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O conselheiro da BMJ Consultores Associados, Welber Barral, afirma que a decisão da Maersk de suspender rotas pelo Estreito de Hormuz amplia incertezas para fretes, seguros e cadeias globais.
Mesmo com sinalização da Opep de aumento da oferta, o risco sobre o fluxo de energia e alimentos pode pressionar preços.

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Transcrição
00:00Estamos de volta nessa cobertura especial ao vivo para abordar impactos dos conflitos no Oriente Médio para o comércio internacional,
00:08que, claro, devem mexer com importações e exportações.
00:11Setores podem sofrer pressão sobre fretes e seguros, além de mudanças em rotas marítimas.
00:17Para analisar possíveis reflexos, especialmente no Brasil, a gente conversa agora com o Elber Barral, que é conselheiro e sócio
00:24-fundador da consultoria BMJ.
00:26Tudo bem, Barral? Bom dia. Muito obrigada por atender a gente neste domingo.
00:33Não consegui te ouvir. Talvez esteja no mundo. Vamos confirmar, então.
00:39Deixa ele ajustar o áudio para a gente conseguir conversar.
00:42Alô? Alô?
00:43Ah, agora sim. Agora sim. Estou te ouvindo. Que bom. Bom dia.
00:46Tudo bem?
00:47Tudo certo e tudo cheio de novidades a todo momento, Barral.
00:52Vamos lá. Já demos aqui a informação de que o Estreito de Orbus estaria fechado, que vários navios, petroleiros e
01:00cargueiros teriam parado, inclusive, para evitar essa região, até por conta de cobertura de seguro, etc.
01:06E teve uma informação mais recente do ministro das Relações Exteriores do Irã dizendo que não há um fechamento, não
01:13há um bloqueio, que eles não teriam nem interesse em mexer com isso.
01:17E aí, Barral, com que informação se trabalha o mercado e as decisões de quem está navegando por aí?
01:24Natália, com certeza, o maior impacto que pode ter, ou seja, claro, a extensão da guerra pode ter vários outros
01:31impactos, inclusive, em empresas aéreas, em investimento.
01:35Mas, imediatamente, o impacto que se observa é a eventual diminuição de oferta de petróleo no mundo, porque 20%
01:42passa pelo Estreito de Orbus.
01:44Então, qualquer risco ali tem um efeito de preço de petróleo.
01:49Por isso, o evento mais importante de hoje, na realidade, foi um anúncio da OPEP de que vai aumentar a
01:56oferta de petróleo de outras origens.
01:58Esse anúncio foi muito importante, principalmente no domingo, para que não tenha efeito nas bolsas na segunda-feira.
02:07Então, deve ser um elemento de tranquilidade.
02:09O preço de petróleo deve, mesmo assim, subir, mas não deve ter um impacto, como se esperava na sexta-feira,
02:15muito alto.
02:17O Pablo Waller se juntou a nós aqui para conversar, Barral.
02:22E, Pablo, antes, deixa eu só compartilhar uma percepção, ver o que o Barral acha disso,
02:26porque o fato desse ataque, dessa entrada de Estados Unidos e Israel ter acontecido num sábado de manhã, Barral,
02:35é tão comum a gente ver Donald Trump tomando decisões e fazendo ações que mexem com os mercados no fim
02:42de semana.
02:43Você acha que isso é uma coincidência ou é o tempo mesmo da coisa acontecer, desenrolar,
02:48o mercado entender o que está acontecendo e não sofrer, assim, aquele baque quando os mercados abrem na segunda?
02:55Natália, é interessante essa observação, porque desde o começo do governo Trump,
03:00ele tem anunciado sempre, às certas-feiras, às cinco da tarde, várias ordens executivas,
03:07várias ameaças ao país na parte tarifária, vários anúncios na sexta-feira, a partir de cinco da tarde,
03:12justamente para não criar uma especulação maior nas últimas horas do mercado, né?
03:20Então, eventualmente, deve ter sido um fator.
03:22Provavelmente, tem fatores estratégicos, de inteligência, que são mais importantes.
03:27Mas, provavelmente, esse tem sido um fator, porque faz parte da atuação americana,
03:31inclusive na Venezuela, se a gente lembrar.
