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Cassiano Leme, CEO da Constância Investimentos, e Valter Bianchi Filho, fundador da Fundamenta, analisam as perspectivas para a gestão de fundos sistemáticos no Brasil com o avanço da tecnologia
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00:10Olá, eu sou Patrícia Valle e esse é o WealthPoint, onde grandes gestores compartilham as suas visões.
00:17Muito populares no exterior, as gestoras sistemáticas, que usam modelos matemáticos para selecionar ativos,
00:24ainda são poucas no Brasil, mas atraem cada vez mais investidores sofisticados por trazer descorrelação com o restante da indústria.
00:32Com o avanço da inteligência artificial, esse modelo de gestão ganha novas ferramentas e um potencial maior de crescimento.
00:39Para essa discussão, recebemos Cassiano Leme, CEO da Constância Investimentos, e Walter Bianchi Filho, sócio fundador e diretor de investimentos
00:49da Fundamenta.
00:50Bem-vindos ao WealthPoint!
00:54Obrigado, Patrícia. É muito bom estar aqui para poder conversar.
00:58Obrigado, Patrícia. Bom dia.
00:59O prazer é todo meu. Queria que a gente começasse diferenciando os conceitos que podem estar um pouco perdidos aí
01:06no mercado.
01:07O que são exatamente fundos sistemáticos? Há diferença para fundos quantitativos?
01:13Walter, pode começar essa?
01:15Claro. Fundos sistemáticos, é importante a gente esclarecer que são fundos que dependem de regras objetivas que podem ser testadas
01:28retroativamente,
01:29utilizando dados, uma análise de dados com o devido rigor científico, para que daí você possa utilizar essas regras para
01:37um processo sistemático decisório de gestão de investimentos.
01:40Então, veja que, baseado nesse conceito, um fundo sistemático, uma gestão sistemática, necessariamente ela é quantitativa.
01:49Agora, não necessariamente toda gestão quantitativa ou todo processo quantitativo é sistemático.
01:56Então, aqui eu acho que o foco até desse programa é a gente abordar a gestão sistemática,
02:00e eu defino ela, então, como um conjunto de regras objetivas que venham a ser aplicadas repetidamente.
02:09Cassiano, essa é a sua opinião também? Existe alguma diferença que a gente pode colocar entre esses dois conceitos?
02:16Essa pergunta é bem interessante, Patrícia, e eu vou fazer uma distinção aqui depois entre,
02:21porque eu acho que como esses termos são usados pelos Estados Unidos e vieram a ser usados aqui no Brasil,
02:26eu vou só dizer o seguinte, eu confarto com o que o Walter disse que sistemático,
02:32a gente chama de gestão baseada em evidência.
02:35Então, a experiência determinante para mim, profissional, para começar com isso,
02:41não foi nem em assets, eu era diretor de uma seguradora,
02:46eu tinha uma área técnica que respondia para mim, atuarial, uma seguradora de saúde,
02:52e aí eu lembro que eu tinha discussões eternas com os médicos a respeito, por exemplo,
02:57do conceito de medicina baseada em evidência.
03:01Então, o médico pode dizer assim, ah, eu acredito que um tratamento assim é melhor que aquele,
03:06mas o que dizem os dados?
03:07Então, você vai para um catálogo de milhares de tratamentos desse tipo
03:10e você vê o que diz a estatística a respeito da eficácia de certos tratamentos e certas circunstâncias,
03:15e isso é conhecido como medicina baseada em evidência,
03:19é um conceito bem aceito e utilizado no Lula Fora.
03:23O conceito de gestão sistemática de investimentos é muito parecido,
03:27é você utilizar a história e a evidência que você consegue gerar com base estatística
03:36para te colocar do lado melhor das probabilidades.
03:41Bom, isso difere do discricionário, principalmente, essa é a grande dicotomia, tá?
03:49A decisão discricionária não é uma decisão necessariamente baseada em regras,
03:54mas ela é baseada em intuição, em pesquisa, enfim, ela é discricionária.
04:01O termo quantitativo, nos Estados Unidos, ele é aplicado muito a um tipo de estratégia sistemática,
04:07de frequência mais alta de arbitragem estatística, mais intensivo, assim, menos transparente, mais caixa preta.
04:14E aqui no Brasil, ele veio a ser aplicado com o contrário, né?
04:18Então, talvez porque eu, pessoalmente, acho assim, até um tipo de, vamos dizer, de marketing,
04:22talvez firmas um pouco de pressão, olha o que você tem de sistemático, de quantitativo, etc.
04:27Ele para dizer que não tem nada, ele diz assim, não, não, eu uso dados, mas a minha decisão é
04:33discricionária.
04:34Então, eu acho que ficou um uso, vamos dizer, um pouco marqueteiro dessa terminologia,
04:40que às vezes mais atrapalha o entendimento do que esclarece, tá?
04:45Então, nesse uso mais rigoroso que eu estou propondo, que é utilizado nos Estados Unidos,
04:50eu não vejo grande diferença entre as duas coisas, tá?
04:54Super interessante. Agora, esse modelo de gestão, ele tem como objetivo bater o benchmark, né?
05:00Ganhar, ter uma gestão realmente ativa, mas ele faz isso de forma diferente que a gestão, assim, dita tradicional.
