00:00Fast Money de volta. O Fundo Monetário Internacional avalia que neste ano a economia mundial deve crescer um pouco mais do que o esperado.
00:09A nova projeção é de um crescimento de 3,3% acima do que a estimativa anterior apontava, que era de 3,1%.
00:19Para analisar o que está por trás desse resultado, o impacto desses números para o mercado, eu recebo o Rodolfo Tobler, que é economista do Movimento Brasil Competitivo.
00:33Conversa conosco aqui via remota, a quem eu desejo uma ótima tarde. Muito obrigado por participar aqui do Fast Money.
00:40Ok. Rodrigo, vamos... Perdão, Rodrigo. Rodrigo, eu estava falando agora. Rodolfo, é o seguinte, né?
00:47O que esse desempenho, o que essa correção de 0,2 ponto percentual indicam?
00:55É uma correção ali de um cálculo do FMI ou não?
00:59Essa revisão levou a uma ideia mais positiva, mais otimista, achei a palavra que eu estava procurando, para a economia de 2026.
01:09Calma que depois eu vou colocar, numa segunda pergunta, o fator Donald Trump, se depois eles vão revisar isso para baixo de novo.
01:17Boa tarde mais uma vez.
01:19Boa tarde, muito obrigado aqui pelo espaço, mas acho que até já falando até um pouquinho dessa segunda pergunta, isso tem muito efeito nas previsões do FMI, né?
01:26Esse é um relatório trimestral que o FMI faz, então ao longo do ano ele faz aí quatro edições, o último foi em outubro do ano passado e agora eles apresentaram essa versão de janeiro.
01:35Nessa versão de janeiro eles subiram um pouco essa previsão do PIB global, o PIB global nos últimos anos tem crescido cerca de 3%, né?
01:43Com uma influência um pouco mais forte ali de países emergentes como Índia, China, países mais da Ásia ali que tem crescimento mais forte, Indonésia também,
01:51mas com a economia ali dos países mais desenvolvidos como Europa e Estados Unidos também tendo um ritmo positivo.
01:56Essa revisão que eles fazem agora nesse relatório de janeiro tem um pouco a ver com essa questão também da turbulência global que a gente tem visto,
02:04especialmente ao longo de 2025, com todas aquelas questões do Donald Trump.
02:08Quando ele fala em fazer muitas tarifas, de realmente reduzir o mercado global, de você ser cada vez mais protecionista,
02:14isso trouxe uma certa incerteza, uma certa cautela e fez com que as previsões se diminuíssem.
02:18Esperava-se que o impacto seria um pouco mais negativo, mas como a gente foi vendo até o final do ano, o desenrolar do ano,
02:25muitas dessas tarifas acabaram sendo flexibilizadas, relaxadas ali na sua quantitativa especialmente e viu-se que o impacto não era tão grande assim.
02:33Então nesse sentido hoje, agora quando inicia o ano de 2026, o FMI se mostra um pouco mais otimista em relação a esse ano, ao crescimento global,
02:41mas mesmo assim ele pontua algumas questões que são muito importantes.
02:44Acho que tem dois pontos ali de cautela que eles trazem, que são relevantes.
02:49O primeiro é toda essa questão tarifária, que isso ainda é um ruído, isso não é algo que acabou.
02:52A gente tem visto agora essa conversa em torno da Greenland, tanto Estados Unidos quanto Europa, falando de tarifas novamente.
02:58Então isso pode gerar algum ruído que tenha novas revisões.
03:01E também toda essa questão de guerras.
03:03A gente tem visto aí ao redor do mundo um pouco o aumento dessas guerras, desde o confronto russo-ucrânico,
03:08mas também algumas tensões mais elevadas.
03:10Isso tende também a gerar um crescimento um pouco menor.
03:13Ora, ainda não tem nos relatórios do FMI de janeiro, ainda não estavam sendo muito quantitativos,
03:17mas eles deixam indicados que isso pode fazer com que a economia cresça um pouquinho menos.
03:21Mas naquele momento, ali em janeiro, eles estimam que tem um ano um pouquinho melhor, um pouquinho mais positivo,
03:26mas que não deixam de ficar atentos a essas questões, essas turbulências, toda essa incerteza.
03:30Rodolfo, claro que o que está pautando o noticiário econômico e a nossa visão especial aqui de negócio,
03:38nesse começo de 2026, entre outros assuntos, obviamente, é o acordo Mercosul-União Europeia.
