00:00A gente vai falar do governador que arrecadou um valor recorde, na verdade o governo, o governo de forma geral, o governo federal, arrecadou um valor recorde, imposto de importação em 2025 com aquelas encomendas internacionais.
00:16Vocês lembram da taxa das blusinhas? Pois é, um assunto então para Denise Campos de Toledo. Denise, qual foi o valor arrecadado pelo governo? Boa tarde, bem-vindo.
00:25Boa tarde, Márcia. Boa tarde, Bruno. Boa tarde a todos que acompanham o Tempo Real. Pois é, 5 bilhões de reais no ano passado, recorde de arrecadação, que vem de um recorde anterior também em 2024, foram arrecadados 2 bilhões 880.
00:41Já se imaginava esse recorde, mesmo com a diminuição das transações através das plataformas de e-commerce, porque houve, na verdade, uma regulamentação.
00:52Se fez muito barulho na época do lançamento, já havia uma regulamentação anterior, só que os exportadores lá do exterior, as plataformas, driblavam.
01:02Então, passavam as compras aí como pessoas físicas, tinha pessoas físicas aí com 10 milhões de transações.
01:10Então, em determinado momento, o governo lançou essa ideia de uma taxação diferente para evitar que houvesse esse drible.
01:17Se colocou o nome de taxa das blusinhas. O governo acabou recuando porque teve uma chiadeira danada, principalmente nas redes sociais.
01:24Só que depois o Congresso aprovou essa taxação. Como o governo vem aumentando vários tributos, ampliando o leque de tributações, ele ficou também com a responsabilidade, com a culpa, entre aspas, da taxação das blusinhas, que vem rendendo muito.
01:405 bilhões, sendo que o governo bateu recorde no ano passado de arrecadação de vários outros tributos.
01:45Teve a mudança das regras de OEF. OEF foi o grande destaque da arrecadação do ano passado.
01:50Agora, as pessoas estão pagando mais caro. É uma taxação de 20% nas compras internacionais até 50 dólares.
01:58Isso começou a valer em 2024, em agosto de 2024.
02:03E a justificativa, na época, era da concorrência, entre aspas, desleal feita por essas plataformas, à medida em que a indústria brasileira não tinha a mesma condição de tributação e tinha outras questões de custos.
02:15Agora, recentemente, a Câmara voltou a discutir essa questão, porque não se viu tanto resultado quanto se esperava, em termos de avanço da indústria nacional, a partir dessa restrição.
02:27Mas, de qualquer modo, houve esse recorde no ano passado, mesmo com a diminuição do número de transações.
02:33Agora, sobre uma elevação de imposto de importação de bens de capital, como ficou essa repercussão do governo, falando de bens de capital e também de informática?
02:47Teve um aumento na importação? Qual foi o número divulgado?
02:50Olha, Bruno, essa daí é uma expectativa que a decisão do governo, que passou pela CAMEX, deve sair só na próxima semana, mas o setor de máquinas e equipamentos já está comemorando, dado o ingresso forte de máquinas e equipamentos, bens de capital, de informática no país,
03:07num momento em que aumentou a taxação nos Estados Unidos e também na Europa.
03:11Vamos lembrar que a indústria nacional continua com aquela mega taxação de 50% dos Estados Unidos.
03:17Isso pode ser alvo, inclusive, das discussões entre o presidente Lula e Trump na reunião do mês de março, mas, de qualquer modo, a indústria continua penalizada por isso.
03:26E a indústria de transformação, no ano passado, teve uma performance muito ruim.
03:30No balanço que foi divulgado pelo IBGE, foi um segmento que teve variação negativa no ano passado, em termos de avanço da produção.
03:36Então, o que se imagina é que se os importados chegarem mais caros aqui no Brasil e pega aço também do âmbito do Mercosul, tem essas mudanças, tem outros produtos, uma taxação irrelevante que pode render para o governo mais 14 bilhões de reais com potencial de chegar a 20 bilhões.
03:54Mas, por enquanto, os cálculos apontam 14 bilhões.
03:57É protecionismo, né?
03:58Na prática, a gente precisa conferir se isso, de fato, estimula investimentos em produtividade, em competitividade.
04:04A indústria brasileira tem problemas, por exemplo, diferentes da concorrência internacional quanto ao custo de mão de obra, a própria formação da mão de obra.
04:13Então, temos problemas seríssimos do lado produtivo aqui no Brasil, mas o Brasil precisa ampliar investimentos exatamente nessa área, ganhar competitividade, acontecer com a indústria o que aconteceu com o agro.
04:24Por enquanto, se vê essa medida com uma certa ressalva, porque, na prática, se trata de mais protecionismo, que pode render mais para os cofres públicos.
04:32Obrigada, Denise Campos de Toledo, pela análise.
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