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  • há 8 horas
Coronel Ustra é o único militar condenado como torturador durante a ditadura. O ex-presidente Jair Bolsonaro o exalta. Mas qual é a verdade? Através de buscas online, o passado do Brasil vai sendo reconstruído.

Dirigido por Gabriel Di Giacomo
Transcrição
00:00:16A CIDADE NO BRASIL
00:00:58A CIDADE NO BRASIL
00:01:08O senhor diz no livro A Verdade Sufocada
00:01:11que jamais permitiu tortura de parentes de presos.
00:01:15A tortura dos próprios presos, o senhor admitiu?
00:01:19Com que frequência eram utilizadas o pau de arara e a cadeira do dragão?
00:01:24O que era a cadeira do dragão? O que é o pau de arara?
00:01:30O que é o pau de arara?
00:02:06O que é o pau de arara?
00:02:39O que é o pau de arara?
00:02:49O que é o pau de arara?
00:03:10O que é o pau de arara?
00:03:25O que é o pau de arara?
00:03:49O que é o pau de arara?
00:03:51O que é o pau de arara?
00:04:18O que é o pau de arara?
00:04:48O que é o pau de arara?
00:05:08O que é o pau de arara?
00:05:25O que é o pau de arara?
00:05:27O que é o pau de arara?
00:05:38O que é o pau de arara?
00:06:02O que é o pau de arara?
00:06:24O que é o pau de arara?
00:06:58O que é o pau de arara?
00:07:22O que é o pau de arara?
00:07:45O que é o pau de arara?
00:08:13O que é o pau de arara?
00:08:14O que é o pau de arara?
00:08:25O que é o pau de arara?
00:08:48O que é o pau de arara?
00:09:08O que é o pau de arara?
00:09:16O que é o pau de arara?
00:09:22O que é o pau de arara?
00:09:32O que é o pau de arara?
00:09:44Ele estava muito mais próximo da socialdemocracia europeia.
00:09:48Ou seja, a proposta era um pacto entre empresários e trabalhadores.
00:09:55E que os empresários brasileiros teriam apoio do Estado
00:10:00para o crescimento das suas empresas,
00:10:02mas, ao mesmo tempo, os trabalhadores teriam a melhoria do seu padrão de vida.
00:10:08Para a época, muitos diriam isso sinais de comunismo.
00:10:12PTB, João Goulart, nada tinham de comunismo.
00:10:18Ele afirma seus propósitos inabaláveis
00:10:22de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira.
00:10:31Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária,
00:10:36pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros,
00:10:46pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social,
00:10:53e ao lado do povo pelo progresso do Brasil.
00:11:07Durante o meu comando, nunca fui punido, nunca fui repreendido,
00:11:14recebi os melhores elogios da minha vida militar e recebi a mais alta decoração
00:11:26da reforma, outorgada pelo Exército Brasileiro em tempo de paz,
00:11:31a medalha do participador com palma com os arrozetas e estando aqui com muito orgulho.
00:11:37Quem deve estar aqui não é o coronel Carlos Alberto Mirante Lúcia
00:11:42Quem tem que estar aqui é o exército brasileiro
00:11:45Não sou eu não senhor
00:11:47É o exército brasileiro que assumiu por ordem do presidente da república
00:11:52A ordem de combater o terrorismo e sobre os quais eu concluí todas as ordens
00:11:57Ordens legais
00:12:01A bandeira e o hino são símbolos nacionais
00:12:04Há sempre uma atitude de respeito, simples e natural
00:12:09Nascida de nosso amor ao Brasil
00:12:11Sem qualquer exagero
00:12:13Basta ficar de pé
00:12:25Os símbolos nacionais pertencem a você
00:12:30Leve a bandeira no dia da pátria
00:12:34Cante com amor o hino nacional
00:12:42É uma pergunta, eu acho
00:12:44Como convidado o governo americano
00:12:46Ou você sabe como convidado o governo americano
00:12:48O governo americano foi para o abenço do Goulart?
00:12:51Por exemplo, eu estava no destrói no tempo
00:12:53O governo americano, que raced para o Brasil
00:12:55At the news of the revolution
00:12:56And when it received news that the revolution was successful
00:12:59Came round and came back to port
00:13:02Went as far as the equator
00:13:03There was a lot of talk about it
00:13:05Just recently a book has been printed in this last event
00:13:09By an american professor who was liberal
00:13:12And he concludes that there is no definite evidence of anything
00:13:17Of any what?
00:13:18Of any interference of american anthologies whatsoever
00:13:22In the preparation of the overthrow of Goulart
00:13:47And we decided on the basis of the information that came in this morning
00:13:51Go ahead and start a naval task force out
00:13:56But with no commitment
00:13:57And in the meantime
00:13:59They have drafted it as impeachment
00:14:01In the conversional circles of Goulart
00:14:03But there has been no action taken on it
00:14:05But they've listened to all the offenses against the constitution
00:14:09Which they allege
00:14:10And there's a lot of dickering around
00:14:12To see what could be done
00:14:14In the way of forming some kind of a rump
00:14:16Civilian government
00:14:17Which would have a clear legitimacy
00:14:20I think we ought to take every step that we can
00:14:22Be prepared to do everything that we need to do
00:14:24And get right on top of it
00:14:27And stick the neck out a little
00:14:29Right
00:14:38Por uns dias
00:14:39A atenção dos povos americanos esteve fixa
00:14:42Nesta visita entre Goulart e Kennedy
00:14:44Principalmente porque ela vinha precedida de uma série de fatos novos
00:14:48E de uma incerteza a respeito da atual política externa brasileira
00:14:52Comentários maldosos de alguns criaram uma expectativa até então inédita
00:14:56Entretanto ali estavam os dois chefes de estado
00:15:00Juntos como sempre para dirimir todo e qualquer comentário menos sensato
00:15:04Senhor presidente John Kennedy
00:15:07O povo brasileiro
00:15:09Recorda-se com emoção
00:15:12Senhor presidente John Kennedy
00:15:14To make sure that the money is right
00:15:26We spent what lets get with the presence they have
00:15:28But we only got two months left
00:15:30We have this organization
00:15:43O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais tem essas finalidades básicas, evitar que a difícil situação que o país atravessa
00:15:54venha a comprometer nossas instituições democráticas e tradições cristãs.