05:09Quais são os principais modelos de gestão?
05:13O que a gente poderia dizer que é o mais usado lá fora ou aqui no Brasil?
05:18Bom, tem algumas grandes famílias, Patrícia, de estratégias, assim, sistematizadas, né?
05:24Bem consagradas.
05:26Então, uma, talvez a primeira, é o investimento por fatores, o Factory Investing,
05:32que foi iniciado lá na pesquisa da década de 90, na Universidade de Chicago,
05:37e depois desencadeou o surgimento de umas gestoras enormes, mundo afora, como nos Estados Unidos tem a AQF,
05:45AQR, Dimensional, uma Cade, e tantas outras.
05:49Então, investimentos por fatores.
05:51Nós, na Constância, temos estratégias de fatores em ações.
05:55Um outro grupo importante é ações de trend following, né?
05:59Que utilizam, principalmente, o fator momentum, mas aplicado normalmente a índices futuros.
06:05Então, pode ser futuro de bolsa, de juros, de câmbio, coisas dessa natureza.
06:11Você tenta comprar ativos que estão em tendência ou vender ativos que estão em tendência.
06:16E, finalmente, você tem um grupo todo de estratégias que são de arbitragem.
06:21É arbitragem estatística entre pares de ativos, podem ser ações, ou futuro, em locomotives, ou outras coisas.
06:31Nós, na Constância, temos pesquisa nas três coisas implementadas nas três áreas.
06:36Mas o predominante nosso é o fatorial.
06:39Perfeito.
06:40Walter, como que é na Fundamenta?
06:42Na Fundamenta, a gente também utiliza uma série de abordagens que a gente,
06:46através das pesquisas que a gente fez, se enquadraram nessa denominação de sistemáticos.
06:53Fazemos uso também de fatores, alguns fatores específicos que nós encontramos.
06:57De fato, hoje, se você olhar a literatura acadêmica sobre o Factory Investing, ela é muito vasta.
07:02Tem até um pesquisador que comentou uma vez sobre o zoológico dos fatores, de tantos fatores que tem.
07:08Então, de fato, acho que é um trabalho muito peculiar, que cada um tem que ir lá encontrar os fatores
07:13que também você consegue se identificar.
07:16Tem certos fatores que ele tem um nível, digamos assim, de especificidade que pode não encontrar harmonia
07:25com o estilo do seu processo decisório.
07:28Então, acho que é importante você poder fazer a escolha certa dos fatores que melhor se encaixam.
07:33Eu até expandiria aí os exemplos que o Cassiano comentou.
07:40Por exemplo, técnicas de seguro de portfólio, que utilizam opções também.
07:45Isso até foi uma abordagem que foi utilizada lá na década de 80, teve uma febre disso lá nos Estados
07:49Unidos.
07:51Há quem diga até que foi o que levou aquele crash, o Black Monday, lá de 19 de outubro de
07:561987.
07:57Mas, enfim, tudo são estratégias sistemáticas.
08:02E eu acho que, assim, esse negócio antecede, parece que é uma coisa moderna,
08:09mas se nós formos pegar, por exemplo, o próprio livro Intelligent Investor, do Benjamin Graham,
08:13publicado em 1940, ele é um livro que, de certa forma, lá no capítulo Defensive Investor
08:19e no capítulo Intelligent Investor, ele está sugerindo métodos sistemáticos,
08:24praticamente algorítmicos de você ir lá e, se você replicar aquilo repetidamente,
08:30você irá obter resultados anormais.
08:32Essa é a recomendação do livro.
08:33Walter, como vocês colocaram aqui, a principal diferença é que a gente não tem aqui
08:38um gestor que tem uma ideia de investimento, que ele acredita e aposta em alguma direção do mercado
08:45e acerta a genialidade do gestor, como é no discricionário que o Cassiano colocou bem.
08:53A gente tem modelos programados para levar alguma estratégia.
09:01O que isso agrega a um portfólio?
09:03O que isso traz que a gestão tradicional não pode trazer?
09:08Tá.
09:09Acho que a primeira resposta está até contida na sua pergunta.
09:14Uma das coisas que nos deixavam extremamente desconfortáveis é basear um processo decisório
09:19numa pessoa, num showman, né?
09:21Acho que isso é uma coisa extremamente frágil.
09:23Quando a gente aborda, abraça a gestão sistemática, a gente está focando no processo e não numa
09:29pessoa específica.
09:30Isso, então, torna, digamos assim, a decisão de investimentos da casa muito menos dependente
09:37de uma pessoa especificamente, tá?
09:39Mas acho que um outro benefício importante da gestão sistemática é o controle de vieses.
09:44Quando a gente passa a aplicar um processo sistemático, é como se a gente deixasse os vieses na
09:49antessala da sala de reuniões, né?
09:52Do comitê de investimentos e deixasse um processo conduzir, né?
09:57Porque quando a gente captura um fator que gera alfa e aplica ele sistematicamente, isso
10:04foi backtestado ao longo de vários anos e lá você passa por situações bastante
10:11difíceis, como por exemplo agora.
10:13Agora a gente entende que a renda variável no Brasil está num patamar barato, sob diversos
10:18pontos de vista.
