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A economista e professora da FGV, Carla Beni, analisa a atual manutenção da taxa Selic em 15% e a crescente pressão do setor privado pela redução dos juros. Em entrevista ao Radar, a especialista destaca que o Brasil sustenta uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o que compromete o dinamismo econômico.

Beni projeta que o Banco Central deve iniciar o ciclo de flexibilização na próxima reunião de março, visando atingir o patamar de 12,25% até o fim de 2026, conforme sinalizado pelo Focus. A análise também questiona a rigidez da meta de inflação em 3% e alerta para os riscos climáticos que podem pressionar o IPCA por meio das contas de luz e alimentos.

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Transcrição
00:01Selic inalterada na última reunião do Copom, mas agora existe uma crescente expectativa de cortes nas taxas de juros já
00:08a partir de março.
00:09A gente vai falar sobre isso com a Carla Bene, que é economista, professora da FGV e membro do Conselho
00:15Regional de Economia de São Paulo.
00:16Seja muito bem-vinda, professora.
00:19Boa tarde, Marcelo. Boa tarde a todos. Um prazer estar aqui com vocês.
00:23Qual é a sua expectativa para março?
00:25A melhor possível. Que essa taxa comece a cair, porque o setor privado já está completamente esgotado dessa taxa real
00:35de juros, que é quando a gente pega a Selic e desconta o IPCA, né, Marcelo?
00:40Ainda é uma das maiores do mundo, senão a maior, né?
00:43A maior.
00:44A gente está ali pau a pau com a Turquia, talvez, mas ainda com uma vantagem, bem entre aspas, uma
00:49vantagem negativa aí, né?
00:51Exatamente. E aí agora é justamente ver os próximos meses, como eles seguem, quanto que o Banco Central vai decidir,
01:00porque, na verdade, a cabeça, digamos assim, o raciocínio do Banco Central, com a meta contínua, ele não está no
01:07hoje.
01:08Ele está 18 meses para frente.
01:10Então, 18 meses para frente, estando dentro dos 3%, que é o centro da meta de inflação, ele vai começar
01:17a fazer essa redução agora.
01:19Então, a conferir se ele vai trabalhar com meio ponto percentual, 0,25, 0,75, aí a gente ainda tem
01:28algumas dúvidas.
01:29E em que patamar você vê a Selic no fim do ano?
01:33Olha, quando a gente pega pelo Focus, que a sinalização é mais ou menos 12,25, não é isso? 12
01:39,5, mais ou menos essa sinalização.
01:41Então, 12,25. Se a gente já está em fevereiro, digamos assim, março, a reunião, e ela está 15, o
01:49Banco Central vai ter que pisar num acelerador aí, Marcelo.
01:52Então, aqui que vai entrar esse jogo de quanto que ele vai reduzir em cada reunião.
01:58Então, assim, se a gente conseguir terminar o ano a 12,25, vai ser realmente muito melhor para a economia
02:06como um todo.
02:07Mas aí ele realmente já teria que começar com uma velocidade um pouco maior.
02:12Você acredita que o dólar vai continuar ajudando?
02:16Olha, essa daí é uma expectativa interessante.
02:19Você sabe que câmbio é uma dificuldade, previsão com câmbio, não tem nada mais complexo que isso.
02:27E aqui, entre nós, os economistas falham miseravelmente nessa análise.
02:32Porque nós temos um grande fator, que é o Banco Central, com as reservas internacionais,
02:37e ele pode fazer as suas intervenções, que a função central do próprio Banco Central é fazer o controle do
02:44câmbio.
02:45Nós já estamos num outro patamar de câmbio, nada a ver com os anteriores, já estamos mais abaixo.
02:52Para o processo inflacionário, inclusive, seria muito importante que a gente fizesse essa manutenção, Marcelo,
02:59desse câmbio, desse patamar, ou até um pouquinho mais para baixo.
03:03Algumas expectativas boas com exportações e entradas de investimentos.
03:08Aí isso também pode ajudar o patamar do dólar.
03:11Falando agora estritamente da sua expectativa sobre inflação,
03:15Você vê uma evolução positiva até o fim do ano?
03:18Uma aproximação com mais vigor, assim, da meta de 3%?
03:23Eu acho que a gente passa dos 3%, mas a gente não chega nos 4,5%.
03:27Eu acho que essa expectativa, ela é importante, porque há toda uma sinalização para alguns segmentos.
03:34Então, eu vou fazer aqui algumas considerações, Marcelo.
03:37Uma consideração muito importante é o setor de energia.
03:40Então, aqui é um item do IPCA, que é a Energia Elétrica Residencial.
03:46Dependendo das questões climáticas ao longo do ano, que esse ano nós temos o fenômeno do alvinho.
03:52Aí, se a gente tiver que usar muito a bandeira vermelha, isso daí pode dar um peso maior.
03:58Outra questão está na inflação dos alimentos.
04:01Ano passado, nós tivemos uma queda muito expressiva nos alimentos, que é o item alimentação no domicílio.
04:08Esse ano também seria importante que a gente fizesse esse movimento.
04:13Então, aqui eu vou separar um pouco.
04:15Os serviços, a gente continua com uma elevação, sim, porque a economia está extremamente dinâmica.
04:22Qualquer pessoa que sai e vê viagem, restaurantes, hotéis, está tudo muito dinamizado na economia.
04:29Mas o que a gente espera é que a alimentação no domicílio, você consiga fazer uma manutenção aí ao longo
04:35do ano.
04:35Num país como o Brasil, você considera 3% de meta de inflação uma meta factível?
04:42Não, eu considero ela muito baixa.
04:45E, aliás, não é só eu, não é uma opinião apenas minha.
04:50O Conselho Regional de Economia de São Paulo, Corecom, nós fizemos ano passado textos públicos,
04:56justamente para poder chamar a sociedade para o debate, trabalhando com essa questão de que 3% é algo muito
05:06baixo
05:07para uma economia em desenvolvimento como o Brasil, principalmente pós-pandemia.
05:13Ou seja, onde que eu estou querendo dizer?
05:15A pandemia já acabou faz tempo.
05:16Mas as economias todas saíram da pandemia com mais inflação, com mais dívida e com custo de vida mais elevado.
05:26Então, querer manter os 3%, que isso já estava previsto há muito tempo atrás,
05:32eu acho que é um exagero no sentido de que isso obriga essa taxa Selic a ser muito elevada.
05:39E elevar a taxa Selic não tem o mesmo efeito, Marcelo, para todas as causas inflacionárias.
05:46Ela é mais eficiente para demanda, mas menos para custos.
05:50Carla Bene, economista, professora da FGV e membro do Conselho Regional de Economia de São Paulo,
05:56sempre um prazer falar contigo aqui no Radar.
05:58Muito obrigado pela entrevista.
06:00Obrigada, boa tarde, até a próxima.
06:02Até.
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