A dívida pública federal avançou em outubro, impulsionada pela demanda por títulos atrelados à Selic. Léo Valente explicou o impacto do juro de 15% e o aumento da participação de investidores institucionais. Mariana Almeida analisou os efeitos estruturais no custo da dívida.
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00:00A dívida pública federal registrou alta em outubro, impulsionada pela emissão de títulos atrelados aos juros.
00:07De acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o estoque teve um avanço de 1,62% entre setembro e outubro.
00:16O indicador já havia ultrapassado em agosto a marca dos 8 trilhões de reais pela primeira vez.
00:23E para comentar esse assunto, eu falo ao vivo então com o Léo Valente, que tem todos os detalhes.
00:29Oi Léo, bom dia para você, uma ótima sexta-feira para a gente.
00:33Quais são as explicações então, além dessas informações que eu já dei, sobre esse recorde então e o aumento da dívida pública por conta desses títulos atrelados aos juros?
00:47Oi Paula, bom dia para você, bom dia para todo mundo que está acompanhando a gente no Agora.
00:51Um dos motivos é o aumento do número de investidores interessados principalmente em ter rendimentos atrelados à taxa de juros aqui no Brasil, a Selic, que está em 15%.
01:02Com esse valor elevado houve um aumento e isso está relacionado com aquilo que a gente falou no dia de ontem, aqui no Agora também, falando sobre o recorde de investimentos e de compras do Tesouro Direto no mês de outubro,
01:18comparado com os meses anteriores e também com o ano anterior em que houve esse aumento.
01:24A participação, por exemplo, dos títulos ligados à taxa de juros, aos 15% ao ano da taxa básica de juros aqui do país subiu para 48,1%.
01:36E como há mais interesse, o governo também se compromete a ter mais pagamento com esse volume da dívida.
01:46Então, esse interesse dos investidores, a maior parte deles são instituições financeiras, de acordo com os dados divulgados,
01:54como, por exemplo, tem uma participação de 32,2% desse estoque, seguido pelos fundos de pensão com 22,9%.
02:02Então, esse interesse, esse volume de compra maior também significa um compromisso maior de dívida que o governo tem com esses detentores de títulos
02:11e também mostra uma confiança no pagamento, no compromisso do governo de honrar esses pagamentos com títulos da dívida.
02:24Com relação aos outros papéis, houve um crescimento, mas não tanto assim, porque significa uma confiança ainda maior,
02:31já que prazos também indicam essa confiança que o investidor tem, que o governo vai pagar essa dívida acima dos 4 anos, de 5 anos.
02:43Muitos desses papéis têm um prazo médio de rendimento de 2 anos, o que indica essa preferência entre os papéis.
02:53Tanto por aqueles atrelados à Selic, como também aqueles que têm um vencimento mais curto.
02:59No caso dos pré-fixados, eles perderam um pouco do interesse por causa, claro, desse volume maior pago por aqueles atrelados aos 15% da taxa básica de juros.
03:13Como você falou, em agosto já tinham superado essa barreira dos 8 trilhões de reais e a expectativa, o estoque da dívida pública federal deve encerrar o ano entre 8,5 trilhões e 8 trilhões e 800 bilhões de reais.
03:30Com o governo também levando em consideração e tendo uma média de pagamento de 4 anos para essas dívidas emitidas, esses compromissos feitos com esses detentores de papéis do governo.
03:45Falando agora dos outros investidores, a gente falou sobre as instituições financeiras, sobre os fundos de pensão.
03:49Os fundos de investimento representam 21,2% desses investidores, dos detentores de títulos da dívida pública.
03:58Não residentes, que são os estrangeiros, 10,46%.
04:01Houve um crescimento, apesar das tensões entre o Brasil, no caso, levando em consideração e lembrando também das taxas, das sobretaxas aplicadas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros.
04:15E também nas tensões internacionais, já que também existe influência desses outros fatores, quando os investidores veem o que pretendem, onde pretendem colocar seus investimentos,
04:27que títulos de dívida pretendem comprar, no caso da dívida pública federal, falando aqui do nosso caso do Brasil.
04:34Outros grupos representam 13,2% desse total aqui.
04:40Como eu estava falando, o prazo médio da dívida pública oscilou de 4,16 para 4,14 anos.
04:46Essa é a forma com que o Tesouro trabalha, falando sobre essas estimativas.
04:50Não usa meses, mas sim anos, para falar sobre o prazo desse pagamento, do andamento dessa dívida, do refinanciamento do que é necessário para pagar essa dívida pública.
05:05Já falando sobre o colchão que o governo tem para fazer frente, para honrar os pagamentos das dívidas que vencem nos próximos meses,
05:14há uma avaliação, a análise que se faz, a estimativa que se tem dos recursos financeiros,
05:21é que o governo tem até recursos suficientes para oito meses.
05:26O que o governo tem cobre até 8,8 meses dos vencimentos da dívida pública.
05:33E nos próximos 12 meses, a previsão de vencimento é de 1,4 trilhão e 434 bilhões em títulos federais.
05:41Ou seja, aquilo que o governo tem que pagar, tem que honrar com esses pagamentos desses títulos, com os juros e também com os prêmios que são atrelados a muitos deles.
05:51Paula.
05:52Muito obrigada, Leo Valente, por essas informações iniciais nessa manhã de sexta-feira.
05:58Daqui a pouco a gente volta.
