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No Visão Crítica, os economistas Ricardo Balistiero e Nelson Marconi discutem o impacto das ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nas tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil. Eles analisam como a articulação do parlamentar nos EUA contribuiu para o agravamento da situação econômica brasileira.

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Transcrição
00:00Mas antes disso, a gente segue nas reflexões e debates e análises,
00:04a produção separou uma manifestação do presidente da república
00:08nesse evento de anúncio, de lançamento desse programa de socorro às empresas.
00:14Vamos acompanhar.
00:15A gente vai continuar teimando em negociação,
00:20porque nós gostamos de negociar.
00:22E nós não queremos conflito.
00:25Eu não quero conflito nem com o Uruguai, nem com a Venezuela,
00:28eu conto mais com os Estados Unidos.
00:30Agora, a única coisa que nós precisamos exigir é que a soberania nossa é intocável.
00:37Ninguém depalpite nas coisas que nós temos que fazer.
00:42Está aí, manifestação do presidente da república,
00:45talvez dando resposta a muitos que entendiam que, a partir do lançamento desse programa,
00:51o Brasil praticamente largava esse processo de negociação,
00:55a tentativa, pelo menos, de avançar com as negociações.
00:59Nós vimos muitas manifestações do vice-presidente da república
01:03na tentativa de avançar com essas tratativas com as autoridades norte-americanas.
01:08Professor Balistieiro, queria escutá-lo.
01:12O senhor enaltece esse movimento do governo federal na apresentação desse programa,
01:16mas é preciso considerar que um outro braço importante é a tentativa de destravar.
01:21A gente precisa olhar também para a estratégia norte-americana,
01:25mas é preciso lembrar que alguns países alcançaram acordos mais interessantes do que uma taxa de 50%.
01:33Eu acho que sim, mas é interessante porque nenhum desses países, por exemplo,
01:38tem um deputado federal nos Estados Unidos conspirando contra o Brasil.
01:42Isso é claro, acho que a gente tem que deixar isso bem evidente.
01:47Você atribui, então, a taxação ao filho do ex-presidente?
01:51Porque há quem diga, há quem faça a seguinte leitura,
01:54que Donald Trump também viu uma oportunidade.
01:56Ele tem se utilizado dessa situação.
01:59Ele viu uma oportunidade e quanto mais nós tivermos, por exemplo,
02:03dentro do parlamento brasileiro, quer dizer, gente posando com a bandeira dos Estados Unidos,
02:08defendendo o Donald Trump, mais você vai ter um terreno fértil dentro do Brasil
02:13para que o Donald Trump avance mais.
02:15Por quê?
02:16Porque a resposta deveria ser em uníssono do nosso país nesse momento.
02:20Então, repito, nós temos um deputado federal nesse momento,
02:23um exercício do mandato recebendo salário, conspirando contra o Brasil nos Estados Unidos.
02:27Isso tem que ficar claro.
02:29Esse é o primeiro ponto.
02:30Segundo ponto, há deputados federais aqui no Brasil,
02:33há senadores aqui no Brasil, fazendo a defesa explícita do Donald Trump.
02:37Então, isso abre um terreno fértil para que as negociações não sejam abertas aqui no Brasil.
02:43Então, outros países não têm, entre aspas,
02:47o benefício de ter gente conspirando contra o país fora do país.
02:53Então, esse ponto é um ponto que merece reflexão.
02:55Ou seja, alguns países conseguiram avançar em negociações.
03:01Mas, essas negociações, elas também não agradaram a todos.
03:07Exemplo, a União Europeia.
03:08A União Europeia fechou a negociação.
03:12A Georgia Meloni, que é uma líder, se elegeu como extrema-direita e governa como direita,
03:20a Georgia Meloni, supostamente aliada do Trump, foi a primeira, junto com a França, junto com a Alemanha em seguida,
03:27a criticar o pacote.
03:29O Narendra Modi, na Índia, aliado do Trump, foi talvez o primeiro líder político a visitar o Trump depois da posse,
03:38levou 50% agora, só porque está negociando com a Rússia.
03:42Então, significa o seguinte, significa que há uma questão política, mas há uma questão econômica.
03:48Veja, isso está muito voltado para a questão dos BRICS.
03:54E isso passa pela liderança da China nos BRICS, pelo que a China representa hoje na economia internacional.
04:03Então, me parece que as razões políticas alegadas são uma desculpa do Donald Trump,
04:11principalmente para os seus eleitores internos.
