00:00Vamos acompanhar ao vivo a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
00:06O motivo para o recrudescimento de tensões não faz nenhum sentido para nós.
00:13O presidente Alckmin tem feito um esforço monumental de conversar com a sua contraparte.
00:20Ontem mesmo houve uma conversa mais longa, a terceira e mais longa conversa que tiveram.
00:27Eu acredito que eu não estou muito fixado na data, porque se nós ficarmos apreensivos com ela,
00:35nós podemos inibir que a conversa transcorra com mais liberdade, com mais sinceridade entre os dois países.
00:44Então, nós vamos prosperar nas negociações.
00:48O seu plano de contingenciamento?
00:50Eu não sei, porque isso tem sido uma decisão unilateral.
00:55Não só em relação ao Brasil, em relação ao mundo inteiro.
00:59Ontem mesmo o presidente dos Estados Unidos disse que não tem tempo para negociar com todos os países
01:06e vai fixar uma alíquota para o mundo inteiro.
01:09Mas o foco é uma resposta deles, as cartas que foram enviadas.
01:12O foco é uma resposta.
01:13Sim, o foco nosso é se manifestar em relação às duas cartas que foram encaminhadas desde maio,
01:24para que nós possamos mapear o que de fato está em jogo, o que de fato é importante para eles, para nós,
01:30e endereçar uma solução.
01:31O seu plano de contingenciamento?
01:33O presidente Lula precisa ligar para o presidente Lula Trump?
01:36Olha, os canais conosco, não existe obstrução.
01:41Eu já liguei para o Besset, já me reuni com o Besset na Califórnia.
01:45O Alckmin já falou três vezes com o Lutnik.
01:48O Mauro está lá, tem oito senadores lá.
01:51Quando dois chefes de Estado vão conversar, tem uma preparação antes,
01:56para que não seja uma coisa que subordine um país ao outro.
02:01Tem uma preparação protocolar mínima para que dois chefes possam conversar.
02:05Ministro, o plano de contingenciamento?
02:08É uma coisa de dois países soberanos, não é uma coisa de sair correndo atrás.
02:13É uma coisa que tem que ter um certo protocolo.
02:17A gente tem que entender que o Brasil é grande, que o Brasil...
02:19Isso não é arrogância nenhuma, longe de nós.
02:23A gente se dá bem com todo mundo.
02:25É uma questão protocolar para que o país se coloque dignamente à mesa.
02:32Dialogue com um par, com um parceiro centenário, de 200 anos de parceria.
02:39Então, é papel nosso, dos ministros, justamente azeitar os canais
02:45para que a conversa, quando ocorrer, seja a mais dignificante, edificante possível.
02:52Não seja uma coisa como aconteceu, né?
02:54Vocês presenciaram várias conversas que não foram conversas respeitosas, né?
03:02Tem que haver uma preparação antes para que seja uma coisa respeitosa,
03:06para que os dois povos se sintam valorizados à mesa de negociação.
03:11Não haja um sentimento de viralatismo, de subordinação.
03:17Então, preparar isso é respeito ao povo brasileiro, à soberania do povo.
03:22Não é uma questão.
03:23O presidente Lula não representa a si mesmo.
03:25O presidente Lula representa um país, né?
03:28Que tem 200 anos de independência.
03:31Então, precisa ter uma certa liturgia para que a coisa aconteça de forma apropriada.
03:37Então, esse assodamento, às vezes eu vejo pressão da oposição.
03:42Vai lá, sai correndo atrás.
03:44O Bolsonaro, ele tinha um estilo muito subserviente.
03:48Isso não está à altura do Brasil.
03:51Foi o presidente mais subserviente da história do Brasil.
03:55Mas vamos virar um pouquinho a página da subserviência
03:59e com muita humildade se colocar à mesa,
04:02mas respeitando os valores do nosso país.
04:04Ministro, o plano de contingenciamento já pronto,
04:06qual é a sua avaliação do que foi entregue ao presidente Lula
04:09e a questão de data?
04:10Quando ele vai de fato...
04:11Mais uma vez...
04:15O presidente manifestou muita tranquilidade
04:22em relação ao plano de contingência.
04:24São vários cenários que foram apresentados.
04:28E ele falou, olha, eu não vou me fixar em data
04:30porque eu tenho uma relação histórica com os Estados Unidos.
04:33Eu me dei bem com todos os presidentes americanos
04:36com quem eu dialoguei.
04:38Então, não tem razão para ser diferente agora.
04:40Eu me dei bem com o Clinton, me dei bem com o Obama,
04:42me dei bem com o Bush, com o Biden.
04:45Quer dizer, qual a razão agora
04:47para esse tipo de postura de animosidade?
04:51Não faz sentido para o presidente Lula.
04:53Tem um presidente eleito lá, tem um presidente eleito cá.
04:57Vamos negociar, vamos conversar em bases respeitosas.
05:00E o senhor, ministro, a sua avaliação,
05:02é um plano que vai conseguir segurar os pontos,
05:05mitigar os efeitos ali?
05:07Nós estamos muito confiantes de que nós preparamos um trabalho
05:11que vai permitir o Brasil superar esse momento
05:14que não foi criado por nós,
05:16um evento externo que não foi criado por nós.
05:19Mas o Brasil vai estar preparado para cuidar das suas empresas,
05:24dos seus trabalhadores e, ao mesmo tempo,
05:26se manter permanentemente em uma mesa de negociação,
05:30buscando racionalidade, buscando respeito mútuo,
05:35estreitamento das relações.
05:37Então, dentre os vários cenários,
05:45há um que estabelece esse tipo de...
