- há 2 semanas
No JP Ponto Final, o deputado federal Ubiratan Sanderson analisa o avanço das facções criminosas no Brasil, critica a falta de prioridade do Estado na segurança pública e defende investimento, integração e inteligência no combate ao crime organizado. O parlamentar também aponta falhas estruturais nas fronteiras, cobra valorização dos profissionais de segurança e faz duras críticas ao Supremo Tribunal Federal, afirmando que o STF tem usurpado prerrogativas do Congresso Nacional, provocando desequilíbrio entre os Poderes.
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00:00Salve, seja bem-vindo. Nós estamos aqui nos estúdios da Jovem Pan, no planalto central do país.
00:11Vamos falar hoje de política e política de segurança pública. Você sabe que aqui a sua
00:17vida é decidida, né? A casa que você mora, a escola do seu filho, ou seja, a projeção de futuro.
00:24Hoje aqui nos estúdios da Jovem Pan, o deputado Sanderson. Ele é do PL, do Rio Grande do Sul.
00:31Deputado, muito obrigado por vir aqui aos estúdios da Jovem Pan. Parece a conversa boa, né?
00:37Muito obrigado pelo convite, Zé Maria Trindade. Sempre para mim é uma satisfação e todas as
00:43vezes que eu tenho a oportunidade de estar com você, eu aprendo, porque você é uma verdadeira
00:48ambulância, biblioteca ambulante e nós ali no Congresso, aquela correria, né? Temos
00:57que atuar, às vezes de forma especializada, como eu procuro atuar na segurança pública,
01:04às vezes de forma generalista, né? Os deputados, eu atuo muito na segurança pública, mas tem
01:11que atuar na agricultura, tem que atuar na saúde pública, na educação, na infraestrutura.
01:16Essa semana, por exemplo, nós estávamos decidindo e deliberando, votando, enfim, discutindo
01:22a reforma tributária, que foi para o Senado e voltou para a Câmara. Então, nós também
01:28ali tivemos que nos dedicar, sabendo e buscando um pouco mais informações sobre compensação
01:35tributária, sobre tributos estaduais, tributos federais. O IVA, que está sendo estabelecido
01:44no Brasil. Então, é uma verdadeira escola, mas sempre importante nós estarmos buscando
01:55novas informações, né? A política é dinâmica, os serviços públicos, todos os serviços
02:02públicos dos quais nós tratamos no Congresso Nacional também são dinâmicos e a segurança
02:07pública nem se fala. Nós temos convivido agora com esse agigantamento muito preocupante
02:13das facções criminosas, que tomaram conta. Até talvez 15, 20 anos atrás, as facções
02:21preocupavam apenas as grandes cidades, as conorbações, as metrópoles. Hoje não. Hoje
02:27as facções tomaram conta das cidades pequenas.
02:29Pois é, eu queria exatamente começar por esse assunto, a segurança pública. Virou um debate
02:34nacional, é o grande assunto para o ano que vem, ano eleitoral. E a gente vê, deputado,
02:40como o senhor está dizendo, houve uma interiorização da violência. Cidade? No Brasil inteiro. Cidade
02:44de 20 mil habitantes hoje já não tem mais aquela história de janela aberta, vizinhos conversando
02:49sentado na calçada. Como é que chegou a esse ponto? Onde houve ali o erro para o crescimento
02:55desse grupo organizado?
02:56Foi o abandono do Estado. Quando o Estado brasileiro... Quando eu falo Estado, não é só
03:01União. É União, Estados, os municípios.
03:05Na minha observação, um grande erro do constituinte lá de 88 foi não ter inserido os municípios
03:14no serviço público de segurança pública. Porque pode verificar. Nós temos três serviços
03:19essenciais, que é saúde, educação e segurança. A saúde e a educação fazem parte das três
03:28esferas de poder. Agora, a segurança pública, não. A segurança pública é realizada de
03:35forma efetiva pelos Estados e residualmente pela União. A Polícia Federal atua apenas
03:42de forma excepcional. E o município não atua. O município hoje, inclusive, é proibido.