04:13Mas, na realidade, o que está por trás disso é exatamente a China como economia e líder dos BRICS
04:20e, principalmente, os conflitos que nós tivemos recentemente com as big techs.
04:24Me parece que os interesses econômicos são infinitamente maiores do que os interesses políticos,
04:30mas essas questões políticas que eu levantei acabam sendo um terreno fértil para um político
04:34com a característica do Donald Trump, que sempre gosta de avançar um pouquinho mais
04:38quando encontra possibilidade para isso.
04:41Professor Balistieiro, vários analistas internacionais passaram por aqui e também fazem esse diagnóstico.
04:47Entendem que tem muito mais a ver com essa organização do BRICS, esse fortalecimento do bloco
04:55e também aquela sugestão da possível adoção de uma unidade monetária para transações entre os países.
05:02Isso teria deixado o Donald Trump muito irritado.
05:07E aí teria se utilizado de outras pautas para avançar com a sua agenda.
05:13Você, professor Nelson Marconi, as tentativas de avançar com uma negociação,
05:18a justificativa do presidente da República dizendo que o governo não vai desistir de avançar com as tratativas
05:25com o governo norte-americano em paralelo com esse plano que foi anunciado.
05:32Há quem entenda que o caminho da negociação seria o mais curto para tentar buscar talvez um modelo
05:39que impactasse menos a nossa economia.
05:41Não foi possível avançar, por algumas razoais, né?
05:44Exato.
05:45Bom, eu queria concordar com o professor Ricardo, com as colocações que ele fez.
05:51E assim, para complementar, na verdade, acho que tem razão no que ele disse,
05:55mas a gente tem que pensar assim, vamos pensar que nós estamos aqui para negociar tarifas,
05:59negociar de ordem econômica, vamos dizer, as tarifas que podem passar pelos produtos.
06:05Mas o que o governo americano está colocando são justamente questões de ordem política
06:10ou outras questões mais gerais, ele está, primeiro, como o próprio presidente da República falou,
06:16ele está querendo se intrometer na soberania do país, dizendo,
06:19olha, eu vou dizer aqui o que tem que acontecer no julgamento do ex-presidente,
06:23o que tem que acontecer no Supremo, tal, não sei o quê.
06:25O que é uma coisa absurda, impensável, nesse nível de intromissão nos outros países.
06:30Como você falou, você não tem isso, não tem um deputado lá, tudo mais.
06:33Então tem essa questão.
06:34Então isso faz com que a negociação em torno das tarifas não seja simplesmente uma questão de que,
06:39olha, tem um produto que é mais protegido do que o outro, eu quero proteger mais ou menos.
06:44Tem questões de fundo.
06:45Tem uma questão política que eu acho aí, que tem uma ligação com o econômico, que é o seguinte,
06:50no dia que foi lançado esse pacote, eu vim aqui, inclusive, a gente foi falar dos brinques,
06:53tudo isso que você está falando, que eu concordo plenamente.
06:56Mas agora, pensando e vendo como evoluiu a coisa,
06:59na verdade, tem um interesse político do Donald Trump, que é, de certa forma,
07:03enfraquecer a economia brasileira, e aí coloca uma tarifa desse jeito.
07:08Para enfraquecer, por quê?
07:09Porque, na verdade, ele quer, logicamente, que na eleição, um candidato mais alinhado
07:14a, vamos dizer, a ideologia dele, ou o que ele pensa em termos de economia, de política,
07:18possa se candidatar e venha a ganhar a eleição, seja lá qual fosse o candidato.
07:23Porque o que ele quer, ele entende que esse candidato aí sim poderia fazer acordo
07:28em torno das big techs, em torno dos minerais críticos, em torno de tudo isso que ele está reivindicando,
07:33que fica meio difícil no atual cenário, o governo brasileiro já deu sinais que não vai negociar dessa forma.
07:41Pelo menos é o que ele está indicando até o momento.
07:43Então, ele pensa também economicamente a longo prazo, mas ele está usando esse instrumento político.
07:49E aí fica difícil imaginar que ele vá reduzir as tarifas nesse contexto.
07:53Eu acho que o governo brasileiro tem que tentar, tem que tentar de tudo, está certo?
07:57Tem que negociar com os outros países, tem que negociar com os Estados Unidos,
08:00tem que fazer esse pacote aqui interno, tem que tentar abrir os mercados.
08:04Ele tem que se concentrar muito nessa questão agora, porque não é um impacto só nessas empresas, certo?
08:11O impacto se tem sobre a decisão de investimento.
