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2 - Português de Brasileiro
Explora como o português de Portugal se transformou ao ganhar vocabulários indígenas e africanos, tornando-se uma língua que os próprios portugueses muitas vezes não reconhecem.
Explora como o português de Portugal se transformou ao ganhar vocabulários indígenas e africanos, tornando-se uma língua que os próprios portugueses muitas vezes não reconhecem.
Categoria
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AprendizadoTranscrição
00:27A CIDADE NO BRASIL
00:30A CIDADE NO BRASIL
01:00A CIDADE NO BRASIL
01:50A CIDADE NO BRASIL
02:16A CIDADE NO BRASIL
02:21A CIDADE NO BRASIL
03:08A CIDADE NO BRASIL
03:25A CIDADE NO BRASIL
03:56A CIDADE NO BRASIL
03:58A CIDADE NO BRASIL
04:12A CIDADE NO BRASIL
04:41A CIDADE NO BRASIL
04:45A CIDADE NO BRASIL
04:52A CIDADE NO BRASIL
05:14A CIDADE NO BRASIL
05:50A CIDADE NO BRASIL
05:52A CIDADE NO BRASIL
05:52A CIDADE NO BRASIL
06:10A CIDADE NO BRASIL
06:48A CIDADE NO BRASIL
07:09A CIDADE NO BRASIL
07:11A CIDADE NO BRASIL
07:28A CIDADE NO BRASIL
07:31A CIDADE NO BRASIL
07:34A CIDADE NO BRASIL
08:01A CIDADE NO BRASIL
08:03A CIDADE NO BRASIL
08:04A CIDADE NO BRASIL
08:05A CIDADE NO BRASIL
08:06A CIDADE NO BRASIL
08:07A CIDADE NO BRASIL
08:08A CIDADE NO BRASIL
08:09A CIDADE NO BRASIL
08:11A CIDADE NO BRASIL
08:13A CIDADE NO BRASIL
08:14A CIDADE NO BRASIL
08:15A CIDADE NO BRASIL
08:18A CIDADE NO BRASIL
08:29A CIDADE NO BRASIL
08:33Na linha do Caipira, João Sabio na sede
08:38Coelho perdeu a criança
08:44Era meu moleque
08:47Na linha do Caipira, eu já fui no cemitério
08:51Fui pulando o meio-dia, tipo um macho ferrado
08:56Tipo da pele que minha, eu ficava admirado
09:01Cascaret que me falia
09:08Falar Caipira é fruto da língua geral
09:12Co-pir, co-pir quer dizer lavrar a terra, a roça
09:19Co em tupi é roça
09:22E esse pir aí tem a ver com lavrar, com tozar
09:29Aquele que lavra a terra, copira, caipira
09:32Eles passam a falar o português, certo?
09:37Muito influenciado pela língua geral paulista
09:40Por exemplo, na flexão verbal à esquerda do tupi
09:47Você vê, nhe eng, em tupi falar
09:49A nhe eng, ere nhe eng, o nhe eng
09:54A flexão verbal é à esquerda
09:56No dialeto caipira, nós não temos flexão
10:01Nenhuma direita
10:02Eu falo, você fala, ele fala
10:04Nós falamos, vocês falam, eles falam
10:06O que vai variar é o pronome
10:07O pronome que faz a função da flexão
10:09Outra coisa, a língua geral não tinha plural
10:12Não tem flexão de número
10:14Então, os homens vieram hoje
10:17O que vai ter é o artigo só
10:19Que vai mostrar aí que é plural
10:21Isso aí é certamente uma influência
10:24Da língua geral
10:25Sobre o português caipira, o dialeto caipira
10:30O tupi antigo, a língua geral também
10:33Não tinha, a língua geral paulista
10:35Não tinha o L
10:37Planta
10:38Nós vamos ter aí, invariavelmente
10:41A substituição do L pelo R
10:43Falar planta
10:44Você está dizendo que
10:46As línguas indígenas não tinham determinados sons
10:49E as línguas africanas não têm, por exemplo, o Lye
10:54Essa lateral palata, o Lye
10:56Não tem
10:56Então, trabalha, fica trabalha, paia
11:00Nas línguas africanas, o L, o R e o D
11:03Aparece como variação livre
11:05Você pode falar uma coisa ou outra
11:08Então, para falar comer, né?
11:12Aqui em mundo
11:12Kudya
11:13Kudya
11:14Kurya
11:15Você pode falar D ou R
11:17Tem palavras, né?
11:18Se a gente pegar o léxico
11:20Você vai falar
11:20Bom, será que isso veio do tupi
11:23Ou de qualquer outra língua indígena
11:25Não será que veio de uma língua africana
11:26Porque você vê a sonoridade
11:29Tanto pode ser atribuída a uma língua
11:31A Grupo Banto, por exemplo
11:32Que é aquela que eu conheço mais
11:34Ou uma língua indígena, né?
