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00:00E o surf, se você não estiver ali de coração, de alma, de mente, presente,
00:05se você pensar em qualquer outra coisa, você perdeu a onda.
00:08Eu costumo dizer que o mundo será dos amadores, daqueles que amam o que fazem.
00:13Se você fizer com amor, com foco, com dedicação, você pode fazer o que você quiser.
00:17Qualquer pessoa faz um Ironman, é só treinar.
00:20O fato de você estar outdoor, seja correndo, seja pedalando,
00:24eu acho que faz um bem para a alma, para o coração, para a vida.
00:27Eu fiz squash, joguei tênis, tudo. Eu deixo meus filhos escolherem.
00:32Mas esporte em casa é inegociável.
00:34Correr um Ironman com o pé quebrado, você encara qualquer coisa.
00:37Não tem problema surfar grifada, entendeu?
00:39A sua mente fica treinada para qualquer coisa.
00:42Talvez o esporte até tenha sido uma válvula de escape, nesse sentido meu,
00:45de eu preciso fazer por merecer.
00:48Eu tive uma educação muito empoderada.
00:49Então, por exemplo, eu nunca me senti menos por ser mulher, por exemplo.
00:52E de uma forma ou de outra, eu preciso passar segurança e confiança para as pessoas.
00:58Então, eu acho que a questão da longevidade é uma coisa só.
01:01É mente, corpo, físico e alma.
01:04Então, eu acho que a questão da longevidade é uma coisa só.
02:03Então, eu acho que a questão da longevidade é uma coisa só.
02:16Ana Oliva diz que a vida sem tomar riscos não tem graça.
02:21Você já imaginou isso?
02:22Amparada pela intuição aguçada, muita disciplina e força de vontade,
02:27liderou a empresa fundada pelo seu avô, o Grupo Astra.
02:30Uma indústria brasileira focada em soluções para a construção civil,
02:36onde hoje é presidente do Conselho.
02:39Sob sua gestão, a empresa atuou fortemente na expansão e inovação de produtos.
02:45Empresária, triatleta, amazona e, mais recentemente, surfista,
02:51Ana Oliva confessa que a gratidão é a sua fonte de equilíbrio e saúde na vida
02:56e que uma educação empoderada foi o maior presente que recebeu da sua família.
03:02Surfei com a Ana no Boa Vista Villas, onde ela foi a primeira a entrar na piscina.
03:07Super animada, com um dia ainda escuro.
03:10Pegou a melhor onda do dia e depois sentamos para bater esse papo.
03:15Acompanhe por aqui.
03:16E se você ainda não se inscreveu no canal, inscreva-se clicando no link abaixo.
03:22Obrigado.
03:22Pessoal, bom dia.
03:24Bem-vindos a mais um Brava Mente.
03:26São quase 10 horas da manhã, mas esse Brava Mente começou...
03:31A Ana gosta de acordar muito cedo.
03:34Eu acordei às 5, mas eu imagino que você deve ter acordado...
03:38Acordei antes.
03:39Acordou antes.
03:41A gente já foi na piscina, a gente já pegou onda, já tomamos um café da manhã maravilhoso.
03:45Já alongamos.
03:46Alongamos antes e depois.
03:47Não, teve aquecimento.
03:49Aquecimento.
03:50Teve surf, depois teve alongamento, teve café da manhã.
03:54E esse é o DNA do Brava Mente.
03:56A gente procura interagir de uma forma mais profunda com as pessoas, com os nossos convidados.
04:02A gente fala sobre autoconhecimento, empoderamento pessoal, longevidade.
04:08E essa é a nossa missão hoje, tá, Ana?
04:11Você é uma pessoa muito conhecida, por liderar, por ser presidente do Conselho Administrativo
04:20da Astra e também diretora da JAPI.
04:25Está nos negócios da família há muitos anos, você me falou.
04:28Então, desde cedo, você sempre gostou de estar dentro dos negócios da família.
04:32Super atleta também.
04:34E a gente quer conhecer melhor essa pessoa, esse ser humano, sabe?
04:39Esse sorriso, essa história de sempre ver o copo mais cheio, né?
04:45A metade cheia do copo, né?
04:47Para a gente ter esse pensamento positivo e pró-positividade na vida.
04:52Então, quero aproveitar esse momento de descontração e pedir para vocês,
04:57assinem aqui vocês o Bravamente, deixem comentários, mandem sugestões com relação ao que vocês
05:05acham que a gente poderia melhorar.
05:07A gente tem vários desafios, não é um estúdio, a gente sempre está num lugar diferente.
05:11Gente, é o podcast mais incrível que a gente tem, não é, Carlos?
05:16Obrigado, obrigado.
05:17E a gente vai sempre trazer algo positivo relacionado à liderança, com conselhos, experiências
05:25e sempre uma palavra de motivação e estímulo para que a gente possa se desenvolver e criar um mundo melhor,
05:34né?
05:35E deixar um mundo melhor também para as novas gerações.
05:37Ana, então vamos começar falando, tá?
05:42Do nosso surf hoje, tá?
05:44Quem é Ana Oliva surfista e qual tipo de surfista que você acha que você é?
05:51Gente, hoje eu falo que eu sou uma surfista Nutella porque eu surfo na piscina, mas vamos lá.
05:56Eu sempre fui muito raiz na minha vida, porque eu esgotei meu espírito raiz.
05:59Mas eu sou uma pessoa que eu sempre fui muito apaixonada por água, por mar.
06:03Quando eu era nova, eu tentava surfar, tentava.
06:07Eu pegava a pranchinha pequena dos amigos, fazia bate e volta na praia, em São Pedro, enfim.
06:13E caía na água e sempre fui.
06:16Entrava na água com prancha pequena, nunca fiz aula, nunca fui nada.
06:19Eu ia na raça.
06:20Com quantos anos, Ana?
06:21Ah, nessa época eu tinha uns 17, 18 anos.
06:24E foi aí minha primeira experiência com o surf, que eu tinha essa coisa de mar, que nunca
06:28tive medo nem nada.
06:29Então eu ia, vim da natação, então pra mim o mar, arrepentação, nadar, remar, nunca
06:34foi um problema.
06:36Fiz muita travessia, então não tinha...
06:39Tem gente que fica um pouco ansiedade com a questão do mar, de não ver o fundo.
06:43Então eu nunca tive isso.
06:44Sempre me senti muito à vontade na água.
06:46Então pra mim ir lá, entrar na água, tentar remar, tentar entrar na onda.
06:50Caí, eu só caía, Carlos.
06:52Imagina, com pranchinha pequena, sem um professor, sem nunca fazer uma aula, sem ninguém empurrando.
06:57E eu sempre fui muito do esporte, e eu sempre fui da performance.
07:01Então pra mim, querendo ou não, o surf era uma frustração, porque eu nunca consegui
07:05surfar de verdade.
07:06Eu dropava, fazia meia decidinha, assim, e caía.
07:11Porque, imagina, com pranchinha pequenininha.
07:14E eu resolvi a minha frustração de vida na piscina, porque eu também não tinha uma
07:19regularidade de ir pro mar.
07:20Ah, eu vou surfar todo final de semana.
07:21Era de vez em quando.
07:23Um pouco mais velho, eu cheguei a comprar uma prancha, comprei um fanboard, eu ia pra
07:27Ubatuba, caí em mar gigante, os caras falavam, meu, o que que essa menina tá entrando
07:29nesse mar?
07:30E eu ia.
07:31Eu ia, dava as caras, mas eu nunca fui boa surfeita.
07:35Eu me virava, mas não surfava.
07:37Não surfava.
07:38Mas eu me divertia só de entrar, remar, dropar, caindo drop e tava valendo.
07:43Tava valendo a experiência.
07:44E eu resolvi minha frustração de vida na piscina, porque acho que o único esporte
07:49que eu não fazia bem era o surf.
07:52Não que eu faça bem, tá muito longe de fazer bem.
07:54Carlos, mas pra quem começou depois dos 40 a surfar com uma certa frequência, eu comecei
07:59na grama, depois a gente comprou aqui o título, enfim.
08:03Me apaixonei.
08:04Me apaixonei por muitos motivos.
08:06O surf é um esporte de conexão.
08:10Você com você mesmo é de concentração.
08:13Então é um dos poucos esportes que te esvaziam a mente.
08:16Porque eu brinco, né?
08:18Eu fiz aeromance, corri, pedalei, nadei.
08:20Quando você tá correndo, você tá pensando.
08:22Quando você tá pedalando, você tá pensando.
08:23Quando você tá nadando, ou você tá pensando, ou você tá contando azulejo.
08:27Então você tá o tempo inteiro pensando.
08:29E o surf, se você não tiver ali de coração, de alma, de mente, presente, se você pensar
08:35em qualquer outra coisa, você perdeu a onda.