00:16:08O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:16:38O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:16:43O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:17:21O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:17:54O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:17:56O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:17:58O Instituto de Pesquisas
00:18:08O Instituto de Pesquisas
00:18:34O Instituto de Pesquisas
00:18:40O Instituto de Pesquisas
00:18:52O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:19:41O Instituto de Pesquisas
00:19:44O Instituto de Pesquisas
00:20:17O Instituto de Pesquisas
00:20:21O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:20:44O Instituto de Pesquisas
00:21:10O Instituto de Pesquisas
00:21:40O Instituto de Pesquisas
00:21:52O Instituto de Pesquisas
00:22:06Pesquisas e Estudos Sociais
00:22:08O Instituto de Pesquisas
00:22:09O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:22:12O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais
00:22:49O coronel reformado do exército, Carlos Ustra, que comandou o DOI-CODE de São Paulo
00:22:56à época da ditadura militar, prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade em Brasília.
00:23:01O Ustra respondeu as perguntas, discutiu durante a sessão e tentou se defender, negando as acusações.
00:23:08Ele é acusado de ter conhecimento e participação nas perseguições, mortes e torturas contra presos políticos que lutavam contra o
00:23:17regime militar.
00:23:35Eu era estudante de terceiro ano da Escola Paulista de Medicina, atual UFESP, 1972.
00:23:43Eu sou Maria Amélia de Almeida Pérez, aposentada, fui presa em política, sequestrada em 28 de dezembro de 1972, juntamente
00:23:55com toda a minha família.
00:23:56Na verdade, eu pessoalmente não pertencia a nenhuma organização política que fazia oposição ao governo, ao regime militar.
00:24:07Antes do golpe militar, tínhamos uma Constituição, tínhamos um presidente eleito.
00:24:14O malefício causado pela ditadura militar não foi somente em relação a nós, militantes, mas também ao povo.
00:24:26Tribos inteiras foram dizimadas.
00:24:34A informação, o ensino, gente, se tornou alguma coisa assim, deplorável.
00:24:41Então, eu gostaria de registrar que nós não éramos terroristas.
00:24:47Éramos cidadãos com o direito e o dever de lutar contra essa ditadura.
00:24:56Tocou a campainha, abri a porta, imediatamente o apartamento foi invadido.
00:25:06Eu tomei uma coronhada com o ferro da metralhadora nesse meu olho direito.
00:25:16Eu fui algemado e fui arrastado pelas escadas para a garagem onde tinha um opala verde, onde eu fui preso,
00:25:31fui encapuzado e fui conduzido ao doicode.
00:25:36A hora que eu desci, dobrei a esquina, três viaturas disfarçadas, eram na época veraneios, três veraneios me cercaram, desceram
00:25:48vários homens fortemente armados e me prenderam.
00:25:51Pegaram, botaram, jogaram para dentro do carro e me levaram para a rua Vitória do Torcote.
00:25:56O que nos interessa, é lógico que nós podemos contar todas as histórias mais tristes e macabras, sobre é que
00:26:05a inconformidade do lugar, símbolo, símbolo, né, das coisas mais atrozes que aqui aconteceram, continuar funcionando como uma delegacia panchal.
00:26:17Isso é de uma afronta ao povo brasileiro, isso continuar como uma delegacia de polícia e toda vez que a
00:26:25gente vem aqui para fazer tombamento e tal, tem que ser afrontado, ser humilhado, ser maltratado,
00:26:32porque eles dizem que aqui nunca funcionou uma unidade de tortura, que aqui nunca foi preso. Esse é o campo
00:26:37mais macabro do Brasil.
00:26:39No pátio ainda, embora encapuzado, vi uma enorme gritaria, uma comemoração e comecei a apanhar já no pátio.
00:26:54Quando eu entrei no recinto interno, foi retirado o meu capuz,
00:27:02Você está na antessala do inferno, você vai ser levado para a vanguarda popular celestial.
00:27:14Você sabe o que é o Magnum?
00:27:18Falei, não tenho ideia.
00:27:20É esse revólver.
00:27:23Acabei de mandar o seu colega, Alexandre Ivanoque, o Minhoca, para o céu, e é lá que você vai, seu
00:27:35terrorista, e por aí afora.
00:27:38Esse senhor era o coronel Tibiriçá, que depois eu vim saber que era o major Carlos Alberto Brilhante Uça.
00:27:49O coronel Tibiriçá aparece em sua ficha.
00:27:53Foi um coronel Tibiriçá usado durante toda a sua vida ou foi uma coisa criada?
00:27:57Por que, doutor, Tibiriçá?
00:28:01Não foi, doutor.
00:28:02Eu fiquei lá, acho que 60 dias, aproximadamente.
00:28:07Tortura todo dia.
00:28:09Praticamente todo dia.
00:28:10Todo dia, de dia, de noite.
00:28:13Não tinha horário certo.
00:28:14Eu sou deficiente auditivo dos dois ouvidos, desse ouvido muito mais.
00:28:20Eu tive que fazer cirurgia ao invés de clínica médica, porque clínica médica precisa muito do estetoscópio.
00:28:27Embora eu ouça, mas para apurar o som do estetoscópio, meus ouvidos não dão.
00:28:32Então, eu mudei de especialidade para a cirurgia, graças a essa atuação dos agentes de tortura do DOIPOD.
00:28:40Até que eu sou um cirurgião razoável, né?
00:28:43Nesse ponto de vista, eu me adaptei razoavelmente bem.
00:28:47Mas, apanhamos bastante, muito.
00:28:49Paulo Horta foi muito torturado, muito torturado.
00:28:53A esposa dele estava grávida, de dois ou três meses.
00:28:59Ela foi...
00:29:01Ela foi...
00:29:02Ela perdeu o filho lá.
00:29:05Meus filhos foram sequestrados.
00:29:21O pai, o que é nacionalismo, hein?
00:29:26Nacionalismo?
00:29:27É.
00:29:28Bem, deixa eu ver se consigo desenhar nacionalismo para você.
00:29:32Olha, o nacionalismo não é apenas cumprir os deveres cívicos para a pão à pátria.
00:29:39O nacionalismo é um conjunto de ideias, meu filho, para ação política, econômica e social, visando preservar o interesse da
00:29:46nação.
00:29:47Sim.
00:29:48É o fortalecimento da nossa economia.
00:29:51O uso das nossas riquezas e benefício de todos nós brasileiros.