11:37Então, há dificuldades
11:38Mas o que é interessante a gente ver
11:40Que tudo isso esteve em conjunto
11:43Que são esses traços linguísticos
11:45Que foram se associando
11:48E deram esse português
11:51Que nós falamos
11:53Perguntaram para mim
11:54Ai, meu Deus
11:55Quantos cantou na bandeira
11:58Ai, meu Deus
11:59Perguntaram para mim
12:01Ai, meu Deus
12:02Quantos cantou na bandeira
12:05Ai, meu Deus
12:05Foi tão bem-vinda
12:08Ai, meu Deus
12:09Som Luís e a Padroeira
12:11Ai, meu Deus
12:12Foi tão bem-vinda
12:14Ai, meu Deus
12:15São Luís e a Padroeira
12:21A Congrado
12:23Ela é uma união dos negros
12:27Com os portugueses
12:29Ela faz louvação para o santo negro
12:32São Benedito, Nossa Senhora da Conceição
12:36Senhora Aparecida
12:48A Congrado é uma companhia de São Benedito
12:53É uma companhia de São Benedito
12:56Então, os congueiros fazem a oração deles
13:01E se pia com o protetor deles
13:04Que é o protetor de São Benedito
13:16Então, vou cantar
13:18A Fazenda Mato Dento
13:19A Fazenda do Velho Pai
13:20A Fazenda Mato Dento
13:32Fica lá em um brotão
13:35Aonde que eu fui criado
13:37Eu junto com meus irmãos
13:40Nós cuidava no gato
13:42E cuidava as plantações
13:49O nosso casal de velho
13:52Sente a satisfação
14:00A Fazenda Mato Dento
14:16Não há dúvida que as línguas se aumentam
14:19E alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes
14:25Querer que a nossa pare no século de 500
14:28É um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a América
14:33Não lhe inseriu riquezas novas
14:36A este respeito
14:38A influência do povo é decisiva
14:50Para a gente falar do nosso povo
14:53A gente tem que
14:56Rememorar as ideias dos nossos antigos
14:58Lá em 1778
15:02Quando a coroa portuguesa implantou os aldeamentos aqui
15:07Que era chamado o aldeamento Pedro III
15:10Foi trazido de início 5 mil chavantes
15:14Com esses chavantes vieram também os caiapó, né, Dorvalino?
15:18Os caiapó
15:19Os caiapós já eram indígenas que eram catequizados
15:23Que já falavam o português
15:26Posteriormente foram enviados também os carajás, né?
15:30Os carajás
15:31Exato
15:50Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém
15:54Eu te benzo de quebrante, vento virado, maloiado
15:57Quem põe são dois, quem tira são três
15:59Você te chaga, são dos apóstolos
16:02Com o poder de Deus Pai, Deus Filho e Espírito Santo, amém
16:07Deus te cura
16:08Amém
16:09Muitos dos nossos morreram
16:11Depois de muita violência, de muito massacre
16:17Envenenamento do poço de água
16:20Onde foram mortos quase todos os indígenas
16:25E surto de sarampo
16:28Que a gente sabe que os indígenas não...
16:30Não tinha defesas biológicas pra essas doenças do homem branco, né?
16:37E então foi assim que o nosso povo ficou reduzido a 300 pessoas
16:44Depois a 50 pessoas
16:46Até que chegou um momento que ficou reduzido a três
16:50E aí dessas, dessas ficou três e a Maria Raimunda, né?
16:55É, exato
16:56E a Maria do Rosário
16:59Então, aí ficaram os três e essas duas mulheres são as matriarcas, né?
17:06Também vem a questão dos negros também, quem entrou, né?
17:10Exato
17:10Então, elas se casaram com esses dois negros, né, Dorvalina?
17:13A Maria Raimunda e a Maria do Rosário
17:17Então, as duas se casaram com esses dois negros
17:20E é por isso que naquele estudo que nós fizemos
17:23Assim que a gente entrou pra UFG na licenciatura intercultural
17:27Nós identificamos palavras macro-G, palavras guarani
17:33Palavras de origem banto
17:35Isso, porque o nosso povo é o reflexo dessa mistura, né?
17:39Miscigenação, né?
17:40Exato
17:41Mas essa, é até importante você falar
17:45Porque depois disso que veio, assim, esse estudo, né?
17:49Que veio também um pouco da valorização da nossa língua, né?
17:52Exato
17:53Porque muitos parentes indígenas de outras etnias
17:56Até falavam que nós não éramos indígenas por causa da língua
18:01Mas a gente tem a nossa língua, que é o português tapuia, né?
18:04E dessas palavras, de origens macro-G, tupi
18:10A gente viu que a gente tem sim uma língua
18:13E a nossa língua é o português tapuia, né?
18:16Daí as crianças, os professores começaram a trabalhar isso dentro da escola
18:20E se levando pra comunidade, né? Como um todo, né?
18:30O que é arredondir que arredudar que não tem seio que nem buraco?
18:34Eu não sei não
18:35Sabe não?
18:36Não
18:37Também não
18:39É...
18:43Doutor...