08:37Você perdeu o drop.
08:39Você vai cair.
08:39Porque é a mão, é o pé, é o fio do cabelo, é o dedinho do pé, é o olhar,
08:43é pra cá.
08:44Então o esporte, pra mim, é uma questão meio que de mindfulness.
08:48Não é terapia, mas é terapêutico.
08:51Legal, ótimo.
08:51E vamos falar um pouco da nossa sessão hoje?
08:54Vamos.
08:54Desse momento que a gente teve.
08:55Foi mágico, né?
08:56Foi mágico.
08:57Você foi a primeira a chegar na piscina.
08:58Tava escuro ainda.
08:59Gente, eu abri o surf club hoje.
09:01Acho que eu nunca abri.
09:02O pessoal briga por essa primeira onda, né?
09:04No final de semana.
09:05E a gente brinca que tem o presidente que sempre surfa a primeira onda e rola uma disputa.
09:09A galera chega às 5h30 da manhã.
09:11E aí o que aconteceu é que eu já cheguei e peguei a primeira onda.
09:14E é difícil pegar a primeira onda, assim, do dia, né?
09:18É algo surreal, gente.
09:19Dá uma...
09:22A onda é tão lisinha.
09:23Agora eu entendo porque o Seba fala a hora do azeite.
09:26É a hora do azeite.
09:27A piscina é lisa, lisa, lisa.
09:28A onda vem e você perde até a referência se você tá em cima ou se você tá embaixo.
09:32Foi muito legal.
09:33O dia nascendo, a lua brilhante, brilhante, a fumacinha da água saindo porque tava frio fora da água e a
09:41água tava boa hoje.
09:43Eu acho isso mágico, maravilhoso.
09:45Me dá uma energia pra encarar qualquer coisa no dia.
09:47Além do esporte, tem esse estilo de vida super saudável, essa relação com a natureza, com o corpo.
09:52Eu amo ver o sol nascer.
09:54Amo ver o sol nascer.
09:55Teve uma fala sua agora, nessa primeira conversa da gente, que me chamou muita atenção.
10:01Essa história da frustração, né?
10:02Dos desafios.
10:03Você me parece uma pessoa que procura sempre essa zona de desconforto, né?
10:09Esses obstáculos e se alimenta deles.
10:14Duas em cada três pessoas que me abordam hoje em dia, me revelam essa frustração de ter vontade de surfar
10:24e não ter começado.
10:25Você começou a surfar mesmo mais tarde, como você falou.
10:28Hoje os 40, a gente tem os 44 anos e tô surfando.
10:31Nunca é tarde.
10:32Carlos, eu voltei pro hipismo depois de 30 anos sem montar.
10:36Ih, tá tudo certo.
10:37Não vou sair ganhando, mas já até levei um pódio.
10:41Mas assim, eu acho que nunca é tarde, gente.
10:43A gente que é do esporte, que tem saúde.
10:45Você tem saúde?
10:45Faz o que você quiser.
10:47Você não deve nada pra ninguém.
10:48Vai aparecer um picolé de chuchu no começo, dura, vai.
10:53Eu, gente, minha postura no surf não é bonita, não é legal, não é bacana.
10:57Aí tá tudo bem, mas eu me divirto, Carlos.
10:59É que nem eu te falei.
11:00Gente, quantas sessões o Paulinho é...
11:02É até...
11:03É suspeita disso, né, Paulinho?
11:05Quanta sessão que eu saí zerada da sessão.
11:07E mesmo assim, eu me divertia.
11:09Porque eu tava me propondo, tava fazendo o que eu tava me propondo a fazer.
11:13Então, quando você se propõe a fazer alguma coisa, você tem que saber que tem dias que vai ser...
11:16E outro, o surf é um esporte que ele é...
11:21Ele te testa o tempo inteiro.
11:24Ele é frustrante, se você não souber lidar.
11:26Porque tem dia que você pega 100% de aproveitamento, segundo o Paulo Barcelos.
11:31Ô, louco, Aninha, 100% de aproveitamento.
11:34No dia seguinte, você surfa um fiasco.
11:37E é assim, gente.
11:38E daí o outro dia você vai surfar bem, ou não.
11:40E você lidar com isso é muito legal.
11:43E o que importa é você estar sempre se divertindo.
11:45Porque eu acho que, assim, as decisões que a gente toma na vida...
11:48A gente tem livre-arbítrio pra decidir o que a gente quiser.
11:50Eu acho que quando você decide alguma coisa, você tem que estar feliz com a sua decisão.
11:53Eu já fui Ironman.
11:55Hoje as pessoas perguntam, as pessoas falam, nossa, você não vai competir?
11:57Eu falo, não, gente, não vou.
11:59Não tem vontade?
12:00Não, não tenho.
12:01Hoje eu faço outras coisas.
12:02E não sou frustrada porque não continuo competindo.
12:05Competi muito, fiz minha parte e tá tudo certo.
12:09Eu era Ironman, hoje eu virei Amazônia, sou surfista e tá tudo bem.
12:13Eu acho que você tem que estar feliz e satisfeito com as escolhas que faz.
12:17Por trás dessa fala de, ah, eu gostaria de ter surfado, me arrependo de não ter tentado.
12:25Eu tenho a impressão que existe também uma vontade de se conectar com algo além do esporte.
12:33Que é esse estilo de vida mais saudável, que te provoca, que te tira da zona de conforto.
12:38Que te desafia.
12:39Que te desafia.
12:40Eu sou uma pessoa que eu não fico na zona de conforto nunca, Carla.
12:43Nunca, nunca.
12:44Nem nos negócios, nem na vida, nem no esporte.
12:48E nada.
12:48Aí as pessoas ficam falando, nossa, o que as provas de Ironman me ensinaram?
12:52Claro, me assinaram muita coisa.
12:54Lidar com variáveis controláveis, variáveis incontroláveis.
13:00Mas isso é uma coisa minha, né?
13:02De você enxergar o copo meio cheio e aquilo lá.
13:04Numa prova de Ironman, uma prova muito longa, na sua cabeça, você tem momentos de altos e baixos.
13:09Muitos, que é uma prova muito longa.
13:11Então você tem que ter consciência que a hora que você estiver muito bem pedalando,
13:14fala, nossa, eu tô me sentindo muito bem.
13:16Não acelerar.
13:17Porque vai chegar a hora que você vai pro fundo do poço e você vai achar que você vai quebrar.
13:21Então você ter a consciência dos pensamentos sabotadores que tem em tudo na vida,
13:27a gente tem pensamento sabotador.
13:28É como você dominar a sua mente.
13:30E eu tinha muito isso nas provas.
13:33Eu lido isso na vida, com os negócios, com tudo.
13:37Essa questão do treinamento mental.
13:38Eu, na época, até de Ironman, eu escrevi uma coluna que eu tinha os meus diários do mundo tri.
13:44E aí eu fazia os duelos do tico e do teco.
13:47O tico era meu neurônio positivo e o teco meu neurônio negativo.
13:53Porque eles ficavam numa briga.
13:54Numa briga na minha cabeça.
13:56Quando você tem consciência disso, você consegue lidar com tudo.
14:01Então o que você acha que as pessoas, quando elas falam assim,
14:03ah, poxa, eu gostaria de ter praticado esse esporte e hoje me arrependo de não ter tentado.
14:09O que elas falam no fundo?
14:12Oh, Carlos, o que eu acho é o seguinte.
14:14Eu sou uma pessoa que fala assim, ah, Ana, eu não me arrependo de nada.
14:16Eu acho que cada história que a gente tem, cada erro que a gente comete, serve pra alguma coisa na
14:22vida.
14:22Então quando uma pessoa fala isso, eu acho que ela não está se colocando, não gosta de colocar uma posição
14:28vulnerável.
14:29Porque quando você começa algo novo, você fica vulnerável.
14:31Você sai da zona de conforto.
14:33Por exemplo, eu voltar a montar depois de 30 anos.
14:36Me inscrevi numa prova, fui saltar 80.
14:38Eu podia ter me escrito 60.
14:39Não, mas vou no 80.
14:41Por que eu vou no 80?
14:43E tem uma coisa que eu acho, Carlos, que tem uma questão de amor.
14:47Se você tem amor por algo, eu costumo dizer que o mundo será dos amadores.
14:52Daqueles que amam o que fazem.
14:55Se você fizer com amor, com foco, com dedicação, você pode fazer o que você quiser.
14:59Qualquer pessoa faz um Ironman.
15:01É só treinar.
15:02Treinar.
15:03Todo mundo pode fazer.
15:04Todo mundo pode performar.
15:06É uma questão de escolha.
15:08De custos de oportunidade.
