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A B3 não abriu nesta quarta (24), mas o Ibovespa B3 fechou em alta de 160 mil pontos e o dólar cotado a R$ 5,53. A inflação ficou em 4,41%, dentro da meta do Banco Central. Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, comentou sobre o ano da economia e perspectivas para 2026, incluindo PIB, Selic e riscos fiscais.

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Transcrição
00:00Jornal Times Brasil exclusivo CNBC de volta. A B3 não funcionou hoje, mas ontem o Ibovespa B3 fechou em alta no patamar de 160 mil pontos.
00:12O dólar comercial registrou uma queda pontual cotado a R$ 5,53, mas acumula alta de aproximadamente 3,5% em dezembro,
00:23enquanto a inflação fechou o ano em 4,41% dentro da meta estabelecida pelo Banco Central.
00:31E sobre o ano da economia brasileira e as perspectivas para 2026, eu converso agora com a Juliana Inhazes, professora de economia do INSPER.
00:41Juliana, muito boa noite para você, obrigado por conversar conosco.
00:45Eu queria começar tendo a sua perspectiva sobre o que esses números significam na prática.
00:51Atingir a meta de inflação é suficiente para o Copom iniciar um ciclo de cortes na Selic lá em janeiro de 2026?
01:00Oi Renan, boa noite a você, a todos que nos assistem.
01:04Bom, primeiro acho que a gente tem que entender que essa inflação convergindo para dentro desses limites da meta
01:10é um efeito, tem um efeito positivo e é um elemento muito importante.
01:14A gente sabe que esse é um dos elementos, não é o único, mas certamente é um dos principais elementos que governam a política monetária.
01:24Então, que indicam o que provavelmente o Copom faz a partir de janeiro.
01:29Não que necessariamente, depois a gente pode falar disso, não necessariamente a taxa de juros já entra numa trajetória de queda agora, no começo do ano.
01:37Mas essa convergência da inflação para dentro da meta mostra que o trabalho do Banco Central está surtindo efeito, ele está conseguindo reduzir os indicadores de inflação.
01:47Agora, como eu mencionei, existem outros fatores.
01:50A gente ainda tem uma economia que tem um risco fiscal muito alto, uma incerteza muito elevada.
01:56A gente ainda tem dentro da própria inflação um componente que preocupa bastante o Banco Central, que é a inflação de serviços, que pode levar a novas desencoragens de expectativas.
02:09Então, isso tudo tem que ser levado, claro, em consideração dentro das decisões do Copom.
02:14Por isso, muito provavelmente, pelo menos na minha percepção, acredito que o Banco Central não deve começar a trajetória de queda na taxa Selic logo no começo do ano.
02:26A gente ainda provavelmente vai ver alguns períodos de uma pressão inflacionária em serviços ainda evidente.
02:34Provavelmente o Copom mantém a taxa de juros num patamar elevado.
02:38Mas, muito provavelmente, ainda nesse primeiro semestre, a gente deve começar a ver aí, sim, uma trajetória de queda da taxa Selic.
02:47Caso, claro, a gente não tenha novas surpresas, novos choques que impeçam a condução dessa política monetária um pouco mais amigável.
02:57Juliana, eu quero aproveitar aqui para chamar o Vinícius Torres Freire, nosso analista, que também participa dessa conversa conosco.
03:04Vinícius.
03:05Juliana, boa noite.
03:06Gente, de 2022 até 2024, três anos seguidos, a gente teve surpresas na economia, pelo menos na parte central das previsões,
03:14que era a previsão de crescimento do PIB, que foi muito maior do que esperado em todos os anos.
03:20Esse ano, não, a gente vai ter um PIB ali crescendo por volta de 2%, com erros pequenos.
03:25Eu queria perguntar para você, em 2026, a gente tem uma previsão de crescimento de 1,8,
03:30o mercado achando que a Selic cai até 12%, que é horrivelmente alto, mas vai exigir um corte acelerado no começo do ano,
03:39pelo menos a partir de março, abril.
03:40E a gente tem perspectiva de instabilidade, volatilidade no dólar, que pode até complicar o trabalho do Banco Central, depender do tamanho.
03:49Porque a gente está vendo que política está influenciando mais do que a gente imaginava e desde agora.
