00:00Vai falar sobre a questão das críticas com relação ao feedback, ao retorno, né, de um trabalho, até de comportamento
00:09também, né?
00:10Essa pesquisa mostra a dificuldade em criticar, em cobrar prazos e também discordar da liderança.
00:18Foram 72% dos entrevistados se consideram bons comunicadores, ou seja, quase 80% aí, se a gente considerar uma
00:30faixa aí dos 100%, não, eu sou bom comunicador.
00:32Porém, 42% dos entrevistados admitem a dificuldade de criticar, de criticar e também, consequentemente, de ser criticado, André.
00:42É a tal da TPF, né, como eu costumo dizer, atenção pré-feedback. Chegamos na época dela agora dentro do
00:49mundo corporativo.
00:50É a época do ano que a gente, de alguma maneira, tem que fazer os acordos pra o ano que
00:55começa agora, onde a gente tem que combinar.
00:57O que a gente vai fazer? Quais são as metas? De que forma eu gostaria que você fizesse essas metas
01:04acontecerem?
01:04Quando já não tem essa conversa, já começa a primeira encrenca.
01:08A gente não combina qual é o jogo que vai ser jogado e aí depois a gente quer cobrar aquilo
01:12que a gente não combinou anteriormente.
01:14Então, essa é a primeira bobagem que a gente faz.
01:17A segunda bobagem que a gente faz é a gente acreditar que o feedback, ele só acontece naquilo que muitos
01:24líderes dentro das empresas costumam chamar do momento formal, entre aspas.
01:29Ou seja, quando você tem um processo de avaliação de desempenho junto com esse momento de feedback.
01:36O que não deveria ser.
01:38O correto é que o feedback fosse sempre dado o mais próximo possível do fato gerador.
01:45Seja esse um fato positivo, seja esse um fato negativo.
01:49Senão é aquilo que eu digo, né, o feedback vira vingança.
01:52É aquele líder que vai chegar agora e vai falar assim, você se lembra do que aconteceu em setembro do
01:56ano passado?
01:57Quando isso acontece, parece um nome de filme de terror, não parece feedback.
02:00Como é que eu vou ter escuta para uma coisa assim?
02:03Não vou.
02:04Doutor, uma curiosidade.
02:05Esse dado, assim, me dá uma sensação e me faz pensar muito nesse, às vezes, nesse excesso de desejo que
02:11a gente tem como brasileiro de agradar ao outro.
02:13Ah, é fofo.
02:14E eu até achei muito alto aí o número do pessoal fala assim, ah, eu me considero um bom comunicador.
02:19Porque eu acho que se fôssemos bons comunicadores, a gente conseguiria lidar melhor com isso.
02:23Como conciliar essa questão de eu quero ser bem relacionado e bem quisto no meu trabalho, mas ao mesmo tempo
02:29eu tenho que saber ouvir e tenho que saber falar?
02:32É porque é isso, né?
02:33A assertividade da comunicação é uma escolha.
02:36Onde é um comportamento que eu escolho entre não ser agressivo e não ser passivo.
02:41É um caminho de meio.
02:43É quando eu digo aquilo que tem que ser dito, mas eu respeito o outro.
02:48Eu nem desqualifico, nem eu jogo confete, fico floreando demais, pra que eu não possa endereçar aquilo que tem que
02:55ser endereçado.
02:56Porque o feedback é a única chance que eu tenho de mudar.
02:59É a única coisa que torna claro aquilo que pro sujeito é obscuro.
03:04É, doutora, eu tenho duas perguntas.
03:06Uma é, executivos que normalmente vêm de fora, eu tenho alguns amigos que vieram de fora trabalhar no Brasil,
03:12e eles têm uma certa dificuldade de adaptabilidade, né, na hora de dar feedback.
03:16Eles não são grossos, mas eles são assertivos.
03:19Mas no Brasil, nós temos uma cultura que em muitos momentos ser assertivo é visto como uma grosseria.
03:26Então, qual é a melhor forma que a senhora recomendaria a eles?
