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Após o encontro entre Lula e Trump na Malásia, Brasil e EUA deram início a uma nova rodada de negociações sobre tarifas e comércio. Otaviano Canuto, ex-vice do Banco Mundial, avaliou que há chance de reduzir os 40% adicionais aplicados pelo governo americano, mantendo competitividade do Brasil e abrindo espaço para investimentos estratégicos em minerais críticos e terras raras.

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Transcrição
00:005h42. Depois do encontro entre Lula e Donald Trump na Malásia, Brasil e Estados Unidos abriram uma nova rodada de conversas
00:08para tentar reduzir tensões comerciais e rever as tarifas impostas a produtos brasileiros.
00:15O movimento também acontece enquanto Washington e Pequim retomam o diálogo.
00:20Para analisar esses últimos movimentos da guerra tarifária, a gente conversa agora com o Otaviano Canuto,
00:26ex-vice-presidente do Banco Mundial e ex-diretor executivo do FMI.
00:31Canuto, boa tarde para você. Obrigado pela sua participação mais uma vez com a gente aqui no Radar.
00:35Queria primeiro saber a sua impressão geral dessa reunião, Canuto. O que você achou?
00:42Boa tarde, Fábio. Prazer estar aqui de volta. Também hoje estou no Policy Center para o Edmissal.
00:48A reunião, digamos assim, deu um resultado dentro das circunstâncias que se esperava,
00:59visivelmente, os sinais favoráveis de chegar a algum tipo de acordo já tinham sido dados lá
01:07durante a reunião da Assembleia das Nações Unidas.
01:11Eu quero crer que, provavelmente, a pauta dessa negociação já foi discutida
01:18quando o chanceler Mariveira veio aqui em Washington e teve a reunião com o Marco Rubio.
01:26Se um terreno comum não tivesse sido localizado naquela reunião,
01:32não teria acontecido o que aconteceu durante o fim de semana.
01:34Então, agora é uma questão, havia expectativa de anúncios lá na Malásia,
01:39mas não é o caso, as coisas não funcionam assim.
01:42Deve ocorrer algumas reuniões entre os dois lados, os dois técnicos,
01:49e provavelmente se anuncia um acordo nas próximas semanas
01:53que vai conter, provavelmente, eu chutaria, né?
02:00É meu chute aqui.
02:02Uma retirada daqueles 40% adicionais que o Trump colocou naquela carta que mandou ao Brasil.
02:11Não creio que seja imaginável que o Trump vá abaixo daquele mínimo de 10% das tarifas específicas
02:20que ele estabeleceu para os países com os quais os Estados Unidos têm superávit comercial.
02:24E deve ter, do lado brasileiro, coisas como redução das tarifas sobre etanol americano,
02:33etanol de milho, e bem como algum tipo de anúncio de colaboração futura
02:41no que diz respeito a acesso a recursos minerais críticos e a terras raras.
02:48Isso é muito provável.
02:50E vai ter o clamor pelo Trump de que haja promessas de investimentos brasileiros nos Estados Unidos.
02:56Já está de olho na Embraer, que já tem, inevitavelmente, instalações, operações.
03:04É um grande mercado para a Embraer.
03:06E vai querer promessas de aumento desses investimentos brasileiros lá nos Estados Unidos.
03:12Definitivamente, aquela pauta tóxica, digamos assim, chama de política,
03:19que veio com a carta esquecida.
03:22E por aí vai.
03:24Não haverá, até porque não teria nenhum ouvido do lado brasileiro,
03:30qualquer coisa do tipo ceceamento ou tratamento diferenciado em relação aos chineses.
03:38E é o Brasil como fonte potencial de minerais críticos e terras raras aí na linha de frente desses processos.
03:49Quer dizer, Canuto, se eu não estiver errado aqui no entendimento do que você está dizendo,
03:54você está vendo uma evolução na conversa, você está vendo que a questão política ideológica saiu da mesa,
04:00e você está vendo um caminho que tem interesses dos dois lados e que poderia convergir para uma retirada de 40% das tarifas agora,
04:10daqueles 40% adicionais.
04:12A gente ficaria com os 10% sobre a pauta toda.
04:15Isso.
04:16Eu quero crer que esse é o cenário mais provável.
04:19E, evidentemente, o negócio é que cada um tem que mostrar para o seu lado que ganhou alguma coisa.
04:32E o Brasil foi, digamos assim, vítima do aumento do tarifário,
04:40mas, a rigor, a atitude de não começar uma disputa ali, o tit for tat,
04:45revelou-se a posteriori a mais adequada, ele trouxe uma aceleração, uma acelerada,
04:51e o Brasil pode recuperar, mesmo com a tarifa básica de 10% mais alta em relação ao ano passado,
05:01ainda assim, a competitividade onde o Brasil tem no mercado americano poderá voltar a ser a que era.
05:11Rapaz, os preços de café aqui subiram monstruosamente.
05:15Os americanos também não têm condição de ser autossuficientes em carne
05:20ou ter alternativas na mesma magnitude e assim por diante.
05:25Então, as tarifas foram também um pouquinho um tiro no próprio pé para o Trump.
