00:00Vamos juntos ver um destaque do nosso site, é sobre o Warren Buffett, a empresa de Buffett que investe 350
00:06milhões de dólares em jornal americano e sacode o mercado.
00:10Essa é a manchete dessa reportagem que você está vendo aí na sua tela.
00:14E mais informações são as seguintes.
00:16A Berkshire Hathaway fez um novo investimento na The New York Times Company no quarto trimestre de 2025, segundo dados
00:24enviados à Securities and Exchange Commission.
00:27Esse movimento marca o retorno ao setor de mídia após a empresa ter saído desse segmento em 2020.
00:34E o aporte ocorreu no último trimestre, ainda sob a liderança executiva de Warren Buffett, que deixou o cargo de
00:41CEO no início de 2026.
00:43E reflete uma mudança na estratégia da companhia, que vinha focando investimentos em energia, seguros e tecnologia.
00:50Felipe Machado já está de volta?
00:52Felipe, a gente sempre fala e sempre olha com muita atenção para as decisões de Warren Buffett.
00:58Agora ele deixou o cargo de CEO, está lá no conselho da Berkshire, mas essa foi uma decisão ainda sob
01:03o comando dele.
01:04E o que ela te traz de elementos interessantes?
01:08Bom, Nath, vamos lembrar, como você falou certo, a gente sempre fica de olho em tudo que o Warren Buffett
01:12faz.
01:12É, tentando ler a mente dele, como a gente chama.
01:16Mas tem uma coisa curiosa, o Warren Buffett, vamos explicar um pouquinho, ele segue um conceito de investimento chamado Value
01:21Investing.
01:23O que é esse conceito?
01:25É um conceito assim, é uma análise muito, muito profunda das contas de uma empresa.
01:29Então ele não vai, ele não olha aquela coisa e fala, essa empresa está na moda, é uma tendência.
01:34Não, o Warren Buffett, ele vai nos mínimos detalhes dos balanços, ele vê quem é o CEO, analisa a carreira
01:40do CEO, analisa quem é a equipe, por que foram contratadas tais pessoas, a folha de pagamento.
01:46Ou seja, uma análise super minuciosa da empresa.
01:49Então é normal que ele não vá muito por setores, ele vai exatamente no balanço da empresa.
01:55O que aconteceu com o New York Times?
01:57O New York Times, uma empresa de mídia, você pensa, poxa, um jornal, uma empresa de mídia, mas sim, é
02:01um jornal que teve um crescimento de 9% no ano passado.
02:06Por que ele teve esse crescimento?
02:07Porque o jornal do New York Times, ele é a maior empresa de subscriptions, de assinatura do mundo, ela tem
02:1212 milhões de assinantes.
02:14Então teve esse crescimento de 9%, então o Warren Buffett olhou e falou assim, não, isso aqui é uma empresa
02:18boa, tem um bom resultado, de acordo com o conceito de Value Investing, então ele investiu no New York Times,
02:25é por isso.
02:25Agora, Nath, o Warren Buffett, ao longo do tempo, ele vem se livrando de algumas empresas que são um pouco
02:31simbólicas.
02:31Por exemplo, ele terminou, ele tinha um investimento muito grande na Apple, ao longo dos anos, ele ganhou muito dinheiro,
02:37a Berkshire Hathaway ganhou muito dinheiro com a Apple,
02:39e ao longo do tempo, nesse finalzinho aí de participação dele mais direta, depois de passar para o Able, que
02:45hoje é o CEO,
02:46ele acabou vendendo uma participação grande dele da Apple e de outras empresas de tecnologia.
02:51Por que ele fez isso? Ele considerava que a Apple era uma ação muito cara, ele achava que era uma
02:56boa oportunidade, então ele acabou reduzindo a sua atuação na Apple.
03:00O que ele tem investido? Olha só como a coisa, como não segue uma lógica de setor, de tendência e
03:07tal.
03:07Ele comprou muito, por exemplo, Domino's Pizza, é uma empresa, a gente não sei detalhes, mas assim, ele aumentou sua
03:13participação na Domino's Pizza.
03:14Ele comprou, por exemplo, e olha só, aí não sabemos se é informação privilegiada ou não, mas ele comprou antes
03:20da atuação do presidente Donald Trump na Venezuela,
03:23ele comprou muitas ações da Chevron, que é a única empresa americana de petróleo que continua na Venezuela.
03:28Então, enfim, ele deve ter visto alguma coisa que seria interessante ali, talvez sentido alguma coisa no mercado,
03:35o que poderia acontecer e comprou mais participações da Chevron.
03:39Então, Chevron, outra ação que ele, por exemplo, que ele comprou também, que é interessante, Nath, que é aquelas rádios
03:46Sirius.
03:47A rádio Sirius é uma rádio por satélite, uma rádio por antenas, uma rádio americana, que tem muitas, dentro dessa,
03:55é um conglomerado de rádios que dentro tem muitos programas,
03:59muitas rádios dentro desse conglomerado.
04:00Ele comprou, por exemplo, uma atuação grande nessa Sirius.
04:03Então, Warren Buffett, essa talvez seja meio que o swan song dele, o canto do cisne, aquela expressão que a
04:10gente usa quando é o último canto antes do cisne falecido,
04:14é uma metáfora, mas que se usa muito para grandes participações, quando são as últimas participações de algum grande player
04:22do mercado.