03:33Exato. A prisão de Maduro, a captura também, né?
03:36Acontecendo ali de sexta para sábado. Acordamos com essa notícia, Pablo.
03:39Sim, aquelas situações de tarifás, também algumas decisões vinham ao fim de semana, né?
03:44A gente também deu muita correria para a gente barral.
03:47Mas, enfim, e para vocês também, né?
03:49E até daí, numa situação como essa, vocês realmente pegam esse tempo de fim de semana
03:55para estudar mesmo pontos aí que podem trazer impactos para os negócios de vocês?
04:02Ou ficam inertes, até porque tem aquela necessidade de esperar o mercado financeiro reagir na segunda-feira pela manhã, né?
04:09Como é que fica essa análise?
04:11Não, na verdade, o que tem acontecido desde o ano passado, realmente, é acabar com o nosso final de semana,
04:16né?
04:16Dos jornalistas e dos jornalistas.
04:18Porque o que acontece no sábado de manhã, quer dizer, o anúncio normalmente tem acontecido às sextas-feiras,
04:23e aí no sábado de manhã você tem uma enorme demanda de empresas, de entidades,
04:29com demanda de análises específicas.
04:32Ou seja, ontem pela manhã mesmo, fora a parte de contratos de seguro.
04:38Contratos de seguro que, eventualmente, podem estar afetados por eventos de bélicos,
04:44e aí você tem que analisar o contrato para saber qual é o grau de risco que uma determinada carga
04:48pode sofrer.
04:50Você tem outras demandas, principalmente na época de tarifas,
04:53que são os setores tentando analisar quais são os impactos para determinada exportação.
04:58E muitas vezes, como as ordens executivas, principalmente do governo Trump, não são muito claras,
05:05aí você tem que analisar vários cenários e possibilidade de risco em vários cenários para determinada cadeia.
05:12É bom lembrar que quando todo esse risco hoje no mundo,
05:17é um mundo muito mais globalizado do que há 30, 40 anos atrás.
05:21Então, um evento que aconteça, uma decisão, principalmente nos Estados Unidos, numa sexta-feira,
05:26ele tem um efeito em cadeia para várias supply chains, para várias questões de fornecimento.
05:34Às vezes, uma medida é anunciada contra o México,
05:37mas afeta as empresas brasileiras que fornecem peças para o México.
05:41Então, tudo isso tem gerado uma demanda muito grande nos finais de semana.
05:45O Barral, então, com essa atualização que você trouxe para a gente, de reunião e decisão de OPEP+,
05:51como é que é a tua aposta em relação ao petróleo, a cotação do barril do petróleo quando os mercados
05:58abrirem amanhã?
05:59E que setores do comércio internacional vão ter impactos mais bruscos com as mudanças, com as questões logísticas?
06:09Então, você tem dois efeitos aí que tem que ser analisados.
06:11O primeiro deles é qual vai ser a demanda do mercado por fazer estoques de petróleo,
06:17e aí você pode ter uma elevação do preço.
06:19E você tem um efeito de curto, de médio prazo, que é muito interessante,
06:24porque o Irã e a Rússia são dos grandes fornecedores de combustível,
06:30de petróleo principalmente, petróleo cru, para a China.
06:34Então, você tem aí uma possibilidade de elevação de custos, já que a China comprava mais barato,
06:41de elevação de custos de energia na China e na Índia, que também era um grande comprador.
06:47Então, a médio prazo, você já tem algumas análises sendo realizadas de quais são algumas indústrias
06:52que poderiam ser bastante afetadas.
06:54E aí, claro, afeta-se muito os setores que são dependentes de transporte,
06:59que são dependentes de energia, fundamentalmente.
07:02E aí, Barral, amanhã pela manhã, por acaso, já tem gente realmente fazendo reunião na empresa,
07:08mudando alguma rota de negócio ou não?
07:11Ah, tem, com certeza. Você tem impactos que acontecem o seguinte...
07:15Bom, por exemplo, as conexões no Oriente Médio, principalmente em Dubai, a Abu Dhabi, no Qatar,
07:22são das grandes rotas para brasileiros participarem de eventos na Ásia.
07:28Então, você tem um efeito sobre aquilo que afeta viagens, afeta eventos programados,
07:35afeta reuniões de negócios.
