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O imposto de renda de pessoa física está prestes a mudar! A Lei 15.270, sancionada em novembro, introduz um imposto mínimo anual de 10% sobre a renda total para quem ganha acima de R$ 600 mil.

A nova regra, que entra em vigor em 2026, tem como principal objetivo tributar os dividendos recebidos por pessoas físicas, que antes eram isentos. Essa medida representa uma mudança significativa na tributação de altos rendimentos no Brasil.

Com a participação de Roberto Freitas (G5 Partners) e Hermano Barbosa (BMA Advogados), vamos analisar o impacto dessa lei na gestão empresarial e nos portfólios dos clientes. Descubra como essa alteração pode afetar empresários, profissionais liberais e todos os investidores.

Entenda o contexto por trás da criação dessa lei, que visa isentar rendas mais baixas em contrapartida com a tributação de altos rendimentos. O que realmente muda no seu bolso e como se preparar para essas novas exigências fiscais?

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Transcrição
00:00Olá, eu sou Patrícia Valle e esse é o WealthPoint, onde os grandes gestores compartilham em suas visões.
00:18A Lei 15.270, funcionada por Lula no fim de novembro, traz uma cobrança mensal sobre os dividendos que passem de 50 mil pagos às pessoas físicas
00:28e um ajuste anual para garantir um imposto mínimo de 10%.
00:32As novas regras passam a valer a partir de 2026 e afetam a todos os investidores empresários e profissionais liberais.
00:40Para discutir o impacto da medida e como ela afeta a gestão empresarial e o portfólio desses clientes,
00:47recebemos Roberto Freitas, Head da área de Wealth Planning da G5 Partners,
00:52e Hermano Barbosa, sócio de direito tributário do BMA Advogados.
00:58Bem-vindos ao WealthPoint.
01:01Obrigado, Patrícia, Nelfide, pelo convite. É um prazer estar aqui.
01:05Obrigado, Patrícia. É ótimo estar aqui com vocês e com todos que estamos assistindo.
01:08Obrigada a vocês pela presença.
01:11Queria que primeiro a gente explicasse para quem está nos escutando o que foi o objetivo dessa Lei 15.270.
01:18Qual o contexto que ela está envolvida e o que ela prega?
01:22Vamos lá. Essa lei que vem sendo debatida durante todo o ano de 2025,
01:27ela veio para atender. Ela trata de dois temas importantes.
01:32O primeiro é uma promessa feita pelo governo, ainda na campanha do presidente Lula,
01:36de isentar de tributação as pessoas que recebessem, que é até 5 mil reais.
01:43Na verdade, a promessa é essa que foi até estendida para estabelecer uma redução do imposto de renda
01:47para quem recebe até uma faixa um pouco superior a essa, ainda que não seja totalmente isento.
01:52Mas era preciso haver uma contrapartida.
01:55E a contrapartida, pelo menos apresentada pelo governo como uma contrapartida,
02:00foi a criação de um imposto mínimo sobre rendas oferidas pela pessoa física.
02:07O que acontece aqui? Vai parar de haver imposto de renda? Imposto de renda vai mudar?
02:11Não. Na verdade, o que está sendo criado é uma nova modalidade de incidência
02:15do imposto de renda das pessoas físicas, apurada e devida, muito provavelmente,
02:22no mesmo período de apuração do imposto de renda, na declaração de ajuste anual,
02:28mas que vai olhar para o total da renda recebida pela pessoa durante o exercício,
02:33vai olhar para quanto de imposto de renda aquela pessoa pagou durante o exercício
02:38ou na própria declaração e vai chegar a uma conclusão.
02:43Se aquele imposto é superior a 10% do total recebido, não tem nenhuma cobrança adicional,
02:51mas se a pessoa recebeu, pagou menos de 10% sobre as suas rendas totais
02:58em relação ao cúmputo geral dos seus rendimentos naquele ano-calendário,
03:02então ela vai precisar complementar o pagamento de modo a que tenha recolhido
03:07pelo menos 10% de imposto sobre a sua renda.
03:11Nem todo mundo está sujeito a essa nova tributação,
03:14é só para os contribuintes, para as pessoas físicas que recebam
03:17600 mil reais no ano ou mais, sendo que essa alíquota é progressiva,
03:22começando em 600 mil reais, a alíquota zero, até 10% para uma renda anual
03:28de 1 milhão e 200 mil reais, a partir de 1 milhão e 200 mil reais, é 10%.
03:33Por isso que esse projeto, que embora a lei fale imposto de renda mínima,
03:38foi vendido pelo governo no seu discurso político como a tributação da alta renda,
03:46que na verdade recai na sua alíquota máxima sobre quem tem renda total anual
03:50superior ao equivalente a 1 milhão e 200 mil reais.
03:53E o que se coloca na visão de quem está sendo afetado por isso, né, Roberto,
03:58aqui é uma tributação de dividendos, que foi uma tentativa já em vários governos
04:04de se fazer, e talvez esse tenha conseguido, é assim que as famílias estão lidando?
04:09Excelente ponto, Patrícia.
04:10E primeiro, acho que vale a pena a gente fazer um esclarecimento, né,
04:15como o irmão bem falou, isso é imposto de renda pessoa física,
04:18então, tocando já nos dividendos, dividendos entre pessoas jurídicas,
04:22dentro de um grupo econômico, de uma cadeia estruturada societária,
04:25isso não está sendo afetado por essa nova sistemática tributária.
04:29Agora sim, quando a gente chega no último nível e existe a distribuição de dividendos
04:33para a pessoa física, aí sim, esse pagamento já é considerado na nova sistemática,
04:39e quando a gente roda os números, entende a sistemática dessa tributação,
04:43onde a gente vai entrar um pouco mais em detalhe,
04:45fica evidente que o resultado e o objetivo foi alcançado,
04:49que é tributar os dividendos recebidos pelas pessoas físicas.
04:54A gente vai mostrar aqui por A mais B que esse é o resultado principal
04:58que foi alcançado com essa nova sistemática de tributação, sem dúvida.
05:02E de uma forma geral, ficaram dúvidas nesse texto?
05:06Dá para dizer que ele é um texto que deixa claro o que se precisa fazer,
05:10vocês como profissionais de Wealth Planning e advogados, ou não?
05:14A gente ainda tem que esperar normatizações ou talvez alguns esclarecimentos
05:18e ano que vem será o ano disso.
05:21Vamos lá. O texto, vamos direto ao ponto.
05:24O texto foi muito ruim.
05:26Eu acho que o objetivo do governo foi cumprido, que foi criar a nova tributação,
05:30fazer com que essa nova tributação recaísse sobre dividendos, como o Roberto bem colocou.
05:36Ficaram de fora, que foi um tema em discussão, os rendimentos isentos de produtos financeiros,
05:43produtos financeiros isentos, CRI, CRA, Fundo de Investimento Pobiliário,
05:49continuam todos isentos, isso foi respeitado.
