00:00O sol nascente é tão belo
00:05A curiosidade com o meio a meio foi geral no sítio.
00:08Tia Anastácia se encantou com o centaurinho.
00:10A bruxa cuca é a que está mais vaidosa do que nunca
00:13e resolveu fazer um tratamento de beleza à base de lama e terra.
00:16Realmente, a argila é usada como componente de vários cremes de beleza.
00:21Geologia é um assunto muito interessante.
00:24Tão interessante que depois de observar algumas pedras e o solo do sítio,
00:28eu saí pelo capoeirão divagando e acabei entrando pelo cano.
00:32Quer dizer, entrando na toca de um tatu.
00:34O meu sumiço preocupou muito as crianças e elas foram me procurar.
00:38Os besouros espiões da Emília contaram para ela que me viram entrando na toca.
00:42Emília gosta mesmo muito de mim.
00:45Para me salvar, usou a varinha mágica que ela trocou com a Medéia.
00:48Ficou pequenininha e entrou na toca atrás do velho sabugo aqui.
00:52Só que, quando nós nos encontramos, levamos o maior susto
00:56porque apareceu também o dono da toca, um tatu enorme e furioso.
01:00E agora, o que a gente vai fazer?
01:03O Poço do Visconde, segundo episódio.
01:07É o tatu, o dono da toca.
01:09Mas os tatu não pode ser, é porque os tatus são mamíferos desdentados e notívagos.
01:16Isso é, dormem durante o dia e andam à noite.
01:20Pelos meus cálculos, ele estaria dormindo.
01:22Vai ver se tatu não leu o seu livro e não sabe que é um notívago, não sei dar as
01:28contas.
01:28Ai, só sabe que invadiram a casa dele.
01:33Então, o que é que nós vamos fazer?
01:35Uma coisa que a gente já devia ter feito há muito tempo.
01:39Corre!
01:46Olha-lhes lá, narizinho.
01:48Ainda bem.
01:50É, porque eu vou te demorar um toque.
01:52Rápido, narizinho.
01:53Me bota grande de novo.
02:00Errei.
02:00Eu nunca vi um sabugo de milho tão grande.
02:10Seu saco tão maluco picado.
02:13É assim que você recebe suas visitas?
02:16É assim?
02:17É assim?
02:22Marizinho, por favor, disfarça o que você fez.
02:24Esse tamanho é muito desconfortável.
02:26Assim eu não vou poder nem trabalhar no meu laboratório.
02:29Desculpa, descone.
02:32Minha taxa.
02:34Pode deixar que eu o destransforme.
02:37Viscote enorme.
02:39Seria um viscote normal.
02:43Pronto.
02:44Agora chega de gastar minha farinha.
02:47Mãe, milha desse egoísta.
02:49Viu a confusão que você foi arranjar, Viscote?
02:52Ah, mas valeu a pena.
02:53Foi muito esclarecedor investigar mais profundamente o solo do nosso sítio.
02:57A geologia é fascinante.
03:00É, agora chega de assunto fascinante.
03:03Vamos lá pra casa, que eu já tô exausta.
03:07Eu vou pro meu laboratório aprofundar os meus estudos.
03:09Aliás, antes eu vou passar na biblioteca da dona Benta pra fazer uma pesquisa.
03:13Vê se não vai entrar mais nenhuma toca de estatua, hein, Visconde?
03:16Fique tranquilo, Pedrinho.
03:18Agora eu vou entrar na toca dos livros.
03:21Vamos lá.
03:30O que é isso, dona Benta?
03:33Ah, isso é um carro meio a meio.
03:36Igual do deus Apolo?
03:39Então, onde é que estão os cavalos?
03:41Os cavalos desse carro são cavalos de força, bem diferente do carro do deus Apolo.
03:47Mas então, como é que faz pro carro andar sem os cavalos puxando?
03:50É, olha, é uma longa explicação.
03:54Mas eu acho que eu prefiro te mostrar.
03:56Olha, eu tô indo até a cidade fazer umas compras, quer ir até lá?
03:59Eu?
04:00Andando no carro de uma deusa?
04:02Eu sou uma simples mortal, meio a meio.