10:18Só que ninguém quer comprar, né?
10:20São nessas horas que tipicamente se provam as boas oportunidades de se embarcar no mercado.
10:25Um sistema não vai ter esse medo, ah, eu tenho medo disso, medo daquilo.
10:29O sistema ele vai ver o que ele fez no passado, funcionou, então vamos continuar repetindo
10:33que é o que deve continuar funcionando.
10:36Cassiano, você tem algo a acrescentar aí sobre o que esse tipo de sistema de gestão
10:42agrega aí aos portfólios?
10:44Patrícia, o partido seguinte pressuposto, né?
10:49Um processo de investimento, se ele pode ser tão mais rico, melhor, é quanto mais informação
10:54ele conseguir incorporar.
10:57Tem um limite que um ser humano consegue incorporar informação por mais genial que ele seja.
11:03E o que aconteceu com os anos foi o fenômeno do aumento da capacidade de processamento computacional.
11:10isso fez com que a gente consiga criar processos que incorporam uma quantidade de informação
11:16absolutamente brutal, né?
11:20E que superam muito a capacidade de um ser humano individualmente processar aquelas decisões
11:27todas, aquelas informações todas e tomar uma boa decisão, né?
11:31Então, eu acredito que esses processos sistematizados, eles são, na verdade, muito superiores, né?
11:42E eles permitem a gestão de carteiras muito mais complexas.
11:46Então, por exemplo, você pega os nossos fundos na Constância aqui no Brasil, que são
11:51centenas de instrumentos, papéis, seria praticamente impossível fazer isso manualmente.
11:56Agora, se você for para um mercado mais profundo, como o americano, por exemplo, não é
12:02incomum que você tenha 4 mil posições no fundo, né?
12:07E essas carteiras são mais resistentes, elas são melhores e não há ser humano.
12:13Eu acho que a era, vamos dizer assim, do gestor, estrela de rock, com toda a sinceridade,
12:21tende a acabar.
12:22Super interessante.
12:24Se você me permitir só mais uma observação, né?
12:27Num mundo em que tem cada vez mais informação e é muito competitivo no mercado financeiro,
12:32é mais difícil você encontrar grandes distorções de preço, às vezes, né?
12:38Então, aquele um ou dois ou três grandes negócios ou trades que vão fazer aquele retorno espetacular.
12:45E você precisa ser capaz de identificar e gerar um número muito grande de pequenos ganhos.
12:51Isso só é possível através também de estratégias muito mais computacionais e mais sistematizadas.
12:59Bem interessante.
13:00Agora, até a oportunidade que eu já tive de entrevistar gestoras internacionais, sistemáticas,
13:08eu vejo que tem uma divisão entre as sistemáticas puro-sangue,
13:13em que depois de ter sido feito o modelo, enfim, não se mexe mais, nenhum gestor toca mais para decidir
13:22nada.
13:22E existem as gestoras sistemáticas em que pontualmente acreditam que é necessário alguma intervenção
13:32em alguma parte do processo, talvez não em todos.
13:46Então, você tem razão, tem sistemático, discricionário, ele não é completamente dicotômico, né?
13:54Ele tem um contínuo de sistematização que você pode empregar e colocar um pouquinho de discricionário, tudo isso.
14:01A nossa preferência na constância é empregar esforço no desenvolvimento dos processos, dos modelos, né?
14:10Então, investir na modelagem e não na dedada, se eu puder fazer essa brincadeira.
14:18É fazer com que os modelos capturem essas várias vicissitudes que aparecem.
14:24Quanto mais completo, quanto mais complexo for o modelo,
14:29mais é difícil de você dar uma dedada sem prejudicar as coisas.
14:34Então, a minha crença realmente é forte no investimento em pesquisa, em evidência e na sistematização,
14:44combinando discricionalidade só quando absolutamente você não foi capaz de incorporar algum aspecto
14:50na sua abordagem sistemática.
14:54Walter, e na Fundamenta, como é que vocês fazem?
14:57Sua pergunta fez lembrar um pouco quando foi a migração da Fundamenta,
15:02que nasceu como uma escola fundamentalista discricionária, para uma gestora sistemática.
15:09E é muito interessante porque, à medida que a gente foi descobrindo os benefícios da gestão sistemática,
15:15a gente foi entendendo o quanto aquilo era poderoso, a gente foi adotando, mas sempre como algo complementar a um
15:25comitê de investimentos.
15:26A decisão humana no início do processo ainda era muito relevante,
15:29mas, ao longo do tempo, a gente foi verificando as indivíduas de que as nossas interferências humanas tendiam a ser
15:38ruins,
15:39elas destruíam o valor até na geração de resultados.
15:43Então, a gente foi, brincadeiras à parte, se demitindo do processo decisório ao longo dos anos,
15:49mas convictos de que era o melhor a se fazer para o resultado fundo.
15:54Mas é um processo de muita humildade, a gente tem que reconhecer que uma regra bem desenhada,
16:01ela é e consegue entregar os dados muito superiores a uma decisão discricionária,
16:06que depende de vieses comportamentais, depende do humor do dia,
16:12depende de assimetria de informação ou até mesmo de ausência de informação.
