00:00E o fim da escala 6 por 1 deve reduzir o PIB do Brasil em 0,82% e teria
00:06de ser compensado por ganho de produtividade.
00:09É o que aponta um estudo do Estadão. Quem detalha pra gente é o Daniel Lian.
00:14Foram avaliados os impactos diretos e indiretos nos mais variados setores.
00:20Esse reflexo tende a ser notabilizado após a economia absorver as mudanças por completo em todas as áreas.
00:28Aquelas com mão de obra mais intensa e maior índice de formalização devem ser as mais afetadas.
00:35A construção tem a projeção de maior perda, chegando a 2,14% do PIB, seguida pela indústria de transformação
00:45com 1,87%.
00:47Por outro lado, as atividades imobiliárias serão as mais beneficiadas com ganho de 0,9% devido à realocação do
00:57consumo,
00:58elevação da procura por unidades habitacionais e uma pequena dependência de insumos de outros ramos.
01:05Foram analisados também 66 setores para identificar quais serão os mais impactados no que diz respeito a custos e produção.
01:15O abalo mais expressivo vai recair nas atividades de vigilância e de fabricação de calçados e autopeças.
01:24Fernando Agra, doutor em economia aplicada da UFV, enumera os fatores que a medida pode levar num primeiro instante.
01:33A gente pode ter uma redução na oferta de mão de obras e isso pode acarretar em aumento dos custos
01:41de produção para o empresário
01:44e o empresário vai rebater esse custo no preço final da mercadoria, porque toda empresa visa lucro.
01:51Se ela não tiver lucro, ela não se sustenta no mercado.
01:54Então quem sempre paga o preço final é o consumidor.
01:58De acordo com o estudo, a queda do PIB pode ser neutralizada se houver um aumento de produtividade de 0
02:06,47%.
02:08Mesmo sendo um percentual baixo, o entendimento é que o país tem dificuldades estruturais
02:16que precisam ser resolvidas antes da proposta ser colocada em prática.
02:21Nós precisamos de uma reforma estrutural que venha aumentar o PIB potencial do país
02:28para que a gente não tenha esses ônus de aumento de custos, de queda de PIB, de falta de mão
02:34de obra
02:34ou desarranjo de algumas cadeias produtivas, sobretudo aquelas que nós chamamos intensivas em mão de obra,
02:42ou seja, aquelas cujo fator de produção seja muito mão de obra, sobretudo o setor de serviços.
02:47Nós temos um setor de serviços que responde, salvo engano, por 70% do país, intensiva em mão de obra.
02:54Então a gente pode ter um desarranjo em algumas cadeias produtivas.
02:59Sobre o argumento do governo que essa é uma tendência mundial,
03:03Fernando Agra indica que não há como comparar o cenário brasileiro com o de países desenvolvidos.
03:09A tendência mundial, a gente só pode comparar países homogêneos.
03:14A gente não pode comparar países heterogêneos.
03:19Especificidades, características específicas de alguns países europeus,
03:23países como os Estados Unidos, são muito diferentes de países como o Brasil.
03:28Segundo o especialista, a decisão não pode ser política, mas sim técnica.
03:34Segundo o especialista, a gente não pode ser política.
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