03:43Então, na hora que terminar todas as tratativas, ou terminarem todas as tratativas,
03:51vai ser criado um bloco de consumidores de mais de 700 milhões de pessoas,
03:57muitas delas com alto poder aquisitivo.
03:59Então, vai haver troca de commodities, trocas de produtos de alto valor agregado,
04:03ou seja, várias cadeias de comércio vão ser beneficiadas.
04:06E a gente entende que, se a gente olhar para a economia ocidental,
04:10muito da nossa economia ocidental está alicerçada em setor de serviços, comércio.
04:18Isso tende a mexer num PIB global ou não é para tanto?
04:22Porque 700 milhões de pessoas, a gente pega uma parcela da população mundial considerável,
04:27vai se tornar o segundo maior PIB do mundo, olhando ali os dois blocos juntos.
04:31Mas tem potência para, em alguma medida, talvez a médio prazo,
04:37a gente mexer no PIB global, esse acordo?
04:40Isso pode, sim, mexer no PIB global.
04:42É claro que, quando a gente fala do PIB global, a gente tem que lembrar que estão fora desse acordo,
04:46por exemplo, China e Estados Unidos, que são países muito grandes,
04:48que têm uma relevância de PIB muito importante.
04:50E, geralmente, toda essa mudança que a gente observa em algum bloco específico,
04:55algum país específico, ele não tende a mudar tanto assim a previsão do PIB global.
04:59Mas a gente espera que esse acordo que se faça, de fato, criando ali um canal,
05:03uma integração entre as economias do Mercosul e da União Europeia,
05:06eles tendem a aumentar um pouco o PIB global.
05:08Então, nesse relatório agora de janeiro, o Senado não está incluído,
05:11porque, de fato, foi publicado agora, mas os cálculos são feitos ali no final de 2025,
05:15e ainda não estão nessa conta.
05:17Com certeza, esses avanços do acordo do Mercosul com a União Europeia,
05:21isso tende a gerar um impacto positivo.
05:23Não dá para saber se é tão imediato,
05:24então acho que não necessariamente na próxima revisão vai vir alguma possibilidade de crescimento ainda esse ano,
05:30mas olhando para o final de 26, início de 27, já se espera que tenha algum efeito positivo.
05:35De maneira geral, quando a gente tem um acordo comercial desse tamanho,
05:38a tendência é que a gente tenha ganhos positivos.
05:41Acho que o impacto é se esperar um crescimento maior via dois caminhos.
05:45É esperada uma redução de preço também em algumas atividades,
05:48quando você tem um acordo desses com uma troca de produtos,
05:51uma facilitação de comércio entre dois blocos desses,
05:54você faz com que alguns produtos cheguem mais baratos em determinados países,
05:58então a gente pode falar que alguns países,
06:00alguma parte da indústria exportadora, da agropecuária exportadora aqui no Brasil também,
06:03tende a ter um crescimento da sua demanda,
06:05países europeus consumindo cada vez mais,
06:08e a gente também absorvendo alguns produtos, tecnologias e insumos vindos do mercado europeu.
06:14Então já tem uma tendência a ter alguma revisão de preço para baixo nesses dois grupos,
06:17e algum crescimento maior, porque isso pode gerar maior competitividade,
06:20pode gerar maior produtividade também das economias
06:22que estão fazendo parte desse acordo,
06:24mas não chega a ser algo que vai mudar, por exemplo,
06:26a nossa previsão do pico global para cerca de 4% ao ano.
06:30É muito difícil que isso aconteça,
06:31porque teria que ser realmente um movimento muito forte em diversos países.
06:35Mas como a gente vê agora, uma revisão de 0,1, de 0,2,
06:38isso pode acabar gerando, especialmente quando a gente olhar um pouquinho mais no longo prazo.
06:41Agora, Rodolfo, olhando aqui para o nosso quintal,
06:45o FMI também fez uma correção, um reajuste para a previsão de crescimento do Brasil,
06:53só que foi um crescimento negativo, um recrudescimento da nossa economia.
07:00Deixa eu olhar aqui os números, 0,3 ponto percentual menor,
07:05o FMI reduz a previsão de crescimento do Brasil em 2026 para 1,6%,
07:13ou seja, 0,3 ponto percentual menor do que a previsão anterior.
07:19O que motivou essa revisão para baixo do nosso crescimento econômico?