18:43Doutor...
18:44Doutor...
18:44Doutor...
18:45Doutor...
18:45Doutor...
18:46Não...
18:46É...
18:46Doutor...
18:47Dá uma dica, dá uma dica...
18:49Vocês comem ele?
18:51Eu vou dar essa chanja pra vocês...
18:53Me?
18:53Vocês comem...
18:54Se não, vocês vão dormir com ela, eu não vou falar, não, não...
18:57Me?
18:58Eu vou falar, ele sai da galinha.
19:02O ovo?
19:03É, o ovo.
19:04O ovo também.
19:06É.
19:07Sabia.
19:09E é o que é que cai no chão e voa?
19:13Ah, eu sei lá.
19:16Cai no chão e voa?
19:18É.
19:18Ó, Sarim.
19:19Não.
19:20Sabe?
19:22Acertou.
19:23Que é o que é que anda com a tripa de rastro.
19:27É cachorro?
19:28Vaco.
19:29Não.
19:30É...
19:31Barrato?
19:32Não.
19:34Galinha?
19:34Não.
19:35É agulha.
19:36Galinha.
19:38Entendeu?
19:38Agulha?
19:39Ah!
19:41Quando nós era criança, nós brincavamos muito, era de roda.
19:43É o mesmo que vocês brincam, não é?
19:45De roda?
19:45Ou não?
19:46Vocês brincam, Mari?
19:47É.
19:49Pneio.
19:49Vocês brincam de pneio.
19:50Nós brincavamos, era de roda.
19:52Aonde a piaba nada, eu vou nadar.
19:57Reina, reina, reina, reina, reina, rea e aô.
20:03Reina, reina, reina, reina, reina, rea e aô.
20:25Só que a nossa história, ela é muito singular, porque nós não somos um povo que sempre existiu,
20:34nós somos um povo que nasceu da mistura de vários outros, não é, Darvalena?
20:38Sim.
20:38É, de...
20:40Povos, né?
20:41Exato.
20:42E nós adotamos o nome que os brancos nos deram, né?
20:46Tapuia.
20:47Então, o povo Tapuia, ele nasce falando esse português, que não é o português padrão.
20:54Por quê?
20:55Porque é um português que leva na sua essência a forma de falar dos nossos ancestrais.
21:30Música
21:54Hoje, quando eu chego no local e eu me identifico como quem eu sou, Eunice, Pircoji e Tapuia,
22:01e a minha língua é o português Tapuia, eu estou dizendo.
22:07Aquele projeto implantado pela coroa portuguesa lá em 1788, que era para que os indígenas deixassem de ser indígena,
22:16nada daquilo funcionou.
22:18Todo o sofrimento, toda a dor que foram infringidos aos nossos ancestrais, mesmo assim nós resistimos.
22:25Porque somos um povo que valoriza a nossa identidade, que valoriza quem somos, que valoriza aqueles que morreram lutando naquilo
22:37que eles acreditavam.
22:38Então, tudo que a coroa portuguesa queria era que esses indígenas deixassem de ser indígenas.
22:45Mas nós somos a prova de que isso não funcionou.
22:50Então, é por isso que eu uso o português Tapuia para falar.
22:53Porque eu quero ser reconhecida e eu quero demonstrar que o meu povo existe e resiste.
23:07Interessante esse caminho que as palavras e os falares fazem entre os continentes.
23:14Normalmente para o brasileiro é muito mais difícil entender o português de Portugal.
23:19Há construções que diferenciam hoje o português do Brasil e o português de Portugal, que são debidas a que o
23:27português do Brasil conserva as maneiras antigas.
23:31Por exemplo, o famoso caso dos pronomes, sempre se diz.
23:34De tanto a construção ela me viu, em lugar de ela viu-me.
23:40Com a construção eu vi-ela, essas duas construções não são corrupção ou deriva de...
23:48Não, não, são formas antigas que já estão no galego medieval.
23:52No galego medieval existia a possibilidade de dizer eu vi-eu ou eu vi-ele.
23:57E existia a possibilidade de dizer ela me viu e ela viu-me.
24:00Igual que com os pronomes possessivos, sua casa ou seu carro, no galego antigo podia-se dizer a sua casa
24:11ou sua casa.
24:12O seu carro ou o seu carro.
24:14De fato, era mais frequente não usar o artigo.
24:18Portanto, se o brasileiro se diz seu carro,
24:21não é por evolução de uma forma antiga ou seu carro,
24:26senão que está dando continuidade a uma forma antiquíssima.
24:29O português brasileiro não se separou na escrita do português europeu.
24:35Ao contrário, o português brasileiro fez uma norma ortográfica antes de que existisse no português europeu.
24:43E quando o português europeu fez uma norma ortográfica,
24:46ignorou conscientemente o que se fazia no Brasil.
24:49Portanto, o Brasil não se separou porque não existia essa norma antes.