00:29:57Entendeu agora o que é nacionalismo?
00:29:59Entendeu agora?
00:30:00Meus filhos foram sequestrados pelo Carlos Alberto Brilhante Lusta, que era o comandante do Dói Pote.
00:30:07E foram levados para a sala onde eu estava sendo torturada, na cadeira do dragão.
00:30:12Eu estava nua.
00:30:14Ele tinha urinado, vomitado.
00:30:18Levava choque por todo o corpo.
00:30:22E tanto é que, tanto a minha filha quanto o meu filho, eles perguntaram, por que você está azul e
00:30:30o pai está bêrdico.
00:30:31Meu marido entrou em estado de coma, coma diabético.
00:30:34Meu marido era diabético.
00:30:36Era e é ainda.
00:30:37E ficou em estado de coma.
00:30:39E eu, quando eu me dei conta, eu leio para o meu corpo e vi que eu era toda roxa.
00:30:46Por isso que eles perguntaram, por que você está azul.
00:30:49Quem são os seus filhos que foram sequestrados?
00:30:52Janaína de Almeida Teles e Edson Luiz de Almeida Teles.
00:30:56Foi.
00:30:59E eu, quando eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:05me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:12me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:14me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:15me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:15me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:15me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:16me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu
00:31:20me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu me dei conta, eu te
00:31:46Eu não sou mentiroso.
00:31:48Eu nunca menti na minha vida, nunca.
00:31:51E eu apanhei dele pessoalmente.
00:31:53Ele me bateu, o coronel Ustra me bateu pessoalmente.
00:31:57Me despiu, colocou em pé numa poça d'água, ligou o fio no corpo e pessoalmente chamou a tropa, uma
00:32:11turma, torturadores, alguns soldados tomavam conta ali, botou todo mundo lá, para fazer uma sessão de declamação de poesia.
00:32:18Ele queria que eu declamasse para a tropa dele as poesias que eu escrevia contra o regime.
00:32:25E ficou lá horas, com uma vara na mão, que eu não lembro exatamente, era um cipó, alguma coisa desse
00:32:31tipo, ele mesmo me batendo.
00:32:33Ele mesmo, pessoalmente.
00:32:35E coordenando os outros a dar o choque, telefone e tal, etc.
00:32:40Durante horas e horas, uma noite, ele ficou ali pessoalmente me batendo.
00:32:45Isso aí eu não tenho por que inventar uma história dessa.
00:33:20Eu gostaria de pedir a autorização para o senhor para formalizar a entrega.
00:33:26de várias cartas de ameaça que eu sofri em 92, por ocasião da saída da matéria da Veja.
00:33:36Primeira matéria na qual eu vim a público e fiz uma série de declarações a respeito das atividades da ditadura,
00:33:45de modo geral, no Brasil, e em particular, de São Paulo.
00:33:48É importante que se diga que um capitão era, naquela ocasião, o senhor da vida e da morte.
00:33:59O senhor disse que nunca entrou na sala onde se procedia a tortura no DOI-CODE.
00:34:07O major Ustra, o então major Ustra, ele tinha acesso livre para...
00:34:11Acesso livre, não só tinha acesso livre, como participava de tortura.
00:34:16O que é que...
00:34:35Brasília, 13 de dezembro de 1968.
00:34:38A população não aguenta mais. A população pede que seja decretado o AI-5 e Bolsonaro continue no poder.
00:34:47O presidente da república poderá decretar o recesso do Congresso Nacional.
00:34:53E sem as limitações previstas na Constituição, poderá suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos...
00:35:16Proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política.
00:35:31Fica suspensa a garantia de habeas corpus nos casos de crimes políticos contra a segurança nacional,
00:35:38a ordem econômica e social e a economia popular.
00:35:42Artigo 2º.
00:35:44O presidente da república poderá...
00:35:47Apossar-se no dinheiro e nos bens das pessoas que eram presas.
00:35:51Estupraram e introduziram objetos nos órgãos sexuais das mulheres presas.
00:35:56Diz também que isso jamais aconteceu, porque o senhor jamais permitiria.
00:36:00O senhor tinha ciência das atividades dos seus subordinados?
00:36:05Ou era possível que eles estivessem agindo a sua inteira reveria, desrespeitando os seus comandos?
00:36:15Um chefe comandante comandante é o responsável por tudo que a sua tropa faz ou deixa de fazer.
00:36:26Eu era o comandante da unidade.
00:36:28Nunca aconteceu isso.
00:36:30É mentira.
00:36:31Nunca, nunca, nunca ninguém foi estuprado lá dentro daquele órgão.
00:36:36Eu digo isso em nome de Deus.
00:36:38É verdade o que eu estou falando.
00:36:41Nesses termos que a senhora colocou, eu nunca vi.
00:36:45O máximo que eu vi foi usar a lata de leite ninho, o cidadão nu, subir com os dois pés,
00:36:51um embaixo de cada lata de leite, encostado na parede, segurando duas folhas de papel com os braços abertos.
00:36:58O cara deixava cair a folha, o furando reagindo.
00:37:01Essa aí eu assisti.
00:37:02E está aí.
00:37:04Os femininos nunca participei.
00:37:07via a pessoa do sexo feminino, sentada lá na cadeira do dragão, do Dino Dobbs.
00:37:14Puseram até os alto-falantes na frente e depois enlouqueciam o próprio derrubador.
00:37:19Mas tudo bem.
00:37:20Então, tiveram que neutralizar.
00:37:21Porque o som era muito estridente.
00:37:25Bom, então, o senhor está nos informando assim, que o senhor chegou a ver, mesmo sendo escrivão,
00:37:31o senhor chegou a ver tortura.
00:37:34Ficar em cima das latas de leite ninho, cadeira do dragão, pau de arara, provavelmente.
00:37:39O senhor deve ter visto, porque isso lá acontecia direto.
00:37:42Não que o senhor fizesse, mas o senhor viu isso daí.
00:37:45O que eles faziam.
00:37:46No órgão lá, esse tipo de filme era exibido à noite, normalmente.
00:37:51Não, não, não filme.
00:37:52Ah, é verdade.
00:37:53Desculpe.
00:37:54Esse tipo de acontecimento, desculpe.
00:37:56Isso.
00:37:57Era exibido à noite.
00:37:59Aqui é que eu estranhei.
