00:00Aqui hoje, na nossa conversa no Visão Crito, nós estamos com o deputado Kim Cataguira, deputado federal por São Paulo, pela União Brasil,
00:09e a mestre em Políticas Públicas, Luana Tavares, que já esteve conosco, você lembra que já esteve conosco, e o deputado Kim também.
00:16Começarei com a Luana. Luana, eu vou fazer uma pergunta meio óbvia, pode parecer óbvia, mas o curioso que a gente entra mês, sai mês, entra mês, sai mês,
00:26entra semestre, sai semestre, a impressão que dá para muitos é que nós estamos discutindo a mesma coisa, ou seja, é uma espécie de crise
00:33da representação política no país. Nós somos um país que a cada dois anos temos eleições, o que é um mérito num país
00:41marcado pelo arbítrio, isso é uma vitória da Constituição de 1988, né, ora são as eleições locais, ora as eleições gerais.
00:49Nós nunca tivéssemos uma sucessão tão grande de eleições como temos desde 1988, então esse é o lado positivo.
00:56Porém, há sempre uma crítica de que a representação política, de alguma forma, ela está descolada do cotidiano da vida
01:05da cidadão ou do cidadão. Eu passo para você, Luana, essa crise, ela existe? E se ela existe, qual é o caminho para a gente superá-la?
01:15Perfeito. Professor, boa noite para o senhor. Obrigada pelo convite, um prazer estar aqui no Visão Crítica mais uma vez,
01:23cumprimentar também o Kim Kataguiri e a todos que nos acompanham.
01:28Bom, sem dúvida nós temos uma crise, é evidente que a sociedade, ela vem demonstrando o desejo de mudança,
01:36o desejo de respostas mais concretas para os problemas que a gente tem no cotidiano e para questões
01:41que hoje não tem uma representatividade ou uma cobertura, um retorno, claro, para a sociedade em termos de resultado.
01:51Quando a gente olha o histórico das últimas eleições, a gente teve praticamente plebiscitos,
01:56onde a gente estava ali trabalhando com a exclusão de um nome, o voto em um nome,
02:03em detrimento de outro que não se queria para assumir a presidência, por exemplo, do país,
02:10que foram as eleições aí desde 2018, 2022. A gente viu se acentuar esse processo de divisão e de insatisfação.
02:20Se a gente lembrar, puxar um pouquinho aí na memória, desde ali 2013, quando a gente teve as manifestações,
02:26foi um momento em que a sociedade, não só no Brasil, em outros países também do mundo,
02:30mas aqui especialmente, a gente teve um processo de ativismo mais claro da sociedade,
02:37de atores que antes não se manifestavam indo para as ruas.
02:41Naquela época o ponto da discussão era uns 20 centavos do transporte,
02:47mobilizou as pessoas a saírem de casa e isso acabou gerando ali um processo de mudança
02:53na relação do eleitor com o seu eleitorado, com os seus mandatários, os seus candidatos,
03:00em colocar as suas manifestações de uma forma mais ativa, saindo às ruas,
03:05o que até então a gente não tinha, não via aí desde a redemocratização dessa magnitude.
03:12E também mobilizou vários grupos a tentarem representar,
03:17ou tentarem colocar as suas reivindicações de forma mais ativa.
03:22E aí vários movimentos surgiram por conta disso, movimentos que culminaram em uma atuação de posições políticas,
03:32movimento Agora, movimento Acredito, próprio MBL, outros movimentos que se fortaleceram,
03:39indo para as ruas, se manifestando, indo para as redes sociais.
03:42E a partir daí também essa relação do eleitor com os seus candidatos e os mandatários mudou também,
03:50porque a gente teve aí as redes sociais que começaram ali a gerar também um outro canal de comunicação,
03:58um canal de prestação de contas e também de pressão, de reivindicação, de cobrança da sociedade
04:03com os seus eleitos ali, os seus políticos ou candidatos durante as eleições.
04:09Então, em 18, a gente acentuou esse processo e as eleições nacionais, como a gente se aproxima agora em 26,
04:16começaram a mais parecerem plebiscitos do que de fato as pessoas irem ali buscar por um cenário,
04:24um voto de convicção.
04:27E mais um voto útil em muitos momentos que acabou culminando em candidaturas que não representaram a maioria da população,
04:34que não conseguiram após a eleição, por mais que tivesse ali um resultado de divisão clara da sociedade,
04:42não conseguiu depois da eleição.
04:44Uma coisa é você ter um processo eleitoral onde há uma divisão clara da sociedade
04:51e no momento em que esses mandatários assumem, conseguir unir a sociedade novamente
04:55e fazer com que essa governabilidade aconteça, com que você consiga responder às demandas da sociedade.
05:00Isso não aconteceu tanto em 18 quanto em 22 e a gente caminha para um cenário parecido nesse momento.
05:07Então, sim, há uma crise em relação a caminhos para essa crise,
05:12o momento em que a gente precisa que os políticos cada vez mais, os candidatos,
05:17eles estejam próximos da sociedade, entendam essa mudança de comportamento.
05:22Eu falei aqui das redes sociais, mas outros componentes dessa comunicação da sociedade
05:29e a forma como a sociedade hoje vive.
05:32A gente mudou completamente o perfil desse eleitor e os políticos, os candidatos,
05:38não acompanharam essas mudanças, tanto no ponto de vista de comunicação quanto de entregas.
05:44Então, o que a gente vê ainda é uma política tradicional muito prevalente, muito forte.
05:50A gente sabe que há uma busca pela renovação e isso passa por uma educação política maior da sociedade
05:56para que a gente tenha um voto mais crítico, uma atuação cívica que fuja um pouco desse pêndulo
06:04de tirar alguém do mandato ao invés de ir lá e realmente ter uma candidatura que se defenda.
06:10Então, no curto prazo, professor, o que a gente vê é que ainda a gente mantém esse cenário,
06:172026 está muito próximo e a gente vê ainda essa indefinição em um cenário polar entre Lula e Bolsonaro
06:26e, óbvio, um caminho e um espaço enorme para que a gente capture esse sentimento ainda de insatisfação,
06:32de crise de representatividade e traga nomes que realmente sejam competitivos
06:38e consigam dialogar nesse novo ambiente, nessa nova forma de se comunicar
06:45e perfil comportamental da sociedade para a gente dar um passo mesmo como país
06:50e sair desse atoleiro que a gente se meteu e sem proposta, sem propósito
06:56para esse eleitor ir às urnas com vontade, com convicção.
06:59Obrigado.
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