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Marcelo Favalli analisa no Plantão Times Brasil as possíveis consequências do fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo mundial. A medida pode provocar choques nos preços da energia, instabilidade global e riscos geopolíticos sérios.

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00:00Olá, muito bom dia a você aí de casa. Hoje é domingo, 22 de junho, e começa agora mais um plantão Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC, com as principais notícias deste fim de semana e toda a repercussão do ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares do Irã.
00:18Marcelo Favali já está aqui conosco. Favali, uma informação que circula ainda não confirmada é que o parlamento iraniano supostamente teria aprovado o fechamento do Estreito de Hormuz.
00:29A gente sabe que esse Estreito de Hormuz é um estreito muito importante, por lá passam entre 20% e 30% do petróleo do mundo.
00:37Agora, o que eu queria te perguntar é o seguinte, se o Irã realmente fechar, porque ainda precisa, por exemplo, do aval do líder supremo do país persa, o Ayatollah Khamenei, se fechasse, essa decisão poderia ir contra o Irã?
00:50Porque, assim, o mundo inteiro depende do Estreito de Hormuz, pela questão energética, a passagem dos navios de petróleo.
00:58Então, poderia ser uma decisão que, ao invés de prejudicar outros países, inclusive os Estados Unidos, poderia prejudicar o próprio Irã?
01:05Prazer em revê-lo aqui, Eric. Bom dia mais uma vez a quem acompanha essa nossa cobertura especial.
01:11O Eric foi preciso nessa informação ainda, na casa das hipóteses, é possível que o parlamento iraniano esteja reunido, mesmo no domingo, para aprovar esta possibilidade.
01:25Embora seja uma aprovação do legislativo, é incomparável o sistema de governo do Irã com o Brasil, com os Estados Unidos, com a Europa Ocidental.
01:35Nem de perto o Irã é uma democracia plena.
01:38Existe uma outra figura, que é o chefe de Estado, o chefe de governo e o chefe religioso, que é o Ali Khamenei, que, inclusive, no Irã, é chamado de líder supremo, justamente porque ele comanda.
01:51Ele se sobrepõe ao legislativo, ao próprio executivo e também dá os ditames da religião.
01:58Então, seria uma aprovação dele também.
02:00Ele está acima do presidente, o Massoud Pezeskihan.
02:02Exatamente, está acima do presidente.
02:05Agora, é possível que o Irã feche o Estreito de Hormuz?
02:10É possível.
02:11Aqui, vamos apresentar as possibilidades disso acontecer, olhando, então, aqui para o Estreito de Hormuz,
02:18que é um ponto nevrálgico da Marinha Mercante, seja de petroleiros ou seja de navios com containers.
02:25Por quê? Porque liga essa parte do Golfo Pérsico e aqui é importante porque nós temos Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Irã,
02:33que são, entre todos os países produtores e exportadores de petróleo, nós temos uma lista entre os dez maiores produtores.
02:43A gente põe nessa lista também Venezuela, Estados Unidos, mas nessa região, então, esse aqui é o corredor do petróleo,
02:50que é escoado para essa costa do Estreito de Hormuz, passa pelo Mar da Arábia e onde que ele se conecta?
02:59Uma das rotas importantes é pelo Mar Vermelho, que tem uma saída pelo Egito, que é o canal de Suez, um canal artificial,
03:07e desemboca, por exemplo, no Mediterrâneo. Então, é um ponto de conexão muito importante.
03:13O fechamento do Estreito de Hormuz, que, por enquanto, a gente ainda lida com essa opção na hipótese,
03:21é uma situação hipotética ainda, afetaria o comércio global e afetaria as bolsas amanhã, na segunda-feira,
03:28porque mudaria o preço do petróleo, tanto em Londres, onde é negociado o Brent, chamado Petróleo Pesado,
03:34ou o WTI Light em Nova Iorque. Então, a gente tem que olhar muito sobre essa possível, provável, talvez,
03:42decisão do Irã em fechar o Estreito de Hormuz.
03:45Poderia fazer o preço do petróleo disparar.
03:47Disparar, disparar.
03:48E menos ofertas se fecha aí.
