No episódio do programa Na Real desta quarta (17), a bancada discutiu as diversas formas de racismo no Brasil, desde as agressões explícitas até às "microagressões" diárias. Os convidados abordaram a importância da sociedade se posicionar contra o preconceito e o peso psicológico que o racismo impõe em suas vítimas.
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NotíciasTranscrição
00:00E, Dandara, onde que a sociedade civil pode se letrar?
00:04Já que os juízes estão recebendo esse apoio. E nós?
00:07Sim. Hoje nós temos muito mais informação.
00:10Então, aí, né?
00:11A gente olha as próprias redes sociais e a internet,
00:14que também foi muito utilizada nesse caso.
00:16A gente tem muitas pessoas trazendo um conteúdo de altíssima qualidade
00:19falando sobre o tema.
00:21Agora, é fundamental a gente continuar defendendo políticas públicas.
00:25A gente precisa que as nossas políticas públicas sejam mantidas.
00:28A lei de cotas trouxe uma transformação fundamental no ensino superior no Brasil.
00:33Com a presença de pessoas negras.
00:35Que isso, de lá, vão sair também muitos gestores, muitos profissionais.
00:39Então, se a gente tem uma lei de cota que já atenciona esse ambiente acadêmico,
00:43porque essas pessoas negras chegam e elas também estão lá fazendo suas denúncias,
00:47dizendo, olha, não tem como a gente não ter história da África,
00:50não tem como não falar de racismo,
00:51não tem como não ter disciplinas que tragam esse letramento.
00:54Então, são profissionais que vão sair muito mais qualificados.
00:57A partir do momento que uma pessoa negra chega,
01:00seja num espaço escolar, seja no ambiente de trabalho,
01:03ela já altera todo o ambiente de trabalho.
01:05Porque ela já traz ali, com o seu corpo, com a sua memória,
01:09com as suas vivências e experiências,
01:10ela traz esse tensionamento.
01:13Agora, a empresa, e precisa lidar com isso,
01:16as instituições e as empresas.
01:17Como que eu vou lidar com isso?
01:19Eu vou submeter essa pessoa negra,
01:21que eu estou contratando, que eu estou admitindo,
01:23a diversas violências, porque o entorno não está preparado
01:27para lidar com essa diversidade, essa pluralidade,
01:30que não trata a empresa, que existe no Brasil.
01:32Está no nosso cotidiano.
01:34Então, eu preciso ter essa empresa,
01:36essa cultura da empresa preparada para lidar
01:39com esses corpos, com esses sujeitos e sujeitas negras
01:42que adentram esses espaços.
01:44Mas já é uma mudança, já traz um tensionamento.
01:47Porque as pessoas não vão se submeter.
01:48Muitas vezes, se submetem,
01:50eu fiquei pensando que o Nomi falou dos pais, né?
01:53Que falaram assim, ah, isso é normal.
01:55Às vezes, também, falar isso é porque é tão doloroso.
01:58É tão doloroso.
01:59E você quer proteger.
02:00É uma defesa, e você quer proteger o seu filho.
02:03E aí, o que você diz para o seu filho?
02:05Ah, isso é normal.
02:05É assim mesmo.
02:08Só que o nosso silêncio não nos protege.
02:10O nosso silêncio, ele nos adoece, nos mata,
02:14e ainda contribui, de alguma maneira,
02:16para que outras pessoas sintam que o problema é delas,
02:20é individual, e não uma questão sistêmica,
02:22estrutural, coletiva, que é o racismo.
02:24Porque, por exemplo, durante toda essa tentativa
02:26de falar com a ouvidoria, de tentar falar com a empresa,
02:29a empresa não responder,
02:30no fundo, estavam individualizando.
02:32Ou seja, aí, ó, é um problema seu.
02:34Porque se não tem uma resposta,
02:36eu imagino que em algum momento você possa ter pensado isso.
02:38Será que sou eu?
02:39Nossa, várias vezes.