07:24Acho que de maneira geral que a gente tem visto em alguma revisão do crescimento de 2025,
07:28o próprio FMI aumentou em 0,1 essa revisão por ano de 2025,
07:32que já acabou, mas os dados ainda não foram divulgados,
07:34a gente viu agora, no final de ano, até um pouquinho menor do que se esperava,
07:37então tem alguma previsão de crescer 2,5% em 2025 e se reduzir um pouco o de 2026.
07:44Acho que o grande ponto que a gente olha para esse crescimento de 2026 um pouco menor
07:48é muito a ver com o nosso cenário macroeconômico, que ainda é muito desafiador.
07:51A gente convive hoje com a política monetária, com a taxa de juros, a taxa Selic, em 15%.
07:56Isso, de fato, gera uma expectativa de desaceleração da economia.
08:00Quando o Banco Central sobe essa taxa de juros e mantém esse patamar elevado,
08:04como a gente está vendo, ele está tentando conter a inflação de médio e longo prazo
08:07e, para isso, ele esfria a economia nesse momento.
08:09O que a gente está vendo é que essa desaceleração tem sido muito suave,
08:12tem sido muito devagar.
08:13Alguns setores, por exemplo, com serviços, têm tido uma desaceleração, de fato, muito lenta.
08:18Então, com isso, imagino que tenha sido relevante para o FMI
08:21para aumentar um pouquinho essa previsão de 2025 em 0,1,
08:24mas que isso vai acabar custando também um pouquinho o nosso crescimento em 2026.
08:29Mas é bom lembrar que esses dois crescimentos não são tão diferentes assim quanto se parece.
08:33Por mais que seja quase um ponto percentual de diferença,
08:36é muito bom lembrar que esse ano de 2025 a gente teve um apoio forte da questão da agropecuária.
08:41A gente teve uma super safra no início do ano que puxou o nosso PIB para cima.
08:45São setores que a gente chama acíclicos, tanto a indústria extrativa quanto a agropecuária.
08:49Porque essa questão de safra, enfim, e também da indústria extrativa,
08:52ela não depende tanto da política monetária, da taxa de juros.
08:55De fato, se a gente vai ter uma condição climática, todo um conjunto de fatores
08:58que permitem ter uma super safra, independente dos juros,
09:01a gente vai ter esse crescimento forte da agropecuária.
09:03Então, como esse ano de 2025 a gente teve esse apoio da super safra,
09:07já era esperado um crescimento mais forte.
09:09Já para 2026, quando a gente olha esse crescimento um pouco menor,
09:12é muito pelo primeiro semestre.
09:13A gente tem tido agora convivido com esse cenário macroeconômico desafiador,
09:17mas já se tem alguma expectativa de queda de juros ao longo de 2026.
09:21Mas como isso demora a ser sentindo um pouco no dia a dia, na economia brasileira,
09:24a tendência que demora ali entre seis e nove meses para uma redução de juros
09:27ser sentido no dia a dia da economia.
09:30Então, por mais que a gente já tenha alguma redução de juros agora,
09:32que pode acontecer no início de 2026,
09:35esses efeitos vão ser sentidos demais para o final do ano.
09:37Tanto que, quando a gente olha para 2027, o crescimento já é acima de 2% novamente.
09:42Isso mostra que, de fato, a expectativa é que esse ano a gente consiga resolver
09:45algumas questões desse ambiente macroeconômico
09:49para que a gente tenha um crescimento.
09:51O grande ponto é que, assim como a economia global,
09:53a gente também tem incertezas.
09:54Não só todas as incertezas globais, como a gente falou,
09:57a gente tem um adicional que é a eleição esse ano,
09:59que também adiciona algumas incertezas e faz com que a gente fique um pouco mais alerta ao longo do ano.
10:03Ok.
10:05Entendido.
10:062026, um ano de atenção, obviamente.
10:08Sempre que há eleições, a gente tem um fator aí que faz oscilar as nossas previsões de crescimento.
10:16Rodolfo Tobler, economista do Movimento Brasil Competitivo.
10:20Queria agradecer a conversa que nós tivemos.
10:22Até uma próxima, Rodolfo.
10:24Obrigado mais uma vez.
10:25Eu que agradeço, estou sempre aqui à disposição.
10:27Obrigado.
10:27Obrigado.
10:27Obrigado.
10:27Obrigado.
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