24:55Então, aí há muitos preconceitos, lugares comuns que realmente o lingüista,
25:00acho que de alguma maneira temos a obriga de começar a dizer que não é assim,
25:07que esses lugares comuns são completamente falsos.
25:21Música
25:22Música
25:22Música
25:30Música
25:31Música
25:50Música
25:51Música
25:52Música
25:53Música
25:53Música
25:55Música
25:55Música
25:55Música
26:00Música
26:00Música
26:00Música
26:00Se eu passe por tu, eu perguntaria, por exemplo, o Gregório quer mais água?
26:07Eu ficaria assim.
26:08Sim, exatamente.
26:12Em Portugal é assim que a gente faz.
26:14A gente não diz você, você é mal entendido.
26:17Se a gente disser você quer mais água, normalmente a gente diz...
26:21Quando a gente diz você é porque alguma coisa vai correr mal.
26:25Você não vê que eu estava aqui?
26:27É assim.
26:28Sim.
26:28Sim, mas não...
26:29Ah, é?
26:30É, é, é.
26:31Sim.
26:32É, você em geral, é, que curioso.
26:34Não sabia que eu usava assim com esse aspecto.
26:36Há várias coisas que entraram em Portugal por via das novelas,
26:40que a gente sabe o que são por via das novelas.
26:42Por exemplo, antes da Gabriela, a Gabriela foi a primeira,
26:46antes da Gabriela ninguém sabia em Portugal o que era um cafajeste e uma jararaca.
26:52E agora toda a gente sabe.
26:54E isso, caprichar, eu acho que é assim, entrou por essa via.
26:58Ninguém usa muito, mas a gente sabe o que significa.
27:01Fazer com carinho.
27:02É difícil descrever, não é?
27:03Porque eu lembro de uma vez, quando eu falei pra um amigo Grimm,
27:05como é que você pediria, por exemplo, pra um cara caprichar no seu sanduíche?
27:09Eu falo assim...
27:10Ele falaria...
27:12Make it with extra cheese.
27:14Não, que extra?
27:15Tipo assim, você não quer o capricho?
27:17O extra você paga.
27:18O capricho não pode ser remunerado.
27:19Senão não é um capricho.
27:21O capricho é gratuito.
27:23Então eu queria...
27:24Eu falei isso com um amigo francês também,
27:25queria que ele caprichasse, o cara da crepe caprichasse na Nutella.
27:29Tipo assim, capricha na Nutella.
27:33Aí um amigo falou assim, não, não dá.
27:35Isso daí só daram a pedir no Brasil, porque aqui o normal é as pessoas capricharem.
27:40Aí eu mostrei a crepe com dois negócios de Nutella.
27:42Falei...
27:43Claro que não.
27:44O capricho é o contrário.
27:45O capricho, ele não só não pode ser remunerado,
27:47como ele tem a ver com o afeto, com o carinho que você põe pela coisa.
27:49Quando você pede alguém caprichar no trabalho,
27:51é pra você fazer aquilo com amor, com tesão.
27:53E tipo, eu acho que é um negócio muito brasileiro.
27:55Porque a gente tem umas 580 palavras para tramonha.
28:03Mutreta, maracutaia, trambique.
28:04E assim, são as 4 primeiras que me ocorreram.
28:07Mas é infinito.
28:08Eu fiz uma coluna só citando elas.
28:09É infinito a quantidade de palavras para esquema de corrupção no Brasil.
28:14Dizem que os esquimões têm 50 palavras para neve.
28:17É tipo isso.
28:18É a mesma razão, inclusive.
28:20É a nossa neve.
28:23E a gente tem pra tudo.
28:24Porque a maracutaia é um esquema de proporções gigantescas.
28:26Agora, o trambique é um esqueminha pequeno, inofensivo.
28:29Uma mutreta é aquele do qual talvez você possa até perceber.
28:32Tudo depende muito do...
28:34Tem muitas...
28:3550 tons de mutreta.
28:39Então, nós somos o país da mutreta, mas também somos o país do capricho.
28:42Eu acho que é algo que a gente tem que lembrar.
28:44Que nós temos também um capricho.
28:45Sabemos fazer as coisas com algum amor e algum carinho.
28:48O capricho, eu acho que é importante lembrar que é uma palavra tão boa brasileira.
28:51E outra bem brasileira também, que é difícil de ter, e acho que em Portugal não é a mesma coisa,
28:54é folgado.
28:56É muito difícil falar isso em outra língua.
28:58Que é alguém que age de uma maneira com folga, não é?
29:05Parece óbvio, mas folgado em Portugal se fala pra uma pessoa?
29:08Não.
29:08Não, né?
29:09É alguém que... é o brasileiro.
29:12Eu ia descrever e falar muito, mas nós somos folgados.
29:16E é uma delícia.
29:17Folga é importante também.
29:18É bom você ter uma certa folga.
29:22Neste mundo é mais rico o que mais rapa.
29:26Quem mais limpo se faz, tem mais carepa.
29:31Com sua língua, ao nobre o vil decepa, o velhaco maior sempre tem capa.