15:10Porque pra fazer isso, você vai ter que ser disciplinado, focado.
15:14Mas eu acho que quando você quer algo, se você ama algo, tudo é possível.
15:19É basicamente isso, né, Ana?
15:21Então, se você se cobra muito, se você quer performar num nível muito alto, muitas
15:25vezes você nem começa, nem tenta.
15:28Mas eu sou uma pessoa de performance.
15:30Eu não gosto de fazer as coisas meia boca.
15:32Assim, quem convive comigo sabe disso.
15:35Eu sou extremamente perfeccionista.
15:36Isso eu já sofri muito quando eu era jovem.
15:38Sofri muito.
15:39Mas tem um lado bom e um lado ruim.
15:40Então, assim, eu sou uma pessoa de performance.
15:43Agora, eu sei que quando eu começo algo novo, eu não vou performar.
15:48Existe um percurso pra ser seguido, né?
15:51Você vai começar a fazer triatlon, você não vai direto pra um Ironman.
15:53Você vai fazer short triatlon, mas você vai fazer o Olímpico.
15:56Aí você vai fazer o melhor Ironman.
15:57Aí você vai treinar volume.
15:59Você vai treinar seu corpo.
16:00Vai treinar sua cabeça.
16:01Então, tudo tem sequência.
16:02O que eu acho é que as pessoas, às vezes, são muito imediatistas.
16:05Não adianta, por exemplo, eu querer começar a surfar hoje e estar amanhã entrando no nível 8.
16:10Tipo, mesmo assim, eu entro, eu sou super crítica comigo mesmo.
16:13Eu caio na água com o professor no muro.
16:15Eu sou uma pessoa de técnica.
16:17Mesma coisa, esquiar.
16:18Eu esquio desde que eu tenho 4 anos de idade.
16:215 anos, sei lá.
16:21Eu esquio desde pequenininha.
16:23Eu esquio bem.
16:25Eu sempre pego o professor.
16:27Porque eu sou uma pessoa de técnica.
16:29Eu acho que sempre dá pra fazer mais e melhor.
16:32E isso é uma coisa que não me impede de começar.
16:35Eu acho que me impulsiona a querer ir além e a querer melhorar.
16:40Entender o processo.
16:41Ter autocompaixão nas fases.
16:43Mas sempre dar o teu melhor.
16:44É isso.
16:45É isso.
16:45Legal.
16:46E o surf tem essa relação muito forte com a natureza.
16:48Você busca isso também?
16:50Eu sempre fui outdoor.
16:52Sempre, Carlos.
16:53Pra mim, treinar na academia era boring.
16:55Hoje eu treino musculação, treino com gosto.
16:57Aprendi a gostar, mas eu sempre odiei.
16:59Então, assim, era o último dos planos era treinar indoor.
17:02Hoje eu treino indoor por questão de horário, por questão de facilidade.
17:05Sou uma pessoa que eu não fico sem treinar.
17:06Amo.
17:07Faço porque eu amo.
17:08Não é porque...
17:09Nossa, né?
17:10Mas porque me faz bem.
17:11Me faz bem.
17:12Então eu faço esporte todo dia.
17:13Agora, a questão de ser outdoor.
17:15Eu acho que a vibe de você estar conectado com a natureza.
17:18Vendo o sol nascer.
17:20Por mais que seja na piscina, não é no mar.
17:22No mar é mais legal ainda, né?
17:23Porque você está com natureza mesmo.
17:25A energia, eu acho que, do mar de água salgada, é muito ainda superior.
17:28Mas o fato de você estar outdoor, seja correndo, seja pedalando, seja fazendo qualquer coisa
17:34outdoor, que conecte com a natureza, que você tenha o vento na cara, eu acho que faz
17:38um bem para a alma, para o coração, para a vida.
17:42Essa filosofia você leva para os teus filhos também.
17:45Você falou para mim que desde cedo você ia para dentro da fábrica, das indústrias,
17:51aprender, entender, porque você gostava.
17:53Você está repetindo isso com os seus filhos.
17:55E no esporte também?
17:57Caros, eu mostro tudo para eles.
17:59Eles já fizeram de tudo.
18:00Eles fazem natação, futebol.
18:02A Nina ama cavalo e pismo.
18:05Faz ginástica, faz natação também.
18:07Os dois surfam, andam de bicicleta.
18:10Minha mãe fez isso comigo.
18:12Minha mãe me colocou em tudo.
18:14Você fala, Ana, o que você fez na vida?
18:15Eu falei, eu fiz de tudo.
18:16Tudo.
18:17Fiz ginástica olímpica, fiz handball, fiz vôleibol, fiz basquete.
18:21Fiz tudo e depois me encontrei.
18:22Fiz squash, joguei tênis.
18:24Tudo.
18:25Eu deixo meus filhos escolherem.
18:26Mas esporte em casa é inegociável.
18:29Faz parte da educação.
18:30Desde pequeno.
18:31Desde que liberou as vacinas na natação, com três meses as crianças estavam na piscina nadando.
18:36Não é só questão de sobrevivência, é questão de lifestyle.
18:39É questão...
18:39Eu não sou do indoor, eu não sou da televisão, então eu tento passar isso pra eles.
18:45Obviamente, não sou radical.
18:46O Pedro adora jogar um Playstation, então tem...
18:49Não é todo dia, final de semana, meia horinha.
18:51A gente faz os equilíbrios.
18:53Mas eles acabam tendo esse lifestyle outdoor do esporte, de vida saudável.
18:59Você teve performances incríveis no Ironman, assim, tempos excelentes.
19:07E já fez essa prova cinco vezes.
19:10Então, não foi que você fez uma, se provou e parou?
19:13Na verdade, eu treinei pra sexta, que era o Havaí, e aí eu tive um acidente na estrada.
19:18Eu caí de bicicleta e me arrebentei, quebrei costela, tudo.
19:21Acabei não indo pro meu último mundial, que eu tinha definido que eu ia competir, ia fazer e ia dar
19:29um break.
19:29Porque foi aquela prova que eu comentei com você, que eu achei que deixou de ser saudável.
19:33Por que algo tão intenso?
19:36Cara, eu sou uma pessoa intensa.
19:38Sou uma pessoa intensa.
19:39Na verdade, na minha primeira prova de Ironman, eu não imaginava que eu fosse tão bem.
19:47Eu nem tinha essa pretensão, que eu acho que seria até prepotência da minha parte, falar que eu queria fazer
19:52algum tempo.
19:53Porque quando você vai fazer a primeira prova de Ironman, você não sabe.
19:56Ironman, muitas coisas podem acontecer, né?
19:59Mas tem duas coisas que podem te quebrar.
20:01Sua cabeça e seu estômago.
20:02Se você não conseguir comer nada, você não vai ter energia pra terminar a prova.
20:06E se você não tiver uma cabeça boa, a sua cabeça te quebra.
20:08Porque você tem muitos altos e baixos, como eu falei.
20:11Então, na minha primeira prova de Ironman, que foi em 2010, eu larguei.
20:17E as meninas que corriam no profissional, eu lembro a Fernanda Keller não largou.
20:24E até uma amiga minha, que era a Ariane, que corria no profissional, ela parou na corrida.
20:29E o que aconteceu, que foi nessa minha primeira prova minha de Ironman, eu fiz 10 horas de 3.
20:33As pessoas falam, nossa, Ana, quanto você quer fazer?
20:34Eu, na minha cabeça, eu queria fazer abaixo de 11 horas.
20:39Mas eu me sentia, assim, arrogante de falar que eu queria algum tempo, sendo que eu nunca tinha feito Ironman.
20:44Eu não sabia o que vinha pela frente.
20:46Porque a gente não treina um Ironman completo.
20:47A gente faz por partes, você periodiza.
20:49A bike, a natação, o ciclismo, você não faz uma prova inteira.
20:52Então, era um dia muito longo.
20:54Então, eu achava que era um pouco arrogância na minha parte, desejar algum tempo.
20:57Mas, na minha cabeça, eu queria fazer abaixo de 11 horas.
21:00E nessa prova, eu fiz a prova, assim, feliz, sorrindo.
21:03Primeira prova, né, gente?
21:04Me divertindo muito.
21:05Cheguei, assim, 10 horas e 3.
21:07Fui a primeira brasileira a chegar.
21:09Aí, foi aí que as marcas começaram a olhar pra mim.
21:12Que eu tive patrocínio da Oakley, da Asics.
21:14Foi nessa primeira prova que eu fui a primeira brasileira a chegar.
21:17E eu acho que foi essa prova que eu fiz top 5 entre as profissionais.
21:20E aí, foi algo que eu fui indo.
21:23Me dedicando.
21:25Fui pro Mundial do Havaí, fiz um provão no Havaí.
21:28Fui a primeira brasileira também.
