Após anos de colapso, a Argentina registra superávit pela primeira vez em uma década e inflação em queda para 25%. A vitória de Javier Milei reacende o interesse de grandes gestoras globais. A notável Fernanda Rocha analisa o novo ciclo econômico e o impacto para o investidor brasileiro.
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00:00Depois de anos de colapso e fuga de capital, a Argentina volta ao mapa dos investidores internacionais.
00:07A vitória expressiva de Javier Milley nas eleições legislativas reacende o interesse de grandes gestoras globais no país.
00:14O déficit primário caiu, a inflação vem cedendo e, pela primeira vez em muito tempo, o mercado vê previsibilidade nas políticas econômicas.
00:23Para analisar esse momento do país vizinho e o interesse do mercado, eu converso agora com a Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Brava e nossa comentarista de todas as segundas aqui no Radar.
00:34Tudo bem, Fernanda? Boa noite.
00:36Tudo bem, Turci? Boa noite. Boa noite a todos.
00:38Fernanda, a política fiscal mudou, isso a gente tem acompanhado com o Milley, mas o humor global com ativos emergentes também mudou, também está ajudando nesse movimento?
00:48Você trouxe os dados também da Argentina aqui para a gente.
00:50Perfeito. Nada é algo isolado, né? Eu acho que foi uma conjuntura que favoreceu esse momento que estamos vivendo e que é uma alegria porque estamos falando de emergentes e isso puxa também, de alguma forma, o Brasil.
01:04Então, voltando um passo para trás e entendendo esse movimento macro, a gente teve com a taxa de juros nos Estados Unidos muito alta por bastante tempo, alta para o nível dos Estados Unidos, sugou muito capital para lá.
01:20Agora, como começou a arrefecer, começou a baixar um pouco a taxa de juros lá, começou esse capital a voltar para outros lugares, né?
01:31E um das projeções de crescimento, onde tem a simetria de ganhos, estão nos emergentes.
01:38Então, por isso que hoje também vimos a nossa bolsa batendo recorde histórico e então isso vem também para o Brasil.
01:46Mas como o argentino está fazendo o seu tema de casa, está organizando a sua casa, está de fato com uma política fiscal contracionista, então diminuindo seus gastos, né?
01:57Então, diminuiu na parte do Senado, diminuiu o gasto público de verdade, diminuiu também subsídios.
02:06Então, está fazendo menos incentivos, né?
02:10Gastando menos, eu acho que é esse que é o resumo, né?
02:12Então, está conseguindo fazer um gasto também mais eficiente.
02:16Então, a gente vê, depois de muito tempo, as reservas internacionais aumentando.
02:21A gente consegue hoje ver sinais de melhora na produção também.
02:26Então, a Argentina, a gente pode dizer que ela melhorou estruturalmente.
02:30Aqui a gente tem a inflação anual, foi de quase 118% no ano passado, né?
02:36E aí vem uma evolução.
02:37Exato.
02:38Então, esse ano a gente, agora em abril, está com a menor nível desde 2021, projetando uma inflação de 25%.
02:47Isso é uma vitória absurda, falando de vindo de 120%.
02:51Então, isso realmente é uma grande vitória.
02:54E não só isso, eu acho que essa melhora estrutural ocasionou que os Estados Unidos trouxeram, fez também um swap.
03:06Então, é uma operação de crédito barra swap, como se fosse uma vitrine de capital ali, que melhora o balanço das reservas internacionais da Argentina.
03:14Mas também ajuda a controlar o câmbio, que era um dos maiores ali, calcanhar de Aquiles, podemos dizer assim.
03:21Uma das maiores fragilidades da Argentina era essa instabilidade do câmbio, essa falta de reservas internacionais para conseguir controlar esse câmbio.
03:30E hoje, os Estados Unidos, com esse respaldo, com essa confiança, trouxe também confiança de grandes gestores.
03:37Então, olhando para esse caso de recovery, né?
03:40É um grande alinhamento ideológico aí também, que pesa bastante para essa necessidade de apoio.
03:47Agora, o Goldman Sachs fala em um ponto de inflexão na economia argentina.
03:51Que sinais concretos você vê hoje de credibilidade?
03:55O que ainda falta para transformar essa recuperação de mercado em um ciclo sustentável, inclusive do ponto de vista de emprego?
04:03Porque tudo isso foi bastante comprometido pela política de austeridade, né?
04:06É, o ponto de inflexão é aquele famoso vai ou racha, digamos assim.
04:10Ou ele ia para o colapso absoluto ou enfrentava o problema.
04:15Então, olhava, entendia e colocar, fazer esses ajustes é criar dor.
04:21Então, não é fácil organizar as contas de uma família, por exemplo.
04:26Então, começando por esse exemplo, a gente sabe o quanto é difícil realmente fazer a coisa certa.
