- há 6 meses
- #jovempan
- #visaocritica
No Visão Crítica, especialistas analisam a grave crise que o Congresso Nacional enfrenta, considerada a pior desde a redemocratização. A discussão destaca como as emendas parlamentares influenciam negativamente a relação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, provocando desequilíbrios que preocupam o futuro da democracia brasileira.
Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/lsH1KUyHvB4
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#VisãoCrítica
Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/lsH1KUyHvB4
Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S
Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/
Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews
Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews
Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews
Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/
TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews
Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews
#JovemPan
#VisãoCrítica
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Mas, enfim, queria, quando a gente traz as discussões sobre o papel do Congresso Nacional,
00:05a maneira como deputados e senadores têm se relacionado com essas questões sensíveis,
00:11eu observo, sabe, Juliano, muitos apontamentos sobre quais seriam os principais ingredientes
00:21que contribuem para esse cenário de instabilidade política.
00:25E há críticas direcionadas a alguns partidos, algumas lideranças, no que tange um excesso de judicialização,
00:33como se já tivesse sido incorporado no processo legislativo aquela figura do terceiro turno.
00:39Não tem problema se a oposição aprovar ou se a situação aprovar determinado projeto no Senado e na Câmara.
00:48Não tem problema. A gente pode judicializar isso no Supremo Tribunal Federal.
00:52Enfim, são muitas variáveis, porque também tem o dispositivo de você, de um chefe do Executivo vetar
00:59e o Congresso pode derrubar o veto.
01:01Mas, enfim, queria que você discorresse sobre essa que parece ser uma ferramenta muito mais utilizada hoje em dia do que no passado.
01:09Sem dúvida, Daniel. Eu acho que nós estamos vivendo um contexto onde os arranjos de governabilidade,
01:15aí falando mais como cientista político do que como ex-dirigente partidário,
01:18até porque o pessoal passou a maior parte da sua vida como oposição e não como situação no plano federal.
01:26Mas nós convivemos durante boa parte dos anos 90, primeira década dos anos 2000,
01:32com um padrão de governabilidade que tinha a ver com a busca de entendimento entre Executivo e Legislativo,
01:38a formação de maioria dos parlamentares através de mediações que eram constituídas,
01:44seja pela indicação de ministros vinculados a grandes partidos com base parlamentar na Câmara,
01:49seja através da indicação de emendas parlamentares que na época não eram obrigatórias,
01:54então eram discricionários do Poder Executivo fazer a definição da alocação de recursos para deputados, etc.
01:59Esse era o padrão de governabilidade que nós tivemos nos governos do PSDB e nos governos do PT, basicamente.
02:04Esse padrão foi rompido no governo Bolsonaro,
02:07porque nós tivemos a implementação de um instrumento chamado Orçamento Secreto.
02:11E com o Orçamento Secreto, o Congresso Nacional passou a gerir diretamente parte do orçamento do Estado brasileiro,
02:19da União, da riqueza produzida pelo país, pelo setor produtivo, pelas classes trabalhadoras, enfim.
02:24Quando Bolsonaro perde a eleição, há um conflito, se instala um conflito,
02:31que é um conflito entre o desejo do governo recém-eleito do presidente Lula de retomar as rédeas sobre o orçamento público,
02:37seja para reconstituição das políticas sociais, do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Farmácia Popular, do Luz para Todos,
02:44todos os programas sociais que foram desmontados no governo Temer e Bolsonaro,
02:47portanto, para fazer isso precisa de orçamento, e esse orçamento, parte dele estava sequestrado pelo Congresso.
02:51E se inicia um processo de negociações que não dá certo, e não dá certo porque as emendas são impositivas,
02:57já não são mais, e porque se tornou para alguns deputados, com 50 milhões de reais de emenda por ano,
03:03muito mais útil gerenciar eles próprios o orçamento do que indicar o ministro, muitas vezes.
03:08Então, há uma crise de governabilidade, e essa crise de governabilidade trouxe para a Câmara um nível de instabilidade
03:15que não existia no período anterior, o que está levando parte dos conflitos a bater no judiciário.
03:19Eu não acho que o crescimento da judicialização seja só uma opção política.
