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Em quatro anos, a guerra na Ucrânia interrompeu cadeias globais de produção e exportação, principalmente de grãos, fertilizantes e minérios, gerando impacto direto no Brasil e em outros países. Portos e rotas logísticas seguem sob restrição, enquanto a Rússia mantém controle estratégico sobre reservas essenciais.

Pedro Brites, professor da Escola de Relações Internacionais da FGV, sobre como os países estão lidando com a escassez, diversificando fornecedores e tentando minimizar a volatilidade dos preços internacionais. Ele ainda analisa os riscos para a produção agrícola e para o mercado de alimentos no Brasil.

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Transcrição
00:00Em quatro anos, a guerra na Ucrânia interrompeu cadeias globais de produção e exportação,
00:06como eu mostrei agora, principalmente de grãos, e provocou quedas relevantes na produção
00:10nos embarques da Ucrânia.
00:13Portos, rotas logísticas, tudo isso continua sob ataque e restrições, reduzindo a oferta
00:19efetiva no mercado internacional.
00:21Apesar do conflito, a Rússia e a Ucrânia continuam sendo principais países de fornecimento
00:29de trigo e outros cereais, o que mantém os preços voláteis diante de interrupções
00:35prolongadas causadas por batalhas pontuais.
00:40Ao mesmo tempo, mudanças nas políticas da União Europeia alteram fluxos comerciais e
00:46pressionam contratos firmados antes da guerra.
00:50Vamos falar sobre esses assuntos, impactos para o Brasil, como eu esclareci aqui, com
00:56um professor da Escola de Relações Internacionais da FGV, a Fundação Getúlio Vargas, o Pedro
01:03Brites, a quem eu tenho o prazer de receber aqui no Fast Money.
01:07Professor Pedro, espero que ele esteja nos ouvindo.
01:10Apareceu o professor Pedro aqui.
01:12Professor Pedro.
01:13Boa tarde.
01:14Boa tarde.
01:15Prazer em retomarmos a nossa conversa aqui.
01:18O assunto é tão complexo, mas eu queria começar a olhar o macro, depois a gente vai pro micro,
01:25ou seja, o mundo diante dessa guerra.
01:28Eu apresentei aqui números que falam de fertilizantes, combustíveis, minérios.
01:34O mundo passou a ser menos abastecido dessas commodities.
01:38É claro que o primeiro impactado foi a Ucrânia e, em segundo momento, a Europa Oriental, Europa
01:43Ocidental e o resto do mundo.
01:45Como é que as cadeias de produção se ajeitaram para tentar ocupar esse espaço deixado pela
01:54Ucrânia, pela exportação ucraniana?
01:57Boa tarde mais uma vez.
01:58Seja bem-vindo aqui ao Fast Money.
02:01Muito obrigado, Marcelo.
02:03Boa tarde a todos.
02:04De fato, o impacto na guerra na Ucrânia, ele transformou profundamente a forma como as
02:10cadeias globais de valor operavam e também como elas eram vistas pelos países.
02:15Ou seja, como os países acreditavam de que as cadeias globais de valor funcionavam e
02:19seriam o melhor mecanismo para você assegurar uma produção contínua e com preços estados.
02:24Depois da guerra na Ucrânia e os impactos que isso gerou, os países tiveram que adotar
02:28algumas estratégias distintas.
02:29É claro que cada região sofre impactos de forma diferente.
02:33A África, o Oriente Médio e o Sul da Ásia, especialmente, sofreram muito mais com essa
02:38dificuldade ucraniana de exportação de grãos.
02:41E, claro, isso gera uma pressão sobre os preços.
02:44Tanto que a gente viu essas oscilações, essa volatilidade no mercado de commodities
02:48de forma geral, tanto nos minérios de ferro, por exemplo, dentre outros minérios, como
02:55também os grãos, como você mencionou, o caso do trigo, também tem a cevada, o milho,
03:01semente de irassol.
03:01Ou seja, são muitos produtos que são base de alimentação de muitos países e é claro
03:05que isso gera um efeito bem significativo para essa manutenção.
03:09Então, a partir disso, os países buscaram diversificar os seus parceiros, tentar ampliar
03:13a rede de laços comerciais, seja na sua própria região, seja com outros parceiros que
03:18pudessem ser mais estáveis, ser considerados um pouco mais críveis de abastecer os seus
03:23próprios países e também vêm tentando, muito significativamente, quando possível,
03:29aumentar a sua produção interna.
03:30Aí, claro, alguns países não têm condições de fazê-lo, porque não têm minérios nos
03:34seus territórios ou não têm terras agricultáveis, mas, de toda forma, isso tem sido uma estratégia
03:39que, de modo geral, os países têm adotado para tentar não ficar independentes das cadeias
03:44globais de valor, como era até o início da guerra.
03:48Professor Brites, queria que o senhor me acompanhasse nessa linguagem gráfica que nós fizemos
03:53aqui.
03:54A Rússia, números arredondados, está com 20% do território da Ucrânia, toda uma meia-lua
04:01ali do leste, tirando da Ucrânia, inclusive, importantes acessos ao mar de Azov, que leva ao
04:07mar...