02:41E aí, a gente fica pensando,
02:42será que sou eu que falei alguma coisa errada?
02:45Sim.
02:45Será que sou eu que faço alguma coisa errada?
02:47Eu me culpava pelas ações das pessoas.
02:50Exato.
02:50Pelo que as pessoas faziam, falavam,
02:51nossa, isso é culpa minha.
02:52Porque se não tem um encaminhamento,
02:54e se a gente não tem uma noção
02:56de que a história desse país é toda forjada em violência,
02:59e de que o racismo está muito presente
03:01no nosso cotidiano,
03:02em todas as instituições que a gente tem,
03:04a gente não entende que é algo coletivo,
03:08que é algo que nos afeta e nos oprime coletivamente,
03:11reproduzido pelo Estado, pelas instituições,
03:13e a gente individualiza, acha que o problema é nosso.
03:17Inclusive, eu queria saber, Noemi,
03:19como é que, assim, se hoje alguém...
03:22Porque, assim, eu sei que a realidade dos negros é essa.
03:25Vocês vão sofrer racismo de novo em vários ambientes
03:28e a qualquer momento.
03:30É isso, né?
03:31Eu queria, inclusive, que vocês abrissem um relato
03:33de vocês também, se já passaram por situações parecidas.
03:36Mas, primeiro, Noemi, se hoje essa mulher tivesse feito esse vídeo,
03:41hoje, hoje, qual transformação da Noemi de 18 anos
03:44pra Noemi de hoje?
03:46O que você falaria?
03:48Qual a sua reação diante do racismo?
03:51Hoje, sem medo de expor,
03:53e sem medo de me expor, expoeria.
03:55Óbvio que qualquer coisa que eu conheço de diferença,
03:57eu já ligo a câmera do meu celular.
03:58Eu já falo, não, eu não vou passar por isso de novo, nunca mais.
04:01Eu levantaria, estufaria meu peito e falaria
04:03Quem é você?
04:05Você come a comida que eu como?
04:07Você tem o sangue que eu tenho?
04:08O mesmo sangue que corre nas minhas veias, corre no seu.
04:10Quando você morrer, você vai pro mesmo lugar que eu.
04:12Quem é você?
04:13Eu já começaria perguntando e me impondo,
04:16porque somos todos iguais, gente.
04:18Eu não vejo diferença.
04:19Eu olho pra qualquer pessoa, eu não vejo diferença, gente.
04:23Então, eu conseguiria me impor de uma forma.
04:26Dependendo da situação, a gente vai contornando,
04:29mas eu conseguiria me impor.
04:30E você se orgulha disso hoje?
04:31Oxe, demais!
04:33Porque é uma batalha, né?
04:34Quem vê a diferença é o racista, na verdade.
04:36E eu prevenciei, recentemente,
04:38uma situação em uma padaria lá em Santo André.
04:41Eu falei pro meu esposo, assim, que a gente tava na correria.
04:44Ele falou assim, não faz janta não, vou terminar aqui algumas coisas na empresa.
04:47Vai lá na padaria, compra alguma coisa pra gente comer aqui mesmo,
04:49a gente vai pra casa e descansa.
04:51E eu fui pra essa padaria.
04:52Eu nunca vou lá sem ele, porque eu morria de medo.
04:55E depois desse processo, eu fui sem ele.
04:57Cheguei lá, era umas sete e meia da noite, e tava a filha do dono.
05:01E a forma absurda que ela trata aquelas meninas...
05:05E eu já tava com todo o meu empoderamento aqui.
05:08E elas são super boazinhas, tal.
05:10A gente sempre sentava lá pra comer alguma coisa.
05:12Desse dia eu fui sozinha.
05:13E eu vi ela tratando mal as meninas.
05:15Mas de uma forma, falando assim...
05:18Pega isso desse jeito e gritando, oprimindo as meninas.
05:21Nossa, vocês são um lixo.
05:23E começando.
05:24E tinha muita gente ali, ninguém falava nada.