03:47Tem proibição condicional do município atuar na segurança pública.
03:50O guarda municipal não faz serviço de segurança pública. Nós estamos tentando agora, na
03:56PEC da segurança pública, introduzir o município na prestação do serviço de
04:03segurança pública. E olha, é uma dificuldade, porque aí os Estados não querem abrir espaço.
04:10E precisa, o município precisa atuar em todos os serviços públicos, notadamente, na
04:17segurança pública. Mas não participa. E esta condição, eu diria, talvez, anômala que o
04:25Brasil possui, é que ajudou no adiantamento das organizações criminosas e das facções.
04:33Porque, veja, na Argentina nós temos as polícias locais. Na Europa também temos.
04:40Nos Estados Unidos, polícias locais. Aliás, as polícias, polícias nos Estados Unidos,
04:46são as polícias dos municípios. A melhor polícia do mundo classificada hoje...
04:49Mas tem 21 tipos de polícia. 21 mil.
04:5315 mil polícias catalogadas nos Estados Unidos. Mas a polícia mais qualificada,
05:00conhecidamente no mundo, chama-se a Polícia de Los Angeles. Dali veio a SWAT. A SWAT foi
05:05criada há 50 anos em Los Angeles. A Polícia de Los Angeles é a polícia do município de
05:10Los Angeles. E tem alta capacidade de resolução de crimes. Tem a SWAT. A SWAT seria, como se fosse
05:18aqui no Brasil, um BOP. Quando o Brasil decide não colocar os municípios no enfrentamento à
05:26criminalidade, ali foi o início de um caos. E aí, hoje nós temos aí cidades inteiras
05:32praticamente entregues ao narcotráfico.
05:34Eu, há tempos, né, isso tem alguns anos, eu fui conversar com o Romeu Tuma, senador por São Paulo,
05:41né, que era da Polícia Federal, foi o diretor da Polícia Federal, e ele apresentou um projeto
05:45criando o Xerife aqui no Brasil. Eu confesso que eu fui lá fazer a matéria, uma matéria meio,
05:52é assim, até jocosa, Xerife no Brasil. Quando eu cheguei, o projeto era bom e uma boa ideia.
05:59O Xerife é eleito no município, conhece a criminalidade, conhece as pessoas de bem
06:05do município. E por que não?
06:08O Xerife, nos Estados Unidos, é o prefeito para a segurança pública. Porque aqui no Brasil,
06:13por exemplo, o prefeito é eleito, mas ele é eleito para fazer a gestão do município
06:19relacionada à saúde e à educação e à infraestrutura, iluminação. O prefeito não faz segurança
06:24pública, né? Essa figura, ela existe, é muito famosa nos Estados Unidos, né? Porque
06:30tem os prefeitos das cidades, mas tem os Xerifes para ver quanto os Estados Unidos dão importância
06:37para a segurança pública. Ele é eleito, né?
06:39Não tem Xerife para a saúde nos Estados Unidos. Não tem Xerife para a educação, mas
06:44tem Xerife para a segurança pública.
06:46Eleito.
06:47Eleito. Tamanha a importância que a população norte-americana dá para a segurança pública.
06:53O maior orçamento dos Estados Unidos é para a segurança pública. E eles estão
06:59certos na minha observação. Porque se pegarmos lá, no início do Estado, quem
07:04estou direito, teria a geral do Estado, vai verificar que as cidades-Estados, que eram
07:11as polis gregas, isso há 4 mil anos, elas foram criadas justamente para que as pessoas
07:18que quisessem viver intramuros, dentro do muro da polis, pagassem um quinhão para ter exércitos,
07:25para ter polícia. Daí veio a palavra polis, polícia e a própria palavra política vem da
07:33palavra polis.
07:34Polis, né?