16:17Então, a gente foi se rendendo às evidências de que a participação humana deveria ser relegada
16:24a certas etapas e de uma forma bastante singela, mas não é totalmente ausente a participação humana.
16:32Os modelos que a gente utiliza, por exemplo, eles dependem de dados,
16:35dados que a gente tem que inserir no sistema.
16:38Esses dados requerem uma preparação prévia, que a nossa equipe de análise,
16:42então, tem todo um trabalho de pegar resultados das empresas, por exemplo,
16:46tentar limpar resultados das empresas, que muitas vezes a empresa vem com uma série de ajustes nos resultados,
16:51que eu não posso simplesmente pegar aquilo e inserir no sistema, eu preciso limpar.
16:55Nem sempre aquilo que a empresa considera, ah, isso é um não recorrente,
16:59então, eu vou fazer um EBITDA ajustado, certos ajustes, a gente não concorda,
17:03então, essa limpeza ainda é feita com mão humana.
17:07E também a gente sempre procura ver se o produto final do processo é um produto que tem um grau
17:14de exposição a risco
17:16equilibrado, né?
17:17Se a gente identifica que o produto final possa ter um risco muito exagerado,
17:21num certo fator, o comitê avalia modular, de certa forma, esses riscos.
17:26Mas veja que sempre é uma decisão no sentido de trazer algo mais conservador.
17:30Mas, por experiência, quanto mais a gente tenta interferir no processo sistemático,
17:35pior tende a ser o resultado.
17:41Posso, eu às vezes recebo comentários assim com clientes, assim,
17:45ah, mas é o humano ou é o robô, né?
17:48Também um confronto desse tipo, né?
17:52Eu não vejo dessa forma, deixar bem claro, né?
17:56Porque tudo que a gente faz de pesquisa, de modelagem, de esforço, é humano.
18:02Os modelos que a gente tem rodam em computadores mesmo.
18:05Os computadores são programados por gente.
18:07Só que o foco está no processo.
18:09E uma vez que o processo foi definido, testado,
18:13você tem a disciplina de não ir contra a evidência que você mesmo gerou.
18:18Então, é isso, na verdade, né?
18:20Todos os processos são humanos.
18:22Não existe processo por máquina, na minha opinião.
18:26É, eu vou fazer um complemento que acho que é bacana e cabe aqui,
18:29exatamente nessa pergunta.
18:30Quem lê o livro The Man Who Solved the Market,
18:33aquele que trata da história do Jim Simons, da Renaissance Technologies,
18:37eu fiquei, confesso, muito confortável lendo aquele livro
18:41em que ele cita uma das passagens em que o Jim Simons
18:44se viu compelido a interferir no modelo.
18:48Não teve uma, teve várias situações,
18:50mas teve uma especificamente que o fundo estava performando um resultado muito ruim
18:54e aí ele foi lá e interferiu no modelo.
18:56É como se ele apertasse uma espécie de botão stop e interrompesse o modelo, né?
19:01E eu digo com certo conforto isso porque esse negócio de gestão sistemática
19:05é muito mais fácil dito do que executado.
19:09A gente, quando cria um sistema desses,
19:12é muito compelido a interferir.
19:14A gente se colocar no banco de trás, digamos assim,
19:19de um processo decisório é uma decisão difícil
19:21e que ela tem que ser permanentemente relembrada.
19:24Então, veja que o próprio Jim Simons, que eu acho que é o ícone da gestão sistemática global,
19:29também passa por esse tipo de situação.
19:33Eu acho que você trouxe uma palavra que eu, chave que eu gostei aqui,
19:37é um processo que exige humildade.
19:40Bastante.
19:41Porque você se entrega na mão da evidência
19:44e abandona a ideia de que o seu próprio...
19:48Ah, não, eu sou um brilhante analista e tenho um conhecimento superior das coisas, né?
19:54Não.
19:55Então, esse processo, ele exige, ele é caracterizado por um grau alto de humildade frente ao mercado.
20:04Vocês estão colocando aqui, acho que talvez vou reformular de outra forma,
20:10toda gestão humana, ela se passa por um momento também que o gestor está passando, né?
20:17Às vezes, impactos emocionais, comportamentais,
20:22e que as finanças comportamentais têm explorado muito também.
20:26E que, como sempre fala, né?
20:28Dentro do furacão, às vezes, você está compelido a fazer a tomada de decisão errada.
20:35A gente está tirando isso daí.
20:37E, pelo que eu vejo também,
20:39os outros países que têm um mercado financeiro mais avançado que o nosso,
20:45já entenderam esse valor de tirar um pouquinho a emoção ali do momento disso.
20:52Se a gente pode tentar relativizar o tamanho que é hoje o mercado sistemático lá fora
20:59e aqui no Brasil, a gente...
21:01Vocês são uma das poucas gestoras brasileiras que são, de fato, sistemáticas, né?
21:06Como que tem andado esse mercado por aqui, né, Cassiano?
21:11Esse mercado no Brasil ainda é incipiente, né?
21:16E a gente... Nós fomos um dos pioneiros, né?
21:20Eu acho que a Fundamenta também foi, dado que tem um histórico longo já.
21:26No Brasil, a adoção começou pelos institucionais há, eu diria, menos de 10 anos.