29:40Mostra o patife da nobreza o mapa, que tem mão de agarrar ligeiro trapa.
29:47Quem menos falar pode, mais encrepa.
29:52Quem dinheiro tiver, pode ser papa.
29:55A flor baixa se inculca por tulipa.
29:59Bengala hoje na mão, ontem garlopa.
30:03Mas isento se mostra o que mais chupa.
30:06Para a tropa do trapo vaso, a tripa.
30:10E mais não digo, porque a musa topa em apa, epa, ipa, opa, upa.
30:22Música
30:28Bom dia, tudo bom?
30:29Qual é a gente que mora por aqui?
30:31Só informar que é um dia que eu acho que um mecânico bom que trabalha com esses...
30:37Longalina, que trabalha com essas vigas para...
30:40De ferro, de casa?
30:42Uma armação dessa que já vem para perto e para longe.
30:47Ah, perto e longe.
30:48É, porque às vezes eu enxergo assim, para ler, dá um trabalho danado.
30:52Aí eu tocando um, parece um piquenês.
30:55Aí os meninos soltou ele de manhã para comer assim um capim,
30:59porque ele tava com dor de barriga, entendeu?
31:01Beleza.
31:02Aí onde é que eu posso encontrar aqui?
31:05Você tá falando sobre o que? O... O óculos?
31:09Não, pá.
31:10Tô falando do cachorro, se você viu o cachorro passar aqui.
31:13Ah, você tá falando do cachorro perdido, não é isso?
31:15Não, você não tá entendendo. O menino não tá com ele.
31:17Eu já liguei para ele umas três vezes, só tá dando caixa.
31:21E minha esposa lá só tá comendo arroz e salada, ela tá na dieta.
31:25Aí eu tô querendo ver se o agendo, a terceira e a quarta dose,
31:29mas o rapaz disse que só pega ou álcool ou aditivada.
31:34E a gente lá tem três dias que não cai uma gota d'água.
31:38Ah, entendi agora.
31:39Aí eu queria saber de você, de um a cinco, você prefere que pôr para ver se a gente fecha?
31:48E aí, me ajude aí.
31:49Tem uns que a gente pede um número e sempre eles esquecem.
31:52Só vai fazer uma limpeza, eles inventam obturação.
31:55E se vacilar, eles vão até para canal, né?
31:58Quer criar ovelha e não tá preparada para o terreno.
32:02Você vai ter ideia.
32:03Eu pedi um abrotinho, eles me botaram uma média dizendo que era grande.
32:08Aí quando eu calcei, ficou latejando.
32:10Cada passo que eu dava, latejava.
32:13Aí eu procurei um dentista para fazer uma limpeza.
32:15Ele disseram que eu tinha que raspar.
32:17Aí eu raspei.
32:18Quando apareceu uma casa, ele disse que eu só tenho direito a uma cesta básica de 450 reais.
32:24Eu queria saber a sua opinião sobre isso aí.
32:27Hein?
32:28O senhor tá procurando o quê? Praia ou o quê?
32:31Não, o senhor não entendeu.
32:32A mulher só tomou a terceira dose, a gente quer agendar a terceira.
32:35Entendeu?
32:36Aí o carro parou ali.
32:38Eu tô procurando assim, pelo menos o carro rapaz falou que ou é álcool ou é gasolina.
32:42Não sei, tem que perguntar ali.
32:45Aqui no prédio amarelo.
32:46Tá certo.
32:47Mas você sabe me informar se é rodízio ou é prato feito lá?
32:50Não sabe, né?
32:52Então todo mundo sabendo aí da pegadinha que você tá participando.
32:55Todo mundo já me conhece aí, viu?
32:56Só você que não sabe.
33:01Você deu o sonho de tomar um plato pra dar um chá.
33:06Tá vendo?
33:07Dá um tchau assim pra galera.
33:12A realidade linguística do Brasil é uma realidade interessante porque o Brasil faz parte de um continente que linguisticamente é
33:23sui generis.
33:25Se a gente pensar no cenário linguístico planetário, né?
33:29Porque quais são as línguas mais faladas na América, no continente americano?
33:35O português, o espanhol e o inglês.
33:40Essas línguas se formaram onde?
33:43Se formaram na Europa.
33:45É uma língua que veio de fora.
33:47Eu acho que o lugar da homogeneidade, ele traz um parâmetro de suposto monolinguismo que não existe.
33:53Todos nós estamos partindo sempre da desconstrução dos nossos trabalhos desse monolinguismo.
33:59E as pessoas, às vezes, não entendem que o monolinguismo, ele é o aspecto que mais disciplina e sufoca, às
34:07vezes, o que elas são.
34:09É triste ver um brasileiro dizendo, eu não sei português, porque o troço foi tão radical que não só a
34:17gente perdeu a noção de que há várias línguas mesmo,
34:19do ponto de vista de sua gênese, né? Estrutural, né? Mas também um mundo de português interessante, né?
