00:00Estamos de volta com o radar desta quinta-feira. O mercado acompanha as sinalizações do Banco Central sobre os próximos
00:08passos dos juros no Brasil.
00:09Após um período de aperto para conter a inflação, a autoridade monetária indica que entrou numa fase de ajuste fino
00:17da política econômica,
00:19o que pode abrir espaço para cortes na taxa básica nos próximos meses.
00:23Para entender este cenário, eu vou conversar agora com o Ricardo Balistieiro, ele que é economista e professor do Instituto
00:31Mauá de Tecnologia.
00:33Oi, professor! Seja bem-vindo aqui ao radar. Sempre bom falar contigo. Tudo bem?
00:39Tudo bem, Eric. Satisfação é toda minha.
00:41É um prazer tê-lo aqui conosco.
00:43Professor Balistieiro, a gente viu o Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, dizendo que é preciso parcimônia,
00:51mas, claro, na ata do Copom existe uma sinalização, um guidance, de que os juros devem começar a cair na
00:57próxima reunião em março.
00:58Porém, a gente teve uma inflação em janeiro, subindo 0,33%, e uma produção industrial fechando 2025, mostrando uma expansão.
01:08Isso pode fazer com que o Copom reveja pelo menos o tamanho do corte ou não?
01:15Pouco provável, viu, Eric. Nós temos aí um diferencial de juros muito alto do Brasil, principalmente com os Estados Unidos.
01:26Então, eu não acredito que isso aí vai, por exemplo, mudar o que já está precificado no mercado,
01:34que é a redução, o início de redução do ciclo da Selic.
01:42O Banco Central deve começar a partir de março um período de cortes, que nós chamamos de ciclo de baixa.
01:51Da mesma maneira que ele fez há pouco tempo atrás, quando ele teve um ciclo de alta,
01:56exatamente para poder tentar, de alguma maneira, ancorar a expectativa, mas atuar muito fortemente,
02:04principalmente na inflação de demanda, agora ele tem todas as condições de poder buscar o início do ciclo de baixa
02:14da Selic.
02:15Então, esses dados aí que foram dados positivos, e a economia brasileira tem surpreendido positivamente,
02:22mas ela tem um elemento, o Eric, que é o câmbio, que tem realmente sido um aliado importantíssimo
02:32para que essa perspectiva de redução da taxa básica de juros se inicie a partir de março.
02:39Então, por mais que a inflação tenha vindo um pouco acima das expectativas agora para janeiro,
02:48e mesmo com a atividade econômica aquecida no final do ano, a ancoragem do câmbio certamente vai funcionar
02:55de uma maneira decisiva para que o Banco Central, a partir do mês de março, comece a baixar a taxa
03:03Selic depois de muito tempo.
03:04É, e a gente vai ver qual é o tamanho desse corte, se é 0,25% ou 0,5%.
03:13Para a gente encerrar aqui rapidamente esse nosso bate-papo, o senhor ainda aposta no meio ponto percentual,
03:19o tamanho do corte e o ritmo ainda precisam de mais dados econômicos para serem definidos?
03:26Precisa de mais dados econômicos, mas um corte de 50 pontos, o que proporcionaria uma Selic de 14,5%,
03:34portanto ainda muito elevada, é um corte que me parece muito razoável,
03:41e se eu tivesse que apostar, eu acredito que o Banco Central já iniciaria esse ciclo puxando esses 50 pontos,
03:51e aí sim aguardaria outros dados para saber se segue nos 50 pontos ou se reduz para 25 pontos.
03:58A gente também encontra um cenário que a gente tem que colocar aqui,
04:04que a gente tem um cenário eleitoral, um trade eleitoral importante esse ano,
04:08e a gente sabe que o governo vai colocar dinheiro nas ruas,
04:12não tem como ser de forma diferente, e isso não é só o governo atual.
04:17Todos os governos que estão na situação, que tentam reeleição, tem esse tipo de estratégia.
04:22Isso pode pressionar os preços também, porque vai ter mais dinheiro, mais crédito,
04:27isso até que ponto pode pressionar a inflação e levantar dúvidas no ritmo de corte ali para depois do meio
04:33do ano?
04:35Na realidade, Eric, nós temos tido injeção de dinheiro já há bastante tempo na nossa economia,
04:41e a inflação tem apontado para baixo.
04:44É claro que 2026 é um ano atípico, assim como foi o ano de 2022.
04:49A grande questão é que 2022 vinha de uma situação pós-pandemia,
04:55então o realinhamento de preços foi um pouco mais forte naquele momento.
05:00Esse ano aqui nós temos alguns fatores além do próprio câmbio,
05:04mas nós temos aí uma safra que também, se não for recorde novamente,
05:08mas certamente vai ajudar, por exemplo, a manter preço de alimento muito comportado.
05:13Esses preços são preços muito voláteis e pesam muito na economia.
05:17também não temos nenhum tipo de pressão, pelo menos contratada nesse momento,
05:23de petróleo, por exemplo, que é outro preço também muito importante.
05:28Então nós temos uma inflação aí que continua resiliente, principalmente no setor de serviços,
05:34embora tenha apontado para baixo também mais recentemente,
05:38mas ela continua bem acima do centro da meta.
05:41Mas eu não acredito que essa injeção de dinheiro certamente vai ocorrer por conta do ano eleitoral,
05:48não só por conta do governo federal, mas dos governos estaduais também, enfim.
05:52Então vai ter muito dinheiro circulando, muita obra sendo inaugurada esse ano,
05:56mas eu não acredito que isso seja suficiente para que o Banco Central tenha que mudar a trajetória de queda
06:05da taxa Selic,
06:07até porque isso não deve ter, e isso está sendo bem captado pelos bancos, pelas consultorias,
06:14pelos meus colegas analistas econômicos.
06:17Isso não tem gerado grandes impactos nas projeções de inflação para o ano 2026.
06:23Professor Ricardo Balistieiro, sempre bom falar com o senhor.
06:27Obrigado pela participação aqui no Radar.
06:29Um grande abraço e uma ótima quinta-feira.
06:32Igualmente, Eric, sempre à disposição. Um grande abraço.
06:35Obrigado.
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