05:51Mas atingiu-se um objetivo do governo que foi justamente de, de um lado,
05:56isentar agendas mais baixas, mas tributar dividendos.
05:59Na prática, esse é o efeito dessa nova lei.
06:02Dividendos sempre foram isentos no Brasil, pelo menos durante os últimos 30 anos.
06:08E agora, embora não fossem diretamente tributados,
06:12mas entrariam nessa regra da tributação anual.
06:16Mas o texto, apesar da tramitação ter sido transcorrida num período razoável,
06:23a gente veio desde metade do primeiro semestre até o final de novembro,
06:28eu acho que esses meses todos não traduzem a intensidade e o período de efetiva discussão.
06:36Durante esse meio do caminho, a gente teve, por exemplo, debates grandes no Congresso Nacional
06:40sobre a clama MP 1303, que visava tributar os rendimentos de produtos financeiros,
06:48todas as discussões, momentos políticos pelos quais o país passou,
06:51que não tem nada a ver com matéria tributária,
06:53mas que afetam naturalmente o andamento e a discussão de um projeto
06:58que trata de temas que têm uma importância transversal,
07:03atingindo todos os setores da economia,
07:05pessoas localizadas em todo o país e com todos os perfis,
07:08desde que tenham alta renda, evidentemente.
07:11E no final, o que a gente teve foi um texto que nasceu já com alguns problemas.
07:18Eu acho que, de um lado, tem temas que mereceriam uma correção
07:23e, de outro, tem temas que são ainda reveladores de dúvidas na interpretação.
07:30Curioso é dessas coisas que parece que só acontecem no Brasil.
07:33A lei já nasceu com uma promessa de aprovação de um projeto paralelo
07:39para corrigir determinados pontos relativos à própria lei.
07:42É uma coisa curiosíssima.
07:43Isso teve uma razão histórica de acontecer assim,
07:45quando o projeto chegou no Senado, houve um interesse de não se fazer mudanças,
07:50pelo menos, minimamente significativas,
07:53para que o projeto não tivesse, então, na forma regimental,
07:56que voltar para a Câmara dos Deputados e que poderia atrasar a tramitação do projeto,
08:01quem sabe até impedir a sua aprovação nesse ano,
08:03e ela precisava ser aprovada agora para poder produzir efeitos a partir do ano que vem.
08:08Então, o Senado acabou aprovando o texto como ele estava,
08:11sem mudanças, com uma promessa, em certa medida,
08:14de que determinados temas fossem tratados num projeto paralelo para ter tramitação.
08:19Acho difícil fazer uma projeção, se consegue ser aprovada, então, ou não, até o final do ano.
08:26Mas tem muitos temas de dúvida, que eu acho que tem alguns importantes, a gente vai comentar aqui.
08:30E que a gente não sabe, né, irmão, se a regulamentação da receita vai ser capaz de elucidar os todos.
08:34Porque alguns são desafios importantes, como cálculo de alíquota efetiva em estruturas de cadeia societária de holdings,
08:44cálculo de alíquota efetiva quando o investidor investe em diferentes empresas.
08:49Então, traz uma complexidade alta e a gente espera que a regulamentação traga um pouco de luz a esses pontos.
08:54Antes da gente entrar no que exatamente a lei prevê e no que ela muda,
08:59eu queria que a gente deixasse claro quem são as pessoas que estão sendo afetadas.
09:04Roberto, você está separando os clientes que realmente entram ou não nisso?
09:10O que a gente pode dizer?
09:12É essa ideia que o governo passa de ser uns grandes empresários que estão sendo afetados ou não?
09:18Quem exatamente está nesse bolo e precisa de uma orientação extra nesse momento?
09:22Perfeito, Patrícia. Esse ponto é super importante.
09:25Eu acho que aqui vale um esclarecimento de cara que é.
09:28Aquele investidor que oferece rendimentos de aplicação financeira, seja isenta ou tributada,
09:34e não conta com um montante relevante no seu total de rendimentos de dividendos,
09:40esse investidor, esse contribuinte não vai ser afetado por essa lei.
09:44Ele vai estar dentro da sistemática, vai ser considerado no limite alta renda,
09:48mas ele não vai ter imposto a pagar.
09:50Quem, de fato, uma vez rodando os números, entendendo a sistemática,
09:54ser afetado por essa nova regra de imposto mínimo sobre alta renda,
09:59é o contribuinte, o investidor, que tem uma receita de dividendos relevante,
10:05considerando o total dos rendimentos que integram a base do imposto,
10:08que não são todos, como o Hermano mencionou.
10:10Então, no fim do dia, ele afeta grandes investidores,
10:14mas também afeta profissionais liberais, advogados, médicos,
10:17que têm seus rendimentos de trabalho remunerados a título de dividendo por sua empresa.
10:21Então, isso afeta um amplo escopo de investidores e não só os grandes empresários, por assim dizer.
10:29Então, isso é um dado importante que vai forçar a gente a analisar caso a caso aqui essas dinâmicas.
10:36A gente está tendo uma correria até o final do ano por conta de um prazo
10:41para salvar, guardar a isenção para lucros acumulados até o fim do ano,
10:45que isso afeta empresas em geral,
10:47mas olhando para frente, pensando no perfil dos investidores daqui para frente,
10:51a composição dos seus portfólios,
10:53isso vai afetar desde o profissional liberal
10:56àquele grande empresário que recebe dividendos da sua indústria, por exemplo.
11:01Hermano, então explica para a gente o que é essa retenção mensal
11:05que a lei prevê e esse ajuste anual.
11:09Como é que isso passa a funcionar a partir do ano que vem?
11:13Vamos lá.
11:14É interessante que esse foi um aspecto complementar da regra,
11:18mas ele é tão importante quanto todos os outros
11:20e ganhou um espaço na mídia muito merecido pela sua relevância,
11:24como se fosse até o objetivo principal da lei.
11:27Que é a isenção dos 5 mil que você está dizendo.
11:30A isenção dos 5 mil e a tributação de uma renda mínima.
11:32Sim.
11:32A lei surge então com esses dois contrapontos,
11:36a isenção dos 5 mil e a tributação de uma renda mínima.
11:39Mas, para quem olha minimamente
11:42sob uma perspectiva de finança pública,
11:45isso causaria um claro problema,
11:47porque a isenção tem efeitos imediatos na renúncia de receita,
11:52enquanto a tributação da renda mínima é uma renda mínima anual,
11:56o recolhimento só aconteceria em 2027.
11:58Então, a gente teria aí um natural descasamento que precisava ser respondido.
12:02E a resposta é uma resposta natural, portanto,
12:06que foi a criação de uma antecipação de imposto
12:09para já ser recolhido durante o exercício,
12:12em especial a partir de 1º de janeiro de 2026.