21:36E ainda é um conceito que gera muitas perguntas e dúvidas em outros segmentos,
21:44seja varejo, seja dos family offices, alocadores, etc.
21:50Isso, bom, tem várias razões que a gente pode discutir.
21:53Mas se você olhar...
21:55Vou voltar ao exemplo...
21:56Estou chato hoje com o negócio do exemplo dos Estados Unidos.
21:58Mas se a gente olhar para o mercado americano,
22:02talvez 9 dos 10 maiores hedge funds hoje do mundo são sistemáticos.
22:08Então, eu acho que a evidência é avassaladora,
22:12no sentido que a participação de mercado desse tipo de estratégia
22:17é gigantesca nos mercados desenvolvidos
22:20e no Brasil ainda é absolutamente incipiente.
22:25Eu acredito que com o tempo é natural que nós avancemos
22:30na direção que já ocorreu em outros lugares,
22:32porque a gente está sujeito às mesmas realidades e leis econômicas,
22:36mas não por outra razão qualquer.
22:38Walter, por aqui, quem tem sido, na sua opinião,
22:41os investidores que mais têm aderido a essa estratégia?
22:46Onde dá mais para crescer por aqui?
22:49Eu concordo com o Cassiano.
22:51Acho que é uma indústria incipiente,
22:53um vazio, né?
22:54A bordagem sistemática em muito pouco,
22:57pelo menos que a gente saiba, né?
22:59Tentou ficar aqui a deixa para mim,
23:00mas quem sabe criar uma categoria em fundo ações sistemático, né?
23:04A partir do momento que a gente tem uma categoria
23:06que você consegue classificar como sistemático
23:09vai facilitar até a gente saber
23:10quem está aqui atuante no mercado
23:12utilizando esse tipo de abordagem.
23:14A gente sabe, claro, de um ou outro que se declara
23:16como adotante dessa abordagem,
23:20mas acho que aqui nós não temos nem 0,5% talvez
23:24do capital da indústria de fundos total
23:27utilizando abordagens sistemáticas.
23:29Eu acho que parte disso é um pouco de desconhecimento, né?
23:32Então, a gente sabe que lá nos Estados Unidos
23:34esse fenômeno começou lá pela década de 70,
23:38desde lá do Edward Thorpe, né?
23:40Que foi um dos precursores desse tipo de abordagem,
23:43até o próprio Jim Simons, que a gente já comentou,
23:45e depois vários outros que foram surgindo, né?
23:47Como o Cliff Asnes, da A.K.R.,
23:50de E. Shaw e ele e outras casas
23:52que abraçaram essa abordagem.
23:55Então, eu acredito ter muito crescimento
23:57para acontecer no Brasil.
23:59E eu acho que o mercado de institucionais
24:02ele tende a ser o primeiro adotante,
24:05digamos assim, dessa abordagem,
24:07porque eles, obviamente,
24:09têm uma visão bastante sofisticada dos investimentos,
24:12procuram entender, quando aparece uma unidade,
24:15como aquilo pode os beneficiar.
24:17Então, aqueles que efetivamente já pesquisaram,
24:21já viram o livro,
24:22já estão atentos às evidências lá de fora
24:24de que a gestão sistemática agrega valor,
24:27devem ser os primeiros a adotar.
24:30E à medida que essa indústria cresce aqui no Brasil,
24:33acredito que tanto o público de wealth
24:35como o público de varejo
24:36também vai acabar vendo na gestão sistemática
24:41uma escolha para também buscar
24:43oferecer resultados acima da média
24:45investindo no mercado.
24:48Você acha que a gente está tendo um momento
24:50muito importante, assim,
24:54em gestão no Brasil?
24:56Porque pega o exemplo dos multimercados, né?
24:59Que tem estado em discussão
25:01que, na média, os resultados foram muito pobres
25:04ao longo dos últimos anos, né?
25:06E no Brasil existe uma concentração enorme
25:09em estratégias macro,
25:11baseadas em tesouraria de banco.
25:14Essa foi uma tese muito predominante
25:16ao longo dos últimos anos, né?
25:19Contudo, os estudos que a gente tem lá dentro
25:22mostram que, na média,
25:25os fundos macro, eles não foram...
25:28Eles não agregaram um valor muito grande
25:31além, assim, de um kit Brasil,
25:33de você estar um pouco comprado em bolsa,
25:34um pouco dado em pré,
25:36um pouco comprado no real.
25:39Na média, não foi melhor que isso.
25:42Eu acho que esse momento vai ser um momento
25:44de questionamento e de se pensar
25:47que estratégias, de fato, conseguem gerar
25:51retornos que valem a pena, né?
25:53Que pagam o seu risco
25:55e onde é que estão essas fontes de alfa?
25:58Que não sejam simplesmente uma aposta direcional
26:01que, muitas vezes, não dá certo.
26:04como a gente viu nos multimercados.
26:05Então, eu acho que até esse momento
26:07pode ser um ponto de virada
26:10na consideração de estratégias sistemáticas no Brasil.
26:15E eu vou adicionar um outro temperinho aí
26:17que é a inteligência artificial,
26:20que está mudando vários segmentos drasticamente, né?
26:24E também o segmento de asset management, né?
26:28Se está se discutindo muito
26:30como que o uso da inteligência artificial generativa, né?
