00:00É a questão do tarifaço do ano passado.
00:02Quando veio a notícia que o governo norte-americano ia tarifar, aumentar as tarifas de diversos países do mundo, não só do Brasil,
00:10e no caso do Brasil a partir de 1º de agosto, criou-se uma situação de verdadeiro pânico aqui no Brasil.
00:16E o senhor teve um papel, todo mundo concorda, extremamente importante nesse processo de negociação com o governo norte-americano.
00:23Como o senhor avalia hoje que nós estamos há cerca de quase seis meses após o anúncio do tarifaço norte-americano
00:31e as consequências disso para a economia brasileira?
00:36Ora, Vila, primeiro agradecer o seu convite, a satisfação de participar do Visão Crítica, agradecer a audiência
00:44e destacar que quando foi feito o tarifaço lá atrás, a posição do Brasil foi correta,
00:52dizendo, olha, o país tem soberania, não pode um país estrangeiro punir o Brasil
00:58porque o judiciário agiu de um jeito, agiu de outro, são poderes independentes.
01:05E de outro lado, não tinha lógica, porque os Estados Unidos tem um déficit na balança comercial muito grande,
01:12com o mundo inteiro, tem um enorme déficit.
01:15Com os países do G20, as 20 maiores economias do mundo,
01:19ele só tem superávit com o Brasil, Austrália e Inglaterra, Reino Unido, só com os três.
01:26Então não tinha nenhuma razão para ter tarifaço.
01:29Quando nós importamos um produto dos Estados Unidos,
01:33de cada dez importações mais importantes, oito não pagam imposto.
01:39É zero, zero, zero.
01:40E a tarifa média é 2,7%.
01:43Então nós mostramos que não tinha nenhum sentido.
01:46O Brasil não é problema para os Estados Unidos, é solução, porque ele ajuda na balança comercial americana.
01:53Então melhorou de lá para cá.
01:55Quando foi lançado o tarifaço, 10 mais 40,
01:59nós tínhamos 37% da exportação brasileira para os Estados Unidos onerada, nos 50%.
02:07Um verdadeiro embargo, né, porque 50%.
02:10Reduzimos para 36%, 34%, 32%, o último número agora é 22%.
02:16Então hoje nós temos 22% no tarifaço, que vamos trabalhar para tirar.
02:23O presidente Lula deve estar indo na primeira semana agora de março,
02:27no início de março, deve estar indo aos Estados Unidos para ter um encontro com o presidente Trump.
02:33Então hoje 22% está nos 50% do que nós exportamos, 51% é 0% ou 10%, então está baixo.
02:44E 27% é chamada seção 232, nós e o mundo estamos iguais.
02:50Por exemplo, aço, alumínio e cobre é 50%, mas é para o mundo inteiro.
02:55Automóvel e autopeças é 25%, mas é para o mundo inteiro.
02:58Então nós vamos nos concentrar agora nesses 22% para excluir o máximo e principalmente produto industrial.
03:07Foi possível o Brasil diversificar seus mercados no campo das exportações,
03:14tendo em vista a questão do tarifácio, quer dizer, ou em linhas gerais.
03:18Fala, olha, nós precisamos diversificar, não ficar dependendo tão de alguns países.
03:21E isso foi uma possibilidade que o governo acabou adotando sob a liderança.
03:26E quando eu digo liderança, o senhor acabou coordenando todo esse trabalho?
03:29Olha, Vila, isso foi que possibilitou, mesmo com o tarifácio, nós temos no ano passado batido recorde de exportação.
03:39O Brasil ano passado atingiu 348,7 bilhões de dólares de exportação.
03:47Exportação recorde.
03:49Por que diversificamos?
03:51O primeiro comprador do Brasil é a China.
03:53O segundo comprador é a União Europeia.
03:57O terceiro é Estados Unidos.
03:59Depois o quarto é a Argentina.
04:01Agora, os Estados Unidos, embora terceiro, é muito importante.
04:05Porque ele compra mais valor agregado.
04:08Máquinas, motores, avião, automóvel.
04:11A China compra muito commodity.
04:14Minério de ferro, soja, milho, café.
04:18Então, é importante você também exportar valor agregado, né?
04:22Agregar valor aos produtos.
04:24Então, mas a diversificação foi importante.
04:26E quero trazer aqui, Vila, uma boa notícia.
04:30O acordo Mercosul-União Europeia é o maior acordo entre blocos do mundo.
04:36São 27 países europeus, os nossos quatro do Mercosul, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
04:47E agora a Bolívia entrou.
04:48Então, cinco.
04:50720 milhões de pessoas e 22 trilhões de dólares de mercado.
04:56Então, é um espaço.
04:57Bom, teve um... faz 25 anos que essa luta é travada.
05:02Finalmente assinou.
05:04Aí houve um questionamento à justiça do Parlamento Europeu, da União Europeia.
05:10Houve um questionamento.
05:12Só que o presidente Lula encaminhou a mensagem ao Congresso, à Câmara Federal,
05:18para internalizar o acordo.
05:21Como também os outros países o fizeram.
05:24Argentina, Uruguai e Paraguai.
05:26Então, se nós aprovarmos nas próximas semanas a mensagem na Câmara e no Senado,
05:36já entra em vigência provisória.
05:39Então, independente da ação judicial, vamos dizer que ela demore um ano
05:44para decidir se juridicamente está tudo ok.
05:47Não tem problema.
05:48Você tem uma vigência provisória.
05:50Então, nós precisamos correr com aprovação no Congresso
05:54para internalizar o acordo.
05:58Internalizado o acordo, ele entra em vigência provisória.
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