34:30Márcio, estou aqui em Sergipe, esperando você na terça, num barzinho, para tomar aquela cervejinha no barzinho do Sérgio.
34:42Será que essa turma do Rio de Janeiro gosta de uma cachaça boa?
34:45Olha, eu estou achando que as caixas, viu? Acha que eu gosto. Mas tem que ser pinga boa, viu? É.
34:53É trem ruim, não está com nada, não, né? Ah, não. É um trem bom.
34:56Pinga boa é nossa aqui mesmo. É. Quem beba água da biquinha.
35:01Come biscoito da mariquinha, sempre volta aqui em Buenos Aires, né?
35:04Volta. E toma cachaçinha. É. Então, às vezes, vocês voltarem aqui, viu?
35:10A gente, ainda no Brasil, tem uma falta de conhecimento muito grande sobre os processos históricos
35:17que teriam dado origem à nossa dialetação. Por que que, na região de Salvador,
35:23o pronome lhe tenha sobrevivido, sobreviveu com tanta pujança?
35:30Eu não lhe vi, eu não lhe amo. E, diferentemente de outros lugares.
35:35Por que que também, de novo, na região de Salvador e outras do Nordeste,
35:40os PEG, o Chego, por que que sobreviveu com tanto contato com línguas africanas?
35:51Oi, oi, oi, oi! Tá passeando, ué? Tá aqui o Armengue Sol, meu filho.
35:56Pega a visão, Adriana. Quachá, quachá. Chame Lu aí, parceira, na moral.
36:00Chame Lu! Lu!
36:03Não me chame de Lu! Quem me chama de Lu é minha mãe, minha família, tá?
36:08Vai lavar seu estufo. Oxi!
36:11Porra, maluco! Bronco!
36:13Na pegada, tô no oialage, parceiro, na moral.
36:17Onde é esse reggae?
36:18Rapaz, vai ser lá em cima, vai ser barril, viu?
36:20Barril? Ser barril dobrado!
36:22E é de verdade, viu?
36:24Eu comer muita água, eu vou sair de lá no neném, pá.
36:27Hoje é quebrando e amassando, parceiro.
36:29Ih, vai ser um uauê, né, gente? Vai ter baranga?
36:32Não, boca de afofô.
36:34Vai ter xixim de galinha?
36:35Ô, mãe, não. Vai ser comida de responsa.
36:38Ah!
36:38Ô, quachá, quachá! Pega a visão que só entra quem tem pulseira, parceira.
36:43Você vai ficar aí, baranga.
36:44Já fui!
36:46Vem lá, Lu, desça aí, irmão.
36:48Ah, gente, vai com Deus e vá.
36:50Que que é, Lu? Cadê você, irmão?
36:53Ó, parceiro, eu tô aqui, ó. Já disse pra você que não me chamem de Lu.
36:57Certo? Mas como você passa, vou liberar.
37:00Ai, quem tá me ligando?
37:02Que é?
37:02Vida.
37:03Ih, rapaz, o bicho vai pegar o...
37:05Opa!
37:07Ó, baranga!
37:09Brukutu!
37:10Badogueiro!
37:11Pega a visão, viu?
37:12Do inferno!
37:14Eu não vou mesmo?
37:17Contei invocação para não saber línguas cultas.
37:21Sou capaz de entender as abelhas do que o alemão.
37:26Eu domino os instintos primitivos.
37:30A única língua que estudei com força foi a portuguesa.
37:35Estudei-a com força para poder errá-la ao dente.
37:41Entendo ainda o idioma inconversável das pedras.
37:45É aquele idioma que melhor abrange o silêncio das palavras.
37:51Sei também a linguagem dos pássaros.
37:55É só cantar.
38:00Toda língua humana é variável.
38:02Toda língua humana é diversa.
38:03Porque as comunidades humanas são diversas.
38:06E as sociedades humanas são diversas.
38:07Se as línguas fossem uniformes, seriam homogêneas,
38:13seriam estáveis, nunca mudariam.
38:16E deixariam de ser aptas para a comunicação humana.
38:21Porque as sociedades mudam, inovam.
38:25Então, a língua vai detrás.
38:27Isto é assim de simples.
38:28A língua é necessariamente variável.
38:31E temos que ter essa capacidade para perceber
38:35que há muitas maneiras de falar
38:36e não sempre pensar na variedade linguística
38:39em termos de correto ou incorreto.
38:41Os galegos conservamos as vogais antigas.
38:45Simplesmente.
38:46Nem pomos, nem tiramos.
38:48Conservamos.
38:49O português do Lisboeta,
38:52e a partir daí, por influência da norma,
38:55todo o português tende a eliminar as vogais átonas.
38:58E o brasileiro põe novas vogais.
39:03São como três possíveis soluções.
39:07Para os galegos é mais fácil entender o falado brasileiro.
39:11Muito mais.
39:12Porque as vogais ajudam muito.
39:14Sim, muito.
39:14Ajudam muito a seguir o ritmo da fala.
39:19O português do Lisboeta para nós é uma espécie de eslovaco.