04:06Você, que é uma grande figura mitológica.
04:09Vamos, sobe aí atrás, vamos.
04:11Tenho certeza que você vai gostar do passeio.
04:20Que mágica legal, dona Benta!
04:41Marmelada de banana
04:44Bananada de goiaba
04:47Goiaba de marmelo
04:51Sítio do pica-pau amarelo
04:56Sítio do pica-pau amarelo
05:05Ai, a dona Benta tá demorando, né?
05:09E vocês não vão esperar a avó de vocês, não, gente?
05:12Ah, tia Anastácia, não dá pra ficar olhando sua comida sem comer, não.
05:19Dá gosto de ver o apetite de vocês, hein?
05:22Pena que a dona Benta não chegou ainda.
05:24Já estou aqui, já estou aqui para lanchar os seus quitutes.
05:31Eu também.
05:33Graças ao meu São Jorge.
05:35Bem, eu vou até a cozinha pegar o pastelzinho de carne que a senhora tanto gosta.
05:39E pra você também, meu amigo.
05:41O bichinho mais bonitinho, gente.
05:45Ainda bem que o meu amigo é metade de gente.
05:48Porque a dona Benta vem me falando que o lugar de bicho é lá fora.
05:52Meio amigo, fique à vontade, coma o que quiser.
05:55Agora esta casa é sua também.
05:58Ah, legal.
05:59Nunca tive uma casa com mesa.
06:01E onde é que vocês foram?
06:02Fomos dar um passeio de carro.
06:04É, só que o que eu não entendi até agora
06:07é onde é que ficam os cavalos que puxam o carro da dona Benta.
06:11Bobo.
06:11Não tem cavalo nenhum.
06:13O que puxa o carro é o motor.
06:15É o cavalo do motor.
06:17Entendeu?
06:18Peraí.
06:19Tem cavalo ou não tem cavalo?
06:21Tem e não tem.
06:23Existe uma medida de força que chamamos cavalo-força.
06:27Assim como o quilo é uma medida de peso.
06:31Mas cavalo-bicho não tem, entendeu?
06:33Mais ou menos.
06:34Cavalo-força é uma força de 75 quilogrametros.
06:41O que é quilogrametros?
06:43Quilogrametro é uma força capaz de erguer um peso de um quilo à altura de um metro.
06:54Quem seria capaz de explicar melhor era o Visconde, o nosso sábio de plantão.
07:00Mas onde é que está o Visconde que não veio lanchar?
07:06Visconde, por que você não vai lanchar?
07:09Deixa pra acabar de ler depois.
07:11É um monte de sopa de letras também.
07:16Realmente, eu agradeço a preocupação de vocês, mas no momento eu estou me alimentando de informações sobre geologia.
07:23Lá vem eles de novo com esse assunto.
07:25Sabe, Visconde, é tão interessado em estudar o solo da Terra, que acabou entrando até dentro da toca de um
07:33tatu.
07:34Mas é que geologia é um tema muito interessante mesmo.
07:38Aliás, eu tenho um livro que fala sobre as eras geológicas do nosso planeta.
07:48Eu já li esse tratado de geologia, Dona Beta.
07:50É interessantíssimo.
07:51Trata de todas as eras geológicas.
07:54Já que está todo mundo muito interessado no assunto,
07:58vamos fazer uma viagem de pirim-pim-pim no interior da Terra para a gente ver tudo isso de perto.
08:04Mas como é que a gente vai entrar na Terra?
08:07Muito simples.
08:08A gente vai até um vulcão.
08:10Entra no buraco e vai lá no fundo.
08:12Seria uma viagem fantástica.
08:14Mesmo não tendo vulcões no Brasil, nós poderíamos ir de pirim-pim-pim até o vulcão mais perto.
08:19Mas ninguém pode entrar dentro de um vulcão.
08:22A lava do vulcão é incandescente.
08:25Essa questão é simples de resolver.
08:27É só usar o pés de conta.
08:29Pés de conta que a gente pode entrar no vulcão sem se queimar e pronto.
08:35Então está resolvido.
08:37E para que ficar olhando figuras nos livros se a gente pode ver isso tudo ao vivo?