05:27Aí eu falava, ô, quem é essa pessoa?
05:29Ficava perguntando pras meninas.
05:30Ai, é a filha do dono.
05:32Ai, não sei o quê.
05:33Ah, menina.
05:34Ali eu dei um berro ali.
05:36Eu falei, quem você pensa que é?
05:38Ai, eu sou a dona.
05:38Falei, não, até onde eu sei, você não é a dona.
05:40Já começa por aí.
05:41As meninas merecem respeito.
05:42Ainda eu lembro que eu falei pras meninas.
05:44Quanto vocês ganham por dia?
05:45Vambora.
05:45Eu pago o dia de vocês.
05:46Eu falei, eu sou CLT, mas eu dou meu salário pra vocês.
05:49Falei, vambora.
05:50Vocês não merecem passar por isso, não.
05:51Falei, ó, tem muita coisa melhor.
05:52Ainda perguntei assim pra uma delas.
05:54Eu falei, quantos anos você tem?
05:55Ela tem 17.
05:56Eu falei, e você?
05:5719.
05:57Eu falei, vambora.
05:58Gente, vamos procurar coisa melhor.
05:59Tem coisa muito melhor.
06:01Estão te oprimindo.
06:02Eu falei, sai daí.
06:03O que eu fiquei feliz é que passou umas duas semanas lá.
06:05Nenhuma das duas estava mais lá.
06:06Olha aí.
06:06Eu falei, é muito humilhação.
06:08Querendo humilhar, oprimir.
06:09Hoje em dia, eu já consigo fazer a diferença.
06:12Exatamente.
06:12E esse é o papel da sociedade civil, né?
06:14Noemi deu um exemplo maravilhoso.
06:16A gente, se você presenciar uma situação de racismo,
06:20de LGBTQIA, penimaxfobia, de machismo,
06:23a gente precisa intervir.
06:25Sabe aquela história da violência doméstica e sexual que diz assim?
06:29Em briga de marido e mulher não se mete a colher.
06:31Mete a colher.
06:31Mete a colher, sim.
06:33E em racismo também.
06:34A gente precisa se implicar.
06:36Porque é algo que toda sociedade tem o dever de se comprometer em não reproduzir,
06:42em não deixar que aconteça.
06:44Então, isso é muito importante.
06:46Porque às vezes é uma conversa que você tem com uma jovem de 17 anos.
06:48E muda a cabeça dela, é.
06:49Que faz ampliar as perspectivas, sabe?
06:51A pessoa tá pensando que a vida dela é aquela padaria.
06:54Quando eu vi aquilo, eu me vi naquelas meninas.
06:56Eu falei, elas estão sendo coagidas.
06:58Isso não pode acontecer.
06:59Não existe só isso aqui.
07:01E a impressão que eu tenho ainda é que existe um pacto do silêncio ainda na sociedade sobre isso.
07:07Um medo de falar.
07:09E um medo das pessoas brancas também de intervir.
07:13Porque quem é negro que sabe.
07:16Eu não vou falar por eles.
07:17Ou eu não vou...
07:18Não, a gente precisa.
07:21Estar também se enquadrar.
07:22Como é que você sente isso?
07:24Há muito tempo eu trabalho com isso.
07:27E é impressionante quando a gente vai tomando conhecimento
07:30das mais diversas formas de racismo que a gente começa a observar.
07:33Então, a princípio, a gente pensa que o racismo é um xingamento explícito, expresso.
07:37Que é também gravíssimo.
07:39Mas a gente verifica, por exemplo, no tratamento de um estabelecimento comercial.
07:42Quando você não é atendido.
07:44Olha, ser confundido com segurança ou com motorista.
07:49Não tem nenhum...
07:50Com todo o respeito ao segurança ou motorista.
07:52Mas por que eu não sou confundido com o métri ou com o dono do restaurante?
07:55Você já passou por isso?
07:56Não, muitas vezes.
07:57É muito comum.
07:58Então, e assim...
