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A União Europeia reafirmou o compromisso de assinar o acordo com o Mercosul em janeiro, após novo adiamento. No Real Time, Ulisses Dias, especialista em finanças e investimentos, analisou os entraves políticos, os impactos para o Brasil e as expectativas para o comércio internacional em 2026.

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Transcrição
00:00Vamos falar de Mercosul, Mariana Almeida, porque a presidente da Comissão Europeia,
00:04Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa,
00:09enviaram uma carta ao presidente Lula para reafirmar o compromisso da União Europeia
00:14de assinar o acordo comercial com o Mercosul em janeiro do ano que vem.
00:19O governo brasileiro está otimista para selar o Tratado de Livre Comércio
00:24durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul,
00:27que aconteceu em Foz do Iguaçu no sábado, mas isso não ocorreu.
00:31Estava otimista, achou que ia acontecer e acabou que não foi adiado.
00:35Para entender melhor o impasse e as consequências do adiamento,
00:38nós vamos conversar com Ulisses Dias, que é especialista em finanças e investimentos.
00:43Oi, Ulisses, muito bom dia para você. Seja bem-vindo aqui ao Real Time.
00:47Tudo bem com você, meu amigo?
00:49Muito bom dia. Bom estar aqui nesse tema relevante.
00:52E falar que a expectativa é que esse acordo seja assinado no dia 12 de janeiro,
00:57com outro presidente desse Mercosul.
01:01Então, o governo Lula, o presidente Lula vai passar essa presidência
01:06para o presidente do Paraguai.
01:08E quem está no encrave ainda, tentando precar esse acordo,
01:14é França e Itália, pelo lado da Europa.
01:17O Haddad já está em contato com o presidente francês, o Macron.
01:21E a resistência dele é exatamente por causa de subsídios que eles têm que dar para os seus agricultores.
01:28Eles temem que o Mercosul, com essa diminuição de tarifas e menores barreiras comerciais,
01:34avance nos mercados agrícolas, tanto francês quanto italiano.
01:38E isso, claro, prejudique não só os produtores, mas também acabe aumentando os preços dos produtos.
01:45É isso, Ulisses.
01:47E o presidente Lula, que quando esteve em visita à França,
01:52disse para Emmanuel Macron, o presidente francês,
01:55que iria assinar esse acordo ainda como presidente do Mercosul,
01:59mas pelo jeito conseguiu avançar, mas não vai sair sobre o comando do presidente Lula.
02:04A nossa analista Mariana Almeida está conosco e vai participar desse bate-papo.
02:08Viu, Ulisses? Por favor, Mari.
02:09Ulisses, obrigada pela participação.
02:11Não, eu queria discutir qual é a importância para pensar até as expectativas
02:16em relação ao comércio internacional no próximo ano,
02:18o comércio que sofreu bastante esse ano com mudanças vindas de toda a geopolítica internacional.
02:25O acordo saindo de fato em janeiro,
02:28mexe ainda com as expectativas de quem está operando aqui no Brasil?
02:32Sim, porque é mais um mercado.
02:34O mercado europeu, junto com o brasileiro, soma 22 trilhões de dólares.
02:38Então, a gente tem uma grande praça para avançar na venda de açúcar,
02:43na venda de soja, na venda também de commodities.
02:46E o que eu acho ruim, não no curto prazo, mas no longo prazo,
02:50é que a gente continua nessa balança de vender produtos comoditizados
02:55e importar produtos industrializados,
02:57porque eles querem vender tecnologia, eles querem vender automóveis para a gente.
03:01E, é claro, a gente precisa ter uma pauta de exportação
03:05onde a gente vai ter mão de obra altamente qualificada,
03:09agregando a esses produtos, não vender produtos in natura como a gente vem fazendo.
03:14Ulisses, saiu uma notícia agora há pouco,
03:17e a gente trouxe aqui também no Real Time,
03:20que a China aumentou a tarifa para produtos,
03:24ou alguns produtos lácteos da Europa em quase 50%.
03:27Esse anúncio de um tarifácio chinês ao produto da União Europeia,
03:34isso pode acelerar ou fazer com que os membros da Comissão Europeia
03:39agora parem um pouco de resistir à assinatura deste acordo,
03:43principalmente a França,
03:45por entender que é preciso deixar essa dependência com os chineses um pouco de lado,
03:51e, claro, fazer acordos com outros players?
03:53Com certeza, e é importante a gente entender que esse acordo já está há 25 anos sendo discutido,
04:02e foi exatamente o tarifácio pelo lado dos Estados Unidos
04:04e maiores pressões pelo lado da China
04:07que aceleraram esse processo da Europa querer fechar esses acordos.
04:12Mas o que me chama a atenção também é a falta de prestígio do presidente Lula
04:17com relação a essas potências europeias,
04:21porque se ele tivesse o prestígio mesmo que ele gostaria que tivesse,
04:25teriam assinado enquanto ele é presidente do cargo do Mercosul,
04:30e não deixar o presidente paraguaio ter a honra de assinar esse acordo tão esperado.
04:36Agora, você estava comentando sobre sua visão também de médio prazo
04:40e do perfil dos produtos que são exportados pelo Brasil, importados pelo Brasil.
04:44Aliás, o Mercosul, nisso a gente tem uma certa similaridade aqui com os vizinhos.