03:23É resultado de uma dificuldade do mundo da política de encontrar saídas para uma governabilidade mais duradoura.
03:29E, claro, podemos voltar aos padrões de governabilidade anterior, com denúncias de corrupção,
03:34com problemas crônicos de transparência.
03:36Bom, não interessa voltar para aqueles padrões de governabilidade,
03:39mas não dá para ter também parte do orçamento sequestrado pelo Congresso.
03:42Esses conflitos do mundo da política vão continuar batendo no Congresso Nacional,
03:46perdão, no Supremo Tribunal Federal, se a gente não tiver uma saída mais sustentável,
03:51que coloque parte da vontade popular em primeiro plano.
03:54Pois é, muitos desafios pela frente.
03:56Deixa eu retomar o contato com o Leonardo Barreto.
03:59Há pouco pudemos acompanhar o início do raciocínio, da reflexão dele,
04:04a respeito desse momento que nós estamos acompanhando do Congresso Nacional.
04:08Leonardo, seja bem-vindo.
04:09Eu acho que agora a comunicação refeita.
04:13Queria pedir sua reflexão inicial acerca desse momento que a gente tem observado
04:18no Congresso Nacional, olhando principalmente para aquele movimento de obstrução
04:22na semana passada, parlamentares defendendo que o presidente Hugo Mota
04:26colocasse algumas pautas em votação, principalmente o PR da Anistia,
04:31mas claro que há muitas reivindicações e críticas à maneira como outros poderes
04:36têm atuado em relação a algumas demandas.
04:38Obrigado, meus caros.
04:42Espero que estejam me escutando agora.
04:44A coisa não está fácil em Brasília.
04:47Mas veja, eu acho que tem um problema estrutural aí que é o seguinte,
04:52é uma certa confusão a respeito do papel do presidente da Câmara.
04:57O presidente da Câmara, ele é árbitro.
05:02Naturalmente, ele sempre foi um papel de árbitro.
05:06E, no entanto, acho que principalmente desde a presidência Rodrigo Maia,
05:10mas isso se reforçou na presidência Artomira, ele acabou se tornando também o presidente
05:15do sindicato dos deputados, do interesse da Câmara, ou do interesse ali do establishment
05:23da Câmara dos deputados.
05:24E isso é uma coisa muito complicada, porque isso se confunde muitas vezes.
05:32Então, a Hugo Motta é uma liderança fraca, mas ele é uma liderança fraca em que sentido?
05:38Enquanto árbitro dos conflitos existentes dentro do Congresso Nacional,
05:42ou como líder de uma posição dentro do Congresso Nacional?
05:46Eu me lembro muito bem quando ele se reuniu com o Fernando Haddad,
05:51dizendo ali que havia um acordo para tocar uma agenda de aumento de impostos
05:57que o governo estava querendo colocar, e ele claramente não tinha mandato para isso,
06:02porque ele não é o líder ali de uma posição majoritária.
06:06Ele é um árbitro.
06:08Então, eu acho que a gente está falando aqui muito de problema de liderança do presidente Hugo Motta,
06:16mas eu acho que o problema é de desenho, sabe?
06:19A presidência, que sempre foi o lugar de um árbitro, acabou se tornando um espaço
06:26de um representante do sindicato dos deputados, e eu acho que esse papel não cabe mais.
06:32Então, me parece que uma das principais necessidades que a gente vai ter aí
06:37é que rediscutir, inclusive, o papel do desenho institucional do presidente da Câmara dos Deputados.
06:44Você, Alexis, ficou faltando a sua reflexão, o seu raio-x, o seu diagnóstico
06:49para essa situação que envolve o Congresso Nacional, esse novo momento.
06:55Eu acho que o Juliano fez alguns apontamentos interessantes, talvez,
06:57para esse momento empoderado do Congresso, turbinado também pelas emendas parlamentares.
07:03O quanto isso bagunça, esse freio de arrumação defendido por tantos?
07:08Eu acho que essa questão das emendas parlamentares acaba bagunçando essa relação de poderes.
07:16Vamos lembrar que a primeira emenda parlamentar impositiva nasceu com o Eduardo Cunha,
07:21quando é as emendas dos deputados, que não eram impositivas, passou a ser impositiva.