07:35Alguns países ainda utilizam a palavra polis como polícia. A Grécia mesmo lá, a polícia
07:39é chamada de polis. Então, polis é o início do Estado. O Estado existe para a produção
07:46de segurança pública. Isso é prioridade do Estado. E vejam, não existe polícia pública
07:52e privada. A polícia é apenas pública. Existe saúde pública e privada. Existe educação
07:58pública e privada. Mas não existe delegacia de polícia privada.
08:03Mas existe segurança privada.
08:04É outra coisa, isso é patrimonial. Não é polícia democrática, polícia que vai
08:11lá e presta a segurança pública. E mesmo assim, não existe, em hipótese alguma, essa
08:18segurança privada é ostensiva, ela é preventiva. Só quem tem o monopólio da investigação,
08:25da prisão, das medidas cautelares, chama-se polícia judiciária, ou polícia de investigação.
08:31Então, veja o quanto nós, aqui no Brasil, precisamos evoluir. A polícia, no Estado, ela
08:37é a razão de existir do Estado e no Brasil não é priorizada. Nós não temos aqui nem
08:43orçamento a nível federal.
08:45Esse debate leva...
08:46A nível federal não tem nem orçamento.
08:49Vive atrás dessa independência, né? Nós não temos nenhum ministério,
08:54da segurança pública. Eu entendo.
08:56O Ministério da Justiça faz às vezes.
08:58Então, é Ministério da Justiça e Segurança Pública. Pode inverter. Colocar o nome Ministério
09:04da Justiça, de Segurança Pública e Justiça e colocar alguém do ramo, que é o principal,
09:10né?
09:10Pois é, hoje o Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, foi ministro do STF, sabe tanto de
09:17segurança pública quanto eu, por exemplo, sei de física quântica. Não estou dizendo que
09:21ele é uma pessoa desqualificada intelectualmente, mas ele não conhece a matéria. E se ele não
09:28conhece, a chance dele acertar diminui. E quando ele vai lá, e aí sim um erro de gestão,
09:36e substitui os técnicos por ideólogos, pode verificar. No governo anterior do presidente
09:42Bolsonaro, o Ministro da Justiça era um delegado da Polícia Federal, Anderson Torres, que inclusive
09:46agora está preso, injustamente. O 02, o 03, o 04, o 05, todos eram técnicos policiais,
09:54ou da PF, ou da PRF, ou da Polícia Militar, ou da Polícia Civil, ou da Polícia Penal.
09:58Agora, o 02 é alguém que lá não se elegeu deputado federal, é um sociólogo, ah, bota
10:03lá de 02 o MJ. O 03 é a mesma coisa. Então, a chance deles acertarem é muito pequena,
10:09porque eles não têm cabedal intelectual, técnico, incentivo para apresentar as saídas
10:16para os problemas que vão surgindo.
10:18Deputado, nós estamos vendo surgir ilhas de segurança pública, né? A segurança pública
10:23hoje, segundo a Constituição, ela é exercida basicamente, não é só, pelos estados.
10:29Os governadores, eles detêm o comando das polícias civil, militar e outros policiais,
10:35policial penal, estadual, né? Então, existem pouquíssimas ilhas, assim, onde pode dizer,
10:43ah, não, tal estado está fazendo um bom trabalho. Por que esse desacerto geral?
10:49O estado que o governador, eu diria, entre aspas, o xerife, prioriza a segurança, a segurança
10:56é melhor. Os estados que a segurança pública não é priorizada, a segurança pública...
11:00O senhor tem exemplos?
11:01É um desastre. Tenho. Por exemplo, governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ele, desde o primeiro
11:07momento, resolveu priorizar e valorizar os profissionais de segurança pública. Policiais
11:13militares são tratados com todo respeito, policiais civis, policiais penais, eles têm
11:18condições de trabalho, têm segurança jurídica para trabalhar e isso faz toda a diferença.
11:25Por outro lado, né? Vamos citar aqui, estado da Bahia. Por não ser prioridade dos governantes,
11:35e não é problema de agora, isso já vem de muito tempo, os governadores nunca quiseram
11:40priorizar a segurança pública lá no estado da Bahia, nós temos os piores índices de
11:44segurança pública hoje no Brasil, está na Bahia. Então, é uma questão de lógica.
