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O consultor da API Capital, Guilherme Folchini, detalha em entrevista exclusiva as razões que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Pleno (antigo Banco Voiter) pelo Banco Central. A medida é um desdobramento direto do colapso do Banco Master, que em 2025 tentou sustentar uma expansão agressiva baseada em ativos fictícios e créditos inexistentes. Folchini e o analista Vinicius Torres Freire discutem as fraudes grotescas envolvendo títulos do antigo BESC e fundos com beneficiários ocultos. A análise aborda ainda a fragilidade da CVM na fiscalização e o impacto no Banco BRB, que precisará de aporte de capital do Governo do Distrito Federal após o envolvimento com o conglomerado de Daniel Vorcaro.


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Transcrição
00:00...do Banco Pleno pelo Banco Central, eu converso agora com o Guilherme Fonchini,
00:05ele é sócio-fundador e consultor da API Capital.
00:08Guilherme, boa noite, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:14Boa noite, Cris. Muito obrigado, eu que agradeço a oportunidade de falar para vocês aí.
00:19Bom, Guilherme, no caso do Pleno, o Banco Central falou em deterioração da liquidez
00:25e em desrespeito a determinações do próprio Banco Central.
00:29Agora, para a gente fazer uma comparação aí, para citar apenas dois outros casos recentes,
00:34teve a liquidação do Másquer, do Máster também, do Will Bank.
00:38O que surpreende a maioria das pessoas é as instituições chegarem a situações que exigem uma medida como essa.
00:46Eu queria entender, como é que você enxerga todo esse movimento? Qual é a sua avaliação?
00:52Olha, o movimento do Banco Pleno, que ele é antigo Banco Voyter,
00:58ele vem como se fosse um efeito colateral do Banco Master, tá?
01:03Porque o Banco Voyter, ou seja, o Banco Pleno, o antigo Voyter,
01:07ele foi comprado pelo Banco Master em 2025
01:13e o Banco Master entrou, o Banco Pleno fazia bastante tempo que estava procurando um comprador,
01:19o Banco Master então entrou e tentou injetar capital e tudo mais.
01:22A questão é, como o Banco Master acabou nos sustentando,
01:25antes de fazerem do Banco Central fazer a liquidação do Banco Master,
01:29ele fez uma espécie de venda para outra pessoa.
01:32Então, um dos acionistas ali do Banco Master acabou herdando, digamos assim,
01:37o Banco Pleno e tinha alguns acordos que eles teriam que cumprir
01:41para o Banco Central não liquidar eles.
01:43E alguns desses acordos não foram cumpridos,
01:45o banco enfrentou uma série de dificuldades em captações de recursos
01:48e também vinha, de certa forma, se oferecendo a novos compradores.
01:55Inclusive, uma das especulações que saíram no mercado
01:58foi uma possível venda para os irmãos Joesley lá,
02:01os irmãos Batista, envolvendo o Joesley Batista lá, a JIF,
02:06que são donos de outros bancos aqui do mercado financeiro,
02:09como o PicPay e o Banco Original.
02:15O sistema regulatório brasileiro, ele é adequado na sua visão
02:19ou poderia haver normas mais duras?
02:24Olha, o sistema financeiro brasileiro, ele é muito alojado,
02:28inclusive, por outros países.
02:30A gente sente aqui que a gente tem um sistema financeiro muito evoluído
02:34frente às outras economias emergentes.
02:38Mas, sim, dado a situação do Banco Master,
02:43eles foram se aproveitando de algumas brechas
02:47e foram, digamos assim, crescendo de forma não orgânica.
02:53a ponto de que se montou um castelo de cartas ali
02:56que a qualquer momento poderia cair.
02:59Já fazia tempo.
03:00Todo mundo que trabalhava no mercado financeiro
03:02sabia que o Banco Master tinha algo diferente do usual.
03:08Mas, ao mesmo tempo, ninguém conseguia provar nada
03:12e, por muito tempo, o banco seguiu de pé, digamos assim.
03:17Então, o Banco Master, que antes era o Banco Máxima,
03:22ele vinha desde os anos 90 atuando no mercado
03:25e se tornou o Banco Master quando esse diretor,
03:29o Daniel Vorcaro, acabou comprando o Master.
03:32Mas, mesmo antes, ele já vinha com uma linha de negócios
03:35um pouco duvidosa sobre o que poderia ser.
03:39Como você mesmo já citou aqui,
03:41e a gente também ao longo do jornal,
03:43o Banco Pleno fez parte do conglomerado do Banco Master
03:47e o controlador, Augusto Lima,
03:49também chegou a ser sócio do Daniel Vorcaro no Master.