00:38:01Era o dia inteiro.
00:38:01É.
00:38:02O senhor aqui, eu só falo o que o senhor quiser, mas que pelo menos o senhor tentasse lembrar
00:38:06das pessoas que foram mortas, como que foram mortas.
00:38:10Por exemplo, o senhor falou aí do Lorival Gaeta, que o senhor conheceu.
00:38:16Ele era um torturador, estuprador.
00:38:19Ele cometia violência sexual lá dentro daquela sala.
00:38:24Todo mundo sabia disso.
00:38:26Eles, inclusive, tiravam, eles ficavam só de calça, eles tiravam camisa.
00:38:33Esse Gaeta, ele fazia horrores, ele estuprava, ele se masturbava, jogava a porra em cima da gente.
00:38:44Isso já aconteceu comigo.
00:38:46E eu vi outras companheiras também que falaram isso.
00:38:49Então, e isso, todos os torturadores ficavam ali comentando, rindo.
00:38:55Nós estamos com 40 anos buscando informação, entendeu?
00:38:58Então, eu acho que dar informação é colaborar para esse país ter uma decência, ter uma dignidade.
00:39:06É o mínimo.
00:39:08A equipe do DOI, a senhora já é madura, não ignora.
00:39:12Quer dizer, deve ser gente, pessoas, vamos dizer assim, que tem mais facilidade para aquele trabalho.
00:39:18Porque é um trabalho degradante, um trabalho que não se ajusta para qualquer pessoa.
00:39:23Então, o pessoal, a gente conversava, alguns contavam alguma coisa, outros não contavam nada.
00:39:29Outros tinham medo, desculpe a pretensão.
00:39:33Dava a mim perceber que tinha medo de falar, abrir o bico perto do escrivão.
00:39:37Porque eu ficava normalmente em cima do mundo, na pior, em cima do mundo.
00:39:41Na sala onde eu trabalhava o doutor André, tinha um gravador importado.
00:39:45Gravava umas músicas que agradavam e a gente ouvia a música, só a música.
00:39:48O senhor que trabalhava estreita, em ligação estreita com o Major Ustra.
00:39:53Negativo.
00:39:54O senhor não o conhecia?
00:39:55Eu conheço, mas eu nunca trabalhei com ele.
00:39:58Ele me chamou na sala e ele começou a me torturar.
00:40:03Aí ele me colocou fios elétricos e me dava choques elétricos.
00:40:07É o que eu disse, a minha função no Comando Militar do Sudeste era justamente de assessor jurídico.
00:40:15Isto aqui era um dos trabalhos que a gente fazia na segunda sessão do segundo exército.
00:40:21Toda a parte jurídica era destinada para a segunda sessão e a gente lá lavrava.
00:40:32O senhor era conhecido como a capitão Birajara?
00:40:36Negativo.
00:40:37Não pusei esse código.
00:40:44Enquanto nós estamos sendo torturados, exatamente esse capitão Birajara entrou na sala e me disse o seguinte,
00:40:56a Wels está sendo empalada.
00:41:01Quando você está gritando, você não ouve grito de ninguém.
00:41:06É a sua voz.
00:41:08É o seu grito que sai.
00:41:11Mas havia alguns intervalos quando eles me faziam perguntas.
00:41:16Aí eu ouvia os gritos do Elcio.
00:41:19Então, afirmo categoricamente, o Elcio esteve sequestrado, foi torturado e morreu no doicote.
00:41:30E morreu na solitária.
00:41:33Mas no dia 28 de janeiro, já era anunciada a morte em tiroteio do companheiro Elcio Pereira Fortes.
00:41:44Não é verdade.
00:41:46Ele estava comigo, na mesma viatura, sendo trazido do Rio de Janeiro para São Paulo.
00:41:54Era comum fazer-se os chamados teatrinhos, criar histórias para justificar a morte de determinadas pessoas.
00:42:08Ou, por exemplo, foi atropelado em via pública, perdeu a vida num entreveiro, num tiroteio.
00:42:18Quer dizer, isso era comum fazer para justificar a morte.
00:42:23As mortes, quando elas ocorriam.
00:42:26Muitas vezes, muita gente perdeu a vida dentro do DOI.
00:42:30Quem é aquele gaúcho que fez coisas mais de mil?
00:42:35Que fez um novo Brasil e não perseguiu ninguém?
00:42:39Olhe bem no rosto dele, veja quanta simpatia, quanta bondade irradia.
00:42:46Da onde o gaúcho vem?
00:42:49Ele nasceu no sul.
00:42:52É o presidente Médici.
00:42:55É o presidente Médici.
00:42:56Emílio Garras da Azul.
00:42:59Ele nasceu no sul.
00:43:02É o presidente Médici.
00:43:04É o presidente Médici.
00:43:06Emílio Garras da Azul.
00:43:08Homologando a candidatura do general Emílio Garras da Azul Médici à presidência da República,
00:43:13bem como a do almirante Augusto Rademacher à vice-presidência.
00:43:17Presidiu os trabalhos o senador Finito Miller,
00:43:19congratulando-se com seus pares pelo retorno do Brasil ao regime democrático
00:43:24com o pleno funcionamento do poder legislativo,
00:43:27seguindo-se depois a votação que sufragou em massa os nomes dos dois candidatos.
00:43:38Ficou manifesta a identidade de princípios e ideias que norteiam a conduta internacional do Brasil e do Paraguai
00:43:46enquanto era assinado pelos dois governos o Tratado para a Construção da Usina de Itaipu.
00:43:52Ao final da visita de três dias, o presidente Stroessner condecorou o presidente Médici
00:43:58com o gran colar Solano López,
00:44:00tendo sido também agraciado com o gran colar da Ordem Rio Branco.
00:44:06É mais um importante passo para o pleno entendimento dos países que constituem a unidade sul-americana.
00:44:13Más ao sul de nossa América Latina, a Comissão da Verdade Rio de Janeiro está em Brasil,
00:44:17realizou uma audiência pública com médicos acusados por falsificação de informes necrológicos
00:44:21durante a ditadura militar.
00:44:23As declarações em torno à morte do ex-embaixador brasileiro José Jovim
00:44:27han gerado discussões entre os médicos legalistas e também familiares de as vítimas.
00:44:32Veamos.
00:44:33Jovim foi diplomático em Paraguai.