08:14Pensa uma empresa que vai tomar uma decisão de investimento,
08:18que não precisa ser necessariamente nenhuma dessas, que foi afetada pelas exportações.
08:22Mas qualquer empresário vai pensar, bom, mas qual é o cenário agora?
08:26O que vem pela frente?
08:27Qual é a próxima medida que vai, de certa forma, os Estados Unidos vão impingir,
08:32ou vão tentar nos inibir aqui, está certo?
08:36De alguma forma, alterar a nossa demanda aqui interna, a demanda pelos nossos produtos.
08:41Não a interna, mas a demanda pelos nossos produtos.
08:43Então, isso inibe o investimento.
08:46Eu acho que o governo tem que dar uma atenção muito séria para essa questão,
08:49mas atuar em várias áreas.
08:50Ele está certo em fazer esse pacote, mas tem que fazer coisas muito mais amplas.
08:54Eu só não contaria com uma redução significativa de tarifas,
08:59porque não é simplesmente uma coisa de toma lá, dá cá,
09:02você está sendo, como fez com o Canadá, fez com outros países, fez com a União Europeia,
09:06você está taxando muito não sei o quê, então diminua a taxa se você mexer em tal produto.
09:11Não é isso.
09:11Ele não virou para nenhum deles e falou, olha,
09:13O processo que está acontecendo aqui em torno do julgamento do ex-presidente está errado,
09:21o ministro do Supremo é isso e aquilo, não tem, não tem em nenhum momento esse tipo de medida nos outros países,
09:29de, digamos, de intromissão.
09:33É isso, o professor Nelson Marconi, economista, professor da FGV.
09:38Agora, professor Ricardo, você mencionou a situação que envolve o BRICS,
09:44ou pelo menos esse diagnóstico que muitos fazem em relação às motivações de Donald Trump.
09:50Claro que a gente está colocando em primeiro plano o anúncio do governo brasileiro,
09:55mas é preciso também conectar as outras notícias que podem, inclusive, explicar esse momento em que o nosso país vive neste momento.
10:04Eu tenho visto muitos analistas que fazem uma reflexão sobre os movimentos de Donald Trump
10:12e é curioso porque muitas dessas análises acabam apontando para aquele meme antigo,
10:20expectativa e realidade, né?
10:22Qual é o objetivo inicial de Donald Trump e o que pode acontecer com ele e com os Estados Unidos?
10:29Muitos falam que a chance de insucesso é grande, o tiro pode sair pela culatra.
10:35Enfim, ele defende o movimento American First, para reindustrializar, inclusive, o país,
10:43uma série de medidas para fortalecer alguns segmentos da economia norte-americana.
10:48Só para a gente fechar esse capítulo dos Estados Unidos nesse nosso debate,
10:53queria o seu apontamento, professor, sobre as estratégias de Donald Trump,
10:58o que pode acontecer se ele continuar esticando a corda?
11:01Você sabe que durante a graduação, o Daniel, o professor Marconi aqui deve se lembrar bem
11:10do clássico do Celso Furtado, que é o Formação Econômica do Brasil, né?
11:15O Celso Furtado dedica...
11:17O livro é de final dos anos 50, né?
11:20E ele dedica, o Daniel, um tópico do livro dele a mostrar o quanto os Estados Unidos eram protecionistas no século XIX
11:32e o quanto que o discurso liberal já existia aqui no Brasil de mercado, sem Estado, intervenção mínima, enfim, né?
11:44O quanto os caras eram protecionistas lá e o quanto que nós acreditávamos que talvez o mercado pudesse resolver tudo aqui no Brasil.
11:52Bom, o que eu estou querendo dizer com isso, né?
11:54Quer dizer, todo mundo vê os Estados Unidos ou encara os Estados Unidos como sendo um país das oportunidades,
12:00o país em que o mercado funciona e tal.
12:03Na verdade, assim, funciona em partes, né?
12:06Quer dizer, os Estados Unidos é um dos países mais protecionistas do mundo, né?
12:10Quer dizer, uma boa parte do que nós temos hoje aí lá dos Estados Unidos vem de recurso público, né?
12:16Tá certo? Computador, GPS, né?
12:19Quer dizer, tudo isso aí foi investimento público forte.
12:23Então, você gosta de mercado aí, é para o público consumidor, né?
12:26Então, o que vai acontecer nesse momento, ô Daniel?
12:29O que vai acontecer nesse momento é que a produtividade norte-americana vai provavelmente despencar.
12:35Aliás, já está caindo, né?
