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Alberto Ajzental analisou no Money Times Brasil os bastidores do novo acordo entre Estados Unidos e Japão, que envolveu tarifas, investimentos e defesa. O Brasil, ainda na fila, enfrenta entraves políticos e diplomáticos nas tratativas com Washington.

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Transcrição
00:00Só nesta semana, os Estados Unidos anunciaram um acordo com o Japão e parece que logo vem aí a negociação com a União Europeia, deve ter um desfecho em breve.
00:09Assim como o Brasil, outros países ainda estão ali na fila, na expectativa para essas negociações.
00:14Sobre o acordo com o Japão, foram divulgadas uma série de pontos ali, foram divulgados para que o acordo fosse fechado.
00:20E o Alberto Azental já está por aqui para falar mais em relação aos pontos e os destaques dele em relação a esses acordos.
00:27Azental, boa tarde para você. Bem-vindo ao Money.
00:31Boa tarde, Nati. Boa tarde a todos que nos acompanham.
00:36Azental, a gente teve uma entrevista recente com o ex-embaixador Rubens Barbosa, em que ele deixou claro que tem dois canais.
00:42Muita gente tem falado disso, o diplomático e o canal negocial.
00:46Explica para a gente as principais diferenças entre eles e em qual que a gente tem que apostar nesse momento.
00:54Nati, a gente fez essa entrevista com o ex-embaixador de Washington brasileiro, em Washington e Londres, Rubens Barbosa.
01:06Isso foi na quarta-feira à noite, no jornal Times Brasil.
01:10E foi uma ótima entrevista, super esclarecedora.
01:14Uma verdadeira aula, né?
01:16Porque ele tem muita experiência, é muito sensato e ponderado.
01:22Então, basicamente, quando você vai para uma negociação comercial,
01:27você pode pensar em termos racionais, em termos de buscar...
01:33A gente falou do Batman, em termos de buscar uma situação ganha-ganha,
01:37falar de tarifas, falar de números.
01:40Então, esse seria um canal comercial, um canal de negociação.
01:47E quem está conduzindo, quem está à frente, quem fala sobre esse assunto
01:52é o vice-presidente do Brasil, um verdadeiro estadista, uma pessoa ponderada, fala muito bem.
02:02E ele teve uma conversa no sábado com o Howard Lutnick, que é o secretário de comércio dos Estados Unidos.
02:12Disse que foi uma ótima conversa, só que ninguém sabe do que se tratou.
02:17Então, ele tem recebido os empresários brasileiros e, de certa forma,
02:22é ele que tem coordenado e tocado esse canal.
02:27Só que, se a gente voltar um pouco atrás e lembrar da carta recebida
02:32lá pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
02:37a gente vê que é uma carta bastante influenciada e de teor político ideológico,
02:46quando ele menciona STF, Bolsonaro, etc.
02:49Então, na própria carta, a gente já percebe uma mistura de canais.
02:57O outro canal é um canal político ideológico que está completamente obstruído.
03:06E quem tem tocado ou não tocado esse canal é o presidente da república.
03:13Então, a gente percebe que o presidente desempenha um determinado papel
03:18na medida em que ele está no palanque e ele instiga a relação Brasil-Estados Unidos.
03:24E a gente vê que Geraldo Alckmin, ele fala mais no sentido de negociação de números
03:32e chegar a um determinado termo.
03:35Então, a gente percebe que há dois canais bem claros, bem nítidos.
03:41Canal diplomático, canal ideológico-político, que deve ser pavimentado e desobstruído
03:48pela diplomacia, eventualmente pelo Itamaraty, ou principalmente, talvez como o Rubens Barbosa
03:58menciona, numa alta esfera, quem sabe entre os próprios dois presidentes dos dois países,
04:07coisa que não vem acontecendo, esse canal está completamente obstruído.
04:13Então, o que acontece é que o canal político ideológico, que deve ser trabalhado pelos diplomatas,
04:22que são especialistas nisso, esse entendo, ele é preponderante hoje, ele prevalece sobre o canal comercial.
04:34Certo. E, bom, quando a gente olha, Zental, para o acordo fechado entre Estados Unidos e Japão,
04:42o que ela trouxe de insight? O que te chama a atenção nessa negociação?
04:47E tem alguma coisa que a gente que ainda está nessa fila, para quem sabe, talvez, tentar negociar?
04:52O que a gente pode tirar e aprender ali do resultado?
04:56Dá para aproveitar alguma coisa ou são situações completamente diferentes?
04:59Então, é superinteressante, Nati, porque a gente tem que aprender com o trabalho dos outros e o resultado dos outros.
05:10E o Japão entrou, ele atingiu determinado resultado.
05:14Então, vamos chamar a primeira arte e a gente vai fazer uma análise do resultado, do outcome,
05:22do resultado obtido nessa relação ou nessa negociação Japão-Estados Unidos.
05:28Eu não sei que arte que está agora aí.
