00:00Nelsummit AI, primeiro evento do Nelfeed para discutir o impacto da inteligência artificial no mundo dos negócios.
00:08Quem está aqui comigo agora é a Quintela, chairman do grupo VML no Brasil.
00:14Vamos falar um pouco sobre inteligência artificial na publicidade.
00:19É um tópico que dá para a manga, né?
00:21Porque a gente tem questão de direitos autorais, novos personagens, novos influenciadores.
00:27Recentemente a gente teve um caso da Marisa Maior, que é uma personagem que ganhou fama nas redes sociais e começou a ser usada também para comerciais.
00:38Como que fica a questão de direitos autorais?
00:42A publicidade tem visto a inteligência artificial como uma aposta para novas caras, né? Para a publicidade.
00:50Obrigado aqui pela entrevista.
00:53Com toda certeza, mais do que uma aposta, eu acho que a publicidade tem visto a inteligência artificial como uma oportunidade, ou como uma aliada.
01:01Mas só que, não só no setor da publicidade, do advertising, existem desafios e entre eles a questão do direito autoral, né?
01:09Porque no final do dia, a base de tudo isso foi criado por um humano.
01:15E esse humano tem direitos sobre essa criação.
01:17Então, eu acho que com cuidado e com toda a questão de governança das empresas, das multinacionais, a gente tem visto isso como uma oportunidade.
01:28Agora, tem que tomar cuidado para a oportunidade também não ser um mar, uma seara de oportunistas, né?
01:34Em relação a facilitar o trabalho, ganhar uma qualidade, desrespeitando os processos naturais de qualquer tipo de ferramenta nova, assim como o AI também.
01:43Então, a gente teve aí festivais de criação que é um pouco mais solto, né?
01:48Pelo mundo inteiro, né?
01:49Os publicitários participam muito disso para realmente exarcebar a sua condição criativa.
01:55E o AI tem sido um aliado bacana, se usado da maneira correta, se usado de acordo com o que o cliente, que nós trabalhamos para os nossos clientes, né?
02:04Então, se os clientes estão alinhados, o marketing está alinhado com a gente, mas eu acho que tem muita coisa que está chegando por aí bem bacana, dentro das quatro linhas do campo, que realmente não é uma evolução.
02:19Na minha opinião, é uma revolução na propaganda, principalmente nesse processo criativo.
02:23E como tem sido a demanda dos seus clientes por caras, rostos de inteligência artificial?
02:29Você acha que os personagens de inteligência artificial podem tomar o lugar dos atores, dos modelos, dos influenciadores digitais?
02:38Tenho certeza que não.
02:40A demanda existe, mas como a gente diz na propaganda, depende do briefing.
02:44Então, assim, tem o briefing, ou tem o pedido de uma campanha, ou de um filme, ou de uma campanha só de print, que a inteligência artificial, ou esses personagens que você fala, eles cabem muito bem.
02:57E tem outros que não têm a menor noção do que se deve colocar em relação à inteligência artificial, porque, como diz a minha mãe, não orna.
03:06Tem uma hora que não orna.
03:06Então, você tem que ir com puro realismo, com atores verdadeiros, com atrizes verdadeiros, com modelos verdadeiros.
03:13Então, eu acho que, assim, depende muito do briefing que isso acaba te levando para um lado ou para o outro.
03:19Mas, volto a dizer, a inteligência artificial na propaganda é uma aliada como nunca teve antes.
03:25Agora, tem tecnologias, como o VEL, lançado recentemente, que permitem criações que parecem muito realistas.
03:33A gente teve até um caso de uma prefeitura fazendo um comercial de uma festa junina completamente com a inteligência artificial.
03:42Como que fica a questão do custo?
03:44É mais barato usar a inteligência artificial para propaganda e publicidade do que o modelo antigo, o modelo tradicional?
03:52Olha, se bem colocado, se bem adaptado, com toda certeza o custo é realmente muito relevante, o que se baixa em termos de preço.
03:59Mas, até, estava tendo uma empresa que saiu na mídia agora, semana passada, dizendo que fez uma série de filmes 100% com inteligência artificial para a internet e que foi pela metade do preço.
04:15E aí, até escrevi, eu falei, tomara que não tenha sido pela metade do alcance ou pela metade da performance.
04:20Então, assim, é bacana fazer pela metade do preço, é bacana fazer mais barato, mas aí, atinge os objetivos que você quer.
04:28Então, não adianta ser pela metade do preço e pela metade do alcance.
04:31Então, de novo, o que manda nessa história é a pegada do briefing, é o entendimento, é a compreensão de que você pode ir para lá ou para cá em relação à inteligência artificial.
04:41Mas, no mundo da propaganda, tem muitos outros setores e muitos outros campos que não têm muito a ver com a criatividade, aliás, que não têm nada a ver com a criatividade, que a inteligência artificial tem alcançado.
04:53O próprio grupo que eu trabalho há 21 anos, que é o grupo WPP, um dos maiores grupos do planeta de propaganda e de tecnologia, eles têm uma plataforma, que é o WPP Open, que é de inteligência artificial,
05:04que, em muitos casos, tem nenhuma relação com a propaganda. É uma empresa de tecnologia que coloca a AI própria dentro das companhias, usando para propaganda ou não.
05:14Então, tem diversas maneiras de aplicar isso, que nasce pela propaganda, mas não necessariamente fica só na propaganda.
05:21E quando você fala sobre alcance e resultado, você acha que pessoas ainda conectam mais com os consumidores do que personagens feitos por inteligência artificial?
05:33É que o personagem colocado de uma maneira bem adequada, você pode embalar ele como uma música emocionante, com um texto, com uma mensagem que te traga uma empatia fora de série.
05:45Então, assim, a gente não está só falando de AI, a gente está falando, por exemplo, de animação.
05:49Existem propagandas brasileiras de animação, que hoje são feitas mais de AI, pela velocidade e pelo custo, que emocionaram o país inteiro.
05:57Desde os filmes da estrela, dos jogos de brinquedos, estrela de Natal, tem uma série de coisas que eram feitas de animação que emocionam.
06:06Então, a questão de ser humano ou não, eu entendo que depende do roteiro, depende da pegada, da sonorização,
06:13de tudo que embala aquele filme e aquela campanha.
06:16Mas, com certeza, ainda nem AI inventou alguma coisa que faça uma conexão maior com o consumidor do que o olho no olho e o olho humano de verdade.
06:26Então, você pega casos de grandes ativos, Denise Fraga, que faz a campanha para a Viva, você pega a Fernanda Montenegro, que faz para o Banco Itaú,
06:34aqueles filmes de final de ano, aquilo é inacreditável, algo com cura, aquilo é incomparável.
06:40Aquela voz, o AI da Fernanda Montenegro está tudo dentro dela, ela produz a realidade e o próprio AI.
06:47Então, eu acho que isso é incomparável. O humano jamais será substituído em vários pontos.
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