12:36Você pega os dados, por exemplo, do primeiro semestre desse ano, o PIB norte-americano já está...
12:41O PIB norte-americano está crescendo metade do que crescia, por exemplo, no ritmo anualizado o ano passado.
12:47Metade.
12:48O consumo nos Estados Unidos está caindo.
12:50Por quê?
12:50Porque os preços começam a subir.
12:52A inflação já começa a se deslocar.
12:54Então, assim, no curto prazo, o que nós devemos ter nos Estados Unidos é um cenário de...
12:59Não dá para falar em cenário de recessão ainda, mas dá para falar em cenário de crescimento econômico mais lento.
13:03Dá para falar em inflação mais alta, né?
13:07O que vai colocar uma pressão sobre o presidente do Banco Central ou talvez do novo presidente do Banco Central, enfim, uma vez que o Jerome Powell está sob ataque lá nos Estados Unidos.
13:20Embora os dados de emprego recentes até mostram alguma desaceleração, mas o fato é que, no curto prazo, esse é o cenário.
13:27No médio e longo prazo, Daniel, perda de produtividade.
13:30Os norte-americanos já vêm perdendo para a China e para a Ásia há algum tempo, né?
13:38Com o fechamento da economia, isso deve se tornar muito pior, né?
13:41Por quê?
13:41Porque a economia norte-americana está se fechando, né?
13:44Quer dizer, o que o Donald Trump prometeu durante a campanha?
13:48Eu vou fazer a América grande de novo, né?
13:52Quer dizer, aqui é Estados Unidos, o resto do mundo é o resto do mundo, né?
13:58Só que isso gera o quê?
13:59Isso gera o fechamento da economia.
14:01Ora, qual o discurso que se tem aqui no Brasil?
14:03Ah, a economia brasileira é uma economia fechada.
14:05Temos que abrir a economia brasileira.
14:07O que os Estados Unidos estão fazendo é exatamente o inverso.
14:09E me parece que, no médio e longo prazo, isso vai ter um impacto muito pernicioso para os Estados Unidos,
14:16sem entrar em outras questões, Daniel.
14:18Como, por exemplo, o que o Trump está fazendo com as universidades,
14:21que é exatamente uma...
14:24O soft power americano era tão fantástico
14:28e a atração que as universidades norte-americanas tinham por talentos do mundo todo
14:33explica muito de por que os Estados Unidos se tornou a maior economia do mundo e tal.
14:39Quer dizer, o que o Trump está fazendo agora é afugentando essas pessoas de lá, tá certo?
14:42E exportando esses talentos, muito provavelmente, para a China ou para alguns países da Europa.
14:48Mas muito provavelmente para a China.
14:49Então, eu acho assim, no médio e longo prazo, a situação norte-americana,
14:53dada essa política do primeiro semestre, é bastante preocupante para os norte-americanos.
14:57Vou pedir para o professor Nelson também fazer a sua reflexão sobre os Estados Unidos,
15:02só para a gente fechar esse capítulo, professor.
15:05Depois eu vou trazer uma declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
15:09Por favor.
15:09Os Estados Unidos, já há algum tempo, eles vêm perdendo terreno no campo econômico,
15:15o espaço que eles têm.
15:16Quer dizer, a China fez uma estratégia de crescimento muito bem-sucedida, né?
15:23Que, logicamente, para um regime político distinto, tal, etc.
15:27Mais uma... o que eles chamam de uma economia de mercado planificada.
15:32Que é uma coisa um pouco difícil para nós aqui entendermos,
15:34mas é isso que eles fazem, realmente.
15:36E eles colocam, expõem as empresas à competição, mas tem um apoio muito forte de políticas públicas,
15:41tem cobrança de resultado.
15:43E os Estados Unidos perdeu, comeu muita poeira ao longo desse tempo com a China.
15:47E o que ele está tentando fazer é recuperar.
15:50Tanto é que essa questão da moeda, que o próprio professor Ricardo falou, você falou, Daniel,
15:54é muito importante, né?
15:56A perda dessa questão, vamos dizer, a médio prazo, né?
15:59O dólar perdendo isso.
16:00Se perdesse essa, vamos dizer, essa supremacia monetária, realmente aí eles estão numa situação muito ruim
16:07na economia americana.
16:08Então, o que o Trump está tentando fazer, mas ele está fazendo de uma forma errática, eu diria, errônea,
16:14é tentar recuperar a economia americana, né?
16:17Certo?
16:17Os países usaram, durante o processo de desenvolvimento deles, tarifas.