00:44:35Durante o governo democrático de João Goulart,
00:44:37compraria turbinas à União Soviética,
00:44:39mas o golpe militar interrompiu o projeto para destinarlas a um próprio,
00:44:44a represa Itaipu.
00:44:46Comentou que estava com os dias cheios,
00:44:49a pesar de estar jubilado porque escreveu um livro
00:44:52onde ia denunciar a corrupção na represa Itaipu que havia documentado.
00:44:58Em informe necrológico de José Jovim,
00:45:01o médico legalista Roberto Blanco afirmou que se tratou de uma morte por ahorcamiento.
00:45:05Durante a ditadura,
00:45:06seu padecer sirviu de sustento para criar uma falsa versão de suicídio,
00:45:11mas, ante a Comissão da Verdade,
00:45:12o médico não assumiu sua responsabilidade.
00:45:16A você lhe chegavam cadáveres que poderiam não ter nome,
00:45:19mas com a descrição,
00:45:20inimigos da pátria.
00:45:22Eu disse morte por ahorcamiento.
00:45:25Um perito não pode dizer a causa da morte.
00:45:39Por que há tantas versões de horário para a morte de Elber José Gomes Goulart,
00:45:44que foi preso pelo DOI em júri de 73?
00:45:48Tem uma projeção das fotos de Elber vivo e morto.
00:45:54A certidão de óbito diz que a morte se deu às 16h e 16 de julho de 73.
00:46:03A Folha da Tarde e a Informação 2006 do DOPS
00:46:06diz que ele morreu às 11h30 e 16 de julho de 73,
00:46:10em confronto com a polícia.
00:46:13São todas as versões, são falsas?
00:46:16Elber está mesmo vivo nas fotos analisadas pelo período do César o DNB,
00:46:20que disse que os vincos, marcando a testa,
00:46:23demonstrando dor, são incompatíveis com o rosto de um cadáver.
00:46:27E aqui aparece a foto do cadáver.
00:46:34A dona vai responder.
00:46:37A décima terceira.
00:46:39A prisão de Antônio Carlos Bicário Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes Ângelo,
00:46:46Jones,
00:46:47ocorreu em São Vicente, no litoral paulista,
00:46:50com a ajuda de informantes do DOI.
00:46:52Depois disso, para onde o casal foi levado?
00:46:55O que eu sei é que esse casal foi levado para esse sítio
00:46:58e até tira o alvo, quer dizer, ouve um comentário.
00:47:02Porque esse casal foi trazido para o DOI depois de morto
00:47:06e exposto à visitação pública.
00:47:08Por que eu estou de fato?
00:47:10Visitação pública dos componentes do órgão interno.
00:47:15O senhor viu?
00:47:16Como?
00:47:17O senhor viu?
00:47:17Vi, eu vi o casal.
00:47:19Eu vi o casal morto e vi perfurações da bala,
00:47:22assim, bem direcionadas na cabeça, nos ouvidos.
00:47:27O senhor era proibido de entrar nas dependências?
00:47:29Era proibido.
00:47:30O senhor era proibido?
00:47:31Era proibido.
00:47:32Por que o senhor acha que o senhor era proibido?
00:47:33Não sei.
00:47:35Quem que é proibido?
00:47:36O comando da segunda sessão do segundo exército
00:47:40determinava que a gente não tivesse acesso
00:47:43a aquilo que não fosse da atribuição da gente.
00:47:45Por que o senhor acha que havia essa proibição?
00:47:48Eu não acho, eu não tenho o que achar.
00:47:49Eu cumpri a missão.
00:47:50O senhor aceitava isso tranquilamente?
00:47:53Lógico, lógico.
00:47:54E no jornal estava escrito assim,
00:47:56terrorista morto em tiroteio.
00:47:58Tinha uma foto do lado,
00:47:59porque eu não conseguia nem ler as letrinhas.
00:48:02Eu só via as letras garrafais,
00:48:04terrorista morto em tiroteio.
00:48:06E tinha a foto do Daniele.
00:48:09E eu falei com ele,
00:48:10mas isso é uma mentira que vocês estão fazendo.
00:48:12Porque o Daniele foi morto aqui nessa sala.
00:48:15Ele foi tão espancado que ele foi arrebentado.
00:48:19Ele tinha hemorragia,
00:48:20que saía sangue nos ouvidos, na boca.
00:48:24Ele foi arrebentado.
00:48:25Eu vi isso.
00:48:27E ele falou assim...
00:48:28A senhora sabe informar
00:48:29se o capitão Virajara participou,
00:48:32ele pessoalmente,
00:48:34das torturas do Daniele?
00:48:36Isso que eu quero saber dele.
00:48:38O senhor não presenciou nunca tortura?
00:48:42Negativo.
00:48:44O senhor nunca ouviu gritos?
00:48:46Nunca ouvi.
00:48:47O senhor nunca ouviu queixas?
00:48:49Para mim não chegou nada.
00:48:51O senhor teve contato com presos?
00:48:53Negativo.
00:48:54O senhor não sabia?
00:48:55Nunca viu um preso dentro do doicote?
00:48:57Não vi porque não era a minha função.
00:49:00E ele falou assim...
00:49:01Eu estou falando com você friamente.
00:49:06Aqui, para as mortes de vocês,
00:49:09nós damos a versão que nós queremos.
00:49:11E você, se não colaborar,
00:49:13você também pode ter uma manchete como esta.
00:49:17Ou amanhã, ou depois.
00:49:19Nós não temos pressa, mas você fica sabendo disso.
00:49:24Então, para mim, esse momento foi o momento pior do meu encontro com o capitão Virajara.
00:49:30Porque a mentira e ele se engabando de ser quase que o autor daquela farsa, daquela mentira.
00:49:40Cada episódio desse, dia seguinte, o público interno do órgão fervia, porque as informações circulavam na hora do almoço,
00:49:52as informações circulavam nas conversas reservadas, etc, etc.
00:49:56Todos comentavam e todos ficavam sabendo que alguém morreu e que foi lançado no Rio.
00:50:03Só não sabia quem fez isso.
00:50:06A gente tinha uma vaga noção de que a equipe que cumpria essa tarefa suja
00:50:12eram militares do exército restritos.
00:50:17Quer dizer, eram tarefas restritas a militares do exército.
00:50:20Ou seja, essa equipe se reunia na calada da madrugada, realizava as operações
00:50:30e, no dia seguinte, estava trabalhando normalmente, diluída entre os participantes do DOI.