07:37Então, estou falando só da parte aérea.
07:39E aí, você entra na parte também de fretes, não só aéreas, mas principalmente fretes marítimos,
07:45que vão ter que analisar, por exemplo, imagine determinados equipamentos brasileiros
07:50que são exportados ou insumos brasileiros que são exportados e que fazem parte de uma cadeia de supply chain
07:56com data de entrega, com data de entrega, inclusive determinados em contratos, muitas vezes.
08:03E isso gera efeitos para seguros, gera efeitos para descumprimento contratual, tudo isso.
08:08Barral, você particularmente vai estar atento a que detalhes, a que anúncios, a que desdobramentos ao longo desse domingo?
08:17Claro, além de todo o drama humano que a gente vê, e inclusive de amigos na região, dos dois lados,
08:24há uma preocupação fundamentalmente com a questão de fornecimento de energia,
08:30em primeiro lugar, no primeiro ponto.
08:32E em segundo lugar, quais são empresas que inclusive atuam muito na região?
08:37Ou seja, nós trabalhamos, por exemplo, para empresas dos Emirados Árabes,
08:42que têm muito investimento no Brasil.
08:45Então, como é que vai ser a decisão dessa empresa com relação a continuidade de projetos que estão em curso,
08:52a projetos que estão sendo analisados, a novos investimentos que estão analisados,
08:56como é que essas empresas vão reagir em termos de dar continuidade
09:00ou ter que se despender temporariamente, análise, até ter mais clareza quanto à situação?
09:05Que coisa.
09:06E, Barral, cá estávamos, né, dias atrás, semanas atrás, repercutindo tarifácio,
09:11depois decisão da Suprema Corte, e de repente isso parece que fica ali, né,
09:16vai descendo na lista de prioridades, mas eu queria entender,
09:19você que tem essa visão global e esse contato direto com empresas exportadoras e importadoras também,
09:25como é que essas coisas se encavalam?
09:27Essa nossa busca por diversificar mercados e, de repente, esse conflito que, do jeito que está,
09:34e escalando, tem potencial de mexer, né, com a dinâmica global do comércio.
09:39É, exato.
09:40Então, aí são dois fatores bastante importantes.
09:42A primeira delas é se vai haver uma escalada e que países serão afetados.
09:47Essa é a primeira questão.
09:49E a segunda questão é qual será o tempo da crise, né?
09:53Então, a partir daí, você tem vários métodos de análise para saber qual é o efeito para cada setor.
09:59Uma questão importante é que o mundo tem sido um mundo muito instável.
10:03Então, você não tem apenas esse conflito, que acaba chamando nossa atenção no dia a dia,
10:08mas você tem outros conflitos regionais que também estão escalando e que acabam gerando,
10:13muitas vezes não aparecem, não chamam tanto a atenção da imprensa.
10:17Mas só para te dar um exemplo de ontem também.
10:20O Equador acabou de anunciar o aumento de tarifas contra a Colômbia, para 50%.
10:30Copiando o modelo americano, eles estão alegando a falta de segurança na fronteira
10:34e por conta disso aumentaram as tarifas.
10:35Claro que tem uma pressão protecionista aí.
10:37Isso afeta empresas brasileiras.
10:39Empresas brasileiras, inclusive, têm investimento na Colômbia
10:42e exportavam da Colômbia para o Equador.
10:45Então, são demandas constantes que decorrem do aumento da insegurança
10:51e do aumento do protecionismo, que muitas vezes não está na ordem do dia,
10:55mas que acabam afetando muitas empresas.
10:57E olha que informação importante que acaba de chegar e que vale a pena a gente incluir nessa conversa.
11:02A MERS, que é a maior empresa de transporte marítimo do mundo, de contêineres,
11:06afirma que vai suspender a passagem de navios de carga pelo Estreito de Hormuz
11:11por questões, por motivos de segurança.
11:14Então, por mais que a gente tenha tido a declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã
11:20de que eles não fecharam, de que não havia interesse em mexer com isso,
11:24essa, que é a maior empresa do mundo do transporte de contêineres através da via marítima,
11:31confirma que vai suspender a passagem dos navios pelo Estreito.
11:36Então, a primeira pergunta aí é, quanto tempo isso vai durar?