07:27No governo, na presidência de Rodrigo Maia, as comissões de bancada também se tornaram impositivas.
07:42Não tem nada a ver com o governo Bolsonaro e orçamento secreto,
07:47porque não é nem do governo.
07:48Isso aí é justamente o Congresso capturando parte do orçamento descricionário,
07:56que é livre, mais ou menos 250 bilhões, 50 bilhões estão pegando para eles.
08:01O que já não é correto em função de um presidencialismo que é o nosso,
08:06nós não somos um parlamentarismo.
08:08Então, quem faz a proposta de orçamento é o executivo,
08:13quem aprova é o legislativo,
08:14e quem executa, com as responsabilidades de executar, é o executivo.
08:18O que está acontecendo?
08:19Ele está ajudando a executar.
08:21Os 50 bilhões, os parlamentares estão pegando para eles,
08:23não estão nem aí mais com o executivo,
08:25na verdade, que para aprovar qualquer projeto estruturante nesse Brasil,
08:30é um mar de dinheiros.
08:33É uma distribuição de...
08:33Eu vivi isso no Congresso e achei vergonhoso.
08:36Quando foram aprovar a reforma da evidência,
08:39é tantos milhões para cada deputado que votar a favor.
08:42É uma obrigação, reformas estruturais devem ter acontecido a mesma coisa.
08:46E eu vou falar que quem era o maior chantageista lá era o Arthur Lira.
08:49Era incrível o que acontecia.
08:50Agora, reforma tributária é a mesma coisa,
08:53trabalhista deve ser a mesma coisa,
08:55não dá mais para ser um Congresso que fica à base de dinheiro.
09:00E agora, nem esse dinheiro tem mais,
09:02porque, na verdade, até o orçamento de comissões...
09:06Então, vamos lá, as individuais, as de bancada de Estado e as de comissões,
09:13todas em positivo, porque é o for que o Arthur Lira aprovou.
09:16Está acontecendo que, realmente, o Congresso não tem mais vínculo nenhum com o Executivo.
09:23E aí o Executivo tem que, assim, usar de outros artifícios
09:26para tentar conseguir fazer com que o Congresso trabalhe.
09:29O Congresso, desculpe falar aqui, eu fui Congresso,
09:31mas, assim, do jeito que ele está, ele está um chantagista de primeiro nível.
09:35Isso é péssimo para a nossa democracia.
09:38Isso é horrível, porque é uma democracia que custa caro a todo mundo.
09:41E para onde vai tanto dinheiro?
09:4350 bi, vamos falar disso, 50 bi,
09:46boa parte está na mão do presidente da Câmara,
09:48e do Senado, porque são eles que indicam
09:51os presidentes das comissões
09:52e são eles, também, que têm grande influência nas bancadas.
09:57Então, nós estamos falando de uma distorção democrática no Brasil,
10:00enorme, Daniel.
10:02É péssimo o que está acontecendo.
10:05Não existe mais a votação por convicção.
10:07E vai para um varejinho.
10:09É tudo emendinha, pequena, tudo mais.
10:11Não tem mais discussões grandes com o projeto de Brasil,
10:15de Estado brasileiro.
10:16Não tem mais esse tipo de discussão.
10:17As reformas acontecem, estruturantes,
10:20por, assim, pura necessidade.
10:22Não dá mais para ficar 30 anos com o pior sistema tributário do mundo.
10:25Reforma tributária.
10:27Trabalhista, distorções horrorosas,
10:29mas está voltando tudo para trás,
10:31tudo entrando no judicialização de novo.
10:33Reforma administrativa.
10:35Não acontece.
10:36Estado ineficiência e gordo.
10:39Então, nós estamos realmente numa situação
10:40de distorção democrática enorme
10:44e é muito em função
10:46desse avanço que houve o Congresso.
10:49Porque, como ele aprova,
10:50ele falou, eu aprovo, mas tem que dar uma parte para mim.
10:52Tem que dar uma parte para mim.
10:53E essa parte aumentando, aumentando, aumentando.
10:55Porque aprova o orçamento das eleições,
10:58o fundo eleitoral.
10:59É outra vergonha.
11:00Os bilhões e bilhões do brasileiro
11:03para fazer campanha eleitoral para político.