39:22Uma coisa...
39:24Cada vez mais a linguagem portuguesa vai ser uniformizada.
39:30E cada vez mais estará longe da pronúncia brasileira
39:34e também da pronúncia galega.
39:37E cada vez mais fecharemos a nossa língua
39:41de maneira que é uma espécie de, como se diz,
39:45uma espécie de língua gelada.
39:47A própria pronúncia gelava é também gelada.
39:57Realmente faz sentido.
39:59Faz sentido.
40:00Eu não sei...
40:01Atenção.
40:02Se calhar devíamos...
40:04Acho que há uma coisa que perturba esta noite
40:08que é...
40:10São as piadas de português.
40:12Se calhar devíamos tirar isso do caminho, não é?
40:14Eu devo dizer que as piadas de português não me ofendem nada.
40:20Eu acho...
40:21Quer dizer...
40:22Por um lado, acho triste
40:23que os brasileiros tenham escolhido o meu povo
40:26para o humilhar da forma mais xenófoba
40:32quando os argentinos estão mesmo aqui.
40:39Enfim...
40:39Sabe que eu defendo muito os portugueses nessa fama que tinha,
40:44sobretudo porque é uma coisa meio geracional.
40:46É mais antiga essa coisa do português, burro.
40:49Mas ainda assim, quando alguém surge,
40:51eu defendo porque, na verdade,
40:53eu sei...
40:54Eu entendo exatamente o que acontece.
40:57E eu vivi na pele várias vezes
40:59e eu entendi o que que é o fenômeno
41:01e como é que começa.
41:02É o seguinte...
41:04Eu estava uma vez, por exemplo, num restaurante
41:06e eu perguntei como vinha o bacalhau.
41:09E o garçom vira pra mim e fala...
41:10Não, véi.
41:12Sou eu que o trago.
41:16E eu...
41:18Olhei pra ele e falei assim...
41:20Não é possível.
41:22É a coisa mais burra que eu já ouvi na minha vida.
41:24E aí eu olhei e eu entendi
41:26que tinha no olhar dele um mini risiro.
41:29Ele deu uma risadinha e eu ri.
41:30E ele riu também.
41:31Eu falei...
41:31Óbvio.
41:32É piada.
41:34Eles estão rindo da nossa cara.
41:38E a gente acha que está rindo da cara deles.
41:42Então, por trás de todo português, você acha que foi burro com você, tem um português rindo da tua cara.
41:47Porque você não entendeu a piada.
41:49Tem uma vez que eu estava na estrada e eu perguntei...
41:50Essa estrada vai pro porto e ele falou assim...
41:52Espero que não vá.
41:53Precisamos dela aqui.
41:56E é igual.
41:57Eu poderia voltar falando assim...
41:59Eita, que besta.
42:01Meu Deus.
42:02Mas, obviamente, depois que você entenda...
42:04Depois que você põe os óculos de ler e fala assim...
42:06É um povo que faz piada de um jeito diferente.
42:09De um jeito que eu gosto mais, inclusive.
42:10Porque o carioca poderia falar isso.
42:12Pô, o bacalhau não vem, né, brother?
42:13Pô, sou eu que trago ele, cara.
42:17Ele vai falar a mesma piada rindo, te cutucando, falando...
42:23Porra!
42:24Você acha que eu sou o otário?
42:25Trazer um bacalhau...
42:26Assim, ele vai fazer igual, mas ele vai dar uma gargalhada...
42:29E o português faz uma piada muito a sério.
42:32Muito a sério pra você ficar na dúvida mesmo.
42:34Mas eu perguntei, então, você tem alguma sobremesa?
42:36Aí ele fala assim...
42:37Cá comigo, não.
42:40Não cardápio, meu amigo.
42:43Mas, assim, tem um humor da literalidade que eu, particularmente, gosto muito.
42:48Mas eles, quando fazem isso com brasileiros, é perigoso.
42:52Porque é outro humor, então vem o brasileiro pra cá espalhando em verdades.
42:56Mas o português é outro tipo de humor.
42:58Você não sente isso?
43:00Outras vezes é mesmo burris.
43:10E aí, meu mano?
43:12Que isso?
43:13Na moral...
43:15A primeira estação, mano. Voltei, tá?
43:18Até que enfim, né?
43:19É problema, tá ligado?
43:20Nós é correria, mano.
43:21Mano, isso é bateria de mangueira, filho.
43:23Porque arruma problema é...
43:25Mas é aí, mano.
43:26Pô, tô ligado que você é menor arrumando varascais ousadas, cara.
43:29É muito acelerado, mano.
43:31Sempre bom, eu falo com os moleques, mano.
43:33Mantenha essa rapaziada nova com nós, que tem um pouco mais de experiência, mano.
43:37É só problema.
43:38Pô, mas nós já foi novinho também, mano.
43:39Não, mas assim desse tipo de questão, mano.
43:41Que isso?
43:41Que isso, rapaz?
43:42Não, a gente nem falava no ônibus.