11:49Os estados que priorizam a segurança, o resultado é melhor. Os estados que acham que não adianta
11:58enfrentar a criminalidade, que a delinquência de rua é uma situação perdida, que os criminosos
12:04optam pelo crime por falta de oportunidade, que os delinquentes são vítimas da sociedade,
12:10aí isso é muito claro, veja.
12:12Saiu uma pesquisa agora.
12:15A abordagem tem que ser mais precisa.
12:16Pois é, saiu uma pesquisa agora. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 10 estão no Brasil,
12:249 no Nordeste e Manaus. Nordeste majoritariamente governado por políticas de esquerda, onde historicamente
12:35os governadores não costumam priorizar a segurança pública. Aqui já faço uma crítica.
12:40Aí me disseram, estava no debate, mas os governantes de esquerda priorizam o quê?
12:45Porque a saúde também não prioriza nem a educação. Bem, eu digo, uma matéria que
12:49eu conheço muito é a segurança pública. Segurança pública eu posso asseverar que os governadores
12:53de esquerda não priorizam. Exatamente nessa região do país, no Nordeste, estão ali das
13:0050 cidades mais violentas do mundo, 9 estão no Nordeste e Manaus, como eu comentei.
13:06Por outro lado, as cidades mais seguras do Brasil estão no Centro-Sul, de São Paulo para
13:12baixo, onde os governos são majoritariamente de centro-direita, que tem aquela política
13:21de lei e ordem, de valorização dos profissionais policiais, de não passar pano na criminalidade.
13:30Então, eu vejo como uma questão de prioridade. Agora o Congresso tem uma oportunidade de,
13:38através da chamada PEC da Segurança Pública, de melhorar, de aprimorar esse conjunto de
13:45normas constitucionais para que a segurança pública finalmente receba essa priorização
13:49estatal. Vamos ver se caminha. Porque conversando com deputados mais antigos, por exemplo,
13:55o coronel Alberto Fraga, que inclusive, como eu, foi o presidente da Comissão de Segurança
14:01Pública da Câmara e é o presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, o Fraga
14:05tem grande conhecimento no parlamento e de polícia, ele diz, ó, eu já vi outras propostas de
14:10emenda à Constituição iniciarem e tramitarem e serem arquivadas, ou irem por um escaninho
14:15e ali serem esquecidas. Existem algumas medidas, algumas leis apresentadas exatamente para
14:21conter o avanço do crime organizado. A lei antifacção e a PEC da Segurança Pública que
14:27ficou para o ano que vem. Mas eu não vejo, deputado, nenhuma medida para valorizar o profissional
14:36de segurança pública salarialmente, dar instrumentos técnicos para ele trabalhar. Quer dizer, tem
14:43alguma coisa errada nisso. Pois é, enquanto nós, legisladores, não imprimirmos prioridade no operador
14:53da Segurança Pública, não vejo solução, sinceramente. Eu apresentei uma emenda à PEC da
15:00Segurança Pública, estabelecendo uma matriz salarial para os policiais.
15:04Todos os policiais. Iniciando pela esfera federal e passando para as esferas estaduais, que vão
15:12seguir, que vão seguir se o legislador estadual fizer também a modificação na Constituição
15:18estadual. Nós estamos fazendo aqui em federal, botando uma matriz. Nenhum policial federal pode
15:24ganhar X percentuais de tal salário. E isso tem que repercutir depois nas polícias dos
15:31estados. E por que que eu falo e insisto que a questão salarial remuneratória, ela
15:38é basilar no enfrentamento da criminalidade? Porque diferente de outros setores, quem faz
15:48o setor acontecer é o profissional. É verdade. É o profissional da Segurança Pública. Não
15:53adianta ele ter, ah, ele tem a melhor viatura. E o policial está valorizado, ele está motivado
15:59ou está trabalhando com dois salários mínimos por mês? Como a maioria dos policiais militares,
16:03aliás, trabalha com dois, dois e meio, três salários mínimos por mês, sem seguro de
16:10vida. Aliás, nessa emenda que eu apresentei, a PEC da Segurança, nós estabelecemos ali
16:14obrigatoriedade de seguro de vida. Parece algo lógico, mas não é. Mundo afora, os policiais
16:22tem seguro de vida. Se ele em serviço, em combate, tombar, a família recebe um seguro.
