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As ameaças de Donald Trump ao Irã aumentaram a tensão geopolítica e reacenderam alertas sobre o fornecimento global de petróleo. Pedro Roberto Jacobi, professor titular sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP, analisou os riscos para preços, mercado internacional e impactos para o Brasil.

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Transcrição
00:00Para os impactos das tarifas e das ameaças de Trump ao Irã na apotação do petróleo,
00:05eu converso agora com Pedro Roberto Jacobi, ele é professor titular sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
00:12Professor, boa noite, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:16Professor, quais seriam os efeitos de uma interrupção no fornecimento de petróleo do Irã no mercado internacional?
00:24Olha, nós já vimos acontecer isso em outros momentos, não?
00:29Crises em torno do petróleo em 73 e 79.
00:33Então, obviamente que a diplomacia tem que estar muito atenta nesse momento para evitar o pior, não?
00:40De fato, é uma preocupação enorme.
00:44O quadro da tensão geopolítica, obviamente, é um componente fundamental
00:51que tem que estar permanentemente sobre a mesa para evitar que esse aumento,
00:59da tensão, provoque uma desorganização do sistema de preços do petróleo.
01:04É possível, exatamente.
01:12Sempre tudo é muito incerto ainda, não?
01:15Eu concordo com aquilo que o Vinícius falou, está tudo muito incerto.
01:19O problema é justamente a forma como o governo Trump tem agido,
01:24de uma forma altamente preocupante,
01:26que, obviamente, alimenta uma desorganização desse sistema de preços
01:32e, obviamente, também favorece a especulação em torno do petróleo, não?
01:36Ela teve já pequenos aumentos e essa é a grande questão que se coloca,
01:41ou seja, quanto que a diplomacia vai ter que fazer um papel fundamental
01:47para evitar justamente esse conflito e que essa tensão geopolítica
01:52não atinja um ponto que, justamente, essa relação entre oferta e demanda do petróleo
01:58fique totalmente fora de controle.
02:01Pois é, professor.
02:02Essa instabilidade no Irã, ela fica ainda mais grave por causa da situação na Venezuela,
02:08com essa anunciada intervenção americana na produção de petróleo no país,
02:13depois da retirada do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos?
02:16Olha, tem hora que a gente não consegue entender realmente como todos os quadros vão se definir.
02:25Nós, inclusive, vimos que empresas americanas não estão interessadas,
02:29nesse momento, em extrair petróleo da Venezuela, não?
02:33Então, nós estamos observando que tem muita incerteza.
02:37Então, a especulação também corre, qualquer tipo de especulação pode cair também no vazio, não?
02:43Então, de fato, eu acho que o que nós temos que olhar com muito cuidado
02:49é que a especulação dos preços do petróleo não seja um fator para desorganizar,
02:55inclusive, a economia mundial.
02:58Pode haver efeito para o Brasil, professor?
03:02Não, eu não acredito, porque o Brasil é quase autossuficiente, não?
03:07Ele estava importando um petróleo da Venezuela,
03:09que é um petróleo que não é da melhor qualidade para utilização, para mistura, não?
03:15Então, não considero que isso é um ponto a se preocupar
03:20em relação à realidade brasileira no momento de utilização do petróleo.
03:28E olhando para o outro lado do planeta,
03:30esse agravamento da crise entre Estados Unidos e Irã
03:33pode acabar repercutindo de que maneira na Rússia e na China?
03:37Essa é uma grande pergunta, não?
03:40Porque, de fato, nessa divisão geopolítica que está colocada,
03:46nesse cenário, melhor dito, da geopolítica,
03:50onde, obviamente, há uma disputa não só pelo petróleo,
03:54mas pelas terras lá, por uma série de fatores
03:58que estão aí colocando justamente uma desorganização,
04:03digamos, de um quadro maior estabilidade política,
04:07em termos da geopolítica,
04:10obviamente, nós temos que olhar essa perspectiva
04:13de que a China se mantém muito mais afastada do conflito,
04:18a Rússia também, porque tem o seu conflito na Ucrânia, não?
04:22E a China está aí também com esse conflito,
04:26essa tensão com o Taiwan, não?
04:29Então, nós estamos observando que é uma realidade geopolítica
04:33altamente conturbada, tensa,
04:38e que, obviamente, qualquer movimento
04:42que Estados Unidos possa vir a fazer,
04:46já que o Trump é totalmente imprevisível,
04:48imprevisível, apesar de dizer as coisas que ele vai fazer
04:51e muitas vezes está fazendo,
04:53mas é muita imprevisibilidade ainda
04:55para poder afirmar com absoluta certeza
05:00o que esse quadro da tensão geopolítica
05:04possa estar provocando, inclusive na relação
05:06da Rússia e da China.
05:09Eu vou passar para a pergunta do Vinícius.
05:11Vinícius, fica à vontade.
05:13Professor, as alternativas do Trump para o Irã,
05:17a gente já falou aqui, não são fáceis.
05:20Uma intervenção militar pode não dar resultado nenhum
05:22e é de alto risco que pode sair uma reação do Irã
05:25que ameace os países do Golfo,
05:27que, aliás, os países do Golfo estão dizendo
05:29para os Estados Unidos não fazerem isso
05:30porque eles estão com medo de levar a bomba.
05:32Agora, a alternativa é o estrangulamento econômico.
05:36O estrangulamento econômico, no caso do Irã,
05:38é acabar com o comércio de petróleo deles,
05:41senão que eles não vão reagir militarmente a isso.
05:43E, além do mais, estrangulamento econômico
05:45pode ser, no caso, estrangulamento do fornecimento de petróleo iraniano,
05:50pode ser compensado por maior produção na OPEP.
05:54Então, assim, não é mais razoável,
05:58se a palavra pode ser usada nesse contexto,
06:01que o estrangulamento econômico não seja a alternativa primeira do Trump.
06:06Quer dizer, não tem risco, tem menos risco militar,
06:09ao mesmo tempo pode fazer com que o regime fique muito fraco
06:11e, ainda por cima, pode não ter necessariamente uma crise de aumento de preços,
06:16porque a gente pode ter até alternativa de produtor,
06:19alternativa de produção.
06:22Exatamente, eu concordo.
06:23Eu acho que esse é um ponto.
06:25Agora, o Irã está...
06:26Essa crise no Irã tem um componente interno preocupante.
06:32Obviamente, a economia está muito desestabilizada.
06:36Tem um problema muito sério de crise hídrica também.
06:40E, obviamente, de certa maneira,
06:41também o esbotamento do próprio regime que se instalou no Irã.
06:48Mas é muito cedo para falar tudo isso.
06:50E, de fato, nós temos ainda analistas internacionais
06:55esperando que haja uma possibilidade de negociação
06:59entre o regime e os vizinhos.
07:04Vamos colocar assim, em termos de atenuar essa tensão.
07:08Porque nós vimos o que foi a primavera árabe,
07:11tem que lembrar disso,
07:13e muita gente está especulando que possa haver uma primavera iraniana.
07:18Eu não acredito que vá muito nessa direção.
07:20Portanto, a gente tem que olhar desde uma perspectiva a volta
07:25e insistir na importância da diplomacia internacional
07:28e, obviamente, ao mesmo tempo,
07:31levar em consideração justamente o risco que existe
07:35em termos de estrangulamento da economia iraniana,
07:39que, obviamente, já está muito fragilizada com a inflação,
07:43com uma série de problemas internos
07:45que são a razão desse movimento.
07:48Professor, muito obrigada.
07:50Um prazer conversar com o senhor.
07:52Boa noite e até a próxima.
07:53Boa noite.
07:55Muito obrigado.
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