05:34A gente está vendo um resumo do acordo, então fala ali das tarifas automotivas,
05:39outras tarifas previstas para 1º de agosto, caindo de 25 para 15, e do investimento japonês.
05:46Para mim ficou, agora está claro, porque eu na tela não consigo ver a arte em si,
05:51e as artes estão aqui comigo.
05:53Então, olha que interessante, Japão e Estados Unidos, eles reduziram as tarifas automotivas de 27,5% para 15%.
06:03E é absurdamente interessante essa questão de 15%, porque montadoras norte-americanas instaladas no Canadá e no México
06:13tem alíquotas de 25%, então já está mais difícil para as próprias montadoras norte-americanas com sede
06:23nesses outros dois países, elas têm tarifas mais altas do que o próprio Japão.
06:29E a China também, China com carros chineses fabricados em território, os chineses também têm uma alíquota superior.
06:36Agora, você vê que tem investimento japonês, 550 bilhões de dólares em território americano.
06:47Podemos chamar já uma próxima arte?
06:50Só me canta o primeiro quadro.
06:53Vamos nessa, já está na tela, começa com compra japonesa, 100 aviões da Boeing.
06:58Perfeito, olha o que tem na pauta.
07:01Os japoneses comprarem 100 aviões Boeing, automaticamente não vão comprar 100 aviões da Airbus.
07:09Defesa.
07:10Os japoneses, ao invés de comprar 14 bilhões de dólares em equipamentos e material de defesa,
07:17passam para 17 bilhões de dólares.
07:19Cadeias produtivas, leasing para semicondutores e fármacos, com lucro de 90% para os Estados Unidos.
07:28Já podemos chamar a próxima arte?
07:31E essa eu já sei qual é que é a terceira e última.
07:35Vamos lá, essa tem o quadro sobre agronegócio, né?
07:40O aumento de 75.
07:40O aumento de 75% nas compras de arroz.
07:43Os japoneses comprarem 75 a mais, 8 bilhões de dólares em alimentos.
07:49Isso é importantíssimo, porque os japoneses nunca permitiram a importação de arroz.
07:59Não que arroz tenha um valor agregado, não tem valor agregado arroz.
08:05Não que pudesse representar tanto, mas para os japoneses, por tradição, por cultura,
08:12eles defendem a produção de arroz em território japonês.
08:16E sempre em negociação com os japoneses, essa foi uma trava enorme.
08:24E olha o que os americanos fizeram, olha o que os japoneses cederam.
08:29E também uma questão, uma barreira não tarifária em relação ao setor automobilístico,
08:35que os japoneses alegam ou alegavam que os carros norte-americanos não passavam
08:41nos testes de segurança, eventualmente mais importantes, mais fortes,
08:48realizados pelos japoneses em relação aos carros norte-americanos.
08:53Isso é uma barreira não tarifária, isso caiu.
08:57Agora, fica a exclusão ainda para aço e alumínio de 50%.
09:01Então, o que a gente vê através dessas três artes?
09:06Que a negociação, ela não se dá só em cima das tarifas.
09:13Não é só número no sentido de quanto vou deixar de pagar de tarifa.
09:19É você fazer mais trocas entre as partes.
09:24550 bilhões de investimento japonês em território norte-americano,
09:30não diz respeito à troca propriamente dita e não diz respeito à tarifa propriamente dita.
09:37Então, o que acontece é que é o seguinte, isso aqui é uma aula e é uma lição
09:42para quem está na fila para negociar com os Estados Unidos,
09:48o que deve colocar na pauta.
09:52Tudo isso deve ser discutido.
09:54Então, esse era o ponto pelo qual eu quis fazer essas artes para deixar bem claro
09:59que o escopo de negociação é muito mais amplo.
10:04É, de fato.
10:05Esclareceu muita coisa aqui.
10:07A gente enxerga como houve...
10:11Assim, o Japão acabou cedendo bastante.
10:14Então, você vê esse movimento como uma possibilidade?
10:16Tem chance da gente chegar nisso?
10:18Ou a conversa aqui tem um tom muito diferente mesmo?
10:21A gente já fez aquela introdução, Nath, e tem esses dois canais.
10:28Então, o Brasil tem que trabalhar muito no canal diplomático,
10:33tem que reestabelecer a abertura de um canal.
10:38Não é secretaria de comércio nos Estados Unidos a questão ou o interlocutor.
10:44Na conversa com o ex-embaixador, como a gente mencionou,
10:48a conversa é na Casa Branca, é com o presidente.
10:54A gente pode falar e fazer uma série de coisas.
10:58A gente vai estar correndo atrás do rabo.
11:01Na verdade, o canal diplomático está obstruído.
11:07E, na medida em que, de parte a parte, as provocações vêm se elevando,
11:14eu diria que, muito provavelmente, o canal se obstrui cada vez mais.
11:21Certo.
11:22Vamos aguardar, então, os próximos passos nos próximos dias.
11:25Obrigada, viu, Azentão?
11:27Boa tarde para você e ótimo fim de semana.
11:29Obrigado, igualmente.
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