21:30Fiquei bem classificada no geral.
21:32Da minha categoria, né?
21:33Porque no Havaí, gente, 200 mil atletas tentavam a classificação.
21:37Pra ir pro Havaí, na minha época, eu tinha que ganhar.
21:39Não tinha duas vagas.
21:41Tinha uma vaga na minha categoria.
21:42Então, eu não tinha opção de chegar em segundo lugar.
21:44E aí, no Havaí, o nível é muito alto.
21:47Muito alto.
21:48Eu brinco que a Disneyland é dos triatletas.
21:50E foi uma experiência linda.
21:51Eu fui super bem no Havaí.
21:52Uma prova que é extremamente desafiadora por causa da questão de temperatura, de umidade.
21:56Muita gente passa mal pelas questões extremas.
21:59E eu me apaixonei de uma forma.
22:01E eu me dediquei.
22:02E foquei.
22:03E treinei.
22:04Eu trabalho.
22:04Sempre trabalhei.
22:05Mas eu não fazia musculação.
22:06Eu não fazia fisioterapia.
22:07Eu não fazia nada.
22:07E o pessoal me cobrava.
22:09Porque eu tava com patrocínios importantes.
22:13E aí, você fala,
22:13Ana, você não vai largar no profissional?
22:15Eu falei, não.
22:15Eu não vou largar no profissional.
22:16Eu não sou profissional.
22:17Eu não vivo disso.
22:18Eu trabalho.
22:18Eu não tenho fisioterapia.
22:19Eu não faço musculação.
22:21Eu treino quando dá.
22:23Treinava três vezes por dia.
22:24Mas acordava com a da manhã pra sair pra pedalar.
22:26Nadava meia hora na hora do almoço.
22:27Porque eu tinha reunião em seguida.
22:29Então, eu sempre adequei com a minha rotina.
22:30Falei, não.
22:31Eu não vou largar no profissional.
22:34E aí, no ano seguinte, em 2011,
22:38fiz um provasso, Carlos.
22:39Foi o ano que eu bati o recorde.
22:41Foi minha terceira prova de aeromênico.
22:42Tinha feito o Brasil.
22:43Havaí, o Mundial.
22:45Voltei.
22:46Fazia as provas menores, como treino.
22:48Tudo mais focada no full.
22:50No Ironman full.
22:51E aí, fiz um tem passo aqui no Brasil.
22:53O pessoal brinca que eu mudei a régua.
22:55Meus amigos, né?
22:57Das antigas.
22:58Favam, não.
22:58A Aninha mudou a régua.
22:59Daí, eu era a Aninha das 10 horas.
23:01Virei a Aninha das 9 horas.
23:03Que eu fiz uma 9 horas e 43.
23:04O pessoal queria bater as 10 horas pra baixo.
23:07Os meninos, assim, a turma.
23:08E, de repente, eu vou lá e enfiei uma 9,43.
23:11E foi o recorde brasileiro.
23:12Por bastante tempo.
23:14Eu bati o recorde no amador, né?
23:16Feminino, por bastante tempo.
23:17Fiz um provão.
23:19Esse ano, eu fui pro Havaí, em 2011.
23:22Eu, num treino, eu dei com o calcanhar pra fora da piscina, na virada olímpica.
23:27E eu comecei a sentir uma dor no calcânio.
23:29E eu não sabia o que que era.
23:30E me incomodava muito na hora de pedalar, de fazer treino cruzado.
23:34Bike, corrida.
23:35Volume muito alto de treino.
23:36A gente falou, ah, tô com uma tendinite tendão de Aquiles.
23:38Eu lembro de eu ir pra lá com o pé, assim, horroroso.
23:42E 2011 foi um ano que me marcou muito.
23:45Porque eu larguei na prova.
23:47Eu tava com o calcânio trincado.
23:49E eu não sabia.
23:50Eu achava que era uma tendinite.
23:51Aí eu lembro das mídias em cima de mim.
23:55Ana, queria gravar uma entrevista.
23:56Eu falei, gente, eu não vou dar entrevista pra ninguém.
23:58Eu tinha liberdade com o pessoal.
23:59Todo mundo me conhecia.
23:59Conhecia todo mundo.
24:00Virou, era tudo amigo.
24:01Eu falei, eu não vou dar entrevista porque eu acho que eu não vou terminar a prova.
24:04Porque o dia que eu cheguei, a gente ficava no apartamento e ia correndo até a piscina
24:08pra tirar aquela enhaca de voo e entrar no fuso.
24:11Porque eu chegava bem em cima da prova.
24:12Tinha três dias pra entrar no fuso.
24:14E um fuso grande, né?
24:15Importante.
24:16Aí eu não consegui.
24:17A hora que eu fui trotando até a piscina, eu já sentia.
24:21Eu saí da piscina e não consegui colocar o tênis.
24:22Eu falei, bom, não vou correr até a prova.
24:24Só fiquei treinando pedal e bike, pedal e bike.
24:27No dia da prova eu larguei.
24:30Nadei.
24:31Nadei ok e nadei bem.
24:33A hora que eu pisei na areia, eu falei, hum, o dia vai ser longo.
24:36Saí pra pedalar.
24:37Aí tinha uma parte histórica de pedal que chama Ravi.
24:40Que é uma estrada que bate um vento lateral que te derruba de lado na bike.
24:44O pessoal nem fica clipado, fica segurando no guidão.
24:48E era num quilômetro entre os 130 e 150, você passava por Ravi.
24:52Falei, deixa eu dar uma testada no meu calcânio aqui.
24:54Botei pra baixo, pé na sapatilha e doeu muito.
24:57Aí eu tava com o Toragesic, que é um super pra dor, né?
25:02Remédio pra dor.
25:04Potente.
25:04Eu fui tomar, assim, tomei na bike.
25:06Falei, bom, agora eu vou melhorar.
25:08Aí parecia diamante, assim, né?
25:09Que não podia cair.
25:10Cara, imagina.
25:11Tinha uma maratona pela frente.
25:13Desci na bike, entreguei minha bike.
25:15Ainda foi um brasileiro que pegou a minha bicicleta.
25:17Pisei no chão, falei, caramba, não vai dar.
25:20Botei o tênis, eu fui me enganando.
25:22Porque nessa época eu tinha os patrocinadores.
25:24Gente, os patrocinadores zero me cobravam.
25:26Eles iam ser os primeiros a me apoiarem, tá tudo bem se separar.
25:29Mas eu comigo mesma, eu falei, gente, não posso.
25:32Eu não posso parar, eu tenho que terminar essa prova.
25:34Por tudo.
25:35Eu tô aqui.
25:36Eu tenho nomes no meu uniforme.
25:38Eu não posso parar essa prova.
25:39E eu fui me enganando.
25:40Falei, vou só, pra você ver a cabeça, o que a nossa cabeça faz.
25:43Vou até o próximo posto de água.
25:44Vou até o próximo posto de água.
25:46E eu fiz a maratona, indo até o próximo posto de água.
25:49E aí machuquei o tendão do outro dedão do pé.
25:51Porque eu...
25:52Compensando.
25:52Eu terminei a prova, eu não pisava no chão, Carlos.
25:56Eu saí de muleta.
25:57Eu botei o pé na água, pra dar uma geladinha.
25:59E saí de muleta.
26:00Bom, gente, me renderam três meses de robofurte.
26:03E o calcânio, arrebentado.
26:06Tava quebrado.
26:06Tava trincado, né?
26:07Não quebrado 100%, mas fazendo a maratona, eu arrebentei o calcanhar.
26:11Mas são coisas que você falasse, você se arrepende disso?
26:13Você teria feito diferente?
26:15Não.
26:15Eu acho que isso a gente aprende.
26:16Assim, meu, correr um Iron Man com o pé quebrado, você encara qualquer coisa.
26:20Não tem problema surfar grifada, entendeu?
26:22Não tem problema quando, sei lá, você começa...
26:25Sua mente fica treinada pra qualquer coisa.
26:28Eu me identifico muito com essa tua fala de você se colocar em momentos que...
26:35Ou em posições, se colocar em situações.
26:38Você se coloca em situações onde você faz coisas que você nem sabia que você estava
26:43preparado pra fazer.
26:45Você supera os teus limites.
26:46Algo que você nem imaginava antes.
26:48E eu passei isso muitas vezes na minha vida.
26:50Quando você estava falando aí sobre correr o Iron Man com o pé fraturado, né?
26:57Eu me identifiquei, né?
26:58Pra você dizer, poxa, eu estou representando as marcas também.
27:01A mesma coisa acontece comigo nas ondas grandes.
27:04E quando eu parei de competir aos 49, fiz minha última competição com 50, o pessoal
27:10falou, pô, você não quer competir mais?