07:59E essas são microagressões.
08:00Porque o racismo, a ideia, o racismo...
08:03O conceito do racismo, socialmente falando, é uma ideia de que eu sou superior.
08:08Aquela pessoa inferior.
08:09E ela tem um lugar que não é o lugar que eu estou.
08:12Ela não pode frequentar o meu restaurante, o restaurante que eu frequento, a loja que eu frequento.
08:17Então, a gente vê o racismo tanto dos outros clientes como dos funcionários muitas vezes.
08:21Você vai numa loja, a pessoa te oferece o mais barato, por exemplo.
08:25Te oferece...
08:26E você não pediu nada.
08:26Você só está olhando aqui.
08:27São microagressões.
08:29Então, estabelecimentos comerciais é muito comum.
08:32E aí, como a gente vai tratar isso?
08:34Enquadrando.
08:35Enquadrando é...
08:36O que você quis dizer com isso?
08:37Nos grupos de WhatsApp, nos nossos colegas, nossos amigos, não ri mais desse tipo de piadinha.
08:42Eu faço aqui a minha meia culpa.
08:44Eu já fui...
08:45Já tive muitos atos machistas, muitos atos...
08:47E hoje em dia, não mais.
08:48Eu vejo uma piadinha, uma brincadeirinha.
08:50O que você quis dizer com isso?
08:51Me explica, porque eu realmente não entendi.
08:52Você atribui uma característica daquela pessoa a um animal, por exemplo.
08:59Me explica direito.
09:00Faz a pessoa repetir, para ver se ela tem coragem.
09:02Tivemos casos até de influências que deram para a criança banana.
09:05E que foram condenadas, inclusive.
09:08Tivemos também vários casos que a sociedade tem exposto isso.
09:13De uma mulher que pegava o celular e ela ficava ofendendo um rapaz negro.
09:19E eu lembrei, quando você falou dessa situação do chefe, né?
09:22Que nunca é bom comparar um negro com um chefe.
09:25O atleta Wesley Caetano, a gente viu um vídeo dele.
09:28Que é muito, muito impressionante o vídeo.
09:31Ele correndo com um colete, a prova de balas, no Rio de Janeiro.
09:38Porque o branco correndo é atleta.
09:40O preto correndo é ladrão.
09:43E aí ele fez esse gesto para sinalizar o preconceito.
09:49Então ele precisou correr como forma simbólica
09:51de que ele estaria protegido só dessa forma.
09:56É difícil, né, Dandara?
09:58A gente vê a nossa sociedade ainda precisando evoluir tanto enquanto esse tema, né?
10:02É muito difícil.
10:04Ontem mesmo teve um caso no Rio de Janeiro
10:06de uma moça negra que foi numa loja de utilidades comprar.
10:11E esse caso agora está ganhando uma repercussão.
10:12Agora, quando eu vim para cá, eu vi que ele estava estourado na mídia, né?
10:16E ela foi revistada.
10:18Fizeram ela tirar partes da roupa.
10:20Acusada de ladra.
10:21Acusada de roubar alguma coisa da loja.
10:23Ela não tinha roubado nada.
10:24Então, o segurança pegou a bolsa dela, abriu a bolsa.
10:28Revistou a roupa.
10:29Fez ela tirar a parte da roupa.
10:31Ela convulsionou dentro da loja.
10:33Passou mal.
10:34O filho foi chamado porque estava no bairro.
10:37Ela teve que ir para o hospital.
10:38Nossa.
10:39Então, é isso.
10:40A gente está falando aqui ontem, que era o dia do consumidor.
10:42Aí ela foi aproveitar uma promoção do dia do consumidor.
10:45Só que ela não...
10:46Aparentemente, as pessoas negras não são consumidoras.
10:49Não são vistas a partir desse lugar.
10:51São vistas a partir do lugar do roubo.
10:53Então, a gente não pode entrar numa loja sem ser seguido.