26:35Pode mudar o papel do gestor.
26:37Mas, dentro já desse modelo sistemático,
26:41o que vocês acham que podia acontecer?
26:44E falando nesse momento de virada, né?
26:46Vindo essa ferramenta nova
26:48em que todo mundo está querendo usar,
26:50existir, talvez, a possibilidade
26:52de uma curiosidade maior
26:54sobre esse tipo de modelo de gestão?
26:56Walter?
26:58Ok.
26:59Patrícia, certamente,
27:00eu acho que todo mundo
27:01que tem um mínimo de curiosidade científica
27:03hoje está testando, né?
27:04As novidades que a inteligência artificial
27:06está oferecendo.
27:08Eu acho que a grande novidade recente
27:11são os large language models, né?
27:13como o ChatGPT e outras similares.
27:16A gente tem procurado testar eles, né?
27:19Mas, assim, a visão preliminária
27:21que a gente tem
27:21é de que ainda esses modelos
27:24não são muito confiáveis
27:26para a gente pegar
27:27e plugá-los num processo decisório
27:31e basear, digamos assim,
27:33decisões de investimentos
27:34nesse tipo de sistema.
27:36Tem um artigo, por exemplo,
27:38que chama muita atenção
27:40que foi no ano passado
27:41um artigo, Alex Kim,
27:43acho que era o principal
27:45autor desse artigo,
27:46em que ele inseriu
27:47uma série de informes financeiros
27:49de empresas lá nos Estados Unidos.
27:52Basicamente, dois anos
27:53de informes financeiros, né?
27:54Pegou lá a base de dados
27:56e pediu para o ChatGPT
27:58dar uma projeção de resultado
28:00para aquelas empresas
28:01para o ano seguinte, tá?
28:04Claro, ele fez isso retroativamente, né?
28:07E ele deu lá
28:08que ele conseguiu um resultado
28:1163% de acerto
28:13contra um acerto médio
28:14e eu, tipo,
28:15pego o consenso de mercado, né?
28:17Os sites que publicam
28:18suas projeções
28:19davam um índice de acerto
28:20em cinco pontos menores,
28:22sei lá, 58%.
28:23Eu não lembro exatamente os números,
28:24mas eu lembro só que
28:24era uma diferença muito pequena
28:26para sair concluindo
28:28que, ah, o ChatGPT é melhor, né?
28:30E por tudo que a gente já pesquisou também,
28:32o ChatGPT tem uma característica
28:34que não incomoda,
28:35ele alucina muito.
28:36O que é alucinar?
28:37Ele não sabe dizer não.
28:38O que quer dizer isso?
28:39Eu preciso, cientificamente,
28:41para ser cientificamente rigoroso,
28:42eu preciso que,
28:42quando eu não sei alguma coisa,
28:44bah, isso eu não sei,
28:45isso eu não consigo.
28:46O ChatGPT não sabe dizer não.
28:48Então, a gente está ainda aprendendo
28:49a lidar com ele,
28:50acho que é uma novidade.
28:52Reconheço humildemente aqui
28:53que eu não sou um super especialista,
28:55mas a gente tem uma curiosidade
28:56epistêmica muito grande.
28:58Eu tenho expectativas de que,
29:02naquele processo preliminar da limpeza dos dados operacionais das empresas,
29:08ele possa nos ajudar,
29:09mas tem um livro,
29:12foi publicado também bem bacana sobre esse assunto,
29:16que ele sugere que a gente veja esses GPTs como um estagiário,
29:21no seguinte sentido,
29:23ele vai ser um auxiliar seu,
29:24mas não alguém que vai lá e tomar todas as decisões para você.
29:28Você vai lá,
29:29deixa ele tentar dar uma solução para você,
29:32mas você sempre vai lá e verifica
29:33se aquela solução, de fato,
29:36faz sentido.
29:36Eu acho que é nessa fase que nós estamos.
29:38Eu não sei para onde vai esse negócio,
29:40fala-se na inteligência artificial geral,
29:44que é um conceito que dizem que,
29:45quando atingirem,
29:46vai aí ser transformacional.
29:49A gente está, obviamente,
29:49sempre atento a essas novidades,
29:51mas, por ora,
29:52o que nós entendemos que temos à nossa disposição,
29:55eu não recomendo que seja aplicado sistematicamente
29:58para se fazer a gestão de investimentos.
30:01Cassiano, qual é a sua opinião aí
30:02sobre a inteligência artificial nos processos sistemáticos?
30:07Eu acho que,
30:09eu vou voltar ao ponto do crescimento
30:10da capacidade computacional, né?
30:13Tem problemas que você resolve por matemática,
30:17que é o que a gente,
30:18é muito o que a gente faz lá, né?
30:20Então, se eu estou procurando
30:23me basear em evidência,
30:24que tipo de evidência que é?
30:26Uma evidência estatística, matemática,
30:29dizendo que, olha,
30:29em circunstâncias A ou características do tipo tal,
30:33dão um bom resultado em circunstâncias B.
30:36Bom, coisas assim.
30:38E você prova isso com regressões,
30:42com, enfim, modelos matemáticos.
30:43Só que a álgebra, na verdade,
30:46ela consegue capturar
30:47relações que são relativamente simples.
