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Alberto Ajzental analisa o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global, em meio ao conflito entre Irã e Israel. Mesmo com a tensão, o petróleo caiu e bolsas subiram. Entenda os efeitos geopolíticos nos negócios e investimentos.

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Transcrição
00:00E a gente volta a falar dos conflitos entre Israel e Irã e de como os mercados estão reagindo a essa nova guerra, esse conflito que está escalando.
00:09Agora com o Alberto Azentau, nosso analista, que sempre traz um olhar muito específico e diferente sobre os temas.
00:15Oi, Azentau, boa tarde, bem-vindo, bom contar contigo com esse olhar agora para esse conflito. Tudo bem por aí?
00:23Nath, tudo jóia por aqui. Boa tarde, boa tarde a todos.
00:27Bem, Azentau, a gente já falou algumas vezes ao longo dessa edição, ontem também, sábado também, sexta também, citando especificamente esse estreito de Hormuz, que tem uma importância estratégica, porque 20% da produção mundial do petróleo passa por ali.
00:46Quero saber qual foi o olhar que você colocou, o que você captou e o que você traz de informações importantes sobre ele para a nossa audiência.
00:53Nath, é bem isso, todo mundo falando nesses 20%, 20%, e o que eu fiquei curioso era saber de forma direta quem são os envolvidos.
01:07É bem verdade que se você fecha o estreito e você tem um fornecimento de petróleo 20% abaixo, você acaba atrapalhando o mundo inteiro.
01:21Isso é verdade.
01:22Mas o que eu queria entender é quem são os produtores cujo petróleo passa por esse estreito,
01:29e esses com certeza vão ser afetados de forma direta, e quem são os consumidores desse petróleo que passa desses 20,9 milhões de barris dia.
01:45Grosso modo, você tem 100 milhões de barris dia de consumo e 101 milhões de barris dia de produção.
01:54Então, esses 20,9, que é um dado lá de 2023, mas não deve ter se alterado muito, desses 20%.
02:02Então, basicamente, foi essa a minha curiosidade.
02:07Lembrando que esse estreito ao sul tem Oman.
02:11Oman é um país que está mais voltado para o Mar Arábico, ele não está lá dentro do Golfo Pérsico,
02:18mas a pontinha é Oman e a parte norte é Irã.
02:24E o Irã do ameaçando fechar, que é uma coisa que a gente vai falar mais para frente.
02:31Mas vamos dar uma olhada, Nath?
02:33Vamos chamar a primeira arte e vamos tentar dar uma olhada quem está lá para dentro,
02:39quem que produz e fornece petróleo e que vai passar pelo estreito de Hormuz.
02:47Então, o grande e o principal produtor é a própria Arábia Saudita.
02:5442% daquilo que passa tem como origem a Arábia Saudita.
03:00Depois você tem o Iraque com 21%.
03:04E aí os Emirados Árabes com 14%.
03:08Depois vem o Kuwait com 10%.
03:12E o Irã responde por 9% de tudo que passa por lá.
03:19O Qatar tem 4%.
03:21Então, basicamente, a minha curiosidade era essa.
03:25Quem produz em qual proporção o petróleo que passa por lá?
03:30E podemos ir já para a segunda arte, Nath.
03:34Se você quiser perguntar alguma coisa, estou à sua disposição.
03:38Tem uma sequência de perguntas, mas não quero interromper seu raciocínio,
03:41porque então começamos olhando quem que manda petróleo passando por ali.
03:47E agora você vai contar para a gente para onde que esse petróleo vai
03:51depois que passa por esse estreito, né?
03:52Exatamente.
03:55Então, desse petróleo, que é 20% da produção mundial,
03:59quem são os principais consumidores?
04:03É a Ásia.
04:04Então, vamos dar uma olhada quem é quem lá.
04:07A China consome 33%, um terço desse petróleo.
04:12A Índia, 13%.
04:14O Japão, o Japão não, primeiro a Coreia do Sul com 12%,
04:20o Japão com 11% e vários ou demais países asiáticos com 15%.
04:28Então, dá para ter uma boa ideia de quem é quem
04:33e quem são os principais interessados nessa questão do fechamento ou não do estreito.
04:41Então, aí, Nath, a gente pode conversar a respeito e entender qual que é o jogo de poder
04:48e se esse estreito vão deixar fechar caso o Irã queira ou não.
04:55Exatamente, né?
