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Em encontro na Associação Comercial de São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez um panorama histórico da economia brasileira, destacou o desafio estrutural de sua geração e analisou fatores recentes que influenciam o câmbio, a política monetária e a percepção de risco global. Ele explicou a importância de manter a taxa de juros em patamar restritivo para garantir a convergência da inflação à meta e comentou a resiliência do mercado de trabalho.

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Transcrição
00:00E agora nós vamos com imagens ao vivo da Associação Comercial de São Paulo,
00:04onde o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de um encontro.
00:08Vamos conferir.
00:09Comunicação de Banco Central, não fazer nada muito diferente do que está na comunicação oficial,
00:14mas também não fazer a plateia dormir na nossa comunicação,
00:17aqui não provocar sono na plateia ou reproduzir o que está na comunicação oficial.
00:21Eu vou tentar fazer um recorte, que eu vou começar de um nível de distância maior,
00:26vamos dizer assim, do tempo atual, e vou me aproximando gradativamente aqui do momento atual,
00:33com perspectivas mais distantes, até mais próximas,
00:36e vou tentar criar um elo cada vez que eu fizer a transição para cada uma dessas três passagens aqui.
00:43A primeira parte que eu queria destacar é uma perspectiva mais estrutural,
00:49que eu acho que eu tenho repetido bastante sobre aquilo que é a agenda do Banco Central,
00:55o que é a agenda essencial do Banco Central agora para os próximos anos,
00:59que é enfrentar um desafio que eu acho que é um desafio da nossa geração.
01:03E eu tenho repetido que, quando a gente olha para a literatura,
01:06ou para a história econômica do Brasil nos últimos 100 anos,
01:10a gente pode encontrar de maneira bem destacada três fases bem claras ali.
01:14Tem um primeiro momento que vai ser registrado ali nos anos 30, após a crise de 1929,
01:20que é quando a economia brasileira tem de enfrentar um desafio,
01:24que é, a partir do entreguerras e a crise de 1929,
01:28superar o fato de que ela era uma economia basicamente dependente da exportação de café.
01:33A sociedade brasileira era uma sociedade, ou era um país que era representado basicamente por isso,
01:38por ser uma sociedade produtora de um único produto, exportador de um único produto, que era o café.
01:43E, através da exportação...
01:45Tinha sido outras culturas anteriormente, mas, através da exportação de café,
01:49se importava tudo demais que se precisava, e era assim que funcionava a economia brasileira até ali.
01:55A partir daí, por meio de diversos presidentes,
01:59se encarou um processo de industrialização do Brasil,
02:02que produziu uma mudança bastante profunda na nossa sociedade,
02:06onde você deixou de ser um país ou uma sociedade que era predominantemente rural
02:11para ser uma economia que é predominantemente urbana e industrializada.
02:16Isso foi feito em um período curto de tempo, relativamente curto,
02:19entre 1930 e 1980.
02:21O Brasil deixou de ser um país predominantemente rural e monocultura agroexportadora
02:26para se constituir ali um dos parques industriais mais densos,
02:30diversificados da periferia do sistema, podemos dizer assim,
02:33com taxas de crescimento bastante elevadas.
02:36A taxa média de crescimento ali naquele momento
02:39era de aproximadamente 7% ao ano,
02:42o que significava que o PIB dobrava a cada 10 anos no Brasil,
02:46sem contar períodos específicos, como foi o caso do Milagre Econômico,
02:48quando chegou a crescer 14% ao ano ali o PIB.
02:53Isso acontece durante esse período,
02:55mas a gente vai vivenciar ali uma intensificação do processo inflacionário no Brasil.
03:00Vocês sabem que os economistas raramente conseguem chegar em consensos
03:06sobre temas que já passaram e até categorias, muitas vezes.
03:10Então, se eu fosse aqui debater o conceito de hiperinflação,
03:13a gente ia também perder bastante tempo aqui.
03:16Mas o Brasil foi um raro caso de um país que conviveu
03:20com inflação acima de três dígitos por 15 anos.
03:24Então, no resto do mundo, a gente assiste a esses casos de inflação mais forte,
03:29mais intensa, acima de três dígitos,
03:31mas eles são mais agudos.
03:33Eles costumam ser casos bastante intensos por um prazo mais curto.
03:37No Brasil, isso durou 15 anos.