04:31Então, esse novo governo do Milley, ele veio já com essa proposta de fazer essas reformas e colocar isso em prática.
04:41E ele, de fato, está conseguindo.
04:43Ele teve uma certa estabilidade quando tiveram as eleições ali em Buenos Aires,
04:48onde mostra que não é uma hegemonia, ele não tem o favoritismo no absoluto.
04:54Então, existe ali uma fragilidade.
04:55Quando ele ganhou agora, nas mid-turns, né?
04:58Então, ele conseguiu muito mais força para colocar isso em prática.
05:02Então, eu acho que essa credibilidade de ter, de fato, esse caso de reconstrução da Argentina,
05:10ela vem agora com essa força que ele ganhou, que é como se...
05:16A expectativa de colocar tudo isso em prática aumentou bastante.
05:19E aqui a gente tem mais alguns dados, né?
05:22Em 2024, o primeiro superávit em mais de uma década no nosso país vizinho.
05:27Exato.
05:27Então, ele estava com...
05:30Quando a gente entende ali essa questão da inflação,
05:34é quando a gente tem um descompasso entre oferta e demanda.
05:37Então, quando a gente tem muito mais gente comprando do que produzindo, ofertando,
05:42isso acaba tendo que trazer muita coisa de fora.
05:45E o que que acontece?
05:47Um desequilíbrio no superávit.
05:50Então, eles estavam importando muito porque o peso estava muito desvalorizado, né?
05:56Então, ele estava precisando ter uma reindustrialização, produzir mais.
06:01Aqui está projetando um crescimento e logo abaixo a gente vê a média do crescimento dos emergentes.
06:07Então, se vê que a média dos emergentes aqui da América Latina, desculpa,
06:12é de 2,30 a expectativa de crescimento.
06:14Quando a gente olha para a expectativa de crescimento da Argentina, a gente vê um crescimento a maior.
06:19Então, isso também é bastante interessante, ainda mais olhando que os preços da Argentina estão muito descontados ainda.
06:27E os bônus soberanos subiram até 50% e gestoras voltaram a comprar ativos argentinos.
06:33Isso.
06:34Isso é uma aposta de curto prazo ou há fundamento para ver a Argentina com toda a história dela, né?
06:40Como um exemplo agora de reprecificação estrutural.
06:44Exato.
06:45A precificação dos bondes da Argentina, ele começou como uma alocação tática, né?
06:50Algo de oportunidade, assim.
06:52Mas hoje, com essa amostra, com essa confiança que veio desse grande swap de 20 bi dos Estados Unidos, de dólares,
07:02e agora essas eleições que foram cruciais, então isso trouxe uma confiança de que a sua alocação não vai ficar sendo apenas tática.
07:11Ela pode ser uma alocação para ser carregada, né?
07:12Uma alocação estratégica.
07:14E que lição o investidor brasileiro pode tirar desse caso, por exemplo, né?
07:19É um exemplo de que o mercado precifica antes a mudança institucional do que o resultado econômico também?
07:25É.
07:26O mercado financeiro, ele se adianta muito, né?
07:29Ele tenta fazer, acertar.
07:32Ele tenta beber água limpa.
07:34Então, a gente fala que quem chega antes bebe água limpa.
07:37Então, é mais ou menos isso.
07:38É quem consegue ter aquela visibilidade, até aquela visão de que algo vai ir para um caminho bom,
07:45que ali tem um potencial de ganho.
07:47Eu acho que esse é a sede do mercado financeiro.
07:53E o que está acontecendo, que eu acho que é legal pontuar,
07:56que hoje a gente tem Argentina, México e o Brasil.
08:01O Brasil hoje, ele é visto principalmente como carry trade.
08:04Ele é aquele lugar onde eles vêm para pegar juros.
08:07A gente está pagando um juro real de 10%, né?
08:11Que a gente está com uma média de 5% de inflação, mais 10%.
08:15Então, isso realmente é algo muito atrativo.
08:18Então, a gente tem que observar que quando começarmos a baixar a nossa taxa de juros,
08:23pode ser que a gente se torne um pouco menos interessante.
08:25O México, ele vem para cumprir aquela lacuna que é a do near shoring,
08:30que é trazer a produção para perto dos Estados Unidos.
08:34Então, eles estavam muito dependentes de China, Índia, então logística, o IST.
08:41Então, tudo isso ficava um pouco prejudicado.
08:44E depois da pandemia, com todas aquelas questões dos transportes e tal,
08:48então o México, ele veio para cumprir essa lacuna.
08:50E a Argentina hoje é o case de recovery mesmo,
08:53que é pegar esse potencial de crescimento que estava muito para trás
08:58e que agora tem uma perspectiva aí muito positiva.
09:01Então, acredito que seja uma alocação estratégica para carregar.
09:07Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo,
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