12:15E antecipação sobre qual tipo de renda?
12:18Dividendos.
12:18Então, assim, a par de tudo que a gente já falou aqui,
12:22essa nova lei estabeleceu uma regra de incidência,
12:26uma regra de tributação na fonte dos dividendos
12:30pagos pelas pessoas jurídicas brasileiras,
12:34quaisquer que sejam elas, limitadas, S.A.s, enfim,
12:38para dois tipos de contribuintes.
12:42As pessoas físicas residentes aqui no Brasil,
12:45que vão estar sujeitos ao imposto mínimo potencialmente,
12:48e investidores não residentes.
12:51Os investidores que sejam residentes ou domiciliados no exterior
12:54e aí qualquer que seja o tipo.
12:56Fundo de investimento, pessoa física, pessoa jurídica,
12:59houve uma declaração, distribuição de dividendos para o exterior,
13:02vai estar sujeito a essa tributação.
13:04Sem conter a mínima, né?
13:06Vamos lá.
13:06Para as pessoas físicas residentes,
13:09existe um limite mínimo para se passar a ter a retenção,
13:12que é de R$ 50 mil por mês,
13:15de uma mesma empresa,
13:16para o mesmo beneficiário, pessoa física.
13:19Portanto, se eu receber um total de R$ 120 mil a títulos de dividendos,
13:26mas pagos por três empresas diferentes,
13:29três CNPJs diferentes,
13:31não terei a retenção do imposto
13:34relativo àqueles pagamentos.
13:37Isso não significa que esses valores não vão ser tributados no final do ano,
13:40quando eu for apurar a minha renda mínima, né?
13:43Mas eu não terei essa retenção anual.
13:46Para os investidores não residentes, não houve esse limite.
13:48Qualquer pagamento que seja feito vai estar sujeito aos 10%.
13:52E esse imposto, ele começa a valer já a partir de 1º de janeiro do ano que vem.
13:56Com base num fato gerador, assim, que foi estabelecido de forma muito ampla,
14:03mas que pega qualquer declaração, crédito, distribuição, pagamento, emprego,
14:09enfim, houve declaração de dividendos,
14:11a partir de 1º de janeiro de 2026,
14:14incidirá esse imposto de 10%,
14:17essa retenção na fonte de 10%,
14:19caso o beneficiário seja uma pessoa física residente no Brasil
14:22ou investidor residente no exterior.
14:24Isso, independentemente da natureza ou da origem desses lucros,
14:28que eu quero dizer com isso.
14:29Ainda que sejam lucros formados até 2025,
14:35a distribuição desses lucros,
14:38a partir da entrada em vigor da lei,
14:401º de janeiro do ano que vem,
14:42passará a estar sujeita à incidência desse novo imposto.
14:45Roberto, significa que
14:47um dono de uma padaria, por exemplo,
14:51que queira receber em janeiro,
14:53um mês que se paga muito imposto, por exemplo,
14:5550 mil vai ser retido,
14:58ou um médico, um dentista
14:59que queira receber 50 mil aí da sua empresa
15:04vai ser retido.
15:06Tem que se atentar agora ao fluxo de caixa, é isso?
15:09Perfeito.
15:09Com relação a janeiro, a gente tem uma questão,
15:11é que se essa distribuição vai se dar em pagamento
15:15a uma distribuição aprovada até o fim do ano,
15:17com a manutenção da isenção ou não,
15:19ou se é do lucro gerado naquele mesmo mês da distribuição.
15:25Vamos assumir que é o segundo caso que a gente está falando.
15:27Então, se ele receber 50 mil e um centavo,
15:31essa retenção vai ser devida,
15:34e isso já vai ser retido pela empresa pagadora.
15:37Então, mais uma obrigação para as empresas no Brasil
15:39de fazer retenções para o pagamento desses dividendos.
15:44Então, sim, essa vai ser a nova dinâmica a partir do ano que vem.
15:49Então, aqui, a consequência é que, primeiro,
15:53o exemplo de janeiro é excelente, Patrícia,
15:56porque quando a gente tem uma retenção em janeiro,
15:58qual é a dinâmica?
15:59Você vai ter disponibilidade desse recurso retido.
16:03Que é de 10%, né?
16:04Que é de 10%.
16:0555 mil vai pegar 5.500, né?
16:07Esse é um bom ponto também.
16:08Sim, exatamente.
16:09A retenção é sobre o total,
16:12não apenas o que excede o limite para início da retenção.
16:15Esse também foi um ponto de crítica ao projeto.
16:17Outro ponto de crítica ao projeto foi,
16:19por que a alíquota de 10%?
16:21Que é a alíquota máxima do imposto mínimo.
16:23Por que não fazer 7,5%, como era o projeto original,
16:26ou qualquer outro,
16:28para depois fazer o ajuste anual e eventualmente complementar?
16:30Não.
16:30Eles optaram por levar a retenção para a alíquota máxima,
16:34reforçando o ponto da necessidade de arrecadação
16:37para compensar o aumento da faixa de isenção.
16:40Então, aqui a gente vai ter um efeito muito gravoso
16:42para o empresário,
16:44que é a indisponibilidade desse 10%,
16:46usando o seu exemplo, no mês de janeiro.
16:48Isso vai fazer com que ele tenha que esperar
16:50a declaração de ajuste anual do ano seguinte,
16:52em abril, maio,
16:54para entender se ele vai ter direito à restituição
16:56dessa retenção que é feita a título de antecipação.
16:59Então, se a gente considerar que
17:01a gente teve 5 lotes de restituição esse ano,
17:03o último foi em setembro,
17:04para os dividendos retidos,
17:06a gente vai estar falando mais de um ano e meio
17:07eles sem esse recurso.
17:10E, irmão, pelo que eu sei da lei,
17:12essa retenção também é sem correção nem monetária, né?
17:15Essa, essa, essa...
17:18Vamos aguardar a regulamentação,
17:20mas não tem correção.
17:22Até existe uma correção por Selic
17:24que começa a contar a partir da entrega
17:26da declaração de imposto de renda.
17:28Mas, a gente pode pensar facilmente
17:31numa situação em que um pagamento aconteça
17:33em janeiro de 2026,
17:35a entrega da declaração de imposto de renda
17:37tem um prazo máximo fixado anualmente,
17:39mas costuma ser maio do ano seguinte.
17:42Então, mês 5 de 2027,
17:44teremos aí 12 meses,
17:46mais 5, 16, 17 meses
17:48sem correção,
17:49um período em que os juros...
17:51Vivemos num país e num momento
17:53em que os juros são importantes, né?
17:57São expressivos.
17:58Então, acho que isso faz diferença.
18:00Assim, é um empréstimo muito barato
18:02que vai estar sendo concedido
18:03forçadamente pelos contribuintes
18:07para a administração pública.