05:36E é isso que deve prevalecer depois de uma ou duas reuniões aí.
05:42E viagens de um para o outro.
05:44O que você está achando, Canuto, da velocidade com que essas conversas estão avançando?
05:49Porque a gente está tendo quase que semanalmente ou semanalmente novos desdobramentos,
05:54seja no nível ministerial, seja agora com essa conversa entre os dois presidentes,
06:01já houve a conversa por telefone semanas atrás, após a conversa dos dois ontem,
06:05já houve uma outra reunião dos negociadores,
06:08e agora o governo está tentando conseguir alguma reunião para a semana que vem em Washington.
06:13dá para dizer que, considerando o que seria a praxe, está andando com rapidez essa conversa?
06:21Olha, a diferença ocorreu lá na reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas,
06:28porque ali quando tem a manifestação pelo Trump,
06:33a coisa ali mudou, tem mudado de figura.
06:36Aquele foi um sinal, inclusive, inesperado para muitos.
06:38e, a partir daí, as coisas aconteceram naturalmente.
06:42O Mauro Eira vem aqui a Washington, tem uma conversa com o Marco Rubio,
06:47o terreno deve ter planificado, e aí tem essa reunião na Amalágia,
06:53e agora não tem por que não ser alguma coisa rápida,
06:56quando eu digo rápida, é uma ou duas semanas,
06:58para que os dois lados se sintam à vontade para anunciar um acordo.
07:03A velocidade ficou maior, é claro, depois do que aconteceu,
07:08do que foi manifesto na Assembleia Geral das Nações Unidas.
07:12E, Otaviano, o que seria crítico para o governo brasileiro nesse momento?
07:17Quer dizer, como não deixar a negociação desandar nesse momento?
07:22Que conselho você daria, vamos dizer assim?
07:26Olha, considerar os itens que estão na pauta pelo lado americano,
07:30vale dizer, no mínimo, como eu disse, tarifas menores sobre o etanol de milho,
07:38os agricultores americanos vão gostar disso,
07:42eles que se sentem, e com toda razão, ameaçados pelo Brasil, escute,
07:50na primeira guerra comercial do Trump com a China,
07:53os chineses deslocaram a demanda de soja inteiramente para o Brasil e para a Argentina.
08:03E isso não reverteu.
08:08Os chineses não voltaram a comprar os produtos americanos,
08:11e os produtores americanos ficam cozinando aqui, os lobes,
08:15porque realmente tomaram uma pancada.
08:16É evidente que não vai acontecer reversão disso pelo lado brasileiro,
08:24a importação do etanol aí é um belo gesto.
08:30E o resto vai ter muita conversa sobre garantia de pleno funcionamento das plataformas americanas do Brasil,
08:40algo que nunca chegou a estar em ameaça, a gente sabe.
08:43Mas, bom, é evidente que duas empresas americanas não gostaram, evidentemente, do PIX,
08:51porque o PIX tirou-lhe uma fonte de renda na intermediação de pagamentos,
08:58mas vão ter que engolir.
09:02E, fora isso, eu quero crer a percepção pelo próprio Estados Unidos
09:11de que a atitude em relação ao Brasil
09:16não pode ser como aquela incorporada na carta pelo Trump.
09:23Escute, eu moro aqui há 21 anos,
09:26e trabalhando nessas instituições multilaterais,
09:30muitas vezes eu estive em debates
09:32e escutava, tem até um belo documentário
09:37do Public Broadcasting System sobre isso,
09:40mostrando políticos americanos, os dois partidos,
09:43virando para os latino-americanos e dizendo
09:45olha, olha, não pega esse dinheiro da China,
09:48a China quer botar você numa armadilha de dívida,
09:51não pega isso e tal.
09:53E aí os políticos latino-americanos, brasileiros, todos eles,
10:01dizendo de volta a escuta,
10:03mas o que é que você oferece no lugar, não é?
10:06Então, a atitude não pode ser simplesmente de bater,
10:13de usar o stick, como se diz em inglês.
10:16Tem que ter carrot, tem que ter cenoura,
10:19tem que ter oferta conjunta.
10:22E aí, nesse sentido,
10:25a percepção é que, dado que não há meio
10:29pelo qual usar o stick com o Brasil,
10:32e o tarifácio não funcionou como stick,
10:35não funcionou como bastão,
10:37a atitude tem que ser bem diferente.
10:39Por isso que eu não duvido muito
10:41que haja alguma manifestação de interesse mútuo usando o financiamento de instituições financeiras dos dois países
10:54para alimentar investimentos de americanos na produção e, quem sabe,
11:01o refinamento de mirais críticos e terras raras.
11:06Acho que esse é o caminho para a frente.
11:08Está certo.
11:10Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial,
11:12ex-diretor executivo do FMI,
11:15e hoje no Policy Center.
11:16Repete para mim, por favor, Canuto.
11:19Policy Center for the New South.
11:21Está certo.
11:22Canuto, muito obrigado pela gentileza de mais uma entrevista.
11:24Boa semana para você.
11:26Valeu.
11:27Um abraço e vai, Corinthians.
11:28Um abraço.
11:29Obrigado.
11:30Vai, Corinthians.
11:31Obrigado.
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