16:30Hoje aqui, no Brasil, esses cinco policiais militares que tombaram lá naquela operação
16:37faxina, eu fui em cima, busquei dados e posso dizer, foi a operação faxina sim. Ao contrário
16:45do que a esquerda tem dito que foi uma chacina, não. Operação faxina. Os cinco policiais que
16:52foram mortos para serem enterrados tiveram que contar com boa vontade das pessoas. As
16:58viúvas estão com problema e sofrendo grandes dificuldades financeiras, inclusive. As questões
17:04previdenciárias não são respeitadas para os policiais que tombam.
17:09O governo do Rio de Janeiro deveria articular. Eu sempre falo sobre o risco jurídico e existe
17:15evidentemente essa possibilidade de fazer uma proteção maior para os policiais. Mas o senhor
17:22sabe qual a polícia mais bem paga do Brasil? Inclusive federal e... Você sabe?
17:28Hoje, pelo que consta, a polícia do DF, das polícias civis é a polícia do DF, pelo
17:36que eu tenho conhecido. E de todas as polícias é a polícia federal que tem o melhor salário.
17:42Salário. Não, mas a polícia, a polícia, a sua polícia lá legislativa ganha mais que a polícia
17:47federal. Talvez o do mundo. É uma polícia interna corpores, né? Porque ela só atua ali dentro.
17:54Federal, né? Mas eu falando das polícias com atuação genérica, hoje é a polícia federal que tem o
18:02melhor salário. E quando o agente de segurança entra na profissão, ele reconhece o risco de vida,
18:10né? É natural. Mas ninguém conta pra ele sobre o risco jurídico, que eu acho muito importante
18:16discutir. Quer dizer, hoje um policial quando sai numa operação, ele pode voltar preso, expulso da
18:22corporação por uma atitude tomada ali em milésimos de segundo. Isso não é correto.
18:29Pois é. Então, essa segurança jurídica que não tem e precisa ter, que nós queremos colocar na PEC da
18:34segurança pública e estamos tendo dificuldade. Então, apresentamos emendas. Essa minha emenda, por exemplo...
18:38Ela estava naquele projeto Sérgio Moro, né? Tinha, né? Sim. Mas também não avançou. Então, não precisamos
18:44segurança jurídica, uma matriz salarial para os policiais de todas as esferas. Eu falei aqui
18:51seguro de vida, mas o policial não tem plano de saúde. Então, ah, mas as outras carreiras não tem, né?
18:59Outras, outros segmentos também não tem plano de saúde, não tem seguro de vida.
19:05qual carreira tem 500 profissionais assassinados em serviço por ano? Eu desafio. São 500, cerca de
19:16500 policiais assassinados em serviço ou em razão do serviço por ano.
19:20Isso no Brasil?
19:21No Brasil, por ano. Se fosse 500 professores, por exemplo. Vamos lá. Ou auditores da Previdência.
19:31Muito bem. Se fossem 500 auditores da Previdência assassinados em serviço ou em razão do serviço,
19:37como é que seria? Então, esse dado tem que ser considerado...
19:42Não precisava nem isso tudo.
19:43Considerado. 500 policiais são assassinados em serviço ou em razão do serviço por ano.
19:48Então, não é uma categoria normal. Não é um segmento que tem que ser tratado como um funcionário público
19:54qualquer. Nem como os militares. Porque morrem 500 policiais militares... 500 militares por ano?
20:02Do exército?
20:03Das forças federais.
20:05Não.
20:05Não, porque...
20:06Agora, morrem, são assassinados em serviço, cerca de 500 policiais por ano.