04:49Nesse entrave aí da União Europeia, ficou quase uma sensação
04:52de que eles estavam fazendo um favor para o Mercosul, né?
04:55Quer dizer, quando a gente escutava Macom, parecia assim,
04:58não, olha, a França não vai aceitar isso porque vai entrar um monte de produtos brasileiros.
05:03E não é bem isso, né?
05:04O Brasil também abre mão de diversos espaços, incluindo a sua indústria,
05:11para poder entrar nesse acordo.
05:15Você acha que essa parte do que o Brasil perde também no acordo
05:19ficou completamente de lado, está resolvida?
05:21Como é que o pessoal que vai ter que enfrentar a concorrência do lado brasileiro
05:26está se movimentando nesses momentos finais aí do acordo?
05:31Acredito que é uma derrota, sim.
05:34Isso é simplesmente a representatividade do Brasil no comércio internacional.
05:39A gente tem uma relação entre importações e exportações em relação ao PIB muito baixa.
05:46Esse é até um dos grandes motivos que quando tem uma crise internacional,
05:49o Brasil sente menos, é porque ele é um país muito fechado ainda.
05:52Comparativamente ao Japão, que tem 90%, 100% das suas importações e exportações
05:56em relação ao PIB, o Brasil tem muitas salvaguardas com relação a produtos entrarem.
06:02E é claro, isso tem uma reciprocidade no comércio externo, né?
06:05Mas é outro ponto interessante dessa discussão que acelerou é o interesse dos países europeus
06:12pelos famosos minerais de terras raras, porque são essenciais para a evolução tecnológica.
06:19A Europa, ela está ficando muito atrás, tanto dos Estados Unidos quanto China,
06:24na indústria de microprocessadores, na inteligência artificial.
06:26E é essencial que ela tenha esses tipos de matérias-primas para que ela possa recuperar esse atraso
06:34ou pelo menos continuar com uma distância que não vai crescendo em relação a esses dois países.
06:40Ulisses, nesse acordo, no final das contas, existe um bloco que ganha mais,
06:46é um jogo de ganha-ganha, alguém tem que sair perdendo,
06:50porque os pequenos produtores agrícolas da França dizem que vão perder muito
06:54em detrimento aos produtos, principalmente, por exemplo, do Brasil aqui.
06:59Isso realmente poderia acontecer?
07:01Quem que, no final das contas, pode ganhar ou fica equilibrado este acordo?
07:06Eu acho que, no longo prazo, o Brasil perde,
07:09porque a capacidade de produtos de mão de obra agregada,
07:13de gerar riqueza, incentivar a poupança nacional, é muito maior.
07:17E isso, é claro, está pendendo para o lado europeu,
07:21o que costumeiramente acontece nas negociações que o Brasil faz.
07:25Então, quando a gente está negociando com os Estados Unidos,
07:27quando a gente está negociando com os Emirados Árabes, com a Europa, com a China,
07:31a gente está vendendo produto sem nenhum valor agregado
07:34e aceitando importar produtos de alto valor agregado.
07:38Isso, ao longo do tempo, vai gerando maior necessidade de investimento em educação
07:43nos países europeus e a gente não vê a urgência
07:46da gente voltar a investir em educação para formar mão de obra bem qualificada
07:51ao longo do tempo, para que a gente possa ter competitividade nesse tipo de produto.
07:57E você estava comentando, então, exatamente sobre essa coisa do longo prazo.
08:01Isso fez com que tivesse até um desgaste, no caso brasileiro,
08:03ao longo dos 25 anos de debate sobre isso.
08:07E, diga-se de passagem, o próprio presidente Lula,
08:09em alguns momentos, foi contrário ao avanço disso,
08:12em função do impacto na indústria.
08:14Aí, depois ele assumiu, entrou, queria, como a gente já comentou aqui,
08:18assinar a realização do acordo.
08:20Mas essa carta que veio agora, que é até a notícia de hoje,
08:24ela vem porque o presidente Lula falou,
08:26agora também saio da negociação.
08:28Quer dizer, cansei desse vai e vem.
08:31Essa saída do Brasil agora da negociação,
08:34saída não, né?
08:34Mas essa, tirar talvez o pé da força para negociar,
08:39pode impactar alguma coisa?
08:40Ou você acha que está garantido em janeiro?
08:41Aquela pergunta, né, que compromete.
08:44Está garantido ou não?
08:45Eu acho que não tem nada garantido.
08:47Eu acredito que, paralelamente,
08:50a gente tem conversas de negociações com esses outros blocos,
08:54como China e Estados Unidos,
08:55e eles vão usar esse maior prazo
08:58para conseguir barganhar coisas maiores com os Estados Unidos e com a China.
09:02Então, não tem nada garantido.
09:05Isso pode azedar muito rápido.
09:07E o Brasil, ele tem que ficar de olho,
09:09porque ele seria o maior prejudicado caso isso continuasse parado.
09:13Ulisses Dias, queria muito agradecer a sua participação aqui no Real Time.
09:18Uma ótima segunda-feira para você e um bom Natal, meu amigo.
09:22Parabéns pelo tema relevante,
09:23pelo trabalho maravilhoso que vocês fizeram em 2025.
09:26Muito obrigado, viu, Ulisses?
09:28Grande abraço para você.
09:29Tchau, tchau.
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