03:30Qual que é a melhor abordagem em termos de palavras?
03:33Como abrasileirar esse feedback de uma forma que ele fique nessa questão cultural,
03:39talvez, que nós temos de uma hiper vontade de agradar,
03:43mas, ao mesmo tempo, ele consiga transformar um erro em uma crítica direta e que vai gerar alguma modificação.
03:50Dá o passo a passo pra gente.
03:51É, vamos lá.
03:52Eu gosto muito da gente sempre começar a dar o feedback, dizendo qual é a minha intenção,
03:57que eu tô aqui com esse feedback.
03:58Olha, eu tô aqui pra falar algo com você que provavelmente você não vai gostar de ouvir,
04:03que não é fácil pra mim falar, mas que se eu tô aqui pra falar,
04:06é porque eu entendo que isso é importante pro seu desenvolvimento.
04:09Então, eu mesma tô aqui, imbuída de coragem, e vou falar pra você.
04:14Então, a primeira coisa é, declare o seu propósito com essa conversa.
04:18Segunda coisa, feedback é sempre sobre comportamento.
04:21Então, você tem que ter muito cuidado pra não cair na casca de banana do julgamento.
04:26Então, uma coisa é você chegar pra pessoa e dizer assim,
04:29no último mês você chegou x vezes atrasadas e isso deu tantos minutos de atraso.
04:35Outra coisa é dizer, você não é comprometido e chega sempre atrasado.
04:40generalizações, suposições, tudo isso são coisas que tiram a escuta do outro.
04:45Aí o outro não quer escutar absolutamente mais nada.
04:49E terceira dica, feedback é momento de troca, não é só você que fala.
04:54Você tem que abrir momento pro outro falar.
04:56E eu também gosto de já combinar isso.
04:59Então, eu vou começar falando, eu vou explicar, mas depois eu vou querer te ouvir.
05:03Podemos combinar essa lógica, essa ordem?
05:05E a gente pode dizer que não é pessoal?
05:07Sempre.
05:08Por mais que pareça.
05:10Quando eu vou em cima de fatos, nunca parece.
05:12Quando eu vou em cima de julgamentos, sempre parece.
05:15Aí é a crítica pela crítica.
05:17Em cima do fato, não.
05:18Tá aqui, é dado.
05:19Você é evidência.
05:21Você não chegou no seu horário.
05:23Eu não tô dizendo que você não é comprometido.
05:25Eu quero saber por quê.
05:26Mas a frase contra dados não há argumentos, é real?
05:29É real, é real.
05:30Mas tem muitas vezes que foca mais na pessoa do que nos dados.
05:32Sim, claro que tem, gente.
05:34Tem muita gente que se vitimiza por absolutamente tudo, né?
05:37Tem os alecrim dourado, a gente não vai negar isso, né?
05:40Os princesos.
05:41Isso eu não tô negando a realidade, gente.
05:43Tem, claro que tem, gente.
05:45Tem o de açúcar, tem tudo.
05:47Agora, quando você chega e fala assim, então faz o seguinte.
05:50Para, vai pro cantinho.
05:51Pensa, reflete.
05:53Vamos combinar?
05:54Daqui a uma semana você volta e me diz o que que você, disso daí, ficou pra você?
05:58Uma dúvida.
05:58Tem uma técnica que eu já vi em alguns vídeos sobre, que é começar com um reforço positivo.
06:04Começar com um reforço positivo é, olha, você fez isso certo, você fez aquilo, parabéns por isso.
06:09Mas?
06:10Mas?
06:10Isso é bom, não é bom você recuperar ou não?
06:12Gente, olha, isso aí se vendeu muito a consultoria.
06:15Só um pouquinho que eu vou dar um tchau pro pessoal da rádio.
06:18E voltamos aqui.
06:20Olha, como se vendeu consultoria com isso.
06:23Isso se chama feedback sanduíche.
06:25Eu digo, gente, ninguém é hambúrguer, gente.
06:27Mas eu queria fazer uma provocação.