03:54Então, para 2026, você espera muita surpresa? PIB muito diferente de 1,8, dá para o BC acelerar e cortar a Selic até 12%,
04:0512,25 como prevê o mercado, e se a gente vai ter muita maluquice no dólar?
04:11Oi, Vinícius, é um prazer falar contigo.
04:14Acho que a gente realmente não vai ter grande surpresa, não consigo enxergar muito espaço para um crescimento econômico muito elevado.
04:20A gente sabe que, inclusive, a parte desse crescimento em 2026 vai ser impulsionada pelos próprios gastos do governo,
04:27não é um ano eleitoral, então a gente já sabe como funciona essa dinâmica.
04:32E acho que realmente a gente pode ter, o Banco Central pode, infelizmente, ter surpresas
04:36que dificultem, inclusive, o trabalho dele de conter essas pressões inflacionárias
04:41e manter a taxa de inflação aí dentro da meta, justamente porque, aparentemente, as incertezas e esse risco político,
04:49não sei se a gente já pode falar nesse termo, mas a gente vai ter, certamente, pressões que venham do lado político,
04:55que vão se exacerbar, hoje elas já existem, acho que elas devem ficar mais intensas,
05:00que devem fazer com que a gente tenha bastante, realmente, dificuldade de conseguir reverter essa incerteza,
05:07essa desconfiança que nós ainda temos bem presente dentro da economia brasileira,
05:12que hoje tem dificultado muito a retomada dos investimentos, a retomada, inclusive,
05:18de um processo de ganho de produtividade que depende, claro, desse aumento da formação de capital dentro da economia.
05:26Não acho que a gente vai conseguir, honestamente, ainda que o governo impulsione muito a economia,
05:31o que acho que também não vai ser muito caso, ele não tem tanto espaço fiscal assim,
05:35ele vai usar os espaços que ele tem, certamente vai tentar usar todos,
05:39mas eu acho que a gente não vai ter, realmente, muita surpresa,
05:42porque não tem como tirar o coelho dessa cartola, né?
05:45A gente tem um espaço fiscal limitado, a gente tem incertezas elevadas,
05:49e ainda que ele impulsione muito a economia,
05:52aparentemente, aí, o mercado anda muito cético,
05:55e a incerteza, eu acho que pode ser, aí, um ponto de inflexão
06:00a fazer com que a economia, realmente, não consiga grandes saltos aí.
06:05Agora, Juliana, a gente está indo para o final do ano, né?
06:09Chegando ali, basicamente, na última semana de dezembro,
06:12e quando a gente fala de Bolsa, quais setores mostraram maior resiliência
06:17e quais foram aqueles que decepcionaram esse ano?
06:20Olha, quando a gente está olhando a Bolsa,
06:22a gente vê, aí, na verdade, alguns setores, né,
06:26como você menciona, com mais resiliência e um crescimento maior,
06:30a gente viu praticamente, aí, isso se reflete muito, também, nos outros indicadores, né?
06:35A gente vê, aí, querendo ou não, uma indústria que está conseguindo
06:39dar uma respirada, especialmente indústria de transformação,
06:42mas, e indústria extrativa, no geral, né?
06:45A gente viu, aí, um desempenho muito bom da indústria extrativa
06:49dentro do PIB, do terceiro trimestre,
06:52mas a gente ainda vê, aí, setores que estão com bastante dificuldade, né?
06:56Estão tentando crescer.
06:58Construção civil, por exemplo, é um setor que tem retomado,
07:02mas, assim, numa onda de incerteza gigantesca,
07:05porque, ainda que nós tenhamos, aí, olhando, aí, para frente, né,
07:10uma possibilidade de queda da taxa SELIC,
07:13que, talvez, seja, inclusive, aí, de alguma forma,
07:16impulsionada ou até turbinada pelo cenário político,
07:20a gente espera que as decisões sejam técnicas,
07:23mas a gente não consegue ter certeza dessa continuidade no ano eleitoral,
07:27mas, querendo ou não, é um setor que está sofrendo muito,
07:30porque é impossível, né, hoje, que uma parte significante da sociedade
07:34consiga, por exemplo, financiar imóveis, né?
07:37Então, é um setor que anda com bastante incerteza, né?
07:40No geral, a Bolsa tem apresentado, né?
07:43A gente viu, aí, ontem, esses 170 mil pontos, né?
