o controle
24:12da bagagem
24:12dos passageiros
24:13os viajantes
24:14que vão para o Paraguai
24:15fazer compras
24:15no exterior
24:16e retornam para cá
24:17que faz o controle
24:18de pessoas
24:18mercadorias
24:19e veículos
24:21verifica os veículos
24:22que passam
24:23com bastante frequência
24:24para cá
24:24a gente verifica
24:25veículos
24:26que nunca tiveram aqui
24:29aqui é mais
24:30a questão
24:31de descaminho
24:32e contrabando
24:33tem o que a gente chama
24:34o grupo dos pneuzeiros
24:35que é uma região
24:36que é o pessoal
24:36que trabalha mais
24:37para o pneu
24:37tem o pessoal
24:38do eletrônico
24:39esse é um pessoal
24:39um pouco mais forte
24:40o pessoal que trabalha
24:41para São Paulo
24:42as capitais
24:43Rio de Janeiro
24:44está vendo
24:45esse sentido do Paraná?
24:47essa aí
24:48ali na estrada
24:48do Jardim
24:49para pegar a ponte
24:50aqui
24:51e agora
24:51criou febre
24:52medicamentos
24:53que eleva
24:54para o Brasil inteiro
24:54e esse aí mesmo?
24:56esse mesmo
24:57recentemente
24:58grandes quantidades
24:59de maconha
25:00e cocaína
25:05tá tudo bom?
25:06tá sozinho
25:07no veículo?
25:07você passou
25:08pelo Paraguai
25:08ali?
25:09você tem a nota
25:09dos produtos aí?
25:10a gente sabe
25:10do que acontece
25:12na nossa região
25:12aqui
25:12sim
25:15vamos ter aqui já
25:16tá
25:17beleza
25:17vamos liberar
25:18então
25:30não sei o que que é
25:35a região de Mundo Novo
25:36é a que faz fronteira
25:37com o Paraná
25:37Mato Grosso do Sul
25:38e o Paraguai
25:39então a gente é
25:40uma triplice fronteira aqui
25:44aqui em relação ao Paraguai
25:45que é o nosso país vizinho
25:46a produção de maconha
25:48mas a cocaína é uma coisa
25:50que vem crescendo
25:50cada vez mais
25:51aumentando o número
25:52de apreensões
25:52e o volume
25:53de apreensões também
25:54né
25:54por aqui passam
25:56aproximadamente
25:577 mil
25:58a 10 mil veículos
25:59por dia
26:01e cada veículo
26:02normalmente ele transporta
26:03em média
26:04duas pessoas
26:05então nós temos
26:06uma estimativa
26:06de 14 mil pessoas
26:08a 20 mil pessoas
26:09cruzando a fronteira
26:10diariamente
26:11nós não abordamos
26:13100% dessas pessoas
26:14100% desses veículos
26:16temos que ter o que?
26:18um trabalho de inteligência
26:19e um trabalho de gerenciamento
26:20de risco
26:21para verificar
26:22e ter uma atuação
26:23mais efetiva
26:24além dos entorpecentes
26:26que entram no país
26:27nós temos as mercadoras
26:28que entram também
26:28de forma irregular
26:29como por exemplo
26:30agora que está muito
26:31em voga
26:32a questão
26:33dos medicamentos
26:34para emagrecimento
26:35as canetas emagrecedoras
26:36tem algumas caixas
26:38aqui ó
26:39escondidas
26:39esse medicamento aqui
26:41ele tem um valor
26:42no Paraguai
26:42por volta de 400 a 500 dólares
26:442.500 reais cada caixa
26:47essas quatro caixas
26:48mais ou menos
26:48uns 10 mil reais
26:49essas quatro
26:50e ele é um medicamento
26:51que ele não é
26:52controlado pela Anvisa
26:53trazer ele para dentro do país
26:55para usar aqui
26:55ou para vender
26:56também constitui
26:58a parte do crime
26:59foi numa abordagem
27:01de rotina
27:01aí logo na
27:03verificação feita
27:05no painel do veículo
27:06foi possível ver
27:07algumas caixas
27:08na verificação completa
27:09a gente descobriu
27:11os remédios
27:12na parte traseira
27:13do para-choque
27:13atrás das lanternas
27:16anabolizante
27:16esse daqui
27:17e também
27:18em cima do estepe
27:20dentro do estepe
27:21assim
27:21que estava recheado
27:22de medicamentos
27:23tanto tirizepatida
27:25retratutida
27:25e outros medicamentos
27:26de emagrecimento
27:27nos últimos meses
27:28tem sido normal
27:29encontrar medicamentos
27:30essas canetas emagrecedoras
27:31ou ocultos no veículo
27:33ou ocultos
27:34no próprio corpo
27:35dos passageiros
27:36como esse medicamento
27:37ele tem um volume baixo
27:38e ele consegue ser revendido
27:39no valor mais que o dobro
27:41está ficando bem atrativo
27:42para o crime organizado
27:43e para algumas pessoas
27:45cometer esse ilícito
27:46aduaneiro
27:47a gente pode dizer
27:48que essa daqui
27:49é uma das novas caras
27:50do crime organizado
27:51na fronteira?