30:49A gente chama de lineares,
30:50vai para ficar um pouco técnico, né?
30:52É difícil fazer coisas além do linear.
30:56Só que, se você usa uma força bruta computacional,
31:00você consegue testar uma infinidade
31:03de possibilidades,
31:08e aí a resolução não é algébrica,
31:10ela é por força bruta.
31:11Um pouquinho como,
31:13hoje, os computadores conseguem jogar xadrez,
31:15e ganhar dos grandes mestres,
31:18porque eles testam todas as possibilidades possíveis de movimento, né?
31:22Então, eu acho que isso tem uma aplicabilidade a finanças.
31:25É o chamado machine learning,
31:27é o aprendizado por máquina.
31:31Eu acho que tem muita fantasia hoje,
31:33em cima do tópico,
31:35a inteligência artificial,
31:36tem muita coisa de ficção científica,
31:41coisa e tal.
31:42Mas, eu acredito que tem um papel,
31:44vai ter um papel crescente.
31:45Eu acho absolutamente inevitável.
31:48A gente tem gastado algum esforço de pesquisa nesse sentido.
31:53Leitura de texto, por exemplo,
31:55é uma coisa super bacana.
31:56Você consegue, por exemplo,
31:57hoje já tem,
31:58nós não temos em produção,
32:00mas eu sei que várias firmas no mundo já tem,
32:03é que você consegue,
32:05através de leitura de texto,
32:06criar um índice de sentimento
32:08em relação a uma ação,
32:09ou uma moeda,
32:10ou qualquer ativo,
32:11se o mercado está positivo ou negativo,
32:14enfim, qual é o sentimento.
32:15E isso dá para explorar em estratégias de trading.
32:18Então, é muito interessante,
32:20é muito promissor,
32:22mas não vai acontecer da noite para o dia.
32:25e não é tão diferente do que a gente faz hoje com álgebra pura.
32:28É importante as pessoas entenderem isso.
32:30Não é que tem um cérebro mágico por trás das coisas,
32:33é simplesmente uma outra forma de matemática.
32:37Muito interessante.
32:38Cassiano, Walter,
32:40agradeço demais.
32:40Foi uma aula que vocês deram aqui.
32:43Eu queria terminar com uma pergunta.
32:46Com esse cada vez mais avanço de dados,
32:50no nosso modo de viver,
32:54e de analisar ativos de investimento,
32:57agora com a inteligência artificial,
32:59o que a gente pode pensar no mercado
33:01para os próximos 10, 20 anos?
33:04Será que essa dita gestão tradicional,
33:07ela vai acabar sendo um pouquinho sistemática?
33:11Vocês acham que o mundo poderia caminhar
33:13para o sistemático ser, na verdade,
33:15o modelo de gestão?
33:20Eu tenho um palpite.
33:24Qual a questão da situação que você entra em um avião,
33:27e aí você ouve um anúncio assim,
33:29senhoras e senhores passageiros,
33:31hoje você vai viajar em um avião que não tem piloto.
33:35É um sistema de inteligência artificial
33:37que irá conduzir a sua viagem.
33:38Como é que a gente se sentiria?
33:40Eu arrisco dizer que na nossa geração
33:43geraria um certo desconforto.
33:46Acho que há um processo até.
33:48Vamos imaginar aqui
33:49que se robôs pilotarem aviões,
33:52robôs, sistemas de inteligência artificial
33:54pilotarem aviões,
33:56e comprovadamente tivermos índices de acidentes menores,
34:00muito provavelmente,
34:01isso trará um ganho para a sociedade,
34:03então convergiremos para alguma situação
34:05em que só teremos robôs pilotando aviões.
34:09Associação análoga para automóveis e por aí vai.
34:12Porque estamos vendo um ganha-ganha.
34:14Todo mundo está ganhando.
34:14Claro, os pilotos vão perder emprego, ok,
34:16mas isso aí ao longo da história
34:18a gente já viu tantas atividades sendo desoptadas
34:19que eu acho que não seria nenhuma novidade.
34:22Agora, vamos imaginar isso acontecendo no mercado financeiro.
34:25Vamos imaginar que
34:25na arena do mercado de capitais
34:27uma série de robôs sistemáticos, enfim,
34:30comecem a digladear e
34:33alguns robôs vão ganhando,
34:34os que não vão ganhando vão sendo expurgados,
34:37digamos assim, no mercado.
34:38E no raciocinando limite,
34:40sobraria, no final das contas,
34:42alguns poucos robôs que conseguiram
34:44entregar resultados anormais.
34:46Aí eu consigo imaginar dois cenários.
34:49Um, em que esses robôs,
34:53eles, entendendo que eles chegaram
34:55num ponto em que eles têm competidores muito fortes
34:58e eles vão precisar aumentar muito
34:59o nível de risco
35:00do que eles estão fazendo
35:02para poder superar o resultado
35:04que os pares estão fazendo.
35:05E ele pode até chegar à conclusão
35:07que isso não vale a pena.
35:10E um outro cenário
35:11é em que eles, entre si,
35:13criem uma espécie de acordo tácito,
35:17tipo um oligopólise,
35:18assim, olha, vamos parar de brigar nós aqui
35:20porque agora, se a gente começar a brigar,
35:22nós vamos tomar muito risco
35:23e todo mundo vai quebrar
35:24e nós estamos lascados.