27:11Eu falei, cara, eu não posso ouvir o barulho da buzina dando on.
27:15Porque se aquele barulho da buzina der on, olha, começou a bateria, uma vai estar enorme,
27:2050 pé, 60 pé, 70 pé, você se transforma naquela situação, né?
27:24Você vai muito além do que você normalmente faz durante um treino, porque você sabe que
27:30ali a competição está valendo.
27:31Não, é a buzina.
27:34No Havaí era o tiro do canhão.
27:36Pois é.
27:38Aí eu te pergunto um negócio, sabe?
27:41Eu sei que o que me motivou a chegar onde eu estou hoje não foi só o esporte.
27:48Talvez o esporte tenha sido o pano de fundo.
27:53A desculpa que eu arrumei para realmente ir atrás do meu sonho e provar que eu poderia
28:00viver desse sonho.
28:01Mas eu também queria provar para o meu pai, para os meus pais, que não acreditavam que
28:08era possível na minha vida eu conseguir viver do esporte.
28:12Para você essa motivação, ela vem só do esporte ou tem algum sentimento mais profundo?
28:19Eu acho, Carlos, que assim, eu tinha uma coisa que eu era sempre, eu sempre fui muito grata
28:23a tudo, a tudo na minha vida.
28:26A todas as oportunidades que eu tive, a todo o apoio que eu sempre tive da minha família.
28:31Nossa, quantas vezes eu me arrebentei na estrada e quebrei costela e quebrei clavícula e assim,
28:36na estrada, entendeu?
28:37Bandeirantes, castelas, sei o que.
28:38Minha mãe nunca falou para eu não ir.
28:40Então eu sempre fui muito grata a tudo.
28:42Mesmo a estrutura que eu tenho, a minha educação, a tudo que meu avô construiu.
28:46Meu avô veio do nada.
28:47Então assim, eu sempre fui muito grata a tudo isso.
28:50Então eu acho que eu tenho uma coisa minha de perfeccionista, de fazer por merecer as
28:54coisas.
28:55Então, por exemplo, talvez o esporte até tenha sido uma válvula de escape nesse sentido
28:59meu de eu preciso fazer por merecer.
29:03Talvez a performance seja vinculada a isso também.
29:06Então assim, eu não posso reclamar.
29:08Se eu quisesse fazer educação física, eu ia ter o apoio da minha família.
29:12Meu avô sempre falou, faça o que você ama, que os resultados vêm.
29:16Então eu sempre tive muito apoio em tudo.
29:19Todas as minhas peripécias da vida, tudo que eu inventei fazer.
29:23Então, a mãe, quero jogar tênis, me levar a jogar tênis.
29:26A mãe, agora eu vou fazer Iron Man.
29:27A mãe falou, não, não vai pedalar na estrada.
29:29Não, administrava o meu...
29:31Eu passo isso com a minha filha.
29:31A Nina, quando ela quis...
29:33Ela ama hipismo.
29:34Ela uma vez estava aquecendo no paddock, que é a pista antes de entrar na pista pra prova.
29:41Meu, o cavalo dela saltou e o cavalo dela falhou a mão direita.
29:44Ela rolou com o cavalo na pista.
29:46E assim, isso é o tipo do coração de mãe.
29:49Você fala, gente, como é que minha mãe aguentou tudo que eu fiz?
29:52E não foi só de bike, foi de tudo.
29:54Foi tombo de esqui, arrebentei o ombro, tudo.
29:56E ela nunca falou pra eu não ir.
29:58Então eu tenho que fazer isso com os meus filhos.
29:59Eu vejo hoje minha filha largando numa prova, eu agarro no crucifixo, assim.
30:03E é uma sensação que eu não sentia na largada de Iron Man no Havaí, competindo mundial com um monte
30:08de marca.
30:09Então são coisas que são emoções.
30:11Eu não sei, eu tenho essa questão de gratidão.
30:12Por exemplo, a gente fala, nossa, vou acordar às quatro da manhã pra ir pedalar.
30:16Eu falava, gente, que bênção eu poder acordar às quatro da manhã.
30:21Tem gente pegando o ônibus, esse horário, pra entrar no turno na empresa.
30:25Então eu tinha essa questão de gratidão.
30:27Então quando eu falo assim, é um privilégio você poder acordar às quatro da manhã, às cinco da manhã, pra
30:32ir treinar.
30:33Tem gente que tá trabalhando no turno da noite.
30:35Então eu sempre fui grata e nunca me achei, ó, estou acordando às quatro da manhã, olha como eu sou.
30:41Não, sou grata.
30:43Sou grata por ter oportunidade de fazer aquilo que eu gosto.
30:46E sempre conseguir encaixar na minha rotina, na minha vida.
30:49Algumas vezes com menos equilíbrio, mas a gente vai ficando mais velho, a gente vai conseguindo fazer um balance melhor.
30:54Mas eu acho que eu tenho essa coisa minha de perfeccionista, de querer fazer direito, por assim, fazer por merecer
31:00o que a vida me dá.
31:02Sabe uma coisa dessa?
31:03Não, eu fiquei emocionado, né?
31:05Você viu, né?
31:07Porque...
31:07Ah, a gente fica.
31:08Cara, assim, eu acho que a gratidão muda tudo na vida.
31:10Muda, gente.
31:11Muda a energia.
31:12O mundo é energia.
31:12Quando você é grato, as coisas fluem.
31:15Por exemplo, eu tinha uma coisa minha, que na largada do Iron Man tinha um amigo meu que era espetacular,
31:20Roberto Azevedo.
31:21Ele falou assim, Ana, minha primeira prova de Iron Man, aquela de 2010.
31:25Só pensa numa coisa.
31:26Ele é psiquiatra, ele é muito louco.
31:29Ele falou assim, Iron Man só tem uma entrada e uma saída.
31:32Se por algum momento passar na sua cabeça, sair por qualquer lugar, não adianta.
31:36Só tem uma entrada e uma saída.
31:38E é isso.
31:39E aí eu visualizava a minha largada, a coisa do você visualizar, a largada e eu chegando.
31:46E aí uma coisa que eu aprendi também é lidar com a ansiedade.
31:50Quando eu tava nadando, eu tava nadando.
31:51Eu não tava nadando pensando que eu tinha que pedalar 180, nadar 3.800 metros, pedalar mais 180 quilômetros e
31:57depois correr mais 42 quilômetros.
31:58Eu não pensava nisso.
32:00Tô nadando, tava nadando.
32:01Aí minha referência, você vai evoluindo, não na primeira prova, né?
32:05Eu falava assim, bom, eu olhava pra pessoa do meu lado.
32:08Puta, esse cara tá nadando mal, então eu tô nadando mal.
32:10Aí eu pá, pá, pá, pá, pra dar um tia pra pegar o pelotão da frente.
32:13Você vai se distraindo, entendeu?
32:15E a hora que eu tava pedalando, é a coisa de você estar presente.
32:18Que é o que a gente faz no surf.
32:20Então eu tava pedalando, eu não tava pedalando.
32:21Eu não tava pedalando 180 quilômetros, não, 5 horas e tanto de pedal.
32:25Ou, sei lá, 5 horas de pedal.
32:27Pensando que eu tinha que correr a maratona.
32:28E aí quando você chega na maratona, é só levar o corpinho pra passear, entendeu?
32:32É a questão da mente.
32:33Isso leva pra tudo na vida.
32:35Pro trabalho, pros negócios.
32:37Nossa, aí entrou em guerra.
32:38Me atinge diretamente falando em trabalho.
32:41Porque é a minha matéria-prima.
32:43Matéria-prima subiu 150%.
32:46Aí liga meu CEO, eu compra.
32:48Sem estresse.
32:49Quer dizer, fico estressada, mas não posso demonstrar estresse.
32:52Mas é uma coisa que se lida pra vida, isso.
32:54A questão de dominar a mente.
32:55Se você está curtindo esse conteúdo, não deixe de se inscrever, por favor, no nosso canal.
33:02E continue incentivando o nosso trabalho.
33:05Nossa equipe é enorme.
33:06São várias pessoas por trás dessa câmera, fazendo tudo acontecer.
33:11Portanto, sua audiência e sua contribuição fazem a maior diferença.
33:17Muito obrigado.
33:18Você falou muito sobre o estado de vulnerabilidade, de ter amor, dentro do amadorismo, a gente
33:27também encontrar uma autocompaixão pra não se exigir muito, mas você tem o outro lado
33:34que você se exige pra caramba.
33:36Você é perfeccionista.
33:37Eu tô tentando decifrar você, tá?
33:38Tá.
33:39E aí você fala da gratidão.
33:41Fala assim, poxa, a gratidão me trouxe até aqui.
33:43Poxa, eu concordo contigo 100%.
33:45Eu sou uma pessoa muito grata.