27:52pode dizer que sim
27:53é um comércio
27:55que a gente está vendo
27:56que é bem lucrativo
27:57e tem muita gente
27:58entrando nessa nova onda
28:00dos medicamentos
28:01na nossa região fiscal
28:03nós em 2024
28:04nós tivemos
28:06aproximadamente
28:06480 milhões
28:07de reais
28:09em mercadorias
28:09apreendidas
28:10somente na nossa região
28:11em 2025
28:12nós apreendemos
28:14aproximadamente
28:14600 milhões de reais
28:16então foi um aumento
28:17de 120 milhões de reais
28:19estimamos
28:20de apreensão
28:21nesse ano
28:22mais de 160 milhões de reais
28:24então devemos bater
28:25mais ou menos
28:27os 600 milhões
28:28que nós apreendemos
28:29no ano passado
28:39existem diversos estudos
28:41que falam
28:42que o número
28:43de apreensão
28:44do que entra regularmente
28:45no Brasil
28:45é de 3 a 5%
28:59hoje aqui no ponto
29:00de fronteira
29:01de Mundo Novo
29:01nós temos
29:02câmeras OCRs
29:03que identificam placas
29:05isso é importantíssimo
29:06para o trabalho
29:07de gerenciamento de risco
29:08para você verificar
29:09quantas vezes
29:10aquele veículo
29:10entrou e saiu do país
29:11um exemplo muito claro
29:13é em relação
29:14ao crime de contrabando
29:15de caminho
29:25mas que muitas vezes
29:27a sociedade não sabe
29:29que esse crime
29:30é utilizado
29:31para financiar
29:33outros crimes
29:34muito mais danosos
29:36uma população
29:37tem uma tendência
29:39a não enxergar
29:40ali com reprovabilidade
29:42a questão do contrabando
29:43porque eles acham
29:44que a pessoa
29:44está simplesmente ali
29:45comprando
29:46revendendo
29:48garantindo
29:49seus meios de vida
29:50vem
29:51vai vai vai
29:52tá quente o asfalto aí?
29:54não
29:55tá de boa
29:56pegamos?
30:00vambora
30:01vambora
30:01vambora
30:01ficar esperando
30:02fazer o que é aqui
30:06então hoje
30:07o crime organizado
30:08ele se utiliza
30:09da mesma logística
30:10para trazer
30:11um celular
30:12muitas vezes
30:13para trazer
30:14um medicamento
30:14e até
30:15para trazer
30:16uma cocaína
30:17o paraguai
30:18é uma grande
30:19porta de entrada
30:20para contrabando
30:21descaminho
30:22infelizmente
30:23também utilizado
30:24como rota
30:25ali
30:25acaba sendo
30:26para o tráfico
30:26de drogas
30:27também
30:27por conta
30:27dessa questão
30:28da maconha
30:28da cocaína
30:29a droga
30:30era transportada
30:31principalmente
30:32em caminhões
30:33os traficantes
30:33usavam armamentos
30:34pesados
30:35a quadrilha
30:36estava sendo investigada
30:37desde outubro
30:38de 2010
30:39de acordo
30:40com as investigações
30:41mas a intenção
30:42dela
30:42era dominar
30:43todo o tráfico
30:44de drogas
30:44na região
30:45da fronteira
30:46com o Paraguai
30:48a polícia
30:49descobriu
30:50como é feita
30:50a distribuição
30:51de drogas
30:51no estado
30:52de São Paulo
30:52na chamada
30:53rota caipira
30:54do tráfico
30:55a quadrilha
30:56comprava a droga
30:56na Bolívia
30:57e no Paraguai
30:58e trazia
30:59para o Mato Grosso
30:59do Sul
31:00de lá
31:01a droga
31:01era levada
31:02para São Bernardo
31:03do Campo
31:03em 2016
31:04acontece
31:05a morte
31:06do Rafat
31:07ele era
31:08um certo
31:09obstáculo
31:09ao PCC
31:10ali na fronteira
31:11do Mato Grosso
31:12do Sul
31:12com o Paraguai
31:13no veículo
31:14ao lado
31:14sozinho
31:15está Jorge Rafat
31:16um brasileiro
31:17de 56 anos
