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O professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fecap, Ahmed El Khatib, analisa o impacto da escalada de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã nos preços do petróleo. O especialista discute como o cenário afeta a Petrobras, a sensibilidade da estatal ao preço do barril tipo Brent e os riscos para a economia global diante de possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz.

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Transcrição
00:00Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda ontem com a situação entre Estados Unidos e Irã
00:05permanecendo como principal fator de influência sobre os preços.
00:09Na segunda-feira, o cenário era bem parecido.
00:11Em contrapartida, a Petrobras teve boa atuação, sendo o principal motor no índice da Bolsa Brasileira,
00:17que levou o dia aí, que fechou o dia, aliás, com um recorde no último pregão.
00:22Hoje também teve recorde intradiário já.
00:24A gente fica na expectativa para saber se vai ter mais outro recorde no fechamento.
00:28Nessa quarta, as coisas mudaram um pouquinho.
00:31Os investidores avaliam a ameaça ao fornecimento de petróleo com o possível conflito militar entre Estados Unidos e Irã,
00:37fazendo com que os preços do petróleo se mantivessem próximos das máximas dos últimos sete meses.
00:43Para falar sobre esse cenário e também sobre como a estatal brasileira deve continuar se comportando nessa semana,
00:49eu vou conversar com Ahmed El Khatib, que é professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FECAP.
00:56Ahmed, seja muito bem-vindo a essa edição do Radar.
01:00Eu que agradeço, Marcelo.
01:02Bom, eu queria saber a sua visão aí sobre se o mercado já retirou integralmente o prêmio de risco geopolítico
01:08ou se ainda tem gordura nas cotações.
01:11Legal. Como você bem disse no início, a Petrobras tem tido um retorno bastante interessante nos últimos tempos,
01:20apesar desse alvoroço todo geopolítico que começou no início do ano com a Venezuela
01:26e agora não se sabe bem ao certo se pode ensejar com um conflito armado entre Irã e Estados Unidos.
01:33Mas antes de dar a resposta, Marcelo, acho que é importante mencionar que a Petrobras não é apenas uma tese
01:39de petróleo,
01:40é uma tese de fluxo de caixa, de dividendos, como você bem colocou, de desconto político.
01:46Então, mesmo com o barril do tipo Brent, Golat, a companhia apresenta um custo de extração extremamente competitivo no pré
01:53-sal,
01:53talvez um dos menores lifting costs do mundo, entre os menores do mundo.
01:57Então, ela tem uma forte tiração de caixa operacional, ela tem um endividamento controlável,
02:02ela tem aí um pagamento de dividendos muito interessante.
02:04Então, o mercado, de certa forma, já precificou parte do risco político lá atrás, no passado.
02:10Claro que novos elementos estão surgindo como esse possível conflito entre Estados Unidos e Irã.
02:17Então, um possível conflito não afeta a Petrobras diretamente no primeiro momento,
02:22porque o impacto acabou ocorrendo em algumas vias.
02:25Eu diria que três vias principais.
02:27Então, o canal do preço do petróleo, por conta do Irã ser um grande player na oferta global,
02:33pode mexer com os preços, por onde passa a parte expressiva do petróleo.
02:38O tal do estreito de Hormuz, onde praticamente 22%, 23% do petróleo global passa.
02:43Então, se você fechar aquele estreito que é controlado pelo Irã, você tem aí uma ameaça
02:48ao fornecimento de petróleo por parte dos países produtores,
02:51dos principais países produtores, ali na região do Golfo.
02:54Então, se houver ameaça nesse fluxo no centro de Hormuz,
02:57algumas sanções adicionais ao Irã e alguns ataques que comprometam a infraestrutura regional,
03:01é claro que o mercado precificaria imediatamente um prêmio de risco geopolítico,
03:05elevando o barril do petróleo.
03:07Isso afetaria, de certa forma, a Petrobras.
03:09Porque a Petrobras é altamente sensível ao branch.
03:12Primeiro porque as receitas da Petrobras são dolarizadas.
03:15Então, as margens do pré-sal são bem competitivas.
03:18Então, cada um dólar a mais de barril impacta, ou cada um real, um dólar a mais do preço do
03:23barril,
03:24digamos assim, impacta diretamente a geração de caixa.
03:27Então, esse cenário do branch subindo faz com que a Petrobras também tenha aí uma seguida de alta.
03:34Então, o segundo ponto que eu destacaria é o canal do câmbio.
03:37Então, esses conflitos geopolíticos, não só Irã e Estados Unidos, ou essa, entre aspas, guerra fria,
03:42elas geralmente fortalecem o dólar globalmente.