11:05Eu vou falar uma coisa.
11:06É vergonhoso.
11:08Leonardo Barreto,
11:09só para a gente encerrar esse capítulo,
11:12esse diagnóstico acerca dos problemas,
11:15não são poucos, né?
11:16Mas o que é preciso considerar
11:18se nós quisermos entrar em um processo de reorganização,
11:23inclusive olhando para a atuação do Congresso,
11:26mas principalmente da Câmara dos Deputados?
11:29Olha, eu acho que esse processo de realinhamento
11:32ele está acontecendo.
11:34Uma coisa, foi ali a aprovação da Constituição
11:38que estabeleceu claramente um processo político
11:41em torno do Parlamento.
11:44Se a gente pega a Constituição,
11:46ela é fundamentalmente parlamentarista.
11:48quando você conversa com vários deputados
11:51que participaram por todo esse processo
11:54de disciplinamento de medidas provisórias,
11:57que o governo governava
11:59sem nem ter que aprovar a medida provisória,
12:02até um disciplinamento do orçamento
12:05que acabou com aquela chantagem
12:07do Executivo com o Legislativo,
12:09onde ele montava verdadeiros rolos compressores,
12:12todo esse processo foi um processo
12:16de implementação a partir da aplicação
12:19da Constituição, da prática política.
12:21Eu vou pedir a licença
12:23de discordar frontalmente dos meus colegas.
12:27Eu acho que o orçamento,
12:29primeiro, o Congresso sequestrou o orçamento.
12:33Acho que a gente tem que tomar cuidado com isso,
12:35porque o Congresso não executa orçamento.
12:38Quem executa continua sendo executivo.
12:39O Congresso aloca,
12:42ele distribui o recurso.
12:45Outra coisa,
12:46ah, ele pegou todo o orçamento.
12:47Não, a gente está falando de 22%,
12:50que os deputados conseguem manobrar,
12:54sendo que metade desse dinheiro
12:56tem que ser obrigatoriamente para a saúde.
12:58Então, na verdade, a gente está falando de 11%,
13:00sendo que desses 11%,
13:035% são contingenciáveis.
13:05Então, de impositivo mesmo, são 6%.
13:07E essa impositividade,
13:10o deputado Alexi está falando da liberdade de opinião,
13:14permitiu que hoje no Brasil você tenha
13:17um governo de minoria.
13:20Porque se fosse em outra ocasião,
13:22o governo ia distribuir esse recurso
13:24unicamente para a base,
13:26ia construir uma grande,
13:27uma máquina,
13:29um rolo compressor.
13:32E eu vou te dizer uma coisa,
13:33hoje, eu acho que o Congresso,
13:35em função dessa possibilidade de agir,
13:37até com certa independência
13:38em relação aos governos,
13:40ele é um grande poder moderador.
13:43Porque quando era o Bolsonaro,
13:45o pessoal do Congresso
13:47moderou vários excessos do Bolsonaro.
13:50E agora, com o Lula,
13:51o Congresso também moderou vários excessos com o Lula.
13:54Então, eu acho que essa atuação do Congresso,
13:57e é claro,
13:58ela é muito pautada na emenda,
14:00ela tem um efeito de moderação,
14:02onde os bolsonaristas,
14:04se perderem a eleição,
14:05vão dizer assim,
14:06não, o Congresso vai agir como um freio.
14:09E os petistas, se perderem a eleição,
14:10vão dizer, não,
14:11o Congresso vai agir como um freio.
14:12Então, eu acho que a gente tem que reconhecer.
14:14Claro que tem desvios,
14:15tem problemas,
14:16mas eu acho que o modelo,
14:18que veja,
14:19é o modelo da Constituição,
14:21que estava ali,
14:22ele impede,
14:24e eu digo mais,
14:24assim, para terminar,
14:26ah, os deputados controlam o orçamento.
14:29O deputado, ele não foi eleito,
14:31ele não é parte,
14:33ele não fez um acordo com o eleitor,
14:36ele não atua diretamente,
14:37e aí, nessa atuação com o eleitor,
14:39ele não se comprometeu a levar um dinheiro
14:41para um hospital,
14:42para uma estrada, etc.
14:44Então, não faz parte desse acordo com o eleitor.