04:22Então, pode ter sido essa atuação, essa compra do New York Times e na Chevron, na Dominos Pizza e tal,
04:28pode ter sido,
04:29e venda de Apple, venda de ações de tecnologia, pode ter sido a swan song do Warren Buffett, porque agora
04:34ele se afasta e vira presidente do conselho da Berkshire Hathaway
04:38e deixa aí a empresa para o Apple seguir tocando a Berkshire Hathaway.
04:44Agora, muito interessante esses números do New York Times, positivos a ponto, ou com potencial a ponto de atrair esse
04:53investimento,
04:54num modelo de negócio que muitos veículos tentaram e que não vingou para muita gente, né, e que os tempos
05:03atuais são desafiadores mesmo para a notícia,
05:05para vender jornal, né.
05:07Não é mais físico, mas...
05:09Com certeza.
05:09É físico ainda, Daniel?
05:10Ainda existe, ainda existe o jornal físico, ainda existe o jornal físico, eu sempre que vou para os Estados Unidos
05:15adoro comprar a edição de domingo
05:16e ficar ali vendo horas.
05:17É bom demais.
05:18Mas ali é um hábito antigo meu.
05:19Mas enfim, o jornal do New York Times ainda existe aí uma edição de papel, é uma coisa meio anacrônica
05:24nos tempos de hoje,
05:24mas a operação digital foi feita com muito, foi muito bem sucedida, porque o New York Times, logo que ele
05:31começou,
05:32ele foi talvez o primeiro, um dos primeiros ali a fazer aquele sistema de paywall, Natália, não sei se você
05:36lembra,
05:37o paywall era aquela coisa, quando todos os sites deram as suas informações, davam as suas informações de graça,
05:42o New York Times criou um sistema de paywall, ou seja, era uma parede de pagamento, né,
05:47quer dizer, você podia ver as notícias, as manchetes, mas na hora que você ia entrar, você tinha que ter
05:53uma senha e um login que eram pagos.
05:55Então, no começo, todo mundo falou assim, imagina, isso nunca vai pegar, o New York Times foi muito criticado na
06:00época, né,
06:01teve ali uma época, uma indefinição se ele seria bem sucedido nessa estratégia ou não, mas hoje a gente vê
06:09que sim, né,
06:09quer dizer, muitos outros jornais acabaram demorando para fazer isso, perderam um pouco o bonde ali e acabaram tendo prejuízo,
06:16mas hoje em dia muitos veículos de imprensa acabaram seguindo essa mesma estratégia de ter o seu conteúdo pago,
06:24ali aquela primeira notícia você não paga, depois a partir de um certo número de notícias você passa a pagar,
06:31o New York Times já fez isso logo no começo, então foi uma estratégia que a gente vê que hoje,
06:35uma estratégia bem sucedida, né, o New York Times cresceu 9% no ano passado e está com 12 milhões
06:40de assinantes,
06:41então a gente vê que, apesar de ter sido muito arriscada naquela época, que todo mundo queria dar o conteúdo
06:46de graça
06:46para tentar alcançar o máximo, né, atrair o máximo, o número máximo de internautas, tinha essa questão,
06:53será que alguém vai pagar pelo conteúdo? Bom, hoje a gente vê que o New York Times tem um conteúdo
06:57diferenciado
06:58e as pessoas pagam, isso acontece com outros sistemas também, né.
07:01É, e isso mostra muito sobre como o comportamento também ele muda, né, a gente vai se adaptando,
07:06então a mesma pessoa num certo momento pode olhar e falar, você acha que eu vou pagar,
07:09tem tanta informação de graça por aí e de repente ela se vê ali se afogando no meio de um
07:15monte de informação
07:15e não sabe a qualidade e aí a curadoria, né, a credibilidade volta a ter valor.
07:21Eu acho que é exatamente isso, né, o New York Times foi visto como uma coisa de valor,
07:25a gente vê outros jornais, o próprio Wall Street Journal também, logo depois o New York Times também seguiu esse
07:30modelo,
07:30aqui no Brasil a gente vê os jornais Folha de São Paulo, Estadão, eu estava na época inclusive do Estadão
07:35nessa época,
07:35havia uma discussão muito grande sobre se valia pedir, cobrar o paywall ou não,
07:40depois os jornais viram que não valia, depois acabaram iniciando esse processo,
07:44então é um amadurecimento do mercado e hoje muitas companhias, muitos sites que têm informações de qualidade
07:50acabam cobrando pelo seu conteúdo e hoje isso é visto como um modelo um pouco mais aceitável, vamos dizer assim,
07:55mas é bom ressaltar que o New York Times foi pioneiro e agora a gente vê esse investimento de 350
08:00milhões de dólares
08:01da Berkshire Hathaway, né, liderado pelo Warren Buffett, a gente vê que é uma recompensa nesse sistema
08:08que foi visto como um sistema bem sucedido, né, acho, então curiosamente o pioneirismo nem sempre é premiado,
08:15mas no caso do New York Times foi.
08:16Que bom, obrigada pelas informações, pela análise, Felipe Machado volta daqui a pouco.
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