03:50Nesse começo de conflito em que estavam envolvidos ainda Israel e Irã,
03:56o petróleo em 12 horas, numa madrugada, quer dizer, o petróleo futuro,
04:00porque as bolsas estavam fechadas, sobe 15% em questão de 10 horas,
04:06sai do nível de US$ 63 o barril e vai para US$ 75 o barril.
04:11Então, o Irã seria capaz de fechar o Estreito de Hormuz?
04:14Sim, porque tem este braço que avança em direção ao Estreito,
04:18que são os Emirados Árabes Unidos, mas essa parte, então, a leste,
04:24tendo uma orientação leste-oeste no Estreito, pertence ao Irã.
04:29Então, seria possível, sim.
04:31Eu queria avançar com um outro número para todo mundo entender
04:35o tamanho da importância naval de distribuição e logística do petróleo
04:41quando a gente fala do Estreito de Hormuz.
04:43O tráfego naval de petróleo em milhões de barris por dia.
04:48São quase 21 milhões de barris que são escoados diariamente
04:55pelo Estreito de Hormuz.
04:57Passam pelo Estreito 103, uma média, claro, 103 cargueiros por dia,
05:05sejam de petroleiros ou sejam de navios de contêiner.
05:09Também é um importante conector com Índia e China.
05:14Ou seja, o fechamento do Estreito de Hormuz
05:17cria um chain reaction, uma reação em cadeia, um efeito dominó
05:22que impacta na logística do mundo e, obviamente, impacta no preço.
05:26E já ligo o alerta para a China, porque a China é um dos principais
05:29países dependentes desse escoamento.
05:32Compra, a gente sabe, petróleo mais barato do Irã
05:35e precisa do Estreito de Hormuz para receber a sua matriz
05:42ou muito da sua matriz energética para que toque o país.
05:46Então, ligo o sinal de alerta na China, porque seria muito desastroso
05:49para o país asiático.
05:50Não é isso, Favale?
05:51Isso não é um juízo de valor do meu colega aqui, Eric Klein.
05:55Os números absolutos.
05:56O que passa pelo Estreito de Hormuz, eu ainda estou falando de petróleo,
06:00para destino, China, 33% daqueles 21 milhões de barris
06:07ou quase 21 milhões de barris de petróleo por dia,
06:10vão, um terço, vai para a China diariamente.
06:14Então, nós estamos falando de uma potência em ascensão que é a China,
06:18que no século XXI se tornou a grande manufatura do mundo,
06:23os produtos chineses de menor valor agregado e de maior valor agregado
06:28são depois distribuídos para o mundo, sem energia a China produz menos
06:34ou encarece a produção porque o consumo de energia fica mais caro
06:39diante de uma menor oferta de petróleo.
06:41De novo, é o chamado chain reaction, uma reação em caneia.
06:45Depois, a Índia, que também corre paralelo com a China
06:49para ser uma das grandes potências do século XXI,
06:52quem sabe até as duas ultrapassando os Estados Unidos,
06:55para que todo mundo entenda o potencial de crescimento desses dois países.
06:58E que tem aumentado aqui, por causa dessa guerra comercial de Trump,
07:01muitos países fechando acordos com a Índia e demandando muito a indústria.
07:05E está crescendo, não é isso?
07:06E 13% do petróleo de Hormuz vai diretamente para a Índia.
07:10Depois, Japão, Coreia do Sul, 7% vai para a Europa,
07:16até para os Estados Unidos aparece.
07:18E um pouco para a Arábia Saudita.
07:20Alguém deve pensar, mas peraí, como assim?
07:22A Arábia Saudita é uma grande produtora?
07:24Como é que é destino?
07:25A Arábia Saudita tem uma grande capacidade de produção,
07:28baixa capacidade de refino.
07:30Então, também vem para a Arábia Saudita derivados de petróleo refinados,
07:36não só gasolina, combustível, como querosene de aviação e óleo diesel,
07:40mas também derivados de plásticos e lubrificantes.
07:45Então, a Arábia Saudita.
07:46Cargas que passam pelo Hormuz vão para a Arábia Saudita como derivados de petróleo.
07:53Só para a gente entender o tamanho dessa bagunça, Eric.
07:55Legal.
07:55A bagunça seria generalizada em um possível fechamento desse estreito de Hormuz.
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