04:56Porque tendo essa informação em mente sobre quem vende por ali,
05:02quem compra esse petróleo que passa por ali,
05:05faria sentido para o Irã interditar esse estreito,
05:09porque ele, de fato, fez essa ameaça, mas será que é uma ameaça crível?
05:15Eu acho que não, porque olha a bagunça e a briga que o Irã arruma
05:22com players importantíssimos caso decida fechar.
05:28Eles vão ter um problema com outros países árabes
05:31que querem vender seu petróleo, querem faturar, querem entregar.
05:36Então, os próprios países árabes produtores de petróleo
05:41não vão gostar nem um pouco dessa ideia do Irã se meter a fechar o estreito de Hormuz.
05:47E olha quem está na outra ponta.
05:50Na outra ponta, você tem a China, que consome em grande parte,
05:54é 33%, mas em grande parte é o petróleo do Irã que eles consomem.
05:58Então, assim, a turma que está lá na Ásia também não vai gostar nem um pouco dessa ideia.
06:06E tentativas ou ameaças de fechar o estreito não são recentes e não é novidade.
06:12Você tem um histórico longo de ameaças e tentativas.
06:17Até os americanos já entraram lá, já ameaçaram, já brigaram.
06:23Então, assim, não, não é tão simples assim.
06:27Em outras palavras, a ideia é, é uma ameaça mais vazia do que uma ameaça de verdade.
06:34E se eles tiverem a péssima ideia de pôr em prática essa ameaça,
06:39eu acredito que eles vão arrumar problema com muita gente no mundo, é isso.
06:45Então, e o que você vê por trás dessa estratégia da ameaça, né?
06:49Porque a princípio é disso que a gente está falando e estamos falando de que forças de poder, então, nesse caso?
06:56Olha, eu lembro quando tinha o Saddam Hussein lá no Iraque.
07:01E olha, não é a minha especialidade geopolítica internacional,
07:06mas a gente lia jornal, né?
07:08Sempre lia o jornal e sabia das notícias.
07:11Eu lembro das ameaças do Saddam Hussein.
07:13Eu lembro quando ele invadiu o Kuwait e fez umas barbaridades lá.
07:17E quando os americanos chegaram, derrubaram o governo do Iraque em dias.
07:22Foi uma coisa rapidíssima.
07:24Então, é um pouco de retórica.
07:26Eu acho que é muito de você falar para o seu público interno,
07:32em geral um público interno que está sob ameaça do próprio governo,
07:37porque são ditaduras,
07:39e na prática são palavras vazias que não correspondem à realidade.
07:44O Irã está com um linguajar e uma conversa exatamente nesse sentido,
07:51mas se você ver os mercados hoje, como eles abriram,
07:55dá para ver que o Irã está bem fraco nessa disputa e nessa guerra com Israel nesses poucos dias.
08:04Os mercados hoje estavam todos, desculpa o trocadilho, os mercados estavam bombando hoje.
08:11Exatamente, Azental.
08:13Muita gente estava curiosa, intrigada nessa expectativa de qual seria a reação na abertura dos mercados,
08:19e de fato o que a gente viu foi isso.
08:21Então, eu queria te ouvir sobre o petróleo como commodity,
08:25como é que está nesse momento, nesse contexto atual,
08:28e a leitura que você faz dessa reação dos mercados.
08:30O petróleo caiu para 71, agora está perto de 72, 73,
08:36ou seja, caiu em relação a quinta e sexta-feira,
08:39o petróleo está baixo,
08:41as bolsas asiáticas, europeias e americanas todas no positivo,
08:47o ouro caiu, que é reserva de valor,
08:50metais ligados à produção,
08:54alumínio, cobre, todos subiram,
08:57quer dizer, commodities metálicas ligadas à produção subiram.
09:01Então, assim, a reação do mercado em relação a essa guerra de três, quatro dias
09:06deixa bem claro que, apesar de alguns mísseis terem passado o domo de ferro
09:14e atingido o território israelense,
09:18na verdade, Israel está mostrando uma soberania e um ganho do espaço aéreo iraniano
09:26e está destruindo as defesas iranianas,
09:28está entrando no espaço aéreo
09:30e de forma bastante precisa e cirúrgica,
09:34parece que está atingindo os seus objetivos,
09:38mesmo que uma ou outra usina nuclear
09:40ou enriquecimento de urânio
09:42ainda esteja ou não tenha sido atingido,
09:45talvez como Israel gostaria,
09:47tudo dá a crer que o Irã está muito fraco nessa história
09:52e não tem como reagir.