14:46Se faz parte do acordo com o eleitor,
14:48não tem distorção nenhuma.
14:50Então, eu acho que a gente tem
14:51um grande preconceito,
14:52um grande ranço contra o Congresso,
14:54e muitas vezes a gente sente nostalgia
14:57de um modelo
14:59onde o executivo controlava absolutamente tudo,
15:02a sociedade tinha pouquíssima capacidade
15:05de atuação contra executivos fortes,
15:07e em nome de uma certa sistematização
15:11de políticas públicas,
15:13onde os burocratas lá em Brasília
15:15não necessariamente
15:16decidem melhor a alocação de dinheiro
15:19do que um deputado,
15:21do que um parlamentar.
15:22Então, assim,
15:23eu acho que a gente precisa tomar muito cuidado
15:24porque a alternativa para esse processo
15:27são tecnocracias,
15:30rolos compressores
15:31e máquinas muito pesadas
15:33que eu acho que a gente conseguiu equilibrar
15:37de um processo
15:37de construção histórica,
15:40de vivência política e democrática prática,
15:42da Constituição para cá.
15:46O programa é bom,
15:47o programa é bom
15:48quando tem divergência.
15:49Agora o Alexis Fontaine
15:50vai trazer o seu ponto de vista
15:53em relação ao que disse o Leonardo,
15:55depois eu passo para o Juliano.
15:56Vai lá, Alexis.
15:57Rapidamente,
15:57o Leonardo fala alguns pontos importantes,
16:00e acho que a gente nem entra em conflito
16:01contra isso,
16:02realmente o rolo compressor é grande,
16:04mas então vamos mudar o nosso sistema,
16:06não é mais presidencialismo,
16:07é parlamentarismo,
16:08uma vez que ele mesmo cita nesse sentido.
16:11Eu entendo que essa questão
16:13do compromisso dos deputados
16:14com as suas bases,
16:16mas isso,
16:17se nós vamos ver por outro lado,
16:19pode se tornar
16:20uma grande ferramenta antidemocrática,
16:23porque você acaba favorecendo
16:24quem é deputado a ser a NG.
16:26Essas emendas acabam virando
16:28quase que um recurso pré-eleitoral
16:32para poder fazer as suas bases.
16:35E o exagero está muito grande,
16:37estão falando de 50 bilhões,
16:38não estamos falando de 50 milhões
16:40para cada deputado,
16:41não coisas de 3,
16:424 milhões como havia.
16:44De fato,
16:44tem uma parte que é para a saúde
16:46e a outra que é livre,
16:48mas nos dois casos,
16:50com tanto dinheiro,
16:52o que nós estamos vendo
16:52é a fragmentação
16:53de um monte de corrupções
16:55que acaba acontecendo.
16:56Mas,
16:57eu entendo a posição dele,
16:58acho que
17:00é uma questão de distorção
17:02do modelo,
17:03então,
17:03se o presidencialismo
17:04é o regime,
17:06é ele que faz orçamento,
17:08é ele que executa.
17:09Se é parlamentarismo,
17:10é outro.
17:11Nós temos que ter
17:11o ônus da responsabilidade
17:14desse orçamento
17:15que não acontece
17:16com o parlamento.
17:17Ele gasta
17:18e ele acaba definindo
17:20o que vai ser gasto,
17:21mas ele não assume
17:22esse ônus.
17:23E aí,
17:24nós temos só que definir.
17:25Eu passei rápido aqui
17:26para você não ficar
17:27polinizando demais.
17:28Juliano Medeiros,
17:29você.
17:29Coisas que a Jovem Pan
17:30News promove,
17:31eu jamais imaginei
17:32se fosse concordar
17:33com o Alexis
17:33num debate
17:34dessa natureza.
17:36Mas,
17:36olha só,
17:38veja bem,
17:39nós estamos falando aqui
17:40de que
17:42pode ser bom
17:44para o Brasil
17:45que um poder
17:46que não tem capacidade técnica
17:48para planejar
17:48políticas públicas,
17:50que não tem acesso
17:51às informações
17:52que o Poder Executivo tem,
17:54que ele defina
17:54a alocação de recursos
17:55que são estratégicos
17:56para o combate
17:57às desigualdades.