03:45Então, para a Petrobras, isso aí tem dois efeitos diretos, penso eu.
03:48Primeiro, receita em reais aumenta, que vende em dólar.
03:52E, segundo, ela pode melhorar o resultado contábil no curto prazo.
03:55No entanto, se houver uma fuga de capital estrangeiro, o fluxo de estrangeiro pode sair da Bolsa,
03:59que tem apresentado altas significativas nas últimas semanas, pressionando a ação.
04:03Então, esse efeito líquido, ele dependeria, de repente, se esse choque é inflacionário via petróleo,
04:09que é positivo para a Petrobras, ou se virá em função de um risco negativo não só para a Petrobras,
04:14mas para o mundo inteiro.
04:15E o terceiro ponto que eu mencionaria é o canal macroeconômico global.
04:19Então, se esse conflito, Estados Unidos e Irã, levar muito o preço do petróleo,
04:23pressionando a inflação global, forçando os bancos centrais a manter juros altos,
04:26isso pode reduzir o crescimento do mundo inteiro, diminuindo demanda por energia,
04:30neutralizando parte do efeito positivo que a gente tem acompanhado nos últimos tempos.
04:35Eu estou vendo a cotação aqui do Brent nesse momento, está em US$ 71,17, está subindo hoje 0
04:41,57%.
04:44Eu fico pensando assim, até quando poderia chegar, se de fato houvesse uma guerra declarada
04:50entre Estados Unidos e Irã?
04:51A gente viu em outras situações desse tipo ele passar bastante de US$ 100.
04:54Você acha que dessa vez o cenário também permitiria isso?
04:59Olha, a gente teve casos muito emblemáticos no passado, com o primeiro, o segundo, o choque do petróleo,
05:05algumas invasões que se seguiram com a guerra do Irã e Iraque, invasão do Iraque.
05:09Mas essa é uma excelente pergunta, Marcelo.
05:11Eu acho que aqui a gente tem que responder de uma forma um pouco responsável, tecnicamente,
05:16sem fazer previsão extraordinária ou futurologia.
05:21Então, se o Brent está em US$ 70 e poucos agora, ele poderia subir em função de três variáveis.
05:27O conflito envolve diretamente o Irã?
05:29A gente não sabe ainda se isso vai afetar outros países.
05:32Os Estados Unidos já emitiram um alerta para o Líbano pedindo que seus cidadãos se retirassem,
05:36até porque o Líbano, de certa forma, abriga ali, voluntariamente ou involuntariamente,
05:45grupos paramilitares, o Hezbollah, o Fatah, o Hamas, enfim, que recebe aporte do Irã.
05:51Então, se pode ter uma escalada ali na região.
05:53Então, se o conflito envolve diretamente o Irã e houver um bloqueio real do distrito de Hormuz,
05:58será que a OPEP compensaria essa oferta pedida?
06:02Então, a gente tem que trabalhar com cenários realistas.
06:04Então, o primeiro ponto é, por que o Irã importa?
06:07O Irã importa porque ele produz cerca de 3 milhões de barris por dia.
06:10Isso é muito, isso é bastante significativo.
06:12Existe uma infraestrutura instalada e que funciona muito bem.
06:16O distrito de Hormuz escoa cerca de 20%, 20 e poucos por cento, do petróleo mundial.
06:21Então, qualquer ameaça ali gera um prêmio imediato de risco.
06:24O mercado não espera o barril faltar, ele antecipa o risco.
06:28Então, se a gente tiver uma tensão limitada, que é ataliações pontuais,
06:32sem bloqueio logístico, etc. e tal, o mercado assinaria um preço talvez entre 5 e 10 dólares.
06:37Ou seja, o Brent poderia passar para 75, 80 dólares, numa possível escalada realista.
06:44Talvez esse seja o cenário mais provável, Marcelo, sem fazer futurologia,
06:49mas imaginando aqui essas externalidades.
06:51Até porque em conflitos diplomáticos, a gente já viu isso com o governo Trump outras vezes,
06:57quando a relação era com o Irã, ou ataques localizados,
07:00isso tende a cerca de 10% de aumento.
07:04Agora, se houver um conflito regional envolvendo outros países e afetando a infraestrutura energética,
07:11aí eu acho que o prêmio subiria entre 10 e 20 dólares e o barril poderia bater 85 a 95
07:16dólares.
07:16E a gente já viu movimentos assim, inclusive, em 2022, após a invasão da Ucrânia.
07:21O mercado precificando nesse montante.
07:23Agora, se houver um bloqueio, uma ameaça real ao Estreito de Hormuz,
07:27onde a gente tem um score, um quinto do petróleo do mundo,
07:30e isso é o cenário mais extremo, mais extremista.