31:19que comanda
31:19o tráfico
31:20de drogas
31:20na região
31:21conhecido
31:21como o
31:22rei da fronteira
31:25quem matou
31:26o rei do tráfico
31:27com uma metralhadora
31:28que derruba
31:28até avião
31:29a principal
31:30suspeita
31:30é de que a ordem
31:32tenha partido
31:32de uma das maiores
31:33quadrilhas do Brasil
31:34chefiada
31:35por Marcos Camacho
31:36o Marcola
31:46o que não é reprimido
31:48aqui
31:48vai causar
31:49problema
31:50mais adiante
31:51é importante
31:52que o país
31:53como nação
31:55como sociedade
31:56entenda
31:56da importância
31:57do combate
31:58na linha de fronteira
31:59para evitar
32:01que essas mercadorias
32:02que essas drogas
32:03que essas armas
32:05entrem no país
32:06e sejam associadas
32:08para cometimento
32:09de outros ilícitos
32:10tá na paz aí né
32:11tá de boa
32:13não quero tomar tiro não
32:14tu pegou esse carro aonde?
32:17do Paraguai
32:18do Paraguai?
32:19quanto é que tu vai ganhar?
32:205
32:21cinco pau?
32:37na escuta
32:38na escuta
32:43castelo
32:44vai pra ponte
32:59hoje é a deflagração
33:00de uma operação
33:01de uma investigação
33:02que já perdurei
33:03alguns meses
33:04nós vamos cumprir
33:05quatro mandados
33:06de busca e apreensão
33:07e quatro mandados
33:08de prisão preventiva
33:09contra atores
33:10que a gente identificou
33:11que atuaram
33:11no tráfico de drogas
33:13através do terminal de cargas
33:14do aeroporto internacional
33:15aqui de Manaus
33:24a gente identificou
33:26que eles
33:26em determinado momento
33:29internalizaram
33:29essas cargas
33:30eram três caixas
33:32contendo entorpecentes
33:34do tipo skunk
33:3597 quilos de droga
33:37que seriam remetidos
33:38pra outro estado
33:39aqui do nosso país
33:41é Manaus
33:43com certeza
33:44que tá escoando
33:44mais entorpecentes
33:45através do aeroporto
33:46e mulas
33:47dentro do nosso território
33:49pra outros estados
33:50especialmente
33:50pra São Paulo
33:51Rio de Janeiro
33:53e alguns estados
33:53do Nordeste
33:58e hoje a ideia
33:59é justamente
34:00tirá-los de circulação
34:01pra que eles não voltem
34:03a reiterar
34:03essa prática dedutiva
34:04e também
34:05através das novas análises
34:07que vamos fazer
34:08a partir dos elementos
34:09que vamos coletar hoje
34:10chegar a inclusive
34:11ao dono da droga
34:12enfim
34:13e eventuais
34:13outras pessoas
34:14a serem investigadas
34:31a gente tá num estado
34:33que tem fronteira
34:35com outros dois países
34:36que são grandes produtores
34:38de entorpecentes
34:39o Peru
34:40grande produtor de cocaína
34:42a Colômbia
34:43além de produtora de cocaína
34:44também produz
34:45uma droga
34:46chamada Skank
34:47que é a única produtora
34:48inclusive dessa droga
34:56eu sempre fui
34:57um grande defensor
34:58da integração
34:59a gente pode citar
35:00como exemplo
35:01inclusive
35:01a operação
35:03que foi deflagrada
35:03hoje
35:04aqui no estado
35:05quem fez a apreensão
35:06do entorpecente
35:07foi a Receita Federal
35:09eles encaminharam
35:10os dados da apreensão
35:11pra Polícia Federal
35:12a Polícia Federal
35:13instaurou
35:14um inquérito policial
35:15e passou a investigar
35:16quem poderia ter
35:17relação
35:18com aquela traficância
35:19com aquele envio
35:20de entorpecente
35:21o principal modal aqui
35:33ainda é o fluvial
35:35o traficante tá fazendo
35:36um investimento maior