09:54Então, parece que Israel está atingindo, sim, os seus objetivos.
09:58Azental, Felipe Machado se uniu a nós,
10:01quer trazer um ponto para discutir com você.
10:02Diga, Felipe.
10:03Grande Azental, tudo bem? Boa tarde.
10:05Azental, a gente acompanha essa situação, né,
10:08no Oriente Médio de instabilidade já faz muitos anos, décadas.
10:12Quando que o mundo vai deixar de ficar dependente
10:15da questão do petróleo no Oriente Médio
10:17e vai passar ou a produzir petróleo em outras regiões
10:20que compensem o Oriente Médio
10:22ou vai partir para as energias renováveis
10:25e mudar toda essa matriz energética mundial?
10:29Felipe, boa tarde.
10:31A tua pergunta é ótima e é bom a gente sempre deixar claro
10:35que petróleo não é só energia.
10:38Então, as pessoas entendem que petróleo é gasolina, é diesel,
10:43é óleo bruto, é combustível, mas não.
10:46Se você pegar teu automóvel, basicamente ele é minério de ferro e petróleo.
10:52A tinta é petróleo, os bancos são petróleo, os tapetes, o painel,
10:58todos os plásticos são derivados de petróleo.
11:01Então, mesmo que a gente, em termos de matriz energética,
11:06deixaria de utilizar combustíveis fósseis derivados de petróleo,
11:11mesmo que a gente ainda precisa de petróleo
11:15para uma série de outros produtos.
11:18Até fertilizantes você usa, você tira do gás natural e do petróleo,
11:23porque são cadeias ricas de carbono e que servem para um monte de coisa.
11:28Então, não.
11:29Essa questão de que se eu tivesse 100% de energia renovável,
11:33eu poderia prescindir do petróleo é uma ideia errônea.
11:37A gente vai precisar ainda muito de petróleo,
11:40lá ainda tem muitas reservas,
11:42a gente está falando 20% é nessa região,
11:45então não vai ser tão cedo que a gente vai abrir mão de petróleo.
11:49Sabe que no fim de semana eu estava, me dividi, né?
11:53Cumpri meu plantão aqui na TV
11:55e tanto no sábado quanto no domingo fui em fechinha infantil.
11:59E aí, vendo as lembrancinhas, eu fiquei pensando nisso,
12:01falei, gente, petróleo em toda parte.
12:04Precisamos pensar, inclusive, em tudo, tudo, o tempo inteiro, todo dia.
12:08Tudo é petróleo.
12:09Agora, uma análise, uma coisa que a gente pode falar que é interessante,
12:14você não ouve nenhum outro país árabe,
12:18eles não estão defendendo o Irã e não estão contra Israel,
12:22essa é a parte mais incrível, você vê a Arábia Saudita,
12:26você vê Emirados Árabes, Kuwait, Qatar, estão quietos,
12:30ninguém está travando uma luta ideológica contra Israel.
12:36Você sim tem o Irã, que está contra Israel, faz tempo,
12:41quer destruir Israel e tem os seus prepostos, né?
12:45Routes, Hezbollah, Hamas, que vamos abrir um parênteses,
12:50parece que estão meio quietinhos, né?
12:53Não está a Irã mais esses três atacando Israel,
12:56esses outros três prepostos estão um pouco quietinhos
12:59e é muito interessante essa análise ver se os demais países
13:05que comercializam, que apesar de serem ditaduras,
13:09mas não são ditaduras teocráticas, eles são ditaduras,
13:14têm as suas famílias e dinastias que controlam os países,
13:18mas eles têm empresas aéreas, eles estão ocidentalizados,
13:22eles transacionam com o mundo inteiro,
13:24precisa ver e é interessante analisar até que ponto eles realmente são a favor
13:29desse regime teocrático iraniano que ameaça Israel,
13:34mas também ameaça o mundo, ameaça o comércio,
13:37ou até que ponto Israel, como eu falei, não está fazendo o trabalho sujo
13:42de atacar, tentar tirar esse, não tirar o regime,
13:48mas tirar essas usinas nucleares, eu não sei se os outros países árabes
13:52gostariam que o Irã tivesse capacidade nuclear, eu acredito que não.
13:58Muito obrigada, viu, Azental, pela análise, por todos os pontos que você trouxe aqui.
14:04Boa tarde e até a próxima, até amanhã.
14:07Boa tarde e até amanhã.

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