08:42Podemos ir, Vá?
08:44Não.
08:44Se é para conhecer mais coisas.
08:47E se não tem perigo nenhum, por que não?
08:50Então fui!
08:52Fui!
08:53Fui!
08:54Essa eu não posso perder!
08:59Cuidado!
09:00Cuidado!
09:02Não se queimem, por favor!
09:04Cuidado!
09:06Cuidado!
09:07A CIDADE NO BRASIL
09:37Ah, foram até o centro da Terra para ver como é o nosso planeta
09:42Ai, que calor! Como tá quente aqui!
09:46É porque estamos no centro da Terra
09:48Se a Terra fosse uma laranja e tirássemos a sua casca, ou seja, a crosta da Terra
09:51Ah, o nosso planeta voltaria a ser uma bola de fogo
09:55Que legal descascar a Terra como se fosse uma laranja mexica
09:59Fecha essa torneirinha de asneiras, Emílio, e deixa o biscoito falar
10:02Eu estava falando da grossura da casca da Terra
10:06As perfurações que o homem faz para procurar petróleo, por exemplo, podem parecer muito profundas
10:10Porque são os pequenos como os micróbios para uma laranja
10:13Mas para a Terra correspondem a uma simples picada de alfinete
10:17Fogo já me disse isso
10:18E disse que a crosta da Terra é fina como a casca de um pêssil
10:22Então quando a gente botar, eu vou andar nas pontas dos pés
10:26Para não rasgar nenhum pedaço da crosta da Terra
10:29E o petróleo, o esconde? Onde é que ele fica nessa história toda?
10:33Ah, para falar em petróleo precisamos falar na idade das rochas
10:37Se descascarmos a nossa laranja Terra, vamos encontrar as camadas de rochas sedimentárias
10:42Que repousam aqui no fundo e pertencem à era azoica
10:46Azoica quer dizer sem vida
10:48Depois vem a era paleozoica ou primária
10:51Onde aparecem os primeiros fósseis e as primeiras conchas, moluscos, etc
10:56Em seguida, a era mesozoica ou secundária
10:59Onde já aparecem os primeiros animais
11:02Mas os melhores terrenos para o petróleo são os da era cenozoica ou terciária
11:07Isso daqui está tremendo, é impressão minha
11:11O que é isso?
11:14Que tremendo, tremendo é esse?
11:16Parece que é uma... uma...
11:19Erupção!
11:47Caramba, isso que eu chamo de erupção vulcânica
11:51Ainda bem que a gente caiu no sítio
11:54Nem precisou gastar o pirim-pim-pim
11:56Os vulcões ocorrem nas aberturas da crosta terrestre
11:59Por onde o magma, a massa líquida e quente que está no centro da Terra
12:02Escapa de forma explosiva
12:06Nem explodindo essa bugo perde a ciência
12:10Ele só desmaiou
12:11Daqui a pouco ele acorda
12:13Sabe o que eu acho?
12:14A gente precisa saber mais sobre o petróleo
12:17Já imaginou que é a natureza que fabrica esse combustível?
12:22Natureza é danada
12:23Logo agora que a gente quer saber mais sobre o petróleo
12:27Esconde desmaia
12:29Então vamos perguntar para a vovó
12:31Ele é tão sábia quanto ele esconde
12:33Muito, muito, muito, síssimo
12:36Ei, o que?
12:38Estarei por mim!
12:39Eu também vou
12:40Espera!
12:41Ei!
12:44Dona Benta
12:44A senhora é a deusa do saber?
12:47Ah, imagina
12:49O sábio aqui é o visconde
12:51A minha humilde sabedoria vem da idade
12:55Os mais velhos acumulam experiências e conhecimentos
13:00Ah, então quando eu crescer, Dona Benta
13:02Eu quero ser um centauro tão sábio quanto a senhora
13:05Mas você é muito inteligente
13:07Não precisa me chamar de senhora, não
13:12Vó, a gente foi lá no centro da terra
13:15Ai, o bagaço da terra é quente como fogo
13:19E agora a gente quer saber tudo sobre o petróleo
13:22Petróleo?