11:40Porque se em uma semana houver clareza de que o Estreito de Hormuz não será afetado,
11:46ou houver alguma evolução da crise interna no Irã,
11:50por eventual mudança de regime, ou a negociação com os Estados Unidos,
11:54isso é uma crise administrável de uma semana e 15 dias.
11:58Se passar desse período, você começa a ter uma série de problemas
12:02com relação, inclusive, à segurança alimentar daquela região.
12:07Porque, como vocês sabem, praticamente todo o Golfo é um grande importador de alimentos,
12:12inclusive do Brasil.
12:14Então, aí nós começamos a ter outros tipos de problemas se essa crise se estender.
12:19E outras análises até para onde deslocar toda essa carga que iria para lá, né, Barral?
12:26Além disso, além de cargas que já estão embarcadas, que já estão em trânsito,
12:30você... recordem que alguns desses trânsitos, por exemplo,
12:35quando tem... quando para em Sigapur, a R é distribuída,
12:39você tem trânsitos de até 40, de 45 dias.
12:42Então, você ainda tem uma discussão sobre a realocação da carga.
12:46Isso pode acontecer, inclusive, com o navio no mar, não é, Barral?
12:49Às vezes, até ele ficar parado, toda aquela equipe fica à deriva, diríamos assim, né?
12:54É lógico que não vai estar lá sem nenhum tipo de comunicação, né?
12:58Mas é uma deriva porque não sabe para onde ir.
13:00E ela pode ter que se deslocar para um outro destino.
13:03Ela pode ir a partir... você tem várias situações.
13:06Por isso que eu disse que se houver uma crise ou uma decisão da empresa
13:11por uma semana, dez dias, isso é administrável, inclusive, em alto mar.
13:15Caso contrário, os próprios exportadores que usam o transporte barítimo
13:21começam a ver portos onde poderia ser desembarcada a carga.
13:24Quase o redirecionamento da carga.
13:26Porque, muitas vezes, você tem cargas, como eu disse,
13:28precisa ser entregue rapidamente, você tem cargas perecíveis.
13:31Você tem várias situações que demandam uma ação muito rápida da empresa
13:36quanto a uma decisão.
13:38E, Barral, tem chance dessa ser uma daquelas situações que...
13:41Aí, como você disse, né?
13:42Ah, tem que esperar... nesse ponto tem que esperar essa decisão.
13:45Nesse ponto tem que esperar como é que vai reagir, né?
13:47Tal ator dessa situação.
13:50E tem chance disso tudo não ter conclusões, né?
13:54E de vocês ficarem com mais uma situação no globo de indefinição
13:59e também até dessa volatilidade que o empresário odeia trabalhar com isso, né?
14:05Exatamente.
14:05Odeia a volatilidade de dólar, de bolsa.
14:08E aí, mais uma situação agora geopolítica de uma região do mundo
14:12que ele fica trabalhando sempre à mercê de alguma decisão que possa acontecer, né?
14:18Isso fica em aberto.
14:19Exatamente.
14:20Aí você tem alguns efeitos.
14:21O primeiro coisa que nós temos que lembrar é que, claro,
14:24já houve, nos últimos anos, vários momentos de conflito entre Irã e Israel.
14:30Com maior ou menor envolvimento de outros países e dos Estados Unidos.
14:33Então, já houve conflitos anteriores.
14:36Esses conflitos anteriores, em algum momento,
14:38interromperam também navegação marítima,
14:40mas foram resolvidos aí nesse prazo que eu estou dizendo,
14:43de até duas semanas.
14:44A grande questão, por exemplo,
14:46é que a médio prazo você tem um dos grandes efeitos.
14:50É o aumento dos custos de seguro.
14:53E esse aumento de custos de seguro é repassado,
14:56fundamentalmente, para os custos do exportador e para o preço do produto.
15:00Então, você tem um efeito aí de médio prazo que é importante
15:03e tem que ser analisado setor a setor.
15:05Gabriel Barral, conselheiro e sócio fundador da consultoria BMJ,
15:10muitíssimo obrigada por reservar esses minutos preciosos
15:13do seu domingo para conversar com a gente.
15:15Até a próxima.
15:17Muito obrigado. Obrigado pelo convite.
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