06:00Obrigada.
06:00E quem já está comigo aqui hoje, Mária Almeida, como sempre.
06:05Mária, chegamos ao final de mais uma semana e começando aí com um assunto que inclusive já tínhamos debatido ontem,
06:12sobre essa história dos novos participantes entrando para os títulos do Tesouro Nacional.
06:20Então, primeiramente, bom dia para você.
06:22E vamos discorrer aí um pouquinho sobre isso, né?
06:26Muita gente entrando.
06:27Vai ficar mais fácil para o governo, de repente, melhorar a sua dívida pública?
06:31Bom dia, Paula.
06:32Bom dia para todo mundo que acompanhou a gente a semana toda e uma ótima sexta-feira.
06:36Olha, o mercado de títulos da dívida brasileira, nessa semana, ele já vinha, já vem se tornando mais robusto.
06:44E essa semana a gente tem as notícias aí com essa entrada mais significativa e até surpreendendo o próprio governo.
06:50Acho que é um selo de atingimento de um patamar relevante do ponto de vista da importância que ele tem no mercado financeiro como um todo.
06:59E aí, isso foi um trabalho ativo também do Tesouro, que passou a oferecer formas de entrada no Tesouro Nacional diferenciadas.
07:10Então, não é um único modelo de título da dívida, ele foi criando modelos simplificados, foi entrando em aspectos que facilitam o investimento também por parte de pequenos investidores,
07:21tornou mais compreensíveis os mecanismos de remuneração desses títulos.
07:25Então, tem uma série de fatores que, na prática, fazem com que exista mais gente que queira, esteja disposto a lá e comprar títulos do governo, emprestar para o governo brasileiro.
07:35É por isso que aumenta a dívida, porque mais gente também quer emprestar.
07:38E esse querer emprestar além dessa facilitação, obviamente, vem porque a taxa de juros é muito alta.
07:43Então, é um empréstimo para, basicamente, super seguro.
07:47Por que seguro? Porque você está emprestando para o governo.
07:49É o governo que emite a moeda, é o governo que faz a gestão da economia.
07:53Então, não tem um calote muito significativo colocado.
07:58Aliás, o principal calote que o governo dá para quem investe é se, por acaso, ele gasta muito e promove inflação.
08:04Porque daí você até ganha de volta o seu dinheiro, mas ele vale menos.
08:06Então, o calote de dívida principal nosso de risco aqui tem a ver mais com inflação do que propriamente não pagamento.
08:13Então, investir na dívida pública tem essa consideração importante, que é a redução de risco.
08:20Bom, do ponto de vista do médio prazo, o que isso pode significar?
08:24Na medida que vão se diversificando os credores do governo, tem mais gente emprestando para ele,
08:29mais gente que acompanha isso, acaba tendo uma maior segurança do ponto de vista do portfólio mesmo governamental.
08:37Isso pode, no médio prazo, começar a deixar a taxa de juros necessária para ter arrecadação,
08:43para ter captação de recursos, menor.
08:45O Brasil tem um patamar de taxa de juros muito alto.
08:48Comparado no mundo, é a segunda maior taxa de juros.
08:50O que, se a gente considerar taxa de juros como uma remuneração de retorno, é meio incompatível.
08:55Não que a economia brasileira esteja entre as menos arriscadas, mas também não é entre as mais arriscadas.
09:00Então, o posicionamento relativo é sempre um debate entre economistas.
09:06E aí, um dos aspectos, para não entrar muito a fundo nisso agora, mas um dos aspectos pode ser exatamente esse.
09:11Falta de diversificação, falta de tradição em termos de quem é que empresta para o governo.
09:15Se essa hipótese é verdade e se agora temos mais gente fazendo parte disso,
09:19mais gente querendo estar nesse mercado, pode ser que esse prêmio acabe caindo ao longo do tempo.
09:24Então, não é o fator direto conjuntural da inflação, mas é o fator mais estrutural,
09:29de novo, da composição de quem está operando com títulos da dívida pública brasileira.
09:33Isso é verdade nos países desenvolvidos.
09:35Eles têm muito mais gente que opera, muito mais gente que depende disso,
09:38portanto, que tem interesse em seguir com o estar na operação do governo,
09:45portanto, menos volátil em relação à taxa de juros.
09:47O que não é a situação no Brasil em geral, mas quem sabe estejamos caminhando para isso.
09:51Então, é um sinal estrutural importante que traz a gente para debater algumas coisas
09:58que às vezes ficam só muito secundarizadas, porque a gente debate sempre o que está no dia.
10:02Mas o dia de hoje traz notícias importantes para pensar o futuro
10:06e dar, quem sabe, uma luzinha no final do túnel de que o mercado de dívida pública brasileira
10:10esteja atingindo um patamar de maior robustez, maior diversificação
10:13e, quem sabe, mais maturidade para poder baixar juros.
10:16Obrigada, Mari. Daqui a pouco a gente volta com mais análises exclusivas.
10:22E você aí de casa, está vendo esse QR Code que aparece bem no cantinho da sua tela?
10:26Todo o nosso conteúdo está lá no YouTube e você pode rever.
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10:38para você acompanhar toda a nossa programação ao vivo,
10:42além de análises exclusivas, como essa que a Maria Almeida acabou de fazer
10:46e entrevistas com quem toma a decisão.
10:49Então, pegue seu celular, aponte a câmera aí para o QR Code que está na tela
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