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O aumento da compra de soja americana pela China impacta a exportação brasileira, mas o imposto de 13% sobre os grãos dos EUA mantém a soja brasileira competitiva. Alê Delara, diretor da Paine Agronegócio, explicou os efeitos para produtores e o mercado.

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Transcrição
00:00O comercial entre Estados Unidos e China pressiona a soja brasileira.
00:04Dados do CPE, a USP, mostram queda na exportação com a retomada de compra de grãos americanos por Pequim.
00:11No entanto, a China decidiu manter um imposto de 13% sobre a soja americana.
00:16Isso garante que o produto brasileiro permaneça mais competitivo em preço.
00:20A janela de vantagem para Washington é vista como curta, entre dezembro e janeiro.
00:26E o diretor da Paine Agronegócio, especialista em geopolítica, Alê Dilara,
00:31já está aqui comigo para falar mais sobre o impacto no agronegócio nacional.
00:36Alê, ótima tarde, seja muito bem-vindo.
00:39Olá, boa tarde, Antalya. Obrigado pelo convite.
00:42A gente que agradece a sua disponibilidade, Alê.
00:44Bom, esse encontro entre o presidente Donald Trump e o Xi Jinping
00:47marcou essa retomada parcial da compra de soja americana pela China.
00:52Como é que o mercado reagiu a esses acordos e quais são, então,
00:56esses primeiros reflexos observados nos preços e no volume aqui negociado da soja brasileira?
01:03Sim, esse foi um encontro bastante aguardado,
01:06porque desde o início do mandato do presidente Trump,
01:09no dia 20 de janeiro, ele já veio anunciando tarifas
01:12e a China foi um dos principais alvos do presidente norte-americano.
01:16E após as tréguas, que foram duas de 90 dias,
01:20esse encontro entre os dois líderes trazia uma esperança,
01:24principalmente para os produtores norte-americanos,
01:26que estão com margens bem apertadas para as suas lavouras.
01:30Então, o Trump, até no estilo dele de se comunicar, de anunciar,
01:35ele antecipou o acordo num domingo,
01:38após a reunião do Scott Benson com o Haley Fang.
01:41Na quinta-feira, no encontro, eles firmaram o acordo,
01:45não os papéis, os papéis ainda estão sendo escritos para poderem ser assinados,
01:50mas eles anunciaram um acordo e, dentro do acordo,
01:54a China compararia 12 milhões de toneladas de soja neste ano ainda,
01:58até o final do mês de dezembro,
02:00e mais 25 milhões de toneladas por ano pelos próximos três anos.
02:04Isso trouxe um bom ânimo para a Bolsa de Chicago.
02:07As cotações chegaram a subir mais de 12% em uma semana e meia,
02:11mas o mercado ficou com uma incerteza.
02:13O que a China falou?
02:15Porque, até então, o anúncio tinha vindo só do presidente americano
02:19e a China só se pronunciou há dois dias atrás,
02:22e aí nós percebemos que o acordo não foi tão bom assim,
02:26e agora o mercado começa a reagir sobre essa nova realidade.
02:30Aí a gente tem, no meio disso, né, Ale,
02:32dados recentes do CPI,
02:33o CPI que indicam que os prêmios de exportação no Brasil
02:36recuaram após esse anúncio de acordo, né?
02:39Você acha que se trata, assim, de uma perda momentânea de competitividade?
02:43E, na prática, como é que os produtores aqui do Brasil
02:45devem se planejar diante dessa mexida, né,
02:50e dessa reacomodação do preço?
02:51Sim, né, os prêmios de exportação, eles estão refletindo agora
02:56uma boa, uma expectativa de uma boa safra para essa próxima temporada.
03:01Apesar dos problemas climáticos, nesse momento não há nada que indique
03:05uma quebra expressiva de safra.
03:07Então, como a Bolsa de Chicago, os derivativos,
03:10eles registraram uma alta bem forte ancorada nessa expectativa
03:14de entendimento entre os dois países
03:15e o retorno da demanda chinesa pela soja norte-americana,
03:19os prêmios de exportação aqui nos portos,
03:21eles acabaram caindo para compensar a alta na Bolsa de Chicago.
03:26Então, nós tivemos uma perda ali de quase 80 pontos.
03:29Isso vai equivaler a aproximadamente R$ 8,00 por saca,
03:33olhando só o prêmio de exportação,
03:35que, de certa forma, anulou essa alta na Bolsa de Chicago.