18:09Acho que um ponto importante aqui
18:10de mencionar, só pra também...
18:12Acho que é importante o empresário
18:14que nos ouve ter isso na cabeça,
18:16é que esse imediatismo
18:20da tributação de 10%
18:22sobre os dividendos recebidos
18:23poderia sugerir que, então,
18:25era melhor pra ele manter esse dinheiro
18:27dentro da empresa
18:28pra só declarar essa distribuição
18:31uma única vez no ano
18:32no final do exercício.
18:33Mas eu recomendo bastante cuidado.
18:35Aliás, eu recomendo cuidado
18:36pra tudo que se refere à interpretação
18:37dessa nova regra,
18:39não só porque o texto é confuso,
18:40mas porque a gente está mudando conceitos
18:42que sempre foram aplicados
18:43de forma muito repetida
18:45durante muito tempo
18:46por profissionais,
18:47por consultores,
18:48por contadores,
18:49é hora de botar um pouco o pé no freio
18:51e parar pra pensar
18:53sobre os casos específicos.
18:54Vejam esse exemplo.
18:56Ora, em vez de pagar
18:57esse dividendo expressivo,
18:58em janeiro vou segurar
18:59pra pagar esse dividendo
19:00em dezembro.
19:02Assim a minha retenção não acontece
19:03em janeiro,
19:04minha retenção acontece em dezembro.
19:06Consequentemente,
19:06eu vou ter esse dinheiro
19:07mais disponível
19:08durante esse tempo
19:09no meu bolso,
19:10no bolso da empresa,
19:11do que aconteceria
19:13se fosse de outra forma.
19:14Porém,
19:15a tributação de aplicações financeiras
19:17das pessoas jurídicas
19:19é muito mais alta
19:21que a tributação
19:22de aplicações financeiras
19:23das pessoas físicas.
19:25As pessoas jurídicas
19:26elas são tributadas
19:27a 34%
19:28a título de imposto de renda
19:29corporativo,
19:30imposto de renda
19:31e contribuição social,
19:32dependendo do tipo
19:33da pessoa jurídica
19:34que ainda tem piso
19:35com o fim
19:35sobre receita financeira,
19:36se ela tiver no lucro real,
19:38enquanto as pessoas físicas
19:39vão ter uma tributação máxima
19:41sobre a sua receita financeira
19:44de 15%.
19:46Muitos produtos
19:47são isentos.
19:48Então, assim,
19:49é uma conta
19:50que não é
19:50imediata,
19:53não é evidente.
19:55Pode ser que faça
19:56mais sentido
19:57eu distribuir
19:58o dividendo,
20:00sim,
20:00logo em janeiro,
20:01e, aliás,
20:01eu estou dizendo
20:02pode ser para ser educado,
20:03porque eu acho que vai ser
20:03sempre mesmo,
20:04do que esperar
20:05com aquele dinheiro
20:06dentro da empresa
20:07para fazer a distribuição
20:08só no final do exercício.
20:10mas eu acho que esse
20:11é só um dos aspectos
20:12para mostrar
20:12como é que a vida
20:13do empresário
20:14e da pessoa física
20:16de forma geral
20:16vai ficar mais complicada.
20:18Pegando esse gancho,
20:19só reforça a necessidade
20:20do planejamento
20:21caso a caso
20:22e, se no fim do dia,
20:24a opção for por retenção
20:26desse recurso
20:27para o pagamento
20:27no fim do ano
20:28e evitar esse efeito,
20:30o investimento
20:31pela pessoa física
20:32tem que ser bem estudado,
20:33a adoção, por exemplo,
20:34de uma estrutura
20:34de fundo de investimento,
20:36onde a gente evite
20:37o adicional do RPJ.
20:40Tem algumas formas
20:42para estudar,
20:42não aplicáveis
20:43a todas as empresas
20:44ou todos os perfis
20:46de alocação de capital
20:47das empresas,
20:48mas, se a decisão
20:49for essa,
20:50isso tem que estar
20:50necessariamente associado
20:51a uma análise cuidadosa
20:53do instrumento
20:53de investimento
20:54para entender
20:55qual é o efeito
20:56tributário final,
20:57como o Hermano mencionar,
20:58para a conta
21:00não ficar mais cara
21:01do que é o próprio
21:01pagamento da retenção.
21:03Então, explicamos aqui
21:04os efeitos da retenção
21:05que passa muito
21:06pela empresa,
21:07que vai pagar
21:09e a pessoa já fica
21:10com isso depois retido.
21:12Agora, os impactos
21:13desse ajuste anual.
21:15No ajuste anual,
21:16aí já começa a entrar
21:17todo o portfólio
21:18dessa pessoa física,
21:19ou seja,
21:20o que ela tem
21:21de liquidez,
21:22investimentos financeiros,
21:25imóveis ou tudo
21:26que ela receba
21:27não pode passar
21:28de 10%.
21:30Roberto,
21:31o que isso significa
21:32para esse cliente empresário
21:33que recebe dividendos
21:35e, obviamente,
21:35tem um patrimônio
21:36para diversificar
21:38e ter outros rendimentos.
21:42Muda o que para ele?
21:43E é justamente
21:44nesse ajuste anual
21:45que aquela conclusão
21:46do início da nossa conversa
21:47se revela
21:48de maneira clara,
21:49que é,
21:49quando a gente vai
21:50fazer a conta
21:51na nossa declaração
21:52em abril-maio,
21:54a gente vê
21:54o efeito
21:55e a preponderância
21:56dos dividendos
21:58nessa sistemática.
21:59Então,
22:00no final do ano,
22:01a gente vai somar
22:02todos os rendimentos
22:02que integram a base.
22:04Não são todos.
22:05A lista é taxativa
22:06de exclusões,
22:08ganhos de capital,
22:09aposentadoria,
22:10mas, especialmente,
22:11rendimentos de aplicação
22:12financeira isenta,
22:13herança,
22:14alguns tipos de doação,
22:16mas,
22:16via de regra,
22:17entra tudo,
22:18com exceção daqueles
22:18itens listados expressamente.
22:20E, ao fazer o somatório
22:21dos rendimentos
22:22de todos esses itens
22:23incluídos na base,
22:24a gente vai chegar
22:25a um total
22:25que vai ser a base
22:27do imposto.
22:27E aí,
22:28superando 1,200,
22:29a gente vai estar
22:30no cenário
22:31da alíquota máxima
22:32de rendimento anual.
22:35Anual que integra
22:36a base.
22:37E entra tudo,
22:38com exceção daquelas
22:39que a lei exclui
22:40e que a gente
22:41mencionou rapidamente aqui.
22:43O que acontece?