07:46O que mostra, aí, que a gente tem conseguido, né,
07:49manter esse nível, apesar de uma grande volatilidade,
07:53mas o ponto é que a gente tem percebido cada vez mais
07:56a Bolsa sensível aos movimentos da economia.
07:59Ela tem, inclusive, internalizado muito mais o pessimismo
08:03em alguns momentos do que o otimismo dentro do mercado.
08:06Juliana, eu queria te fazer uma pergunta sobre o cenário externo, né?
08:09Quando a gente olha para o ano que vem,
08:12há uma possibilidade de melhora nas relações entre Estados Unidos e China, né?
08:16Estados Unidos, no ano que vem, tem a presidência do G20,
08:19Xi Jinping vai para os Estados Unidos,
08:20há uma expectativa de encontro com Trump,
08:22Trump deve ir a Pequim no ano que vem
08:24e pode melhorar a relação entre as duas maiores potências econômicas do mundo, né?
08:30E aí, quando a gente olha, em retrospecto,
08:32o que foi esse ano no Brasil, o tarifácio, né?
08:35Como você vê o Brasil enfrentando o ano que vem
08:39no meio da economia global,
08:41especialmente com o elemento Donald Trump,
08:43que a gente não consegue controlar,
08:44apesar de ter essa expectativa de melhora entre China e Estados Unidos,
08:48tudo pode acontecer.
08:49E o que o Brasil aprendeu esse ano que pode levar de lição para o ano que vem?
08:54Bom, de fato, economia americana e Donald Trump são caixinhas de surpresa,
09:00que a gente não consegue realmente prever.
09:03O que a gente percebe, pelos passos que o Trump deu esse ano, né?
09:07Desde ali do começo de julho, onde ele divulgou o tarifácio
09:11e todo o desdobramento disso agora até o final do ano,
09:14o que a gente percebe é que, apesar dele fazer bastante ameaça,
09:19aparentemente ele também pondera bastante quais são aí os impactos
09:24dentro da própria economia, né?
09:25Então, isso ficou muito claro.
09:27A gente tem que ter clareza de que esse recuo da economia americana,
09:33desse pacote de tarifas,
09:35vem muito para alinhar e para conseguir, na verdade,
09:38reduzir os impactos sobre a própria economia.
09:41Então, acho que a primeira coisa, o Brasil tem que ficar muito atento.
09:44As possibilidades de negociação, a gente demorou um pouco para isso
09:48e, em alguns aspectos, ficou-se muito a impressão
09:51de que foi a diplomacia brasileira que conseguiu os grandes ganhos,
09:54quando a gente percebe que, na verdade, não foi tão dessa forma, né?
09:58Tem muito mais também um interesse externo do que interno.
10:02Então, acho que a gente tem que ficar muito atento a esse tipo de movimento.
10:05Acho que o Brasil buscou outros mercados
10:07e isso realmente é muito importante, né?
10:11O Brasil buscou esses mercados alternativos,
10:14mas a gente continua dependendo muito da economia externa.
10:17Isso é um fato, né?
10:19Para ano que vem, eu não vejo, Renan...
10:22Eu acho que, ainda que a gente tenha esses elementos
10:25que nós não controlamos,
10:27eu acho que o principal risco da economia brasileira não é externo, né?
10:30Justamente porque esses nós realmente não conseguimos controlar.
10:33A gente, na verdade, tem que estar muito atento e pronto
10:36para conseguir ou aproveitar as ondas e os momentos bons
10:41ou tentar reduzir perdas nos momentos ruins.
10:43Eu acho que o nosso grande risco, infelizmente, é interno.
10:46Ele não é um risco que vem de fora,
10:48é o risco do que nós vamos fazer com a nossa economia
10:51num ano que é um ano importantíssimo,
10:53um ano de eleição presidencial,
10:55com um problemaço ainda dentro da economia brasileira,
10:59que é a questão fiscal.
11:00A gente ainda não resolveu esse problema
11:03e, aparentemente, a gente ainda tem um caminho extenso
11:07para conseguir resolver ele, de fato.
11:10Perfeito.
11:11A gente conversou com Juliana Inhazes,
11:13professora de economia do INSPER.
11:15Juliana, muito boa noite para você e um Feliz Natal.
11:19Obrigada a vocês também.
11:20Um ótimo Natal.
11:21Um ótimo Natal.
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