Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Você já se perguntou por que contamos as coisas de uma forma específica, em vez de outra? Este vídeo mergulha no fascinante mundo das bases numéricas, revelando como nossa cognição e até mesmo a biologia moldaram a maneira como entendemos e representamos quantidades.

Prepare-se para uma nova perspectiva sobre os números que nos cercam e como o conceito de 'base' é uma convenção social, não uma regra universal. A matemática é mais flexível e criativa do que você imagina!

#BasesNumericas #MatematicaDivertida #Numeracao
Transcrição
00:00Quantos pontos você vê na tela?
00:11Eu nem vou dar muito tempo pra olhar, porque você provavelmente respondeu rapidinho.
00:16E agora, quantos pontos tem aí?
00:18E se eu aumentar mais um pouco?
00:21Aí já ficou mais complicado.
00:22Essa é uma experiência clássica de cognição numérica.
00:26Na primeira tela, a pessoa nem precisa contar.
00:28Ela bate o olho e já sabe que aquilo ali são três pontos.
00:32Na segunda, ela já demora um pouco mais pra responder.
00:35E talvez tenha que contar rapidinho os pontos.
00:37E nessa última tela, tudo que dá pra fazer é estimar mais ou menos quantos pontos tem ali.
00:43Porque a tela passa tão rápido que não dá tempo de contar tudo.
00:46A verdade é que os humanos são bem ruins em estimar quantidades exatas.
00:51É por isso que a gente criou símbolos pra representar as quantidades.
00:54Como um, dois, três e por aí vai.
00:57Só que a gente não conseguiria lembrar de um símbolo diferente para cada quantidade.
01:02Imagina se você tivesse que decorar um símbolo pra representar essa quantidade de bolinhas.
01:08E daí, tivesse que lembrar de outro símbolo pra essa quantidade aqui.
01:13É totalmente impossível.
01:14A solução que criamos foi subdividir as quantidades grandes em quantidades menores.
01:20Daí, a gente só precisa de dez símbolos.
01:23Que são esses que você vê na tela.
01:25Conseguimos representar qualquer quantidade apenas posicionando e repetindo esses algarismos.
01:32É por isso que tratamos qualquer valor como pacotinhos de dez.
01:35O número 40, por exemplo, são quatro dezenas.
01:39E o 160 são dez dezenas mais seis dezenas.
01:43Por isso que chamamos o nosso sistema numérico de decimal ou de base 10.
01:48A gente poderia ter agrupado os números em pacotes de seis ou de oito.
01:53Mas escolhemos de dez por um acaso biológico.
01:56Que você já deve saber qual é.
01:58Nós nascemos com dez dedos nas mãos.
02:00Eles facilitam a visualização de quantidades.
02:04Principalmente quando a gente está aprendendo a contar.
02:06Não é à toa que as palavras dígito e digital vêm do latim dígitos.
02:11Que significa dedo.
02:12Os personagens de desenho animado geralmente só têm quatro dedos em cada mão.
02:17Se tivéssemos nascido dessa forma, provavelmente contaríamos de oito em oito.
02:21Na escola, a gente aprenderia os algarismos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.
02:29Como não haveria um símbolo específico para a quantidade 8, ele seria representado assim.
02:35Como um 10.
02:36A quantidade 9 seria representada pelo símbolo de 1, 1.
02:40E a quantidade 10 seria escrito como 1, 2.
02:44Mas assim, ficariam faltando números na matemática?
02:47Não, né?
02:48As quantidades são algo que não mudam.
02:50Não importa em qual canto do universo você esteja.
02:53Os numerais são só um jeito de falar e escrever sobre as quantidades.
02:57E isso sim pode mudar.
02:59Não importa se eu chamo os números 1, 2 e 3 de Huguinho, Zezinho e Luizinho.
03:04O símbolo muda, mas a quantidade não.
03:07Tudo isso é para explicar melhor o conceito de base numérica.
03:10Os maias e aztecas, por exemplo, contavam de 20 em 20, usando os dedos das mãos e dos pés.
03:17Os babilônios e sumérios usavam o sistema de base 60.
03:20É por causa deles que a gente divide uma hora em 60 minutos e os minutos em 60 segundos.
03:28Também vem deles as convenções da trigonometria, como dizer que um círculo tem 360 graus.
03:35Matematicamente, não tem nada de especial na base 10.
03:38Inclusive, muitos matemáticos defendem que a gente deveria estar usando a base 12 no dia a dia.
03:43Eles fazem parte de um grupo chamado Dozenal Society of America, que defende uma mudança radical no nosso sistema numérico.
03:51Se mudássemos para a base 12, a gente provavelmente contaria usando esses gominhos das mãos.
03:57Dá para usar o dedão para contar 12 deles numa mão só.
04:01Essa técnica, usando uma mão só, é provavelmente um dos motivos pelos quais os babilônios usavam a base 60, que é o múltiplo de 12.
04:09A verdade é que a base do decimal é bem mais fácil de trabalhar do que a base decimal.
04:18Não é à toa que os feirantes vendem as coisas em dúzias, em vez de dezenas.
04:22Só que a gente teria que reeducar a nossa mente a pensar de 12 em 12.
04:27E é isso que a gente vai tentar fazer agora.
04:29Imagina que você trabalha num supermercado e precisa anotar o estoque de ovos.
04:33Cada caixa tem 12 ovos.
04:35E elas ficam guardadas e engradadas, que cabem em 12 caixas.
