00:00Voltamos a falar com Brasília ao vivo, o repórter Igor Damasceno conversa agora com o presidente da representação brasileira no parlamento do Mercosul
00:09para falar justamente sobre essas tratativas envolvendo o acordo do Brasil, dos países aqui da América Latina com a União Europeia.
00:19Vale reforçar que esse é um acordo que se estendeu por mais de duas décadas em negociação,
00:25num momento geopolítico em que a gente vê vários atos de instabilidade entre diferentes países,
00:31sobretudo com relação aos Estados Unidos, Rússia e China, outros firmaram acordos, entre eles Mercosul e União Europeia.
00:40De que forma que o Brasil pode se beneficiar desse acordo?
00:43A grande expectativa é com o aumento de exportações para a Europa com os produtos do agro brasileiro,
00:50tanto em formato de grãos, como a gente vê soja, milho, trigo, que já são exportados para outros países,
00:57como também na produção já secundária em formato de proteína animal.
01:02No outro sentido, o Brasil também tende a se beneficiar, sobretudo com a compra de medicamentos
01:08e também de insumos relacionados à indústria automotiva.
01:12Igor Damaceno, de que maneira que a gente vê o Alindo Chinaglia, que é o representante dessa representação aqui,
01:19o presidente, trazendo a avaliação dele sobre o avanço desse acordo e o início das tratativas e votações
01:27que agora sim começam para valer do nosso lado aqui brasileiro também.
01:34Olá pessoal, mais uma vez, ótimo dia a vocês e também a todos que nos acompanham.
01:38Então, daqui a pouquinho, em instantes, a representação brasileira no Parlaçu vai votar o texto favorável
01:45de Arthur Quinalha, que é o relator desse acordo da União Europeia com o Mercosul aqui no Congresso Nacional.
01:52Ele que apresentou um texto favorável a esse acordo e que agora vai ser submetido a essa apreciação ali no Parlaçu.
02:00Já desejo bom dia ao senhor deputado.
02:03Eu queria que o senhor falasse para a gente de que forma que esse acordo pode ajudar na nossa economia,
02:09pode nos auxiliar a partir desse acordo de livre comércio com a União Europeia.
02:14Olha, a União Europeia, ela tem quase a metade dos investimentos externos no Brasil.
02:22E o fluxo de comércio entre Brasil e União Europeia no ano passado foi de 100 bilhões de dólares.
02:31Se nós considerarmos num prazo de alguns anos a vigência desse acordo, haverá praticamente o dobro de fluxo de comércio.
02:47Por quê?
02:4842% de aumento das nossas importações e 52% de aumento das nossas importações.
02:56As pessoas podem até comparar com o PIB brasileiro e entender que são valores, digamos, felizmente bem menores que o nosso PIB.
03:05Entretanto, isso mostra que nas relações internacionais, inclusive há um processo político em curso de unilateralismo, de protecionismo.
03:16Então, quando o Brasil e os demais países do Mercosul, nós entramos, eu diria, nesse mercado que envolve 718 milhões de pessoas
03:28e um PIB de 22,4 bilhões de dólares, trilhões de dólares, significa que as chances desse intercâmbio, considerando-se ainda a redução gradativa em tempos diferentes,
03:45dependendo dos produtos, das tarifas.
03:47Então, o que vai acontecer?
03:50Primeiro, vai melhorar o nosso perfil econômico, vai ter aumento real de salário, vai ter diminuição de preço para o consumidor,
04:00porque, como já disse, o sentido geral é a redução de tarifas, a redução das questões aduaneiras.
04:06Então, nós não podemos imaginar que dois blocos que resultam num dos maiores acordos comerciais do planeta,
04:19que isso não seja eficaz.
04:21É eficaz, até porque esse é um exemplo que está acontecendo no mundo inteiro.
04:25O Brasil acabou de fechar dois acordos, um com o EFTA, que é Liechtenstein, Suíça, Islândia e Noruega.
04:35E também um com o Singapura.
04:39Se somar esse acordo com a União Europeia e esses dois que já acontecendo,
04:44então vai haver um aumento somando-se maior do que esse específico do Mercosul à União Europeia.
04:52Agora, deputado, essa é a questão econômica e comercial, mas tem também as questões políticas.
04:59E aí começa um certo entrave, um certo problema.
05:01A gente sabe que Bélgica e França não são muito afins desse acordo.
05:06E aqui no Brasil, a bancada ruralista no Congresso Nacional também está um tanto resistente.
05:11O que fazer para resolver esses entraves?
05:13E de que forma garantir a aprovação, tanto no Parlaçu quanto na comissão a ser criada?
05:18Veja, aqui a comissão que, digamos, estaria previsto acontecer,
05:27porque passa por mais de quatro comissões permanentes.
05:31Quando é assim, cria-se uma comissão especial.
05:33Mas o presidente da Câmara já anunciou, nós conversamos a esse respeito,
05:37vai se dar caráter de urgência, então sai da nossa comissão da representação brasileira no Parlaçu
05:43e vai direto para plenário.
05:45Bem, evidentemente que as ponderações de qualquer setor vão vir à pública agora.
05:53Eu também ouço comentários, mas o fato é que segmentos, inclusive do agronegócio,
06:00são aqueles que acompanharam mais de perto, viajaram para a Europa,
06:04então é um setor bastante organizado.
06:06Agora, o que é, digamos, garantidor do não prejuízo de nenhum setor brasileiro?
06:15Primeiro que você tem mecanismos no próprio acordo que garantem a reciprocidade que é aprovada em lei.
06:23É permitido, inclusive, se um determinado setor aumentar muito o fluxo exportador,
06:29portanto, atingindo o Brasil, o Brasil pode retaliar pegando um outro segmento.
06:35E tem um que, segundo consta, é o mais temido pela União Europeia,
06:41que é um mecanismo chamado reequilíbrio.
06:44Assim, e o Brasil não é um país pequeno, não é isso?
06:48O Brasil tem força econômica em plano mundial.
06:52Nós somos a nona economia.
06:54E aí, com referência à União Europeia, houve um recurso aprovado por uma diferença de 10 votos
07:02para consultar o Tribunal de Justiça da União Europeia para saber se este acordo assinado
07:11cumpre com as regras da própria União Europeia.
07:15E cumpre.
07:17Então, eu acho que não há maiores preocupações.
07:20Até porque, preciso considerar, que se tiver um segmento econômico relativamente resistente,
07:27todos os outros setores estão falando favoravelmente, a começar da indústria.
07:32Então, eu acho que é normal haver divergências, preocupações.
07:36Dizem que o capital não aceita ofensa, né?
07:40Então, eles não querem, de maneira nenhuma, ser atingidos nos seus ganhos, que são grandes.
07:45E, na minha opinião, vai aumentar.
07:48Nós conversamos com o deputado Arlindo Kinali,
07:50é ele que vai agora ali para o Parlaçu, para a representação brasileira,
07:54para votar e se parecer favorável ao acordo Mercosul-União Europeia.
07:58São 27 deputados, 10 senadores, maioria simples.
08:02Então, a matéria é admissível.
08:04A gente vai seguir acompanhando, volto com vocês aí no estúdio,
08:07mas já deixo aqui também a nossa gratidão ao deputado Arlindo Kinali.
08:11Valeu, Igor Damasceno, pela entrevista,
08:13por nos ajudar a entender um pouquinho mais das tratativas em torno desse acordo.
08:17Agradeço também ao deputado.
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