20:12Isso é algo que tem que ser considerado e o Congresso Nacional faz vistas grossas.
20:17Os deputados e parlamentares fazem ouvidos moucos para essa situação, jogam para debaixo do tapete
20:24e ficam lá dizendo, não, não tem dinheiro, não tem dinheiro.
20:27O Estado, como eu disse, polis. O Estado existe para prestação de policiamento, de segurança pública para as pessoas.
20:37Então, nós precisamos nos organizar. Tem que ter um orçamento próprio para as polícias.
20:41Nós precisamos que os municípios participem da atividade policial.
20:45Nós precisamos que a União tenha um Ministério da Segurança Pública com um orçamento próprio.
20:50Nós precisamos que os Estados tenham independência e autonomia orçamentária para bem suprirem suas polícias militares,
20:58suas polícias municipais.
21:00Âmbito federal, por exemplo.
21:02Estou vendo que o governo Lula gosta de fazer uma propaganda em cima da Polícia Federal.
21:07A Polícia Federal está sem dinheiro para a diária.
21:09Os policiais estão indo para as operações, estão pagando com o seu próprio dinheiro.
21:14As diárias, os hotéis que eles ficam ou aonde quer que eles vão.
21:19PRF, a Polícia Rodoviária Federal está com postos fechados.
21:27Então, as nossas fronteiras abandonadas por falta de efetivo,
21:32mas não só por falta de efetivo, por falta de condições das forças,
21:37tanto o PF quanto o PRF, mobiliarem seus efetivos para estarem na fronteira.
21:41Porque para estar lá, vamos colocar 20 agentes federais lá, por exemplo, em Tabatinga,
21:48lá na Amazônia.
21:50Fronteira com o Tabatinga, acho que é fronteira com o Peru.
21:52Bem, muito bem.
21:56Para levar esses agentes para lá, tem que ter um helicóptero.
21:59Lá tem que ter uma estrutura para eles se alimentarem,
22:04para eles terem o mínimo de conforto para poder dormir.
22:09Porque eles vão ficar lá 30, 60, 90 dias.
22:12Essa estrutura depende e carece de recurso financeiro, de dinheiro.
22:16Não tem dinheiro para isso.
22:16Pô, nós somos a décima economia do mundo.
22:20Será que o Brasil não tem condições de priorizar segurança pública
22:25ao ponto de disponibilizar recursos para que tenhamos capital humano,
22:31tenhamos efetivo para as polícias federal e PRF mobiliarem as fronteiras?
22:38Ou é apenas uma brincadeira, uma pantomima que eles fazem?
22:41Não, estamos priorizando a segurança pública a cada quatro anos.
22:44O senhor já trabalhou nas fronteiras.
22:46Trabalhei, eu fui lotado oito anos em fronteira.
22:49É um grande desafio.
22:50O Brasil possui uma fronteira muito grande,
22:53em alguns pontos cegos, sem a possibilidade...
22:5517 mil quilômetros de fronteira terrestre e mais oito marítima.
22:59E é por onde entram armas, é por onde os bandidos...
23:02Tudo, tudo entra por ali.
23:04Exatamente.
23:05E eu entendo que era um momento, principalmente,
23:09das forças armadas ajudarem muito na segurança pública,
23:11que é a contenção das fronteiras.
23:13Pois é, então, sem essa integração,
23:17sem essa disposição,
23:20vamos colocar dinheiro,
23:21porque não tem como fazer segurança pública
23:23sem investimento.
23:27Eu digo sempre, Zé Maria,
23:28isso é um conceito internacional.
23:30Segurança pública são os três Is.
23:32Se um I estiver ausente,
23:35a segurança pública ou aquela força policial
23:37estará fadada ao insucesso.
23:41Três Is.
23:42Investimento,
23:43dinheiro,
23:45integração,
23:46todas as forças têm que estar integradas,
23:48e inteligência.
23:50Investimento, integração e inteligência.
23:51É tão difícil fazer isso?
23:53Estados Unidos faz.