16:20A gente vê, o próprio dos Estados Unidos usou, outros países usaram,
16:23mas da forma como ele está fazendo, né?
16:26Primeiro, nesse cenário de que a China já é predominante na indústria.
16:31Da forma como ele está fazendo, olha, eu estou usando isso, na verdade, para negociar politicamente
16:34uma série de coisas.
16:35Quer dizer, eu vou taxar a Índia porque vocês estão apoiando os Estados Unidos,
16:39nós vamos taxar o Brasil porque vocês estão fazendo, não sei o que, estão fazendo o processo
16:43de não sei o quê.
16:43Isso é uma loucura.
16:45Tarifa é um preço.
16:46Você está, na verdade, protegendo o seu mercado, certo?
16:50Mas você tem que negociar isso da forma adequada e ver como é que isso,
16:53junto com outras políticas industriais, pode promover o crescimento.
16:56O que o Trump está fazendo é uma loucura, certo?
16:59Ele está usando a tarifa como um meio político e com uma, vamos dizer, uma medida que é
17:0350, 30, 20%, onde ele tirou aquela tabela dele, aquele tabelão que ele trouxe lá,
17:08quando ele apresentou as tarifas.
17:11Então, isso tende a não dar certo, né?
17:13E aí ele está aqui também queimando, que a gente chama isso que o Ricardo falou,
17:17tá certo?
17:18De soft power.
17:19Ele está queimando o capital humano que ele tem dentro do país.
17:22A gente fala, né?
17:22A capacidade das pessoas, seja estrangeira, seja locais, e desenvolver tecnologia, desenvolver
17:27conhecimento.
17:28As pessoas não estão querendo sair dos Estados Unidos.
17:30É uma coisa que os estrangeiros poderiam, primeiro, tomar lugar dos norte-americanos,
17:33mas também usurpar as ideias, né?
17:37O know-how dos professores norte-americanos levaram para os seus países, especialmente os chineses.
17:44Há, inclusive, essa acusação de que os chineses fariam isso.
17:48É, mas isso é, vamos dizer, se você tem uma universidade aberta, você tem que todo
17:52mundo cooperar e desenvolver ciência junto.
17:55Todo mundo vai se aproveitar disso.
17:56Muitos acabam ficando nos Estados Unidos, né?
17:58É lógico.
17:59Eles prestam o seu talento para as empresas americanas.
18:01É lógico que uma parte dos chineses levou o conhecimento para a China, é óbvio, mas
18:05ainda, de onde é gerado esse conhecimento?
18:08Hoje, ainda é nos Estados Unidos.
18:09Você imagina, você acaba com as universidades americanas.
18:12Você está, primeiro, matando o eleitorado, digamos.
18:15Matando não, né?
18:15Quer dizer, mas tentando reduzir, assim, diminuir o poder de um eleitorado um pouco mais consciente,
18:22eu acho, dentro dos Estados Unidos, né?
18:23Isso que ele está tentando fazer.
18:24E acabando com o poder político, digamos.
18:27Vamos não ao poder político, mas, vamos dizer, uma fonte de críticas muito forte para ele.
18:31Só que, com isso, ele está matando o que foi central para o desenvolvimento da economia americana.
18:36Além do processo normal de investimento das empresas, é esse desenvolvimento todo desse
18:42soft power e do capital, que a gente chama de capital humano, né?
18:45O conhecimento acumulado pelas pessoas.
18:47Então, eles tendem, realmente, como o Dr. Ricardo falou, até uma perda de produtividade aí.
18:52Quer dizer, a gente chama o declínio do...
18:54A gente tinha um filme, né?
18:55Que chamava o declínio do império americano, não sei se vocês lembram.
18:58O filme de 30 anos atrás.
19:00Mas é o que pode acontecer no futuro.
19:01E, Daniel, não é por acaso que o dólar tem perdido valor no mundo.
19:06Quando você perde produtividade, uma das formas de você compensar é você desvalorizar
19:11a moeda, né?
19:11Por quê?
19:12Porque isso aí permite que o exportador continue tendo a sua receita.
19:16O Brasil fez isso durante muito tempo.
19:18Mas isso é característica de economia fechada.
19:20A gente faz isso aí na substituição de importações ali e tal.
19:22Então, não é por acaso, né?
19:24Quer dizer, o...
19:24Um sintoma, né?
19:25O telespectador que está nos assistindo aí agora está acompanhando que o dólar tem perdido
19:29o valor, né?
19:30Exatamente para poder compensar essa perda de produtividade.
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