00:00O estudo da Associação Brasileira de Shopping Centers acende um alerta sobre a proposta de redução da jornada de trabalho
00:07no Brasil
00:08em debate no governo e no Congresso Nacional. Repórter Danúbia Braga.
00:14Pois é, diversos setores vão ali se manifestando a respeito desse assunto e segundo esse levantamento realizado pela Associação dos
00:22Shopping Centers
00:23mostra então que em 2025 o faturamento do setor foi de R$ 200,9 bilhões e com a redução
00:31da escala de 44 horas semanais para 40 horas semanais
00:35esse faturamento cairia em um ano para R$ 186,2 bilhões. Se essa escala passasse para 36 horas semanais
00:44a queda seria ainda mais expressiva
00:46um faturamento de R$ 168,7 bilhões em um ano. Fazendo essa comparação com 2025 a queda seria de
00:53R$ 32,2 bilhões.
00:56E que aí então para representantes do setor, dos Shopping Centers, teria um impacto muito negativo e chegaria a números
01:04muito parecidos com o da pandemia em 2020.
01:07Para a gente ter uma ideia, segundo a Abrace, esse faturamento em 2019 dos Shopping Centers era de R$
01:14192,8 bilhões.
01:15Na pandemia caiu para R$ 128,8 bilhões. Nos anos depois seguintes, ali teve toda uma força-tarefa para
01:25que a economia do setor pudesse ser recuperada.
01:28Em 2024 chegaram a R$ 198,4 bilhões, superando o período pré-pandemia.
01:35E aí com esse faturamento de R$ 200,9 bilhões no ano passado, o impacto seria muito grande.
01:43Então, segundo esses representantes do setor, eles não veem ali com bons olhos essa escala e eles pedem que isso
01:51seja analisado com muita cautela, principalmente pensando na economia como um todo.
01:58Não se posicionam contra o fim da jornada, contra o fim da escala 6x1, mas que é preciso uma decisão
02:05com cautela e também um pensamento econômico.
02:09Deixa eu chamar a Denise Campos de Toledo aqui com a gente. Tudo bem? Denise, boa noite para você.
02:13É claro que esse setor vai reclamar, principalmente por causa da logística, a forma de se montar uma escala, porque
02:20há o trabalho no sábado e no domingo, né? Claro.
02:22Exatamente. Boa noite, Tiago. Boa noite, Mano. Boa noite, Vilela, que já estava aqui com a gente, a todos que
02:27nos acompanham.
02:28Pois é, Tiago, tem o comércio de modo geral, agora abre domingos e feriados também, então isso implica uma readequação
02:36pior, mais difícil do que talvez de outros setores.
02:39E tem essas projeções, especialmente dos shoppings, que são inclusive um local de passeio nos finais de semana, a população
02:46está acostumada, então eles teriam de se ajustar e estão vendo mais dificuldade de novas contratações, porque muitas empresas são
02:55menores.
02:55Então há esse alerta em relação aos impactos da redução da jornada.
02:59Mas nós já tivemos nessa semana também a divulgação do estudo da CNI, dizendo que a indústria seria o setor
03:06mais prejudicado.
03:07Na verdade, o empresariado está com receio dessa mudança, dela ser imposta.
03:11Hugo Mota, presidente da Câmara, disse que não vai mudar o rito da PEC que já está em tramitação, se
03:17o governo apresentar a proposta que ele está querendo, um projeto de lei com emergência.
03:22Então se vê que há, pelo menos em tese, urgência, tanto por parte do governo como por parte da Câmara,
03:28de levar adiante essa discussão.
03:30E o temor do lado empresariado de ser uma mudança muito abrupta, que não haja um planejamento de longo prazo,
03:36avaliação das implicações nos vários setores.
03:39Isso pode, de fato, estimular a informalidade.
03:41É um dos alertas que veio nesse estudo, que tem projeções muito específicas.
03:45A gente não sabe exatamente como seria a adequação, então eu acho que tem projeções sob vários parâmetros, que na
03:52prática podem até não funcionar.
03:54Mas é uma discussão que, sem dúvida, exige muita atenção, muito cuidado, muita avaliação dos impactos efetivos que possa ter,
04:02tanto para os trabalhadores, como para a economia em geral e as empresas.
04:06É, só lembrando que no nosso site, muitas reportagens falando justamente sobre o fim da escala 6x1, as repercussões do
04:14Congresso e também no setor produtivo.
04:16jovempan.com.br
04:19Ano Ferreira, claro que é tudo uma questão política, porque quem vai decidir isso é o Congresso, com um projeto
04:26ou não do governo.
04:27Agora, é saber na prática como isso vai se dar, né?
04:30A Denise fala, se isso for uma decisão no afogadilho, apressada, como é que fica?
04:36Essa é a questão, porque políticas públicas têm que ser avaliadas pelos seus resultados e não pelas suas intenções, né?
04:43Se as boas intenções resolvessem tudo, o inferno não estaria cheio delas.
04:50E o que acontece nesse caso é que a gente vê, por parte do governo, a colocação desse debate de
04:57uma forma puramente eleitoreira.
04:59Em nenhum momento o governo apresentou dados e estudos de avaliação.
05:03O que acabou fazendo com que os diversos setores corressem para produzir os seus próprios estudos.
05:09Aí há alguns debates metodológicos importantes, os setores, cada um diz que é o mais prejudicado.
05:16O fato é que, quando a gente muda a regra de uma forma desconectada da realidade da economia na ponta,
05:23o que acaba acontecendo é o aumento da informalidade.
05:27Não é à toa que 40% da mão de obra no Brasil hoje já está na informalidade.
05:33Se a gente vê esse projeto avançar de forma eleitoreira, é provável que esse número aumente.
Comentários