06:28Por que fazer fofoca é mais fácil?
06:31Não teríamos uma adaptação da fofoca para um feedback positivo?
06:35Tem, chama-se feed foca, inclusive.
06:37Eu chamo isso.
06:38Feed foca lá em Minas é o filho da foca.
06:40Eu ouvi falar que você não fez.
06:42Não, não, não.
06:42Você é o chefe e fala assim, olha, eu ouvi falar que você não fez.
06:45Olha só, não, é pior.
06:45Eu falo assim, eu te chamei aqui porque falaram que você...
06:49Nossa, isso é uma desgraça, gente.
06:51Isso dá carro riscado na garagem do prédio, entendeu?
06:53Quem falou?
06:54É a primeira coisa.
06:55E às vezes ninguém falou, né?
06:56E ninguém falou.
06:57Você não pode dar um feedback em cima do que o outro falou, gente.
07:01Olha a sua fofoca sendo aproveitada por algo bom, então.
07:04Pois é.
07:06Assim, ninguém...
07:08Verdadeiramente, isso pra mim é um valor muito grande.
07:10Eu não acredito que alguém sai de casa todo dia com o único e firme propósito de me sacanear.
07:16Ah, tem, tem, tem, tem, tem, tem.
07:17Não, não tem, não tem, Fernando.
07:18Você não é tão gostoso quanto você pensa.
07:20Não, não é, não tem.
07:20Não é aqui não, mas tem, tem, tem, tem, tem, tem.
07:23Não, não tem, gente.
07:24Hoje eu acordei querendo sacanear o fulano.
07:26Não, um dia é ok, mas todo dia não, não tem.
07:29Então assim, muitas vezes a pessoa incorre num comportamento que não é legal...
07:32Acha que tudo é em torno dela, né, doutora?
07:34É, e ela precisa...
07:36É sobre isso que a gente precisa conversar.
07:38O que que acontece com o ego dessa pessoa?
07:40Por que que ela leva tudo pro pessoal?
07:42Este é o comportamento que a gente tem que conversar.
07:45Não é ficar corrigindo tarefa.
07:46Feedback é sempre sobre comportamento.
07:49A gente tem que tornar claro pro indivíduo aquilo que pra ele é obscuro.
07:53É aí que a gente trabalha no desenvolvimento.
07:54Isso vale pra dentro de casa?
07:56Sim.
07:56Eu sei que a gente tá falando profissional mesmo, mas...
07:57Claro que vale.
07:58O marido quer falar com a esposa, ou quer falar com os filhos, ou o filho quer falar com o
08:00pai?
08:01Vale, e aí use sempre o princípio da comunicação não violenta.
08:05Você começa dizendo quais são os fatos, depois você fala do seu sentimento diante desses fatos,
08:13explica qual foi a sua necessidade que não foi atendida e faça o seu pedido.
08:18Como dar feedback pra geração Z, né?
08:20Ah, essa é boa.
08:21Porque ela é um pouco sensível.
08:22Eu tenho casos aí que eu sei que ela começa a chorar.
08:25Pelo zap, pelo zap.
08:27Não, pelo zap não.
08:27Como que faz?
08:27Tem uma diferença de geração na hora de você imaginar esse feedback?
08:32Então eu tenho que ser mais sensível?
08:34O que que eu devo fazer?
08:34Quando você usa o princípio da comunicação não violenta, se você estrutura a comunicação
08:40se baseando nos dados e fatos, colocando o seu sentimento e não apontando o dedo e colocando
08:46sobre o sentimento do outro, dizendo qual é a sua necessidade que não foi atendida,
08:51fazendo um pedido, exemplo clássico.
08:53Todas as vezes, na última semana que eu tentei conversar com você, você estava olhando
08:59o seu celular.
09:00Quando você faz isso, eu me sinto completamente invalidada.
09:03Isso acontece comigo aqui, Dias, eu preciso te falar isso.
09:06Já tô ensinando, o resto é a dica, tá?
09:08É verdade, eu...
09:08É verdade, eu...
Comentários