00:50:39Onde é que era feita a desova?
00:50:41E que riu?
00:50:41Bom, eu fiz esse relato à revista Veja e, ao que eu sei, por ouvir dizer,
00:50:48por informações que circularam no órgão, que a desova era feita numa ponte sobre o rio Alvarete.
00:51:24Ouvir dizer,
00:51:29Não me lembro desse nome, não me lembro desse nome, não me lembro de ter conhecido,
00:51:32mas ele ficava assistindo, as poucas vezes em que ele não participava diretamente.
00:51:43Então, aquele olhar frio dele, um olhar assim,
00:51:48esse olhar me perseguiu por muitos anos.
00:51:52Não me lembro desse nome, não me lembro de ter conhecido,
00:51:57nunca ouvi falar no nome, então não posso ter participado de tortura se não conheço.
00:52:02E ele participou de sessões de tortura?
00:52:05Principalmente das mulheres, era a predileção dele,
00:52:09deixá-las nuas e humilhá-las e torturá-las.
00:52:13Era sua especialidade, a desmoralização.
00:52:17E esse foi o primeiro contato que a senhora teve com o capitão Birajara?
00:52:20Não, não. Eu já tinha sido torturada por ele, pela equipe dele, pessoalmente por ele.
00:52:26De que forma se deu essa tortura?
00:52:31Veja bem, choques elétricos no ouvido, nos dedos, nos pés e das mãos.
00:52:42Muito choque na vagina, muito.
00:52:47Então, para nós mulheres, eu acho que para os companheiros também,
00:52:53é alguma coisa muito violenta, eu já relatei esse fato.
00:52:58É algo que não é nem nojento, eu não sei escrever o que significa para uma mulher.
00:53:07um torturador, introduzir o dedo com fio elétrico, na sua parte mais íntima.
00:53:16Sabe, isso me marcou muito.
00:53:19Me marcou tanto.
00:53:21Eu quero registrar que eu tive muita hemorragia oral e vaginal.
00:53:26E fui levada umas duas ou três vezes para o Hospital das Clínicas.
00:53:34Eu me tornei uma mulher estéreo.
00:53:38Eu atribuo isso a engano pessoal de quem está fazendo essas acusações,
00:53:43porque, em realidade, eu nunca participei de nenhuma atividade de tortura
00:53:47e, muito menos, apoiaria isso.
00:53:49Eu me tornei uma mulher.
00:54:33Faça você mesmo um catavento verde e amarelo.
00:54:37Festeje o dia da pátria.
00:54:39O Brasil é feito por nós.
00:54:49Eu não vi no seu livro esses dados.
00:54:51Não vi esse documento secreto no seu livro.
00:54:53Não vi o meu livro aí, por favor.
00:54:56Mas o senhor, então, vai se negar também.
00:54:57A moça tem ali um livro.
00:54:59Eu quero, estou doido, vou explicar.
00:55:03Na página 299, aqui acho que é da primeira edição ainda do meu livro.
00:55:10Sempre admitimos que houve mortos.
00:55:12Desses mortos, dois, segundo minhas pesquisas, suicidaram-se no DOI.
00:55:19Vladimir Herzog e Baneu Filho.
00:55:21Não no meu comando.
00:55:22No meu comando, meu senhor doutor Fanclenes.
00:55:25Ninguém foi morto lá dentro do DOI.
00:55:28Todos foram mortos em combate.
00:55:31E o que o senhor disse que foram mortos dentro do DOI não é verdade.
00:55:35Eles foram mortos, PENO DOI, em combate.
00:55:39Fora, na rua, dentro do DOI, nenhum.
00:55:43Reputo.
00:55:43O senhor não está certo, como o senhor está dizendo.
00:55:46Está aqui publicado.
00:55:47Não precisa se exaltar.
00:55:48Não, eu estou exaltado, senhor.
00:55:50Porque a mentira de revolta.
00:55:52Mas não é mentira.
00:55:53É mentira, sim, senhor.
00:55:54O senhor vai me desculpar?
00:55:55É mentira porque está aqui escrito.
00:55:57Pelo amor de Deus, é desafiar um nível de inteligência.
00:56:00Isso aqui é uma prestação de contas secreta, confidencial, feita pelo DOI Código,
00:56:07aos escalões maiores.
00:56:08O coronel acabou de dizer que os escalões maiores mandavam.
00:56:11Sim, portanto, presta-se contas a quem manda.
00:56:14E está aqui.
00:56:15Isso é a prestação de contas da movimentação ao segundo exército.
00:56:20E, claramente, presos pelo DOI Código do exército.
00:56:24E vem os sub-itens.
00:56:25E nos sub-itens há mortos.
00:56:27Então foram mortos dentro do DOI Código do segundo exército, sem a menor dúvida.
00:56:31Eu não sei se o senhor está aqui para o senhor entender o que está escrito aí
00:56:36ou se o senhor está aqui para me acusar.
00:56:37Não estou lhe acusando que não sou...
00:56:39Eu não sou...
00:56:39Eu só quero dizer o seguinte...
00:56:41Um momento.
00:56:41Um momento.
00:56:42O senhor está...
00:56:42Um momento.
00:56:43Agora a palavra é minha.
00:56:45Um momento.
00:56:46Um momento.
00:56:54Um momento.
00:56:58Um momento.
00:56:59Um momento.
00:57:02Um momento.
00:57:04Um momento.
00:57:04Um momento.
00:57:05Um momento.
00:57:05Um momento.
00:57:07Um momento.
00:57:07Um momento.
00:57:08Um momento.
00:57:09Um momento.
00:57:10Um momento.
00:57:11Um momento.
00:57:12Um momento.
00:57:13Um momento.
00:57:13Um momento.
00:57:14Um momento.
00:57:21Toda a situação de operações em qualquer exército no mundo
00:57:25Faz seu relatório de morte, desaparecidos, faz tudo
00:57:29Isso é normal, isso é normal
00:57:32O senhor acha que eram os santinhos que foram executados lá dentro
00:57:35Não havia terrorismo naquela época
00:57:37Meu senhor, doutor Fontelli, pelo amor de Deus, doutor Fontelli
00:57:40Eu agora não respondo mais nada para o senhor
00:57:42Porque o senhor, pelo amor de Deus
00:58:22E novas conquistas virão com o progresso econômico
00:58:27E tudo isso é possível graças à tranquilidade em que vive o Brasil
00:58:42E novas conquistas virão com o progresso
00:58:46E muita coisa é possível...