35:26Então, veja que qualquer um dos cenários é ruim.
35:30Então, eu respondo dessa forma
35:32como uma visão de que eu acho
35:33que nós não vamos convergir
35:34para um cenário
35:35em que tudo será feito
35:37por modelo sistemático,
35:38tudo será feito
35:39por inteligência artificial.
35:40Porque eu entendo que o equilíbrio
35:42desse negócio,
35:42se a gente for botar
35:43sob a ótica da teoria de jogos,
35:45não encontra um equilíbrio de Nash
35:47que nos agrada.
35:48Nesses equilíbrios
35:49em que os robôs se entendem
35:51e se, digamos assim,
35:52viram compadres,
35:53vão parar de se agredir agora,
35:55eles vão passar a entregar
35:56resultados medianos.
35:57Isso vai tornar eles vulneráveis
35:59a um outsider,
36:00um novo robô vai entrar,
36:01eu vou desruptar tudo
36:03porque eu não estou aqui no acordo
36:04e tenta daí lá,
36:05entrar no mercado.
36:06Porque, diferentemente da analogia
36:08com aviões que eu fiz
36:10com o mercado aéreo,
36:11o mercado financeiro
36:12é um jogo de ganha-perde.
36:14Se alguém está ganhando,
36:15alguém está perdendo.
36:16Diferentemente de acidente de avião.
36:17Se não tem mais acidente de avião,
36:19todo mundo está ganhando.
36:20No mercado financeiro, não.
36:22Então, eu não acredito
36:23que nós teremos tudo
36:25100% pilotado
36:26por gestão baseada
36:28em inteligência artificial
36:29e ou sistemática.
36:31Até porque não esqueçamos
36:33que uma das coisas legais
36:35da gestão sistemática
36:36é que a gente tem uma noção
36:38muito clara
36:38do nosso capacite,
36:40da capacidade máxima
36:41que eu consigo subir o fundo
36:43para continuar entregando
36:44resultados bons,
36:45acima do qual a gente começa
36:47marginalmente a declinar
36:49a entrega de resultados.
36:51Então, por que nos Estados Unidos
36:52hoje é 30%, 40%,
36:54não é 70%, 80%, 90%
36:56dado que lá
36:56os gestores sistemáticos
36:58têm um resultado
36:58bastante superior?
37:00Muito provavelmente
37:01por restrições de capacidade.
37:04Então, essa é a minha opinião.
37:07Se Cassiano...
37:08Qual a sua opinião, Cassiano?
37:10...plementar?
37:11Não, eu vou...
37:12O Walter deu uma mais ampla,
37:15assim, mais futurista no sentido
37:16e eu vou tentar...
37:18O que eu acredito,
37:19a tendência que eu vejo claramente
37:21é que você precisa incorporar
37:24cada vez mais dados
37:25no processo de gestão
37:26e ter carteiras mais complexas,
37:29que tenham mais ativos,
37:30que tenham mais relação entre si,
37:31que são mais difíceis de ler, etc.
37:33Essa tendência me parece inexorável.
37:36Isso não vai voltar atrás,
37:38isso vai continuar a aumentar.
37:39Então, isso vai forçar
37:42todos os gestores
37:43a buscarem formas
37:46de lidar com essa complexidade.
37:48E você só consegue lidar
37:49com essa complexidade
37:50através de tecnologia
37:52e sistematização,
37:54ou seja, métodos quantitativos,
37:56matemáticos, evidenciais,
37:58e não através da intuição puramente.
38:01Então, eu acho que isso
38:02é uma tendência inexorável.
38:04As gestoras que não se adaptarem
38:07a essa pressão
38:12vão tender a produzir resultados insuficientes
38:15e talvez desaparecer no futuro.
38:17Isso significa que vai ter
38:19uma estratégia sistemática dominante?
38:21Certamente não.
38:23Eu gosto de lembrar sempre que as pessoas,
38:25porque a gente fala em matemática,
38:26computação e mercado financeiro,
38:27é não esquecer que o mercado financeiro
38:29é um fenômeno social,
38:30é um fenômeno humano,
38:31ele não é um fenômeno natural
38:32e nem matemático.
38:34Ele existe no encontro
38:36entre a opinião
38:38de milhões de indivíduos
38:40ao mesmo tempo,
38:41cada um expressado
38:42pelas suas decisões
38:43de compra e venda a certos preços.
38:45Isso não vai deixar de acontecer.
38:48E não há processo computacional
38:50que capture a complexidade
38:51de um fenômeno social humano
38:53por inteiro.
38:53Então, eu não acredito
38:57nessa, vamos dizer,
38:58ficção científica
38:59do super robô.
39:01Muito obrigada
39:02pela presença de vocês.
39:04Agradecemos a oportunidade, Patrícia.
39:06Muito obrigado.
39:07É um prazer estar aqui.
39:08Agradeço também
39:09a nossa audiência.
39:10Esse episódio vai estar
39:12no site do NeoFeed
39:13e também nas principais
39:14plataformas de streaming.
39:16Até a próxima.
39:18Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
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