10:56É só entrar numa loja de departamento
10:58que você já tem o segurança atrás de você.
11:00Eu tenho medo de mexer em bolsa em loja.
11:02Quando eu vou mexer na minha bolsa na loja, pegar o celular,
11:05eu faço tudo pausadamente
11:06para que quem estiver me vendo
11:08consiga ver todos os meus passos
11:10que eu não estou colocando nada dentro da bolsa.
11:12Então, eu abro a bolsa pausadamente.
11:14Eu tiro o celular.
11:15Como se eu estivesse fazendo por uma câmera,
11:17pedagogicamente,
11:18para provar que eu não estou colocando nada ali dentro.
11:20Eu só estou querendo usar meu aparelho de celular.
11:22Eu sou professora diversas vezes.
11:24Eu chego para dar aula.
11:26Eu chego para dar uma palestra em algum lugar, em algum espaço.
11:29Várias vezes as pessoas me interpelam.
11:31Você que vai trazer o café?
11:32Você vai trocar o café?
11:34E eu falo assim, olha...
11:35Não, eu vim da...
11:36Eu que sou a professora.
11:37Eu vim da aula.
11:38Ah, me desculpa.
11:39Aí a pessoa já fica...
11:40Ai, não, desculpa.
11:41Eu achei que era.
11:42Eu nem olhei direito para você.
11:44Não.
11:44Estava aqui a soberbada.
11:45Porque uma outra ferramenta que usam
11:47é fingir que está doidinha, né?
11:49Uma coisa meio doidinha.
11:50Ai, não vi, desculpa.
11:51De demência.
11:52Estou distraída.
11:53Estou distraída, né?
11:54Então a pessoa fala assim, ai, estava distraída.
11:56Não, a pessoa não estava distraída, né?
11:58Então a gente chega, pessoas negras,
12:00a nossa cor chega primeiro.
12:02E essa cor é toda alvo de estereótipos.
12:05A gente tem histórias únicas sobre pessoas negras.
12:07Nessas histórias únicas,
12:09a gente tem um reforço de estereótipos racistas.
12:11Então é o ladrão,
12:12é a ladra,
12:13é a ameaça.
12:14Então olha como o racismo é macabro.
12:16Ou é a pessoa que é da limpeza,
12:18que está sempre te servindo.
12:20Mas o racismo é macabro.
12:23É um crime macabro.
12:24Porque o algóis se torna vítima
12:26e a vítima é o algóis.
12:27No final, a pessoa que é ali vítima
12:29que se torna o algóis.
12:31Boa prova disso é quando você tem um jovem negro
12:33que é assassinado no chão de um supermercado.
12:35Sim.
12:36Sob a alegação de que ele era um potencial bandido.
12:39Então, como ele podia roubar,
12:42então qualquer ação sobre esse corpo
12:45está justificada.
12:46Porque ele é um potencial ladrão.
12:47E a gente não vai longe?
12:48Vini Júnior,
12:49com toda a fama e com todo o talento dele,
12:52não foi também capaz de não viver.
12:54Não é sobre dinheiro.
12:54Não é sobre dinheiro.
12:56Quando a gente fala de racismo,
12:57a pessoa fala,
12:57ah, mas tem a ver com classe.
12:59Não tem a ver com classe, gente.
13:01Pessoas...
13:02Você vê os filhos também daqueles...
13:04Da Giovanna Eubank e do Bruno Gagliasso também.
13:07Agora também na Zona Sul do Rio de Janeiro,
13:09recentemente,
13:09os filhos daqueles diplomatas na Lagoa,
13:14que eles estavam tentando entrar no prédio,
13:16alugar um apartamento.
13:18Eram negros e não deixaram eles entrarem.
13:21Achando que eles estavam querendo roubar alguma coisa.
13:24Mas aí eram filhos de diplomatas.
13:26O caso veio à mídia.
13:28E a gente pensar também
13:28quantos casos não tem repercussão.
13:31É diário, né?
13:32É uma luta diária mesmo.
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