05:49Mas eu não sei qual é o cenário que o presidente vai optar.
05:52Por isso que eu não posso adiantar as medidas
05:54que vão ser anunciadas por ele.
05:56Mas como são vários cenários,
05:57todo tipo de medida cabe em algum deles.
06:00Mas quem vai decidir a escala, o montante,
06:03a oportunidade, a conveniência e a data
06:07é o presidente.
06:08Então, nós não estamos fixados nessa data de 1º de agosto
06:11porque nós temos uma relação
06:12que tem que ser restabelecida
06:14e vai ser feita com a maior dignidade possível.
06:17Obrigado.
06:18Muito obrigada, ministro.
06:21Mário, a gente viu, então, essa fala aí do Haddad,
06:23falando sobre o plano de socorro do presidente Lula.
06:27A impressão que dá é que eles não deixaram tudo muito
06:30para a última hora?
06:31Então, Paula, eu acho que tem duas coisas aí.
06:33De um lado, ele não quis falar muito do plano de socorro, né?
06:36É, ele deixou umas entrelinhas, né?
06:37É, nossa repórter Fernanda Sete
06:39estava tentando exatamente saber um pouquinho mais.
06:41A gente tem notícias de que foi preparado,
06:42ele admite que foi preparado,
06:44mas eles não querem anunciar porque ele...
06:46Tem também uma questão, assim,
06:48anunciar um plano de socorro é anunciar,
06:50de alguma maneira, uma possibilidade de apoio
06:52ao setor privado,
06:54com o qual o governo não quer se comprometer,
06:56a menos que seja altamente necessário, né?
06:58Então, tem uma ideia de que, assim,
07:00a hora que a tarifa aparecer,
07:02eu vou ter isso aqui na manga
07:03para colocar e tentar acalmar o setor privado.
07:06Porque ele falou várias vezes lá,
07:08eu não vou me apegar a uma data,
07:10o primeiro de agosto,
07:12mas as empresas estão com essa faca no pescoço, né?
07:14Porque se a partir do momento que você tem
07:15uma entrega para fazer,
07:17e essa entrega pode mudar significativamente
07:19seu preço,
07:20isso tem que se apegar a essa data,
07:21não é um mero detalhe, né?
07:23Não é uma questão narrativa, retórica,
07:26vai aplicar.
07:27Então, ele está contando com a ideia
07:29de que esse pacote,
07:31que não é conhecido do geral,
07:33mas que foi preparado,
07:34seria suficiente para apaziguar
07:36o problema dos empresários brasileiros,
07:38no caso de Donald Trump,
07:39afirmar aí, reafirmar esse 50%.
07:42Isso é de um lado.
07:43Do outro,
07:44fica a questão que ele também está ali
07:46deixando como sendo o foco,
07:48talvez, da conversa,
07:49que é a possibilidade disso não acontecer,
07:52de que não tenham 50% de tarifa,
07:56de que essa negociação,
07:57em nome da soberania dos dois países,
07:59da boa relação sempre estabelecida,
08:01que isso vai chegar a um ponto de resolução.
08:05E aí, Paula,
08:05queria falar um ponto que eu acho
08:06que ele tratou ali,
08:08um pouco na lateral,
08:09mas tratou,
08:09que é aquela cena de Donald Trump
08:13sentado sempre com o líder ao lado
08:14ali na Casa Branca,
08:16que a gente viu acontecer várias vezes,
08:18onde o protagonismo,
08:19via de regra,
08:20é assumido por Donald Trump.
08:21Você tem alguém do lado que concorda,
08:24que é obrigado a falar sobre um pouco
08:25as qualidades de negociação de Donald Trump,
08:28e que o caso talvez extremo
08:29foi o Volodymyr Zelensky,
08:31que teve, de fato, um bate-boca,
08:33que foi aquela cena super,
08:35enfim, complexa para pensar
08:37na forma de negociação internacional.
08:40Esse mecanismo é o que o Donald Trump gosta,
08:42porque reafirma o posicionamento
08:44de Trump internacionalmente.
08:45E o Haddad vai dizendo,
08:46se dois chefes de Estado vão se encontrar,
08:50tem que pavimentar o caminho
08:51para que isso aconteça com dignidade.
08:54Então, tem um assunto que é,
08:55se é para esse anúncio
08:57de uma volta atrás de Donald Trump
08:59acontecer junto com o presidente Lula,
09:01o presidente Lula está disposto
09:02a sentar ao lado da cadeira ali,
09:04naquela cena,
09:06e dizer que,
09:07e ouvir a benevolência de Donald Trump,
09:09de uma redução de 50 para 30,
09:11de uma redução de 50 para 20,
09:13lembrando que 20 ainda é muito,
09:14quer dizer,
09:15essa cena é uma cena
09:16que o governo brasileiro
09:17considera plausível
09:19dentro da sua alternativa
09:21de soberania
09:23e de dignidade
09:24da relação entre os países.
09:26Acho que esse é um assunto
09:27que também está sendo debatido
09:28e que talvez não tenha uma resolução,
09:30e aí, realmente,
09:31nos cabe um pouco aguardar
09:32para entender.
09:33Não é muito o perfil de Lula
09:36se colocar nessa situação,
09:38não é o que ele vem fazendo
09:39nas suas falas,
09:40mas se isso é algo
09:40que Donald Trump
09:41pode colocar na conta,
09:43vamos ver se vai ser esse o preço
09:45para o caso brasileiro
09:46poder sair da Berlinda
09:48no campo internacional.
09:49Paula.
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