04:39E esses engradados são organizados em pilhas de 12.
04:43Você não vai contar os ovos um por um, né?
04:45No seu papelzinho de estoque, você nota que tem 5 pilhas, mais 3 engradados, mais 7 caixas,
04:52mais 8 ovos avulsos que são usados para repor a caixa quando algum quebra.
04:57Depois de um tempo, você vê que não precisa mais escrever todas as palavras.
05:01E anota só o número.
05:025, 3, 7, 8.
05:05Você sabe o que cada número significa de acordo com a sua posição ali.
05:09Se você tem um conjunto de 10 ou 11 itens, tipo um engradado com 11 caixas,
05:15você escreve as letras D, de 10, e O, de 11, no lugar.
05:19Uma pessoa desavisada que lesse aquele seu papel acharia que tem 5.378 ovos no porão.
05:26Só que, na verdade, tem 9.164.
05:30E as duas representações estão certas.
05:32A quantidade de ovos no porão é a mesma.
05:36A diferença é que você estava pensando em grupos de 12, enquanto o convencional é pensar em grupos de 10.
05:42Os funcionários do supermercado precisam combinar qual base numérica eles vão usar para contar os ovos.
05:47Mas no dia a dia, a gente não precisa disso, porque já existe uma convenção social.
05:52Imagina perguntar as horas para um estranho na rua e aí ele responde 14 horas.
05:56Daí você pergunta a base numérica que ele está usando e ele diz que está em base 5.
06:02O numeral 14, então, se refere a uma quina mais 4 unidades.
06:07Ou seja, são 9 da manhã.
06:10Tem alguns casos em que a gente precisa combinar a base numérica para se entender.
06:15O computador, por exemplo, só entende base binária, em que existem apenas numerais 0 e 1.
06:21Num sistema que só tem dois símbolos possíveis, a representação de quantidades cresce muito rápido.
06:27Para dizer que estamos no ano de 2025, escreveríamos isso aqui na tela.
06:32É fácil para o computador entender, mas muito difícil para os humanos.
06:36É por isso que os computadores também usam a base 16, para expressar os números de forma mais compacta.
06:42Aquele monstrão de 11 dígitos ficaria escrito assim.
06:47A letra E significa 14 nesse sistema.
06:49Parece estranho, mas esse é um jeito conveniente para os programadores falarem com as máquinas.
06:55A base usada depende do contexto em que ela está inserida.
06:58Se a gente for completamente prático aqui, a verdade é que a base 12 se encaixaria muito bem no dia a dia.
07:04O motivo para isso é que o número 10 só pode ser dividido por 2 e por 5.
07:09Já o 12 é divisível por 2, 3, 4 e 6.
07:14A base 12 tem o dobro de possibilidades de divisão.
07:17Isso é tão útil que os mercados já vendem coisas em dúzias.
07:21E nenhuma pizzaria do mundo faria uma pizza de 10 pedaços.
07:24São sempre 8 ou 12.
07:26É esse tipo de conscientização matemática que a Dozenal Society quer promover.
07:31Se a gente trocasse a base do nosso sistema numérico,
07:34precisaríamos pensar em algarismos para representar as quantidades 10 e 11.
07:39A Dozenal Society usa esses símbolos aí, chamados DEC e EL.
07:44Nesse caso, a gente contaria da seguinte forma.
07:471, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, DEC, EL, 10.
07:56Parece impensável para a gente, que já está acostumado com a base 10.
08:00Só que aprender matemática do zero, já com a base 12,
08:04provavelmente deixaria as aulas bem menos traumáticas.
08:07Pensa num dever de casa em que o aluno tem que marcar o local exato
08:11em que um carro atinge 1 terço da rua.
08:131 terço é uma dízima periódica, que é 0,33333.
08:18Agora imagine que o aluno usa o sistema duodecimal,
08:21em que o 10 dele equivale ao nosso 12.
08:24Nessa representação, então, o 10 dividido por 3 é igual a 4.
08:29Então, 1 terço é 0,4.
08:31A dízima periódica e o 0,4 representam o mesmo ponto no papel.
08:36Elas são a mesma fração, só que em bases diferentes.
08:40E é claro que a dízima periódica assusta bem mais o aluno que está aprendendo matemática.
08:44Dá uma olhada em como ficariam as frações no mundo duodecimal.
08:48A gente eliminaria as dízimas periódicas do 3, 6 e 9.
08:53Já a tabuada ficaria assim.
08:54Os múltiplos de 3 sempre terminariam em 3, 6, 9 e 0, nessa sequência.
09:01Os de 4 terminariam em 4, 8 e 0.
09:05Os múltiplos de 5, por outro lado, não teriam nenhum padrão.
09:08Só que a gente raramente ia querer multiplicar ou dividir por 5
09:12se utilizássemos a base 12 diariamente.
09:14Há quem diga que é como aprender uma nova língua.
09:17Você começa convertendo os números de base 10 para base 12
09:20e depois de um tempo já está pensando em base duodecimal.
09:23A gente reconhece que seria impossível mudar o nosso sistema numérico da noite para o dia
09:28e que a curto prazo isso só causaria mais confusão.
09:32Esse vídeo é mais um lembrete de que a gente pode ver a matemática e o mundo de outra forma.
09:37A ideia está aberta a pensar de uma maneira diferente.
09:40E se isso fizer sentido para a nossa interpretação do mundo, melhor ainda.
09:53E se você fizer sentido para a nossa interpretação do mundo, melhor ainda.
09:58E se você fizer sentido para a nossa interpretação do mundo, melhor ainda.
Comentários

Recomendado