04:09Alô?
04:10O senhor está me ouvindo?
04:12Estou ouvindo, estou escutando.
04:13Então, leva acesso ao mar de Azov, que depois acaba se conectando ali, depois do Bósforo,
04:20ao mar Mediterrâneo, né?
04:22A Rússia já controla 12 trilhões e 500 bilhões de dólares em reservas de commodities
04:31de 16 e 600.
04:32O que dá uma leitura, eu não quero ser aqui o pessimista da conversa, mas isso já
04:39nos dá uma leitura que a Ucrânia dificilmente vem a abrir mão dessa conquista aqui, que
04:46ela não é só territorial.
04:48Ela garante uma hegemonia importante da Rússia no século XXI.
04:53Olhando o lado mais vazio do copo, o meio vazio, não o meio cheio, o que vai sobrar
04:59para a Ucrânia?
05:00Então, todo o esforço de reconstrução vai ficar mais difícil, muito dependente ou
05:05da União Europeia, ou dos Estados Unidos, ou da própria Rússia, de um grande agente
05:10externo.
05:10E, principalmente, estes produtos vão ter um acesso mais complicado, né?
05:17A distribuição desses produtos, carvão, gás, petróleo, lítio, que é um derivado
05:23importantíssimo no século XXI, vão ficar na mão dos russos?
05:28Vai ter uma distribuição mais difícil a partir desse abastecimento que parte do leste
05:33europeu?
05:35É, me parece que, acho que o principal fator em tudo que você trouxe, né, dessa instabilidade
05:42sobre o mercado desses produtos, especialmente, acho que o principal desafio é o fato de que
05:47nós não temos uma perspectiva para a finalização desse conflito, né?
05:50A gente não tem nenhum cenário em que a gente pudesse contar tanto com uma Ucrânia
05:55estabilizada ou com uma Rússia que controlasse a região de forma harmônica, o que é impossível.
06:00Então, acho que me parece que o desafio é de longo prazo também, não é só imediatamente.
06:05Porque, mesmo que a Rússia tenha um controle sobre essas reservas, isso não quer dizer
06:10a capacidade imediata de torná-las produtivas.
06:12Então, você vai ter um tempo até que, eventualmente, um caso hipotético, que a Rússia predomine
06:17sobre esses lugares, até que ela consiga, por exemplo, ocupá-los de fato, criar cadeias
06:23de transporte, otimizar a logística e, aí, se tornar um exportador desses recursos
06:27supremiam em ambos. E, é claro, que isso vai levar muita resistência por parte dos
06:30europeus, dos Estados Unidos e da própria Ucrânia. Então, acho que a gente tem um longo
06:34caminho para ter mais garantias acerca de como esses mercados vão se comportar, especialmente
06:40pelo fato de que você vê outros conflitos que também vão jogando outros temperos, por
06:44assim dizer, nessa crise, que é, por exemplo, agora a questão do Irã, que também impacta
06:49os preços do petróleo para a Rússia poder vender, por exemplo. Então, acho que a gente
06:54tem um jogo bem complexo aqui e me parece que é muito difícil apostar em um cenário,
06:59seja ele mais otimista, de que você vai ter uma estabilidade, ou seja ele num completo
07:04pessimista, de que você vai viver o caos a partir de agora, com a continuidade da guerra.
07:10Então, me parece que ainda vai ser, como você trouxe lá no início, um tempo ainda
07:15de muita volatilidade nesses mercados, especialmente.
07:17Professor Brides, para a gente encerrar, e lamento pedir ali isso, para a gente ser bem breve,
07:22porque o nosso tempo está um pouco apertado hoje. Olhando para o Brasil, a produção de
07:28fertilizantes na Ucrânia tem caído gradualmente a cada ano. Quer dizer, está faltando fertilizantes
07:36inclusive para os agricultores internos, que admitem usar menos nas próprias colheitas.
07:42Automaticamente também tem menos para exportar. O Brasil está nessa conta. É um produto que
07:47vai ficar mais caro porque não dá para pensar assim, a gente arranja outro parceiro.
07:51São poucos países do mundo que produzem. A gente tem no leste europeu, tem na América
07:55do Norte com o Canadá, mas não no mesmo volume que os ucranianos. Como é que fica
07:59o Brasil nesse recorte aqui?
08:03Bom, bem brevemente, o Brasil tentou se aproximar também da Rússia para poder abastecer
08:07esse mercado. Eu acho que essa vai ser a tentativa do Brasil, porque não tem como você
08:11criar uma indústria de fertilizantes de uma hora para outra. Então, isso pode impactar também
08:15nossos preços de alimentos e gerando, claro, uma pressão eventualmente inflacionária
08:19nesse ano a seguir.
08:20Eu queria agradecer publicamente aqui os esclarecimentos
08:23do professor Pedro Brites, que ele leciona na Escola de Relações Internacionais
08:28da Fundação Getúlio Vargas.
08:29Professor Pedro, é sempre um prazer recebê-lo aqui.
08:31Até uma próxima.
08:33Até uma próxima, Marcelo. Uma ótima tarde.
08:35Para nós.
08:36Tchau.
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