03:52Outras instituições e outros operadores
03:55do mercado financeiro ainda podem estar no radar
03:58do Banco Central?
04:01Olha, eu acredito sinceramente que não.
04:04Então, assim, não vejo nenhuma instituição
04:09que esteja em ponto avançado de liquidação do Banco Central.
04:16Claro que tem algumas instituições que têm um pouco mais de risco,
04:20que são instituições menores,
04:21mas isso é muito comum no mercado.
04:23Fato é, o que essas três instituições
04:26que foram liquidadas recentemente têm em comum?
04:30Todas elas faziam parte do conglomerado do Master,
04:33e que o Will Bank e o Banco Voiter Pleno, no caso,
04:39eles recorreram ao Banco Master
04:40justamente por precisarem de capital.
04:43Só que a partir do momento que o Banco Master foi liquidado,
04:47essas outras instituições que eram, em tese, mais frágeis,
04:50porque pediram ajuda ao Banco Master, digamos assim,
04:54acabaram ficando mais expostas ainda
04:56e está um momento muito delicado
04:58para os empresários quererem assumir mais risco.
05:02Então, provavelmente, nenhuma delas conseguiu algum comprador
05:04e foram liquidados pelo Banco Central.
05:07Eu vou passar para o Vinícius Torres Freire fazer a pergunta dele.
05:10Vinícius.
05:12Ainda sobre regulação, tem uma coisa muito estranha,
05:15tem muitas coisas estranhas aí.
05:18Regulação não que é perfeita, fiscalização não que é perfeita,
05:21e gente que quer fazer coisa errada é muito criativa.
05:24Agora, tem umas coisas muito escandalosas nesse caso,
05:27que é a invenção de créditos.
05:30Ativos que não existiam, que inclusive não estavam servindo
05:35na negociação com o Banco BRB de Brasília.
05:39Aqueles 12 bilhões, que no final dos contos não chegaram a ser 12 bilhões negociados,
05:43mas eram créditos inventados segundo o Banco Central.
05:47Consignados, por exemplo, que não existiam.
05:49É uma fraude grotesca.
05:50O Banco Master não existia.
05:52Outro problema eram os fundos de donos desconhecidos,
05:57que tinham ativos valorizados de uma maneira estranha,
05:59como aquelas cártulas do BESC,
06:01aqueles títulos do velho Banco do Estado de Santa Catarina.
06:05Quer dizer, você tem fundos, donos de fundos,
06:08você não sabe quem é o beneficiário final,
06:10e você não tem muita certeza de que ativos são esses,
06:13e alguns desses ativos até fazem parte de um ativo de um banco.
06:17Quer dizer, esse monte de coisa que era invenção,
06:21fraude de dono desconhecido não causa espécie,
06:25não sugere que a gente precisa fazer alguma coisa, no mínimo, com a CVM, por exemplo?
06:32Bem, há um certo questionamento por parte do mercado financeiro sobre a qualidade,
06:40ou não necessariamente a qualidade, mas a intensidade da fiscalização que a CVM tem em frente ao mercado.
06:47Porque a CVM, ao mesmo tempo que ela fiscaliza, ela parece fiscalizar, mas de longe,
06:54e não tão próximo quanto deveria.
06:57Então há, sim, esse tipo de questionamento,
07:00porém ainda é algo bastante embrionário esse tipo de investigação.
07:06Acredito que o mercado financeiro esteja naquele ponto de,
07:08ok, vamos apagar os incêndios aqui,
07:09e depois a gente se preocupa com aprofundar um pouco mais a legislação
07:15e aprofundar um pouco mais a atuação do órgão regulador,
07:18que é a CVM, em cima desses casos.
07:21E você, inclusive, citou o Banco Master,
07:23o Banco Master, desculpa, o Banco BRB.
07:26O Banco BRB, sim, ele esteve envolvido por política,
07:30junto com o Banco Master,
07:33acabou tendo um efeito colateral aí,
07:36que é isso, no primeiro momento foi mensurado em 12 bilhões,
07:40parece que o Banco Central conseguiu corrigir bastante dessa rota aí,
07:44mas ainda assim vai ter que ter uma espécie de reajuste
07:49na capitalização do banco.
07:51E que o próprio governo do Distrito Federal já se propôs a injetar recursos,
07:58eles vão ver ainda quando vão se solucionar,
08:00mas o BRB tem três ou quatro saídas ali,
08:01eu realmente não acredito numa liquidação extrajudicial do Banco BRB,
08:06até porque é um banco público pouco provável
08:09que o governo deixaria chegar nesse estágio.
08:13Guilherme, muito obrigada, prazer conversar com você, boa noite.
08:17Boa noite, até mais.
08:19Até mais.
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