17:58O Leonardo está rindo
17:59porque ele sabe
17:59que é verdade.
18:00Ele também,
18:01assim como eu,
18:01doutor em Ciência Política,
18:02sabe o papel
18:03que o planejamento
18:03estatal tem.
18:04Não há nenhuma
18:05democracia importante
18:06do planeta Terra
18:07que não tenha
18:08forte capacidade
18:10de planejamento.
18:11E,
18:12quando nós pegamos
18:12um quinto do orçamento
18:14e distribuímos eles
18:15como se fossem
18:16meros instrumentos
18:18de diálogo
18:22com as nossas bases,
18:23como o Leonardo sugere,
18:24o que nós estamos fazendo
18:24é tirando um quinto
18:25da capacidade
18:26do Estado brasileiro
18:27de planejar
18:28suas políticas públicas.
18:29Políticas que,
18:30às vezes,
18:30não são políticas
18:31de curto prazo,
18:32portanto,
18:33não são populares.
18:35Saneamento,
18:35abrir buraco
18:36para colocar cano
18:37para garantir
18:37políticas de saneamento,
18:39investimentos em infraestrutura,
18:41obras demoradas,
18:42obras caras,
18:42obras que,
18:43muitas vezes,
18:43um governo vai começar
18:44e o outro que vai entregar.
18:46Quer dizer,
18:47esses grandes investimentos,
18:50eles perdem a capacidade,
18:51o Estado perde a capacidade
18:52de fazer grandes investimentos,
18:53perde a capacidade
18:54de planejar
18:55as suas políticas públicas.
18:56Por quê?
18:57Porque os deputados
18:59federais do Brasil
18:59resolveram implementar
19:00aqui um semi-presidencialismo,
19:01onde eles definem
19:03a alocação
19:04de um quinto
19:05do orçamento
19:06de investimento
19:07do Estado brasileiro.
19:08Não me parece
19:09que isso seja positivo
19:10sob nenhum ponto de vista.
19:12Nós não estamos falando
19:12de vereadores federais
19:13que precisam responder
19:15às suas bases,
19:16que precisam,
19:17de alguma forma,
19:17dialogar para mostrar
19:18que estão trabalhando.
19:20A forma que o deputado federal
19:21tem que trabalhar
19:21segundo a Constituição
19:22é aprovar leis,
19:23aperfeiçoar o arcabouço
19:24legal brasileiro
19:25para que o país
19:25seja mais competitivo,
19:26gere mais empregos,
19:28possa produzir melhor,
19:29possa combater
19:29as desigualdades sociais.
19:31E não me parece
19:31que em nada
19:32entregar um quinto
19:34do orçamento
19:35de investimento
19:35da União
19:36para este Congresso Nacional.
19:37Ademais,
19:38para este Congresso Nacional.
19:40Não é o Congresso Nacional
19:40da Suécia,
19:41é este Congresso Nacional,
19:43cuja boa parte
19:43dos deputados
19:44é eleita
19:45com base
19:46numa dinâmica eleitoral
19:47que nós sabemos
19:48que é baseada
19:49no abuso
19:50do poder econômico
19:51seja o Congresso
19:52que defina prioridades
19:53para o Estado brasileiro.
19:54Eu acho realmente
19:55que nós estamos falando
19:56aqui de um problema crônico
19:58que precisa se resolver
20:00e termino com isso
20:00que foi implementado
20:01num acordo
20:02entre Arthur Lira
20:03e o Nix Lorenzoni
20:04que era ministro
20:04do governo Bolsonaro
20:05portanto é obra também
20:07das dificuldades
20:08de governabilidade
20:09que o Bolsonaro tinha
20:10e a solução
20:10que ele encontrou
20:11porque também
20:11era um governo de minoria
20:12e nisso o Leonardo está certo
20:13foi permitir
20:14o orçamento secreto
20:15as emendas PIX
20:16e toda a bandaleira
20:17que foi implementada
20:18pelo Arthur Lira
20:18por isso Arthur Lira
20:19estava no palanque
20:20de Bolsonaro
20:20no segundo turno
20:22no primeiro turno
20:22e no segundo turno
20:23em 2022.
Comentários