43:44É mentira minha?
43:45A gente nem falava no ônibus.
43:46Olha só, mas um bagulho é importante.
43:48Ó, todo mundo já foi jovem um dia.
43:50Todo mundo já fez uma coisa errada, entendeu?
43:52Você não tem que criticar o bagulho, tem que chegar lá e dar um papo.
43:55Tá ligado?
43:56Tipo assim, qual é, menor?
43:57Se liga, pega a visão.
43:58Mas o teu moleque não aceita o papo, não.
44:00Tu tá ligado disso?
44:01Não aceita o papo, não.
44:02A gente ouviu direto o quê?
44:03Na minha época, tá ligado?
44:05É, direto.
44:06Na minha época, o bagulho era barro.
44:08Desfile, então.
44:08Aí, desfile era bravo.
44:10O moleque dava um rolé.
44:12Olhava assim pra você assim, ó.
44:14Se não meter a mão, já sabe, hein.
44:16Eu lembro legal.
44:17Ah, tu passou por isso.
44:18Entendeu?
44:18Pô, comecei a desfilar com nove anos.
44:20Pô, lembro legal.
44:21Tô aqui, ó.
44:22Aqui é a cara dele tocando.
44:23Pô, olho bem arregalado.
44:25Um medo complicado, entendeu?
44:27Lembro legal.
44:28Tu, Alex?
44:29Legal, olha.
44:30Mas, tipo assim, tem vagabundo que chegou amanhã e que atira...
44:33Chegou amanhã.
44:34Não entendi.
44:35Mantenha.
44:36Dá um passinho pra trás.
44:37Não é vergonha, não.
44:38Calma, hein.
44:39Respeita quem chegou primeiro.
44:40Como é que tu quer mudar um bagulho que já foi criado lá?
44:43Pá, pelos caras lá, tu acha que os caras eram...
44:45Querem colocar muito tempero, muito tempero.
44:48Sem perguntar, tia.
44:49Calma.
44:51Calma.
44:52Calma.
44:53Eu percebi algumas palavras.
44:57Vagabundo...
44:59Talvez que...
45:01Que eles quereriam...
45:04Alguém, assistência para cada um deles ou para qualquer pessoa, não sei.
45:09Estavam falando, pá, tem calma que se não se passa nada, pá, isso passa tudo bem, pá, aí vamos acolá
45:14fazer aquilo.
45:15Este é total, meu tio Fred, este não é português.
45:21Porque o português entende, este não.
45:24Vagabundo.
45:30E aí, faz o português.
45:31Caramba, parou a anjana, hein?
45:33Como é que tá as cores lá? O poro, os camoninhos, como é que tá indo as cores?
45:36Tá tudo lá, os camoninhos.
45:38Beleza?
45:38Tudo conjuro.
45:40É, mano.
45:40É o caso de Caixão do Curema.
45:42Tá, né?
45:42Tá.
45:43O que é tanto de cambuá que tinha lá?
45:44Acabou com o caso?
45:45Ah, não.
45:45Os cambuá tá tudo lá.
45:47Caixão do Curema lá.
45:48Nossa.
45:49Abra lá.
45:50A rua só tem um mesmo, né?
45:51Que é o cambuá, né?
45:52E agora apareceu o mingué também, meu filho.
46:07Batalhou.
46:08Resistência, grita, paz e amor.
46:10Curinguere, Nyamaen.
46:12Tiaguatá, Nyanderanê.
46:13Iapu, Tupacuere, Oguatá.
46:15Ogueru, Arandurã.
46:17Eu tenho tanta sorte.
46:21Trai a dona morte.
46:23O sol brilhou mais forte.
46:27Tiaguatá, Tiaguatá.
46:34O cinema falado é o grande culpado da transformação
46:42Dessa gente que sente que um barracão
46:45Tende mais que um xadrez
46:48Lá no morro, se eu fizer uma falseta
46:53A risoleta.
46:55Desiste logo do francês e do inglês
47:01A gíria que o nosso morro criou
47:08Bem cedo a cidade aceitou e usou
47:14Mais tarde o malandro deixou
47:18De sambar dando pinote
47:22E só querendo dançar um pockstrote
47:29Essa gente hoje em dia
47:32Que tem a mania da exibição
47:36Não se lembra que o samba não tem tradução
47:40No idioma francês
47:43Tudo aquilo que o malandro pronuncia
47:48Com voz macia
47:50É brasileiro
47:52Já passou de português
47:57Amor lá no morro é amor
48:00Pra chuchu
48:03As rimas do samba não são
48:07Eu te amo
48:11Esse negócio de alô
48:13Alô boy
48:15Alô Johnny
48:17Só pode ser conversa de telefone
48:22O cinema falado
48:25É o grande culpado
48:27Da transformação
48:28O cinema falado
48:29É o grande culpado
48:30É o grande culpado
48:30É o grande culpado
48:30É o grande culpado
48:30É o seglismo
48:30O cinema
48:30Obrigado.