35:37na logística do transporte
35:39e trazendo uma quantidade maior
35:40numa só viagem
35:41hoje
35:42quando a gente vê
35:43uma lancha dessa
35:44blindada
35:45com diversos
35:46armamentos pesados
35:47descendo o rio
35:49eu não posso colocar
35:50qualquer tipo de policial
35:51pra fazer esse tipo
35:52de abordagem
35:52a gente precisa
35:53de uma polícia especializada
36:01e nós temos
36:03uma integração
36:04com a Polícia Civil
36:05com a Polícia Federal
36:06e também
36:07a parceria
36:08com policiais
36:09do Peru
36:10e da Colômbia
36:11a gente consegue
36:12combater com maior
36:13efetividade
36:13esse narcotráfico
36:15aí que
36:15é o principal
36:18preocupação
36:18de todos nós
36:19aqui da Polícia Militar
36:23o principal desafio
36:25hoje
36:25que nós enfrentamos
36:27realmente
36:27é o terreno
36:28o teatro de operações
36:30que hoje
36:30é a nossa selva amazônica
36:32são os rios
36:33Solimões
36:35Rio Amazonas
36:35são os principais
36:37rotas
36:38que o narcotráfico
36:39utiliza
36:51seja por
36:52embalsas
36:53entorpecentes escondidos
36:55seja
36:56em lanchas rápidas
36:57seja em barcos regionais
36:59e algo que está sendo
37:00cada vez mais forte
37:01também
37:02aqui
37:02são as próprias
37:03lanchas rápidas
37:04com seis motores
37:05de 300 cavalos
37:07foi construída
37:08para atravessar
37:09áreas isoladas
37:10na Amazônia
37:11em altíssima velocidade
37:12com pessoas
37:14fortemente
37:15armadas
37:15embarcadas
37:16essas lanchas
37:17também com blindagem
37:18caseira
37:18em que eles
37:20vêm com
37:20cinco, seis pessoas
37:22com fuzis
37:23enfim
37:23armamentos bem pesados
37:24pelo enfrentamento
37:2715 anos atrás
37:29nós encontrávamos
37:30somente pistolas
37:31pingadas de caça
37:33no máximo ali
37:34um revólver
37:35acompanhando
37:36esses narcotraficantes
37:37hoje a gente encontra
37:39eles
37:39utilizando
37:40fuzis
37:42encontram eles
37:43utilizando
37:44lança-granada
37:45utilizam armamento
37:47de metralhadora
37:48de calibre
37:49ponto 30
37:49ponto 50
37:50que são armas
37:51de guerra
37:52realmente
37:52fora isso
37:54a quantidade
37:54de entorpecentes
37:55também
37:55que está sendo
37:56transportada
37:57dentro do casco
37:58da lancha
37:59do tráfico
37:59os agentes
38:00encontraram
38:01cerca de
38:02seis toneladas
38:03e meia
38:03de drogas
38:04a maior apreensão
38:05já registrada
38:07em uma única
38:07operação
38:08no Amazonas
38:09hoje em dia
38:10uma tonelada
38:10é normal
38:11para a gente
38:12o que se tornou
38:13grande
38:13é seis toneladas
38:14quatro
38:14cinco toneladas
38:16e quando a gente
38:17fala de crime
38:17organizado
38:18basicamente
38:19é envolvimento
38:20com o tráfico
38:20internacional
38:21de drogas
38:21ou vocês percebem
38:23outras atuações
38:24em relação a essa
38:25rota
38:25aqui da região norte
38:27é o tráfico
38:28de drogas
38:28em si
38:29infelizmente
38:30já vem associado
38:31a diversos
38:31outros crimes
38:32a gente não consegue
38:33por exemplo
38:34imaginar o tráfico
38:34de drogas
38:35hoje atualmente
38:36no cenário moderno
38:37que vive o crime
38:38organizado
38:39sem a lavagem
38:40de dinheiro
38:41a gente não consegue
38:42imaginar o tráfico
38:43de drogas
38:43sem o próprio crime
38:45de organização criminosa
38:46que também é um crime
38:47autônomo
38:52por trás daquele