07:34Aí talvez o Brent poderia passar de 100 dólares rapidamente.
07:37Mas isso depende, isso na verdade tende a ser um movimento de pico,
07:40não necessariamente sustentável no médio ou longo prazo.
07:43O mercado global, a demanda por energia não sustentaria,
07:47não suportaria esse aumento considerável.
07:49Eu acho que são esses três cenários possíveis.
07:51Eu acredito ainda numa diplomacia.
07:55O governo Trump tem feito isso, tem jogado muito bem dentro desse tabuleiro diplomático.
08:00Então talvez, beirar os 80 dólares seja o cenário mais provável.
08:05Bom, a gente sabe que a força militar dos Estados Unidos, combinado com Israel ali,
08:10é muito maior do que a força do Irã.
08:12Mas se tem uma vantagem, talvez, que o Irã tenha nesse momento,
08:15é o fator doméstico nos Estados Unidos.
08:17Por quê?
08:17A inflação está teimosa, não está querendo voltar para a meta de 2% lá.
08:24Tenho muita insatisfação com a economia dentro dos Estados Unidos.
08:27Vai ter eleição de meio de mandato agora no fim do ano.
08:30E talvez o Trump não queira nem pensar num petróleo muito alto
08:33que possa piorar ainda as perspectivas políticas dele.
08:37O Irã pode-se dizer que tem esse trunfo na mão agora, né?
08:42Tem esse trunfo.
08:43Por isso que eu acredito na diplomacia.
08:45Os Estados Unidos tentaram, por meio de uma incursão na Venezuela,
08:49eu diria que bem-sucedida do ponto de vista de extração do governo Maduro, né?
08:53Mas mal-sucedida do ponto de vista de aumentar a produção de petróleo imediatamente, instantaneamente,
08:57porque existe ali um sucateamento na sua capacidade instalada,
09:03que parou, paralisou no tempo desde 2013.
09:06Então a aposta ali já não deu muito certo.
09:08Então, claro, os Estados Unidos, somado com a força militar ali já instalada em Israel
09:12e outros parceiros estratégicos, por exemplo, a Jordânia, o Bahrein, o Catar,
09:17é claro que essa superioridade é indiscutível.
09:20A capacidade aérea, naval, etc.
09:22A gente tem aí diversos exemplos recentes.
09:27Talvez um conflito não seria convencional.
09:29O trunfo do Irã não é militar.
09:32Muito embora ele tenha capacidade instalada para mísseis balísticos,
09:36que você tenha feito testes na região, talvez o grande trunfo seja o geoeconômico.
09:41O grande poder de barganha do governo iraniano é o estrito de Hormuz,
09:45que tanto se comenta.
09:46Um quinto do petróleo passa por lá.
09:48Então, mesmo sem fechar completamente o estrito de Hormuz,
09:51como a gente não viu nos últimos tempos,
09:53basta uma ameaça que o mercado já reage à probabilidade,
09:57não ao fato consumado.
09:58Então a guerra é assimétrica,
10:00porque a gente tem ataques via próteses regionais.
10:04A gente tem instabilidade em rotas energéticas que saem dali
10:07e uma pressão, obviamente, sobre a infraestrutura de aliados.
10:11Isso não é bom para ninguém, especialmente para os Estados Unidos,
10:14num ano de eleição de meio de ano,
10:15numa inflação que é uma ressaca pós-pandemia,
10:19que tem sido bastante extensa.
10:21O déficit americano derou a um trilhão de dólares em 2025.
10:24Então o Trump não quer um conflito armado nesse momento.
10:29Então isso cria, obviamente, um risco de petróleo.
10:31Claro que a fragilidade macro dos Estados Unidos,
10:34ela importa, mas a gente tem ainda assim um poderio econômico,
10:40uma influência significativa em diversos países,
10:43como tem apresentado aí.
10:45Então uma guerra prolongada não é boa para ninguém,
10:46especialmente para a economia americana.
10:49Mas isso não significa dizer, obviamente,
10:50como você bem comentou, Marcelo,
10:52que os Estados Unidos têm uma restrição bélica,
10:56ou militar, ou uma fraqueza militar.
10:57Está muito pelo contrário.
10:59Então o Irã tem uma vantagem, mas não é militar.
11:02Ahmed El Khatib, professor e coordenador
11:05do Centro de Estudos em Finanças da FECAP,
11:07muito obrigado pela sua participação nessa edição do Radar.
11:11Eu que agradeço.
11:12Um grande abraço a você e toda a sua audiência.
11:14Um abraço.
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