03:40Tanto que, nos anos 80 e nos anos 90,
03:43era impossível você ser economista no Brasil
03:45sem fazer a sua dissertação de mestrado,
03:48a sua tese de doutorado ou um paper que não tratasse de inflação.
03:50pipocavam todos os tipos de interpretação
03:53sobre inflação inercial, como se discutiu,
03:57taxonomias da inflação.
03:59Então, você tinha uma série de discussões
04:01sobre quais eram os motivos,
04:02por que se explicava aquela inflação,
04:05sem contar os diversos planos de estabilização
04:07que foram assistidos ao longo dos anos 80,
04:11até a gente chegar com o plano real,
04:14que era uma alternativa, uma proposta,
04:17que já existia, do ponto de vista da literatura,
04:20e pensada nos anos 80.
04:22Vocês sabem que eu tive a oportunidade,
04:24o Banco Central está fazendo 60 anos esse ano,
04:28e eu tive a oportunidade de fazer conversas,
04:31não diria entrevistas, seria muita pretensão na minha parte,
04:34mas conversas com todos os presidentes de Banco Central,
04:37ex-presidentes de Banco Central, que estão vivos.
04:41E o Pércio, quando fiz uma pergunta para ele
04:44sobre o que ele teria feito diferente,
04:46o Pércio Arida, que é um dos pais do plano real,
04:48ele falou que eu teria estudado mais direito.
04:51Eu falei, mas por quê?
04:52Ele falou, porque nos anos 80,
04:53quando a gente quis propor algo próximo ao plano real,
04:56um advogado me disse que não era possível
04:58você ter a proposta de moeda indexada,
05:00e eu acreditei.
05:01Passaram-se alguns anos, quando chegou 93,
05:03eu chamei um advogado, não para me perguntar
05:05se era possível, mas como era possível.
05:07E a gente conseguiu fazer,
05:09porque conseguiu superar juridicamente alguns empecilhos.
05:12Mas além disso, além dos empecilhos jurídicos...
05:14Esse discurso aí do presidente do Banco Central,
05:16Gabriel Galipo, na Associação Comercial de São Paulo.
05:19E se tiver alguma fala interessante,
05:22que possa te dar algum insight interessante
05:23para os negócios, a gente volta aqui e te informa.
05:27Vamos voltar com imagens ao vivo
05:29da Associação Comercial de São Paulo,
05:31onde o presidente do Banco Central,
05:33Gabriel Galipo, participa de um encontro.
05:35Vamos conferir mais um trecho da fala dele.
05:37...da economia, vão ter de encontrar
05:40um outro destino para essas exportações.
05:43Esse é um cenário...
05:44Esse tem sido apontado pelos analistas
05:47e pelos economistas que respondem,
05:49ao questionário do Focus e do Precopon especificamente,
05:52como o efeito mais perene, vamos dizer assim.
05:57Mas também, quando nós perguntamos aos economistas
05:59se eles já incorporaram esse efeito,
06:01a maior parte dos economistas diz que não.
06:02Esse efeito não foi incorporado.
06:05Então, esse é basicamente o registro que nós temos hoje.
06:10Há um segundo efeito que ainda a ser visto,
06:15o quanto ele é mais conjuntural e o quanto ele é mais perene,
06:18que é uma certa mudança de correlação
06:21na variação das moedas, no preço das moedas
06:27ou na cotação das moedas e dos ativos
06:29em função de você ter um cenário de aversão a risco,
06:33um aumento da aversão a risco
06:34ou aumento do apetite ao risco.
06:37Vou dar aqui dois exemplos.
06:38Quando a gente assistiu o anúncio do Liberation Day das tarifas,
06:43a gente assistiu um cenário de aumento
06:46da percepção de risco, de aversão a risco,
06:49e sempre quando você tinha aumento de aversão a risco,
06:50você voava para os ativos que são mais seguros,
06:53o porto seguro, que a gente chama,
06:55que é o dólar, justamente são os ativos norte-americanos.
06:58Naquele momento, a gente assistiu um movimento não tão óbvio
07:03de corrida para o dólar como esse porto seguro
07:07e até uma perda de valor do dólar,
07:10que pode ser explicada pelo fato que justamente o epicentro
07:12daquele movimento de geração de aversão a risco
07:15estava nos Estados Unidos.
07:17Porém, logo depois, a gente assiste um processo
07:22do recrudescimento de um conflito geopolítico no Oriente Médio
07:26que, antes ainda da entrada dos Estados Unidos,
07:29a gente também observou ali um sinal estranho
07:32de que, em uma elevação da aversão a risco,
07:35a gente não observou uma valorização do dólar
07:38como se podia imaginar num cenário tradicional.