38:53carregamento
38:53tem um dono
38:54ou tem um chefe
38:55da logística
38:56que se reporta
38:58a algum
38:59faccionado
38:59que se reporta
39:00a alguma liderança
39:01dessa facção
39:02que por sua vez
39:03está ligada
39:04às vezes é um empresário
39:05que por vezes
39:06está fazendo a lavagem
39:07do dinheiro
39:08do tráfico
39:10a gente não pode
39:11simplesmente
39:13se contentar
39:14com a apreensão
39:16de entorpecente
39:17ou se contentar
39:18com a prisão
39:19de só quem está
39:20na ponta
39:20a gente criando
39:22essa conscientização
39:23de que a gente
39:24precisa reforçar
39:25as forças de segurança
39:27reforçar
39:27as nossas fronteiras
39:29aqui no norte
39:29também
39:30a gente vai estar
39:31enforcando
39:32sufocando
39:32o crime organizado
39:38grande parte
39:40do entorpecente
39:41que está pulverizado
39:42em todo o país
39:43está entrando
39:43pelo nosso estado
39:44ou está entrando
39:45pela região norte
39:47essa droga
39:48não está vindo
39:49para ficar
39:49na Amazonas
40:08a polícia judiciária
40:09suspeita que esta rede
40:11criminosa agora
40:12desmantelada
40:13nos portos nacionais
40:13estará ligada
40:15ao PCC
40:16o primeiro comando
40:17da capital
40:17a maior organização
40:19criminosa do Brasil
40:19e uma das mais perigosas
40:21da América Latina
40:22a organização tem muito
40:24interesse em Portugal
40:25não pelo mercado consumidor
40:26mas pelo hub logístico
40:28pelos seus portos
40:29se a gente estava
40:31aprendendo mais
40:31aprendendo mais
40:33e as lideranças
40:34não deixaram a cadeia
40:35ou pelo menos
40:35as principais dela
40:36e o PCC
40:37só cresceu
40:38nesse mesmo período
40:39algo na nossa atuação
40:41estava errado
40:41ou precisava ser
40:42melhor analisado
40:44um combate
40:45muito sério
40:46muito sério
40:47em relação
40:48à corrupção
40:48no interior
40:49das polícias
40:50se ela própria
40:51está completamente
40:52perpassada
40:53por vícios
40:54de corrupção
40:56de envolvimento
40:57com grupos criminais
40:58com grupos de extermínio
41:00com violência institucional
41:01como vai se esperar
41:03que essa instituição
41:05vá ser o braço
41:06do Estado
41:07que vai combater
41:08o crime comum
41:10o cara que está preso
41:12lá na unidade federal
41:13isolado
41:13filmado
41:14monitorado
41:1524 horas
41:16mas ao mesmo tempo
41:17ele é acionista
41:17de empresas de ônibus
41:18do maior Estado
41:20da Federação
41:23a população
41:24ela pega o que?
41:25ela pega esse ônibus
41:25para ir trabalhar
41:26o PM que combate isso
41:27o policial civil
41:28ele pega esse ônibus
41:29ele mora lá em São Miguel
41:30ele pega a lotação
41:31do PCC
41:32para ir trabalhar
41:34se
41:35assim como nós
41:36nós negligenciamos
41:37em 2006
41:38nada for feito
41:40agora
41:41daqui a uma
41:42duas décadas
41:43nós podemos ter
41:44uma infiltração
41:45uma participação
41:46tão grande
41:47do PCC
41:48na sociedade
41:49nos poderes
41:51do Estado
41:51e na economia
41:52que o Estado
41:54e a economia
41:55principalmente
41:55não conseguem
41:56sobreviver
41:58sem a presença
41:59do crime organizado
42:00e aí a gente
42:02está diante
42:02do narco Estado
42:05do narco Estado
42:06e aí a gente
42:06o narco Estado
42:08e aí a gente
42:33do narco Estado
42:49Legenda Adriana Zanotto
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