33:46Eu acho que, assim, se a gente pode levantar da cama todo dia, a gente já tem que ter gratidão.
33:51Só que eu, às vezes, eu encontro pessoas com muita gratidão, mas que não querem se
33:56colocar num lugar de vulnerabilidade.
33:59e tem medo também de olhar pra um filho, pra uma filha, né, e fala assim, vai, assim
34:08como tua mãe falou.
34:09Fala assim, ó, vai, você quebrou a costela, você quase morreu atropelada, mas pode treinar
34:13assim que você ficar boa.
34:14De onde é que será que vem essa transformação de você, além de ser grato, você ter a coragem,
34:22não é a coragem de pegar onda grande, de correr o Ironman, mas a coragem de se colocar
34:27num lugar de vulnerabilidade e saber que tem algo ali na vida que você não controla
34:33e que você tem que se expor mesmo, entendeu?
34:37Gente, mas a gente tá exposto o tempo inteiro, essa questão de a gente achar que a gente
34:40controla o mundo, a gente não controla nada, Carlos, nada.
34:43A gente já passou assim, já passei por muitas situações que você fala, gente, você não
34:45tem o controle de nada.
34:47Eu acho que tem uma questão de educação, eu acho que tem uma questão, sim, minha mãe
34:51sempre me incentivou tudo, minha mãe sempre foi super do esporte e ela não exigia
34:55nada da gente, ela nunca exigiu performance, então eu vim da natação, meu irmão nadava
34:59competitivo, meu irmão nadava super bem, fui nadar, eu me cobrava, eu queria ganhar,
35:03eu queria não sei o quê, fui pra federação e treinava, não sei o quê.
35:06É uma coisa minha, mas eu acho que tem uma questão de empoderamento que veio da minha
35:09educação.
35:10Meu avô, eu tive uma educação muito empoderada, então, por exemplo, eu nunca me senti menos
35:15por ser mulher, por exemplo.
35:17Então, outro dia eu tava até num podcast e falaram, ah, Ana, nossa, Ironman é o nome,
35:21tinha que ser Iron Girl.
35:22Eu falei, não, é Ironman, a gente competia de igual pra igual, largava todo mundo junto,
35:25não tem essa, né, é Ironman e tudo certo.
35:29Então, eu tive uma educação muito empoderada, Carlos, e eu acho que o que a gente passa
35:32pros nossos filhos é isso, você tem que criar personazinhas seguras, seguras pra eles
35:38saberem que eles podem errar e tá tudo bem, que não tem problema.
35:42E eu acho que o esporte competitivo traz muito isso, porque você vai lidar com muita frustração,
35:48muita frustração.
35:49Então, quando minha filha resolveu que ela queria ir competir, fazer provas de hipismo,
35:55eu achei maravilhoso.
35:56Por um lado, meu coração de mãe fala, como é que eu faço pra ela não ir ainda mais
36:00depois desse tombo que ela tomou, que é o tombo mais perigoso do hipismo, que o cavalo
36:02rola junto, né, é um perigo, cai em cima dela, ó, é situação de risco.
36:08Como é que eu...
36:08Grande, né?
36:09Grande, muito, não é só você, não depende de você, depende de muitas outras variáveis,
36:13é um bicho vivo.
36:15Eu falei, eu não posso tirar isso dela.
36:18Ao mesmo tempo que eu tinha um lado meu querendo falar, meu, vamos tirá-la desse esporte,
36:22mas eu montei quando eu era nova.
36:24Falei, não, e aí eu quis empoderá-la nesse dia, ela não precisava do empoderamento,
36:27tá?
36:27Eu peguei no bracinho dela, falei, amor, vai lá, faz esse pistão depois do tombo, ela
36:32quis subir no cavalo de novo, quis fazer a prova.
36:34Meu amor, vai lá, zera essa pista, arrasa, agarrada no terço, tá?
36:38Agarrada no meu crucifixo do peito.
36:42Se você classificar pra amanhã, mamãe volta a montar com você.
36:45Foi lá, fez um provozco, classificou, foi pro pódio, linda, maravilhosa, voltei a montar.
36:50Tô eu com dois cavalos agora, voltei a montar.
36:52Depois de 30 anos, Carlos.
36:54Voltei pra uma prova, fui fazer prova semana passada com ela.
36:58Então, assim, eu não vou brilhar no hipismo, eu tenho 44 anos, gente, mas eu vou dar o meu melhor.
37:03E eu quero incentivar minha filha pra ela dar o meu melhor.
37:05Então, eu acho que são escolhas que você faz, foco.
37:09Determinação, lidar com frustração e saber onde você quer estar, onde você quer chegar.
37:13E eu acho que isso vem da base da educação.
37:16Eu acho que se tem uma pessoa que eu sou grata na minha vida, é a minha mãe.
37:19Minha mãe sempre foi muito de deixar a gente ir.
37:22Meu avô também era assim.
37:24De deixar e estimular.
37:25Deixar, vai quebrar a cara, vai quebrar a cara.
37:29E é assim que a gente aprende na vida.
37:32Vai ter hora que vai estar bom, vai ter hora que vai estar ruim.
37:34E a vida é assim.
37:36E isso é muito legal.
37:37Você acha que a super proteção pode ser ruim?
37:41Ruim.
37:41Eu tiraria minha filha do espismo se eu estivesse numa situação assim.
37:44O primeiro instinto da mãe, vou mudar de esporte.
37:47Eu tirei ela na época do espismo, porque eu comecei a ver que ela gostou demais.
37:50Eu falei, gente, eu não quero ela fazendo isso, porque é perigoso.
37:53Eu sei que é perigoso.
37:54E eu tirei ela, mas ela me insistiu muito pra voltar.
37:57E ela voltou.
37:58Aí o ano passado eu comprei um cavalo pra ela.
37:59E ela ama.
38:01Eu não vou tirar o que ela ama, Carlos.
38:03Por mais que tenha todos os riscos.
38:05Eu até gravei um vídeo falando sobre isso.
38:07Eu falei, gente, minha mãe nunca falou pra eu não ir.
38:11Gente, estrada, carro.
38:14A gente agarra na mão de Deus e confia.
38:17Quais são os maiores desafios hoje pra você?
38:19Hoje?
38:20Como mãe.
38:21Com as crianças.
38:22Eu acho que essa questão de você criar crianças fortes e humanas.
38:26Eu tenho uma preocupação muito grande de como se trata as pessoas.
38:29Dar exemplo sobre isso.
38:30Eu, assim, eu não gosto de deixar eles perto de pessoas que tratam mal as outras pessoas, entendeu?
38:35Ou que não dão valor.
38:36Eu sou uma pessoa que eu trato bem todo mundo.
38:38Não importa classe social, posição no trabalho.
38:42Eu trato todo mundo igual.
38:43Então essa questão de você ter a empatia.
38:45De você ter um ser humano de verdade.
38:48Uma pessoa boa.
38:50Eu acho que é um grande desafio.
38:51Você criar pessoas humanas com coração bom.
38:55Que queiram fazer o bem.
38:57Que façam bem pro mundo.
38:58Que tenham condições de lidar com as pressões da vida.
39:03Porque a gente...
39:03Gente, a vida é um cair e levantar.
39:05Eles vão cair muito.
39:07E vão levantar muito.
39:08Então que eles tenham condições pra fazerem o que eles quiserem.
39:12E terem condições de se dedicarem e fazerem bem.
39:14Eu sou muito nisso de falar.
39:15O que vocês forem fazer, deem o seu melhor.
39:18Meu avô sempre foi muito assim comigo.
39:20Dê o seu melhor.
39:21Sempre.
39:21Pra tudo na vida.
39:22É, e quando você tem gratidão e você tem essa coragem de entender.
39:29Não é nem a coragem só de deixar aí.
39:30Porque às vezes você tem esse instinto mesmo, né?
39:33De desafiar.
39:35Eu gosto.
39:35De ir pra frente.
39:36Eu gosto.
39:36Mas, e quando você entende que a natureza, a vida, o universo pede pra você se colocar
39:43em posições de vulnerabilidade, porque ali tem um aprendizado muito grande.
39:47Quando você tem esse entendimento, né?
39:49A ponto de deixar um pai, uma mãe, uma avô, uma avó falar.
39:52Não, vai lá, se expõe.
39:54Você tem que se expor.
39:55Você tem que entender que pra você conseguir algo, você tem que merecer.
39:59Eu acho isso, pra mim, eu acho que existe um significado muito grande na lei universal
40:06de por que a gente continua evoluindo se a gente caminhar nesse processo, sabe?
40:13Porque se você fica na zona de conforto, com medo, sem querer se expor, toda hora se julgando.
40:19E outra, né, Carlos?