22:44Então,
22:44na alíquota máxima,
22:44a gente vai ver,
22:45ok,
22:46dessa base de cálculo,
22:47quanto desses rendimentos
22:49que integram a base de cálculo
22:50já foram pagos
22:52ao longo do ano
22:53e a gente vai ver
22:54quão longe
22:55ou em excesso
22:56a gente está
22:57dessa tributação mínima
22:58voltando para o tema
22:59da alíquota efetiva
23:00desse contribuinte.
23:01Mas ao fazer isso,
23:03a gente repara que
23:04o dividendo
23:06vai ter um papel
23:07primordial aqui.
23:08Por quê?
23:09A conclusão é que
23:10quem não tem receita
23:10de dividendo,
23:11a vida não muda.
23:12É como se essa apuração
23:13não tivesse ocorrido.
23:15A DA não vai gerar
23:16um DARF
23:16para pagamento adicional
23:17para quem,
23:18por exemplo,
23:18só tem receita financeira,
23:20por exemplo.
23:20Seja título
23:21de investimento
23:22ou aplicação financeira
23:23isenta
23:24ou tributado.
23:25A vida vai mudar
23:26para aquele profissional
23:27liberal ou não,
23:28mas cuja a maioria
23:30dos seus rendimentos
23:31que integram a base
23:32seja composta
23:32por dividendos
23:34até hoje isentos.
23:36E aqui,
23:36seja com retenção
23:37ou sem retenção,
23:38o efeito penalizador
23:41vai ser o mesmo.
23:42Então,
23:43o que a gente está vendo aqui
23:44é
23:44o investidor
23:47tem que olhar
23:47para os seus rendimentos
23:48e o bom exercício
23:49é pegar a sua última declaração
23:50e ver como seria
23:51a sistemática
23:51da nova tributação
23:52se ela já estivesse valendo
23:53ano passado
23:54e entender
23:55se ele é
23:55uma dessas pessoas,
23:57desses investidores
23:57que tem uma preponderância
23:59dos dividendos
23:59no investimento total.
24:00E aí,
24:01nesse caso,
24:02eu entendo
24:02que a gente vai ter
24:03uma oportunidade
24:04de olhar
24:04a composição
24:05desses investimentos
24:06como um todo
24:06e entender
24:07se alguma otimização
24:08é necessária.
24:09Porque,
24:10como o Hermano
24:10bem explicou,
24:11haverá uma compensação
24:14e todo imposto pago
24:15via de regra
24:17vai somar
24:18para a sua alíquota
24:19efetiva ser maior.
24:20e como
24:20a tributação
24:23dos ativos
24:24tributados
24:25nunca é menor
24:25que 15%,
24:26essa é uma alíquota
24:28que já te leva
24:28para um patamar
24:29superior de...
24:30Mas muitos investidores
24:32têm tido
24:33os isentos
24:33que ficaram de fora,
24:35né?
24:35Exato.
24:35E era a última
24:36bolacha do pacote
24:38que está todo mundo
24:39atrás, né?
24:40E...
24:41Quem tem muita...
24:43Quem tem uma carteira
24:44composta preponderantemente
24:45por ativos isentos,
24:46isso é cada vez
24:47mais comum
24:47não vai ter
24:49uma vantagem
24:50por aí.
24:50Se a gente fosse pegar
24:51um exemplo,
24:51vamos pegar um exemplo
24:52bem fácil
24:53e bem extremo.
24:55Uma pessoa física
24:56que seja um auto-executivo
24:59de um determinado
25:01grupo empresarial
25:02e que tem uma
25:02remuneração total
25:03salário, vai?
25:04De um milhão
25:06de reais no ano, né?
25:07Mas ele também
25:08é sócio de uma empresa
25:09e recebe um milhão
25:10de reais
25:10a títulos de dividendos
25:12dessa empresa.
25:13Mais 50 mil por mês,
25:15então ele tem a retenção
25:16total dos...
25:1710%.
25:17Teve uma retenção
25:18de 100 mil reais, né?
25:2010% de um milhão
25:20de reais.
25:22Ele tem um rendimento
25:23total de quanto?
25:24Um mais um,
25:25dois milhões de reais,
25:26um milhão de salário
25:27e um milhão de dividendos,
25:29o que o coloca
25:30na condição
25:31de alta renda,
25:32portanto,
25:32sujeito ao imposto.
25:34Vamos ver,
25:34dois milhões,
25:36ele teria que ter recolhido
25:37pelo menos
25:38200 mil reais
25:40de imposto no ano,
25:4110% de...
25:43E já teve a retenção
25:44de 10% dos dividendos.
25:45porém,
25:46como todos sabemos,
25:48os salários pagos
25:49para a pessoa física
25:50já sofrem
25:51uma retenção
25:52de 27,5%
25:54naquela tabela progressiva,
25:55não.
25:56Então,
25:56numa conta assim
25:57um pouco aproximada,
25:59né?
25:59Claro que tem as deduções
26:00e tudo,
26:01mas assim,
26:01ele,
26:02um milhão de reais,
26:03retenção de 27,5%,
26:05ele não recebeu um milhão
26:06no bolso,
26:06ele recebeu
26:07um milhão menos
26:08270 mil reais.
26:10Então,
26:11vejam que ele teve
26:11270 mil reais
26:13retido já,
26:14que são superiores
26:15aos 200 da renda mínima.
26:16Então,
26:17ele já cumpre
26:18o requisito
26:18de renda mínima,
26:20razão pela qual
26:20tudo que foi retido dele
26:22a título de dividendos
26:24vai ser restituído.
26:27Só no ano que vem.
26:28Isso,
26:29quando ele apresentar
26:29a declaração,
26:30mas eu acho que isso
26:30ilustra um pouco
26:31com números
26:32essas regras
26:33que a gente tinha falado
26:34até aqui.
26:35Tem um outro ponto também
26:36que eu acho que vale a gente mencionar,
26:38embora seja um pouco complexo
26:40e seja aplicável
26:41em situações muito especiais,
26:43será a grande minoria
26:44das empresas,
26:46é que a lei também prevê
26:47uma possibilidade
26:48de restituição
26:49dessa retenção
26:51na fonte de dividendo
26:52para aquelas empresas
26:54que,
26:55para os dividendos
26:56pagos por empresas
26:58que já tenham
26:59uma alíquota efetiva
27:01do imposto corporativo
27:03de 34%
27:05ou próximas
27:06de 34%.
27:08Como é que vai ser isso?
27:09Uma regra um pouquinho
27:09confusa,
27:10mas tentando
27:11simplificar em 20 segundos
27:12aqui.
27:14Eu tenho que somar,
27:15se eu somar
27:16a alíquota efetiva
27:17que foi paga
27:19a título de lucros
27:20pela minha empresa,
27:21imposto de renda
27:21e contribuição social
27:22sobre o lucro,
27:23que tem uma alíquota
27:23nominal de 34%,
27:25junto com os meus 10%
27:27sobre os dividendos
27:27recebidos,
27:28eu não posso exceder
27:2934%.