03:38Quando a China anunciou que ela reduziria só em 50% a tarifa retaliatória,
03:45mantendo uma taxa final em 13% contra 3% da soja brasileira,
03:51o mercado entendeu que, mesmo com um acordo,
03:54a soja americana não tem preço para competir com a soja brasileira.
03:58E a demanda continua se apresentando aqui.
04:01E esse acordo foi até ruim para os Estados Unidos,
04:04porque, com a queda dos prêmios de exportação aqui no Brasil,
04:07outros destinos que, tradicionalmente,
04:10compram a soja norte-americana, como o próprio México,
04:12já começou a consultar embarques aqui no Brasil.
04:16O Brasil já até reservou em torno de 20 barcos
04:18para embarcar agora no mês de dezembro,
04:21mesmo com o acordo.
04:23O produtor rural seria muito bom
04:26se ele começasse a entender sobre a formação de preços,
04:30porque o preço da soja é uma composição da cotação da Bolsa de Chicago,
04:34com o prêmio de exportação, uma taxa de câmbio e uma logística.
04:38E não necessariamente ele tem que fixar todos esses referenciais ao mesmo tempo.
04:43Ele pode fixar em momentos diferentes.
04:46E quando ele consegue fixar aquele referencial que está bom,
04:50como os prêmios de exportação estiveram há 50, 60 dias atrás,
04:54como o Chicago está nesse momento,
04:56ele consegue melhorar o preço final da saca para ele.
04:59Agora o mercado vai trabalhar sobre a expectativa se haverá uma mudança nesse acordo,
05:04porque o Trump, eu acredito que se ele reduzir a tarifa de 10%
05:08que permaneceu sobre o fentanil,
05:10a China pode reduzir a tarifa de 10% que continua em vigência,
05:15e aí a tarifa final ficaria igual à brasileira.
05:18E também sobre como que o clima vai avançar a partir de agora
05:22para nós termos uma visão de como que será a produção nossa nesse início do ano.
05:27Será que conseguiremos entregar 178 milhões e meio de toneladas?
05:31São as duas dúvidas que eu acredito que nós vamos estar monitorando nos próximos meses.
05:35Certo.
05:36E, Ale, você tem destacado que esse movimento de trégua ali entre Washington e Pequim,
05:41em geral, eles costumam ser mais estratégicos do que duradouros,
05:46e eu queria ouvir o seu ponto de vista sobre isso.
05:50Nesse momento nós estamos com uma guerra comercial,
05:53um movimento geopolítico muito forte,
05:56porque o acordo deveria vir,
05:59porque nós estamos falando das duas maiores economias do mundo,
06:03e somando a transação corrente entre os dois países,
06:06nós chegamos a quase 700 bilhões de dólares.
06:10Então eles concentram aproximadamente 42% do mercado global de comércio exterior
06:16estar na mão dos dois países.
06:18Os Estados Unidos dependem de muitos produtos chineses,
06:22tanto que o volume de exportação da China para os Estados Unidos chega a quase 600 bilhões de dólares.
06:28E esse ano, devido às tarifas, chegou a cair 17%.
06:31E os Estados Unidos, muitos dos produtos produzidos lá dependem do mercado chinês,
06:38e a soja é um grande exemplo.
06:39Nós podemos colocar o sorgo, podemos colocar o algodão nesse meio também.
06:43Então os produtores, para eles terem uma rentabilidade,
06:46eles terem um fluxo de saída de produtos e entrada de recursos,
06:50eles dependem da China.
06:52Mas como a China veio avançando nos últimos 30 anos,
06:56basicamente crescendo a economia de uma maneira muito acelerada,
06:59crescimento europeu de dois dígitos,
07:01eles ganharam muita influência geopolítica,
07:04algo que tradicionalmente a China não fez.
07:06E agora o Trump tenta se juntar com outros aliados,
07:11tentando enfraquecer o poder da China,
07:13mas de certa forma ele depende da China.
07:15Então é um jogo de xadrez muito complicado,
07:17um jogo de xadrez muito difícil que os dois líderes têm que fazer,
07:20porque de certa forma eles são interdependentes.
07:23Então cada passo que eles dão tem que ser muito bem pensado
07:27para que nós não retornemos para uma guerra comercial
07:30que volte a travar o comércio exterior entre eles
07:33e a população acabe pagando essa conta.
07:35Exatamente.
07:36Alê Delara, diretor da Paine Agronegócio,
07:39especialista em geopolítica.
07:40Muito obrigada pela conversa ao vivo aqui no Fast Money.
07:42Volte sempre.
07:43Boa tarde.
07:44Obrigado.
07:44Boa tarde.
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