00:59:21Tchau, tchau.
00:59:59Tchau, tchau.
01:00:14Contudo, é preciso reafirmar o ideário da Revolução de 1964, que nos inspirou durante os últimos 15 anos, continuará vivo
01:00:27através das gerações.
01:00:29É dentro dessa premissa que receberemos os anistiados.
01:00:36A anistia tem justamente este sentido, de conciliação para a renovação.
01:00:45Dentro da continuidade dos ideais democratizantes de 1964, que hoje reencontro sua melhor e mais grandiosa expressão.
01:00:56Muito obrigado.
01:01:00A anistia é ampla, mas não irrestrita.
01:01:04Ficam de fora apenas os condenados por crimes de terrorismo.
01:01:09O líder do governo no Senado, Jarbas Passarinho, garantiu que todos serão beneficiados mais tarde.
01:01:14O projeto foi aprovado numa das sessões mais movimentadas da história do Congresso.
01:01:20As galerias estavam cheias desde cedo.
01:01:23Vai de um lado, aplauso do outro.
01:01:24Aliás, antes do Congresso abrir, às sete da manhã, muitos lugares já estavam lotados.
01:01:29A presença de populares aqui na galeria foi o primeiro assunto discutido lá embaixo no plenário.
01:01:34Essa questão de ordem do capitado não levantou.
01:01:37O MDB reclamou que muitos soldados da Paisana teriam chegado ao Congresso mais cedo para ocupar os lugares na galeria.
01:01:49Quem redigiu essa lei não teve coragem, digamos assim, de assumir essa propalada intenção
01:01:57de anistiar torturadores, estupradores, assassinos frios de prisioneiros já rendidos.
01:02:09É lícito e honesto que governantes e seus subordinados, que tenham mandado e executado durante anos a fio
01:02:23crimes de incomum violência, possam, ao deixar o poder, garantir a sua impunidade
01:02:32mediante uma lei votada por um parlamento submisso e que configura a autoanistia.
01:02:38Aceitar a legitimidade constitucional da lei da anistia não significa fazer compromisso
01:02:45contra a eventual investigação, conhecimento dos fatos ocorridos.
01:02:51Não se faz transição pacífica entre um regime autoritário e uma democracia plena, sem concessões recíprocas.
01:03:01Por incômodo que seja reconhecê-lo hoje, quando vivemos outro e mais virtuoso momento histórico,
01:03:07a anistia, inclusive daqueles que cometeram crimes nos porões da ditadura,
01:03:13foi o preço que a sociedade brasileira pagou para acelerar o processo pacífico de redemocratização.
01:03:20Todo mundo reclama do preço do arroz, do tomate, do feijão, mas todo mundo continua comprando e vendendo.
01:03:29E o custo de vida continua subindo.
01:03:32Ninguém faz nada.
01:03:34Todo mundo continua comprando e vendendo como se nada acontecesse.
01:03:40Entendam de uma vez por todas.
01:03:42O custo de vida é culpa de todos nós.
01:03:46Culpa de quem compra, culpa de quem vende.
01:03:49Você tem que fazer alguma coisa.
01:03:51Comece a pechinchar.
01:03:53Comece a dar valor a cada centavo do seu dinheiro.
01:03:57Procure o mais barato.
01:03:59Discuta o preço.
01:04:00Compre somente o que você precisa.
01:04:03Se todo mundo acreditar que esta é a única solução,
01:04:07aqueles que vendem caro vão acabar acreditando também.
01:04:11E o brasileiro vai vencer a inflação.
01:04:14A partir de hoje, compre só o que o seu dinheiro pode pagar.
01:04:18Como deve agir a polícia?
01:04:20E quais são os novos direitos do cidadão?
01:04:22Agora, de acordo com a nova Constituição,
01:04:25a polícia em todo o país vai ter que agir assim.
01:04:28Ninguém poderá ficar preso para averiguação.
01:04:32As prisões agora só poderão ser realizadas em flagrante ou por ordem do juiz.
01:04:38Imagens como estas de prisões na rua para averiguações
01:04:41são proibidas pela nova Constituição.
01:04:46Prisões e buscas em residências só em caso de flagrante
01:04:50ou através de autorização judicial.
01:04:53Cenas como estas não poderão mais se repetir.
01:04:57Polícia, policial.
01:04:59A prática da tortura é considerada crime inafiançável.
01:05:04Este preso baleado recebeu um soco no local do perimento.
01:05:09O policial que praticar torturas será preso e aguardará o julgamento na cadeia.
01:05:16Não se trata de vingança, não se trata de revanche.
01:05:21Jamais, jamais faríamos o que eles fizeram conosco.
01:05:25No entanto, se a Comissão Nacional da Verdade,
01:05:30se nós militantes, não levarmos estes fatos,
01:05:36estes fatos são fatos educadores que vão formar as novas gerações.
01:05:44Caso não façamos isso, os amariudos continuarão.
01:05:53Porque tudo continua igual.
01:05:56As delegacias torturam, matam, sequestram e desaparecem com os poderes.
01:06:06Eu não consigo respirar, eu não consigo respirar.
01:06:11Vem! Vem! Vem!
01:06:16Vem! Vem!
01:06:18Calma, vai!
01:06:20Eu não consigo, mas já...
01:06:37Ele me chamou de Massara e falou, você vai ser solto.
01:06:41Só que eu quero combinar um negócio com você.
01:06:43Você é estudante, vai ser médico, vai estudar bem na vida.
01:06:48Então você não conta com o que você viveu.
01:06:50Conta para ninguém.
01:06:53Fica quieto que é melhor para você.
01:06:54Senão você pode daqui para pouco desaparecer do mapa.
01:06:59Sumir e sua vida acabar.
01:07:00Então fica quieto.
01:07:02Estou dando um conselho de amigo para você.
01:07:11Me fizeram na rua, eu andei um pouquinho, peguei um táxi.
01:07:14Já contei logo para o motorista do táxi.
01:07:17Nunca mais parei de contar.
01:07:18Estou contando para os senhores daqui agora.
01:07:21Eu acho que a gente tem que contar isso.
01:07:23Eu sou presidente da Comissão da Verdade em São Paulo.