23:54Argentina faz.
23:55O Chile faz.
23:57Por que o Brasil, sendo a décima economia,
23:59não pode fazer?
24:00Falta de vontade política.
24:02Nós, nesses últimos 30 anos,
24:05vamos pegar de 95 para cá,
24:07FHC para cá,
24:0830 anos,
24:10eu não me lembro,
24:12eu entrei na Polícia Federal em 96,
24:14mas era do Exército,
24:15de 91 a 96.
24:17E eu não me lembro,
24:18de 95 para cá,
24:19de nenhum programa federal regular
24:23de valorização e aparelhamento
24:26e colocação de recursos federais
24:32para o enfrentamento do crime organizado.
24:35As fronteiras sempre abertas,
24:36as fronteiras sempre,
24:38desses,
24:38nestes últimos 30 anos,
24:40sempre abertas.
24:41Fazendo uma injustiça aqui,
24:42quando houve a criação do Ministério da Segurança Pública,
24:45Raul Jungmann colocou, sim,
24:47recursos e fez...
24:49Insuficiente que eu estava na ativa na época,
24:51eu estava na ativa...
24:52Foi, acho que talvez um único...
24:54Não, mas foi discurso.
24:56Porque eu vim para a Câmara dos Deputados em 2019,
24:58então até 31 de dezembro de 2018,
25:00eu estava na ativa na Polícia Federal.
25:02Só discurso.
25:04Lá na ponta,
25:05desde 95 para cá,
25:07que é quando eu comecei a acompanhar,
25:10nunca houve priorização na segurança pública.
25:14As fronteiras sempre abertas,
25:15sem controle,
25:17sempre no improviso,
25:19sempre fazendo enjambração
25:21e não tem como dar certo
25:23com enjambração.
25:25E nós não precisamos de enjambração.
25:27Nós não somos um Paraguai
25:28que o orçamento é pequeno,
25:29nós somos a décima economia do mundo,
25:31tem dinheiro.
25:32A questão é priorizar.
25:335 trilhões e 400 bilhões já saem,
25:36não tem muito dinheiro.
25:36Pois é.
25:37E aí?
25:37Despesas fixas.
25:38Aí tu bota agora só em publicidade,
25:40só em publicidade agora em 2025,
25:423,5 bilhões.
25:44Com 3,5 bilhões de reais,
25:46nós mobiliaríamos a Polícia Federal,
25:48a Rodoviária Federal,
25:49a Polícia Penal Federal,
25:51as Polícias Militares,
25:52as Polícias Civis.
25:53Deixaríamos como a melhor polícia do mundo,
25:56porque o homem policial brasileiro
25:57é muito dedicado.
26:00Age, inclusive, de forma heróica,
26:02porque às vezes sem munição adequada.
26:06O que eu digo munição adequada?
26:07A munição que está na arma há seis meses
26:10é uma munição já inadequada,
26:12porque ela está vencida.
26:13Sem colete,
26:15em condições,
26:17sem armamento,
26:19muitas vezes sem salário,
26:21como foi o caso do Rio Grande do Sul
26:22e outros estados,
26:24que os policiais militares lá
26:26e os policiais civis
26:26trabalhavam sem salário.
26:28Chegaram a ficar 4, 5 meses sem salário.
26:30Deputado,
26:31o nosso truque está acabando aqui.
26:33Eu gostaria de tocar um assunto
26:34muito importante com o senhor
26:35sobre a distribuição de poderes.
26:37Neste momento,
26:37o Congresso está em uma disputa
26:39lei pesada com o Supremo Tribunal Federal.
26:42O Congresso está sendo diminuído
26:44aí nesta troca de cotoveladas
26:46na Praça dos Três Poderes?
26:48Está.
26:50E quem tem dado aso
26:53a essa situação é o próprio Congresso.
26:56Quando o Congresso não se valoriza,
26:57quando os parlamentares,
26:58deputados federais e senadores,
27:00não se dão o respeito,
27:02e quando os outros poderes
27:06têm agentes que também
27:07não se dão o respeito
27:09e ultrapassam
27:10e usurpam das suas funções,
27:12acontece o que está acontecendo.