07:42O que a gente tem acompanhado na conversa,
07:45especialmente com outros atores
07:47que estão atuando em mercados internacionais,
07:51é que dificilmente você vai encontrar
07:54qualquer outro tipo de oferta
07:58para você ter liquidez e ativos
08:01no volume que o mercado financeiro norte-americano apresenta.
08:05Especialmente pelas oportunidades que você enxerga ali,
08:08seja pelo tamanho do mercado de títulos,
08:09seja pelo tamanho do mercado de ações,
08:12o mercado de equities norte-americano
08:14e pela exuberância que as empresas têm apresentado ali
08:18do ponto de ganhos e de crescimento.
08:20Ou seja, é muito difícil você investir em inteligência artificial
08:23e ficar fora do mercado norte-americano.
08:24E a gente já vem assistindo uma consolidação
08:26há anos desse mercado de ações nos Estados Unidos.
08:29Era cada vez mais interessante você comprar uma empresa fora
08:32e fazer abertura de capital nos Estados Unidos
08:34porque o múltiplo era muito maior.
08:36Mas o que a gente vem assistindo é
08:37os investidores não deixam de investir lá,
08:40mas passaram a se redear,
08:42a contratar algum tipo de proteção
08:44contra a desvalorização do dólar.
08:47O que matematicamente,
08:49ou do ponto de posição de portfólio,
08:51é o equivalente a você estar vendido na moeda,
08:55mas nesse caso é para tentar neutralizar
08:57ou mitigar o risco da variação cambial.
09:00Então você está entrando com os ativos ali,
09:01mas fazendo uma posição relativamente nova.
09:03o que precisa ser observado ainda
09:07do ponto de vista dos desdobramentos,
09:10de o quanto isso é relativamente duradouro ou não.
09:15Quando a gente volta aqui para o nosso quadrado
09:17do que é o mandato do Banco Central,
09:22eu acho que a gente tem...
09:24A gente usou uma expressão que causa algum tipo de desconforto
09:28do ponto de vista do leitor,
09:29que é um pouco contra-intuitivo,
09:31que é uma ideia de continuidade da interrupção
09:33ou continuação da interrupção.
09:35São duas palavras que parecem se excluir,
09:37a continuação da interrupção.
09:39Mas a brincadeira que eu faço sempre
09:42é que o Banco Central é o zagueiro.
09:45Então, na dúvida,
09:47entre o estilo e afastar a bola da pequena área,
09:50o importante é sempre se afastar a bola da pequena área.
09:53Então, se a gente precisar comprometer o estilo
09:55na escrita para conseguir passar a mensagem
09:58de maneira bastante clara,
09:59a gente vai preferir comprometer o estilo na escrita
10:01e passar a mensagem de maneira bastante clara,
10:03porque a ideia de continuação da interrupção
10:05expressa exatamente o que a gente pretende dizer.
10:08Se a gente fez uma interrupção,
10:10estamos olhando os sinais da economia,
10:13os indicadores,
10:14os diversos indicadores que nós acompanhamos,
10:16para corroborar que o patamar
10:18que nós colocamos a taxa de juros
10:20é um patamar restritivo,
10:23o suficiente para a gente poder produzir
10:26a convergência da inflação para a meta.
10:30É óbvio que, em momentos como esse,
10:31a gente vai assistir sinais mistos,
10:34a economia não vai se comportar de maneira homogênea,
10:38ordenada,
10:39como muitas vezes a gente vê nos livros e textos.
10:41Então, hoje, como a gente escreveu na ata,
10:43a gente consegue enxergar de maneira
10:44um pouco mais visível
10:46os canais de transmissão da política monetária
10:49funcionando no crédito,
10:50e a gente continua enxergando
10:54um mercado de trabalho
10:55que segue apresentando resiliência
10:58dentro daquela linha do que a gente vinha conversando
11:01ao longo aqui da minha explicação.
11:03Então, o mercado de trabalho
11:03segue apresentando ali uma resiliência.
11:06Acho que é um processo
11:06dentro do que a gente vem esperando.
11:10Daqui a pouco, então,
11:10a gente volta a mostrar para vocês
11:12mais um trecho do discurso
11:13do presidente do Banco Central,
11:15Gabriel Galípolo,
11:16na Associação Comercial de São Paulo.
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