01:07:28E é difícil quem sofreu falar.
01:07:34Mas precisa falar.
01:07:37Era isso.
01:07:39E que me esqueçam.
01:07:41Aliás, eu pedi isso desde o começo.
01:07:43Você lembra?
01:07:44Mas eu acho que eu tenho a impressão que a história não vai esquecer certas coisas, presidente.
01:07:50Pode ser que eu não esqueça mais.
01:07:51Eu preferia que esquecesse.
01:07:54Para o senhor viver tranquilo lá no sítio do dragão.
01:07:57É.
01:07:58E que não me venham conversar mais sobre política.
01:08:02Que aí eu abro o meu arquivo.
01:08:05O senhor tem cartas e papéis guardados?
01:08:09Muito.
01:08:14Bom, presidente, muito obrigado ao senhor.
01:08:16Obrigado.
01:08:17Obrigado a você também.
01:08:19Obrigado a vocês.
01:08:33Rede Manchete, televisão de primeira classe.
01:08:36Assista agora Festival Elvis Presley, apresentando Rítimos e Confusões.
01:08:41Logo depois, Jornal da Manchete, segunda edição.
01:08:45E em março, você faz a programação.
01:08:47Escreva para a rede Manchete e peça os filmes que você quer rever.
01:09:07Não tenho nada a responder.
01:09:08Então, já quem sabe para clarear, o senhor não se negaria a fazer uma clareação com ele?
01:09:14Diante da Comissão de Salva da Verdade?
01:09:15Não, não faço a clareação com esse terrorista.
01:09:18Não faço!
01:09:19Eu não sou terrorista, viu, coronel?
01:09:22Terrorista é o senhor, o corpuração.
01:09:24Terrorista é o senhor.
01:09:25O senhor é terrorista?
01:09:27Eu não sou terrorista.
01:09:29Eu sou brasileiro de lei.
01:09:31O senhor é o corpuração terrorista?
01:09:33O senhor é.
01:09:35Por favor.
01:09:36Não, não, não.
01:09:39Terrorista é o terrorista.
01:09:40Aí não, aí não.
01:09:42Aí não, aí não.
01:09:43Ninguém fala.
01:09:43Ninguém fala.
01:09:44Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra,
01:09:54o pavor de Dilma Rousseff.
01:09:57Como vota, deputado?
01:09:59Pelo exército de Caxias.
01:10:00Como vota?
01:10:01Pela nossa força amada.
01:10:03Por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim.
01:10:09Jair Bolsonaro.
01:10:12Jair Bolsonaro.
01:10:21As praias do Brasil ensolaradas.
01:10:25Lá, lá, lá, lá.
01:10:26Chamou de um país e elevou.
01:10:28Lá, lá, lá, lá.
01:10:30A mão de Deus abençoou.
01:10:32Mulher que nasce aqui, tem muito mais amor.
01:10:38E o céu do meu Brasil tem mais estrelas.
01:10:41Lá, lá, lá, lá.
01:10:42O sol do meu país mais esplendor.
01:10:45Lá, lá, lá, lá.
01:10:47Regime militar, de 1964.
01:10:50Extremamente necessário naquele período.
01:10:52Coronel Brilhante Ustra.
01:10:54Meu herói.
01:10:55Eu te amo, meu Brasil.
01:10:57Eu te amo.
01:10:58Meu coração é verde, amarelo, branco, azul, anil.
01:11:03Eu te amo, meu Brasil.
01:11:05Eu te amo.
01:11:07Ninguém segura, juventude do Brasil.
01:11:11Eu te amo, meu Brasil.
01:11:14Eu te amo.
01:11:15Meu coração é verde, amarelo, branco, azul, anil.
01:11:20Eu te amo, meu Brasil.
01:11:22Eu te amo.
01:11:24Ninguém segura, juventude do Brasil.
01:11:27Ninguém segura, juventude do Brasil.
01:11:31Ninguém segura, juventude do Brasil.
01:11:43Ninguém segura, juventude do Brasil.
01:11:54Calma, olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:12:03Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:12:10Cerrado as portas do mundo.
01:12:13Calma a boca, moço.
01:12:14E decepada a canção.
01:12:16Calma a boca, moço.
01:12:18Metade com sete chão.
01:12:20Calma a boca, moço.
01:12:38Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:12:45Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:12:53Mulata, mula, mulambo, milícia, morte, morão.
01:12:57Calma a boca, moço.
01:12:59Calma a boca, moço.
01:13:01Onde amarro a meia espera cercada de assombração.
01:13:04Calma a boca, moço.
01:13:06Calma a boca, moço.
01:13:08Seu meio corpo apoiado na muleta da canção.
01:13:12Calma a boca, moço.
01:13:14Calma a boca, moço.
01:13:15Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:13:22Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:13:30Meia dor, meia alegria.
01:13:32Calma a boca, moço.
01:13:33Nem roça, nem flor, mudança.
01:13:35Calma a boca, moço.
01:13:37Nem pavor, nem euforia.
01:13:39Calma a boca, moço.
01:13:40Nem a cama, nem caixão.
01:13:42Calma a boca, moço.
01:13:44Sacana, cai, anel, cano.
01:13:46Calma a boca, moço.
01:13:47Só uma garça da canção.
01:13:49Calma a boca, moço.
01:13:51Calma o peito, calma o beijo.
01:13:53Calma a boca, moço.
01:13:57Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:14:04Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:14:12As paredes de um inseto me vestem como a um cabide.
01:14:16Calma a boca, moço.
01:14:18Calma a boca, moço.
01:14:20E na lama de seu corpo vou por onde ele descer.
01:14:23Calma a boca, moço.
01:14:25Calma a boca, moço.
01:14:27Metade se esverdeando no limbo do meu revir.
01:14:31Calma a boca, moço.
01:14:33Calma a boca, moço.
01:14:34Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:14:41Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia.
01:14:48Quem canta traz um motivo.
01:14:51Calma a boca, moço.
01:14:52E se explica no cantar.
01:14:54Calma a boca, moço.
01:14:56Meu canto é filho de Aquiles.
01:14:58Calma a boca, moço.
01:14:59Também tem seu calcanhar.
01:15:01Calma a boca, moço.
01:15:02Por isso o verso é abismo.
01:15:05Calma a boca, moço.
01:15:06Do que eu queria explicar.
01:15:08Calma a boca, moço.
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