27:31Puxa, Hermano,
27:32mas se a alíquota nominal
27:33do imposto de renda
27:34e contribuição social
27:34já são 34%,
27:36vão ser todos os casos.
27:37Não,
27:38é alíquota efetiva.
27:39O que é alíquota efetiva
27:40que a lei diz?
27:41Você vai pegar
27:42quanto foi pago
27:44de imposto
27:45pela empresa
27:46durante o ano
27:47dividido
27:49pelo seu lucro
27:50líquido contábil.
27:51E o lucro líquido contábil
27:53não equivale
27:53necessariamente
27:54à base de cálculo
27:55do imposto
27:57de renda corporativo.
27:58A gente tem
27:58muitas despesas
28:00que são
28:00boas para fins
28:02de imposto
28:02de renda,
28:03mas que não
28:03são contadas
28:04para fins contábeis.
28:06Amortizações
28:06e depreciações
28:07especiais,
28:08uso de prejuízo
28:09fiscal acumulado,
28:10muitas empresas
28:11se valem disso.
28:12Empresas estão
28:12localizadas em
28:13regiões incentivadas,
28:15regiões da Sudã,
28:16Sudene,
28:17empresas que usam
28:18algum benefício
28:19fiscal especial,
28:21empresas que usam
28:22algum regime especial
28:23de tributação,
28:25todas as empresas
28:25que estão no lucro
28:26presumido,
28:27nenhuma empresa
28:27no lucro presumido
28:28no Brasil
28:28vai dar causa
28:29essa restituição
28:30de imposto.
28:31Então,
28:32para quem está
28:32nos observando
28:32que está preocupado
28:34com o emprego
28:34presumido,
28:36não precisa nem se preocupar,
28:37essa restituição
28:37ele não vai ter.
28:38Mas é um tema
28:39para ser discutido
28:40também com o consultor,
28:41com o contador,
28:42enfim,
28:43para ser,
28:45em tese,
28:46existe essa possibilidade
28:46de apuração
28:47que vai ser muito restrita,
28:49vai ser casos
28:49muito especiais,
28:50mas existe.
28:51E Patrícia,
28:51fazendo um link
28:52com o exemplo dele,
28:52existe um outro exemplo
28:53que também ilustra
28:54o outro lado da moeda.
28:56Imagina,
28:57a gente teve no final
28:58de 2023 a 2014
28:59754
29:00e no começo de janeiro
29:01uma intensa análise
29:05por parte dos gestores
29:06das estruturas
29:07de investimento
29:07dos clientes.
29:08Tudo para,
29:09já que a gente
29:10passou a ter
29:11comicotas nos fundos,
29:12como otimizar
29:13a estrutura
29:14de investimento
29:14dos clientes,
29:15adaptando para fundos
29:18os poucos
29:18que sobraram
29:19sem comicotas,
29:20aumentando a parcela
29:21de ativos isentos,
29:22por exemplo,
29:22isso tudo
29:23há dois anos atrás.
29:25Chegamos agora
29:26em 2025,
29:26a gente se depara
29:27com uma realidade
29:28onde aquele investidor
29:29que, por exemplo,
29:30tem muita receita
29:31de dividendo,
29:32tem dividendos
29:33e o resto do patrimônio
29:35é alocado
29:36em ativos isentos.
29:38Esse cara,
29:39a partir do ano que vem,
29:40ele deveria
29:42analisar a sua carteira
29:43com mais cuidado,
29:44porque os dividendos
29:45que ele vai continuar
29:45a receber
29:46vão passar
29:46a ter essa retenção
29:47e a preocupação dele
29:48deveria passar a ser
29:49o que eu posso fazer
29:50para aumentar
29:51a minha chance
29:52de ter uma restituição
29:53dessa retenção
29:54que é a título
29:55de adiantamento.
29:56E, obviamente,
29:58ele precisaria
29:59ter rendimentos tributados
30:00a uma alíquota
30:01superior a 10
30:01para que essa diluição
30:03ocorra.
30:04E, naturalmente,
30:04se você tem ativo isento
30:05ou ativo isento,
30:06como a gente mencionou aqui,
30:07está fora.
30:07É como se ele não existisse
30:08para fins da tributação mínima.
30:10Então, ele deveria
30:11olhar
30:12alternativas
30:14e ver se ele consegue
30:15fazer uma migração,
30:17por exemplo,
30:17para ativos tributados,
30:18assumindo, naturalmente,
30:19uma rentabilidade
30:20equivalente,
30:22líquida equivalente.
30:22Para quê?
30:23Para que esses rendimentos
30:25tributados
30:25passem a ajudar ele
30:26a obter
30:27essa restituição,
30:30mesmo que parcial,
30:31porque,
30:32nesse caso,
30:32ele estaria
30:33com a economia
30:34verdade do ativo isento,
30:35mas sem,
30:37tendo um impacto
30:39total
30:39e fazendo com que
30:40essa retenção
30:41passasse a ser definitiva
30:42e não mais um adiantamento.
30:43Então,
30:44esse é um caso clássico
30:45que a gente entende
30:45que a customização
30:47da carteira
30:48a partir do ano que vem
30:49vai ser muito importante,
30:51considerando, naturalmente,
30:52a parcela de dividendos
30:52desse cliente,
30:53desse investidor,
30:55entender como é
30:56que é o portfólio
30:56de rendimentos tributados
30:58que ele tenha
30:59além do próprio dividendo.
31:01Agora,
31:01um outro ativo
31:02que está na carteira
31:03também dos investidores
31:05e que foi contemplado
31:07na lei
31:07são os reais,
31:09os imobiliários.
31:11Então,
31:11a gente falou muito
31:11sobre o impacto
31:13para ativos financeiros,
31:15mas como fica o impacto
31:16para esse investidor
31:18que gosta de receber aluguéis,
31:19tem um portfólio
31:20de imóveis
31:21porque é uma coisa física
31:23que ele vê
31:24ou recebeu da família
31:25por muito tempo,
31:26está seguro
31:27em receber isso.
31:28Muita gente também
31:29ao longo do tempo
31:30por ter um portfólio,
31:32assim,
31:32cinco,
31:33dez,
31:33mais imóveis,
31:35resolveu colocar isso
31:36em holdings,
31:37para não pagar
31:38os 27,5%
31:40da pessoa física,
31:42botando numa hold
31:43empresarial,
31:43passou a pagar 15,
31:45uma eficiência
31:46tributária
31:46legal
31:47que está prevista.
31:48mas agora
31:50o rendimento
31:51dos imóveis
31:51entram também
31:52no cálculo,
31:53não é isso,
31:53Hermano?
31:54É,
31:54vamos lá,
31:54acho que é importante
31:56a gente distinguir
31:57se a gente está falando
31:57de alguém que tem
31:58um imóvel diretamente
31:59na pessoa física,
32:00esse não é afetado,
32:01ou quem explora
32:02atividade imobiliária
32:04por meio de uma sociedade,
32:06numa sociedade imobiliária,
32:07que esse vai ser afetado.