40:20Por exemplo, assim, no surf.
40:21Gente, eu vi os meus vídeos do Paulinho e eu sempre acho que tá horrível.
40:25Mas assim, eu vejo vocês surfando e fico tentando imitar, entendeu?
40:29Eu nunca vou conseguir se surfar que nem vocês e tá tudo bem.
40:32Eu tô tentando, eu faço aula, eu faço técnica, mas é diferente.
40:35E posso falar, isso é uma coisa que eu aprendi a lidar.
40:38Porque numa situação, talvez eu sofresse por não ter a posição top das galáxias.
40:42Gente, eu comecei a surfar depois dos 40, né?
40:44E tá tudo bem.
40:46Eu não preciso ser top em tudo que eu faço ou me divirto.
40:50Importante é diversão.
40:51Por exemplo, no hipismo.
40:52Eu não vou brilhar no hipismo, gente.
40:53Mas eu tô lá, tô competindo, tô com a minha filha.
40:56Gosto da adrenalina do pré-prova.
40:58Gosto da coisa de você focar.
41:00Sou uma pessoa que você foi definindo.
41:01Ana, defina assim uma palavra.
41:03Disciplina.
41:04Sou super disciplinada.
41:06Gosto de fazer as coisas bem feitas.
41:08E sei as minhas limitações.
41:10Eu não vou surfar como você, Carlos.
41:12Nunca.
41:12E tá tudo bem.
41:13Tanto que eu falei assim, os tubos.
41:15Eu morro de medo de pegar tubo porque eu não quero quebrar meu nariz.
41:18Entendeu?
41:18Dar com a cara na prancha.
41:20Falei, eu vou pegar um de um capacete e vou me arriscar.
41:22Mas assim, eu me divirto surfando.
41:25A Lawrence tá ótimo nível 8.
41:26Gente, o nível 8 tá bacana.
41:28Pegamos altas hoje, né?
41:29Oh, altas ondas.
41:29Hoje foi muito legal.
41:31Né?
41:31Primeira sessão foi 100% de aproveitamento.
41:33Eu adoro.
41:34A narração do Paulinho nos vídeos é a melhor.
41:36Eu choro de rir.
41:37Ele vibra com a gente.
41:39Pô, Ana, tá tirando onda.
41:40Aí tem que botar uma imagem do Paulinho aí no podcast.
41:42Paulinho, eu venho aqui.
41:43Paulinho tá...
41:44Vem aqui.
41:44Vai ali dar um beijo nela, Paulinho.
41:46Vem, vem, vem, vem.
41:47200 e mais do Paulinho aí.
41:49Ah, é o melhor.
41:50Posso falar?
41:51Minha torcida, meu torcedor.
41:53Ele é meu torcedor number one.
41:54Campeão de bodyboard, hein?
41:56Campeão mundial de bodyboard.
41:58Não é pouca coisa não, gente.
42:01Ana, vamos lá.
42:02Como é que você constrói as tuas metas?
42:05Porque eu já percebi que você é uma pessoa muito disciplinada,
42:10trabalha muito a sua técnica,
42:11usa essas ferramentas,
42:13pega treinadores, tecnologia, tudo isso.
42:16Mas você é uma pessoa muito intuitiva também.
42:19Como é que você equilibra entre a razão e a intuição?
42:24Eu acho que eu sou os dois, Carlos.
42:26Eu tenho umas coisas de intuição
42:28que eu falo, às vezes eu falo,
42:30gente, não acredito que eu pensei nisso
42:31e realmente é isso e aconteceu, etc e tal.
42:34Mas, assim, se for pensar friamente,
42:36eu sou super racional.
42:38Que nem eu te falei, estourou a guerra lá.
42:41Eu também tava insegura.
42:42Mas na minha insegurança,
42:44eu tenho uma intuição que fala,
42:45não, mas daqui a pouco vai acabar,
42:46a gente já passou por tantos, né?
42:48A Astra vai fazer 70 anos.
42:49Quanta coisa aconteceu?
42:51E quanta coisa eu vivi do lado do meu avô?
42:52E quanta coisa meu avô viveu?
42:54Então, a gente tem uma certa tranquilidade
42:56pra lidar com situações assim,
42:57porque eu acho que é um pouco da intuição
42:58que daqui a pouco acaba.
43:01E na hora que seu CEO te liga e fala,
43:03Ana, subiu, tal empresa abriu a tabela.
43:07Porque todo mundo pode vender matéria-prima.
43:08Eu ia ficar sem matéria-prima.
43:10Tal empresa vende matéria,
43:11150% de aumento.
43:12Você ter a frieza de falar, compra,
43:14não, mas eles estão querendo que pague na frente,
43:16a empresa está quebrando.
43:17Eu falei, paga.
43:19E o que é isso?
43:20Tem a intuição,
43:22tem, obviamente, o meu lado que fica inseguro,
43:24fica, mas eu não posso passar insegurança
43:25pro meu time.
43:26Então, a gente tem que fingir que a gente está plena.
43:28E aí, você usa o seu racional.
43:30Fala, compra.
43:31Não vai deixar de entregar.
43:33Eles vão entregar a matéria-prima.
43:34E você tem que passar a segurança pro seu time.
43:36Você pode...
43:37Não é que você não está inseguro.
43:38Não existe uma pessoa que é insegura.
43:40Claro que eu tenho um...
43:41Nossa, na minha vida,
43:42minha sucessão,
43:43mudança de time,
43:45de time executivo.
43:46Gente, são noites sem dormir.
43:48Um rebranding da marca de quase 70 anos.
43:51E se parar de vender,
43:52porque eu mudei a marca.
43:53Então, óbvio que eu tenho as minhas questões,
43:55mas que eu aprendi a lidar.
43:58E de uma forma ou de outra,
43:59eu preciso passar segurança e confiança
44:02pras pessoas.
44:04Então, eu acho que a gente aprende a equilibrar
44:05essa questão da intuição,
44:07da razão.
44:08E Carlos, vamos lá.
44:09De tomar risco.
44:10Tomar risco.
44:11Tomar risco e saber que você está tomando risco
44:13e lidar bem com isso.
44:14É, o que seria da vida sem tomar risco?
44:16Ah, não tem graça.
44:18Risk, reward.
44:19Sempre o risco e retorno.
44:21Tá.
44:22Muito bom.
44:24Mente brava.
44:25Bravamente.
44:27Nosso podcast, né?
44:29Você fala que no Iron Man,
44:31como em outros momentos difíceis na vida,
44:35você já falou muitas vezes isso aqui, né?
44:37Que a cabeça e o estômago
44:38são os amigos e inimigos, né?
44:40A cabeça por causa dos mil pensamentos, né?
44:43Que está sempre divagando.
44:46E o estômago, né?
44:50Que é o corpo.
44:51A parte física, né?
44:53Exato.
44:54E aí você está...
44:56Ou você perde para o teu físico,
44:58ou você perde para as tuas emoções.
45:02E eu acho que você separa...
45:04Eu, honestamente, tá?
45:06Vou ser sincero com você mais uma vez.
45:08Eu acho que você separa isso muito.
45:10Mas você não acha que é tudo uma coisa só?
45:13O corpo e mente andam juntos.
45:15É tudo junto.
45:16Se a mente não está boa,
45:16seu corpo não vai estar bom.
45:18E o estômago é o principal órgão.
45:22Dessa questão, para mim, por exemplo,
45:24se eu estou em momento de estresse,
45:25onde eu sinto?
45:27No estômago.
45:28Mas eu acho que mente e corpo são, gente.
45:31Já diria ASICS.
45:33Né?
45:34Slogan.
45:34Mas assim, é mente...
45:35E mente e corpo...
45:37Não adianta você ter uma mente boa
45:38e um corpo desnutrido.
45:40Um corpo que não é saudável.
45:42Então, eu acho que a questão da longevidade
45:44é uma coisa só.
45:46É mente, corpo, físico e alma.
45:50E alma.
45:51Eu acho que é isso a conexão de tudo.
45:54Então, para eu estar bem,
45:56eu preciso estar com o fisicamente bem.
45:59Se eu tiver doente,
46:00eu não consigo fazer nada.
46:01Né?
46:01Para você estar com a cabeça boa.
46:03E para o físico estar bom,
46:04sua cabeça tem que estar boa.
46:05Então, é tudo interconectado.
46:06É uma coisa só.
46:07Tá.
46:08Você até falou que você...
46:09Dificilmente você pega uma gripe, né?
46:11Eu tombei essa semana porque eu exagerei.
46:13Sou difícil de tombar.
46:14É muito difícil ficar doente.
46:16Muito difícil.
46:17E aí, eu pontuei.
46:19Eu acho que você não fica doente
46:20porque você é muito feliz.
46:21Uma pessoa muito grata.