13:23Hum, eu tinha um documentário antigo sobre a economia do Brasil
13:28Que falava sobre o petróleo
13:30Isso aqui, ó
13:34Bom, agora resta saber se o projetor ainda funciona
13:38Então vamos fazer assim
13:40Logo mais à noite depois do jantar
13:42Em vez de contar histórias
13:44Vamos fazer uma sessão de cinema
13:51Tomara que o tempo passe rapidinho
14:10Pronto
14:11Nosso cinema já tá pronto
14:13Pronto nada
14:14Ainda falta o mais importante
14:18A pipoca!
14:20Meu São Jorge, esqueci da pipoca
14:22Mas deixa comigo que, ó
14:24Um minutinho
14:25Um minutinho
14:26Eu resolvo isso
14:26E aí
14:28Amém.
15:03A história do petróleo brasileiro começa na década de 30.
15:08Nosso petróleo jorrou pela primeira vez em 1939.
15:14Hoje, dia 21 de janeiro de 1939, finalmente jorrou petróleo no terceiro poço brasileiro em Lobato, na Bahia.
15:22Com o presidente Getúlio Vargas, o Brasil entra definitivamente na era do petróleo.
15:28Depois de vários poços perfurados sem sucesso em alguns estados brasileiros,
15:32o engenheiro agrônomo, Manuel Inácio Bastos, realizando uma caçada nos arredores de Lobato, na Bahia,
15:37ficou sabendo que os moradores do local usavam uma lama preta e oleosa para iluminar suas residências.
15:43O engenheiro retornou ao local várias vezes para fazer pesquisas e coletar amostras do óleo preto.
15:49Convencido de que era petróleo, o engenheiro Bastos tentou persuadir várias pessoas influentes e foi considerado um maníaco.
15:55Em 29 de julho de 1938, sob a jurisdição do Conselho Nacional do Petróleo, foi iniciada a perfuração do poço
16:02DNPM-163, em Lobato.
16:05Em 21 de janeiro de 1939, o petróleo finalmente jorrou.
16:12O fato do primeiro poço de petróleo que realmente funcionou ser em um lugar chamado Lobato foi uma enorme coincidência.
16:22Porque o nosso grande escritor Monteiro Lobato foi um defensor apaixonado do petróleo brasileiro.
16:29Depois de viajar para os Estados Unidos e ficar fascinado com o desenvolvimento da indústria americana,
16:37Monteiro Lobato voltou convencido de que o desenvolvimento do ferro e do petróleo faria do Brasil um país moderno, rico
16:48e mais justo.
16:49Incansável na sua luta, Monteiro Lobato escreveu muitas cartas ao presidente Getúlio Vargas,
16:57tentando convencê-lo de que o Brasil poderia extrair seu próprio petróleo e se tornar independente das companhias estrangeiras.
17:07Monteiro Lobato promoveu uma campanha ferrinha em defesa do ferro e do petróleo brasileiro
17:13e em 20 de março de 1941, o nosso querido escritor chegou a ser preso por isso.
17:20No seu primeiro dia de prisão, escreveu uma comovente carta para sua esposa que dizia
17:27que tolice dá soco em faca de ponta, espetei a mão e a faca ficou no que era, meu soco
17:35não a quebrou.
17:37Mas dois dias depois escreveu também,
17:40Se alguém lamentar minha sorte, diga-lhe que não seja besta.
17:45Estou como queria, colhendo o que plantei.
17:52Esse Monteiro Lobato foi batatal.
17:56Onde é que você vai, Emília?
17:59Parece fazer uma coisa que a gente já devia ter feito há muito tempo.
18:03E que coisa é essa, menina?
18:05Vou construir um poço de petróleo aqui no sítio.
18:18Ué, descobriram petróleo em um sítio?
18:30Muitas aventuras e grandes descobertas no Poço do Visconde.
18:35Não percam na semana que vem, histórias diversas na primeira parte.
18:41Não perca a volta dos personagens.
18:44Branca de Neve, Paper Pan, Gato de Botas, Dona Baratinha, Dom Ratão,
18:50Crispe Escamado, Doutor Caramujo e a Enguia Maria.
18:54E aventuras chocantes.
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