32:08A lei não discriminou,
32:09ela tributou todo mundo,
32:10né?
32:11De fato,
32:13quem explora
32:13uma atividade imobiliária
32:14por meio
32:15de uma empresa,
32:16vai ser afetado,
32:17porque essa empresa
32:18gera um lucro
32:19que vai ser distribuído
32:20para aquele sócio,
32:21historicamente,
32:22até hoje,
32:23esse lucro era isento,
32:24livre de tributação,
32:26e agora vai passar
32:26a ter essa tributação
32:27de 10%.
32:28Você colocou bem,
32:29Patrícia,
32:30a exploração
32:30da atividade imobiliária
32:32por meio
32:32de uma sociedade
32:33permitia,
32:35em algumas circunstâncias,
32:37uma tributação
32:38mais baixa,
32:39no caso do aluguel,
32:4027,5%
32:41na pessoa física
32:42e mais ou menos
32:4415%
32:45numa exploração
32:45via uma pessoa jurídica,
32:47via uma empresa.
32:48Agora,
32:49a gente passa
32:50até um novo elemento,
32:53uma nova variável
32:54nessa conta,
32:54que é
32:55o imposto
32:56sobre o dividendo
32:57para as tributações
32:58feitas mensalmente
32:59acima de 50 mil reais
33:00e o imposto mínimo
33:02no final do ano,
33:03que,
33:03vamos assumir,
33:04vamos admitir
33:05essa tributação
33:05de 10%,
33:06ela come um pouco,
33:08ela,
33:09no mínimo,
33:10reduz a diferença
33:11entre a tributação
33:13da exploração direta
33:14do imóvel
33:15e a exploração
33:16via uma sociedade.
33:17Acho que via sociedade,
33:18hoje,
33:19ainda vai continuar
33:20sendo vantajosa
33:21em muitos casos,
33:23porém,
33:24a distância diminuiu.
33:26Mas tem o custo
33:26de ter a estrutura também,
33:28né?
33:28Tem o custo de setup,
33:29de você montar
33:30essa estrutura,
33:30de colocar o imóvel
33:31lá dentro,
33:32o custo de manter,
33:33né,
33:34as,
33:34as,
33:35o custo de burocracia mesmo,
33:38né,
33:38e de controles e tal,
33:39que é diferente
33:40e a gente não pode
33:41deixar de lado também,
33:42eu sei que não é o tema
33:43da nossa conversa hoje,
33:44de repente,
33:45a gente volta outro dia
33:46para falar mais em detalhe,
33:47mas quem já,
33:48não está nem batendo
33:49na nossa porta,
33:50já praticamente passou
33:51pela porta aqui
33:51para entrar nas nossas vidas,
33:53é a reforma tributária
33:54do consumo,
33:55IBS,
33:56CBS,
33:56que vão afetar
33:57todos os setores
33:59da economia,
34:00inclusive o setor imobiliário.
34:02Então,
34:02as empresas imobiliárias
34:03que hoje,
34:04até hoje,
34:05não se preocupavam
34:06com impostos sobre consumo,
34:08vão passar,
34:09ser contribuintes também
34:10da CBS,
34:12do IBS,
34:13e que,
34:13portanto,
34:13então,
34:14e muitas vezes
34:15com aumento de carga tributária
34:16em relação ao que você tem hoje,
34:18então,
34:18é mais um elemento
34:19para ser considerado
34:21por cada um
34:22na análise
34:23do seu patrimônio familiar,
34:24pessoal e tal,
34:26com vistas
34:27a procurar se adequar
34:29da forma que seja mais eficiente.
34:30E do ponto de vista da holding,
34:31acho que é importante
34:32reforçar que
34:33a decisão de ter uma holding,
34:36ela não é meramente tributária,
34:37organização do portfólio imobiliário,
34:39planejamento acessório,
34:41esses são objetivos
34:42que continuam válidos
34:44e justificariam
34:44uma estrutura de holding,
34:46mas é verdade
34:46que com a tributação
34:48dos dividendos,
34:49esse adicional de 10%,
34:50e os impactos
34:52da reforma
34:52do IBS,
34:53do CBS,
34:54por exemplo,
34:54tudo tem que ser recalculado
34:55e entender
34:56o que tem mais peso
34:57dentro
34:58da estrutura do cliente,
35:01o que é mais caro a ele,
35:02se é economia tributária,
35:03se é planejamento sucessório,
35:05se é gestão
35:06do portfólio de imóveis,
35:07isso é de um lado.
35:08O outro lado da moeda
35:09é na pessoa física,
35:11a sinapse que o investidor
35:13pode fazer automática
35:14é,
35:14poxa,
35:15se eu preciso
35:16de rendimento tributado
35:17para me ajudar
35:18a ter restituição de dividendos,
35:20é melhor eu ter o imóvel
35:21na física,
35:21alugar na física,
35:22pagar 27,5
35:23e ter esse 27,5
35:25me ajudando
35:25a aumentar
35:26a minha alíquota efetiva
35:27e aumentar a minha chance
35:28de ter uma restituição
35:29parcial
35:30ou total
35:31dos meus dividendos.
35:33Mas,
35:34puxando o gancho,
35:34eu sei que não é o tema da reforma tributária,
35:36a reforma tributária
35:37também prevê incidência
35:38de BS-CBS
35:39para a pessoa física
35:39em alguns casos,
35:40dependendo do número de imóveis
35:41e do valor do aluguel total
35:43recebido ao longo do ano.
35:44Então,
35:44tudo isso tem que ser calculado.
35:46Então,
35:46as respostas rápidas
35:48de corte
35:49de Instagram
35:50e de YouTube,
35:51realmente,
35:52a gente tem que alertar
35:53que tem que ser
35:53tomados com muito cuidado aqui.
35:56Exatamente.
35:57Então,
35:57para fechar,
35:58acho que
35:58quem está nos ouvindo
35:59viu que realmente
36:00é um tema
36:01árido,
36:03é uma lei
36:03que é difícil,
36:05que ainda tem dúvidas,
36:06ainda tem questionamentos.
36:07Ao longo de 2026,
36:09a gente ainda vai esperar
36:10regulação,
36:11uma normatização.
36:13Mas,
36:14eu queria que vocês deixassem
36:15de mensagem
36:16o que
36:17que é
36:17o investidor empresário,
36:19então,
36:19que são os afetados,
36:20precisa estar fazendo
36:22nesse momento.
36:23Como que vocês estão orientando
36:25que eles
36:26se procurem quem,
36:28como se assessorar bem
36:30e talvez
36:31erros que não se pode
36:33cometer
36:33para
36:34para não
36:36ficar na pior
36:38situação
36:39que a lei coloca,
36:40digamos assim,
36:41né?