46:23Tem bons pensamentos, né?
46:25Boas emoções.
46:26Isso tudo faz uma diferença.
46:28Tem essa conexão.
46:29O corpo emocional,
46:31o corpo físico e emocional,
46:32eles estão juntos.
46:33Total.
46:34Total.
46:34Fala uma forma que você tem
46:36de silenciar aquele neurônio pessimista, sabe?
46:41Você tem alguma maneira
46:43de fazer uma meditação?
46:46Por que você é tão positiva?
46:47Eu sou ruim de meditar.
46:48Eu sou ruim de meditar, tá, cara?
46:50Eu sou super ruim de meditar.
46:51Eu, pra meditar,
46:52às vezes eu já tentei botar meditação
46:53que tem que ser guiada à noite
46:54no fone de ouvido,
46:55naqueles aplicativos.
46:56Eu acho que uma coisa
46:57que eu deixo a desejar, assim,
46:59que é falando
46:59o que você poderia melhorar.
47:01Questão de medicação, de aquietar.
47:03Mas eu tenho os meus momentos.
47:05Então, por exemplo, pra mim,
47:06quando eu saio pra treinar de madrugada
47:07sem ninguém,
47:08sem telefone,
47:09sem e-mail,
47:10sem ninguém,
47:11nada.
47:12Ninguém em volta.
47:13É uma forma de eu me centrar,
47:14me silenciar,
47:15e me fazer
47:17vir as coisas boas.
47:19É óbvio que a gente tem
47:20momentos de tristeza,
47:21é óbvio que a gente tem
47:22pensamentos sabotadores,
47:23o tempo inteiro
47:23isso aqui não vai dar certo.
47:24Você fala, não.
47:25Você tenta aquietar,
47:27silencia
47:28e olha as coisas boas da vida.
47:31Nossa,
47:31eu passei por momentos, assim,
47:33eu sou muito, assim,
47:33de o que temos pra hoje é isso,
47:35como é que eu vou lidar com isso.
47:36Tem uma situação
47:37que foi muito marcante na minha vida,
47:38que foi o meu filho pequeno,
47:40o Pedro,
47:42ele veio com o teste do pezinho alterado.
47:44Foi pesado, assim, pra gente.
47:46E eu lembro de eu passar a madrugada
47:47estudando,
47:48ele veio com fibrosis cística,
47:50que é muito grave.
47:51A criança tem uma...
47:55vai, morre super cedo,
47:57com 15 anos no máximo,
47:58tem uma qualidade de vida ruim,
47:59tem que andar com balão de oxigênio.
48:01Enfim,
48:02até descobrir que era um falso positivo,
48:04ir o exame pros Estados Unidos,
48:07voltar, refazer,
48:08e fazer o teste do pezinho,
48:09parar na Santa Casa,
48:09no laboratório de Santa Casa,
48:10no laboratório de guerra.
48:12Você vê que você não controla nada
48:13nessa vida.
48:14Eu agarrava na mão de Deus,
48:16eu dormia agarrada no terço,
48:18estudando a mutação do gene,
48:19descobri que tinha um remédio
48:21nos Estados Unidos,
48:21que era ter uma mutação.
48:23Enfim,
48:23mas na minha cabeça,
48:25obviamente,
48:25eu tava moída por dentro,
48:27morrendo por dentro,
48:28porque é seu filho,
48:29você não sabe quanto tempo
48:30ele vai durar.
48:32E eu falava,
48:33o que temos pra hoje é isso,
48:34então, o que eu vou fazer?
48:35Vou dar a melhor qualidade de vida
48:37pra ele,
48:37eu vou dar tudo de mim.
48:39Então, eu sempre tive uma situação assim,
48:40o problema é esse,
48:41eu não vou ficar lamentando.
48:43Existe,
48:43a situação é essa.
48:45O que temos pra hoje é isso,
48:46como é que eu lido com isso,
48:48da melhor forma possível.
48:49Então,
48:50são coisas que vão te desencadeando
48:51força,
48:52pra lidar com tudo na vida.
48:54Legal.
48:55A gente falou muito sobre esporte,
48:57como o esporte transforma
49:00a vida das pessoas positivamente,
49:02falamos sobre surf,
49:03surfamos juntos,
49:04falamos sobre triatlo,
49:05natação,
49:07bicicleta,
49:08corrida,
49:09hipismo.
49:11O que mais
49:12que você faz na tua vida
49:14que traz equilíbrio pra você?
49:17Estar com meus filhos,
49:19tomar café da manhã com eles,
49:21as pequenas coisas do dia a dia,
49:23a gente conversando no carro
49:24pra ir pra escola,
49:26tudo isso são coisas do dia a dia
49:27que me fazem bem,
49:29tudo que me faz bem.
49:30Mesmo meu trabalho, gente,
49:31eu vou trabalhar,
49:31eu vou trabalhar feliz.
49:32eu tenho o esporte,
49:34que é o meu centro,
49:35eu brinco que é a minha terapia,
49:37é muito engraçado
49:38que eu chego no escritório,
49:39às vezes tem uma reunião,
49:40sei lá,
49:40nove da manhã,
49:41eu chego,
49:41bom dia,
49:42meu diretor de marketing,
49:43a galera faz bullying comigo.
49:45Não, bom dia não,
49:46na França,
49:46já é boa tarde,
49:47porque eu já nadei,
49:48já corrijo,
49:48já pedraí,
49:48já vi as coisas,
49:49já pesquençam.
49:49Então,
49:50eu tenho as minhas,
49:51e mesmo trabalhar,
49:52pra mim trabalhar não é um problema,
49:53eu gosto.
49:54Então,
49:54eu acho que quando você faz as coisas
49:56com amor,
49:57tudo te alimenta.
49:58mas esses momentos,
49:59assim,
50:00de estar presentes,
50:01botando eles pra dormir,
50:02eu boto eles pra dormir toda noite,
50:03um de cada lado,
50:04assim,
50:05me traz uma paz,
50:07me traz,
50:07sabe assim,
50:09até a mesma coisa na época minha
50:10de Iron Man,
50:11eu falei,
50:11por que você não vira profissional
50:12e vive disso,
50:13não sei o que,
50:13porque eu não vou estar feliz.
50:15Eu gosto de fazer várias coisas,
50:18ou,
50:18ah,
50:19Ana,
50:19para de trabalhar,
50:20vai ser sua mãe.
50:21Não ia estar feliz
50:22sendo sua mãe.
50:23Eu gosto dessas multitarefas,
50:27de ser,
50:28um polvo,
50:29vários braços.
50:30Mas eu acho que você valorizar
50:32essas coisas do dia a dia,
50:34da vida,
50:35são,
50:36tem gente que acha ruim,
50:37tem gente que reclama,
50:38eu não me incomodo,
50:39eu gosto de acordar as coisas da manhã
50:40pra poder tomar café,
50:41treinar,
50:42fazer o meu esporte,
50:42que é pra mim,
50:43pra minha saúde mental,
50:44minha saúde física,
50:45e acordá-los,
50:47tomar café da manhã,
50:48levar pra escola,
50:50ir pro escritório.
50:51Eu lido com as coisas,
50:52eu lido de forma leve,
50:53pra mim não é um peso
50:54ir trabalhar,
50:55entendeu?
50:55Eu acho que quando você faz as coisas
50:56com amor,
50:57tudo fica mais leve na vida.
50:59Ótimo, adorei.
51:00É isso.
51:00Muito bom.
51:01Pessoal,
51:02o seguinte,
51:02muito obrigado,
51:03mais uma vez,
51:04a presença de vocês aqui,
51:05em mais um episódio do Brava Mente,
51:08hoje com Ana Oliva Bolonha,
51:13presidente do Conselho Administrativo da Astra,
51:17diretora e diretora da JAPI e conhecida como a rainha do vaso sanitário.
51:23Zero glamour, gente.
51:25Zero glamour, não tem problema,
51:26a vida é assim.
51:27Mas líder é líder.
51:29É isso, sempre, sempre, sempre.
51:31Parabéns, muito obrigado.
51:33Foi, assim, emocionante, como sempre, né?
51:36Eu acho que essa receita que a gente tem é ótima,
51:38porque a gente quebra o gelo,
51:40a gente se aprofunda
51:42e a gente entende muito mais as emoções
51:44que trazem a gente aonde a gente está hoje na vida, né?
51:48A ser quem nós somos, né?
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52:07Seus comentários,
52:09principalmente se você quiser fazer com que a gente evolua, né?
52:12Tragam críticas,
52:13que a gente absorve essas críticas da melhor forma possível, tá?
52:17Muito obrigado.
52:18Ana, prazer estar contigo.
52:20Prazer é meu, Carlos.
52:22Obrigada.
52:37Obrigada.
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