27:13Ministros do STF
27:14sem um voto
27:15dizendo como o Brasil
27:16tem que se portar.
27:18Quando deve ser ao contrário.
27:20O Poder Legislativo
27:20que representa o povo
27:21e é só o Poder Legislativo
27:24que representa o povo.
27:25O Executivo
27:26não é representante do povo.
27:27O Presidente da República
27:28é eleito para fazer
27:29a gestão da União
27:30como o Prefeito
27:31é eleito para fazer
27:31a gestão do município.
27:33Então, os representantes do povo
27:35são os vereadores,
27:36os deputados estaduais
27:37e os parlamentares federais.
27:39Quando os representantes federais
27:40não se dão o respeito
27:41e permitem que
27:43ministros do STF
27:44ou melhor,
27:45militantes disfarçados
27:47de magistrados
27:48hajam como têm agido,
27:51aí acontece isso
27:51que nós temos percebido.
27:52Absurdos jurídicos,
27:54decisões teratológicas,
27:56decisões absurdas,
27:58sem base constitucional,
27:59sem base legal,
28:01e o Congresso
28:04que tem instrumentos
28:05constitucionais
28:06para fazer essas correções,
28:08porque a Constituição
28:09traz ali os remédios jurídicos
28:11e constitucionais.
28:13Tem que apenas
28:13aplicar o remédio.
28:15Tem remédio
28:16para ministro do STF,
28:18por exemplo,
28:18que usurpa
28:19das suas funções.
28:20Está lá na Constituição.
28:21Basta o Parlamento
28:22atuar.
28:23Quando não atua,
28:24aí desequilibram-se
28:26os poderes
28:27e temos hoje
28:29um superpoder.
28:30O STF hoje,
28:32ao ponto de nós,
28:32ali no Congresso,
28:33eu já participei
28:34de várias reuniões
28:35que eu fico indignado.
28:38Dos deputados,
28:38estou com um projeto
28:39aqui relatando,
28:40mas tenho que verificar
28:41se o STF vai permitir.
28:42De como assim
28:43o STF vai permitir?
28:43a Casa Legislativa
28:48discute os projetos,
28:50delibera,
28:53vota.
28:53Se tiver voto suficiente,
28:56o projeto vai à sanção
28:58e vira lei.
28:59O juiz apenas
29:00tem que cumprir a lei.
29:01Ele não tem margem
29:02para o juiz dizer
29:03isso aqui pode ir à frente
29:04ou não pode ir à frente.
29:05E nós temos assistido,
29:06infelizmente,
29:07várias situações
29:08onde deputados
29:09que não sabem
29:10o tamanho do cargo
29:11que ocupam
29:12dizem,
29:12não,
29:12eu tenho que verificar
29:13se o STF vai permitir.
29:15Isso aí não é democracia.
29:17Me desculpe,
29:18isso aí é um arremedo
29:20da democracia.
29:21Nós estamos aqui
29:22brincando de sermos
29:24parlamentares,
29:25sermos legisladores
29:25e a população brasileira
29:26não quer isso.
29:27A população brasileira
29:27exige parlamentares
29:29firmes, corretos,
29:31responsáveis e sérios
29:32na busca de dias melhores
29:33para a população brasileira.
29:35Muito bem,
29:36queria agradecer
29:37ao deputado Sanders
29:38para essa conversa aqui
29:39no ponto final
29:41e agradecer a você
29:42por acompanhar aqui
29:43diretamente dos estúdios
29:45da Jovem Pan
29:45em Brasília.
29:46É isso,
29:47obrigado.
29:53A opinião dos nossos
29:55comentaristas
29:56não reflete
29:57necessariamente
29:57a opinião
29:58do Grupo Jovem Pan
29:59de Comunicação.
30:04Realização Jovem Pan
30:06do Grupo Jovem Pan
30:08do Grupo Jovem Pan
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