36:42O que
36:42para a gente
36:44está claro
36:44lá na G5
36:46é que
36:46a análise é multifacetada
36:48em diferentes níveis.
36:50É na pessoa física
36:51a composição do seu portfólio
36:52de rendimentos,
36:53é na empresa familiar,
36:55análise da estrutura
36:56de capital,
36:57que tipo de otimização
36:58vai ser possível
36:59a partir de agora
36:59na estrutura de capital
37:01da empresa,
37:02essa lei
37:03é mais um incentivo
37:04a financiamento
37:06via dívida
37:07e não equity,
37:08é verdade,
37:08está empurrando as empresas
37:09para se endividarem mais,
37:11para ter
37:12uma despesa
37:13dedutível,
37:14ou seja,
37:16o cuidado
37:17para a estrutura de capital
37:18da empresa familiar
37:19vai passar a ser primordial
37:20a partir de agora,
37:21não só a análise
37:22da melhor estrutura
37:23de investimento
37:24na sede da pessoa física.
37:25Então,
37:25uma análise combinada
37:26desse ecossistema
37:27que agora,
37:28sempre foi,
37:29mas agora está cada vez
37:30mais integrada,
37:31especialmente pelos gatilhos,
37:32pelas regras de dedução,
37:34ela tem que ser feita
37:35de maneira global.
37:37Então,
37:37a análise não pode estar
37:38destrita a um mero nível
37:39da pessoa física
37:40do investidor
37:41e não só da pessoa física,
37:43mas ela é integrada
37:44de uma maneira
37:44otimizada,
37:46especialmente,
37:47dado que,
37:48se a gente puxar de um lado,
37:50vai ficar curto do outro.
37:51O cobertor é literalmente
37:52muito curto aqui
37:53e qualquer ajuste
37:54que você faça
37:54de um lado
37:55vai ter repercussão,
37:56seja embaixo
37:57ou em cima.
37:57Então,
37:58isso tudo tem que estar calculado
37:59e, para tanto,
37:59a gente precisa de gestores
38:00qualificados
38:01e advogados também
38:03de ponta
38:04para a gente
38:05botar no papel
38:06e,
38:07mais que nunca,
38:08não existe solução
38:09mais de,
38:11não existe mais
38:12fórmula de bolo,
38:13fórmula de pão,
38:14não existe.
38:15Então,
38:15é customizado
38:16por essência
38:17e cada família
38:18vai ter
38:19um caminho ideal
38:20a seguir.
38:21E,
38:21mais que isso,
38:22nem cada família,
38:23a gente pode ter
38:24circunstâncias
38:24de um marido
38:26e a esposa
38:27com os contos
38:28terem situações
38:29diferentes.
38:30Um ser uma médica,
38:32um profissional liberal,
38:34outro ser um executivo,
38:35quer dizer,
38:35a composição deles,
38:37as necessidades
38:37de portfólio
38:38de rendimento tributado
38:40ou não
38:40vão ser diferentes.
38:41Então,
38:41não é mais no núcleo familiar,
38:43mas sim na sede
38:43da pessoa.
38:45É,
38:45eu acho que,
38:46assim,
38:46falando para quem
38:47nos ouve aqui,
38:48a gente tem,
38:49evidentemente,
38:50uma recomendação
38:51imediata
38:51que quem é sócio
38:53de empresa
38:53que tem ingerência
38:54sobre a administração
38:56ou sobre a tomada
38:56de decisões
38:57pela empresa,
38:58é que as declarações
38:59de lucros
39:00acumulados
39:01e lucros
39:02na medida do possível
39:03em formação
39:04ainda durante o ano
39:04de 2025
39:05aconteçam logo,
39:07ano de 31 de dezembro.
39:09Então,
39:10assim,
39:10que os lucros
39:10declarados agora
39:11ainda em 25,
39:14desde que atendidos
39:14determinados requisitos
39:16da lei
39:16vão estar livres
39:17de tributação,
39:17ainda que pagos
39:18atendidos requisitos
39:20durante os anos
39:21daqui para frente,
39:23especialmente até
39:232028,
39:25mas a declaração
39:26tem que acontecer,
39:28tem que ser formalizada
39:28agora,
39:29então essa é uma
39:30recomendação
39:30imediata.
39:32Agora,
39:32no mais,
39:32olhando o tema
39:33assim de uma forma
39:33mais abrangente,
39:35a gente está em dezembro
39:36aqui,
39:37períodos da,
39:37você quer dar boas notícias,
39:39né,
39:39de alegria,
39:40leveza e tal,
39:41mas assim,
39:41é recomendar atenção,
39:43né,
39:43assim,
39:44acho que essa é mais
39:45uma mudança
39:46importante
39:47que impacta,
39:49que pode ter um impacto
39:50muito relevante
39:51na organização do patrimônio
39:52da pessoa física
39:54e que,
39:55portanto,
39:55deve ser olhada
39:56com atenção.
39:57As regras,
39:58eu acho que essa lei
39:58não deve ser tomada
39:59de forma isolada,
40:00a gente vê
40:00sistematicamente
40:02as regras tributárias
40:03sendo modificadas
40:04para se tornarem
40:04mais complexas,
40:07né,
40:07e com mais ônus
40:09para o contribuinte,
40:12né,
40:12consequentemente
40:13devem ser examinadas
40:15com mais atenção
40:16porque se a gente
40:17puder dar um olhar
40:18positivo para isso,
40:20eu acho que os espaços
40:21para algum planejamento,
40:24para alguma racionalização
40:25e para eficiência
40:29e qualidade,
40:30né,
40:30de achar soluções
40:31boas,
40:32vão trazer resultados
40:33melhores a partir
40:34de agora.
40:35Acho que até agora
40:35a gente em muitos
40:36aspectos tinha
40:37uma maior facilidade
40:38para a organização
40:39do patrimônio pessoal,
40:41mesmo porque
40:42a gente lidava
40:43com regras
40:44antigas,
40:45estáveis,
40:45todo mundo sabia
40:46muito bem
40:46o caminho das pedras.
40:48Eu acho que agora
40:49está o momento
40:49de parar para pensar
40:50e ver onde é
40:52que a gente pode ter
40:53algum tipo de
40:55medida a ser adotada
40:57para se buscar
40:58mais eficiência.
40:59Hermano,
41:00Roberto,
41:01muito obrigada
41:01pela explicação,
41:02esclarecimento,
41:03debate,
41:04foi ótimo.
41:05Obrigado, Patrícia.
41:06Obrigado,
41:06um prazer.
41:07Agradeço também
41:09a nossa audiência.
41:10Esse episódio
41:10vai estar no site
41:11do Nelfeed
41:12e também
41:13nas principais
41:13plataformas de áudio.
41:15Até a próxima.
41:16Transcrição e Legendas
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